Professores: a estabilidade factor de êxito

Já aí está novamente a discussão entre sindicatos e ministério. Não me vou meter por aí porque as coisas podem demorar muito tempo mas acabam por ir ao sítio.

Mas esta questão da estabilidade do exercício dos professores, extravasa em muito a escola, é comum a todas as organizações e, por isso, “não vou levar reguadas”. Começo por contar um facto da minha vida profissional. Jovenzinho saiu-me a sorte grande, fui contratado para uma multinacional com capitais americanos e espanhóis, que além de me pagar bem, ensinou-me muito, fez-me viajar muito e aprender nas várias fábricas e aviários que tinha por esse mundo. [Read more…]

Violência, Indisciplina e os professores

Nos posts anteriores tenho procurado ajudar a reflectir sobre as questões da educação que nos últimos tempos têm vindo para cima da mesa.
Penso que as escolas precisam de uma REAL autonomia e isso passaria por tornar da escola o que não deve ser central, ainda que de forma gradual: selecção de professores, de organização da mancha horária, da oferta curricular, do estatuto do aluno… Isto é, cada escola tem que ser capaz de crescer por si. Com instrumentos, recursos e competências – estou a falar de uma nova ESCOLA PÚBLICA.
E NESTA nova ESCOLA PÚBLICA os professores têm que se assumir como quadros superiores da administração pública – não podemos ter medo de decidir, de escolher, de fazer opções.
E NESTA nova ESCOLA PÚBLICA é fundamental que o governo e a sociedade sintam a escola como importante – consigam eles passar a mensagem que a aprendizagem é importante e, estou certo, todos os problemas começarão a desaparecer. Porque, caro leitor, quando morre um professor e um quadro da administração vem falar sobre as fragilidades do Professor, está TUDO errado! TUDO!
E, por isso, temos que mudar TUDO!

Um aluno suicidou-se! Coitadinha da escola!

um dia destes não precisamos de burocratas!

“Para entender é preciso esquecer quase tudo o que sabemos. A sabedoria precisa de esquecimento. Esquecer é livrar-se dos jeitos de ser que se sedimentaram em nós, e que nos levam a crer que as coisas têm de ser do jeito como são. (…)”. Ruben Alves

O suicídio de alguem é algo de pavoroso, chegar ao ponto de só assim, neste acto último, conseguir chamar a atenção para si e para os seus problemas é algo que aflige, que nos deixa sem esperança.

Num acaso, particularmente infeliz, deram-se dois suícidios e ambos no âmbito da escola pública. Um professor incapaz de aguentar rapazes e raparigas sem vergonha, que o atormentavam com piadas para as quais não encontrava saída digna, escolheu a morte. Um jovem, justamente pelas mesmas razões, optou pelo mesmo caminho pondo fim à vida.

As razões são as mesmas, não vale a pena fazer de conta que não são, a mesma falta de atenção, os mesmos energúmenos, a mesma incapacidade de se fazer ouvir, a escola que nem sequer se apercebeu do problema ou que não soube geri-lo. A incapacidade de uma organização resolver ou prever um problema desta dimensão, mostra-nos tambem a que distância a escola pública está de se poder considerar uma organização eficiente e eficaz.

Mas é esta escola pública que é defendida com unhas e dentes por quem encontra nela a razão do seu poder. É esta escola pública que é considerada inamomível, onde toda e qualquer tentativa de mudar é acompanhada por um ruidoso coro de senhores muito importantes, que representam, são a voz, de uma massa amorfa de pessoas que se acomodam a troco de quem trave os combates que não têm coragem de travar.

E então de quem é a culpa? Do estatuto do aluno porque foi longe demais e do estatuto do professor porque não chegou aonde nós queríamos! Mas isso tem um rosto? Tem, a Maria de Lurdes ! Mas a Maria de Lurdes esteve no Ministério 5 anos e a escola pública há vinte que é má! Há gente que esteve sempre a tomar decisões durante todo esse tempo, mas esses não têm culpa! Os burocratas do ministério estão lá desde sempre, os burocratas dos sindicatos estão lá há pelo menos  30 anos, mas não têm culpa.É que esses entendem-se, são cá da gente!

Tudo muda menos a mudança! Mas não é verdade, a escola pública tambem não muda!

Os professores e os seus sindicatos não deixam! E os burocratas do ministério tambem não!

Porque será?

Escola : exemplo de incapacidade

Hoje mesmo num lanche em casa do meu afilhado, a mulher que é professora contou o que se está a passar directamente com ela. Um dos seus alunos, já acompanhado por um psicólogo há algum tempo, deixou à mãe uma carta a dizer que não suporta escola e que se vai suicidar. É vítima de um colega que perante as risadas de um determinado grupo, o espanca sempre que o vê.

Pode ser um caso de mimetismo mas um índicio destes nunca se pode analizar com ligeireza. A Tereza chamou o Director e em presença da mãe do aluno, informou-o do que se estava a passar. Num caso destes a primeira coisa a fazer é quebrar o vínculo físico, isto é, arranjar forma de os dois alunos não se encontrarem. Se não for possível com ambos a frequentar a escola então, o agressor, deve abandonar a escola até que uma solução seja encontrada. Logo vieram os do costume que isso ía prejudicar a vítima porque o agressor vingava-se. Então? Formar uma comissão para analisar o assunto!

