Não se percebe o que se passa no Largo do Rato. Trucidou-se o Seguro que até nem fez uma má travessia do deserto, construiu-se um enorme pedestal para D. António Sebastião Costa, apresentaram-se uma agenda para a década e um conjunto de propostas de política económica que até colheram alguns elogios à direita – ou não fossem elas escritas sob a batuta de um liberal assumido – e agora é assistir a este triste espectáculo de harakiri político. As sondagens desiludem e a campanha apresenta-se como uma sucessão de desastres até ao cada vez mais provável apocalipse final. Estará tudo doido? [Read more…]
A absoluta demência do fanatismo religioso
Não pode haver qualquer tipo respeito ou tolerância para com tamanha aberração. Insultar este tipo de gente é insultuoso para o próprio insulto. Não existe articulação de palavras possível que permita classificar um psicopata que prefere ver uma filha morrer afogada à sua frente do que permitir que um nadador-salvador a salve em nome de uma crença absurda e demente. Resta-me lamentar que não tenha ido ele em vez da filha.
«Uma Europa bloqueada, reaccionária e mesquinha,

que não pode nem deverá aguentar-se por muito mais tempo.» Uma análise do economista norte-americano James K. Galbraith [fonte: Le Nouvel Observateur/BibliObs]
As falcatruas nos cartazes
Depois de dias a fio dos direitolas a desancarem nos cartazes do PS, com razão, diga-se em abono da verdade, mas sem relevância para além do fait-divers, ao ponto de afirmarem que o PS não poderia querer passar uma imagem de confiança e, simultaneamente, usar fotos sem autorização e colar pessoas a frases que não as proferiram, eis que a trupe do PSD/CDS faz o mesmo que condenou nos outros.
Vá, não se inibam e força com esse hara-kiri.
Os políticos não são todos iguais. João Semedo é diferente
Não, os políticos não são todos iguais. Infelizmente temos políticos íntegros e com o sentido de Estado de João Semedo a menos e indivíduos inúteis, incompetentes e corruptos a mais.
Também temos um Presidente da República com o descaramento de dizer que não sabe se a reforma milionária lhe chega para as contas que praticamente não tem, uma vez que vive literalmente à custa do contribuinte que paga o gás, a electricidade e a água do Palácio de Belém, os carros, os seguros do carros, as revisões e arranjos dos carros, os motoristas e o combustível de todos os veículos que servem Cavaco Silva, as refeições de Cavaco Silva, balúrdios para despesas de representação e, com toda a certeza, um óptimo seguro de saúde. Afinal de contas, não é à toa que residência oficial de Cavaco Silva consegue a proeza de ser mais cara a cada português do que o Palácio de Buckingham a cada inglês. [Read more…]
Onde é que nós já ouvimos isto?
“Não serão necessárias medidas adicionais para que o défice este ano fique abaixo dos 3%“. Em ano de eleições, Pedro Passos Coelho promete tudo e o rebanho acredita. Ou faz de conta por amor à camisola (de lã), é igual. Méééééééééé!
Quando o jornalista da CMTV alucina
Com tanta porcaria pseudo-informativa que dali vem, alguns jornalistas que levam o seu trabalho a sério correm o risco de sofrer alucinações momentâneas. Poderá ser este o caso.
Donald Trump, o Menstruado

“Dava para ver que lhe saía sangue dos olhos, sangue a sair dela – por qualquer sítio“ – disse o candidato norte-americano às próximas eleições presidenciais Donald Trump a propósito da jornalista Megyn Kelly.
Talento assim é raro.
You know nothing António Costa
A desigualdade na educação vista por um leigo
Há uns meses, o DN dava conta de um estudo de Richard V. Reeves e Isabel V. Sawhill apresentado na Conferência Anual do Federal Bank of Boston que revelava uma conclusão que, apesar de versar sobre os EUA, se aplica que nem uma luva no nosso país. O estudo refere que o mérito escolar dos alunos mais pobres nem sempre é reconhecido na mesma medida que o dos alunos ricos, o que faz aumentar ainda mais o abandono escolar nas classes mais desfavorecidas. Por oposição a este cenário, o aluno rico, ainda que medíocre, tem mais facilidade de encontrar emprego, principalmente em sociedades clientelistas como a nossa, a que se juntam outras vantagens, todas elas decorrentes da disponibilidade financeira da família: melhores condições de estudo, possibilidade de fazer Erasmus ou acesso a actividades de valorização curricular fora do estabelecimento escolar, só para citar algumas. Nas palavras da jornalista Joana Capucho, “Mesmo que os jovens pobres façam tudo certo, não vão safar-se tão bem como os ricos que fazem tudo errado.“. [Read more…]
Esta gente nem um corno vale
O engraçado dos discursos moralistas entre a classe política é que, mais cedo ou mais tarde, caem na inevitável contradição.
Um tal Mauro Xavier deu a cara pelo PSD contra uma suposta utilização de recursos públicos por parte do PS na última estupidez socialista dos cartazes.
Mauro Xavier declarou-se “revoltado com a utilização de funcionários da junta para a campanha eleitoral do PS” e considerou que tal utilização “não é normal quando é paga por dinheiro público”. [P]
Obviamente que eu condeno a utilização do dinheiro público para fins de propaganda partidária. E Mauro Xavier, o que pensará ele da mesma descarada situação que anteriormente o seu partido levou a cabo?
Ministra da Justiça admite que pedido verificação de medidas idênticas às do PS foi “erro” [P]
Ministério da Economia admite pedido “indevido” de informações sobre programa do PS [RR]
Neste caso, Mauro Xavier também se sente revoltado ou, por ser o seu partido, já não há problema? E sobre um secretário de estado, de uns tais assuntos europeus, usar o tempo e os meios do seu emprego para fins de propaganda económica, o que terá Mauro Xavier a dizer? E o que terá a acrescentar a restante direitola tão entusiasmada na defesa do feio Maçães, pim!, mas caladinha sobre os seus terem sido apanhados a usar os meios de dois ministérios para fins partidários?

