Postcards from Greece #27 (Mount Olympus & Litochoro)

The house of the Gods and Goddesses

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Hoje o dia amanheceu glorioso, sem rasto nem gota da abundante chuva que caiu antes de ontem e especialmente ontem. Também acordei muito cedo para os meus hábitos. Ás 9h20 já estava na paragem do 23, na Kassandrou, aqui em cima, para ir para a estação dos caminhos de ferro de Salónica. O meu destino era (e foi) Litochoro, uma cidade pequenina aos pés do Monte Olimpo, ou melhor (que o Monte Olimpo é grande) a porta de entrada para a casa dos deuses e das deusas gregas. Na estação comprei um bilhete de ida e volta para a pequena cidade. Disse qualquer coisa em português, ou murmurei, e a senhora da bilheteira perguntou-me se era portuguesa, num português quase perfeito, aprendido no Porto onde, disse, viveu alguns anos. Obrigada e adeus.
 

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Postcards from Greece #25 & #26

Uma missa ortodoxa e um dia perdido

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o dia perdido foi hoje. A missa ortodoxa também. E não há qualquer relação, entre uma coisa e outra, mesmo porque a missa ortodoxa terá sido, provavelmente, a melhor parte do meu dia (e é uma agnóstica que vos escreve o postal).

Ontem fui dar um seminário/aula ao Alexander Technological Educational Institute of Thessaloniki, na Escola de Agricultura onde trabalha a Roula. Choveu todo o dia, tal como hoje, embora não esteja frio. O seminário correu bem, com estudantes muito interessados e participativos. O instituto é ainda mais antigo que a AUTH, ou pelo menos parece, porque tem um ar mais degradado. Ou então foi por causa da chuva que fez com tudo parecesse um pouco mais desolador e triste. Refiro-me aos edifícios e ao campus em geral, não às pessoas. No fim, quase duas horas depois, os estudantes agradeceram-me e um deles, vejam bem, ofereceu-me, assim ‘out of the blue’, uma garrafa de sangria grega. Tinha experimentado e gostado e resolveu trazer-me, ainda que não me conhecesse de lado nenhum, nem nunca me tivesse visto. A φιλοξενία (filoxenía ou amizade aos estranhos, sobre a qual já escrevi noutro postal). Outro estudante disse-me, enquanto fumávamos um cigarro no hall as escadas, dentro do edifício (‘pode-se fumar aqui, sim, e em todo o lado. Na Grécia somos democratas, se queres fumar, porque é que não hás de fazê-lo?’. Pois, nada, a mim parece-me bem) que tinha feito Erasmus em Portugal, no IP de Santarém. Sabia dizer ‘bem vindos’, ‘obrigada’ e ‘de nada’. Disse-me ainda que os portugueses também têm φιλοξενία e eu concordei. Talvez não tanto como os gregos, mas sim, somos hospitaleiros que chegue e os estranhos despertam a nossa simpatia.

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Postcards from Greece #22 to #24 (Thessaloniki)

«e uma vontade de ir, correr o mundo e partir, a vida é sempre a perder…»

 

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Este é um postal (ou três, porque não tenho tido vontade de escrever ou nada de especial para contar) de Salónica, mas podia, na verdade, ser de qualquer parte, incluindo de casa onde me tem apetecido regressar bastantes vezes nos últimos dias. Em Salónica, há um bocado, leio a notícia da morte do Zé Pedro dos Xutos e Pontapés. Devo ter gostado muito de Xutos há umas boas décadas, depois passou-me como me tem passado muita coisa nestas cinco décadas de existência. Passou-me, quer dizer, continuei a gostar, mas não, por assim dizer, ativamente. Pode ser-se velho demais para gostar de Xutos ou pode-se ser velho demais para ir deixando devagar de gostar de músicas, cidades, pessoas, coisas. Não sei qual das situações é o meu caso, mas creio que também não interessa muito, até porque as duas não são sequer contraditórias. E mesmo que fossem, é disso que somos feitos.

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Postcards from Greece #21 (Thessaloniki)

«Se um dia alguém perguntar por mim…»

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ouvi hoje, passava pouco das 10 da manhã, no café ‘Os Piratas’, aqui na esquina da rua de São Nicolau com a Rua de São Demétrio. Chovia torrencialmente e mal saí de casa fui beber um café antes de apanhar o 16, por causa da chuva, para ir para a AUTH. Lá dentro estava quentinho e o café era menos mau. A senhora ao balcão estava com cara de poucos amigos e bebericava qualquer coisa. A música estava baixa e era variada. Vi um cinzeiro em frente da senhora do balcão e pedi um para a mesa. A senhora tira o vaso das flores de dentro de um potezinho verde alface, que estava a enfeitar a mesa e diz-me para por a cinza ali.

