Cavaco Silva não adopta o Acordo Ortográfico de 1990

sampaio guterres durao cavaco

© ACNUR/ S.Hopper (http://bit.ly/1na93XN)
© ENRIC VIVE-RUBIO (http://bit.ly/1na9cdV)

É verdade, já sabíamos. Contudo, no prefácio deste livro de Xanana Gusmão, ficam dissipadas aquelas dúvidas que pudessem ainda subsistir: tudo continua como dantes.

Aliás, através de uma leitura atenta dos quatro prefácios, não se detecta qualquer vestígio de adopção do AO90.

Sampaio, Guterres, Cavaco Silva e Durão Barroso não vêem qualquer necessidade de adoptar o AO90, num livro promovido pela CPLP (sim, pela CPLP) — permitam-me que volte a perguntar: para quê?

Foi ainda durante o mandato de Xanana Gusmão como Primeiro-Ministro que a economia timorense registou quatro anos sucessivos de forte crescimento, que o país foi objecto, pela primeira vez na sua História, de um plano sistemático de electrificação e se procedeu ao lançamento dos alicerces de uma rede de protecção  social em larga escala.

Aníbal Cavaco Silva

***

A mesma visão e a mesma liderança são expressas nos discursos compilados neste livro, documentando um projecto que em vários aspectos foi tão difícil como a conquista da independência: a construção de um novo país democrático e com unidade nacional, por via da reconciliação e do desenvolvimento.

António Guterres

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20 de Maio de 2002 ficará para sempre gravado na minha memória.

José Manuel Durão Barroso

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No dia seguinte, em mais um acto excepcional, apresentei, pessoalmente, ao Presidente Xanana Gusmão o primeiro Embaixador de Portugal em Timor-Leste.

Jorge Sampaio

Alerta da Protecção Civil

«A Protecção [✓] Civil alertou hoje para possibilidade   de ondas com 13 metros no fim-de-semana [✓], além de
ventos intensos com rajadas fortes
».

Aguardemos

Serenamente. No dia 28, tivemos ‘objectivo’. No dia 30 (ver artigo indicado pelo João), tivemos *projeto. No dia 1 de Fevereiro? Veremos. Sim, é infligir. Acontece. Adiante.

Se calhar, é melhor pararem

Como é sabido desde o Fado do Kilas, cantado pela Lia Gama, “os que ainda andam na mó de cima/têm que saber que a roda não pára/e fatalmente o fim se aproxima/a vida não pára“.

O relógio também não.

pára

Sim, apesar do prometido, o ‘objectivo‘, felizmente, mantém-se.

objectivo

Alhures, cinco anos e quase um mês depois, verificamos que [Read more…]

Terrorismo ortográfico

Estava o meu domingo a correr muito bem, com a leitura deste texto (novinho em folha e altamente recomendável) de Daniel Dennett, quando tropecei numa notícia acerca de “actos de terrorismo institucional”.

É verdade, João Paulo Vareta, comandante da Polícia Municipal de Braga, recusa-se a pactuar com “actos de terrorismo institucional“.

Admito que gostaria imenso de conhecer a opinião de João Paulo Vareta relativamente a este acto de terrorismo ortográfico — as vítimas são todos aqueles que gostariam imenso de poder ler textos em português europeu.

Continuação de um óptimo domingo.

fatos

A Síntese e o Acordo Ortográfico: “sem problemas de maior”

Acabo de ler (através de ligação, neste excelente texto da Sarah) a Síntese. Por qualquer motivo que me escapa, lida a Síntese, lembrei-me, não de um, não de dois, mas de três, sim, três Orçamentos do Estado.

Vejamos aquilo que a Síntese nos conta: “terceiro sector” e “por setor de atividade”; “outros subsectores” e “transferências para outros subsetores“; “despesa efectiva” e “conjunto da receita efetiva“; “impostos indirectos” e “impostos indiretos“; “impostos directos” e “impostos diretos“; “última actualização” e “pela atualização das pensões”; “outros activos financeiros” e “com ativos financeiros” — ia-me esquecendo quer da cereja em cima do bolo (“Direção-Geral de Protecção Social”), quer da pièce de résistance (“pelo fato da informação não estar disponível”).

