Jaime Nogueira Pinto é salazarista. É e sempre foi. Não o escondia dantes, não o esconde hoje. Mas a TVI, com aquela pulsão tão ao estilo Correio da Manhã, gosta de temperar as suas iniciativas com um toque de escândalo que, no pequeno cérebro dos seus editores, dá um je ne sais quoi de estimulante nojo às suas produções. Assim, para “debater” o 25 de Abril, nada como convidar jurados inimigos da revolução. Não questiono o direito de JNP acalentar os seus devaneios coloniais, mas já ter de aturar as suas tiradas de “saudade do império colonial” que o Jaime promove a sua “utopia pessoal” e cuja perda reputa como a sua mais relevante recordação do 25 de Abril, é demasiado indigesto. Isto perante a perplexidade do pobre Eduardo Lourenço, que bem faria em escolher melhor as companhias para estas andanças. E a procissão ainda vai no adro. Não falta quem queira transformar esta festa numa vingança. O próprio banqueiro vigarista Jardim Gonçalves já decretou, há dias, que o 25 de Abril está arrumado. Por esta semana, é a segunda vez que suporto as catilinárias do Nogueira Pinto. Não tardarão a aparecer outros democratas de (28) Maio. As comemorações televisivas vão de vento em popa. No que mostram e, sobretudo, no que escondem.
TVI24, a comemorante
33. Ora diga lá outra vez…
Ou eu ando a ver mal ou os benfiquistas da casa nada escreveram sobre a sua 33º vitória no campeonato. Devo estar a ver mal. Se estiver a ver bem, estou certo que tal abstinência se deve ao prolongar dos festejos.
Como portista só tenho de dar a mão à palmatória e reconhecer que o Benfica é um justo vencedor e o Sporting um justo segundo classificado. O meu Porto não pode ganhar sempre e este ano não merecia ganhar. Porém, não posso deixar de sublinhar mais um feito de Jorge Nuno Pinto da Costa:
Ao longo das últimas décadas fez do discurso “o Porto contra tudo e todos” uma bandeira que criou, goste-se ou não, uma verdadeira união entre todos os portistas. Nos últimos anos, de forma inteligente, virou o discurso noutra onda, “o Porto vencedor é de todos” e foi ver a excelente campanha “Somos Porto” com imagens de diferentes pontos do país. Foi o início da caminhada do clube Regional para o clube Nacional (e os títulos internacionais conquistados foram meio caminho andado). Quando ontem, durante os festejos do novo campeão (e nas redes sociais é que foi!) se viu tanto adepto do SLB a destilar ódio contra o FCP colocando-se hoje no lugar que tanto criticaram os portistas ontem, ficou a certeza de mais uma vitória de Pinto da Costa: da mesma forma que conseguiu virar o discurso da negativa para a positiva conseguiu, igualmente, colocar muitos (mesmo muitos) adeptos do adversário a etiquetarem a sua vitória como meramente regional – a confusão entre o “ser portista” e o “ser tripeiro” é notória.
Esquecem que quando insultam “os tripeiros” estão a insultar alguns desses tripeiros que até são adeptos do Benfica…
“Nós”

