My father made him an offer he couldn’t refuse.

“A Comissão Europeia foi muito clara neste aspecto, por isso, recomendo que nem percam tempo a tentar fazer passar essas propostas.” –  lê-se no e-mail enviado a Mário Centeno por Danièle Nouy, presidente do Conselho de Supervisão do Banco Central Europeu, e com o conhecimento de Vítor Constâncio. [Expresso]

Neste meandro de opacidade nunca saberemos a história completa. Em particular, se fazer diferente seria possível ou se simplesmente não seríamos esmagados como foi a Grécia.

Afinal a culpa no caso Banif foi do governo de Passos e Portas ou da TVI?

Banif
No dia 12 de Dezembro de 2014 a Comissária Europeia, Margrethe Vestager, solicitou ao anterior Governo, através de uma carta dirigida à ex-ministra das financas Maria Luis Albuquerque, que apresentasse um plano de reestruturação credível para o Banif até Março de 2015, que incluia até uma proposta concreta elaborada pela Comissão Europeia.

Esta proposta apresentada pela Uniao Europeia permitiria ” recuperar totalmente a ajuda concedida pelo Estado ou pelo menos remunerá-la adequadamente “.

O governo de Passos Coelho e Portas foi avisado que,  caso não apresentasse um plano de reestruturação para o Banco, seria aberta pela Comissão Europeia uma investigação ao Banif.

Como o plano nunca foi entregue pelo anterior governo à Comissão Europeia, esta tal como tinha avisado, deu início, em Julho de 2015, a uma investigação ao Banif.

Perante estas sucessões de factos, no dia 20 de Dezembro, o actual primeiro-ministro António Costa anunciou uma medida de resolução para o Banif que deu origem à venda do Banco ao Santander por 150 milhões de euros.

Esta operação deu origem a uma perda, no mínimo de 3 mil milhões de euros, para os contribuintes portugueses.

Agora expliquem-me, por favor muito bem, mesmo com um desenho, se a responsabilidade pelo que se passou no caso Banif foi do anterior governo português ou da TVI?

Na mouche…

Para o governo uns são filhos da mãe, outros…
Para esta gente, fez sentido utilizar-se a dívida sénior para limpar o balanço de um banco. No entanto, na semana anterior noutro caso, tal não era possível e fez-se apelo a um gigantesco apoio dos contribuintes portugueses.

Quem governa Portugal não é certamente o governo

BCE recusou oferta para o Banif que poupava 1,7 mil milhões ao Estado.

Refletindo sobre o Banif e BES. Mais perguntas.

A propósito do artigo “Porque não um bail-in?“, gostaria de deixar mais algumas perguntas e reflexões suplementares, nomeadamente, sobre o impacto que tudo isto pode vir a ter – com elevada probabilidade – no contribuinte, na imagem e confiança em Portugal, e no nosso futuro a médio e longo prazo. Eu gosto de fazer perguntas e procurar respostas. Isso é saudável, recomendo mesmo que todos o façam, pois isso pode ajudar a evitar calafrios futuros e faturas surpresa gigantescas para pagar pelo contribuinte.

A verdade é que alguns meses depois da resolução do BES – feita a 3 de Agosto de 2014 -, o Banco de Portugal vem agora assumir que não foi eficaz na capitalização do Novo Banco, isto é, fez mal as contas. Na decisão de ontem e em complemento da resolução do BES, o Banco de Portugal alterou a decisão original (diz agora que faz um complemento) e reclassificou a dívida sénior passando-a do Novo Banco para o BES (Banco Mau). Com isso resolve problemas atuais de balanço, reduzindo o passivo em 1985 milhões de euros, antecipando de forma parcial a nova Diretiva Europeia de bail-in e contrariando as decisões de 3 de Agosto de 2014. Ora, parece evidente que no caso do Banif – onde se faz um intervenção com dinheiro dos contribuintes e de investidores – e agora do Novo Banco – recorrendo somente a investidores -, o Banco de Portugal não quis que ficassem sobre a alçada da nova diretiva Europeia de bail-in (entra em vigor no dia 1 de Janeiro de 2016). Porquê?