Sim, foi há dez meses que o ILTEC nos garantiu que:

o AOLP90 já foi quase plenamente aplicado, como o Estado determinou, sem problemas de maior

Lusofonia Games 2014

Yeah, yeah: Lusofonia Games.

Lamento a grafia *aspetos da notícia apontada. Aliás, ‘aspetos’ é palavra extremamente interessante  — do ponto de vista da “unidade essencial da língua portuguesa”, claro.

Língua portuguesa: aquela que não é ‘primeira língua’ nos Jogos da Lusofonia. Sim, da Lusofonia.

O responsável [Artur Lopes] referiu que, tratando-se dos Jogos da Lusofonia, não se entende que a primeira língua não seja o português, com uma tradução em inglês: “Aqui é o inglês e, às vezes, existe uma tradução portuguesa”.

Actualização (22/1/2014): Recomendo a consulta desta nótula, na página da ILC contra o Acordo Ortográfico.

Hoje, lembrei-me de Djavan

A que propósito? Já lá vamos.

Através do jornal O Estado de S. Paulo, ficámos a saber que Cavaco Silva se pronunciou acerca de Eusébio, nos seguintes termos: “uma pessoa de qualidades humanas excepcionais“.

Exactamente:

estadao

Curiosamente, sabendo nós aquilo que muito bem sabemos, o presidente da República terá de facto escrito excepcionais e a máquina devoradora de consoantes gerou este ‘excecionais’.

excecionais cavaco

Isto é, só recorrendo a um jornal brasileiro é que podemos ter uma ideia daquilo que o presidente da República Portuguesa efectivamente escreveu.

Sim, sem AO90, em Portugal e no Brasil, escreve-se ‘excepcionais’. Sim, com o AO90, no Brasil escreve-se excepcionais e em Portugal escreve-se excecionais — é um paradoxo, eu sei, mas a culpa não é minha.

***

Agora, Djavan.

Lembrei-me de Djavan, por causa [Read more…]

“Direção” também leva aspas

Se o Sul Informação tinha como objectivo seguir a boa prática dos jornais A BolaExpressoDiário de Notícias, ainda há determinados aspectos que devem ser melhorados. Se *espetaculares leva aspas, *Direção (Regional de Cultura) também tem de levar. Não sendo *Direção brindada com aspas, não se percebe o motivo de estas ornamentarem o *espetaculares. Tertium non datur.

sul informação

Excepcionais: com pê, claro

Neste texto de Daniel Oliveira, encontramos, no mesmo parágrafo, ‘excepcionais’ e ‘atual’.

DOLIVEIRA

Para quem ainda tiver dúvidas (apesar das bases: quer a teórica, quer a outra) acerca de escreventes da norma portuguesa europeia intuírem a função diacrítica de consoantes não pronunciadas, a recaída excepcionais de Daniel Oliveira – apesar da aparente destreza na supressão do ‘c’ de actual (com função, sim, embora não diacrítica) – poderá ajudar a perceber que a simplificação proposta pelos negociadores do Acordo Ortográfico de 1990 lhes toldou (fiquemos pelos aspectos técnicos – aqueles que me interessam – e não enveredemos pelo labirinto político) a dimensão leitura, indissociável, em leitores/escreventes experientes, da dimensão escrita.

Dito (ou escrito) de outro modo, ao grafar ‘excecionais’, um escrevente português terá a sensação de que o -cecionais dessa palavra, em vez do [-sɛsjuˈnai̯ʃ] pretendido,  reflecte um [-sɨsjuˈnai̯ʃ] inexistente e, por isso, não abdica do ‘p’.

Sim, porque não é só no livro do Eduardo Guerra Carneiro e na canção do Sérgio Godinho que isto anda tudo ligado.