E no centro das preocupações deixou de estar o aluno para estar a tal comissão, que enquanto não se forma (terá senhas de presença?), analisa e decide o que vai fazer, enquanto o pobre do aluno vai ter que esperar para ver se suicida ou não!

É isto que falta nas escolas, todos arrumam para o lado, não há uma hierarquia decisória, alguem que devidamente assessorado possa tomar medidas disciplinares e se responsabilize pelo problema. Pois se são todos iguais, pois se são democraticamente eleitos, podem lá tomar decisões? E se as decisões não acolherem a simpatia dos seus iguais?

Perde o lugarzinho! E o aluno, a vítima? Muda de escola ou fica em casa porque o energúmeno tem todas as garantias que nada lhe acontece. Mais ou menos como os ladrões presos em flagantre e presentes ao juiz. Saem sem acusação nenhuma!

Os polícias bem se queixam que não vale a pena! Os professores não, acham que assim é que está bem!

Erros da escola e dos seus profissionais

No tripé que apresentei, os professores têm particular responsabilidade na escola, quer ao nível do seu funcionamento, quer ao nível da sua organização. São por isso parte crucial na solução deste TREMENDO problema que se transformou nos últimos anos, no pai de todos os Problemas. É por ele que os seniores estão a deixar a escola reformando-se com penalizações de 20, 30, 40 %…
Não podemos é deixar de considerar que TEMOS, professores uma imensa culpa nesta dimensão. Aceito trocar a palavra culpa por responsabilidade.

Responsabilidade porque enquanto colectivo de 150 mil profissionais nunca conseguimos colocar no centro das nossas acções a aprendizagem dos alunos, a verdadeira essência da Escola Pública – temos sido mais eficazes a falar sobre a profissão e as suas condições. Esta dialéctica favorece que do outro lado se coloque o aluno e aí ficamos a perder: parece que há alunos de um lado (com os pais e o país) e do outro os professores. Se, o centro fossem as aprendizagens e o exercício do ensino, não haveria outro lado.
Por outro lado, os Professores e a sua organização – a FENPROF – sempre defenderam um discurso em torno da autonomia, mas a verdade é que, penso eu, ninguém sabe muito bem o que isso é: estou cada vez mais convencido que, realmente, os professores não a querem e a FENPROF também não. O modelo que hoje temos, criou uma cadeia de comando imensa, um polvo com muitos braços: ME, Direcções Gerais, Direcções Regionais, Equipas de apoio… Todas estas organizações fazer sair leis, despachos, circulares, normas, recomendações e recados… Pedem relatórios, memorandos, grelhas e grelhinhas. Introduzem práticas sem sentido e que só prejudicam os alunos e o processo de ensino. Já nem falo do processo de aprendizagem.
E o que fazem os professores perante a imbecilidade do poder – cumprem! Fazem! Deixam de ensinar para fazer o que lhes mandam.
Qual é a chave para resolver isto?
A autonomia e a gestão das escolas… (voltarei)

Escolas: a culpa é de todos? Não é de ninguém?

Na continuação das mensagens anteriores onde procurei escrever sobre o momento actual das nossas escolas no que à indisciplina e violência diz respeito, venho trazer alguma reflexão sobre o papel que cada um dos actores sociais tem na Escola.
O Luís começa por sugerir que o Educando nunca tem culpa algo muito próximo da teoria do bom selvagem: os meninos nascem puros, é a sociedade que os torna impuros. Talvez tenha alguma razão, mas não a tem toda. Mas, meu caro Luís, isso é verdade para os casos de indisciplina, mas nunca para os de violência.
A indisciplina em meio escolar é parte da sua essência e resulta, em primeira medida, de conflitos vários: o conflito de idades, de interesses, de poderes, de formas de pensar. É o conflito entre o Professor e o Aluno. Para esta relação, uns melhor, outros pior, mas “todos” os professores estão preparados – ensinar implica lidar com a indisciplina.
Acontece que à Escola tem chegado, ao longo da última década, uma nova realidade – a violência. E, caro leitor, para lidar com esta não há formação ou paciência que aguente.
As escolas devem suportar a sua acção num tripé: “escola” (a organização com os seus recursos), a família e o trabalho dos alunos.

Um minuto de atenção permite perceber que nenhum dos três está a cumprir a sua função:
– a escola tem sido atacada, há 30 anos, por um conjunto de incompetentes, cada um com a sua mania – tudo muda, para ficar cada vez pior.
– a família… o que dizer?
– alunos… enfim…

No caso da escola há muitos professores que são culpados – claro que sim: não somos melhores nem piores do que outros profissionais. Temos dias bons e dias maus, momentos piores e outros melhores. Mas, há um dado interessante: com a vergonha Maria de Lurdes nasceu uma nova realidade: a “reunite aguda”, a avaliação, a monitorização, a papelada e a burocracia. Ninguém quer saber para que servem os papéis – só sabemos que temos de os fazer.
Neste contexto, temos que passar todo o nosso tempo de trabalho na escola, a fazer de conta, deixando de fazer o fundamental: ensinar e preparar aulas. E, todos entendem isto, quando não se preparar o trabalho há uma maior probabilidade da coisa correr mal.
Por outro lado, a forma como o ME tem tratado a escola, cria condições para que os incompetentes nada façam e force os melhores a um trabalho imenso sem qualquer sentido – será que o Mister do Real quer colocar o Ronaldo a Central ou na baliza? Claro que não – tem que o colocar a fazer o que ele faz melhor. No caso das Escolas, para Maria de Lurdes e seus seguidores, somos todos um bando de malandros que deve ser gerido como se fossemos ladrões.
Do lado da escola ficam estas duas ideias, voltarei a escrever sobre a família e os alunos.