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Postcards from Greece #20 (Metéora)

Suspended between the earth and the sky

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ou, simplesmente, no meio do céu. Eis o que quer dizer Metéora, uma área formada por rochas gigantes e nuas, uma paisagem com mais de 60 milhões de anos por acção do vento e da chuva e de diversos fenómenos geológicos e, talvez seja apropriado, pelo desejo de algum deus. Uma paisagem que deve ser única no mundo. Nunca vi nada assim e creio ser difícil que volte a ver alguma coisa assim. Metéora fica na Grécia central, 237 km a sul de Salónica, quando a planície de Tessália acaba e, provavelmente, o céu começa. A área serviu de refúgio contra os invasores, serviu de lugar de oração a muitos ermitas, nas cavernas e fissuras das rochas. A partir de meados do século XIV foi construída a maior parte dos 24 mosteiros que existem até hoje, embora alguns em ruínas. Hoje apenas 6 dos mosteiros são habitados, 4 por monges e 2 por freiras*.
 

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Postcards from Greece #19 (Thessaloniki)

Πόλη / Póli/ Cidade

 

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Há uma estátua, que eu considero muito bonita, na praça Agias Sofias, chamada Cidadãos. Ou Πολίτες/ Polítes. É do escultor Manolis Tzobanaki e mostra três pessoas que lêem o mesmo jornal. A estátua homenageia os cidadãos de Salónica, uma cidade que é grega apenas há 105 anos. Antes era turca e isso nota-se muito, nos monumentos, nos mercados, nos jardins, entre outros aspectos que por serem resultado de uma observação mais subjetiva, não vou mencionar, à exceção do estilo de vida que me parece mais descontraído do que o da generalidade das outras cidades europeias que conheço. De qualquer modo, voltando à estátua dos Cidadãos, ela ergue-se mesmo em frente ao portão da igreja de Agias Sofias, ou Santa Sofia que muitos dizem ser anterior à sua homónima de Constantinopla ou Istambul, conforme preferirem. Não conheço (ainda) esta última. A de Salónica conheci-a hoje, apesar de já a ter visto ao longe muitas vezes, quando passava na Egnatia, uma das principais avenidas da cidade. Gostei da igreja, que é, aliás, património mundial da humanidade, mas confesso que preferi a estátua aos cidadãos. Agias Sofia não é muito diferente de muitas outras (e são realmente muitas outras) igrejas de Salónica e como muitas delas tem claramente um estilo bizantino e foi convertida em mesquita, depois da conquista da cidade pelos turcos. A estátua de que gosto muito apenas existe desde 1987.

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Postcards from Greece #17 & #18 (Thessaloniki)

Salónica sob o sol e φιλοξενία (filoxenía)

 

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Salónica com sol torna-se uma cidade francamente mais bonita. A começar pela paisagem das minhas janelas, que é, como já se sabe, basicamente a lindíssima igreja de São Demétrio. Quando está sol, como tem estado nos últimos dias, a torre dos sinos, que hoje por exemplo tocaram duas vezes, por coincidência e para meu prazer, enquanto eu fumava à varanda, torna-se mais bonita ainda, sobre o céu azul. Também o fórum romano parece mais interessante, e o plátano que se ergue no centro da pitoresca praça Athonos parece mais verde, apesar de conter já todas as cores do outono. A Praça Aristóteles fica mais povoada e os navios, no golfo, logo ali, parecem preparar-se para entrar pela praça adentro, como se fosse natural. E o mercado Karpani, onde fui hoje, parece explodir ainda mais em todas as cores, nas frutas, nas flores, nas especiarias, nas roupas, em tudo o que organizadamente se vende e se compra por ali.