É evidente que tudo se complicará se Daniel Oliveira (ou qualquer falante de português europeu) tiver o hábito de ler textos em português do Brasil. Pois, claro, no Brasil, excepcion |-al-ais continua a existir (ide ver ao Houaiss, ide, ide) e significa “em que há exceção”. Pois. Isto do AO90 não é tão simples como andaram por aí a dizer e, claro, não é bem a meia hora vaticinada pelo antecessor de Edviges Ferreira. Sim, é muito complicado. Mais vale acabar com este imbróglio, antes que seja demasiado tarde.

Desejo-vos um óptimo e excepcional fim-de-semana.

Post scriptum: Em discussão no edge.org: “what scientific idea is ready for retirement”? Vale a pena ir lá dar uma espreitadela.

Ronaldo, a projecção e a *projeção

Soube, através do Expresso, que António José Seguro teria feito uma referência à projeção do nome de Portugal, a propósito da Bola de Ouro, ontem entregue a Cristiano Ronaldo.

projeção

Contudo, de facto, o secretário-geral do Partido Socialista não mencionou qualquer projeção. Seguro referiu-se tão-somente à projecção do nome de Portugal. Projecção. Exactamente.

projeccao

Segundo nos conta o Diário de Notícias, o actual primeiro-ministro, Passos Coelho, ter-se-á referido quer ao capitão da selecção nacional, quer à seleção nacional.

ronaldo passos

Novidades? Nenhumas. O caos ortográfico está instalado e a culpa, garanto-vos, não é certamente do capitão da Selecção. Sim, da Selecção.

Adeptos do Tractor exigem regresso imediato de Toni

Sim, o Tractor, da maior fábrica de *tratores do Irão.

Ontem, os *artefatos *piroténicos

Sim, ontemHoje, “o *fato de as mulheres abusarem”. Obrigado, Rui Miguel Duarte, pelo apontador.

Afinal, onde estava Sócrates a 23 de Julho de 1966?

Não sei, nem tenho nada a ver com isso. Aquilo que impressiona nesta notícia é a descontracção daqueles que grafam seleção em vez de selecção e Julho em vez de julho e, numa demonstração de segurança ortográfica à prova de bala, adoptam *contatando. Sim, *contatando, evidentemente — a variação sobre um tema conhecido continua e, aparentemente, veio para ficar. Claro, claro, o AO90 está a ser aplicado e, ainda por cima, “sem problemas de maior“. Sim, pois, claro.

sócrates

O meu Lamborghini e os *artefatos *piroténicos

Há poucos dias, fiquei a saber que ‘co-adopção’ (à qual já dediquei umas linhas aqui e ali) conseguiu uns miseráveis 2% numa iniciativa da Porto Editora — confesso que acabei por não perceber qual das grafias foi a concurso. Aliás, tenho algumas dúvidas acerca da elegibilidade para uma competição deste tipo de uma palavra que, como é do domínio público, é actualmente grafada de três formas diferentes: a da Bayer, a do AO90 e a outra.

Durante as (sempre, sempre) curtas e (infelizmente) chuvosas férias em Portugal, soube também (obrigado, J. Manuel Cordeiro, pelo pertinente apontador) que “a inserção do número de contribuinte na fatura [sic] permitirá a qualquer consumidor final habilitar-se a ganhar um carro por semana”. O tema da *fatura é fascinante e já surgiu por estas bandas. Conceptualmente, “fatura simplificada” é redundante. E “fatura com inserção do número de contribuinte” é um paradoxo, pois, sendo ‘fatura’ o mesmo que ‘factura simplificada’, aquilo que efectivamente acabamos por obter é “factura simplificada com inserção do número de contribuinte”. Como sabemos, ”factura simplificada com inserção do número de contribuinte” não faz qualquer sentido e quem escreveu a legenda da foto que ilustra o artigo apontado concordará comigo.

Contudo, admito, ao ler a notícia, a  dúvida que imediatamente me assaltou foi a de saber se é possível, ao pedir uma factura, ganhar um Lamborghini. Para mim, o conceito “um carro” é extremamente vago. Se querem mesmo oferecer-me um carro, era este Lamborghini Aventador, sff.

