Nem tudo o que parece é

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Para Carlos Guimarães Pinto não faz sentido uma escolaridade obrigatória de 12 anos porque, entre outras coisas, “Portugal é o país da Europa, juntamente com a Holanda, que impõe mais anos de educação obrigatória.

É verdade. Sucede que Portugal é igualmente o terceiro país com mais abandono escolar na Europa (e estou a contar com a Turquia). E isso tem causas: foi, juntamente com a Grécia, o último país da mesma Europa a abandonar uma taxa de analfabetismo que explica esse mesmo abandono escolar, os problemas educativos são sempre geracionais. Como muito bem explica a Maria João Marques “atualmente é muito lesivo das perspetivas profissionais de um jovem com aproveitamento escolar que seja obrigado pelos pais (mesmo que por necessidades financeiras da família) a abandonar a escola, pelo que os pais não devem poder tomar essa decisão“. [Read more…]

Cristiano Ronaldo e a capa do Record

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Cristiano Ronaldo ganhou pela segunda vez a «Bola de Ouro», mas o jornalista mais manhoso da imprensa portuguesa achou que era mais importante a eventual vinda de um tal de Neto para Portugal.
Ronaldo ser o melhor do mundo, está visto, é coisa de somenos. É por não ter jogado no Benfica?

Dono da Meta dos Leitões para o Panteão

Já!

Ronaldo, a projecção e a *projeção

Soube, através do Expresso, que António José Seguro teria feito uma referência à projeção do nome de Portugal, a propósito da Bola de Ouro, ontem entregue a Cristiano Ronaldo.

projeção

Contudo, de facto, o secretário-geral do Partido Socialista não mencionou qualquer projeção. Seguro referiu-se tão-somente à projecção do nome de Portugal. Projecção. Exactamente.

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Segundo nos conta o Diário de Notícias, o actual primeiro-ministro, Passos Coelho, ter-se-á referido quer ao capitão da selecção nacional, quer à seleção nacional.

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Novidades? Nenhumas. O caos ortográfico está instalado e a culpa, garanto-vos, não é certamente do capitão da Selecção. Sim, da Selecção.

Todos à “Meta dos Leitões”!

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“Solicitado o livro de reclamações o mesmo não foi facultado, a quantia cobrada a mais não foi devolvida, pelo que irá aquele grupo de Algarvios apresentar queixa na justiça. Entretanto aqui fica o alerta: se forem à Mealhada, das duas uma: ou não dizem que são do CDS, ou então escolham outro restaurante. Na META DOS LADRÕES não são benvindos.” [CDS Algarve]

Olimpo simples

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“Está bem, eu vou. Mas não te ponhas a armar em Fangio” – respondia, há anos, um aluno meu a um colega que lhe oferecia boleia.

Fiquei surpreendido com a referência. Mais tarde, manifestei ao jovem essa surpresa, perguntando-lhe o que sabia de Juan Manuel Fangio. Que não, que não era nada disso – garantiu-me – é daquelas coisas que se dizem. Na verdade, confessou que nem sabia ao certo se Fangio era uma pessoa. Claro que Fangio não era do seu tempo; a bem dizer, nem era do meu. É, simplesmente, sinónimo universal de rapidez, de boa condução. Quando se diz de alguém que se “arma em Fangio”, está-se simplesmente a enunciar a improbabilidade de o imitador atingir o modelo ideal. No domínio do desporto, isto acontece com alguma frequência. [Read more…]

Fábula

A Quimera do Ouro (1925)

Certo dia uma galinha tomou a seguinte decisão: pertencer a máfia. Delineou o seu plano e comunicou a escolha às suas amigas. Estas ficaram muito surpreendidas, tentaram demovê-la, mas ela manteve-se irredutível. De sacola às costas e convicção na mão, lá partiu ela à aventura. [Read more…]

Os Candidatos Fazem Fila

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Eusébio

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© AFP

Postais de propaganda da II Guerra Mundial em Portugal

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Há uns anos tive que vagar a casa dos meus avós paternos. Na secretária do quarto de meninice do meu pai descobri uma pequena colecção de propaganda de guerra. Principalmente britânica, postais, folhetos e brochuras, alguma alemã, brochuras e folhetos, e um par de brochuras de origem americana. [Read more…]

E quanto a futebol

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A meio deste campeonato a minha decisão é esta. Pinto da Costa que tome a sua.