Professores: O educando nunca tem a culpa…

um dia destes não precisamos de professores !

No meu tempo de aluno a filosofia de quem ensinava era esta: “Numa má educação o educando nunca tem a culpa” . Isto além de ser verdade ( o aluno é a parte passiva do acto de ensinar) mostrava uma grande generosidade por parte dos professores, assumiam a sua responsabilidade de profissionais, e por isso eram profundamente respeitados e socialmente valorizados.

Agora, é o contrário disto tudo. O que temos são os professores, arregimentados por sindicatos ideologicamente muito bem definidos, que co-governam a educação há 30 anos. É preciso ter coragem para dizer. Os sindicatos comunistas a quem o povo português nunca deu mais que 8% em eleições democráticas, governam, juntamente com a classe política a educação, e são tão responsáveis pelo estado a que chegou a escola como  os sucessivos governos.

Mas o que na verdade me preocupa não é aquela evidência, bem pior é admitir que os professores não têm culpas, isso seria  passar-lhes o maior atestado de incompetência.  É como dizer, na verdade estares na escola ou não estares é a mesma coisa! Não se nota, não vales nada, o teu trabalho não tem consequências. Ora isto é falso, porque o trabalho do professor é determinante na qualidade do ensino. Mas só pode ser positivamente determinante se o professor reinvindicar para si próprio a responsabilidade que a sua função exige. Não é o que se vê . As reinvindicações não passam do ganhar mais, de chegarem todos ao topo da carreira, de não aceitarem a avaliação, de não terem responsabilidades.

Se não concorrem para a resolução dos problemas esperam que a escola mude ? É por ganharem mais que os alunos passam a ser melhores? É por chegarem todos ao topo da carreira que iremos ter alunos competentes? Eu que não sou professor e que pago esta merda toda, vou estar a favor dos professores e dos sindicatos porquê?

Afinal o argumentário é igual ao dos politicos: o mal está no povo! Mude-se!

Sinais dos tempos

– Chove dentro do pavilhão? A culpa é do clima, dizem ministra e técnicos da Parque Escolar

Professor atira-se da ponte por causa das ameaças dos alunos

Menino de 11 anos escondia pistola dentro da mochila.

Leandro, assim se matam os putos

O caso do Leandro, o miúdo que se suicidou porque estava farto de levar porrada dos grandes, obriga-me a escrever enquanto professor.

Enquanto professor, embora há muitos anos não lide com a arraia mais miúda, não tenho a mínima hesitação em apontar o dedo à escola e aos meus colegas: a culpa também e muito principalmente é vossa.

Faço esta acusação porque conheço as práticas correntes de gingeira. Porque sei do hábito instalado de achar que putos à porrada é normal, e desde que não partam a cabeça é deixá-los andar. Porque vi a indiferença instalada desde sempre perante situações de abuso dos grandes perante os pequenos.

E faço-a com a memória de, num belo dia em que numa visita de estudo agarrei um matulão que pontapeava um pequenitote e lhe enfardei da comida que estava a dar, ainda ter tido de ouvir uns responsos dos meus colegas, cujo eduquês entendia que uma participação para adormecer num cesto dos papéis qualquer é que era.

É claro que o sistema facilita. Seja o das legislações patetas, seja o da falta de auxiliares,  vigilantes (sim, algumas escolas precisam mesmo de seguranças), psicólogos e assistentes sociais, seja a não responsabilização dos adultos por situações destas, a que assistem impávidos e serenos.

Ainda uma nota sobre a merda da palavra que aparece sempre nestas ocasiões, bulingue ou lá como dizem. Como a Maria João muito bem assinala o dito bulingue não é de hoje, é de sempre. Precisamente por ser de sempre é que é tolerado. E não precisa de palavras em línguas foleiras para ser descrito: praxe serve muito bem para o efeito, na generalidade dos casos.

Tempos atrás discutia este assunto com um amigo e colega da minha criação, que jurava a pés juntos que isto agora não tinha nada a ver com o nosso tempo, os putos são mais violentos, o dito bulingue é uma novidade, e o camandro.

Tive de lhe avivar a memória:

– Olha lá, não te lembras que sempre foste um matulão do caraças, e que na primária eras o primeiro a bater? E nunca levavas?

E lá teve de se lembrar.

(este vídeo, a célebre cena da Pita Marília está aqui para ilustrar um pormaior nada displicente: tudo isto se passa à frente de uma escola, a pé ou de automóvel os adultos passam, ninguém intervém)

Ensino privado e ensino público: a crise e a falta de alunos… no Público

Em tempos de crise os pais têm menos dinheiro disponível e por isso recorrem mais à Escola Privada que à escola Pública.
Esta frase poderia ser verdade não fosse o facto de nos últimos 20 anos ter havido gente no Ministério da Educação a fazer o caminho… Da privatização do Ensino Público.
E aqui a Esquerda e a Direita têm visões diferentes.
Para esta última, as ofertas são similares, colam-se no mesmo plano: é isso que tem feito o governo de Sócrates (rankings, concursos de professores, contratos com colégios, etc…). Neste aspecto, como noutros a Direita tem conseguido levar a água… às suas escolas!