O gangster que chefia os amanuenses da banca internacional da habitualmente designada por “delegação da troika”, botou discurso. E se o conteúdo nos provoca uma agressiva náusea, a forma não lhe fica atrás. É que o homem falou usando, constantemente, a 1ª pessoa do plural quando se referia ao que “tínhamos” de fazer. “Temos” de cortar mais pensões; “temos” de cortar salários; “temos” de fazer mais sacrifícios. O tipo dá as instruções com a prosápia do capataz protegido pelos donos. Os eunucos que nos governam fazem vénias. O Portas reforça na AR dando explicações com aquela retórica pegajosa e oca que tanto impressiona os iletrados. E nós temos que aturar isto. Temos? “Temos”?
Lido por aí
“E que nesse findar de Páscoa, possamos agradecer imensamente a Deus, que colocou seu filho na terra para morrer por nós”. Amen
O Judas é imortal
Em plena época Pascal, fui parar a um reino onde se faz justiça pelas próprias mãos. Descobri que Judas, o fulano, talvez gay e seguramente traidor (um dos cartazes que não fotografei dizia que ele traiu Cristo e gostou) é um ser muito mau carácter que comete crimes hediondos: tira a sopa aos habitantes do reino, é corrupto e deixa o seu país de luto, provocando graves danos no bolso de todos, não pede factura (ficando, assim, impedido de ganhar um Audi que o magnânimo primeiro-ministro do reino tanto quer oferecer aos habitantes, para além de contribuir para a economia paralela), usa luvas brancas, certamente para executar os seus roubos sem deixar impressões digitais, e isto apenas para citar alguns dos seus crimes. A juntar a isto, parece que Judas não prima pela beleza física, pois é detentor de umas enormes orelhas de coelho e imagino-o um gordo visto que nem cabe no Portas, ai, perdão, não cabe nas portas. Juntando a tudo isto, Judas é um inculto que nem sequer é capaz de escrever poesia, imagine-se!
Piorando a situação, este energúmeno não contribui para a economia local passando férias no Inatel. Deve ser demasiado importante. Tão importante que nem precisa de emigrar, que isso de emigrar é para o povo e para os reles mortais.
Mas algo de bom este Judas teria que ter. É que enfiado num espeto, ele dá um bom amuleto. Felizmente, como comecei por dizer, foi feita justiça e este ser execrável foi queimado esta noite. Felizmente que na vida real nada disto existe.
Sacrificados
Diz quem acredita que Cristo foi dado em sacrifício ao seu pai, com a anuência deste, para nos salvar a nós, ímpios, de todo o pecado.
Se assim foi, por que motivo continuam tantos e tantos seres a ser sacrificados diariamente? Como se explica que haja famílias destroçadas tão frequentemente? Não bastou aquela morte?
Como é que um padre que já enterrou 92 pescadores consegue continuar a acreditar em Deus e consegue continuar a exercer a sua profissão? Respeito a fé deste homem e de todas as pessoas que acreditam, mas é algo que me ultrapassa.
Desde Outubro do ano passado voltei a estar em contacto com a população de Vila do Conde e Póvoa de Varzim. Muitos dos meus formandos são caxineiros. Sempre que algo acontece no mar, noto-lhes as preocupações no rosto, ouço-os mais calados, sinto-os apreensivos. Por vezes, nem sei que se deu mais uma tragédia, mas, mal entro na sala de formação, percebo logo pelo ambiente que algo aconteceu. [Read more…]
Haja alguém que proteja a economia dos malefícios da saúde pública
“[…]poderão ser equacionados contributos adicionais do lado da receita, designadamente na indústria farmacêutica, ou de tributação sobre produtos que têm efeitos nocivos para a saúde” (Maria Luís Albuquerque – 15.04.14)
“Não há taxa. É uma ficção, um fantasma que nunca foi discutido em Conselho de Ministros e cuja especulação só prejudica o funcionamento da economia” (Pires de Lima – 18.04.14)
No seio de um governo desorientando e incompetente, este tipo de contradição é cada vez mais frequente. Aconteceu recentemente com José Leite Martins, repreendido sucessivamente por vários membros do governo, aconteceu com Passos Coelho quando Portas lhe tirou o tapete da TSU ou quando se demitiu em protesto contra a nomeação de Maria Luís Albuquerque, hoje sua comparsa de tantas conferências de imprensa. [Read more…]
Vandalismo e Show Off
O Facebook parece servir para tudo: para encontrar pessoas, reencontrar outras pessoas e exibir aos olhos do mundo um objecto que em tudo parece um validador de bilhetes urbanos da CP e Andante, fotografado no que aparenta ser a cobertura de um apeadeiro ferroviário. A julgar pela legenda encontrada numa página aberta, será em Mazagão (Braga). Parabéns por “mais uma xb é noizz” – @Miguel Castro, “com João Miguel, João Lopes, Renato Macedo,Tiago Gomes e André Almeida em mazagão.”
[via maquinistas]
Lamento de uma morte anunciada

Sabíamos que estava para acontecer, mas resistimos à ideia. Não queremos acreditar que a obra está completa, porque a sentimos infinita. Gabriel Garcia Marquez – o jornalista, o escritor, o cidadão integro e corajoso – é uma daquelas presenças que, para muitos de nós, mede a dimensão dos homens bons. E dos grandes artistas. Quem sentiu o arrebatamento da leitura de Cem Anos de Solidão sabe bem o caminho pelo qual se descobrem estas simples evidências. “Ninguém merece as tuas lágrimas, e quem as merecer não te fará chorar”, dizia. Não choremos, pois. Sobre a morte, pensava o escritor que a melhor é a morte por amor. Não sei. Mas sei que se é verdade que a medida de um homem é, não o quanto ele ama, mas o quanto é amado, Gabriel é gigantesco.
Ladrões profiláticos