 

Numa manhã qualquer

Um post da autora convidada Maria de Almeida


Foto: Henri Cartier-Bresson

Num daqueles lugares, que se dizem impessoais, numa repartição pública, o dia, ou melhor a manhã, corria ao ritmo do cumprir dos processos, do atender o público que ia chegando, do toque dos telefones, que, insistentemente, teimavam em não deixar dar sentido e forma, àquilo para quem, os quatro que lá trabalham, são (mal) pagos para fazer.
A porta abre-se uma e outra vez, e às tantas deixa entrar um homem baixo, negro, que fica perdido no meio do corredor, que as secretárias formam.
– Bom dia! Diga….
– Arglh arglh blhark – diz a criatura.
(- A coisa está complicada – penso.)
– O senhor não consegue falar? – pergunto, enquanto reparo no braço direito, que mal dobrado lhe caí ao longo do corpo.
Como resposta recebo um aceno de cabeça que entendo como um não.
– E sabe escrever?
Mais um aceno de cabeça. Um “sim”, entendo.
Passo-lhe, então, um papel e uma caneta para a ponta da mesa, onde, Abdul, chamemos-lhe assim, começa, com dificuldade, e numa letra trabalhada, a rabiscar as razões porque ali se encontrava. [Read more…]

Matic, é hoje!

Pode ser mais do mesmo. Obrigado.

Águas Santas Palmilheira

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“não temos budget para nada”

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Procura-se “jornalista m/f” para trabalho escravo.
Os interessados podem ser sodomizados aqui.

Bali

Monções.

Hoje acordei assim

Em modo golo, Quaresma e magia cigana – tenha o Paulo Fonseca juízo, vai correr bem.

A juventude dos cábulas

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A peregrina ideia de reduzir  a escolaridade obrigatória tem sido criticada por ser um apelo à ignorância. Também é, mas vinda da sua jota tem um objectivo preciso: conquistar o apoio, e aos 18 anos o voto, dos que se sentem obrigados a frequentar a escola quando lhes apetecia moinar à vontade (trabalhar não estou bem a ver onde).

O cábula é um público-alvo como qualquer outro e havia aqui um nicho de mercado que arregaçou as mangas aos moços, num vamos a eles que os outros já não acreditam em nós. Estamos entendidos, e desde que não misturem com mentiras factuais, tudo bem: fiquem com os cábulas, mantendo de resto a sigla JC, Juventude dos Cábulas fica a matar. [Read more…]

os artistas de circo e as pedras das calçadas

Há algo de profundamente humilhante em ver-se, mesmo a décadas de distância e com um bom bocado de mar e largas léguas de permeio, os desacatos e as manigâncias e malabarismos de pessoas que se conheceram numa outra vida, pessoas que, de um modo ou de outro, fizeram parte do nosso universo pessoal.

Colegas de liceu. Colegas de faculdade. Irmãos e primos mais velhos uns, a maioria mais novos, de amigos, colegas, companheiros (e irmãs e primas, mas por qualquer motivo que me finge escapar a maioria das “elas” de então parece ter-se evaporado). Colegas das lides políticas, das lides partidárias, das lides académicas, das lides políticas académicas, das lides políticas partidárias académicas. Amigos, alguns. Outros, conhecidos apenas. Outros, mesmo, inimigos, alguns até virulentamente viscerais.

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Panteão Celebrate Good Time, Com’on

panteao-nacional

“There’s a party goin’ on right here
A celebration to last throughout the years
So bring your good times and your laughter too
We gonna celebrate your party with you
Come on now, celebration
Let’s all celebrate and have a good time”
(© imagem: FB)

A trampa atrai trampa

Efeito de magnetismo escatológico: José Luis Arnaut nomeado para o conselho consultivo internacional do Goldman Sachs.

Cafés há muitos, seus palermas

Bibliotecas é que não. Este sábado, lê-se no jardim do Marquês, à sombra da biblioteca que a CMP deixa transformar-se em café.

Indicadores

indicadores

Afinal Roma paga aos traidores

Arnaut na Goldman Sachs, Gaspar no FMI. É a diáspora dos ladrões.