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Postcards from Greece #16 (Thessaloniki)

Remember that the revolution is what is important, and each one of us, alone, is worth nothing’

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traduziu-me a miúda, do grego, a partir de um cartaz feito à mão por cima da banca da KNE (Juventude do KKE) no átrio de entrada da Faculdade de Agronomia da Aristotle University of Thessaloniki (AUTH). Do outro lado da banca do KKE (Partido Comunista da Grécia) estava a banca do EAAK (Movimento Independente Unido de Esquerda), um movimento que representa a união de organizações estudantis (universitárias) de esquerda. Quando hoje entrei na faculdade deparei-me com estas duas bancas, uma de cada lado cheias de cartazes. Identifiquei, naturalmente bem o KKE, mas o EAAK nem por isso e presumi que se tratava de eleições para a associação de estudantes ou coisa assim.
 

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Postcards from Greece #15 (Thessaloniki)

Hoje ouvi os sinos da igreja de São Demétrio

aqui mesmo, da sala, ali do outro lado da janela. Eram quase 6 da tarde, devia ser a hora da missa. Um dia destes vou assistir a uma missa ortodoxa. Assisti uma vez, creio que em Bucareste, a um bocadinho de uma. Mas com a igreja de São Demétrio aqui mesmo à mão, seria um pecado não assistir a uma inteira. Nos postais da Roménia, especialmente daqueles escritos de Cluj e de Bucareste, falo da estranha dança que os fiéis ortodoxos fazem diante de deus e dos santos (ou ídolos, como lhes quiserem chamar). Aqui também a fazem. Tal como também se benzem as pessoas cada vez que passam por uma igreja. Benzem-se com gestos largos e com a mão esquerda.
 
Salónica está cheia de igrejas e igrejinhas. Há praticamente uma em cada esquina. Os quase 800 000 habitantes da cidade têm, assim, se quiserem, muitos espaços onde ir dançar diante de deus. Como escrevi no postal de ontem, o padroeiro da cidade é justamente São Demétrio, o mesmo em honra do qual se ergueu esta igreja aqui defronte da janela, de que hoje ouvi tocar os sinos eram quase seis da tarde. Foi um toque solene e curto.

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Postcards from Greece #14 (Thessaloniki)

Gazing at a World Heritage

mais exatamente esta igreja, chamada de São Demétrio que se avista da minha nova casa, de todas as janelas. Na verdade o que se vê são as traseiras da enorme igreja, mas ainda assim é digno de se ver. As janelas dão para a uma praceta grande o meio da qual se ergue, então, esta igreja que é parte dos sítios classificados como Património Mundial da Humanidade.
 
A igreja que chegou aos nossos dias decorreu da reconstrução feita no século VI. A primeira igreja existente neste local foi construída no século IV, mas sucessivos incêndios foram impondo também sucessivas remodelações e alargamentos. Já a visitei por dentro e é igualmente bonita. Até acendi umas velinhas, acho que contei num outro postal, que lhe acrescentaram beleza. Pelo menos, momentaneamente, à minha vida acrescentaram, tal como acrescenta esta vista.

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Postcards from Greece #12 & #13 (Thessaloniki)

‘I don’t know if I will ever learn how to fly, but I am sure I will never crawl’

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estava escrito numa parede na rua Egiptou, na zona de Ladadika. Foi um rapaz de um bar, em frente ao grafiti e às palavras que me traduziu do grego. Aliás foi ele que me chamou a atenção para o grafiti, depois de eu ter fotografado a fachada de um bar vizinho e de reparar que ele fazia pose.Tirei-lhe uma fotografia e depois ele disse-me que devia tirarà parede e traduziu do grego para o inglês ‘não sei se alguma vez aprenderei como voar, mas de certeza que nunca rastejarei’. Gostei da frase. Bastante. Embora o rastejar me tenha recordado os meus ‘amigos’ rastejantes que alegadamente me picaram o pescoço e (descobri depois) uma orelha, o queixo e as pernas.

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Postcards from Greece #11 (Thessaloniki)

O dia em que fui mordida por…

…percevejos ou, mais fino, bed bugs… isso mesmo… não se riam…eu, a obcecada com a limpeza e ordem e ausência de bicharada, fui pela primeira vez na vida… picada ou mordida ou o raio por bed bugs.
Depois de dois dias deitada no sofá da casa, porque estava ultra constipada, hoje acordei com umas bolhas no pescoço em cluster. Lindo, como devem imaginar. Poupo-vos às fotos do meu pescoço, cheio de borbulhas nojentas.
Foi a gota de água. Se já ia mudar segunda feira de casa, depois de ser reembolsada pela airbnb, mudei-me já hoje para um hotel, depois de dizer ao dono da casa onde estive até agora que a casa tinha bed bugs e que me tinham picado. Depois de tanta treta, digamos que mais isto (ou sobretudo isto) era inaceitável.

