Ferozes anti-europeístas

Então, ó rapaziada da direita, o vosso camarada Cameron a desancar na Europa e na UE – ameaçando abandoná-la -, mostrando-se um feroz “anti-europeísta” – como vocês e os jornalistas pouco dotados dizem – e vocês calam-se? Deixam-no continuar a governar o Reino Unido? Nem mandam lá o Abreu Amorim ou o Nuno Melo pôr aquela malta toda na ordem? Delenda Albion, I say! Long live Steps Rabbit, I say! Ou assim..

«Portugal foi vítima de um golpe de Estado silencioso

que confirma a natureza profundamente anti-democrática não apenas da zona euro mas, e devemos lamentá-lo, da União Europeia.» [Blog de Jacques Sapir]
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Sobre Jacques Sapir

Renzi desafia Schäuble

e anunciou que caso a UE rejeite o orçamento italiano, ele será novamente submetido sem alterações. Dirigida na prática pela Alemanha, a economia italiana está em deterioração acelerada. França não fica atrás em descontentamento. Uma nova fase da crise europeia está lançada. A mais perigosa de sempre, segundo Varoufakis.

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Um super-Estado sem rosto chamado Europa

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«A Europa está a transformar-se num continente anti-democrático onde a força conta mais que a lei»

«Na actual arquitectura do poder em Bruxelas, apenas as empresas com implantação global e os lobbies das indústrias multinacionais parecem deter influência. Para os negócios, isso significa que é quase impossível negociar com a Europa, a não ser que o negócio tenha uma mega-dimensão ou haja a intenção de dissolver interesses específicos na agenda de um determinado sector de actividade – negócio que, entretanto, será mediado através de sequências de camadas protocolares. Mas para os cidadãos individualmente considerados é pior ainda. O único poder real de influenciar as enormes estruturas burocráticas da Europa tem de ser expresso através de um de dois canais: o Governo britânico e o Tribunal Europeu. A Comissão não responde perante o Parlamento e o Banco Central apenas parece responder a Angela Merkel. (…) Este problema de poder é de tal ordem que ambos os lados no referendo têm interesse em ignorá-lo. Mesmo saindo o Reino Unido da UE, continuará a ser também um problema britânico que o desequilíbrio de poder entre os povos e as instituições no interior da UE se mantenha. A facção pró-UE parece disposta a tolerá-lo, permitindo que gerações e gerações de europeus venham a viver numa semi-democracia. O verdadeiro poder, entretanto, está nas mãos das grandes empresas, dos bancos e das elites.» [Paul Mason no The Guardian]

Paul Mason é o Editor de Economia do Channel 4 News

BMW também na mira dos norte-americanos

«A Comissão Europeia é responsável por definir os limites de poluição nos automóveis e os procedimentos de teste, mas não tem controlo sobre a execução, que está a cargo das autoridades nacionais.» [Económico]

O Marcel das minhas vindimas

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(c) Gérard Landau (INA)

Aquele velhote chamado Marcel que tinha ido ajudar o sobrinho (Francis) e a mulher dele (Madeleine!) na vindima. Esse velhote pândego e brejeiro a tratar-me por Marguerite, “Marguerite des Champs”, para dizer a flor que eu era e que ele teria colhido se fosse ainda então rapaz novo. Esse velhote do Languedoc a falar na língua cantada e antiga daquele lugar da Occitânia onde me fixei brevemente para ser Marguerite – Marguerite des Champs de nome completo, “Des Champs-Élysées”, quando Marcel evocava Paris para dizer o que nos separava para além da diferença de idades.

Marcel como Proust mas sem livros, mas sem a consciência aguda da literatura, mas sem precisar de ser salvo pela leitura, mas sem poder reparar na eternidade de grande mistério do que se passa entre a voz que lê e a existência do corpo que a transporta, mas sem perturbações poéticas ao atravessar a paisagem da vinha – a vinha só vinha, o mistral só vento, apesar de todos os que enlouquecia. [Read more…]

Refugiados: tenham medo,

muito medo de Laszlo Toroczkai, o presidente da câmara de Asotthalom, pequena cidade na fronteira entre a Hungria e a Sérvia. «Se a Hungria é uma má escolha, Asotthalom é a pior».
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Hungria tem agora uma fronteira humana,

esta literal.
[Tweet de Pedro Moreira, repórter da TVI]

Pagar para não receber refugiados

é possível. [Rádio Renascença]

Refugiados:

prossegue a ignomínia.
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Mais sírios naufragados que foram dar à costa.
Um menino, ontem, em Bodrum, na Turquia.

