Uma deputada “da Escola”
A Paula é uma camarada aqui de Gaia, no melhor sentido que a palavra pode ter. É uma mulher de muitas lutas, das lutas todas. Faz falta na sua escola e faz falta aos seus alunos. Ainda bem que continua on fire, desta vez como deputada no Parlamento.
Obrigado por levares a realidade das nossas escolas, a realidade da nossa terra até Nuno Crato. E até o teu nervosismo tão natural mostra que não és profissional da coisa, és uma de nós!
Os donos da língua
Pinda Simão, que se reuniu hoje em Lisboa com o ministro da Educação português, Nuno Crato, afirmou que Angola quer “fazer incidir esforços” na qualidade do ensino, referindo que em três províncias, Namibe, Benguela e Cabinda, há professores portugueses que estão envolvidos na formação de professores, em Língua Portuguesa, Matemática e Educação Física.
O texto é da Lusa, escrito, portanto, segundo o chamado acordo ortográfico. Por acaso, foi publicado no jornal i, que não adopta o chamado acordo ortográfico. Os professores portugueses, em Portugal, são forçados a aplicar, nas escolas portuguesas, o chamado acordo ortográfico.
Alguns professores portugueses estão em Angola, participando na formação de professores angolanos. Angola não aplica o chamado acordo ortográfico, continuando a utilizar a ortografia de 1945. Deduzo, portanto, que os professores portugueses não possam utilizar, em Angola, o chamado acordo ortográfico que são obrigados a utilizar em Portugal, pela simples razão de que não seria aceitável esses mesmos professores imporem uma ortografia portuguesa a uma escrita que é angolana. [Read more…]
O ano lectivo continua a começar
Nuno Crato continua a exercer o seu mandato com a tranquilidade dos assassinos contratados. Só assim é possível continuar a não resolver o problema da falta de funcionários nas escolas, graças à aplicação descontraída de uma lei desactualizada: assim, não há condições que as bibliotecas, as secretarias, as cozinhas e a vigilância dos alunos funcionem. Se juntarmos a isso as turmas com alunos a mais e as escolas com professores a menos, é fácil perceber que a Escola Pública está mergulhada num caos, com prejuízos graves para a parte mais frágil, os alunos.
A propósito do aumento do número de alunos por sala, qualquer profissional sabe que se trata de uma medida antipedagógica. Sabe-se, agora, que pode ser prejudicial à saúde.
Como se tudo isto não bastasse, é ainda graças a uma estrutura desumana que há alunos com deficiências sem direito ao apoio que uma sociedade civilizada deveria conceder-lhes. É assim que alunos surdos do Tâmega e Sousa continuam sem aulas por falta de transporte e é assim que nove técnicos de apoio a crianças autistas estão afastados das suas funções.
Entretanto, há alunos de cursos profissionais ainda sem aulas, porque continua a haver professores e técnicos por colocar.
O ano lectivo, com Nuno Crato, continuará a começar. Nada que o incomode: para isso, teria de ter vergonha ou consciência.
A directora do Agrupamento de Escolas Clara de Resende, no Porto, decidiu que a escola-sede será encerrada, enquanto não houver funcionários em número suficiente. Louve-se uma atitude que deveria, muito provavelmente, alastrar a muitas escolas do país, em que a virtude de querer compensar os disparates de Nuno Crato constitui, no fundo, um defeito, porque acaba por corresponder à aceitação de decisões que acabarão por prejudicar os alunos.
O comentador Rui Lima, neste texto do João Paulo, expele a opinião típica de quem pensa que os problemas são para suportar e não para resolver. É apenas mais um caso de ignorância atrevida e representante do estereótipo do portuguesinho que pensa que os professores, como não têm nada para fazer, servem para tapar qualquer buraco. Se o portuguesinho se começasse a preocupar verdadeiramente com a Educação em Portugal, estaria do lado das escolas contra o seu maior problema: o Ministério da Educação. Quando isso acontecer, não voltará a ser possível o cargo de ministro ser ocupado por vendedores de banha da cobra.