Manuel e Maria iam pela rua fora, de braço dado. Iam felizes. Tinham-se oferecido a oportunidade – rara, por estes tempos – de jantar fora e antecipavam momentos agradáveis.
Eis, porém, que das sombras da noite surge um vulto ameaçador empunhando o que parecia uma arma. “Alto! – disse – isto é um assalto”.
Perante o evidente medo do casal, o assaltante explicou-se: “Iam jantar ali, de certeza” – disse, apontando o letreiro do restaurante que já se vislumbrava. “S-s-sim”, assentiu o Manuel.
“Foi o que pensei” – tornou-lhe o ladrão. “Pois fiquem sabendo que o que ali se come é bom, mas faz mal. Os salgados levam sal, os doces levam açúcar, a carne está cheia de proteínas e gordura, os fritos são…enfim, são fritos. Por isso, fico com o vosso dinheiro para vosso bem e na defesa da vossa saúde. Não comem, mas também não aumentam o colesterol nem incorrem em riscos alimentares”.
O casal lá entregou as notas que trazia para o seu serão gastronómico e regressou, entre a tristeza e a raiva, a casa. Sentaram-se desanimados e, já sem apetite, ligaram a televisão procurando evasão para a sua inquietude. Estava a dar o telejornal. Lá ouviram a notícia de que o governo se aprestava a lançar pesados impostos sobre alimentos que, segundo os especialistas, fazem mal à saúde. Sal, açúcar, gorduras, vários alimentos preparados e outras coisas mais. Tudo a bem da saúde dos portugueses com a qual, como sabemos, se preocupam. Concordante, o Manuel saudava as medidas:
“Vês, Maria, nesta tristeza em que estamos sempre é bom saber que o governo se preocupa connosco. É o que vale. Já agora, bem podiam tomar medidas para melhorar a segurança nas ruas. Já não se pode sair sem nos arriscarmos a ser roubados…”
Convidei o Pedrocas para cá almoçar amanhã…
Esta gente podia
Podia, mas não era a mesma coisa!
E se os papás da linha de Cascais não pagassem o infantário?
De nenhum cigarro diremos que é o último

É certo que já poucos são enterrados, é uma questão prática, de higiene, resolve problemas de espaço, só prejudica as floristas. Cremados os restos mortais, despejadas as cinzas no jardim mais próximo, não há encargos com coveiros, lápides, flores frescas ou de plástico, círios ardentes.
Mas ainda há – e talvez sejam necessárias uma ou duas gerações mais para que o hábito se perca – os que teimam em enterrar os seus e peregrinar depois à campa, pelo menos durante os cinco anos que vão do funeral à primeira tentativa de desenterramento.
A família do Sebastião enterrou-o não por vontade expressa do falecido antes de sê-lo, mas por hábito, tradição, horror ao fogo (reminiscências dos sermões admoestativos do padre, talvez) e partir de então passou a haver “a campa do Sebastião”, lugar de romagem nas primeiras semanas após o óbito inesperado, depois tarefa distribuída pelas mulheres da família, e logo incómodo despachado de uma para outra, recebido com um invariável “outra vez? Ainda há pouco fui eu!” [Read more…]
O melhor momento é nunca

As iniciativas “não surgem no melhor momento, nem servem de pretexto para discutir e reformar o sistema político.”
Era o que faltava não se poder trabalhar de manhã nos escritórios de advogados que fazem consultoria às leis que se aprovam à tarde. Exclusividade é coisa dos zecos das escolas e dos dôtores dos centros de saúde. E de todos os que têm que fazer o seu horário de trabalho e mais as horas que só não são extra porque não têm remuneração.
Ninguém está contra se trabalhar a tempo inteiro no trabalho para o qual se recebe salário e ajudas de tempo inteiro. Não, vamos é embrulhar isto num pacote de profunda revisão, que inclua círculos uninominais, redução do número de deputados, financiamento partidário e que até agora nunca surgiu no melhor momento.
Gabriel García Márquez
A vaca verde