O Guerra

Tinha o Zé oito anos, quando na escola em que estudava chegou um colega que se chamava Guerra, que era bem mais crescido de corpo do que qualquer um dos demais colegas. Mas por razões que a ignorância de então jamais apurou, era um miúdo mentalmente frágil, atrofiado pelo medo, inseguro e submisso.

Naquelas idades as crianças revelam uma particular maldade. Razão pela qual o Guerra logo se transformou no “bombo da festa” da rapaziada da turma.

Todos mandavam nele. Todos lhe batiam. Todos. Incluindo o Zé, que arrastado por aquela corrente de maldade e crueza, sentia gáudio em exibir autoridade e domínio sobre aquele gigante submisso.

Um dia, o Guerra encontrou o Zé sozinho no recreio e pediu-lhe um lápis porque lhe haviam roubado o dele. Abordou-o medrosamente e disse-lhe:

– “Emprestas-me um lápis? Mas não me batas!…

O Zé ficou a olhar para aquele gigante de contradições. Tinha o nome Guerra, era mais crescido do que ele e pedia-lhe que não lhe batesse. Naquele momento as lágrimas vieram-lhe aos olhos. Como sempre acontece, quando relembra esta história.

Lágrimas de arrependimento, de remorsos por todo o mal que sofreu aquele frágil gigante e em que ele foi cúmplice. Quando lhe deu o lápis sentiu que esse seu acto tinha sido o único gesto humano que tivera para com ele, ao fim de meses de escola.

O Guerra afastou-se numa humildade servil que o expunha a toda a violência. E o Zé não foi capaz de o acompanhar de regresso à sala de aulas onde o Guerra se refugiava durante os intervalos, pois sentiu que preferia estar sozinho do que acompanhado por uma ameaça.

Naquele dia sentiu-se o pior e o mais cobarde de todos os miúdos. Ganhou consciência de todo o mal que lhe havia feito, da crueldade de que era capaz. Naquele dia o Guerra atormentou-o por todos os males que lhe havia feito.

No dia seguinte, o Zé estava decidido a falar com ele, a pedir-lhe desculpa, muito embora o castigo estivesse sempre dentro de si.

Tarde demais: os pais do Guerra mudaram-no da escola para uma outra onde teria melhor acompanhamento. Ninguém na turma percebeu ao certo o que era isso. Dizia-se que tinha ido para uma escola de malucos. Mas o Zé sabia que malucos eram todos os que violentaram a sua inocência e a sua fragilidade.

Nunca mais o Zé viu o Guerra ou dele teve notícias. O rosto do Guerra, as suas expressões, ainda hoje as revê com a mesma nitidez da dos tempos de escola. Não sabe se superou as suas fragilidades, se fez amigos ou se continua um gigante submisso. Sabe que consciente ou inconscientemente o seu rosto se espelha na sua memória sempre que vê uma qualquer humilhação ou injustiça. O Guerra é para o Zé a definição de humilhação e de injustiça. E uma razão para desejar um mundo mais humano.

Um mundo que o Guerra não teve.

Acordo – o que lá está, não está… Deveria, poderia… parte VI

6 – Horários de Trabalho

Tenho dito a muitos Professores que não podemos colocar na nossa argumentação a questão da quantidade de trabalho porque seria, do ponto de vista da comunicação, um erro. É que do outro lado teríamos o “povo” a dizer:
– ” E daí? Eu também trabalho essas horas todas e ganho o salário mínimo, isto quando o patrão me paga!”

Claro, que tal como escrevi num dos posts anteriores, a nossa luta pode ser vanguardista e catalisadora de outros movimentos – nesse sentido, sim, faz sentido colocar em cima da mesa as questões do horário de trabalho, se quiserem de forma abrangente.

De forma simples e sem entrar em todas as variantes, um horário de um professor tem 35h – destas, 22h são aulas, 2 substituições, 5 para outros trabalhos na escola e … sobram 6 horas por semana para o trabalho individual que a profissão exige. Acontece que a vida das escolas (ler post anterior) anda envolvida numa praga controleira que gera um número absurdo de reuniões. De papel em papel, de relatório em relatório ou de projecto em projecto, todas as semanas há n reuniões… pela noite dentro que nos levam a estar na escola… muito mais que as 35h e com o trabalho de casa (preparação de aulas, elaboração de materiais, correcção de trabalhos, investigação, leituras…) todo por fazer.
O que esta situação está a provocar é a diminuição da qualidade do trabalho que não se tem tempo para fazer – isto, claramente está a prejudicar os alunos.
O Luís costuma apela à autonomia das escolas – TOTALMENTE de acordo! Só com essa autonomia poderemos resolver esta praga dos horários de trabalho – uma anormalidade que está a minar a qualidade da escola pública.
Apesar de ser insuficiente, a abertura do ME, na sequência do acordo, para negociar esta questão é positiva porque mostra que o ME reconhece o problema e que pensa fazer algo para o resolver antes que tudo fique perdido.

Professores – A Isabel alçada a ministra…

É claro, para mim, que há um certo número de questões, que servem para ganhar espaço de manobra, tão esdrúxulas são. Até porque não acredito que a visão que nos é transmitida do processo de avaliação seja a que esgota o assunto no que diz respeito à gestão da escola e à obtenção de melhores resultados.

Todos sabemos, que tanto os sindicalistas como os burocratas do ministério, há muíto que deram umas voltas (turísticas e pedagógicas) pela Europa e viram implementados processos de avaliação no quadro mais vasto da “Gestão por objectivos”.