Alunos sem aulas em Silves
O ano lectivo, já se sabe, é um conceito que Nuno Crato não domina. Deste modo, é natural que o ministro tenha afirmado que o ano lectivo começou bem, sabendo-se que, três semanas depois, há alunos que ainda não têm professor.
É o que acontece em São Marcos da Serra, no concelho de Silves. Coincidência ou não, depois de os pais terem fechado a escola e a situação ter sido referida nas notícias, surge a garantia de que, amanhã, será colocada uma professora.
Na mesma notícia, o director do agrupamento de escolas em que está incluída a EB1 de São Marcos da Serra declarou que a professora em causa “tem estado de atestado médico”, explicando que só entrará ao serviço se não apresentar novo atestado. O mesmo director acrescentou que irá tentar sensibilizar a professora para o problema.
Há, nesta história, pelo menos, dois aspectos que merecem comentário: se um professor está de atestado, é natural que não se possa apresentar ao serviço; para além disso, deve partir-se do princípio de que estará doente, sendo legítimo que não seja sensível a nenhum outro problema.
Ficamos a saber, ainda, que estão por colocar 19 professores em todo o agrupamento de escolas. Talvez fizesse mais sentido que o director procurasse sensibilizar o Ministério da Educação para que esse problema seja resolvido com o máximo de celeridade.
Confirmar que Nuno Crato falha já não é notícia. Por isso, não é de admirar que tenha declarado, no dia dia 13 de Setembro, que não haveria alunos sem aulas, depois do início do ano lectivo. É claro que tem a desculpa de não saber o que é um ano lectivo.
Cratilinárias
Recentemente, Passos Coelho, licenciado em Economia, descobriu que as pessoas, por ganharem menos, gastam menos. Já Vilaça, personagem de Os Maias, comentava a formatura de Carlos, dizendo a si mesmo: “Grande coisa, ter um curso!” Grande coisa Passos Coelho ser economista, que, mais tarde ou mais cedo, chega quase a perceber o que se passa com os cidadãos. [Read more…]
Crónicas do Crato IV (ou “oh, céus, dúvida cruel!”)

Em mais uma manifestação de cratinismo profundo, o ministro da educação, perante a significativa baixa no números de candidatos ao Ensino Superior, decide abrir um inquérito (estão a ver a coisa: nomeia-se uma comissão, que constituirá as devidas sub-comissões, adquirirá as devidas condições logísticas – uns automoveizitos, uns cartões de crédito com saldo livre para uns almocinhos de trabalho no Tavares, uns assessores especialistas de ideias gerais – enfim, aquele mínimo…) para que alguém descubra as razões deste mistério.
Questionado sobre se – que ideia bizarra!…- a situação teria alguma coisa a ver com a crise e as dificuldades económicas das famílias, o ministro que respondeu “nem que não nem que sim” e não afastou a longínqua possibilidade de o grande número de vagas por preencher ter a ver com tais coisas.
Caramba, isto é que é rigor científico! É que essas alegadas dificuldades não são mais que observações empíricas e, se bem que 99% da população não tenha dúvidas, é preciso – ah ganda Crato – sujeitar tais observações ao crivo implacável e científico de uma comissão e de um rigoroso inquérito. Até porque é do conhecimento geral que este mecanismo prestigioso sempre produziu resultados rápidos, rigorosos, implacáveis. Por isso, sempre que o poder em Portugal quer fundamentar uma decisão rápida e eficiente ordena: “Faça-se um rigoroso inquérito”. É limpinho!
Ana ina não
ficas tu eu não.
Hoje é dia de querer inglês.
Amanhã logo se verá.
Nota: se esta merda continua assim, chamo o Jesus para resolver isto!
Ainda o inglês
Se há coisa que eu detesto é quando um político, nomeadamente estes de última geração, nos tentam fazer de burros! E Nuno Crato está nesse registo. O de um telelé de nova geração, daqueles que em três tempos é trocado por um outro qualquer .