A propósito, ontem, ao chegar a casa, deparei-me não só com os habituais “fatos constantes da candidatura”, mas também com uma salada mista de gosto bastante duvidoso. Sim, no sítio do costume:

DRE 712014

Foi em Março do ano passado (para os mais distraídos, convém lembrar que nos encontramos em Janeiro deste ano) que o ILTEC nos garantiu

o AOLP90 já foi quase plenamente aplicado, como o Estado determinou, sem problemas de maior.

O Porto foi seleccionado porque é atractivo

porto

Porto visto do Hotel Yeatman – Gaia. Panorâmica MS ICE (http://bit.ly/19cEvUM).

Através de uma tradução, fiquei a saber que, segundo a Câmara Municipal da minha cidade, “[o] facto de o Porto voltar a ser seleccionado [✓] reflecte [✓] bem a sua notoriedade, atractividade [✓] e excelência enquanto destino turístico”.

Para quem gosta de fazer contas com o Acordo Ortográfico de 1990, esta frase é um excelente ponto de partida.

Há sempre a possibilidade, se a prática na Câmara Municipal do Porto for semelhante à de outras organizações, de na tradução termos de facto aquilo que se encontrava no original. Adiante.

É verdade, o facto encontra-se quer na tradução, em ortografia portuguesa europeia, quer no original, redigido na grafia aventureira de 90. Claro, é evidente. Claro, é evidente, digo eu. Hoje, no Diário da República, podemos ler “aos demais fatos constantes na candidatura” e “pelo fato de o único candidato opositor ao mesmo ter ficado excluído”.

Sim, foi há cerca de nove meses que o ILTEC nos garantiu:

O AOLP90 já foi quase plenamente aplicado, como o Estado determinou, sem problemas de maior“.

Food for thought

passos socrates

© Público/Pedro Cunha (http://bit.ly/1dgyuTw)

Matéria para todos reflectirmos: anteontem, José Sócrates criticou Pedro Passos Coelho por este, aparentemente (não vi esta entrevista) e num determinado contexto, ter adoptado o verbo ‘entregar’ como tradução portuguesa de ‘to deliver’.  Não sei porquê, mas a associação do conceito ‘língua portuguesa’ aos nomes ‘José Sócrates’ e ‘Pedro Passos Coelho’ fez com que imediatamente me lembrasse da RCM n.º 8/2011 (promovida e criada pelo primeiro; herdada, não rejeitada e executada pelo segundo) e das consequências (aqui ali). Esperemos que esta incursão pelo maravilhoso mundo da língua portuguesa (embora em registo prescritivo e moralista) seja uma indicação de que os políticos irão, por fim, começar a dedicar-se à leitura dos pareceres que solicitam e a seguir a direcção por estes apontada.

Um outro ponto interessante da entrevista do senhor primeiro-ministro foi quando ele falou — e mais uma vez utilizando também uma linguagem que se inspira nos anglicismos que ele adora… Diz ele que o Governo ‘entrega’ resultados. Quer dizer, em português, diz-se: “o Governo ‘apresenta’ resultados”. Mas, enfim, o verbo ‘deliver’ inglês é muito inspirador para o primeiro-ministro: ele acha que o Governo entrega resultados.

— José Sócrates, RTP, 15 de Dezembro de 2013

Post scriptum: As aspas [Read more…]

Variação sobre um tema conhecido: *contatar/*contatando

Se lerem atentamente o Diário da República de ontem, alguns defensores, promotores e amigos do Acordo Ortográfico de 1990 terão a oportunidade de verificar o estado a que isto chegou e, provavelmente, irão reflectir acerca de determinados aspectos que, porventura, nunca lhes terão merecido a devida atenção.

Claro que não se trata do já conhecido *contato — nesta altura do campeonato, toda a gente conhecerá o *contato: aliás, ontem, houve mais três ocorrências. Infelizmente, o *contato já não impressionará ninguém. Hoje, por exemplo, não há qualquer *contato, mas temos a “eventual responsabilidade civil ou criminal emergente dos *fatos praticados”. Actualmente, os “fatos praticados” só poderão surpreender aqueles que fazem da distracção uma forma de vida.