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Postcards from Greece #10 (Thessaloniki)

Estou há dois dias fechada em casa…

porque tenho uma grande constipação. Ainda bem que trouxe os cêgripes de Portugal. Sinto-me melhor, um bocadinho pelo menos.
 
Apesar de estar há dois dias fechada em casa, quando vou ali à varanda tenho o mundo inteiro, ou quase, à minha frente. Apesar de estreita, a rua Evripidou é movimentada, frequentada por gatos e pessoas de todos os feitios e medidas, que me entretenho a observar. Já sei quem mora ali em frente e hoje uma das rapariguinhas acenou-me. Já sei que gatos se dão melhor e quais nem se podem ver e já conheço também as preferências do senhor da loja das motas aqui defronte, no que se refere aos gatos. É sobretudo ele que os alimenta.

Postcards from Greece #8 & #9 (Thessaloníki)

Aγροτική κοινωνιολογία, política e uma grande constipação

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αγροτική κοινωνιολογία, quer dizer ‘agrotikí koinoniología’, ou seja sociologia rural. Foi a Maria que é também uma ‘agrotikós koinoniológos’ ou socióloga rural, que me ensinou a escrever isto e, mais importante, a pronunciar. É certo que poderia ter ido ao google tradutor (e acabei por ir, para copiar para o postal a expressão) mas preferi que ela me ensinasse. Rural diz-se αγροτικές ou ‘agrotikés’ e parece mesmo uma língua. Que eu e a Maria falamos. Quanto ao grego, o meu é praticamente inexistente, se descontarmos os habituais kalimera, kalispera, kalinýchta, efvaristó e parakalo. Já consigo ler relativamente bem os caracteres para me orientar num sítio qualquer, mas não vou muito além disso. Ao contrário do ‘agrotikés’, o grego é mesmo uma língua difícil.

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Quem diria?

Salvar os bancos da Alemanha não ajudou muito a Grécia.

Postcards from Greece #7 (Thessaloniki)

Os gatos de Salónica

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Nunca vi tantos gatos em toda a parte, numa cidade, como aqui em Salónica. Os gatos parecem ser omnipresentes. Bem tratados pelos residentes, como estes aqui da rua, a quem vários vizinhos colocam comida e água, são amistosos e amáveis e deixam-se acariciar. Ou pedem mesmo carícias. Gostam de pessoas, por estranho que pareça, e querem – na maior parte das vezes – apenas mimo.
 

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Postcards from Greece #6 (Thessaloniki)

‘As you are Portuguese, we have to take good care of you’…

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foi o que disse a rapariga grega trazendo um vinho do Porto à mesa da esplanada onde eu comia a melhor tarde de chocolate do mundo, acompanhada de um café cheio. A esplanada pertence ao Portogalo*, um wine bar na rua Komninon, mesmo à beira da Praça Liberdade (Plateia Eleftherias), numa das zonas mais bonitas e movimentadas da cidade. Tinha passado lá ontem à noite, debaixo de chuva, depois do jantar no Coquille e, naturalmente, achado graça ao bar/restaurante chamado Portugalo e que exibia vinhos portugueses na montra. O vinho do Porto foi oferecido. Assim, sem mais nem menos, depois de eu ter dito que era portuguesa. ‘Se é portuguesa, temos de cuidar de si’. O Porto foi oferecido com a mesma generosidade e simpatia que se encontra em praticamente qualquer grego, já o disse um destes dias. E o Porto soube bem e ficou a promessa de voltar lá para um jantar como deve ser, quando sentir saudades de Portugal.
 

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Postcards from Greece #3 to #5 (between Athens and Thessaloniki)

‘It’s illegal by the law, but not by the people’s law’

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Disse o taxista que me transportou hoje até à White Tower (ou Tower of Blood atendendo ao seu passado como prisão), depois de eu ter perdido, porque me enganei na paragem, o autocarro 50 que faz a chamada ‘cultural route’ em Salónica, numa viagem que numa hora percorre a cidade. Custa 2 euros e leva-nos perto das várias atrações turísticas. Como o perdi e o próximo era só daí a uma hora, com partida da Torre Branca, apanhei então um táxi. Os táxis na Grécia são bastante baratos, deve dizer-se que dentro da cidade uma viagem não ficará por mais de 5 euros. O taxista quis saber de onde vinha. Portugal. Repetiu Portugal com a voz mais doce e disse que tinha um amigo português. Nisto um homem aproxima-se do táxi e diz um destino que não entendi. O taxista diz que não passa por lá. Eu pergunto se é habitual na Grécia as pessoas dividirem táxis com estranhos, já que antes tinha reparado também na mesma situação. É habitual mas não legal… ou melhor, explica, o taxista, é ‘ilegal pela lei, mas é legal pela lei das pessoas’. Esclarecidos, portanto.