Enquanto interessar às partes, transmitir esta ideia que o que se trata é dividir professores, ter inimigos a quem apontar por levantarem barreiras à governação e, aos sindicatos, que são uns “insensatos” defensores da classe, isto não anda. Como não anda na Justiça, para não ter que dar outro exemplo, que podemos desfilar uns atrás dos outros.

O exemplo que o João dá, é tão óbvio, que só por sí mostra que a avaliação não pode ser o que nos andam a vender. Como é tambem esdrúxulo, colocar professores a “assistir” a aulas para dar notas a colegas, ou passar pela escola um “inspector” que assiste a aulas para classificar professores.

Ora, como já aqui disse dezenas de vezes, ninguem conhece melhor o trabalho de cada um que os seus colegas, sejam eles da equipa da cadeira, do Conselho Pedagógico, ou de outro orgão Director da Escola.

O que leio nos jornais, as grandes divergências, sublinhadas pelos sindicalistas, já não são mais do que despojos que cada um carregará o melhor que puder sem ter que perder a face. Agora já se fala que ” a fixação de vagas não está clarificada,” o que quer dizer que agora é só saber o “como”, o “documento do ME é ambíguo” o que quer dizer que é só “limar arestas”, que “é fundamental que o documento sofra alterações” o que quer dizer são alterações e não mais do que isso…

Estas negociações são uma parte de um todo e o que resultar delas, têm que “encaixar” em outros resultados de outras negociações que por sua vez…

Ninguem acredita quando nos toca à porta, mas a verdade, nua e crua, é que a festa acabou!

Não há acordo possível

Com uma proposta que é pior que o pesadelo Maria de Lurdes.

Aroncilhe na Imagem (SEMPRE na frente!)

Aroncilhe na Imagem (SEMPRE na frente!)

O low profile de Isabel parace ter adormecido as coisas, mas com essa capacidade não consegue disfarçar outra – a de que o ME está transformada na maior secção do Ministério das Finanças.
Uma coisa há de positivo – deixaram-se das tangas da qualidade da educação, de que isto tudo é para melhor, etc…
Assumem que é tudo uma questão financeira.
Muito bem. Vamos então à guerra no terreno onde ela tem que ser feita – o da política pura e dura.
A pergunta que todos podemos fazer: a educação custa muito dinheiro? Mas… já não se lembram do que ainda estamos a pagar pela ignorância do Salazar?

Quero com isto avançar um primeiro argumento para justificar o que me parece MUITO evidente – a Educação e a qualificação das pessoas têm que ser a nossa prioridade número um porque é a única coisa que nos pode valorizar quando comparados com outros povos.
Mas, apesar de parecer o Sócrates a falar, quero com estas palavras significar uma mudança TOTAL na realidade presente – na escola quase tudo tem que mudar, nomeadamente os currículos e a sua centralidade: temos, enquanto sociedade, que responder à pergunta:
– o que é que se aprende nas escolas públicas?
Pois… eu nem vos dou a resposta… CEF, EFA… Novas Oportunidades… zero reprovações…
Voltaremos em breve a esta discussão.

Proposta do ME para acordo com os sindicatos

Em formato pdf no site do SPN.

Professores – avaliar como ? por quem ?

Daqui

Pretendendo que o anterior texto tenha mostrado que a avaliação é muito mais que uma classificação, que é um instrumento poderoso de gestão para alavancar a “performance” global das organizações, gostaria de abordar uma forma de implementação nas escolas.

Não podemos esquecer os principios, sem os quais, a avaliação não trará resultados : a) objectivos claros b) negociados e aceites por todos c) mensuráveis, d)com consequências na carreira e no vencimento, sem os quais não se consegue a coesão de grupo, o esforço na mesma direcção, e o entendimento claro do que o todo espera da acção individual.

Estamos numa Região Escolar que tem um conjunto de escolas com problemas comuns e problemas específicos. O ME tem uma visão global nacional e determina com cada uma das Direcções Regionais o que espera de cada uma delas, atento o ambiente social e económico, o historial e as diferenças e complementaridades em cada escola de cada região. [Read more…]

Professores – afinal o que é a avaliação ?

Muito se discute sobre a avaliação, no caso dos professores, técnica de gestão que é há muito aplicada nas mais variadas actividades. Pelo que se lê, parece que a avaliação é alguma coisa que cai aos trambulhões de lá de cima, de geração expôntanea e que tem, como objectivo, lixar as pessoas a quem se aplica. Nada de mais errado!

A avaliação é, antes de mais, uma técnica de gestão que tem como finalidade fazer que todos conheçam os objectivos a que se propõe a organização, quais são os caminhos escolhidos, as metas, as prioridades, enfim, fazer que todos remem na mesma direcção.

Todas as organizações têm objectivos, podem é ser formais, conhecidos de todos, discutidos e aceites por todos, mensuráveis e valorizáveis, ou pelo contrário, informais, sabe-se vagamente o que devemos fazer, resulta de conversas avulsas, depende da maior ou menor capacidade e interesse dos seus agentes, mas não se conhece nem a direcção nem o ritmo, nem as prioridades. [Read more…]

Professores – é preciso estar de boa fé

O que está por trás de toda esta luta dos professores, para além, da quota mensal dos sindicatos, é a ideia que são especiais de corrida. Eu, por mim concedo, que se estivéssemos numa sociedade perfeita os professores deviam ser os mais bem pagas profissionais, ou dos mais bem pagos. A educação de crianças e adolescentes  tem influência para toda a vida dos próprios e da sociedade.