[Read more…]

Tempos novos, conluios de sempre

Santana Castilho

Quando, depois de tantos impostos que pagamos, se morre por falta de assistência médica num hospital central de Lisboa, quando milhares de filhos de emigrantes são expulsos de aulas de língua pátria por falta de pagamento de uma propina inconstitucional, quando se calca a dignidade dos pobres dando-lhes 80 cêntimos mensais de aumento de pensão social, não é o simples anúncio de que os tempos são novos que os mudam. É preciso mais, fazer diferente, selar conúbios.

1. Tivessem Pedro Passos Coelho, Paulo Portas e Maria Luís uma réstia de dignidade política e já teriam vindo a público responder às gravíssimas acusações que lhes foram feitas por António Costa e Mário Centeno, a propósito do Banif. Com esta entrada, não se conclua que aprovo a solução encontrada. Com efeito, nenhum português esclarecido aceita a passividade do Banco de Portugal perante o arrastar da solução do Banif, que outra explicação não tem que não a servidão política à saída limpa e aos interesses eleitorais da coligação PSD/CDS. Como nenhum português esclarecido aceita uma solução que deixa sem resposta tantas perguntas, que abalroam as consciências dos que acreditaram que os tempos seriam novos. Quem já ganhou e vai ganhar com o que os contribuintes já perderam e vão perder? Quem concedeu créditos e quem os não pagou? Quem promoveu a fuga de informação que originou a corrida aos depósitos? Que interesses resultaram protegidos quando Costa e Centeno impediram que a resolução do Banif ocorresse em 2016, rejeitando, assim, a solidariedade europeia e impedindo que o BCE liderasse o processo no âmbito da união bancária e apurasse, em auditoria externa, as responsabilidades do bloco central da teia financeira? Como entender que o mesmo Governo que se escandalizou com a venda da falida TAP por 10 milhões de euros, venha agora obrigar-nos a pagar quase três mil milhões para que um banco estrangeiro fique com o Banif, limpinho de todos os prejuízos, numa solução que Passos Coelho achou inteligente e só o PSD viabilizou no parlamento? [Read more…]

Porque não o bail-in?

O Banif arrastou-se durante 3 anos sem ação. A carta de aviso da abertura formal de investigação por parte da DG-Comp (Comissão Europeia) esteve 5 meses para ser publicada. De um momento para o outro, no dia 18 de Dezembro, o Diário da União publica uma carta com data de Julho de 2015 e precipita a resolução do Banif com um avassalador custo para o contribuinte: perto de 3 mil milhões de euros. Pode ver o detalhe aqui e aqui.

O BES/BANCO BOM/BANCO MAU teve o colapso em Agosto de 2014. Nessa altura, o Banco de Portugal considerou que imputar prejuízos aos investidores detentores de dívida sénior era prejudicial ao país, pois afetaria a sua credibilidade e afastaria investidores de Portugal. Agora, cerca de 18 meses depois, muda radicalmente de ideias e, numa medida desesperada a 2 dias do final do ano, decide atirar para o Banco MAU obrigações com um valor de balanço de 1985 milhões de euros (emitidas pelo banco antes da resolução de Agosto do ano passado). Dessa forma recapitaliza o Banco Bom e condena os investidores internacionais à perda total. [Read more…]

Ecos do ministério da propaganda

MoP

Os ideólogos do velho regime estão a tentar, uma vez mais, vender-nos o fim do acordo à esquerda, procurando criar artificialmente a instabilidade que o sistema financeiro não lhes fez ainda o favor de criar. Os blogues afectos ao “Tea Party” nacional, onde se inclui o blogue travestido de jornal que congrega parte significativa da fina flor que inspirou o ministério de propaganda pafista, querem que acreditemos que a votação do orçamento rectificativo representa o início do fim do acordo entre PS, BE, PCP e PEV. Como se o PSD não estivesse forçado a no mínimo abster-se da solução apresentada para a borrada que fez no governo, e com a qual o seu líder afirmou concordar. Como se os partidos à esquerda do PS fossem telecomandados como os deputados do PSD e do CDS-PP o foram durante a vigência do anterior governo. Como se esses mesmos partidos de esquerda, cientes do sentido de voto do PSD, não soubessem de antemão que poderiam juntar o melhor de dois mundos e agradar ao seu eleitorado ao passo que nada de grave se passava com o seu parceiro governamental. [Read more…]