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Postcards from Greece #1 & #2 (Athens)

No more waiting, no more silence…

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estou na Grécia há já uns dias. Não é a primeira vez que visito a Grécia, ou melhor, alguns lugares deste país, já que seria preciso muito tempo para visitá-los todos. Mas estive em Atenas, em Santorini e em Creta em 2011. Dessa altura lembro-me, porque tive a experiência concreta em inúmeras ocasiões, da enorme simpatia e generosidade dos gregos. Lembro-me particularmente de um dia muito quente, em Atenas, em que me faltava em moedas o que me sobrava em sede. Em dois cafés onde tentei pagar a água com uma nota de cinco (ou dez, já não me lembro bem) euros, ofereceram-me garrafas de água de meio litro, porque não tinham troco. Podiam ter-me recusado a água, mas não hesitaram em oferecer-ma. Nunca me esqueci disso, porque na altura pensei que em Portugal provavelmente ter-me-iam mandado bugiar ou trocar dinheiro, o que seria o mesmo.

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Schauble alter ego de Varoufakis?

Se é Tsipras quem o afirma…

Era uma vez a Europa

Numa história bem escrita, Paulo Pena relata no PÚBLICO os bastidores de uma certa Europa, trazendo à luz a realidade de poder, e não de economia, que reina no Eurogrupo.

Continua Varoufakis: “Em todas as reuniões do Eurogrupo, logo que se abria o período de intervenções dos ministros, ocorria o mesmo ritual. Primeiro, a claque de apoio do dr. Schäuble, constituída por ministros das Finanças dos países do Leste, competiria entre si para ver que é mais pro-Schäuble que o próprio Schäuble. Depois, os ministros dos países submetidos a resgates como a Irlanda, a Espanha, Portugal e Chipre – os prisioneiros-modelo de Schäuble – acrescentariam a sua bagatela Schäuble-compatível imediatamente antes de, por fim, Wolfgang, o próprio, vir a terreiro para finalizar com alguns retoques a narrativa que controlava desde o início.” [P]

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Maria Helena da Rocha Pereira (1925-2017)

[André Rodrigues]

O meu primeiro ano da Faculdade foi uma espécie de pesadelo, apenas no segundo viria o gosto de estudar e aprender e, ocasionalmente, algumas notas boas, que são o menos importante, ou deveriam ser.

Nesse primeiro ano, no meio da prosa “barbaramente académica” em que nos afogávamos, havia dois livros (“Estudos de História da Cultura Clássica”, vols. I e II, da FCG), escritos numa linguagem que era, ao mesmo tempo, clara e rigorosa, simples e de uma riqueza profunda. Dava-me a entender uma relação privilegiada com a língua portuguesa, própria daqueles quem lhe conhecem a ossatura.

Maria Helena da Rocha Pereira (MHRP) levava-nos pela mão para aprendermos o que diz um vaso grego sobre a vida daqueles que o fizeram, falava do escudo de Aquiles como um passaporte para uma outra civilização. Falava para todos, alunos do primeiro ano e especialistas, com a mesma clareza cristalina. [Read more…]

O FMI não está a pedir mais austeridade à Grécia

É dito aqui. Mas não sei se o Eurogrupo não estará.

Europa ou Morte

Europe or die - Vice News

Desde 2000 mais de 27 000 migrantes e refugiados morreram ao tentar fazer a perigosa viagem para a Europa. Desde 2014 um número sem precedentes de pessoas tentam, e muitos conseguem, entrar na Europa. A “Europa”, sem rumo, de mente embotada, não consegue reagir. Não acolhe os migrantes e refugiados, não financia os países de fronteira para que consigam conter e lidar com a situação. No meio disto tudo o populismo cresce e as pessoas morrem.

Esta reportagem da Vice News em quatro partes mostra o que se está a passar nas fronteiras mais sensíveis. A reportagem é de 2015 mas, infelizmente, continua muito actual.