 

A conceder estes direitos a sociedade teria que exigir deveres e é aqui que a "porca torce o rabo". Os professores não querem, ou melhor dizendo, os sindicatos não querem. Até aqui, quizeram convencer-nos que todos os profissionais podiam ser avaliados menos eles e as escolas. E porquê? Porque o universo de alunos e o ambiente geral em que labutam, são de tal ordem dispersos e exigentes que não seria possível uma avaliação de mérito, minimamente justa.

 

Perante a evidência que esse argumento é tão pobre que a sociedade não está disposta a aceitar (  o velho ditado, cada um sabe de si e Deus de todos) agarraram-se a um erro burro que a ex-ministra cometeu, o de dividir a carreira entre "titulares" e os outros. Foi um pretexto para recuarem sem perder a face. Mas voltam à carga.

 

Até aqui todos os professores chegavam ao topo da carreira. E agora? Agora tambem! Basta cumprirem um determinado número de anos numa dada categoria e ter "positiva" na avaliação" ( aplauso, já falam em mérito!) e não querem " constrangimentos administrativos" ! E o que são estes constrangimentos ? Não há fixação de vagas nos 3º, 5º e 7º escalão nem exame de ingresso na profissão.

 

E quando já estão no 8º escalão, ganham 3 364 euros que é alguma coisa como  673 contos /mensaisx 14 :12 = 710 contos/ mês. Isto num país onde se sabe quanto ganham a maioria dos trabalhadores. Reparem que não estou a dizer que é muito para profissionais de alto gabarito, com resultados após resultados avaliados e que chegam ao topo ou perto disso. Não, o que contesto é que mais uma vez, apesar daquela coisa da avaliação,( mesmo que medíocre) todos podem chegar ao topo e ganhar como tal!

 

Mais uma vez. Num hospital todos os médicos chegam a chefes de serviço e a directores? Numa empresa, todos chegam a chefes de serviço e a directores? Na função pública chegam todos a chefes de serviço e a directores?

Bem sei que há carreiras, como na Justiça, onde foi constituído um feudo que tudo consegue e que na política há outro, e que há muitas injustiças neste pobre país, mas não é a seguir os maus exemplos que endireitamos isto.

 

A avaliação além de objectiva, participada e justa, TEM que ter consequências na carreira dos professores, entre os excelentes e os muito bons, entre os bons e os suficientes…

 

A pirâmide dos recursos humanos é isso mesmo, estreita em cima e vai alargando para baixo.

 

É preciso estar de boa fé!

 

 

 

 

Sem palavras

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Os 49 mil professores que pensaram que eram excelentes

são uma boa opção para leccionar nas turmas mais complicadas das escolas mais especiais. Parece-me óbvio – se são assim tão bons, devem ser eles a trabalhar nas escolas TEIP, por exemplo.

Isto parece-me tão interessante que estou tentar a apresentar esta proposta à senhora Ministra. Estou certo que os senhores professores e as senhoras professoras que tão rapidamentente espetaram a faca na classe estão absolutamente disponíveis para abraçar a causa. É que além de serem instrumentos nas mãos do Sócrates são certamente os melhores. Alguém tem dúvidas?

Dos sindicatos dos professores vêm maus prenúncios…

Há uma guerra dura que se vem travando nos últimos anos entre os Sindicatos dos professores e o Ministério da Educação. Às vezes é necessário partir muita pedra e haver baixas de ambos os lados para que o bom senso volte.

 

Parece ser o caso. Hoje há vitórias da Educação ( não do ministério) formidáveis e que terão um importante impacto na qualidade do ensino. Atrevo-me a lembrar os concursos de colocação de professores por quatro anos, terminando com o circo anual, de queixas e queixinhas, de professores com as malas às costas e de alunos a conhecerem novo professor.

 

A avaliação que já ninguem contesta, com um modelo discutido e aceite por todos, mas com consequências na carreira, o que quer dizer que a progressão na carreira deixará de ser automática. O estatuto do professor que vai ser discutido e melhorado, já contando com as recentes contribuições.

 

Mas quando se ouve falar os representantes dos Sindicatos a sensação que fica é que nem tudo foi, ainda, devidamente, digerido. Se pensarem que as vitórias foram da Escola, a digestão será mais fácil. 

 

Acabar com a divisão entre professores titulares e não titulares parece consensual.  Não estou tão certo quanto a uma avaliação, por objectivos, mensuráveis, com consequências na carreira e no vencimento ; numa gestão da escola autónoma com pontes de coordenação com as forças autarquicas  e com os movimentos dos pais ; alargar e aprofundar a autonomia das escolas a partir dos Rankings existentes há vários anos;  considerar que os professores avaliados pelo modelo actual não possam ser prejudicados;

 

Enfim, que as reticências aqui e ali afloradas, não sejam mais que um  teste, inculcando as ideias no universo de professores, como uma vacina que vai alastrando…

Os professores avaliados não podem ser prejudicados

Arranjem uma solução transitória até entrada em vigor do novo modelo de avaliação mas os professores avaliados não podem ser prejudicados. Cumpriram com o que as escolas lhes indicou.