Mas continuem com o discurso de moralismos caseiros que, ao menos, sempre dá para um post.
Modus operandi – II

É impossível tentar passar uma mensagem de “confiança”, pedir “respeito pelas pessoas” e simultaneamente usar imagens sem o conhecimento dos próprios e pior, mentindo quanto ao testemunho, pois as situações são falsas. Seria assim tão difícil contratar pessoas reais dispostas a oferecer o seu testemunho? Provavelmente não, mas levaria mais tempo e daria mais trabalho. É mais fácil telefonar entre gabinetes do aparelho partidário e tratar rapidamente do assunto entre boys e girls…
O lado trágico desta história não é a falta de competência da campanha do PS, mas saber que muitos destes boys and girls ocupam há décadas lugares de nomeação política e se preparam uma vez mais, para tomar conta dos destinos do país. O que explica muito do estado em que Portugal se encontra…
(Muito) Acima da média europeia
Propaganda e Publicidade
“Nove de cada dez estrelas usam Lux”, proclamava um velho anúncio, evidenciando o objectivo da publicidade: obter dos destinatários determinados comportamentos, independentemente de qualquer informação objectiva sobre o produto que quer divulgar. Esta é apenas uma das muitas técnicas publicitárias – fazendo os sujeitos acreditar que, usando um determinado produto, neste caso um sabonete, participam de um universo mitificado como o das estrelas de cinema – de tantas que, mais ou menos explicitamente, mais ou menos subliminarmente, nos fustigam a paciência e em nós procuram aquele bocadinho totó que, em maior ou menor grau, pensam haver em todos nós.
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Um espectáculo
Modus operandi
Nada pior para um país que ser governado por um trafulha, hoje a contas com a Justiça, ao qual sucede um governo que não cumpre promessas eleitorais, para acabar governado, pelo menos a acreditar nas sondagens, por um grupo de trambiqueiros… A comprovar-se que as pessoas não deram autorização para a utilização de imagem nem foram pagas nos seus direitos, é grave, vergonhoso, mas não é de estranhar. Ainda recordo a noite em que o provável futuro Primeiro-Ministro de Portugal foi eleito Presidente da C.M.L., com o entusiástico apoio de apoiantes do… Alandroal. Esta gente não aprende, nem tem emenda!