O Tratado de Dublin (1990)

garante protecção e um estatuto legal aos refugiados, de acordo com os estipulados pela Convenção de Genebra (1951) e com o Protocolo de Nova Iorque (1967). Aqui, o texto que inscreveu os valores das políticas de asilo da UE e que está em vigor desde 1997.

 

A tragédia dos refugiados

precisa de política corajosa, e de «governos [que] não cedam a calendários eleitorais (como o português), como se de uma invasão de marcianos se tratasse.» Bernardo Pires de Lima, hoje no DN

Estilhaços da esquerda grega contra Tsipras

Corrente de Esquerda, Renovação Comunista, Organização de Reconstrução Comunista (grupo de antigos militantes do KKE), Esquerda Socialista (grupo de antigos militantes do PASOK que estão no Syriza), Esquerda Operária Internacionalista, Recomposição de Esquerda, Grupo Anticapitalista de Esquerda, Luta Operária (rede de militantes do KKE), etc., assinaram ontem um manifesto anti-memorando. (fonte)

Um dos problemas do actual discurso político do PS

sobre o que fazer depois das Legislativas é que fala como se Portugal não integrasse a UE, nem houvesse uma negociação importantíssima por fazer: a do seu lugar na Europa dos alemães e dos ultras populistas do Norte.
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2053 pessoas já pagaram

para ver o texto do TTIP. Uma campanha de fundos da Wikileaks que já realizou quase 70% do objectivo: 100 mil euros. [fonte]

Paris é o destino final da troika

«O Grexit é usado para gerar o medo necessário para forçar Paris, Roma e Madrid a aceitar. O plano de Schaüble é pôr a troika em todo o lado, mas sobretudo em… Paris! Paris é o grande prémio.» Yanis Varoufakis [Fonte: Libération]

Os populistas do Norte

«O principal problema político dos governos do Norte [holandês, finlandês e alemão) é que não querem contradizer-se nos seus parlamentos, pois barricaram-se por detrás de um discurso populista, segundo o qual os seus povos pagam para que os preguiçosos dos gregos se aguentem. Tudo isso é falso, uma vez que é aos bancos que pagam.» Alexis Tsipras, 29 de Julho de 2015 [Fonte: L’Humanité|transcrição em Francês]

A construção política da Europa

«(…) Só quando a Europa for contestada (…), não já em nome do passado que desonrou mas em nome do presente que divide e do futuro que será capaz de abrir ou fechar, poderá tornar-se uma construção politica duradoura. (…)» Etienne Balibar, Para acabar com a União dos tecnocratas e dos banqueiros [em Francês]

Resistir ao totalitarismo económico [o discurso da Presidente do Parlamento grego]

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«A dívida grega não é um fenómeno meteorológico, antes foi criada pelos governos precedentes, mediante contratos manchados pela corrupção, por comissões, luvas, cláusulas leoninas e juros astronómicos, de que bancos e empresas estrangeiras beneficiaram, fazendo de uma dívida privada uma dívida pública, e assim salvando bancos franceses e alemães, bem como bancos privados gregos, e condenando o povo grego a viver nas actuais condições de crise humanitária, enquanto mobilizando e gratificando os órgãos da corrupção mediática encarregues de aterrorizar e de enganar os cidadãos. Esta dívida, que nem o povo nem o Governo actual criaram ou fizeram aumentar, é desde há cinco anos usada como instrumento de subjugação do povo por forças que agem a partir do interior da Europa, no quadro de um totalitarismo económico.

A Alemanha comporta-se como se a História e o povo grego tivessem contraído dívidas junto dela, como se pretendesse um ajustamento de contas, realizando a sua vingança histórica pelas suas próprias atrocidades, aplicando e impondo uma política que constitui um crime não apenas relativamente ao povo grego mas também contra a própria Humanidade – no sentido penal do termo, pois trata-se aqui de uma agressão sistemática e de grande escala contra uma população, com o objectivo premeditado de produzir a sua destruição parcial ou total.» | Zoe Constantopoulou, ontem [13 de Julho de 2015] no Parlamento grego

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«Minhas senhoras e senhores, caros colegas,