Vejamos:
– com a Escola a tempo inteiro introduzida por José Sócrates o inglês passou a ser obrigatório nas actividades extra-curriculares. Isto é, no 1ºciclo (1-4º ano) os alunos passariam a ter um espaço para a introdução à língua inglesa nas “aulas” depois das “aulas normais”, naquele espaço que ia entre as 15h30 e as 17h30. É verdade que era facultativo, mas a maioria dos alunos passou, realmente, a ter inglês;
– Nuno Crato, no seu projeto de construção de uma Escola Nova , talvez inspirado no Estado novo, resolve retirar ao Inglês esse carácter obrigatório e, ao mesmo tempo, atira para as escolas a possível oferta dessa língua. Possível, porque, na verdade boa parte dos Agrupamentos não terá condições para o fazer e… [Read more…]
Quando pontual faz lembrar irrevogável
Tal como irrevogável foi o adjectivo escolhido por Paulo Portas para caracterizar a sua demissão, é lógico que Nuno Crato use “pontual” para classificar cada um dos vários problemas que continuam a ocorrer neste princípio de ano lectivo.
O problema de Crato não é a incompetência. Sobre Educação e escolas nada sabe e nada quer saber, do mesmo modo, afinal, que um assassino contratado não pode sentir pena das vítimas, sob pena de não conseguir assassinar, quebrando, desse modo, os compromissos assumidos.
Não é bonito encher um texto com hiperligações, mas não é possível ignorar o caos lançado sobre as escolas por um ministro que é tão sério como pontuais são os inúmeros casos que afectam a vida de alunos, pais e escolas. Há para todos os gostos: falta de professores e de funcionários, alunos sem aulas, manuais surpreendentemente desactualizados, tudo razões suficientes para que um ministro sentisse vergonha ou fosse demitido.
Novos manuais de Matemática e de Português lançam caos nas escolas
Mais de mil alunos de Tavira sem aulas por falta de resposta da tutela
Maior escola básica de Palmela fechada por falta de pessoal auxiliar
Mais de 500 turmas do 1º ciclo ainda sem aulas
Escolas recorrem a plano de substituição para ocupar alunos
Escolas: “Faltam preencher 1991 horários”
Maioria das escolas sem professores está na região de Lisboa
Clónicas do Clato (3)

“Calo camalada Mao: dilijo-me à sua estimada e venelada memólia pala lhe galantil que, se falhámos a glandiosa Levolução Cultulal, eu, Nuno Clato, vingalei essa aflonta fazendo a Levolução Escolal em Poltugal. Pala já, polei os nossos alunos a falal tão bem inglês como o nosso plimeilo ministlo, poltuguês tão bem como o camalada Miguel Lelvas ou o Albelto João Jaldim e chinês tão bem como eu. Que viva a minha levolução. Que viva o Glande Salto em Flente.”
Crónicas do Crato (2)

Interpelado sobre o desemprego de professores e outros problemas ligados à sua (não) colocação e convidado a explicar a relação desta situação com a existência de numerosas turmas com 30 ou mais alunos, Nuno Crato, na sua canhestra retórica (pensei no facto de os meus amigos matemáticos terem, geralmente, um discurso fluente e articulado mas, depois, lembrei-me de que Nuno Crato é, de formação de base, economista…) explicou: era tudo por causa da queda demográfica, que fazia rarear os jovens em idade escolar. Tudo. Implicitamente, parecia que o confuso discurso do ministro veiculava a bíblica exortação “crescei e multiplicai-vos”. Cuidado, porém, meus amigos ainda férteis! Antes de vos atirardes às exaltantes actividades conducentes à reprodução da espécie, derrubai este governo e vacinai o povo contra o regresso desta peste. Senão, quando os pimpolhos resultantes do vosso patriótico entusiasmo chegarem à idade escolar, não haverá mais professores. Haverá turmas de 50 ou mais alunos.