1312

Contudo, aquilo que deve(ria) ou pode(ria) impressionar quem encolhe os ombros perante o espectáculo da página 6 são as ocorrências de *contatar

1312a

e a ocorrência de *contatando. Sim, *contatando. Apesar dos ‘contactos’.

1312b

Sim, ontem, no Diário da República.

Aproveito o tema ‘variação’, para vos desejar um óptimo fim-de-semana, na companhia do centenário Britten.

A regularidade do *contato

Depois de ontem termos ficado com uma imagem bastante nítida da forma como o Acordo Ortográfico de 1990 tem “entrado inteiramente” no “sistema nacional de educação”, regressemos ao Diário da República.

Na Imprensa Nacional-Casa da Moeda, “solicita-se” a quem envia actos (reparem na barra de endereço: exactamente, actos) para publicação o “melhor empenhamento” no cumprimento da  RCM n.º 8/2011. Fiquei igualmente a saber, por exemplo, que a “grafia nova” de ‘dáctilo’ é ‘dáctilo’. Admito que não fazia a mínima ideia.

dáctilo

Como sabemos, o “empenhamento” não é suficiente, principalmente quando a opacidade das regras nem permite que os promotores as compreendam.

Quando tudo se resume à leitura de algumas sínteses do AO90, pedindo-se depois o “melhor empenhamento”, o resultado é este e a actualização lá se vai fazendo, com episódios lamentáveis como o de hoje (sim, hoje, terça-feira, 10 de Dezembro de 2013). As ocorrências de *contato, essas, sim, vão “entrando inteiramente” no “sistema”.

contato regular

O imparável *contato

Acabo de saber, através dos Tradutores Contra o Acordo Ortográfico, que o Jornal de Notícias decidiu perguntar, há cerca de um mês, se “faz sentido que Portugal continue a liderar o Novo Acordo Ortográfico ou estamos a falhar os objetivos [sic] e o Acordo deveria ser suspenso?”.

É absolutamente extraordinária a resposta dada por Joaquim Azevedo, “diretor [sic] da Escola das Artes da Católica Porto”:

O Acordo deve prosseguir o seu rumo, é um processo imparável, mormente por ter entrado inteiramente em todo o sistema nacional de educação.

Convinha que Joaquim Azevedo se debruçasse sobre alguns dos textos escritos na instituição que dirige, para se pronunciar com alguma exactidão acerca das actuais condições ortográficas do “sistema nacional de educação”.

UCP

Efectivamente: ‘selecção’

expresso seleccao

Aproximamo-nos muito rapidamente dos três anos e meio da adopção prometida, mas efectivamente não cumprida. Como se sabe, *seleção não reúne condições para reflectir a realidade grafémica do português europeu. Aliás, um título que hoje surge na RTP (Seleção desfalcada corre Europeu de corta-mato) é, como “fatura simplificada”, redundante, pois *seleção já tem implícita a noção ‘desfalcada’ ( do c). No L’Équipe, sabem que assim é. Curiosamente, no Expresso, também. Contudo, o L’Équipe não anuncia adopções de grafias executadas por conversores. Sim, porque no Expresso quem adopta o AO90 é o conversor. Quando dão folga ao conversor, o resultado é este. Evidentemente, alhures, a mesma prática e, consequentemente, os mesmos resultados. Enfim, pano para mangas, mas hoje é domingo.

Continuação de um óptimo fim-de-semana.

Cristiano Ronaldo quer representar a selecção brasileira

Quero ganhar um Mundial com a Seleção [sic]”

Afinal, há facções e fações

FSP

Hoje, através da Folha de S. Paulo, ficámos a conhecer esta extraordinária ocorrência:

Nova facção mais violenta se organiza em presídios de SP

Decerto, neste preciso momento, alguns defensores do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa de 1990 terão ficado estupefactos com tamanha heresia no título de um jornal de referência.

