Não é asno, é apenas de extrema-direita

O sonho de despedir como os antepassados se livravam de um servo. Nem é fé, é mesmo querer.

João Casanova de Almeida e a asneira perfeita

Um governo que tem no seu programa um corte nas despesas da educação pública que acarreta forçosamente despedimentos (até porque no mesmo programa se aumenta a despesa com o ensino privado, contrariando o memorando) devia ter algum cuidado na hora de o aplicar. O Ministério da Educação teve-o, com a habilidade de um paquiderme numa vidraria.

Primeiro antecipa a indicação dos professores que não iriam ter horário para uma altura onde é impossível fazer tal cálculo (as matrículas ainda nem acabaram). Depois fá-lo ameaçando os directores, lembrando-lhes que podem ser alvo de castigo no caso de se esquecerem de alguém. Resultado; mesmo com uma semana de prolongamento de um prazo absurdo: a maioria dos directores na dúvida preferiu arredondar em claro excesso. Não me admiraria que o total nacional de professores ameaçados se aproxime dos 20%.

Depois deixou que critérios diferentes fossem utilizados na selecção desses professores (ver por exemplo nos comentários a este artigo), motivo mais que suficiente para que o concurso seja impugnado, e ainda gostava de perceber de que estão à espera os sindicatos.  [Read more…]

A função pública que pague a crise

Voltou a mentira dos salários da Função Pública e do Sector Privado, negada por Manuela Ferreira Leite e por um estudo, que continua escondido, da Capgemini.

É rotina.

Acrescenta-se a teoria de que os funcionários públicos não podem ser despedidos. Curiosamente o não despedimento de  100 000 funcionários foi justificado com as indemnizações que teriam de ser pagas, logo o problema não é não se poder despedir, sendo verdade que o estado não pode recorrer ao expediente de declarar falência para abrir a mesma chafarica com outro nome, esse clássico do empreendedorismo nacional. Numa altura em que a subcontratação de enfermeiros, médicos e professores passou a regra (para pagar a empresas privadas há sempre dinheiro), esta conversa de treta roça o ridículo.

Ah, e a ADSE, como se a sua função neste momento não fosse a de subsidiar os negociantes da saúde…

Tudo isto porque, dizem, não há dinheiro. É por não haver dinheiros que as PPP’s seguem de vento em popa, grande parte da economia real escapa aos impostos e as grandes fortunas não são taxadas. Mas isto é paleio. Assaltar os salários dos funcionários públicos ou despedi-los é que está a dar.

Datas dos concursos de Professores

Finalmente!

O MEC acaba de divulgar as datas para os concursos de Professores que se seguem e que vão ser os mais importantes, pelo menos desde que a televisão ganhou cor.

Para entenderem do que falo, mesmo se estiverem a ler este post e não estiverem por dentro da temática, diria que, sem qualquer margem de dúvida, no segundo ciclo, em cada duas turmas, um Professor será despedido. Imaginem a letra que a vossa turma do 5º ou do 6º tinha e percebem que facilmente teremos entre 20 a 30 professores despedidos em cada escola.

Despedidos! Assim, com as letras todas. Porque o que vai acontecer na escola A, acontecerá também na escola B.

A nova legislação de concursos não favorece os docentes e promove a mobilidade “forçada”.

Para todas as necessidades transitórias estão aí as datas, se, numa lógica de serviço público, quiser deixar algum tipo de dúvidas sobre os concursos, talvez o Aventar possa ajudar!

Pelo menos para partilhar angústias e raivas, estamos cá! Diga coisas!

Poupa quase tudo e despede muito mais que nada

É que o despacho de abertura das hostilidades para o ano lectivo é só o maior despedimento de sempre na função pública. O maior incentivo à perda de qualidade e produtividade também.

Dividir para… diminuir

Brilhante! A sério. O Nuno Crato tem que ser um tipo esperto. Meia dúzia de páginas e pânico está instalado. Meio minuto para ti, cinco para mim que sou mais importante que tu.

Só uma coisinha a título de ponto de ordem à mesa:

– por mais contas que se façam, no final haverá mais professores despedidos!

Despedir é pecado

“Despedir é pecado”. “Despedir é pecado.”

Ouvi na rádio esta frase que ecoa até agora na minha cabeça: “despedir é pecado e uma grande falta de solidariedade”.

Estas palavras do padre missionário António Fernandes caiem em saco roto. Sabemos. Tudo vale neste mundo. Mas podemos substituir «pecado», palavra que não existe no dicionário de muitos patrões, por outras palavras que talvez ainda restem por lá (no dicionário e nas consciências, se é que a têm): despedir é desumano, é maldade, é crueldade, etc.

Penitência para eles!

Soares da Costa teve prejuízo de 8,2 milhões até Março

Uma parte é porque despedem – 
desculpem, “rescindem amigavelmente”  – trabalhadores. Outra é porque não  rescindem.

