porque é que o merceeiro se deveria dedicar à mercearia e ficar por lá.
Daniel Oliveira explica
A regularidade do *contato
Depois de ontem termos ficado com uma imagem bastante nítida da forma como o Acordo Ortográfico de 1990 tem “entrado inteiramente” no “sistema nacional de educação”, regressemos ao Diário da República.
Na Imprensa Nacional-Casa da Moeda, “solicita-se” a quem envia actos (reparem na barra de endereço: exactamente, actos) para publicação o “melhor empenhamento” no cumprimento da RCM n.º 8/2011. Fiquei igualmente a saber, por exemplo, que a “grafia nova” de ‘dáctilo’ é ‘dáctilo’. Admito que não fazia a mínima ideia.
Como sabemos, o “empenhamento” não é suficiente, principalmente quando a opacidade das regras nem permite que os promotores as compreendam.
Quando tudo se resume à leitura de algumas sínteses do AO90, pedindo-se depois o “melhor empenhamento”, o resultado é este e a actualização lá se vai fazendo, com episódios lamentáveis como o de hoje (sim, hoje, terça-feira, 10 de Dezembro de 2013). As ocorrências de *contato, essas, sim, vão “entrando inteiramente” no “sistema”.
Eu (não) quero sair – Rui Unas
Épico. Passos Coelho explicado às crianças: “teu desrespeito foi como vires ao cu a mim“.
O imparável *contato
Acabo de saber, através dos Tradutores Contra o Acordo Ortográfico, que o Jornal de Notícias decidiu perguntar, há cerca de um mês, se “faz sentido que Portugal continue a liderar o Novo Acordo Ortográfico ou estamos a falhar os objetivos [sic] e o Acordo deveria ser suspenso?”.
É absolutamente extraordinária a resposta dada por Joaquim Azevedo, “diretor [sic] da Escola das Artes da Católica Porto”:
O Acordo deve prosseguir o seu rumo, é um processo imparável, mormente por ter entrado inteiramente em todo o sistema nacional de educação.
Convinha que Joaquim Azevedo se debruçasse sobre alguns dos textos escritos na instituição que dirige, para se pronunciar com alguma exactidão acerca das actuais condições ortográficas do “sistema nacional de educação”.
O insignificante mercado interno
Da forma mais simplificada possível, o que é a política de austeridade? Eu que não sou académico vejo a coisa assim: o estado reduz drasticamente o investimento na economia interna, aumenta os impostos, corta nos salários, pensões e apoios sociais e despede trabalhadores para ter dinheiro para cobrir o défice e reequilibrar as contas públicas. Sim, eu sei, é uma explicação muito limitada, mas é aquela que a maior parte das pessoas conhece.
Acontece que as contas continuam fraquinhas e isto não está com aspecto de melhorar. Se calhar a austeridade não funciona. Já há algum tempo que andam por ai uns perigosos radicais de esquerda (que até têm uns prémios Nobel), que dizem mesmo que a boa da austeridade ainda piora a situação. Mercado interno, espiral recessiva blá blá blá… Fundamentalistas. Incitam-nos a dizer não a mais austeridade!
Mas os gajos que mandam nisto insistem que é mesmo por ai. Austeridade para a frente! E no meio de tudo isto, o “insignificante” mercado interno vai desaparecendo nas brumas da espiral recessiva. Ficam os hipermercados e as exportações. God save PSI-20 and the Netherlands!
O povo dos talões

A medida da nossa mansidão, ocorreu-me há dias, está também no zelo quase religioso com que usamos os talões de desconto.
Somos gente que conserva com desvelo de coleccionador os talões de desconto na carteira, para logo desenrolá-los como pergaminhos de cada vez que chegamos à caixa do supermercado. Só um povo paciente como nós é capaz de conservar talões na carteira durante semanas, ou mesmo meses, para que nos descontem vinte cêntimos num pacote de arroz ou nos ofereçam um pacote de leite a juntar aos seis que levamos. É preciso um povo assim para aguardar, serena e solidariamente, que quem está à frente no caixa use todos os talões que juntou – o cartão de desconto, o vale que só dá para a embalagem de meio quilo de asinhas de frango, os pontos que se acumularam do material escolar do puto – sem bufar, sabendo que aqueles cêntimos fazem uma grande diferença no orçamento daquela família. [Read more…]
Efectivamente: ‘selecção’
Aproximamo-nos muito rapidamente dos três anos e meio da adopção prometida, mas efectivamente não cumprida. Como se sabe, *seleção não reúne condições para reflectir a realidade grafémica do português europeu. Aliás, um título que hoje surge na RTP (Seleção desfalcada corre Europeu de corta-mato) é, como “fatura simplificada”, redundante, pois *seleção já tem implícita a noção ‘desfalcada’ ( do c). No L’Équipe, sabem que assim é. Curiosamente, no Expresso, também. Contudo, o L’Équipe não anuncia adopções de grafias executadas por conversores. Sim, porque no Expresso quem adopta o AO90 é o conversor. Quando dão folga ao conversor, o resultado é este. Evidentemente, alhures, a mesma prática e, consequentemente, os mesmos resultados. Enfim, pano para mangas, mas hoje é domingo.
