As eleições gregas e a esquerda

cartaz kke

Cartaz de campanha eleitoral do PC  da Grécia, Junho 2012 : “Nova Democracia e Pasok não são alternativa. Não confiem no Syriza. Reforçar o KKE”

As eleições na Grécia transportaram-se para Portugal, nas redes, em forma de PCP versus BE. Coisas que acontecem, e que estendido o pano permitem vastas e bem parvas mangas.

Compreendendo a dificuldade institucional do PCP em se livrar do peso das suas relações com o KKE, autor deste cartaz neo-maoísta, parece-me que as coisas se simplificam se encararmos esse partido, agora muito reduzido, àquilo que na realidade é: um grupelho maoísta contra-revolucionário. Em caso de dúvida, o farol chinês não engana, e vejam como a República Popular da China se demarca e manifesta o seu apoio aos vencedores:

China espera que resultado na Grécia ajude a estabilizar a zona euro.

Era tudo mais fácil quando a Moscovo tratava destas coisas, mas com calma e tranquilidade lá se chega.

E agora, Grécia…

…como é que vamos dançar?

 

Fascista

Rui Rio defende que câmaras endividadas não devem ter eleições.

De Merkozy, agora resta um Mer

Mais uma derrota para Angela Merkel. É capaz de ser melhor suspender todas as eleições na Europa antes que ela mande avançar os blindados.

Eis os guardiões da democracia que temos

Queixa no Ministério Público por inscrições fraudulentas no PS
A cerca de um mês das eleições internas para as distritais no Partido Socialista — 15 e 16 de Junho —, dispararam as denúncias de caciquismo em variadas federações. Desde o ano passado que o PS é palco de inscrições em massa que depois de analisadas revelam, nas palavras de alguns, um “verdadeiro assalto ao poder”. Os casos verificam-se nas distritais onde existem mais do que uma candidatura à liderança, como em Setúbal, Porto ou Coimbra. (Público de hoje, edição impressa)

Quem vai a votos, seja em que partido for, é escolhido pelos partidos em processos tão claros e democráticos como este. Grandes guardiões estes que nem conseguem praticar o regime que defendem.

Actualmente, um primeiro-ministro é escolhido por uns escassos milhares de eleitores, os militantes do partido. O povo, tão caro aos partidos, não passa do botador da cruz na lista pré-cozinhada.

Esta pseudo-democracia tem que terminar.

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Olha o centrão acagaçado

Uma simples sondagem, com uma possível vitória do BE dos Gregos e o Centrão arranja logo maneira de se entender. Lá como cá…

Quer dizer, se calhar, nem por isso. Lá quem se acagaçou foi o centrão! Cá foi o povo!

Bem prega Frei Tomás…

…ouve o que ele diz, esquece-te do que fez.

partido que ganhou as eleições gregas diz que a Esquerda Radical está a lançar o país no caos.

Mais um idiota com vontade de demitir o povo e eleger um novo.

Não percebo, façam-me o obséquio de soletrar

Temos uma crise, e façamos de conta que é da responsabilidade exclusiva dos governos nacionais. Há eleições, e numa primeira fase ganham os partidos que alternam no governo. A crise continua. Agora numa segunda fase começam a cair ambos os partidos responsáveis pela crise, que já vinha de trás, porque todos gastavam acima das suas possibilidades e alternavam no governo, nas empresas públicas e na corrupção.

Logo o que aconteceu ontem na Grécia é perfeitamente normal, desejável, finalmente os eleitores começam a afastar do poder os culpados pela crise, e chama-se democracia. Certo? errado, dizem os comentadores, os mercados, ai jasus que vem aí o comunismo e o fascismo, todos juntos e a cavalo.

Onde é que eu não percebi? Democracia é só quando ganham os mesmos do costume?

Aprender a dançar com os gregos

A Grécia tem um ano de avanço: Passos, Portas e Seguro sabem agora o que os espera. O pânico à direita está na cara dos comentadores amestrados da Goldmam Sachs (a grande derrotada do dia, em três países, o que é obra) que nas televisões misturam Syrisa com nazis, tudo no mesmo saco; quando não se trata dos seus parceiros da corrupção pública e privada é tudo extremista e radical. O “centrão” ou o caos, socorro, chamem a cavalaria, vêm aí os gregos.

A lição que aprendemos com os gregos é muito simples: o bipartidarismo alternadeiro não dura sempre, por mais que se esforcem as comunicações sociais dos donos. Nenhum povo aceita ser governado por governos estrangeiros sem resistir. Não há mal que não acabe.