Nos momentos como este, devemos agir e falar com sinceridade institucional e coragem política. Devemos assumir, cada um, a responsabilidade que nos cabe.
Protegendo, como a nossa consciência nos obriga, as causas justas e os direitos sagrados, invioláveis e não negociáveis do nosso povo e da nossa sociedade.
Salvaguardando a herança legada por aqueles que deram a sua vida e a sua liberdade para que hoje possamos ser livres.
Preservando a herança das novas gerações e das vindouras, bem como a civilização humana, o mesmo acontecendo com os valores inalienáveis que caracterizam e dão sentido à nossa existência individual e colectiva.
O modo como cada um opta por decidir e agir pode variar, mas ninguém tem o direito de zombar, degradar, denegrir ou usar com uma finalidade política as decisões emanadas de um processo e de uma decisão difícil e consciente, intimamente ligados ao cerne da nossa existência. [Read more…]

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Louisa Gouliamaki© Louisa Gouliamaki

Páre, escute e olhe: uma Alemanha pode esconder outra [Vasco Pulido Valente em 1992]

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Dúvida existencial

alguém me explica como se expulsa um país do euro? Que tratado europeu prevê esta possibilidade? Obrigado!

O povo é quem mais ordena

Oxi

Apesar da chantagem, da tentativa de ocultação de informação e da manipulação das sondagens, a democracia venceu na Grécia. Mesmo com os líderes europeus da corte de Merkel e os representantes de instituições sem legitimidade democrática a manter a pressão alta sobre os gregos, o que incluiu apelos em tom de ameaça ao voto no sim em dia de reflexão e no próprio dia do referendo, Alexis Tsipras resistiu e reforçou o seu poder negocial, o que de resto era mais do que previsível. Chama-se democracia. Quem não estiver bem com ela, tem óptimas oportunidades de ser feliz na Coreia do Norte ou na Arábia Saudita.

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O relatório do FMI que a corte de Merkel tentou ocultar

Debt

Enquanto se acabam de contar os votos na Grécia, sendo quase certa a vitória do “não” no referendo, importa dar eco a um acontecimento da semana que agora termina e que, saiba-se lá porquê, foi praticamente ignorado pela comunicação social e pelos unicórnios fanáticos que disseminam a propaganda do regime, que preferem filmar as filas nos multibancos ou dar eco a manipulações absolutamente repugnantes como as aqui referidas pelo J Manuel Cordeiro.

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Grécia: o que o NÃO significa

O discurso de Tsipras ontem à nação grega. [em inglês]

Grécia, a ponta do icebergue

Cartoon GreeceSerá que quando o casco rebentar, irresponsáveis servis como Pedro Passos Coelho e Mariano Rajoy vão alegar que não podiam antever tal cenário? É possível. Um incompetente telecomandado há-de ser sempre um incompetente telecomandado. Por agora, deixemos os miúdos desfrutar do conto para crianças do avô de Boliqueime, para quem está sempre tudo bem até ao momento em que as pessoas lúcidas lhe explicam, bem devagarinho para o cérebro não gripar, que afinal não é bem assim.

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“O Eurogrupo é um grupo informal que não está vinculado a Tratados ou a regras escritas”.

Jeroen Dijsselbloem, presidente do grupo informal.
Mais sobre como Varoufakis foi excluído da reunião de ontem, aqui.

Grécia/eurogrupo: fim de jogo

eurogrupo_grecia Numa clara retaliação ao anúncio do Governo grego de referendar mais austeridade para a Grécia, o Eurogrupo (sem unanimidade, naquela que será uma violação dos tratados europeus) anunciou a recusa de extensão do prazo para lá de dia 30 de Junho. Questionado sobre a hipótese de o povo grego dizer SIM a mais austeridade, Jeroen Dijsselbloem afirmou não reconhecer credibilidade ao actual Governo grego – todavia eleito pelo povo da Grécia, ao contrário das instituições que questionam a sua legitimidade. O comunicado do Eurogrupo aqui.

Grécia: o “golpe de Estado” que não será televisionado

Porque é financeiro, conta com o apoio do presidente da Comissão Europeia, do ministro das Finanças da Alemanha, das agências de notação financeira, dos governos (entre os quais o português), da Oposição interna ao Syriza, e dos jornalistas (com destaque para a imprensa alemã e francesa) comprometidos com o sistema. Mais, aqui (em francês).

Não é de um «Grexit» que a Europa precisa mas de um «Schäubxit»

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Em 1990, a RDA (que precisava de ser “salva”, para ser integrada na Alemanha) exibia os mesmos sintomas que a Grécia em 2015 relativamente à UE. Foi então criado, pelo mesmo Schäuble, actual coveiro da Europa, um imposto de solidariedade, para financiar a unificação alemã. Artigo (em francês) do jornalista alemão Kai Littmann.