Postcards from Greece #27 (Mount Olympus & Litochoro)
Postcards from Greece #25 & #26
Uma missa ortodoxa e um dia perdido

o dia perdido foi hoje. A missa ortodoxa também. E não há qualquer relação, entre uma coisa e outra, mesmo porque a missa ortodoxa terá sido, provavelmente, a melhor parte do meu dia (e é uma agnóstica que vos escreve o postal).
Ontem fui dar um seminário/aula ao Alexander Technological Educational Institute of Thessaloniki, na Escola de Agricultura onde trabalha a Roula. Choveu todo o dia, tal como hoje, embora não esteja frio. O seminário correu bem, com estudantes muito interessados e participativos. O instituto é ainda mais antigo que a AUTH, ou pelo menos parece, porque tem um ar mais degradado. Ou então foi por causa da chuva que fez com tudo parecesse um pouco mais desolador e triste. Refiro-me aos edifícios e ao campus em geral, não às pessoas. No fim, quase duas horas depois, os estudantes agradeceram-me e um deles, vejam bem, ofereceu-me, assim ‘out of the blue’, uma garrafa de sangria grega. Tinha experimentado e gostado e resolveu trazer-me, ainda que não me conhecesse de lado nenhum, nem nunca me tivesse visto. A φιλοξενία (filoxenía ou amizade aos estranhos, sobre a qual já escrevi noutro postal). Outro estudante disse-me, enquanto fumávamos um cigarro no hall as escadas, dentro do edifício (‘pode-se fumar aqui, sim, e em todo o lado. Na Grécia somos democratas, se queres fumar, porque é que não hás de fazê-lo?’. Pois, nada, a mim parece-me bem) que tinha feito Erasmus em Portugal, no IP de Santarém. Sabia dizer ‘bem vindos’, ‘obrigada’ e ‘de nada’. Disse-me ainda que os portugueses também têm φιλοξενία e eu concordei. Talvez não tanto como os gregos, mas sim, somos hospitaleiros que chegue e os estranhos despertam a nossa simpatia.
Postcards from Greece #22 to #24 (Thessaloniki)
«e uma vontade de ir, correr o mundo e partir, a vida é sempre a perder…»
Postcards from Greece #21 (Thessaloniki)
«Se um dia alguém perguntar por mim…»

Postcards from Greece #20 (Metéora)
Suspended between the earth and the sky
Postcards from Greece #19 (Thessaloniki)
Πόλη / Póli/ Cidade
Postcards from Greece #17 & #18 (Thessaloniki)
Salónica sob o sol e φιλοξενία (filoxenía)
Postcards from Greece #16 (Thessaloniki)
‘Remember that the revolution is what is important, and each one of us, alone, is worth nothing’
Postcards from Greece #15 (Thessaloniki)
Hoje ouvi os sinos da igreja de São Demétrio
Postcards from Greece #14 (Thessaloniki)
Gazing at a World Heritage
Postcards from Greece #12 & #13 (Thessaloniki)
‘I don’t know if I will ever learn how to fly, but I am sure I will never crawl’
Postcards from Greece #11 (Thessaloniki)
O dia em que fui mordida por…
Postcards from Greece #10 (Thessaloniki)
Estou há dois dias fechada em casa…
Postcards from Greece #8 & #9 (Thessaloníki)
Aγροτική κοινωνιολογία, política e uma grande constipação
Postcards from Greece #7 (Thessaloniki)
Os gatos de Salónica
Postcards from Greece #6 (Thessaloniki)
‘As you are Portuguese, we have to take good care of you’…
Postcards from Greece #3 to #5 (between Athens and Thessaloniki)
‘It’s illegal by the law, but not by the people’s law’
Postcards from Greece #1 & #2 (Athens)
No more waiting, no more silence…
Era uma vez a Europa

Numa história bem escrita, Paulo Pena relata no PÚBLICO os bastidores de uma certa Europa, trazendo à luz a realidade de poder, e não de economia, que reina no Eurogrupo.
Continua Varoufakis: “Em todas as reuniões do Eurogrupo, logo que se abria o período de intervenções dos ministros, ocorria o mesmo ritual. Primeiro, a claque de apoio do dr. Schäuble, constituída por ministros das Finanças dos países do Leste, competiria entre si para ver que é mais pro-Schäuble que o próprio Schäuble. Depois, os ministros dos países submetidos a resgates como a Irlanda, a Espanha, Portugal e Chipre – os prisioneiros-modelo de Schäuble – acrescentariam a sua bagatela Schäuble-compatível imediatamente antes de, por fim, Wolfgang, o próprio, vir a terreiro para finalizar com alguns retoques a narrativa que controlava desde o início.” [P]
Maria Helena da Rocha Pereira (1925-2017)

