Afinal, há facções e fações

FSP

Hoje, através da Folha de S. Paulo, ficámos a conhecer esta extraordinária ocorrência:

Nova facção mais violenta se organiza em presídios de SP

Decerto, neste preciso momento, alguns defensores do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa de 1990 terão ficado estupefactos com tamanha heresia no título de um jornal de referência.

Próclise (‘se organiza’) e ênclise (‘organiza-se’) à parte, eis mais um exemplo da “unidade essencial da língua portuguesa” conseguida através do AO90.

A ocorrência da palavra ‘facção’ na Folha de S. Paulo, como acontece com ‘recepção’, ‘acepção’, ‘confecção’, ‘intercepção’, ‘percepção’, ‘peremptório’ ou ‘ruptura’, demonstra que a aplicação de critérios tecnicamente inválidos, além de afectar a tal “unidade essencial“, é claramente prejudicial para quem não adopta a norma brasileira.

Existem razões para o c de ‘facção’. Aquilo que não existe é motivo para se insistir no absurdo Acordo Ortográfico de 1990.

Uma curte

O ópio em forma de negação da realidade.

Os incendiários actuaram e o sino repicou

CTTParte substancial do meu tempo é vivida em aldeia do Alto Alentejo, região ocupada por terras inóspitas, searas, chaparrrais e localidades habitadas predominantemente por gente idosa; localidades às quais, na maioria dos casos, já tinham sido retirados ‘centros de saúde’ e outros equipamentos sociais.

Em parte considerável das vilas que se dispersam até à raia com Espanha, é conhecido, desde que se propagou a loucura da privatização, o propósito de encerrar estações dos CTT, no distrito de Portalegre; como, de resto, em outras zonas do interior.

A fim de cumprir objectivos económico-financeiros, na lógica do neoliberalismo, o governo aliena segmentos lucrativos do património nacional – ANA, EDP, CTT, por exemplo – e lesa, sem pudor nem respeito, o interesse público. [Read more…]

Parabéns, António Damásio!

Prémio Grawemeyer (Psicologia) 2014

A foto do dia (National Geographic)

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A huge ocean storm, Porto, Portugal © Veselin Malinov/National Geographic

Quando um bom gráfico estraga uma má história

Tenho uma enorme admiração, um verdadeiro espanto, pela relação do Vítor Cunha com os gráficos em particular e a estatística em geral. Deixando para outra oportunidade explicar porquê, é uma cena poética, vejamos a sua última obra de arte:

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O Vítor Cunha desenvolveu uma tese: os maus resultados da Suécia no PISA seriam uma consequência da imigração que por ali grassa, uma boa forma de contornar a realidade: os testes PISA demonstram que as coisas correm muito mal onde se privatizou o ensino.

Tal imigração, proveniente de países com um baixo nível sócio-cultural é que lhes anda a dar cabo dos resultados, uns suicidas, os suecos. Ora vamos lá ver quem de onde vêm os imigrantes na Suécia (dados de 2010): [Read more…]

Dieta Mediterrânica

dieta_mediterranicaPatrimónio (i)material de Portugal

A dieta mediterrânica faz bem à saúde

dieta mediterrânica
Os números falam por si.

Porque o que é Justo é Justo

Relação das duas dinastias de Correios-Mores do Reino[4]

Pedro Passos Coelho preside a um governo singular. Um governo que transporta a bandeira na lapela. Um governo que descartou o 1º de Dezembro. Um governo que clama pela nossa situação de protectorado. E, para não entediar com mais «pormenores», um governo que privatizou o serviço de Correios. Mas, o serviço postal, criado como serviço público por D. Manuel I, já passou por uma fase privada, até ser «re-estatizado» por D. Maria I. E quem foi o governante que procedeu à sua privatização? Filipe III (sim, III, de Espanha, claro!). Ora que surpresa tão esclarecedora… faz sentido agora toda a actuação deste governo. Tem como Musa Inspiradora a Infame Dinastia. Mas, nisto espero congregar a acção dos justos, não precisamos de concordar com os nossos adversários para exigir que lhes seja feita justiça. Como tal urge premiar toda uma coerência de actuação (mesmo não concordando).

Petição Prémio Filipe III para Passos Coelho (em espanholês/portunhol) [Read more…]

Dieta

Passei hoje pelo supermercado. E ao olhar a banca do peixe – onde o mais barato estava a 15 euros/kg – percebi porque a classificaram como “património imaterial”…

Vantagens de o SCP estar no primeiro lugar:

O William Carvalho, perdão, o maradona escreveu um post.