Perplexidades avulsas

O caso Banif é verdadeiramente inacreditável. Estive a ler o comunicado de imprensa da DG-Comp (Comissão Europeia), do dia 21 de Dezembro de 2015. Nesse comunicado, a DG-Comp diz a determinada altura o seguinte (sublinhados meus):

* “A Comissão Europeia aprovou os planos de Portugal para conceder cerca de 2,25 mil milhões de EUR de auxílio estatal para cobrir o défice de financiamento na resolução do Banco Internacional do Funchal S.A. (Banif), em conformidade com as regras em matéria de auxílios estatais da UE.

Uma outra medida de auxílio no valor de 422 milhões de EUR cobre a transferência de ativos depreciados para um veículo de gestão de ativos. Por último, a Comissão aprovou uma margem adicional de segurança sob a forma de uma garantia do Estado para prever eventuais alterações recentes no valor da parte vendida ao Banco Santander Totta, o que eleva o total das potenciais medidas de auxílio para quase 3 mil milhões de EUR“.
[Read more…]

A saída suja, ou o último grande embuste de Passos e Portas

Banif

Havia no Largo do Caldas, um relógio em contagem descrescente até ao dia em que a Troika se haveria de ir embora. O discurso era heróico e, para a propaganda do hoje defunto PàF, a saída limpa assemelhava-se ao dobrar do Cabo da Tormentas. Por todo o lado, comentadores afectos ao regime, bloggers da corda e perfis falsos no Facebook anunciavam as boas novas da devolução da sobretaxa, dos cofres cheios (de dívida) e da tão almejada saída limpa. Eram bravos, os guerreiros eleitoralistas da coligação.

E contra as expectativas, até certo ponto, a coligação PSD/CDS-PP lá acabou por ganhar as eleições. Uma vitória de pirro, é certo, mas ainda assim uma vitória. Tramou-os a democracia representativa, essa expressão suprema do golpismo que em tempos integrava o leque de opções de Paulo Portas, o homem que, segundo a narrativa da actual oposição parlamentar, seria aquele que teria o PSD e Pedro Passos Coelho refém. [Read more…]

PSD: o denominador comum da fraude bancária em Portugal

banksters

Existe uma relação de promiscuidade entre parte significativa da nata do PSD e a banca falida. Uma relação tão íntima que permite que alguns dos mais altos quadros do partido estejam em todos os actos de criminalidade legal que envolva bancos, paraísos fiscais e dinheiro dos contribuintes. Muito dinheiro dos contribuintes.

A regra é serem todos imunes à justiça. Como se esta não existisse. Por vezes, quando a ira temporária dos plebeus assume uma dimensão passível de incomodar de forma leve a elite que nos comanda, simulam-se processos que, no limite, levam a prisões domiciliárias temporárias de muito curto prazo. Anunciam-se comissões de inquérito inconsequentes. Permite-se que uns quantos comentadores trucidem uns quantos gangsters da alta finança na praça pública. Males menores. No final do dia, o pior que pode acontecer é ter que pagar uma fiança. Os bens, esses, há muito que foram passando para o nome da esposa, do marido, do filho ou do primo. Parece fácil e na verdade é mesmo. [Read more…]

A quem interessa a campanha contra Sérgio Figueiredo?

sergio_figueiredo_tvi

Nos últimos dias o Director de Informação da TVI, Sérgio Figueiredo, tem sido alvo de uma campanha orquestrada, nas redes sociais, com duros ataques públicos, no seguimento do ” caso Banif “, tendo por base, os maiores e mais completos exercícios de imaginação, colocando em causa o seu carácter, a sua idoneidade e o seu profissionalismo.

Antes de mais quero esclarecer que nunca votei José Sócrates, não tenho, nem nunca tive pelo político ou pelo cidadão qualquer tipo de admiraçao pessoal ou política.