Crónicas do Crato (1)

Nuno Crato inaugurou um centro escolar. Recebido pelas “forças vivas da terra” (a grosseira incultura da maioria dos nossos tele-jornalistas não lhes permite conhecer a triste história de expressões como esta), o ministro foi imediatamente atacado pelas notas da banda presente que interpretava nada menos que a “Maria da Fonte”. Não resisti a lembrar e cantar mentalmente os versos da marcha:”Olha a Maria da Fonte/ Com as pistolas na mão/ Para matar os Cabrais/ Que são falsos à nação!”. Assim seja.
Contra os alunos, marchar, marchar!
(Texto para ser lido com voz de locutor radiofónico dos antigos)
Jovem, os teus pais têm dinheiro suficiente para te matricular num colégio onde não é obrigatório haver turmas de trinta alunos e a mensalidade dá direito a aulas de apoio? Ou tu, jovem, mesmo estando na escola pública, tens acesso a explicações para te ajudar nas disciplinas em que tenhas mais dificuldades? Os teus pais tiveram a preocupação de te ler histórias à noite e incentivaram-te, desde pequeno, a ler e a saber mais? Já te levaram ao teatro e inscreveram-te numa escola de música, fazendo de ti um cidadão mais completo? E os teus encarregados de educação são daqueles que se preocupam com a tua vida escolar e que se deslocam à escola, com frequência, para recolher informações? Estás de parabéns, jovem, porque vives num país em que é preciso ter sorte.
E tu, jovem, tens pais com baixas habilitações académicas e que não valorizam a escola e o saber? Não quiseram ou não puderam preocupar-se com o teu enriquecimento pessoal? Tens problemas de aprendizagem? Podes desesperar, que, para ti, o governo encontrou várias soluções.
Se por várias razões, tiveres tido um percurso de insucesso, o governo do teu país não só não pondera diminuir o número de alunos por turma, como decidiu aumentá-lo. Deste modo, jovem, não esperes que os professores possam dar-te o apoio que poderia dar-te a possibilidade de resolver as dificuldades.
Se tiveres algum problema do foro psicológico, jovem, fica a saber que o ministério conseguiu criar uma situação em que, para cada quatro mil alunos, há um psicólogo, o que, como compreenderás, tornará improvável que te possas sequer cruzar com um dos profissionais que poderia ajudar-te.
Como, por todas estas razões e mais algumas, as escolas terão cada vez mais dificuldades em ajudar-te a resolver os teus problemas cognitivos ou as tuas insuficiências, o ministério integrar-te-á num ensino profissionalizante, que te permitirá obter um diploma que servirá para fazer de conta que os teus problemas desapareceram, o que será publicitado como uma vitória por todos aqueles que são responsáveis pela tua derrota, o que acaba por fazer sentido.
Faça um depósito, ganhe o brinde!

Nuno Crato (peço desculpa ao honrado Concelho alentejano com o mesmo nome, mas o homem assina assim…) tirou um novo coelho – soit-disant – da sua piolhosa cartola. A partir de agora – “ai, tia, que coisa tão chic…”- os testes de inglês do 9º ano (leram bem, nono ano) serão elaborados em Cambridge, patrocinados por um banco, duas editoras e uma empresa de software ( e, quem sabe, “por uma bebida qualquereee…”).
Exultai, alunos. Não mais aqueles professores portugueses licenciados em Universidades propriamente ditas e cheios de vontade – têm dito os governos do centrão aos vossos pais e, sobretudo, seus eleitores – de reprovar as suas discentes vítimas. Agora a coisa será “autonomizada” ( ou “externalizada” – adoro estes neologismos… ) , diz ele, consignada a privados que, como se sabe, são peritos nestas matérias e impolutos como jamais serão os serviços públicos, garantem-nos. E patrocinada!