Estaleiros Navais de Viana do Castelo

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Carlos Rua

Números: “Em 8 de Agosto de 2011 fui convidado pelo Governo actual deste Portugal adormecido para assumir funções de administrador executivo na Empordef, a holding do Estado para as indústrias da Defesa. Preocupação número um na agenda: os 380 despedimentos nos Estaleiros Navais de Viana do Castelo (ENVC) decididos pelo Governo anterior. Seriam mesmo necessários?

Nomes: “O falhanço (…) dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo parece-me imputável a três responsáveis(…):  Vicente Ferreira (presidente do conselho de administração da Empordef) e Gonçalo Sampaio (adjunto do ministro da Defesa Nacional), (…); o responsável político é José Pedro Aguiar Branco, actual ministro da Defesa Nacional.

Esse estranho país chamado Islândia

A Islândia é um estranho país de práticas muito pouco ortodoxas. Um país que se recusou, através de um referendo (onde é que já se viu consultar as pessoas sobre decisões que condicionam a sua vida e a das 50 gerações que se lhes seguirão…), a assumir dívidas de bancos privados que andaram a brincar à especulação, quais paranóicos radicais de esquerda. Um bando de lunáticos que tiveram a ousadia de levar a julgamento um primeiro-ministro que, como todos sabemos, se trata de uma herética afronta à democracia (pelo menos no caso do Portugal). Uma corja demente que elegeu uma primeira-ministra lésbica para governar um país de bem. Que raio se passa na cabeça destes islandeses?

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Big Sister:

armed and dangerous

Portugal muito à frente dos EUA

Tenhamos orgulho. Estamos muito à frente dos EUA. Nós levamos um País inteiro à ruína. Eles deixam falir apenas Detroit.

Ricoré, a Gaiola Dourada e Pedro Abrunhosa

gaiola

Numa daquelas coincidências felizes, vi o filme “Gaiola Dourada” ao mesmo tempo que no iTunes ficava disponível o novo álbum de Pedro Abrunhosa.

Ao ouvir a fantástica “Para os Braços da Minha Mãe” (dueto entre Abrunhosa e Camané) e ao ver a “Gaiola Dourada” dei por mim a pensar nos milhões de portugueses que vivem e trabalham fora de Portugal.

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FNE volta a tentar

Nuno Crato perdeu a cara com esta trapalhada do acordo com a FNE. E ao contrário do que a FNE esperava, os professores continuam muito mobilizados, o que tem uma explicação simples – os professores estão contra a prova, pela prova e não por ser um instrumento para aplicar aos professores mais novos ou aos mais velhos. É evidente um mobilização muito forte nas escolas e a derrota da prova de Nuno Crato era uma situação muito provável. Quer porque os tribunais irão dar razão à FENPROF, quer porque os professores irão faltar no dia 18.

O lema geral, por todo o lado é: não vigiamos, não corrigimos.

E Nuno Crato sabia isto.

Oficialmente, a FNE diz que em vez de ter 100 mortos, só terá 50 e por isso salva 50 vidas. É um argumento pouco consistente, porque tem dois problemas: retira o argumento fundamental contra a prova propriamente dita e deixa de fora os docentes mais frágeis.

Por outro lado, a FNE, numa aposta claramente partidária, opta pelo PSD, deixando de fora os outros sindicatos. A FNE estava desde a semana passada envolvida num processo de luta com outros sindicatos e, sem dar cavaco às tropas, avançou sozinha. Nem um telefonema, nem um simples sms. Os Dirigentes da FNE, tiveram, por isso, um comportamento deplorável e, quanto a isso, não há cosmética que resista.

 

O País para trás, a dívida para a frente mas devagar!

A operação de “troca de dívida” ficou consideravelmente abaixo do valor referido pelo Ministério das Finanças. Conforme anunciado ontem na comunicação social, Maria Luís Albuquerque (MLA) e IGCP estabeleceram o objectivo de adiamento dos vencimentos de 26.935 milhões de euros, nas condições demonstradas no quadro seguinte:

Dívidas_adiamento

O Tesouro Português conseguiu, apenas, colocar no processo de ‘troca’ 6.642 milhões de euros. Note-se que, do diferimento de prazo das dívidas de 2014, Portugal apenas obteve dos mercados a prorrogação de 2.675,5 milhões de euros para 2017, fixando-se em 4164,5 milhões a “troca” para 2018.