Santos da Igreja podem ser despedidos

As dificuldades financeiras da Igreja estão a lançar o pânico entre alguns santos, especialmente os que foram beatificados há mais tempo. Jesus, o CEO do Céu, terá declarado que “os santos mais antigos não souberam requalificar-se, acomodaram-se, viveram acima das suas possibilidades e, assim, nem Deus lhes pode valer.” Foi possível apurar que, na melhor das hipóteses, alguns desses santos poderão estar sujeitos à mobilidade, podendo ser obrigados a ser padroeiros de áreas inferiores. Santo António será um deles, face ao decréscimo de casamentos, e o próprio São Bento, tendo em conta a situação da Europa, está em maus lençóis.

O pau, a cenoura e o pão de ló

O pau é o instrumento político mais utilizado por este governo e trabalha todos os dias (exemplo de hoje).

De vez em quando lá aparece uma cenoura, que nem o é porque resulta da mera ameaça do pau (primeiro ameaça-se “vou dar-te com o pau” e depois diz-se “bem, desta vez escapas”. É assim a modos que uma cenoura virtual feita para parecer real.)

Finalmente, temos o pão de ló (e para esse não faltam ovos, nem farinha, nem açúcar, apesar de se utilizar uma prática oposta à da cenoura – afirma-se que o pão de ló não existe e é apenas virtual.)

Temos, portanto, uma política de pau para quase todos e pão de ló para uns quantos. O resto são cantigas e figuras de estilo.

Roma só paga a quem a serve, pelos outros divide tostões

Aqui há dias, uma jovem empregada comentava, compreensiva, o roubo do 13º mês: “com o país em dificuldade todos temos de contribuir”.

Agora soube que vai ser despedida. Vou ser macabramente cínico: ainda não lhe perguntei se está feliz por contribuir tão intensamente.

Liberalizem os despedimentos…

e deixem à solta os filhos da puta.

Estava eu a almoçar num local que frequento com alguma regularidade quando, por força da proximidade e do volume da conversa, fui obrigado a ouvir o que se passava na mesa ao lado. Estavam dois indivíduos entre garfadas quando um deles recebeu um telefonema. Faço apenas um resumo do essencial, mas a totalidade dos pormenores, cada frase, todos os sentidos, eram do género do que se segue:

-….

– Ai é? E quem era o responsável?

-…

-Não sabes? Então, se queres mostrar quem manda, despede um já hoje. Um qualquer, ao calhas.

-…

– Ao calhas, sim, se queres mandar despede já um. Ou dois. Assim os gajos percebem quem manda.

-…

– Não queres despedir os portugueses? Então despede brasileiros, dois ou três de uma vez.

-…

-Quais? Os que te apetecer. Dizes aos gajos “meu amigo, você já foi ao SEF? Não? Então rua”.

-…

-Têm data marcada para ir ao SEF, estão à espera do dia agendado? Então aproveita agora, dizes “já devia ter ido” e pões os gajos a andar. Depois agarras em dois dos que ficarem e dás uma gratificação de 50 euros a cada um. Esses ficam do teu lado. Vem nos livros: há sempre uns que são neutros, uns que estão contra ti e uns que ficam do teu lado, esses são aqueles que te dão o poder. Agarras já nos que gostas menos e andor. Eu dei-te o poder, não foi para me vires pedir para resolver estes problemas. Desenrascas-te e mostras logo que tu é que mandas. Se não fizeres isso, não me venhas pedir ajuda quando der para o torto. Não se pode ser simpático com seres humanos, tens que os tratar abaixo de cão. Estes gajos são animais, é isso que tens que perceber.

-…

O telefonema ainda continuava quando me levantei, paguei e disse ao homem, em voz alta, que era um asqueroso. Ia na soleira da porta quando chegou a resposta.

– Asqueroso és tu.

Nem me virei. Com esta resposta tenho a certeza que a pessoa do outro lado ouviu. O que fez a seguir, não sei. Provavelmente era apenas mais um cobarde asqueroso e seguiu os conselhos do chefe, eventualmente, até, com excesso de zelo.

Deixem os filhos da puta à solta e verão. Como dizia o primeiro sem perceber que se auto-retratava “estes gajos são animais”. Pois é. E é isso que temos que perceber.

Confirmado: vai haver despedimentos na função pública

O primeiro-ministro José Sócrates afirmou hoje que o Governo não vai fazer despedimentos na função pública. in Público

Beliape, um caso de estudo do capitalismo português contemporâneo

Os trabalhadores despedidos e com salários em atraso da Beliape, uma fábrica de frangos em Cucujães, acusam seguranças ao serviço da administração de o terem atacado com petardos. A reportagem no Ionline dá conta do pânico entre os que tentam evitar o habitual roubo da maquinaria depois de encerrada a fábrica. Foram atacados depois desta reportagem da RTP ter sido emitida:

No blogue O Informador, claramente de alguém que trabalhou na empresa, escrevia-se a 1 de Novembro de 2009:

Recentemente a Beliape foi vendida a uma empresa/grupo/entidade ou pessoa… Ninguém sabe e a informação não sei onde se encontra! Pelo menos ninguém se apresenta como “o patrão”, “o gerente” ou “o accionista”.