Liderada por Jorge Vasconcelos, ex-presidente da Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE), a comissão foi nomeada em finais de Janeiro e tem até 15 de Setembro para apresentar uma proposta para aumentar os impostos relacionados com o ambiente, de modo a reduzir a fiscalidade sobre o trabalho.
(…)
O documento agora divulgado faz uma longa análise dos impostos e taxas que têm relevância ambiental. No ano passado, representaram 13,9% de todas as receitas fiscais do país – aproximadamente um em cada sete euros.
Sucedem-se as notícias do não aumento de impostos. Uma vaca que origine um sétimo dos impostos é alvo apetecível para mais um pouco de ordenha. “Ah e tal, estes não me saem do bolso!” É mesmo assim?
Deixa-se de fumar por causa dos impostos?
O objectivo desta nova taxa alimentar é a taxa em si mesma. O resto é hipocrisia política e duplo discurso, consoante se é oposição ou governo.
Mais impostos? Que ideia. Não precisamos de criar desnecessárias ansiedades.
O deputado Pedro Mota Soares pensava assim em 2009:
“Acho que é uma prática higienista e até fascizante que me obriguem a comer pão com menos sal. E se eu quiser comer pão com mais sal? Não posso?”, questiona o deputado do CDS-PP Pedro Mota Soares que se mostra mais a favor de obrigar a colocar informação clara sobre o teor do sal nos rótulos das embalagens de pão, o que está incluído na proposta socialista. [PÚBLICO]
O que pensará hoje o ministro Pedro Mota Soares sobre esta nova taxa higienista ? E os do PSD, o que é que pensarão? Aguardo com curiosidade o repúdio de ambos quanto a esta investida por parte de quem não vai aumentar os impostos.
A Tecnoforma também foi facilitação?
Facilitar um negócio seria ajudar a criar algo novo. O resto são esquemas de amiguismo.
Acordo Ortográfico de 1990: ortografia descaracterizada
Antes de interromper, durante cerca de um mês, a minha actividade no Aventar, permitam-me uns rápidos parágrafos acerca de grafia ontem surgida na RTP que por cá se apanha.
Qual será o motivo invocado por escreventes de português europeu que adoptam o Acordo Ortográfico de 1990 – por convicção, opção ou coacção – para grafarem *caraterização em vez de caracterização? Levando em consideração o único e incorrecto critério que rege a base IV do Acordo Ortográfico de 1990 – “o critério fonético (ou da pronúncia [sic])” – e sabendo que as directrizes para uma “pronúncia culta da língua” se encontram em obras de referência, a consulta dos dois dicionários de português europeu com transcrição fonética (IPA) permite-nos confirmar ou ficar a saber que ao ‘c’ da sequência -ct- de caracterização corresponde sempre uma oclusiva velar surda, isto é, em linguagem, o ‘c’ medial de caracterização é sempre pronunciado – cf. GDLP, 2004, p. 284 & DLPC, 2001, p. 688. Ou seja, sempre [kɐɾɐktɨɾizɐˈsɐ̃ũ̯] e nunca [kɐɾɐtɨɾizɐˈsɐ̃ũ̯]. Por isso, por muito que custe aos adeptos do Acordo Ortográfico de 1990, a grafia *caraterização não é válida em português europeu e esta [kɐ.ɾɐ.tɨ.ɾi.zɐ.sˈɐ̃w] só serve para alimentar confusões.
Existe frequentemente um enorme fosso quer entre a percepção que temos [Read more…]
Não, filha, não posso comprar-te a bandolete
«Pai, podíamos esconder o nosso dinheiro todo no jardim para o Passos Coelho não o encontrar. E quando fossemos ricos, o Passos Coelho ia aos Bancos dar-nos dinheiro, não era?»
Consideremos o seguinte ponto de vista
Esqueçamos por momentos a relação divergente que o governo mantém entre o que anuncia e o que executa e assumamos que é verdadeira essa intenção de conseguir um défice de 1.9% sem mais impostos/cortes salariais e de pensões/taxas/outras medidas de aumento da receita.
Em vez de 4% do produto interno bruto (PIB), a equipa de Pedro Passos Coelho aponta agora para um défice à volta de 1,9% este ano, indicam números enviados pela Comissão Europeia ao Parlamento português. [dinheiro vivo]
Se o governo pretende atingir uma meta mais exigente do que o acordo com a troika exige e se tal é possível sem aumentar o fardo fiscal que está a derrear os portugueses, concluiu-se que o brutal aumento de impostos de Gaspar era desnecessário e que este governo está a empobrecer o país por opção política.
A alternativa a este ponto de vista é Passos Coelho estar novamente a mentir. Você decide qual das opções é mais credível.

















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