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Confesso: sou (também) um mau socialista

O texto é do Manuel Alegre e está no Público de hoje. Penso que vale a sua partilha integral:

O bom socialista é aquele que em diferentes circunstâncias diz as coisas sensatas que a direita gosta de ouvir: que é preciso rever a Constituição, fazer um pacto de regime, negociar um consenso com o Governo sobre as medidas de austeridade.

O bom socialista defende que “ o arco da governabilidade” se restringe à direita e ao PS.

O bom socialista revela abertura para um eventual governo de coligação com os partidos da direita, ou só com o CDS, ou uma reedição do “bloco central”.

O bom socialista é sensível, atento e moderno quanto à necessidade de imprescindíveis cortes e mudanças na Saúde, na Educação e na Segurança Social, tendo em vista diminuir o peso do Estado e dar lugar aos privados com apoio público.

O bom socialista aceita as “reformas” que tendem a transformar em assistencialismo a garantia de direitos sociais pelo Estado.

O bom socialista colabora em medidas que desvalorizam o trabalho em nome de um pretenso aumento da competitividade.

O bom socialista dá prioridade à estabilidade financeira em prejuízo do desenvolvimento económico e da coesão social.

O bom socialista aceita o aumento das desigualdades como consequência inevitável da globalização e considera que não há alternativa.

O bom socialista pensa que a divisão entre esquerda e direita não passa de um arcaísmo. [Read more…]

A idade é um posto

cratinicesPor Henrique Monteiro

Imigrantes escolares

Vitor Cunha defende a catástrofe sueca na educação medida pelo PISA com o aumento da imigração. Migram directamente para o 10º ano, é claro.

Música, vídeo e cultura

Imaginem uma vacaria ser palco de um concerto acústico de uma banda de hip-hop, os “sessentaeum”. Ou uma banda de música experimental, The Model, a tocar numa serralharia…

É um projecto novo que está a ser desenvolvido no concelho da Trofa (numa primeira fase) e que pretende a curto/médio prazo alargar a toda a região Norte e à Galiza. Chama-se “SpinSuave by Correio da Trofa“.

Um projecto que junta bandas, um jornal local e uma empresa. Onde todos ganham e se promovem. Promovendo, igualmente, a cultura e o respectivo concelho. Para já está a acontecer na Trofa. Em breve noutras paragens. Serviço público.

Aqui fica o último vídeo, lançado hoje:

Restaurante com vista

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E no meio de tanta sordidez política e tanta maldade, é bom encontrarmo-nos uns com os outros, abraçarmo-nos e, durante umas horas, percebermos que, como diz a canção, «é muito mais aquilo que nos une do que aquilo que nos separa».
Foi (mais) um excelente almoço do Aventar. Pena nem todos terem podido estar presentes. É que aqui, ao contrário do que acontece noutros locais, quem não vem faz falta.
Num belo restaurante com uma vista fantástica para o Douro. Valbom, Paris e Londres.

Ironicamente

a derrota.

Crato e os Agarrem-nos Que Fazemos Greve

Nuno Crato é, consabidamente, um homem com severas limitações intelectuais. E morais. Do alto do seu vão saber, governa, servindo os interesses que lhe dão corda, com a competência de uma alforreca e a arrogância de um garnisé. No caminho, vai esgrimindo a sua esperteza saloia, mas não vai só.

Nas dificuldades tem, como é habitual, a mão amiga do costume. Embrulhado nas teias do seu absurdo exame de avaliação destinado a provocar e tentar humilhar os professores contratados (os medíocres têm esta necessidade patológica sempre que provam o poder -“se queres conhecer o vilão põe-lhe o cajado na mão…”), Crato, perante a disposição de luta dos professores, repetiu uma táctica já velha e bem nossa conhecida: disse ai-ai e logo acudiu, mansa e sonsa como de costume, a FNE (UGT), pronta para a habitual estratégia do salame e oferecendo-se, ao levantar a sua participação na greve à prova, para ser a fia fatia que sempre foi.

Em troca de umas festinhas e de uma concessão que, por completa ausência de sentido, torna tudo ainda mais absurdo. Quantas vezes já nos foi servido este prato requentado? Quantas vezes já vimos estes senhores e senhoras falar alto e grosso para logo amansar à ordem do dono? Desta vez, à ordem do Crato, prior desta desordem.