[André Rodrigues]
O meu primeiro ano da Faculdade foi uma espécie de pesadelo, apenas no segundo viria o gosto de estudar e aprender e, ocasionalmente, algumas notas boas, que são o menos importante, ou deveriam ser.
Nesse primeiro ano, no meio da prosa “barbaramente académica” em que nos afogávamos, havia dois livros (“Estudos de História da Cultura Clássica”, vols. I e II, da FCG), escritos numa linguagem que era, ao mesmo tempo, clara e rigorosa, simples e de uma riqueza profunda. Dava-me a entender uma relação privilegiada com a língua portuguesa, própria daqueles quem lhe conhecem a ossatura.
Maria Helena da Rocha Pereira (MHRP) levava-nos pela mão para aprendermos o que diz um vaso grego sobre a vida daqueles que o fizeram, falava do escudo de Aquiles como um passaporte para uma outra civilização. Falava para todos, alunos do primeiro ano e especialistas, com a mesma clareza cristalina. [Read more…]
O FMI não está a pedir mais austeridade à Grécia
É dito aqui. Mas não sei se o Eurogrupo não estará.
Europa ou Morte
Desde 2000 mais de 27 000 migrantes e refugiados morreram ao tentar fazer a perigosa viagem para a Europa. Desde 2014 um número sem precedentes de pessoas tentam, e muitos conseguem, entrar na Europa. A “Europa”, sem rumo, de mente embotada, não consegue reagir. Não acolhe os migrantes e refugiados, não financia os países de fronteira para que consigam conter e lidar com a situação. No meio disto tudo o populismo cresce e as pessoas morrem.
Esta reportagem da Vice News em quatro partes mostra o que se está a passar nas fronteiras mais sensíveis. A reportagem é de 2015 mas, infelizmente, continua muito actual.
Depois do corte veja como ligar as legendas (espanhol, francês ou italiano), assim como a ligação para cada um dos episódios.
Parem as rotativas
A malta da direita, agora que as contas têm o inconveniente de estarem a correr bem, está à procura de inspiração além fronteiras. Veja-se bem, que até já são especialistas em grego e análise política da Grécia.
Não é que descobriram um escândalo? Só falta saber se é tão credível quanto a fotomontagem do pobre grego que não era grego ou das filas do multibanco, que não eram filas.

Miguel Poiares Maduro encerra a silly season com chave de ouro

Miguel Poiares Maduro foi dar uma aula às camadas jovens do PSD, apresentando-lhes um exercício bizarro que consistiu em colar o governo português aos regimes polaco e húngaro. Segundo o Expresso, Poiares Maduro considerou que Portugal integra, juntamente com a Grécia, a Polónia e a Hungria, um grupo de países onde governos populistas chegaram ao poder, chegando mesmo a falar num caminho que conduz ao autoritarismo e à tirania. Palavras particularmente duras para o Fidesz, o partido-irmão do PSD que governa a Hungria como mão de ferro, liderado por um fascista assumido, de seu nome Viktor Orbán, que, por ocasião da estreia de Passos Coelho na cimeira de chefes de Estado e governo da UE, afirmou:
Filhadaputice é isto

Seis países não cumpriram as regras do pacto de estabilidade em 2015
Disse-se que houve unanimidade entre os ministros das finanças europeus, que formam o Ecofin, na aplicação de sanções a Portugal. O que é falso, logo em primeiro lugar.
Durante a reunião não houve votação. Portugal e Espanha manifestaram-se contra as sanções, mas os restantes países não levantaram objeções dando luz verde à decisão. [Expresso]
Nem houve votação. Assim se confirma, novamente, que a “europa” é o projecto de um país, capaz de impor aos restantes o seu domínio.
Mas quem cala consente. Seis países ficaram em procedimento de défice excessivo em 2015. Croácia, França, Grécia, Reino Unido (se ainda conta), Portugal e Espanha.
A Croácia calou-se. A França calou-se. A Grécia calou-se. Filhadaputice é assobiar para o lado enquanto as chamas do vizinho não chegam ao palheiro. Mas lembrando Brecht…
Actualização: a Grécia opôs-se às sanções.
Vivemos um tempo em que a contra-informação domina a informação. Neste caso, passámos de unanimidade para vários protestos. Mesmo assim, não chegou a haver votação. Grande europa.
Como lidam eles com a França?
Em 26 de Abril Yanis Varoufakis e Noam Chomsky tiveram uma interessante conversa na biblioteca pública de Nova York. A certa altura Noam Chomsky perguntou a Varoufakis, “E como lidam eles como a França?”, sendo que “eles” se refere, neste contexto, à Alemanha e à Troika. A resposta é surpreendente para quem está habituado a observar a “Europa” pelos filtros da comunicação social.
Pode assistir à conversa completa aqui.
Ui que medo! Os juros dos periféricos estão a cair…

António Costa visitou recentemente a Grécia para se encontrar com o seu homólogo. A ala sarnenta da direita, sedenta de sangue, purgas e austeridade virtuosa, rosnou com vigor e dedicou-se, nos dias que se seguiram, a conjecturar cenários de catástrofe derivados de um encontro normal entre chefes de Estado, que de resto partilham problemas comuns. Entre roncos e anúncios do apocalipse, os juros da dívida de Portugal e Grécia viveram uma semana de queda significativa, em contraciclo com a maioria dos parceiros europeus. Vale o que vale, que os mercados são outro bicho bipolar que rosna e dá a pata sem que se perceba muito bem porquê. Mas tem sempre a sua piada ver os fanáticos a estrebuchar. Que falta que lhes está a fazer outra crise internacional. Tenham calma bichinhos, lá chegaremos.







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