Próclise (‘se organiza’) e ênclise (‘organiza-se’) à parte, eis mais um exemplo da “unidade essencial da língua portuguesa” conseguida através do AO90.

A ocorrência da palavra ‘facção’ na Folha de S. Paulo, como acontece com ‘recepção’, ‘acepção’, ‘confecção’, ‘intercepção’, ‘percepção’, ‘peremptório’ ou ‘ruptura’, demonstra que a aplicação de critérios tecnicamente inválidos, além de afectar a tal “unidade essencial“, é claramente prejudicial para quem não adopta a norma brasileira.

Existem razões para o c de ‘facção’. Aquilo que não existe é motivo para se insistir no absurdo Acordo Ortográfico de 1990.

Momento ?????? do fim-de-semana

«Embora Camões diga ser “a última flor da Lácio“, na verdade [a língua portuguesa] era um dialeto do espanhol (…)»
José Sarney

Para reflectirmos durante o fim-de-semana

Efectivamente, *detetável é uma palavra detestável.

Bomtempo e má grafia

Há sete meses, escrevi umas inócuas linhas sobre o Tribunal Constitucional. Desde então, sempre que o Palácio Ratton vem à baila, lembro-me de Bomtempo. Ontem, a hora do almoço, no Café Portugal, com um silencioso televisor sintonizado na SIC e a discorrer sobre esta notícia, não foi excepção.

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Ao chegar a casa, decidi verificar a rectidão gráfica de uma das imagens transmitidas por esse televisor. Encontrei este vídeo e debrucei-me sobre o texto com a referência a “decisões de não inconstitucionalidade”, feita por Joaquim Sousa Ribeiro:

[O]s contribuintes para os sistemas de segurança social não possuem qualquer expectativa legítima na pura e simples manutenção do status quo vigente em matéria de pensões.

Nótula intercalar: Na citação da SIC, sem espanto meu, não surge o precioso ‘(…)’, no lugar do omitido “para os sistemas de segurança social”. Fim da nótula: siga. [Read more…]

O L’Équipe: efectivamente, o melhor jornal desportivo português

Play-off 2014 World Cup - Portugal vs Sweden

© Gustavo Bom/Atlantico Press/Corbis (http://bit.ly/1dCxHNM)

Não é novidade, mas a vitória de ontem frente à Suécia veio mais uma vez provar que, hoje em dia, para se encontrar ortografia portuguesa europeia na imprensa desportiva, só recorrendo a jornais franceses.

équipe

De vez em quando, claro, além de se compreender que o Acordo Ortográfico de 1990 é um instrumento inadequado, percebe-se que nem a hipocrisia ortográfica é um exclusivo do Expresso, nem a grafia à escolha do freguês é uma coutada do Diário da República.

abola13112013

Obrigado, L’Équipe.

Continuação de um óptimo fim-de-semana.

Actualização: *impato

3lands10

Paul Cézanne
A pedreira de Bibémus (http://bit.ly/1bhb2GZ)

Sim, em princípio, serão dezasseis (16) os *impato ocorridos no Diário da República desde 22 de Março deste ano — trata-se de resultados preliminares, podendo sempre haver alguma ocorrência escondida, mas, na devida altura, apresentarei os resultados definitivos e aproveitarei para actualizar a tabela da página 6. Se me perguntardes o porquê de me referir a ocorrências de *impato (16) de 22 de Março de 2013 até anteontem, responder-vos-ei: pois, evidentemente, porque foi no dia 21 de Março de 2013 que o ILTEC nos garantiu

o AOLP90 já foi quase plenamente aplicado, como o Estado determinou, sem problemas de maior [Read more…]

Artur Baptista da Silva é contra Fação?

“Falso consultor da ONU acusado de contrafação“. Contra Fação? Mas porquê?

Portas e o Guião

Aproveite-se a oportunidade para um exercício de redacção. Convém que utilizem correctores, Se utilizarem ‘corretores’, está o caldo (de novo) entornado.