Estou a ver tudo: acabaram-se os trabalhos da GNR e os complexos e confiáveis processos de segurança e sigilo que sempre vigoraram; agora são os bancos – entidades de bem-fazer em que se pode confiar!- , as editoras – que são completamente desinteressadas nesse sigilo, claro – e uma empresa de software que sempre pode dar uma ajuda a pescar um enunciado antes dos outros. [Read more…]
Delmira Figueiredo
Eu posso responder por ele, Delmira?
Ele tem consciência. Não pode haver dúvidas quanto a isso. É intencional o ataque desta gente à Escola Pública. Tal como é intencional o ataque ao Sistema Nacional de Saúde e à Segurança Social.
Faz parte da estratégia desta gente estragar, até ao limite do impossível, tudo o que há de bom na escola. Eles não suportam a Escola Pública de sucesso.
São de Direita e isso, no nosso país, significa, estar do lado errado da história!
Sérgio Niza explica:
“Este ministro aparenta estar absolutamente convencido de que está a fazer o melhor, mas ele não é um homem da educação. Até presumo que tenha sido escolhido por ser um bom comunicador político – ele tinha uma receita conservadora de reforço do ensino tradicional, e conseguiu passá-la nos media – e é economista com especialização em estatística – o que é importante para fazer contas e tornar a educação mais barata. Infelizmente, o senhor ministro não tem uma cultura acrescentada sobre a escola nem um conhecimento, para além do senso comum, sobre educação” (revista A página)
Professores por colocar
As Escolas TEIP são as “mais complicadas”. Por isso, Nuno Crato resolveu não colocar lá os Professores em falta. Tudo a bem da Escola Pública, claro. Mas, é uma abertura normal…
Xeque ao Ensino: a minha escola é melhor do que a tua
Cheque-ensino na mão, o encarregado de educação está, aparentemente, apto a escolher a melhor escola para o filho. E como saber qual é a melhor escola?
No texto anterior, referi, de passagem que o critério que a opinião pública utiliza para avaliar as escolas está limitado aos rankings: segundo esta teoria (que é, na realidade, um reflexo), uma escola é tanto melhor quanto mais perto estiver dos primeiros lugares. Dito de outra maneira: o único critério para avaliar a qualidade de uma escola estaria nos resultados que os respectivos alunos obtêm nos exames. A imposição de exames nos finais de todos os ciclos de ensino contribuiu para aumentar a obsessão com os rankings.
A verdade é que a avaliação da qualidade de uma escola não se pode fazer de modo tão simplista, ignorando, nomeadamente, o estatuto socioeconómico/sociocultural dos alunos, como sabem todos aqueles que conhecem verdadeiramente o terreno. Essa diferença é decisiva e se as escolas privadas têm direito a escolher os alunos, as estatais não têm e não devem ter.
Só gente muito ignorante e atrevida é que pode acreditar na magia de um cheque-ensino. Nuno Crato junta a essas duas características uma terceira: não quer saber.
Imaginemos, por instantes, que um aluno de um bairro difícil, com um percurso escolar carregado de dificuldades, consegue entrar num colégio de elite, bem classificado nos rankings. Alguém acredita que o bairro e as dificuldades desaparecem como que por magia? Será que a simples frequência de um colégio com vários alunos que conseguiram entrar em Medicina tem efeitos milagrosos sobre um aluno com um percurso carregado de insucesso? [Read more…]
Bullying centrista
Imbuídos do espírito autárquico que marca este mês de eleições, Passos Coelho e Nuno Crato vão inaugurar escolas já inauguradas e em funcionamento. É sempre um momento muito bonito: o autarca feliz, o Passos a cortar a fita e a tirar a bandeira, as pessoas a bater palmas, tudo a fazer de conta que a escola é nova… Mas quando tudo parecia bem, eis que toda a felicidade se desmorona quando o embuste é denunciado pelo candidato do CDS-PP à Câmara Municipal de Oliveira do Bairro.