Por sua vez tenho pelo Sérgio Figueiredo uma enorme estima. Entendo mesmo que apenas um homem, com um grande carácter e com as ” mãos limpas ” poderia escrever um artigo de opinião no Diário de Noticias, dois dias após a detenção de José Sócrates, afirmando inequivocamente ” Gosto de Sócrates “.

Mais tarde em meados Junho, também no Diário de Notícias, o Sérgio Figueiredo, escreveu um novo artigo de opinião intitulado ” A entrevista que não aconteceu “.

Estes dois textos são de um homem que assume corajosamente as suas opiniões, sendo que tendo em linha de conta os respectivos momentos políticos, são artigos altamente polémicos, mas que dizem muito do carácter do homem que os escreveu e assinou por baixo.

[Read more…]

Prémio Cara de Pau 2015

Cara de pau

Passos Coelho foi um covarde. Maria Luís Albuquerque foi relapsa. Ambos foram calculistas, não quiseram pôr em risco a “saída limpa”.Enganaram a troika. Enganaram-nos a todos. Foi por isso que o BES estoirou um mês depois de a troika sair, quando seis meses antes as autoridades já sabiam, mas esconderam, que as contas do GES estavam aldrabadas? Saída limpa com mãos sujas. Em vez de ter ido à TVI com o impudor de uma suprema cara de pau, Maria Luís devia ser readmitida como ministra das Finanças só para ser demitida a seguir.

por Pedro Santos Guerreiro, esse perigoso ideólogo esquerdalho da mais extrema da extremas-esquerdas.

Imagem via blogue Portal no Ar

Banif: preste atenção, este é um caso muito sério

O caso Banif é escandaloso e intrigante. Escandaloso pelos valores envolvidos, perto de 3 mil milhões de euros para resolver um banco menor, que não tem dimensão sistémica e que representa 3% do mercado nacional (é o 8º banco do país), pela sequência de eventos e pela precipitação dos últimos dias. Intrigante, porque há demasiadas coisas que não encaixam. Estive a estudar, apesar de ainda de forma algo superficial, a sequência de eventos e a diminuta documentação que é pública. Li muitos artigos na comunicação social, ouvi debates com vários intervenientes, desde políticos a pessoas ligadas a instituições bancárias, li e ouvi com espanto e indignação a reação de António Horta Osório exigindo uma auditoria externa ao país, ouvi as várias declarações públicas e ouvi, com muita atenção, a entrevista do Presidente do Banif – Jorge Tomé – ao jornalista José Gomes Ferreira no programa “Negócios da Semana” da SIC-Notícias.

[Read more…]

Nacionalizadores de bancos

Sócrates nacionalizou o BPN. Passos e Portas nacionalizaram o BANIF. Ambos transformaram problemas privados em problemas públicos por causa de uma escassa quota de mercado (2% e 3%, respectivamente). Tenho a certeza que se arranjarão mais dois lugares em Évora.

Saque e desfaçatez sem fim

Como é que se pode abordar a filhadaputice de um CDS a brincar a Pilatos? E de um PSD que nacionalizou o Banif, com dinheiro público, mas sem ter resolvido o problema, para agora procurar passar culpas a um governo em funções há três semanas? Sem retribuir o escarro que João Almeida e Luís Montenegro nos atiraram, não me ocorre forma de o fazer. Remeto, por isso, para os factos de Sérgio de Almeida Correia, que desmontam a falácia da direita.

A muleta laranja do PS

Muleta

Estrela maior do PSD radicalizado e tomado por interesses obscuros, Marco António Costa passou da sombra onde se refugiou durante a campanha eleitoral para a ribalta política e poucos são os dias em que não somos brindados com uma qualquer declaração do homem que conduziu a CM da Gaia à bancarrota absoluta, qual socrático dos quatro costados.

Numa das suas muitas aparições públicas recentes, em entrevista à Renascença a 4 de Novembro, o vice-presidente dos sociais-democratas sublinhou que “o PSD não vai ser muleta de um Governo ilegítimo”. Sendo Marco António Costa uma espécie de porta-voz do partido, é legítimo assumir que tal declaração vinculava, naqueles dias que precediam a moção de rejeição que fez cair o governo de gestão PSD/CDS-PP, a elite dirigente do PSD. Nas ruas, militantes e apoiantes da direita rejubilavam com esta posição de força e o discurso de ruptura disseminava-se pelas redes sociais. Acordos com a esquerdalhada? Nem mortos! [Read more…]

Ao menos saber o que está na conta a pagar!

