“O Banco central britânico está a fazer uma avaliação ao impacto da saída da UE para o país, e os riscos que isso acarreta. Mas os Planos Brexit foram parar ao e-mail do The Guardian.” (Diário Económico)
Correspondência entre Atenas e Berlim
«Cooperar» com a Alemanha
Até ao final de 2012, cerca de 6 000 médicos gregos cuja formação foi financiada pelo erário público grego emigraram para a Alemanha, no âmbito de um programa de «cooperação» entre os Estados grego e alemão. Fonte: Revolting Europe.
Eles “andem” aí…
Os russos andaram aí. Voaram por cima de Portugal e, tal como Evo Morales, não chegaram a parar. O destaque no site da TVI24 é genial: “Ordem de interceção veio da NATO e foi até Cavaco. Pilotos portugueses expulsaram os russos do espaço aéreo de responsabilidade nacional por gestos.” Vejam bem o nível hollywoodesco da cena: Europa em pânico com a passagem ameaçadora de 2 aviões russos (pelos vistos eram 8 mas 6 assustaram-se com os aviões noruegueses e voltaram para trás), os gajos aproximam-se de Portugal, o comando da NATO eleva o grau de alerta e avisa a hierarquia de comando nacional até que a informação, classified, chega a Cavaco – queria dizer alguma coisa sobre este momento, mas a ideia do comunicado do comando supremo da NATO e chegar ao Cavaco é hilariante e inenarrável – os nossos caças levantam voo e expulsam os russos do nosso espaço aéreo. Com gestos. Mission accomplished. “Nem na Guerra Fria aconteceu“. Pois não. Nem em Hollywood quanto mais na Guerra Fria…
OE 2015: desinvestimento
de mais 700 milhões de euros na Educação. Isto já não é avariar o Estado: é negar o próprio desenvolvimento.
Enquanto a Europa definha, os dividendos aumentam
Uma parte importante dos recursos públicos destinados aos cuidados em saúde, à educação, à criação e fruição cultural, enfim, ao desenvolvimento numa perspectiva larga e de longo termo, foram já subtraídos aos orçamentos dos Estados como consequência de decisões políticas que privilegiam outras prioridades – mesmo se anunciadas em nome de pacotes reformistas ou do «rigor orçamental». É certo que as Constituições ainda asseguram, mesmo se nessa letra pequena de lei que a actual classe de governantes tem relutância em ler, os princípios democráticos que servem uma ideia de sociedade em que a desigualdade extrema não cabe – mas também que as leis fundamentais perderam relevância no quadro das actuais políticas dos Governos, ligados entre si pelos contextos obscuros de uma economia global cujos primeiros grandes embates justamente sofremos por estes dias.
A desigualdade atinge em 2014 níveis jamais sonhados pelas gerações nascidas na Europa e na América depois das guerras do século XX. Por todas estas razões, é sempre bom ir tendo notícias do paradeiro da riqueza que ainda ontem servia a vida de muitos mais, designadamente sob a forma de direitos adquiridos por contrato social, mais do que hoje empenhado na qualidade da vida e na mobilidade social dos cidadãos. Em França, um índice recentemente publicado por uma empresa de gestão de activos chamada Henderson Global Investors (HGI) acaba de revelar o aumento exponencial dos dividendos pagos pelas grandes empresas aos seus accionistas. Incidindo no segundo trimestre do ano, o referido índice dos melhores retornos mundiais em dividendos emergiu no espaço mediático francês no exacto momento em que as ajudas públicas às empresas privadas (em nome da retoma económica e da criação de emprego) atingiram um patamar de investimento jamais conhecido.
França: Hollande manda despedir o executivo governamental
depois de duras críticas do ministro da Economia, apoiado pelo também já despedido ministro da Educação. Rajoy e Merkel apoiam a dita «política reformista» e de «rigor orçamental» que o amiguinho de Hollande Manuel Valls pretende prosseguir.
Olha António,
vim aqui várias vezes dizer que eras the man. Bem sei que não era ainda o teu tempo, bem sei (era eu a ver a vida do povo toda esfrangalhada e tu a fingir que não era nada contigo). Hoje ouvi-te a falar da responsabilidade que finalmente decidiste aceitar, no timing das coisas da política, nesse tempo que não é de modo nenhum o do povo, mas pronto, tu e vocês é que sabem, antes agora que nunca. Continuo a pensar que és the man e congratulo-me (como muitos mais) com o teu anúncio: cá te esperávamos, um bocado desanimados e já a preparar-nos para beber Camilo Alves, mas sempre acreditando que podia acontecer. Somos óptimos a esperar, apesar das muitas baixas.