A pergunta

de Crato!

Foram Novamente Enganados

Já aqui escrevi quase tudo sobre a prova.b&w1 (2)

Na altura certa coloquei algumas reservas ao domínio laranja sobre a FNE. Sim, do PSD. Porque se a FENPROF é acusada de ser um braço do PCP, creio que as práticas sindicais da FNE não deixam muitas dúvidas sob o farol que a guia.

Entre os Professores, um pouco por todo o país, crescia a indignação contra a Prova. Sentia-se, em cada escola, um conjunto de sentimentos muito semelhantes aos que apareceram no tempo da Ministra Maria de Lurdes.

Parece-me que a palavra recuar estava escrita nas estrelas porque a Maioria (que nos rouba diariamente) não está em condições de aguentar uma guerra longa com a única classe que verdadeiramente luta contra os diferentes poderes.

A UGT e a FNE, como sempre, estavam ali à mão de semear e uma reunião entre militantes na São Caetano permitiu encontrar uma saída. A prova já não é para todos – é só para alguns, para os que não têm 5 anos de serviço. Confesso que não fiquei surpreendido porque não tenho qualquer tipo de expectativas sobre as práticas sindicais da área da UGT.

Não há meias lutas, nem tão pouco meias vitórias.  Na luta contra a prova só há uma vitória, que até pode chegar pela decisão de um tribunal. Com o acordo de hoje, entre os sociais democratas, até parece que o MEC sai bem na fotografia, que a FNE salva o seu governo, mas, caramba, quem se lixa são sempre os mesmos…

Agora a questão é simples: a prova era um erro ontem e é um erro hoje, seja para quem tem pouco tempo de serviço, ou para quem leva anos disto.

Logo, só nos resta continuar.

Como?

Indo a Lisboa, ao Parlamento, na próxima 5ª feira.

Nota: confesso que me apetecia escrever mais qualquer coisa, por exemplo, questionando o que estiveram a fazer nas ruas do Porto no sábado de manhã, quando à hora de almoço já se sabia que ia acontecer isto, mas…

Dia Internacional das Pessoas com Deficiência

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A Associação Portuguesa de Deficientes, porque nada tem para festejar, decidiu assinalar o dia 3 de Dezembro, Dia Internacional das Pessoas com Deficiência, com a realização de uma vigília frente à Assembleia da República, das 19h00 às 22h00.
As medidas de austeridade não afetam somente as pessoas com deficiência mas, pelas suas condições particulares, são estas que mais sentem os cortes nos vencimentos, pensões e apoios sociais. Para lançar este alerta, a APD enviou o convite a um conjunto de organizações para se associarem à vigília que irá realizar, no dia 3 de dezembro, das 19h00 às 22h00, frente à Assembleia da República, uma ação contra as políticas que estrangulam a vida dos portugueses e põem em causa a soberania nacional.
– Queremos os professores ao nosso lado, porque está em causa a escola pública e a educação dos alunos com NEE;
– Queremos os alunos do nosso lado, porque a degradação das condições nas escolas atinge todos sem exceção;
– Queremos os trabalhadores do nosso lado, porque, tal como os trabalhadores com deficiência, estão também a ser vítimas de roubos nos seus salários;
– Queremos os reformados/pensionistas do nosso lado, porque há uma quebra de contrato intolerável por parte do Estado que afeta todos os cidadãos.
– Queremos os trabalhadores precários do nosso lado, porque a precaridade é um problema que se coloca também aos trabalhadores com deficiência;
– Queremos as organizações que lutam pelos direitos dos cidadãos do nosso lado, porque estão em causa direitos fundamentais dos cidadãos.
– Queremos todos os portugueses do nosso lado, porque nós todos sentimos nas nossas vidas as consequências brutais das medidas de austeridade.
Outras soluções são possíveis para resolver os problemas do país e é por elas que temos de lutar.

Lisboa, 2 de Dezembro de 2013

Analogia

Fazia-se uma reportagem sobre golfe, na tv. “O objectivo dos jogadores é aproximar a bola do buraco e metê-la lá dentro“, explicava a jornalista. A seguir veio uma reportagem em que Passos Coelho explicava, em inglês (?), a sua estratégia para o país. Segundo percebi, era a mesma do golfista.

Leitura de Domingo, 1 de Dezembro de 2013

As Cartas a Marina por causa do galego, do Fernando Venâncio ou os séculos de castelhanização contados pela língua.