É certo que os nossos partidos do regime, os que nos fizeram o mesmo que fizeram ND e PASOK aos gregos, poderiam aprender a lição mas para esse lado não haverá sobressaltos: é a sua natureza de agremiações dos interesses instalados que os impede de pensar acima das suas possibilidades, embora não seja de todo improvável que numa reforma das leis eleitorais também ofereçam 50 deputados a si próprios. [Read more…]

A fraude grega

Com 86% dos votos contados a troika tem 33% dos votos e 151 deputados em 300. Ainda podem perder a maioria.

É oficial: Merkolland ou Hollandmerkl, eis a questão

O Partido Socialista Francês volta ao poder. Não será a esquerda, mas já não é a direita.

Vive la France!

Para seguir a contagem de votos da Grécia…

… que em França o assunto parece arrumado, use o Vias de Facto. Entre outras vantagens ali não se metem nazis e esquerda no mesmo saco.

Eleições na Grécia e na França: troicaram-lhes as voltas?

Pelas primeiras sondagens a noite promete: a Europa passa a ser governada por Merkholland (o que não é bem a mesma coisa), e os partidos da troica podem não ter maioria no parlamento grego (onde convém não esquecer que uma muito peculiar noção de democracia oferece 40 deputados ao partido mais votado). Syriza, o BE grego, pode mesmo ter ganho as eleições na Atica. E a Atica, é Atenas…

Inventaram a palavra democracia, só a palavra

As últimas sondagens na Grécia ameaçam vir aí um resultado fantástico, em que a minoria pode governar a maioria. É que o partido mais votado tem um bónus de 50 deputados. Assim também eu.

Em França ganharam as promessas que fazem o imaginário reivindicativo da oposição em Portugal

Foto: Agence France-Presse/Getty Images

Hollande vence primeira volta das presidenciais francesas

Se o resultado se mantiver na 2ª volta, vamos ver se apenas foram promessas vãs. Por exemplo, serão as seguintes promessas para manter?

  • Restabelecer imediatamente a idade da reforma nos 60 anos (ler)
  • Criar 150 mil empregos reservados aos jovens (ler) – onde é que já vi isto?
  • Criar 60 mil postos suplementares na educação (ler)
  • Aumentar a proporção de remuneração fixa dos clínicos gerais (ler)

Num país a viver apertos financeiros, veremos se a promessa fácil chegará a bom termo.

Vive la Farce et le Farceur!

Como Berlusconi, em Itália, e Sócrates, em Portugal, cada qual no seu papel desastroso, Sarkozy tornou-se gradualmente odioso e desconfortável à crítica política interna e externa, apenas pela lógica que cultivou da sua inevitabilidade, coisa inoculada na opinião pública local, pela demasiada e perversa afeição ao Poder, pelo jogo sujo da batalha política e pela demarcação do Estado Francês, através de comparações oportunistas, de Espanha, Portugal, Itália, tudo para capitalizar dividendos eleitorais a par da tentativa de colagem a Merkel com o cuspo da lisonja. É como se a encalacrada republique française não tivesse senão que acomodar o neo-bonapartismo sarkozyano e dar-se por muito bem zelada e servida. Acontece que, ao contrário do tarado Berlusconi e do larápio Sócrates, Sarkozy é manifestamente mais competente e mais patriota. E, na verdade, não há mais ninguém que valha aos franceses e sinalize ao exterior o que urge sinalizar. Farsa por farsa, é preferível escolher uma apesar de tudo um tudo nada virtuosa.

Da Guiné

“Apelo dramático à comunidade internacional”
Na Guiné prendem-se os de opinião diferente. Cá não, que isto aqui é uma democracia.

Presidentes de Juntas de Freguesia do Porto atravessaram a ponte ou…

Luís Filipe Menezes em férias

No Público de hoje Menezes é visto como inconsequente.

Não poderia estar mais em desacordo. O sr ex-Presidente de Gaia, candidato a Presidente do outro lado do rio, é completamente consequente.

Ontem, sábado, inaugurou um pavilhão desportivo onde estiveram presentes inúmeros Presidentes de Junta, bem como responsáveis de associações e clubes da cidade.

Pequeno detalhe: os Presidentes e responsáveis eram do Porto.

Pequeno detalhe dois: a inauguração era em Gaia.