Horta Osório Banif

António Horta Osório, presidente do gigante britânico Lloyds Banking Group, sobre o Banif (22.12.2015):

“Acho que é um assunto chocante e que tem que ser devidamente explicado (…). Eu acho que tendo o Banco recorrido a cerca de (…) menos de mil milhões de euros há dois anos atrás e agora ser injectado mais do dobro do valor, este valor é demasiado grande para não ter um apuramento (…) claríssimo das responsabilidades. E das duas uma, ou o valor que foi injectado há dois anos era um valor que não estava correcto – e não há nenhuma razão para pressupor que não estava –, ou então tem que se perceber o que é que nestes poucos anos aconteceu e eu acho que deve ser feita uma auditoria independente que mostre aos contribuintes portugueses exactamente que negócios é que foram feitos que originaram esta injecção de capital no Banco, que créditos é que foram concedidos que não foram pagos, porque dado que o mal está feito, acho que os contribuintes portugueses pelo menos merecem saber com transparência e com rectidão exactamente o que é que aconteceu, que dinheiro é que foi utilizado e acho que isso deve ser feito o mais rapidamente possível.”

Tout court: Auditoria independente vai para a frente!!!

Será necessária uma petição??

Limpem a porcaria que fizemos, mas depois acabou

David Dinis, acérrimo defensor do anterior governo PSD/CDS, escreve no seu observador dos sucessos da direita que Passos está “pronto a viabilizar Retificativo. Mas isto que não se repita, ouve-se no PSD.” Não vai tão longe quanto outros, como João Miguel Tavares e Paulo Baldaia, só para apontar dois, que antes também defenderam o anterior governo de direita e que agora se mostram revoltados, como se esperassem algo diferente de quem tinha mentido com unhas e dentes em 2011.

Está iniciado o processo de troca de Passos Coelho, pois alguém tem que pagar a fava e a direita que quer voltar ao poder é que não há-de ser.

O dinheiro não se evaporou

13 mil milhões estourados na banca não se hão-de ter sumido no nada. Onde estão? Ou melhor perguntando, o que está o MP a fazer para os encontrar?

Os rostos da falência do BANIF: Passos Coelho, Portas, Maria Luís e Carlos Costa

passos_portas_maria_luis
Após os escândalos do BPP, do BPN e do BES os portugueses tinham a legítima expectativa que os políticos e a supervisão bancária tivessem aprendido a lição, mas afinal não, esta gente continua a brincar com o dinheiro dos portugueses.

Mais uma vez neste caso do BANIF a culpa tem caras e as caras têm nomes. Mas, mais uma vez, parece-me que os ex-governantes tudo estão a fazer para que a culpa morra solteira. Mas sublinho esta falência tem caras, responsáveis e motivações.

E esses responsáveis são Pedro Passos Coelho, Maria Luís Albuquerque e todo o anterior governo de coligação PSD / CDS, estendendo-se a responsabilidade ao Governador do Banco de Portugal.

carlos costa

Ninguém tem dúvidas que em 2013 a intervenção no BANIF era necessária, mas tudo o que se seguiu foram opções políticas E a manutenção da gestão do BANIF, como a nomeação para um novo mandato de Carlos Costa como governador do Banco de Portugal, foram opções políticas. Aliás, ainda há dias o ex-primeiro-ministro, Passos Coelho afirmava ter toda a confiança no Governador do Banco de Portugal e como a supervisão estava a acompanhar a situação do BANIF. [Read more…]

Zangam-se as comadres, descobrem-se os embustes

Costa MLA

Muita tinta irá correr durante as próximas semanas e, com ela, muita porcaria irá emergir. O passa-culpas já começou e de uma coisa temos já a certeza: a bandeira da saída limpa foi mais uma fraude do anterior governo, que empurrou o problema do Banif com a barriga para salvaguardar a sua posição nas eleições de Outubro.