Continuação de um óptimo fim-de-semana.
Cristiano Ronaldo quer representar a selecção brasileira
Nuno Melo fora de portas!
É uma ordem: Nuno de Melo fora de portas! – Mas uma ordem de quem? – interroga o idoso militante, daqueles que é tão dedicado ao partido quanto obediente. – Ó homem do Dr. Paulo Portas, de quem haveria de ser? – reagiu o outro com ar impaciente.
A conversa decorria em instalações do CDS-PP, entre dois ditos militantes de base. Sentaram-se depois no sofá e olhavam para o televisor, assistindo ao programa do Goucha, da Fátima Lopes ou de outra qualquer estrela televisiva do género. Ou seja, os idosos do lado de cá, que resistiam no máximo 20 minutos à apneia do sono, ouviam parte de histórias e revelações de vida dos idosos do lado de lá.
Excluindo as ilusões destes dois amigos de sofá partidário, quais os benefícios esperados para os cidadãos comuns de ser Nuno Melo o número um da lista do CDS às próximas eleições europeias, na coligação com o PSD? Nenhuns! Ou por outra, as vantagens restringem-se ao sucesso do carreirismo do próprio Nuno Melo e à defesa da liderança de Paulo Portas. [Read more…]
Regressámos aos mercados e… ao ‘clube da bancarrota’
Pode imaginar-se alguma satisfação minha no afundanço do País, devido sobretudo ao teor de certos textos que publico no Aventar.
Pelo contrário, trata-se, apenas, da necessidade de manifestar legítima e justificada preocupação com o rumo desastroso da nossa vida colectiva, evidenciado nas ‘contas públicas’ e na progressiva degradação social e económica a que o actual e anteriores governos – desde Cavaco – nos condenaram.
Há dias, tomei a iniciativa de publicar o ‘post’ com o título ‘O País para trás, a dívida para a frente mas devagar!’.
Considerável número de comentadores não foram parcos nas censuras com que me brindaram; houve mesmo quem me classificasse de ignorante por ter considerado que a operação de ‘troca de dívida’ – ‘adiamento’ para os menos familiarizados com a linguagem tecnocrática – tenha ficado muito abaixo dos objectivos do governo. Foram colocados apenas 24,66% (6.642 milhões de euros) de um pacote de mais de 26.000 milhões. [Read more…]
Ao Sair da Carruagem, a Puta da Ladroagem Roubou-me o Saco da Broa
Era habitual na minha adolescência cantar-se isto. E foi o que me veio à cabeça quando me roubaram.
Não foi bem o saco da broa e não era bem uma carruagem, mas que a ladroagem me roubou, ai isso roubou!
Passo a explicar: Terça-feira de manhã cedo. Decidimos nesse dia não levar as crianças ao infantário e, em vez disso, levá-las a um local bem divertido. Tudo pronto para arrancarmos e o carro, velhinho, não pega. [Read more…]
O banco de fomento e onde é que pára a oposição
O PSD e o CDS, por interpostas pessoas a que se chama governo, estão a criar um novo banco estatal que distribua o financiamento a empresas. Chamam-lhe banco de fomento e juram a pés juntos que isso não poderia ser realizado pela CGD. Apesar do banco público ter sido obrigado pelo governo a comprar o buraco chamado BPN.
A decisão, tomada na reunião de Conselho de Ministros de há duas semanas e publicada sexta-feira em Diário da República, determina que “no prazo de 120 dias sejam concluídos estudos técnicos de suporte à criação da Instituição Financeira de Desenvolvimento”. Estes estudos serão orientados secretários de Estado das Finanças, Manuel Rodrigues, do Desenvolvimento Regional, Castro Almeida e do Empreendedorismo, Franquelim Alves, que também ficam responsáveis por apresentar uma proposta de diploma dentro do mesmo prazo. [Económico, 17/06/13]
Quem conhece a CGD diz não perceber porque é que ela não pode ser esse banco de fomento.
Pão de Todos para Todos
E começou já ontem, dia 6, na Praça da Figueira em Lisboa, a 10ª edição desta iniciativa da CAIS que, através da distribuição gratuita de diversos tipos de pão e bebidas quentinhas, pretende chamar a atenção para a importância da partilha.
Até às 20 horas do dia 8, aproveitem e passem por lá. Podem assistir a espectáculos e workshops interessantes.
Na próxima semana, é a vez do Porto «fermentar esta partilha» logo a partir do dia 12 e até ao dia 15, sempre das 14 às 20 horas. Na Praça dos Poveiros, também com workshops e espectáculos.
Apareçam, mais uma vez, estarei por lá. 
Explicada a cara de pamonha!
Honra lhe seja feita
Helena Matos e sua defesa do colonial-fascismo, a melhor e mais extrema homenagem da direita a Nelson Mandela. O resto, é hipocobardia.