Mais consequente que isto…

Gaia com Carnaval e com neve

Passos disse e Menezes nem pensou duas vezes – foi para a neve  e deixou a casa entregue ao seu Vice. Choveram as explicações! Com mais ou menos fartura todos perceberam que em Gaia houve um feriado do tamanho da lista de potenciais candidatos ao lugar do Presidente que não vai continuar. Ainda se tentaram construir pontes entre as duas cidades, para ver se poderíamos estar na presença de BUDA+PESTE…

Estamos então num outro ponto – Menezes quer saltar para o Porto, um salto do tamanho da ponte.

Um pincho que Rui Rio não vai dar no sentido inverso.

E por cá?Como é que fica?

Marco António estava na linha da frente, mas preferiu dar um saltinho maior e ir para o governo. O Filipinho, entenda-se, o filho do Sr. Presidente, era o senhor que se seguia – ele, que candidato a deputado visitou escolas públicas em dia exame nacional, distribuindo canetas aos pequenos e promessas aos docentes.

Era… Era, mas não é porque não daria muito jeito uma disputa entre pai e filho pelas margens do Douro.

Sobra uma terceira escolha – será que irá para a neve no próximo Carnaval?

Seria natural num processo de transmissão de poderes tão pouco acertada.

Povo GREGO vai votar na TROIKA

Somos todos gregos (galo de Barcelos com as cores da Grécia)O povo português é por natureza solidário. Apareceu por aí um manifesto de apoio ao povo grego e sucedem-se as manifestações de meia dúzia de pessoas com as mesmas intenções. Até eu, mudei no meu perfil do Face a localidade para ATENAS! SOMOS todos gregos.

Mas, estou curioso com uma coisa – a Democracia. Essa chatice!

Por cá, quando se perguntou ao povo “Troika” ou Não Troika, a resposta foi esmagadora: TROIKA!

Na Grécia? Como é que vai ser?

É que a malta até pode ser solidária, mas dá jeito que eles façam a parte deles!

Exemplar: Carnaval em Gaia

Pode ler-se hoje no Público: “O presidente da Câmara de Gaia, o social-democrata Luís Filipe Menezes, não vai estar hoje na autarquia, apesar de não ter dado tolerância de ponto aos funcionários, ao contrário do que fez Rui Rio no Porto. Menezes está a gozar umas curtas férias na neve.”

Eleições à americana, amen

Num estado dominado por Evangélicos, Ron Paul é o Protestante mais bem colocado para tomar o voto destes, representando um problema para Santorum e tornando-o a alternativa a Romney, sobretudo depois da vitória em New Hampshire e do apoio de Tom Davis.

Ainda dizem mal dos muçulmanos.

Não contem a ninguém, a Eslovénia virou à esquerda

Esse senhor aí na fotografia ganhou as eleições na Eslovénia. Percebo tanto da política interna da Eslovénia como da vida partidária do Burkina Faso, mas ontem o Le Monde anunciava Zoran Jankovic como sendo um esquerdista, hoje já é do centro-esquerda, chegar ao poder é tramado. Para todos os efeitos arrumou com o PS local que estava no poder e com a direita que deveria ter feito o alterne.

Ora bem, falo disto não só por ser uma boa notícia mas aproveitando para lhe perguntar: você sabe que o Partido Comunista do Chipre está no poder desde 2008? e lhe garantir que esta notícia não vai circular por aí. É segredo. A Eslovénia é um país pequenino, tal como o Chipre ou a Islândia, mas não convem contar estas coisas antes que as pessoas descubram que a esquerda pode ganhar eleições, a democracia prosseguir, e as velhinhas não apanharem uma injecção atrás da orelha nem as criancinhas serem papadas ao pequeno-almoço. É como o Pai Natal: se revelarmos que não existe é uma desilusão do caraças, e sabe-se lá o que pode fazer um povo desiludido. Ainda deixam de votar sempre nos mesmos e o fim do mundo é logo a seguir.

Faltou ao PSOE a ajuda do grande comunicador

Sem uma ajuda em espanhol técnico, viu-se no que deu.  E Paris tão perto…

Já agora, uma nota sobre as eleições espanholas. Ao passar os olhos nos comentários da esquerda, noto que o tom incide com frequência na suposta má escolha que os espanhóis fizeram. Se é boa ou má, não sei, já que nem sou espanhol nem tenho acompanhado a política espanhola. Mas eles lá devem saber e, mesmo que não saibam, o povo ainda é soberano. Ou só o será quando o resultado é o desejado?

Alterne espanhol

Hoje houve alterne no estado vizinho, procedendo-se à rotineira troca de moscas (pese que a mosca que estava teve alguma decência na reabilitação da memória histórica).