Da digressão e ‘swing’ na AR chegamos à “CES gatada”

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A ‘Comissão de Inquérito’ da AR sobre os ‘swaps’, até agora, teve efeitos nulos, i.e., exactamente iguais às múltiplas sessões realizadas no Parlamento a propósito de outras matérias. O caso BPN, que me lembre, é o mais eloquente – até Oliveira e Costa (é só um, nada de confusões!), de pulseira e o menos solto dos envolvidos, diz-se na imprensa, não é localizado na residência por portadores de mandados. Chegam a tocar cerca de duas dezenas de vezes à campainha, esta fica roufenha e do homem nem voz afogada pelo duche ecoa.

Todavia, em respeito pelo conceito do contraditório coerente, a D. Elvira da mercearia, o Snr. Martins dos jornais e o Diogo, ‘laranja’ do coração e jovem quadro de uma financeira próxima, encontram e cumprimentam diariamente Oliveira e Costa – não é cumprimento de dois em um, atenção, mas sim individual e com respeito solene.

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A memória em José Socrates

Quando discutimos o que fez um puto de 9 anos numa tarde de verão, sábado à tarde, em 1966, é possível estarmos a delirar ou a discutir política, embora fosse mais sensato aprender psicologia da memória; estamos em Portugal, temos uma imaginação fértil e abundante.

O que faz aqui sentido é pensarmos a nossa memória. Tratando-se de Sócrates o que ficou dentro dela, transbordante,  está nesse vídeo, ou neste. A partir daqui, porque a memória também a construímos, é perfeitamente plausível que décadas depois alguém tropece na sua memória sobre um dia qualquer na infância, e lhe apontemos o dedo: mentiroso.

E já agora, constato que o Best of de Passos Coelho, aqui publicado exactamente um ano após o de Sócrates, já o ultrapassou em visualizações. Esse, daqui a uns anos, quando abrir a boca para dizer bom dia já todos nos estamos a rir e a apontar dois dedos: mentiroso.

Ainda Eusébio e o Panteão

Como se calculará, esta conversa vem a propósito do voto da Assembleia da República, que determina o depósito de Eusébio no Panteão. Contra a qual tenho quatro ou cinco objecções. Por um lado, não me cheira que Eusébio gostasse de se ver naquela companhia. Por outro, ninguém lhe pediu autorização para esse exercício de propaganda dos políticos, que ele talvez não apreciasse. E há mais. Há que Eusébio era um génio da sua profissão e de repente (tirando Garrett e Amália) o rodeiam de uma série de mediocridades, que nunca se distinguiram por terem ajudado a humanidade ou os portugueses. Sim, senhor, Eusébio merece um Panteão. Mas não aquele. Um Panteão no estádio do Benfica, ou perto dali, que as pessoas pudessem visitar sem medo de se irritar ou contaminar. Quanto ao Panteão Nacional, do que ele precisa com urgência é de um “saneamento” sucessivo, que o aproxime um pouco da realidade.

Texto parcial do  artigo de hoje de Vasco Pulido Valente (actual cronista no Público e um dos melhores Secretários de Estado da Cultura do pós 25 de Abril).

Rhynchophorus ferrugineus

«Portugal tinha um ano para se candidatar a fundos comunitários para o seu combate, que é caro, mas não chegou a fazê-lo».

3 milhões e 600 mil segundos

Em silêncio!

O governo não encerra, reconfigura

Que é como quem diz, recalibra.

A Administração Regional de Saúde do Norte (ARSN) não quer que se diga que encerrou o Serviço de Atendimento de Situações Urgentes (SASU) do Porto. O serviço deixou de funcionar a 1 de Janeiro, quem precisar de atendimento urgente já não pode ir lá, o telefone está desligado, mas “encerramento” é uma palavra grande, tão definitiva, tão irrevogável.

Vai daí, em comunicado de imprensa, a ARSN explica que prefere chamar-lhe “reconfiguração”, numa “lógica de maior acessibilidade e proximidade às populações” que, “em síntese, se traduziu no alargamento de horário das unidades de saúde do Covelo e da Carvalhosa”, e que permite a redução do valor da taxa moderada, “que passa de 10 euros (atendimento em urgência) para 5 euros”. [Read more…]