O filme triunfalista do programa “realista”
A inutilidade de votar nos mesmos, por Paulo Portas
Encontrei esta pérola no Manifesto74 e confesso que já não me sentia tão arrebatado com um desses raros mas deliciosos momentos de clarividência do irrevogável desde os tempos em que Portas dissertava sobre a mediocridade que imperava nos quadros dos “partidos burgueses”, atulhados de gente inútil que não tinha nada que fazer da vida. Desta feita temos Paulo Portas a explicar porque devemos boicotar a coligação PSD/CDS-PP nas Legislativas de Outubro: porque votar nos mesmos é continuar a ter mais do mesmo. Ainda por cima nem aos debates televisivos o deixam ir. Que maçada de eleições que por aí vêm! Valha-nos a silly season e os cartazes do PS para desanuviar.
IEFP apagou 56,3 mil desempregados por mês desde o início do ano e 60 mil só em Junho
O Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP), tutelado pelo Ministério do Emprego e da Segurança Social, “eliminou dos ficheiros” uma média de 56,3 mil desempregados por mês desde o início do ano; 60 mil em junho, mostra um estudo do economista Eugénio Rosa. Esta “limpeza” permite ao governo anunciar números de desemprego registado muito mais favoráveis, acusa. [d]
Sexo no elevador da Câmara de Braga
Que a Câmara Municipal da Braga sempre foi famosa pelos mais variados casos de promiscuidade já todos sabíamos. Relações sexuais num elevador é levar a coisa para outro nível. Vá lá que não custa um cêntimo aos contribuintes. Haja promiscuidade saudável!
Je suis Gleydson Carvalho
Gleydson Carvalho, jornalista brasileiro da Rádio Liberdade FM, conhecido por denunciar políticos locais envolvidos em casos de corrupção, foi ontem à noite assassinado no estúdio onde trabalhava.
Muito mais do que ser Charlie, não tenho dúvidas absolutamente nenhumas de que sou Gleydson. Aqui não existem fanáticos ignorantes movidos por uma violência que nem eles compreendem. Tratam-se de castas políticas criminosas que, quais máfias modernas, mandaram abater uma voz incómoda que não satirizou crenças ou questionou dogmas, denunciou apenas a gestão danosa de algo que também era dele. Será que os hipócritas voltam a sair à rua?
A corrupção instalada nas cúpulas partidárias e governamentais de uma considerável fatia do globo atinge hoje níveis que, noutros tempos, poderia ter levado a levantamentos populares furiosos. Na era das redes sociais e da partilha de informação à velocidade da luz, essa escumalha parasitária vê o cerco apertar-se e, à falta de alternativas, aposta no medo e na violência. Será que, tal como a versão martelada da língua portuguesa, também chegará o dia em que importaremos este tipo de práticas? Corrupção política generalizada e impune já temos. Escumalha parasitária política também.
Os eleitores obrigam-no a mentir

Parece que se não for assim, arrisca-se a ir para o desemprego. Perdão, para um estágio do IEFP, que isto de ser desempregado começa a ser coisa mais rara do que encontrar marcianos no Entroncamento.
PAF #9, OE 2012
Cortes muito substanciais nos sectores da saúde e educação. Não foi racionalização de custos; apenas cortar a eito.
Sabedoria a Sul
Julho de 1989. Algures entre Rosário e Capelins (concelho do Alandroal) perto da ribeira do Lucefecit (sim, é mesmo assim o nome) e a sua foz no Guadiana. Eu, o José Perdigão e o António Bairinhas (colegas de trabalho, os dois do Redondo) andávamos à procura de um sítio cuja toponímia era indicativa de um sítio romano. Calor abrasador. Paramos o Land Rover (o caminho tinha acabado), e seguimos a pé. Algures do meio de nada encontramos um pastor, o seu cão e as respectivas ovelhas. Estavam numa pequena sombra (a acarrar, como se diz). Fazemos as perguntas da praxe, isto é, se há algumas ruínas, se há vestígios de “mouros”, lendas, etc. Após a interessante conversa, pergunto:
-Tem horas?
Olhou-me, e muito calmamente responde:
-Horas? Não! Tenho tempo!
Fiquei parado a pensar na resposta. Despedimo-nos e continuamos. Ainda hoje tenho na memória o seu rosto sereno a responder-me.
A Coisa Sem Nome*
(fotografia tirada daqui)
Oito horas e quinze minutos da manhã, em Hiroshima. Seis de Agosto de 1945. Os relógios pararam todos à hora exacta em que a primeira bomba atómica foi detonada. A essa hora o avião ‘Enola Gay’, do tipo B-29, lançou sobre a que era a sétima maior cidade do Japão a primeira bomba atómica, ironicamente apelidada ‘little boy’. Três dias mais tarde, apesar da constatação dos efeitos devastadores da primeira bomba atómica, uma segunda foi lançada às dez horas e dois minutos sobre outra cidade japonesa – Nagasaki. Em três dias, o mundo conheceu os efeitos daquela que pode ser considerada como a mais poderosa arma de destruição. Em poucos minutos, metade da cidade de Hiroshima ficou reduzida a cinzas, entre sessenta a setenta mil pessoas morreram, muitas delas instantaneamente e cerca de cento e quarenta mil ficaram séria e irreversivelmente feridas. Em Nagasaki a bomba atómica (apelidada ‘fat man’ e lançada por um B-29 chamado ‘Bock’s Car’) matou cerca de quarenta e duas mil pessoas e feriu aproximadamente quarenta mil.
Masoquismos
Os telejornais insistem: um tal António Simões foi nomeado presidente, perdão, CEO, de um banco importante lá pelas terras inglesas. Os locutores anunciam-no com voz plena de enlevo patriótico. Parece que devíamos estar orgulhosos. Porque carga de água? – pergunto. Seja qual for o curriculum – ou o cadastro… – do homem. Não nos cansem. Estamos até aqui de geniais gestores bancários e outros que tais. Raio de mania de adorar “génios” de finanças!
Estamos rodeados de masoquistas?




















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