
Decidi não alinhar na mais recente imposição do politicamente correcto, que tentou, nos últimos dias, exigir a canonização em vida de Adriano Moreira.
Não percebo, excepto à luz de um inexplicável delírio colectivo, como é que órgãos de comunicação social, dirigentes políticos e outras figuras proeminentes da sociedade conseguiram pintar Adriano Moreira como um indefectível humanista e democrata.
O Adriano Moreira do lusotropicalismo.
O Adriano Moreira do Estado Novo.
O Adriano Moreira ministro de Salazar.
O Adriano Moreira que reabriu o campo de concentração do Tarrafal, onde a crueldade, a tortura e a morte serviram o fascismo.
Humanismo?
Democracia?
Não brinquem comigo, se fazem o favor.
Acredito que Adriano Moreira se possa ter arrependido do caminho feito ao serviço da ditadura salazarista. Que os 48 anos que se passaram desde então lhe tenham mostrado a verdade sobre o regime tenebroso que integrou, por sua livre e espontânea vontade. Mas não me venham impor versões alternativas da história. Não venham os mesmos que não há muito tempo demonizaram Otelo Saraiva de Carvalho, obrigar a plebe a venerar Adriano Moreira. Otelo fez mais pela democracia que um milhão de Adrianos Moreiras. E não por isso escapou à cruz pelo seu envolvimento com as FP-25.






















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