Mas olha António, não penses que esquecemos o que foi o PS ao longo destes 40 anos. Não esquecemos, e por isso a responsabilidade a que agora te abalanças não é apenas a de formar «um governo forte» (palavras tuas), um governo que defenda os interesses do País (que deverão sempre ser, ao menos em grande parte, os do povo desse país, não achas António?), no país como na Europa, defendendo ao mesmo tempo uma ideia de uma outra Europa, que esta comprovadamente não serve António, e tu sabe-lo bem.
Que possas efectivamente ser the man, é o que nos desejo: alguém que pensa pela própria cabeça, capaz de dignificar a política, recuperando-a para a Democracia.
Que Europa?
Há trinta anos, ser europeu era a melhor coisa do Mundo. Na Europa, os homens podiam ser homens, dizia-se, ou pelo menos pensava-se. Nela, lugar natural dessa humanidade, os homens podiam cumprir o seu mais interessante programa da espécie, dizia-se, ou pensava-se, nessa convicta e secreta superioridade pós-colonial, nós homens (e mulheres, naturalmente) com caminho feito pelas estradas nacionais dos impérios e pelos caminhos de cabras dos lugares que havíamos colonizado quando ainda éramos bárbaros, íamos realizar a Europa da fraternidade.
Embora ainda um pouco tosca, de fundamentos demasiadamente metafísicos para um projecto daquela envergadura, nessa Europa ainda por construir, quase só palavras de discursos, de intenções enunciadas diante do aplauso esperançoso dos povos, os líderes europeus iam fazer um mundo novo. Há trinta anos, ajudar a fazer um mundo novo, apostando nele às cegas, era a melhor coisa que podia acontecer-nos. Desafio aventuroso, o melhor que se pode receber da vida aos vinte anos. Fazer um mundo, não fazíamos por menos, sempre nas grandezas (mas há nisso grande poesia, na elevação do impulso certo). [Read more…]
Manifesto para uma União Política do Euro
«A União Europeia atravessa uma crise existencial, tal como no-lo lembrarão muito em breve e de forma inequívoca as eleições europeias. O facto afecta de forma especial os países da zona euro, mergulhados num clima de desconfiança e numa crise da dívida pública que está muito longe do seu termo, enquanto o desemprego persiste e a deflação espreita. Seria completamente errado pensar que o pior já ficou para trás.
Eis porque acolhemos com o maior interesse as propostas formuladas no final de 2013 pelos nossos amigos alemães do grupo de Glienicke visando um reforço da união política e orçamental dos países da zona euro. Estamos cientes de que os nossos dois países [Alemanha e França] terão um peso cada vez mais relativo no contexto da actual economia global. Se não nos unirmos a tempo de levar o nosso modelo de sociedade para a globalização, a tentação do fechamento nacionalista acabará sem dúvida por vingar, provocando frustrações e tensões que, por comparação, farão as dificuldades da união parecer coisa pouca.
A reflexão europeia está nalguns aspectos muito mais avançada na Alemanha do que em França. Economistas, políticos, jornalistas, e antes de mais cidadãos e cidadãs europeus, não aceitamos a resignação que actualmente paralisa o nosso país. A partir desta tribuna, queremos contribuir para o debate sobre o futuro democrático da Europa, levando mais longe ainda as propostas do grupo de Glienicke.
Zona euro: uma indefinição insustentável
É tempo de reconhecê-lo: as actuais instituições europeias são disfuncionais e devem ser repensadas. O que está em jogo é simples: é preciso que a democracia e o poder público possam retomar o controlo da situação, a fim de regular eficazmente o capitalismo financeiro globalizado do século XXI, e de tornar exequíveis as políticas de progresso social que hoje em dia estão cruelmente ausentes da vida dos europeus. [Read more…]
Saída à irlandesa
Philippe Legrain, antigo conselheiro da Comissão Europeia, acusa a UE: “Os irlandeses foram intimidados e tratados de forma ultrajante durante a crise.” (link em inglês)
As ‘saídas limpas’, os equívocos e não só….
Gostava imenso de saber o que é que andam a dar a comer e beber a este pessoal todo, lá pelos sítios por onde pastam, que os traz assim tão desligados da realidade. Será ácido?
Seria quase de ter pena deles, não fosse sabermos exactamente como é, e em que é que sempre acaba.