Por agora deliciemo-nos com as comadres, outrora tão amigas e unidas, que começam a dar sinais de nervosismo e, como ratos, procuram abandonar o barco que ajudaram a afundar. Maria Luís Albuquerque, entrevistada ontem pela TVI, empurrou responsabilidades para a regulação bancária. Em resposta, fonte ligada ao Banco de Portugal contra-atacou, acusando o governo PSD/CDS-PP de não ter agido em conformidade com a dimensão do problema do Banif junto da Direcção-Geral da Concorrência da Comissão Europeia, na procura de uma solução imediata, como de resto vem confirmar a carta da Comissária com a tutela do organismo. Algo me diz que vêm aí mais surpresas. Só não surpreende a manobra do anterior governo, mais uma entre tantas. O homem bem tentou vender o conto para crianças de se estar a lixar para as eleições. Se ruminou quem quis.

O denominador comum

Bancos

Para sermos mais honestos que ele teríamos que nascer duas vezes. Isso e condecorar Alberto João Jardim no dia em que o país acordou em sobressalto com mais um assalto bancário ao bolso do contribuinte, cortesia do banco que financiou o regime que enterrou a Madeira em dívida, sob a batuta daquele a quem Cavaco entregou hoje uma comenda e apelidou de patriota.

Sempre que nos deparamos com estes actos de terrorismo financeiro, que pelas contas do Diário de Notícias já custou aos contribuintes cerca de 13 mil milhões de euros desde 2007 – 7,3% do PIB, quase um ano de colecta de IVA – surge o denominador comum: Cavaco Silva. Foram os seus rapazes que arruinaram o BPN, foram vários os financiamentos de campanha que lhe chegaram do BES, o tal banco no qual os portugueses podiam confiar, e agora sabemos também que foi cúmplice no encobrir de uma fraude com a chancela de altas individualidades do seu partido. Cavaco, sempre Cavaco. Será que ainda vamos a tempo de o ver assim?

Fotomontagem via Os Truques da Imprensa Portuguesa

Saída limpa? Vai um BANIF para debaixo do tapete.

banif
“Estou consciente que tempo adicional foi repetidamente dado para que o banco [BANIF] endereçasse os problemas. Isto foi motivado por considerações de estabilidade financeira e, recentemente, por considerações de não colocar em perigo a saída do país do Programa de Ajustamento Económico.” Margrethe Vestager, Membro da Comissão Europeia, 12 de Dezembro de 2014, via TSF

Preto no branco, a Comissária afirma que o problema do BANIF não foi resolvido para não estragar a saída limpa. Houve um conluio entre a CE e o Governo Português, de Passos Coelho/Paulo Portas, para fabricar um sucesso que não era real. Com que objectivo? À CE interessava ter um caso em que a austeridade tivesse “funcionado” e o governo construiu uma teia de medo/sucesso baseada nesta falsidade. Medo reflectido no, ainda hoje, usado pregão “não estraguem” e sucesso ficcionado com argumentos inventados.

[Read more…]

Novo governo, velha solução…

 

BanifMais um problema no sistema financeiro, desta vez o Banif. Estou-me completamente nas tintas para as responsabilidades do anterior governo, politicamente foi julgado nas urnas, perdeu a maioria, já não existe. Se existirem responsabilidades cíveis ou criminais, a coisa muda de figura, tem a palavra a Justiça. O novo governo liderado por António Costa, certamente aconselhado pelo Banco de Portugal que não conhece outra cartilha, opta pela solução do costume, pagam os contribuintes. Este também é sistémico? Para quando uma falência?

Banif: a força de acreditar (num esquema envolvendo TVI, Grupo Prisa e Santander)

Banif

É interessante que toques nesse assunto Jorge. Não deixa de ser curioso que tenha sido a TVI a lançar o pânico sobre o hipotético encerramento do Banif na semana passada, levando a uma queda abrupta do seu valor em bolsa, quando a TVI é propriedade do grupo espanhol Prisa, que tem como accionista de referência o Banco Santander, o mesmo que ontem adquiriu, pelo habitual preço de saldo, a posição do Estado no Banif. Que conveniente! Não fosse eu tão profundamente crente nos princípios éticos que, como bem sabemos, norteiam a acção da sacrossanta banca, e ficaria tentado a conspirar. Haja força para acreditar!