 

Muito menos os professores com notas de excelente e de bom. Ainda compreendo que quem está pouco satisfeito com a nota que obteve ou que não foi avaliado, não veja a nota ter consequências na sua carreira, mas os que trabalharam para a avaliação não podem ser prejudicados.

 

Felizmente que hoje já se fala em novo modelo não se colocando em causa a avaliação, mas espero que o novo modelo não seja o do PCP que quer "avaliar as escolas, não os professores" o que quer dizer que os professores continuam a ser avaliados todos como excelentes e subirem todos ao topo da carreira.

 

O PCP o que propõe é uma avaliação sem consequências, o igualitarismo, todos iguais, "para função igual, salário igual" quando o que se pretende "é trabalho igual, salário igual" o que é bem diferente, leva em conta a produtividade do professor.

 

Claro, que o Mário "alucinado" já anda aí a fazer ameaças, ou é como os sindicatos querem ou vamos para a luta.

A sexualidade na escola

Levei uma sova de todo o tamanho quando o Padre de religião e moral soube que eu namorava. Fechou-me numa sala e bateu-me a ponto de eu lhe dizer que se tornasse a tocar-me me defendia.

 

Fui confessar-me e o padre escreveu num papel "eu sou um rapaz fraco" e colocou na minha carteira de forma a que sempre que eu a abria, lê-se a frase. Só percebi quando alguem mais velho me disse o que é que aquilo queria dizer. O Padre estava preocupado porque eu estava na idade da pívia.

 

Ficava com um sentimento de culpa sempre que me roçava por alguma amiga, ou apertava o par nos bailes de sábado à tarde. Culpa e remorso se me adiantava  com as amigas mesmo que elas não se importassem.  O meu próprio pai ia-me dizendo  para eu não fazer às raparigas o que não gostaria que fizessem às minhas irmãs (quatro).

 

A educação sexual que eu recebi só não me enviou para o "vale dos ímpios" porque eu era um rapazinho feito de material de primeira, terra da boa, onde o trigo germinava mais depressa e melhor que as ervas daninhas.

 

Aprendi nas aulas práticas já que nunca tive aulas teóricas.

 

Ensinar o que é viver, o que é a vida, ser um bom cidadão, ser bom namorado, bom marido e bom pai, devia ser a mais importante disciplina do curiculum escolar, mas o que se ensina nesta disciplina é, em muitas coisas, incompatível com a doutrina da Igreja.

 

Não podemos fazer à Igreja o que a sua hierarquia nos faz a nós. Culpá-la, enviá-la para o inferno, porque há muitas coisas boas que aprendi na Igreja e à sua maneira sempre me protegeu. Eu quando não tinha aulas ficava nos adros das Igrejas, para o meu pai era o lugar mais seguro.

 

Mas é claro que aqueles tempos não são estes tempos. No meu tempo, o inferno era qualquer coisa que estava ao lado do Céu, pelo menos era uma passagem para um sítio melhor, mas agora o Inferno é cá em baixo, não é passagem para nada.

 

A SIDA e as hepatites e as outras doenças sexualmente transmitidas não se compadecem com doutrinas, exigem um combate sem tréguas e isso passa por uma vivência sexual transparente e responsável.

 

Como tive ocasião de dizer a um senhor Bispo, "o que me pede não se faz a um filho".

Discutíamos o uso do preservativo e o meu filho de dezassete anos, andava de comboio Europa fora.

 

 

Não quer não vai! Ia obrigá-lo?

Com estes dois que a terra irá um dia comer, ou não:

 

Numa reunião de Pais, ontem, numa escola do Grande Porto.

 

"- O meu filho não gosta das professores, eu estava de férias, ficou em casa. Ia obrigá-lo a ir para a escola? Por acaso…"

 

Siga a avaliação!

A avaliação é necessária e é possível

Era fatal como o destino que a avaliação dos professores se croncretizasse, pode e deve ser melhorada , até porque é um processo  próactivo,  mas é muito necessária para a melhoria das escolas.

 

A argumentação dos professores sempre foi muito pobre e na parte final já só se agarrava aos professores "titulares" e à, para si impossibilidade, de se fixarem objectivos justos e mensuráveis, esquecendo que ali ao lado as escolas privadas já o fazem há imenso tempo.

 

A avaliação, desde que negociada e aceite por todos, permite que todos os professores saibam o que a escola espera do seu trabalho, e assim pôr todos a remar na mesma direcção. Depois leva ao envolvimento de todos nos processos e objectivos reconhecidos e aceites, como os mais importantes, os problemas passam a ser do grupo e depois da escola.

 

Um aluno problemático não o é para o professor, é-o para a escola, não só porque exige compromissos e tarefas que não estão ao alcance do professor, enqunto entidade individual, mas tambem porque os meios da escola são muito superiores à resolução ou enquadramento do problema.

 

Por outro lado, ninguem como os professores sabe exactamente quem é bom professor e quem tem mérito, é só preciso que esse conhecimento seja estruturado, seja natural e não visto como algo de "mau companheirismo", e que o seu merecimento seja comparativamente avaliado e recompensado.

 

Tenho-me batido desde há muito pela avaliação dos professores, toda a minha vida profissional foi avaliada, uma vezes melhor outras pior, é um processo exigente e de todos os dias, mas quem trabalha e quem obtém resultados tem o direito de ver reconhecido o mérito do seu empenhamento.

 

Oxalá a enorme massa dos professores que querem uma escola melhor, saiba tapar os ouvidos a quem precisa da contestação para ter poder e sobreviver.