Que reguilas estes centristas, sempre a passar a perna aos amigos coligados! E o Pedrinho, coitado, sempre a levar tanga deles…
Xeque ao ensino: o meu cheque-ensino é melhor do que o teu
Imaginemos uma pequena povoação em que existam três escolas, uma privada e duas estatais. Para que o cenário fique, apesar de tudo, verosímil, será importante afirmar que a primeira, ao longo dos anos, tem sido sempre a mais bem classificada nos rankings. Não reflictamos, para já e novamente, sobre as virtudes ou os defeitos dos ditos rankings, mas não esqueçamos, a bem da verosimilhança, que a escola privada tem sido frequentada, ao longo dos anos, por filhos de pessoas de estatuto socioeconómico elevado, uma vez que as mensalidades não estão ao alcance de todas as bolsas.
Entretanto, as duas escolas estatais têm sido frequentadas por jovens cujas famílias não têm possibilidades de os matricular na escola privada ou não estão interessadas nisso, o que pode acontecer por desinteresse ou por confiarem que os filhos podem ter acesso a um ensino de qualidade sem que isso dependa da frequência da escola privada. Aproveitemos, de qualquer modo, para fingir, por momentos, que o estatuto socioeconómico ou sociocultural não tem influência no rendimento e nos resultados escolares dos alunos.
Num país em que os rankings se transformaram, mal ou bem, num critério quase único para se avaliar a qualidade de uma escola, é natural que a maioria dos encarregados de educação da nossa pequena povoação gostasse de ver os filhos entrar na “melhor escola” da terra, ou seja, a privada. Por outro lado, o lugar nos rankings, mal ou bem, passou a ser uma preocupação das escolas, pelo que a privada tem recorrido, sempre que necessário, à selecção de alunos, preferindo os que possam garantir melhores resultados e convidando a sair os que acabem por ter um rendimento escolar mais baixo ou que tenham problemas de comportamento, ao contrário das estatais cuja autonomia é menor e cujo espírito é o de tentar integrar todos os alunos, independentemente das limitações e dos problemas. [Read more…]
Os “coisos” contratados
Ricardo Fontes
(Desabafos de um ingénuo aspirante a professor)
Há 16 anos que sou um professor contratado… Peço perdão por ter usado o termo “PROFESSOR”. Isso não posso ser. Certamente não o serei. Serei um solidário contratado, um participante de união da classe docente contratado, um “pato” contratado, um totó contratado, enfim, uma qualquer “coisa” contratada, que não um “PROFESSOR”. Se fosse professor, era tratado mal, como têm sido os professores, e eram-me, de quando em quando, repostas algumas injustiças como o têm sido aos professores. A mim e a milhares de “coisos” contratados deste país tiraram tudo. Estar aqui a enumerar o que tiraram parece-me ridículo. Lembrar-me enoja-me. Hoje não vou por aí. Estou cansado, com vontade de desistir. Sejam Nunos, Lurdes ou sei lá quem, estão longe. São estratosféricos e todos da mesma cor: castanha, cor da terra que lentamente nos decompõe depois de mortos. Portanto, hoje não é para eles. Hoje é para aqueles que me chamam “colega”, coisa na qual confesso ainda ter tido a ingenuidade de acreditar durante uns anos. Entendem? Os PROFESSORES mesmo. Pronto, está bem, eu digo: os do “quadro”.