Depois do corte veja como ligar as legendas (espanhol, francês ou italiano), assim como a ligação para cada um dos episódios.

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Parem as rotativas

A malta da direita, agora que as contas têm o inconveniente de estarem a correr bem, está à procura de inspiração além fronteiras. Veja-se bem, que até já são especialistas em grego e análise política da Grécia.

Não é que descobriram um escândalo? Só falta saber se é tão credível quanto a fotomontagem do pobre grego que não era grego ou das filas do multibanco, que não eram filas.

manipulação imprensa grécia

Miguel Poiares Maduro encerra a silly season com chave de ouro

MPMaduro

Miguel Poiares Maduro foi dar uma aula às camadas jovens do PSD, apresentando-lhes um exercício bizarro que consistiu em colar o governo português aos regimes polaco e húngaro. Segundo o Expresso, Poiares Maduro considerou que Portugal integra, juntamente com a Grécia, a Polónia e a Hungria, um grupo de países onde governos populistas chegaram ao poder, chegando mesmo a falar num caminho que conduz ao autoritarismo e à tirania. Palavras particularmente duras para o Fidesz, o partido-irmão do PSD que governa a Hungria como mão de ferro, liderado por um fascista assumido, de seu nome Viktor Orbán, que, por ocasião da estreia de Passos Coelho na cimeira de chefes de Estado e governo da UE, afirmou:

Pertencemos à mesma família política (Partido Popular Europeu), cooperávamos por isso ainda antes da decisão da nação portuguesa de lhe pedir para se tornar primeiro-ministro, e temos relações pessoais muito boas. Ele é um homem muito acessível, e por isso é muito fácil de trabalhar com ele.

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Filhadaputice é isto

EU defict wall of shame

Seis países não cumpriram as regras do pacto de estabilidade em 2015

Disse-se que houve unanimidade entre os ministros das finanças europeus, que formam o Ecofin, na aplicação de sanções a Portugal. O que é falso, logo em primeiro lugar.

Durante a reunião não houve votação. Portugal e Espanha manifestaram-se contra as sanções, mas os restantes países não levantaram objeções dando luz verde à decisão. [Expresso]

Nem houve votação. Assim se confirma, novamente, que a “europa” é o projecto de um país, capaz de impor aos restantes o seu domínio.

Mas quem cala consente. Seis países ficaram em procedimento de défice excessivo em 2015. Croácia, França, Grécia, Reino Unido (se ainda conta), Portugal e Espanha.

A Croácia calou-se. A França calou-se. A Grécia calou-se. Filhadaputice é assobiar para o lado enquanto as chamas do vizinho não chegam ao palheiro. Mas lembrando Brecht

Actualização: a Grécia opôs-se às sanções.
Vivemos um tempo em que a contra-informação domina a informação. Neste caso, passámos de unanimidade para vários protestos. Mesmo assim, não chegou a haver votação. Grande europa.

Como lidam eles com a França?

Em 26 de Abril Yanis Varoufakis e Noam Chomsky tiveram uma interessante conversa na biblioteca pública de Nova York. A certa altura Noam Chomsky perguntou a Varoufakis, “E como lidam eles como a França?”, sendo que “eles” se refere, neste contexto, à Alemanha e à Troika. A resposta é surpreendente para quem está habituado a observar a “Europa” pelos filtros da comunicação social.

Pode assistir à conversa completa aqui.

Ui que medo! Os juros dos periféricos estão a cair…

TC

António Costa visitou recentemente a Grécia para se encontrar com o seu homólogo. A ala sarnenta da direita, sedenta de sangue, purgas e austeridade virtuosa, rosnou com vigor e dedicou-se, nos dias que se seguiram, a conjecturar cenários de catástrofe derivados de um encontro normal entre chefes de Estado, que de resto partilham problemas comuns. Entre roncos e anúncios do apocalipse, os juros da dívida de Portugal e Grécia viveram uma semana de queda significativa, em contraciclo com a maioria dos parceiros europeus. Vale o que vale, que os mercados são outro bicho bipolar que rosna e dá a pata sem que se perceba muito bem porquê. Mas tem sempre a sua piada ver os fanáticos a estrebuchar. Que falta que lhes está a fazer outra crise internacional. Tenham calma bichinhos, lá chegaremos.

Medalha de bronze para Portugal

na modalidade de dívida em percentagem do PIB na zona euro.