 

 

Isabel Alçada e as verdades elementares

O Prof. santana Castilho, com quem muito frequentemente estou em desacordo, vem hoje no Público, com algumas verdades incómodas.

 

Mas antes, despacha a ministra com uns mimos que não lembram o diabo. Não sabe escrever, concordâncias e tal, isto dirigido a quem foi a Presidente do Plano Nacional de Leitura. Depois nem sequer lhe concede o benefício da dúvida, a ministra nos últimos três dias só disse baboseiras de si mesma e do governo anterior.

 

Não se conhece uma ideia de Isabel Alçada para a Educação, Sócrates pensará por ela, cínica, sublinhou a sua muita confiança no novo governo (palavra escrita.) Melosa e sorridente…

 

Mas o melhor estava reservado para os professores: "para suspender tacticamente um modelo de desempenho que já não existe, reforçaremos estrategicamente um poder que se instala sob a nossa ingenuidade"

 

E o Mário "alucinado" com aquele ar de vencedor…

Quem paga a escola pública?

Uma das diferenças que se quer estabelecer, não inocentemente, é que as escolas privadas são pagas pelos pais, remetendo, implicitamente, para o limbo das coisas não terrenas o pagamento das escolas públicas.

 

É como se as escolas públicas funcionassem sem ter patrão, sem ter quem as pague. Daí decorrem vários vícios de pensamento que são tidos como certezas não analizáveis, certezas absolutas. É assim, pronto!

 

Decorre que todos podem chegar ao topo, porque não há que dar satisfações a ninguem. Ao Ministério nem vê-lo, paga e cala. Á sociedade em geral, não se reconhece direito nenhum nem pelo facto de pagarem impostos.Aos pais, nem vê-los nada têm a ver com a escola, eduquem os filhos em casa e deixem-nos em paz.

 

Ouvem os trinados do Mário "alucinado", outro que não paga, nem faz esforço nenhum que lhe dê algum merecimento sobre o que se passa na escola pública. Reinvindica mandar, ter muito poder, todas as benesses para quem lhe paga o vencimento de sindicalista, não vá deixarem de pagar as quotas e ele ter que arranjar emprego onde tenha que labutar.

 

Numa palavra, na escola pública só há direitos, não há dever nenhum, é que ninguem paga nada, são todos a quererem mundos e fundos porque tudo vem de um saco muito fundo, que o homem da floresta trás às costas.

 

No privado, nada disso, os pais pagam a bem pagar. Completamente diferente!

Manifesto pelo fim da divisão na carreira VI

No seguimento de alguns dos posts anteriores, permitam-me que aborde uma questão central nesta discussão: de um lado os professores. Do outro o país.

Esta foi a formulação básica (em todos os sentidos) que o ME usou – dizem agora, os que estão de saída, que a culpa foi do assessor, mas eu, que vejo muitos filmes, acho sempre que o Mordomo nunca é o culpado.

Vamos imaginar que o modelo de avaliação (que não está em prática porque o que existe é uma anedota) e o estatuto (outra aberração) são os melhores do mundo.

Sim, eu sei que é um esforço grande, mas tentem.

O.k. Está a ser complicado… deixa ver… conseguiram? Não…

Mas, vamos fazer de conta, a sério… Mesmo a brincar, do tipo, é a sério.

 

O que é que melhorou na vida e nas aprendizagens dos nossos alunos com esta trapalhada toda?

Depois de 4 anos de um (des)Governo maioritário e ditatorial na Educação, o que é que melhorou na Escola Pública?

Quantos Pais, hoje, depois de 4 anos, preferem meter os filhos na Escola Pública do que numa instituição Privada?

Porquê?

O PSD precisa de um programa

Mais do que um presidente, o PSD precisa de dizer claramente, o que faria de diferente, nas diversas áreas de governo.

 

Na Educação avança com a autonomia nas escolas públicas, com uma avaliação dos professores assente no mérito e com uma carreira decorrente dessa avaliação? E quanto à liberdade de escolha, vulgo cheque ensino?

 

Na Saúde aprofunda a complementaridade entre o SNS e o privado numa óptica da melhor exploração do parque de equipamentos instalado e racionalização dos Recursos Humanos? E quanto à liberdade de escolha?

 

Avança com a Regionalização que tanto engulho causa ao PS centralizador e estatista?

 

O que tenciona fazer aos investimentos públicos anunciados, face à monstruosa dívida pública? Tem prioridades?

 

E na Justiça, o que tenciona fazer? Os actores na Justiça vão continuar a responder perante si próprios, perante o governo ou perante a Assembleia da República? Vamos continuar a ter juízes com 26 anos, titulares de um orgão de soberania? A Justiça para os ricos e poderosos  vai manter-se? O garantismo que só serve quem tem dinheiro e que atrasa todo o processo vai continuar? E as pequenas questínculas administrativas vão continuar a ter honras de tribunal?

 

Na Economia, as PMEs vão, enfim, ter a atenção que a sua importância exige, ou vamos continuar a cirandar à volta de empresas monopolistas com mercados sem risco? As exportações vão ter os apoios fiscais que merecem?

 

E sobre o ordenamento do território, o ambiente, a energia, a cultura,  o mar, a agricultura,

a eutanásia e o casamento gay?

 

Quem vota não sabe o que é que o PSD pensa sobre estas questões nacionais. Os dirigentes sabem?

 

E se o PSD começar por um programa?