Há uns anos, quando era ministra da educação a Sra. Maria de Lurdes Rodrigues, a classe docente entrou em polvorosa (e muito bem, na minha opinião), devido à questão da avaliação docente. Mega-manifestação em Lisboa, muita luta, muita união… Alguns, com a t-shirt de 60 euros do “Che” vestida, cantavam com todas as suas forças a “Grândola vila morena” do… “José Cid”. Há coisas que nunca mudam…
Nessa altura, estava colocado numa escola do centro do Porto. Éramos obrigados a entregar os famigerados objetivos individuais. Corria o boato que quem não o fizesse, teria penalizações gravosas. Os casos “Charrua” sucediam-se. Então, pensando nos meus encargos mensais, na situação laboral ainda mais precária da minha mulher, nas duas filhas pequenas (uma delas recém-nascida), apoderou-se de mim um sentimento que me era proibido: medo. Entre cerca de 200 professores, fui o primeiro a assumir que entregaria os objetivos individuais. Uma colega, do alto dos seus 30 anos de serviço, interpelou-me. “Então colega, onde está essa solidariedade?” Esta colega, na dita mega-manifestação, numa das primeiras filas, empunhava um cartaz com os ditos “Em defesa da escola pública”. Essa colega tinha dois filhos a estudar no ensino privado… Obviamente, disse-lhe: “Por favor, passe-me um cheque com o valor dos meus salários até ao final do ano letivo, para o caso do sofrer a dita penalização, e, com todo o prazer, não entregarei os objetivos individuais.” Claro que também lhe perguntei por onde tinha andado a sua solidariedade face aos problemas gravíssimos que já atingiam os “coisos” contratados há muitos anos. [Read more…]
Da série Quem te viu e quem te vê
Menos alunos e menos professores
O Público dá algum destaque à redução do número de alunos no ensino básico. Segundo o jornal há menos 13 mil alunos nas nossas escolas.
Fui ler os números e reparei num detalhe – no 1º ciclo há menos 9554 alunos, mas houve uma redução de 2136 professores.
Vejamos: se os quase dez mil alunos a menos fossem distribuídos por turmas com 25 alunos, teríamos 382, 2 turmas. Isto é, a redução de alunos (a famosa demografia!) teria como consequência uma redução de quase 400 professores (um por cada turma).
Ora, a redução foi 5 vezes superior.
Contas semelhantes poderiam ser feitas para os outros sectores. Repare, caro leitor, neste detalhe – no segundo ciclo Nuno Crato extinguiu o Estudo Acompanhado (6 horas), a Formação Cívica (um tempo) e o par pedagógico de EVT (4 tempos). Uma vez que o horário lectivo “normal” é de 22 horas, este corte realizado por Nuno Crato traduziu-se no corte de um Professor por cada turma. Não foram os alunos a menos que despediram – foi Nuno Crato!
Podem as agências de Comunicação do MEC vir por aqui ou até por ali. Podem os paineleiros de ocasião apontar a demografia como a causa de todos os problemas. Mas, os números não mentem – os milhares de professores despedidos são uma opção de Nuno Crato e do PSD. Não são uma consequência.
E é curioso que tenha saído no Público de há um ano um artigo precisamente sobre esta questão – foi a 20 de agosto de 2012.
As “swapadelas” de Crato e as piruetas de Grancho
Santana Castilho*
Nos tempos que se sucederam ao 25 de Abril, os meses de preparação do ano-lectivo não eram fáceis. Recordo períodos de agitação social, sobretudo pela carência de espaço para albergar todos. Hoje, a meio de Agosto, temos professores sem horários, alunos sem escola e directores sem directivas. E, pesem embora os protestos, que são muitos, prevalece uma paz podre, que escancara portas à “swapagem” da competência mínima (para servir o público) pelo golpe máximo (para anafar o privado). Esta abulia cidadã, esta ausência de eficácia cívica perante as engenhosas formas de corrupção do futuro, permite, diariamente, o atropelo do Direito, da Moral e da Ética. Quanto mais tarde reagirmos, mas reagirmos de facto, com firmeza que diga não, não de verdade e para durar, maior será o número dos que ficam pelo caminho e mais tempo necessitaremos para reconstruir o que este Governo destruiu em dois anos de criminosa política educativa. Duas velhas frentes adormecidas foram reabertas para apressar a implosão do ensino público: o exame de acesso à profissão docente e o cheque-ensino. A manobra justifica público comentário. [Read more…]
Nuno Crato defende que há alunos a mais
Escolas forçadas a recusar alunos
Merece leitura muito atenta a notícia do Correio da Manhã acerca das imposições do Ministério da Educação, obrigando várias escolas a recusar a entrada de alunos no primeiro ano do Primeiro Ciclo.