O mesmo informador publicou um vídeo com estas imagens:

As fotos mostram frangos criados pela empresa que morreram à fome. Milhares de frangos, sem peso ideal para serem vendidos, foram abatidos e mantidos em decomposição por alguns dias nas suas instalações do matadouro. Mais tarde (bem mais tarde – Madrugada) foram encartados em sacos de plástico, colocados num camião não identificado e incinerados no passado fim de semana.

Clique para ver o vídeo, se tiver estômago para isso. [Read more…]

A direita socialista no governo

A Jangada de Pedra Os governos de José Sócrates têm feito coisas que a dita direita (como se a tivéssemos) nunca ousaria fazer. Ou logo seria exonerada do governo ou tantas seriam as bocas a gritarem fascistas que a demissão seria o caminho.

Vejamos apenas um pouco do que tem feito aquele que se diz o maior defensor do estado social:

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A caminho da felicidade

escravos, china, 2010

Quando o honrado empresário português tiver todas as leis para despedir, sem indemnização, o colaborador com quem embirrou pela manhã, quando o subsídio de desemprego encolher de vez e se reduzir a meia-dúzia de meses, quando tivermos um milhão de desempregados, esta espécie de gente continuará a pedir mais flexibilidade nos despedimentos, porque sim, porque só assim se criarão novos postos de trabalho, e todos serão contratados a prazo pelo novo salário mínimo de 200 euros, e o desemprego baixará.

Então as multinacionais deslocalizarão umas fábricas para Portugal e algumas economias emergentes, esclavagistas e asiáticas, tremerão com a ameaça da nossa concorrência.

Já faltou mais.

Pagar impostos para ser despedido?

image

Dizem que a inteligência é limitada mas que a estupidez pode ser infinita. A esta última acrescento a cretinice.

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A Revisão Constitucional do PSD – Urgente!

A reunião foi demorada e participada. Contudo, o esforço foi recompensado. Com cinco abstenções – há sempre malditos, até no seio das melhores famílias – o Conselho Nacional do PSD aprovou o anteprojecto de revisão constitucional, proposto pela Comissão Política do partido. Houve algumas emendas ao texto inicial. Uma foi a eliminação do n.º 3 do artigo 194.º, ou seja, da possibilidade de auto-dissolução do Parlamento; outra a retirada da alteração proposta para o artigo 172.º, mantendo, assim, em vigor o poder do Presidente da República de dissolver o Parlamento.  

Ao que se percebe o deputado europeu Paulo Rangel foi dos mais incómodos. Embora satisfeito com as emendas citadas, parece não ter saído convencido com a introdução da expressão ‘razão atendível’ em substituição de ‘justa causa’ no artigo 53.º (segurança no emprego) da CRP.

Rangel, até pelos argumentos que utilizou, está certo. Em direito ou na linguagem normal, as duas expressões não têm sentido semântico equivalente. E, logicamente, não têm idênticas consequências sociais – se têm efeitos idênticos, então qual a justificação da alteração?

Neste exemplo, como em outros, é evidente que o PSD de Pedro Passos Coelho tem o firme propósito de construir o projecto neoliberal que defende para o país – a tal receita que teve nos EUA os resultados conhecidos. Por muito que se esgote em explicações demagógicas, feitas com postura mediática correcta, o líder dos social-democratas (?) não convence parte da população das boas intenções e de que rejeita liberalizar despedimentos. De resto, ainda lhe restará outro nó para desatar em termos legislativos; é fazer baixar drasticamente o custo dos despedimentos para a entidade patronal. Um trabalhador de 40 e tal anos, e com 20 de trabalho na mesma empresa, vai para casa, no futuro, com meia dúzia de trocos e um estatuto de pobreza assegurado até ao fim da vida – o duro e crescente desemprego de longa duração. [Read more…]

Face Oculta – 2 despedimentos

Dois quadros da Galp arguidos no processo “Face Oculta” já foram despedidos após inquérito interno da empresa anuncia o DN

Downsizing, dizem eles

É uma triste realidade aquela em que pequenos e médios empresários tentam obter, junto da banca, liquidez para salvarem as suas empresas, depois de já lhes ter sido sugado todo o património e mais algum para garantia dos financiamentos.

Mendigam apoios àqueles a quem eu, eles, e todo o povo português, avalizou os seus financiamentos externos. Pois convém lembrar que a banca portuguesa foi pedir dinheiro lá fora com o aval do Estado português, ou seja com o nosso aval. E a nenhum de nós algum banco deu de garantia o que quer que fosse pelo aval que o povo lhes deu.

Esse dinheiro que veio de fora á custa do nosso aval está a chegar a conta-gotas às empresas, atrofiando-as em termos de liquidez. E quando o empresário chega à banca, como eu já assisti, para pedir ajuda, volta-meia-volta lá vem a lógica do “downsizing”, ou seja, a diminuição da estrutura da empresa para melhorar a sua viabilidade. Que é o mesmo que dizer mandar trabalhadores para a rua para se gastar menos em salários. [Read more…]