Banif

Tanta pressa que o governo de Passos Coelho tinha em vender o NOVO BANCO e é o BANIF que vai primeiro. O problema vinha de 2013. Falta saber porque é que foi empurrado com a barriga.

Quanto aos danos causados pela TVI, quem é que ganhou com o pânico intencional? Qual foi a fonte da “notícia”?

A autocrítica de Cavaco Silva

Cavaco

Num raro momento de lucidez, quiçá uma vez mais inspirado por Nossa Senhora de Fátima, Cavaco Silva brindou hoje os portugueses com um inédito momento de autocrítica, longe dos tempos em que a arrogância que o caracteriza o levava a dizer barbaridades como “Eu nunca me engano e raramente tenho dúvidas“. Questionado por jornalistas sobre o caso Banif, o presidente da República fez as seguintes declarações:

É preciso medir bem as palavras quando se fala do sistema bancário, porque o seu funcionamento é decisivo para o funcionamento da nossa economia e consequentemente para o crescimento do emprego e da nossa produção.

O bom senso e o conhecimento das funções do sistema bancário aconselham muito cuidado nas palavras que se pronunciam em público.

Cavaco estaria com certeza a referir-se ao fatidico dia 21 de Julho de 2014 quando, à margem de uma visita à Coreia do Sul, não teve o bom senso de estar calado, afirmando perante o país que os portugueses podiam confiar no BES. Por não saber medir bem as suas palavras, ou talvez por fraco conhecimento das funções do sistema bancário, Cavaco Silva não foi cuidadoso com as palavras que pronunciou em público e contribuiu decisivamente para enganar a população portuguesa sobre à real situação do BES. O resto da história o caro leitor já conhece. Está inclusive a pagá-la.

Que se lixe o Banif, o Mourinho foi despedido!

Mou

A CMVM suspendeu hoje a venda de acções do Banif “até à prestação de informação relevante relativa ao processo de venda voluntária do mesmo“. A última vez que me lembro de ver tal coisa foi em Julho de 2014, quando a mesma CMVM suspendeu a venda das acções do BES, à espera da tal informação relevante que estas situações exigem. Hoje já não existe BES, entretanto substituído por dois bancos maus onde todos os dias enterramos alegremente alguns milhões de euros, e em breve poderá também já não haver Banif. Neste Natal, vasculhe bem o seu sapatinho. É altamente provável que a quadra lhe traga mais uma factura de regabofe bancário para pagar.

Passando para assuntos verdadeiramente importantes, José Mourinho foi hoje despedido do comando técnico do Chelsea, ao que tudo indica por mútuo acordo. A notícia está a marcar a actualidade nacional e é destaque em praticamente toda a imprensa nacional, que remeteu assuntos de menor importância, como o caso Banif, para um quadradinho mais pequeno das suas páginas web. Podem tirar-nos tudo, salários, pensões ou segurança social. Mas não nos podem tirar a escala de prioridades de um país desenvolvido. Que se lixe o Banif! Longa vida ao Special One!

Foto: Andy Rain/EPA

Banif: o resgate que se segue

Uma pastilha elástica Happydent custa, no café da minha rua, 10 cêntimos. Com o mesmo valor, podia na Segunda-feira ter comprado 166 acções do Banif (0,0006€/unidade) e ainda levava para casa algumas fracções de cêntimo. A queda vertiginosa aconteceu no dia em que a TVI anunciou o encerramento do banco que durante anos financiou o megalómano regime jardinista.

O banco reagiu, desmentindo categoricamente qualquer possibilidade de perdas para depositantes e accionistas, com o CEO Jorge Tomé a vir a terreiro para informar as massas de que o banco se encontra numa situação de “liquidez confortável” (para mais tarde recordar), mas a verdade é que a desvalorização bolsista do Banif é um sinal preocupante que não surgiu agora. Se ontem podíamos adquirir 166 acções pelo preço de uma pastilha elástica, poucas semanas após as Legislativas já era possível trocar um café por 250 (0,0026€/unidade) acções do Banif. [Read more…]