Nuno Crato tem declarado que há menos alunos no sistema de ensino, como quando quer, por exemplo, justificar o despedimento de professores. Fico a aguardar pelo briefing em que venha explicar que sentido faz recusar a entrada de alunos numa escola em que o número de alunos tem diminuído ou tomar medidas destas a menos de um mês do início do ano lectivo.
É certo que a razão é conhecida. O Correio da Manhã faz, aliás, uma ligação entre estas restrições e a necessidade de cortar despesa. Não é que já não soubéssemos, mas ficamos sem ter a certeza se essa ligação provém de fonte ministerial, o que seria um momento de sinceridade absolutamente inédito, porque implicaria, finalmente, que Nuno Crato reconhecesse que não toma medidas a pensar nos alunos.
Note-se, ainda, que os alunos recusados e os respectivos encarregados de educação já tinham criado expectativas absolutamente legítimas, preparando-se para enfrentar os desafios de um novo ciclo de ensino. Mais uma vez, a insensibilidade do Ministro da Educação obriga educadores a tentar minimizar os estragos criados por políticos.
Nuno Crato põe alunos em risco
Nuno Crato é um mero continuador de políticas iniciadas por Maria de Lurdes Rodrigues. O principais objectivos dos três últimos governos, no aparente âmbito da Educação, têm sido o de diminuir as despesas com pessoal e o de contribuir para o lucro de entidades privadas (a festa da Parque Escolar, com o PS, e as ajudas descaradas aos colégios, com o PSD). Pelo meio, os riscos que os alunos correm vão aumentando, especialmente se se tratar de jovens de meios desfavorecidos.
Em primeiro lugar, as condições de aprendizagem têm vindo a piorar. Entre muitos outros factores, temos a diminuição do tempo individual de trabalho dos professores e o aumento do número de alunos por turma. Os alunos correm, portanto, o gravíssimo risco de frequentar uma escola em que é cada vez mais difícil ensinar.
Para além disso, há riscos crescentes para a integridade física e psicológica dos alunos. Para isso concorrem, por exemplo, o fim do par pedagógico em disciplinas que exigem o manuseamento de materiais ou de instrumentos perigosos e um processo de despedimento de funcionários não docentes que está a atingir o seu auge a menos de um mês do início das aulas. É importante relembrar que cabe a muitos destes funcionários zelar pelos alunos nos espaços exteriores às salas de aula: tal como fez com os professores, Nuno Crato está a falsear números para poder despedir funcionários que, já se si, eram insuficientes para que as escolas pudessem funcionar satisfatoriamente. [Read more…]
Nuno Crato quer despedir funcionários
A menos de um mês de começar o ano lectivo, numa altura em que já devia estar preparado há meses, o Ministério da Educação continua a aproveitar, como nunca, o mês de Agosto para lançar medidas perniciosas sobre as escolas e sobre as pessoas que aí trabalham.
Agora, a menos de um mês de começar o ano lectivo, as escolas estão a receber ordens para transferir para outros estabelecimentos os funcionários considerados excedentários. Ao contrário do que o Ministério da Educação afirma, não se trata de um procedimento habitual, mas sim inédito. Também ao contrário do que afirma o Ministério da Educação, a transferência não é voluntária.
De qualquer modo, convém lembrar que, para pessoas mal pagas como é o caso destes funcionários, uma simples deslocação de 30 km pode significar um aumento de despesa, o que é ainda mais grave num contexto em que os rendimentos baixaram de modo substancial.
Curiosamente, ou talvez não, esta medida surge pouco depois de o Ministério ter proibido a criação de turmas nas escolas, o que servirá para criar a ideia, mais uma vez artificial, de que há funcionários a mais: na realidade, havendo, ainda que momentaneamente, menos alunos nas escolas, é fácil vender a ilusão de que há trabalhadores excedentários. [Read more…]











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