Além de registar os bons resultados da esquerda basca, a despeito da repressão do estado central e do facto de por vontade dos neo-falangistas nem concorrerem, e das esquerdas em geral, hoje é um bom dia para anotar a euforia da direita neo-salazarista, entretida como anda na culpabilização dos governos que estavam por uma crise que é internacional (esquecem-se sempre da Grécia, da Irlanda e da Itália, mas a verdade é uma meia que eles lá calçam à sua maneira). Deixem-nos ficar felizes com a vitória de um partido de narcotraficantes, passa-lhes num instante. Com o último dos PIIGS à beira do abismo bem depressa teremos a vizinhança ainda pior do que está e a Goldman Sachs já deve ter um substituto na forja.

Assim vai a direita em terras de Espanha

Uma montagem em que a ainda ministra da Defesa aparece neste despropósito foi publicada por esta senhora, Francisca Pol Cabrer, vereadora do PP.  Desconhece-se a propriedade do peito utilizado. A senhora do PP já se demitiu e pediu desculpa. No meu  tempo as franquistas eram mais estilo opus dei. Volta Franco, fazes falta à moral e aos costumes das tuas devotas.

O bailio* da Madeira

A conversa habitual, em democracia é, depois de contados os votos, “ganhou A, perdeu B, C ou D”. Ninguém se lembra porque é que votou ou quem não votou, as suas razões e as estratégias dos AA e dos BB para arrebanhar os papelinhos para a urna. Talvez por isso, ciclicamente, surjam uns indignados na praça que querem o regresso das ditaduras marxistas, como alternativa à democracia (a este propósito sugiro a leitura do artigo de Pedro Lomba, ontem, no Público). Mas é curioso que, uns e outros, têm sempre a palavra povo na boca. Já aqui referi esta falácia de considerar povo como algo de onde emana asalvação. Povo é, para os políticos, o Outro – prova de que a democracia só funciona à boca da urna e que política não combina com cidadania.

O que me espanta nesta balbúrdia toda é que, da Esquerda à Direita e, sobretudo, estes indignados da praça, todos, sem excepção, queiram salvar aquele povo que os repudia, que vota Alberto João Jardim, que venera Salazar, que vê e aplaude touradas, que pára em acidentes e que os provoca, que deseja ardentemente substituir cultura por futebol e centros comerciais ao domingo e que acha que o ponto mais alto do dia é saber o resumo da Casa dos Segredos. Ir para uma praça ou um parlamento falar por este “povo”, defendê-lo e invocá-lo deve compensar muito o esforço, realmente. Deve ser muito terapêutico para uns e financeiramente vantajoso para outros. Eu precisaria de um estômago novo todos os dias.

P.S. é mesmo bailio. Não é gralha. Ver o significado, aqui.

A dupla vergonha das eleições da Ilha da Madeira

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LA MARSEILISE 

No dia 7 de Outubro, comentava um texto de António Fernando Nabais, que diz no fim: Alberto João Jardim já manifestou a sua indignação pelo facto de a Academia Sueca estar a querer imiscuir-se na campanha eleitoral, tendo criticado especialmente a parte em se pode ler “todos falam, fervorosos, na língua estranha”, o que terá sido entendido como uma referência menos elogiosa ao sotaque madeirense. Como retaliação, os madeirenses estão proibidos de importar móveis da IKEA. (o sublinhado é meu).

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Alberto João Jardim com maioria absoluta

45 vitórias eleitorais consecutivas na Madeira. Pudera, quem não vota no seu ganha pão? Uma coisa é certa, nunca poderá alguém dizer que o que se passa na Madeira não é culpa dos próprios. Apesar de AJJ, no seu discurso de vitória já estar a apontar desculpas para o liberalismo, os socialistas, Lisboa e a radiodifusão.

Enganar o Estado e ser eleito não é um exclusivo da Madeira. E ainda receber apoio popular, idem. Isto só prova que a democracia em Portugal é uma farsa.

adenda
Depois do caso dos recursos de uma empresa pública estar ao serviço de um partido, o que não é propriamente novidade, nem na Madeira nem no resto do país, anunciou o PS-Madeira que estava na sala uma eleitora que, quando foi votar, tinha o nome marcado nos cadernos eleitorais como já tendo votado. É caso para passar a pedir aqueles observadores da ONU que costumam vigiar as sólidas democracias africanas.

Proposta para cortar radicalmente na despesa pública

Abdicarmos de todos os cargos de eleição ou escolha políticas e respectivos assessores, passando a ter apenas uma só eleição de 4 em 4 anos para eleger a agência de rating mais favorável para nos governar e deixar o resto com a banca.