O que quer que seja, parece afectar-lhes a competência linguística também. É que há sempre uma qualquer disparidadezinha, quando o ‘tweet’ em português aparece…
É que um “clean exit adjustment programme” é um ‘programa de ajuste para uma saída limpa’. Ao invés, um “adjustment programme clean exit” é ‘uma saída limpa do programa de ajustamento’. Tudo uma questão de sintaxe, é claro. E nada mais do que preciosismos meus, evidentemente.
Novas da democracia
Discordas da UE? Tens opiniões contrárias às da UE? Queres criticar a UE? Vais preso. Notícias gregas. Gregas, para já.
Falar claro
Os moralistas não gostaram do dedo de Peer Steinbrück, apanhado em falso para uma sessão fotográfica do Süddeutsche Zeitung (SZ), enquanto respondia a uma pergunta estúpida e sem relevância política alguma. A gaffe pode custar-lhe a vitória nas eleições alemãs do próximo fim-de-semana, mesmo se, e segundo as sondagens (esse remédio santo do marketing cujas antevisões costumam fazer subir a abstenção), ganhá-las esteja longe de ser uma possibilidade. A rubrica do SZ chama-se qualquer coisa como “Não digas nada agora”, e consiste em pôr uma celebridade do momento a responder gestualmente a perguntas provocadoras. [Read more…]
O cadáver está louco
Parece cada vez mais evidente que Cavaco não reúne condições mentais para continuar a ser Presidente da República. O discurso de hoje, em Elvas é tão desligado da realidade que só pode ser compreensível se o homem estiver mesmo senil. E, a ser assim, resta-lhe ir embora e levar com ele a podridão que está no Governo.
Um discurso virado para a agricultura e umas referências para o sector piscatório, vindo de quem era Primeiro-Ministro nos anos em que mais e pagou para não produzir e se financiou o abate de embarcações, só pode ser indicativo de uma pessoa que não tem noção de coisa alguma. Porque vergonha já sabemos que não tem. [Read more…]
UE: de Keynes a Kafka
«Num sistema oligárquico como é o da UE», o debate democrático é apagado. Uma construção europeia kafkiana, conclui André Grjebine no Le Monde.
O soberbo e incapaz Gaspar
Vítor Gaspar já demonstrou à exaustão ser um Ministro das Finanças incapaz – os consecutivos orçamentos rectificativos, os sucessivos desvios orçamentais e outros objectivos incumpridos preencheriam uma longa lista de falhas, a maioria das quais próprias de um incompetente.
Todavia, em complemento da incapacidade, e como é natural em incompetentes, o nosso ministro, sobretudo no ECOFIN e em outros areópagos que adora frequentar, não evita ser soberbo e ufano no discurso.
Um exemplo actual: o Ministro das Finanças irlandês, no final da reunião do ECOFIN, mostrou-se favorável a que fosse concedido a Portugal e à Irlanda um prazo de reembolso adicional de 15 anos. Gaspar replicou que tal prazo seria “inconcebível”, defendendo solução “mais modesta” em termos de tempo. Não citou valores, baseando-se apenas em conceitos “filosófico-demagógicos”, sem focar montantes e prazos – no subconsciente, ainda subsiste o desejo recalcado de “não precisamos de mais dinheiro, nem de mais tempo”.
O homólogo irlandês, Michael Noonan, em linguagem simples e aberta, não hesitou em afirmar: [Read more…]
A França em recessão
François Hollande bem pode fugir com o rabo à seringa da austeridade: o Estado social francês vai mesmo a debate.
Fome na União Europeia
Espanha não escapa ao resgate
Economistas espanhóis contam com ele, apesar das reticências políticas. (Fonte: Económico)
Grécia: 90% das famílias perderam 38% do rendimento
Metade dos gregos não tem dinheiro que chegue para pagar as contas. (Fonte: Reuters, via Público)
Referendos é que não!
Franceses querem britânicos fora da UE? Uma sondagem parisiense diz que sim.
UE: união política ou fim
Um grupo de escritores, entre os quais o “nosso” Lobo Antunes, assinou um manifesto que suscita algumas questões pertinentes: a que países poderia servir uma Europa subitamente unida politicamente depois da extorsão e dos malogrados programas de convergência? Recomeçar é possível?
Sofia Galvão não queria ruído
“O tempo em que se escreve o resto das nossas vidas” não tem jornalistas.
Subdesenvolvimento português
Evolução da percentagem de população entre os 25 e os 64 anos com pelo menos o secundário concluído
(1993 >>> 2011)
Alemanha: 79,4% – 86,3%
França: 56,0% – 71,6%
Grécia: 39,1% – 64,5%
Espanha: 25,5%-53,8%
Portugal: 20,0% – 35,0%
Fonte: PORDATA

















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