O último gráfico de Vítor Cunha
Está tudo sob controle controlo. As escolas privadas têm melhores resultados aqui, na Suécia e em Marte, esse planeta de mercado livre que será acrescentado logo que os socialistas da OCDE disponibilizem os dados retidos.
Confundiu-o com Gandhi
Passos Coelho: «Mandela foi o líder da resistência não violenta».
Cavaco reage indignado ao artigo do New York Times em que nos comparam aos burros
Cavaco Silva nem queria acreditar quando abriu o New York Times. O influente jornal americano compara os portugueses ao burro mirandês, animal em extinção.
Tamanha afronta levou o Presidente da República a fazer uma comunicação urgente ao País, que aplaudimos vivamente, pois está em causa o nosso prestígio, a nossa História de 204 séculos, o nosso brio e a nossa imagem internacional.
Recorde-se que o jornal norte-americano The New York Times, naquela que é a sua edição internacional, compara os portugueses ao burro mirandês. Isto porque, de acordo com aquela publicação, esta raça retrata a situação o País: o seu papel foi essencial durante anos, mas agora está em risco de extinção e vive dependente de verbas da União Europeia.
Ilegalidades de Nuno Crato e dos seus amigos
Confesso que, a cada curva da estrada, fico mais descansado. Estou, hoje, mais convencido que ontem: a prova não vai acontecer.
E são tantas as confusões que os tribunais só terão dificuldades em encontrar os mais evidentes. Reparem:
– o MEC (GOVERNO) altera o Estatuto da Carreira Docente para enquadrar legalmente a prova. Nesse Decreto não faz qualquer referência a dispensas (5 ou mais anos), ou seja, todos teriam que a fazer;
– numa sede de Lisboa, o sindicato do PSD da UGT, fala de um acordo (verbal?) com Nuno Crato. Segundo os camaradas companheiros, estarão dispensados da prova todos os docentes com mais de 5 anos de serviço.
Acontece que o tempo é o que é e a TROIKA, que consegue cortar feriados e férias, ainda não consegue mexer no andamento dos ponteiros e o dia 18 (dia previsto para a realização da prova) está aí ao virar da esquina. O GOVERNO não tinha condições formais para alterar o ECD em tempo útil. Foram pelo caminho mais fácil e hoje, no Parlamento os boys da maioria fizeram a sua parte e o aviso está publicado em D.R..
Só que, a LEI é uma realidade nada coerente com as práticas desta gentinha. O Aviso é muito claro: [Read more…]
Memória
Morreu o corpo de Mandela e a ideia que os fracos faziam dele, que não lhe percamos a memória…
Freedom don’t come easy, don’t come bloodless, don’t come fast
Mandela in the prison, Biko in the ground
Sharpeville and Soweto Voices sillenced till the end of times
Freedom don’t come easy, don’t come bloodless, don’t come fast
But in the hearts of countless people
No pass law’s gonna stop us pass.
Assembleia Geral
A Margaret e o Ronald já estão a ouvir das boas do terrorista Nelson. Despacha-te Aníbal, estão a precisar de reforços, não esperes pelo Deus, vai lá tu votar.
O Belo e os Monstros
“Mandela não era propriamente um líder político” – opinou o pivô da RTP. Estava dado o tom. As televisões, nos seus noticiários, empenham-se em fazer uma espécie de esterilização da memória de Nelson Mandela. Como se para homenagear o homem fosse necessário negá-lo previamente.
O despudor o a hipocrisia estão, hoje, à solta. Já vi e ouvi os ditirambicos elogios feitos por três ministros de Cavaco Silva – com duas intervenções de Deus Pinheiro, ministro dos negócios estrangeiros da altura! -, o mesmíssimo governo que considerava Mandela terrorista e um dos três que, na ONU, juntamente com os EUA e o RU, votou contra a sua libertação da infindável prisão a que esteve sujeito. Tal como votou em todas as organizações internacionais sempre que se discutiam moções e deliberações, mesmo de carácter humanitário, sobre este tema.
Esta repugnante herança não pode ser esquecida nem apagada e os seus protagonistas só ganham o direito a admirar Mandela se forem capazes de um reconhecimento auto-crítico da sua prática ao tempo. Sejamos claros: Mandela não foi um mártir, nem um santo. Foi um herói, um homem à altura das suas circunstâncias. Foi – e de que maneira – um grande líder político e revolucionário. A sua obra tem as grandezas e imperfeições do que é humano. A África do Sul não foi transformada num paraíso, longe disso; foi libertada. Faz o seu caminho. Esperemos que esteja à altura do caminho de Mandela. Que era um homem de paz, mas não um pacifista; que lutou com todos os meios para que o seu povo tivesse direito a construir uma nação igualitária. Tendo sempre presente: “Se tu queres fazer as pazes com o teu inimigo, tens que trabalhar com o teu inimigo. E então ele torna-se o teu parceiro.”













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