Juncker afirmou que Trump desconhece o funcionamento da Europa, pelo que teremos dois anos desperdiçados até que o próximo inquilino da Casa Branca adquira a noção da realidade para lá das fronteiras dos EUA. Talvez seja avisado Trump perguntar ao antigo Secretário de Estado, Republicano, nascido na Europa, Henry Kissinger, se já tem o indicativo para marcar o número e fazer a chamada para o cada vez mais velho, ultrapassado e irrelevante Continente…
Muros e pontes
Não queria comentar isto, mas com a insistência no tema e a ridícula e empertigada interpelação que o PSD fez sobre este assunto, não resisto. Não, oh alaranjadas criaturas, os cartazes que ornam as entradas do Web Summit, que terminam com o justo propósito de “fazer pontes, não muros”, não são uma proclamação anti-Trump. Se esquecermos a gralha da primeira versão – entretanto corrigida -, esta metáfora, com esta exacta formulação ou outras muito semelhantes, é antiga como a noite. Não foi inventada por Hillary Clinton – donde a sintomática indignação do PSD que, pelos vistos, anseia por agradar ao novo chefe. Já a encontramos, implícita ou explicita, em textos antigos, em documentos de evangelização e ecuménicos, em obras de filósofos. O grande – enorme! – Isaac Newton (se os laranjas não sabem quem é,vão ao Google) escrevia “construímos muros de mais e pontes de menos”. E, só para ficarmos nos Newton, Joseph Newton escreveu, dois séculos depois, “as pessoas estão sós porque constroem muros em vez de pontes”. E até o Papa Francisco, há já algum tempo, afirmou, em Auschwitz, “lancem-se na aventura de construir pontes e destruir muros, vedações ou redes”. E não vale a pena continuar. O problema, portanto, não é da Câmara de Lisboa, oh PSD, que atacais, fogosos, sem antes procurar informação.
O problema é o da vossa arrogante iliteracia.
First we take Manhattan, then we take Berlin

They sentenced me to twenty years of boredom
For trying to change the system from within
I’m coming now, I’m coming to reward them
First we take Manhattan, then we take Berlin
I’m guided by a signal in the heavens
I’m guided by this birthmark on my skin
I’m guided by the beauty of our weapons
First we take Manhattan, then we take Berlin
May you rest in peace, Leonard. We’ll take Manhattan for you.
Foto@TVI24
Rui Rio chega-se (mesmo) à frente

Luís Montenegro deu o mote, Rui Rio chegou-se à frente. Em entrevista ao DN, com perguntas previamente enviadas ao ex-presidente da CM do Porto, Rio afirmou aquilo que já todos sabíamos: que “poderá” ser a alternativa a Passos Coelho se o PSD “não descolar“. Se assim é, o anúncio oficial deve estar para breve. O PSD não só não descola como se afunda, sondagem após sondagem, atingindo níveis historicamente baixos, com a mais recente sondagem da Aximage a empurrar o PSD para uns modestos 28,7% de intenção de voto dos portugueses, quase 10 pontos percentuais atrás do PS (38,3%). Os dias passam, e cada vez menos portugueses estão interessados em ouvir a repetitiva cassete da moribunda Pàf. [Read more…]
Leonard Cohen (1934 – 2016)
Neste dia tão triste, lembremos um excelente texto da Carla Romualdo (já agora, eis outro) e esta Villanelle que o A. Pedro Correia nos trouxe.
Lettres de Paris #17
Je veux être photographe…
Um Português à Passos
Rui Naldinho
O exemplo de um Português zeloso das suas obrigações com os mercados.
Eu aproveito para dar os parabéns aos dois primeiros, pelo facto de ao fim de vários anos terem descoberto o “Português Económico”. E, já agora, ao terceiro por ter tido direito a entrevista na RTP, ainda antes de ser detido, privilégio a que nem todos tem acesso, mesmo pessoas importantes.
Na realidade há gajos com sorte!
Sócrates deve estar a roer-se de inveja.
“Temos de empobrecer meus caros, se queremos pagar a nossa dívida. Caso contrário só nos resta emigrar.”
Para a América não, que agora está lá o Sr. Trump! Parece que ele não gosta de “imigras”. Já lhe basta ter de aturar os “cucarachas”. Mas há sempre uma terra desconhecida, algures. Quem sabe um país longínquo onde ninguém queira estar?
Talvez Pedro Dias tenha pensado nisso antes de se entregar!
Grabbed by the balls

Boris Johnson, Mayor de Londres, 2015:
A ignorância estupidificante torna-o completamente inapto para ser o Presidente dos Estados Unidos
Boris Johnson, Ministro dos Negócios Estrangeiros britânico, 2016:
Foto@London Loves Business
O método Felgueiras
Em 2003, a mãe Fátima fez uso do direto televisivo do Brasil para branquear uma fuga inaceitável à justiça quando era acusada de corrupção e de financiamento ilegal da secção local do PS. Fátima Felgueiras chegou a ser acusada de 23 crimes no processo do “Saco Azul” e foi condenada a três anos e três meses de pena suspensa e perda de mandato, sendo absolvida destes crimes em 2011. Mas em Abril de 2011 foi condenada a um ano e oito meses de prisão, com pena suspensa, e a 70 dias de multa pelo crime de participação económica em negócio. Foi obrigada a devolver à autarquia de Felgueiras 16.760 € de honorários pagos pelo município ao advogado brasileiro Paulo Ramalho, quando fugiu para o Brasil.
Em 2016, a filha Sandra que curiosamente trabalha na RTP num programa sobre justiça (adorava ter acesso às atas dos concursos desta contratação), numa jogada de autopromoção, usa a televisão e o direto para dar uma oportunidade de ouro a um suspeito de crimes gravíssimos. Este, obviamente, declara-se inocente e lança suspeitas graves sobre agentes da GNR mortos e vivos criando um desequilíbrio imenso entre a apresentação de argumentos entre agressor e vítimas. Imagino a revolta da família das vítimas quando assistiram àquele espetáculo. Foi um abuso de utilização do serviço público da RTP para promoção pessoal, para um momento de sensacionalismo puro, de reality show, com conteúdo de informação duvidoso ou vago (o que ganhámos ao assistir ao suspeito algemado em direto?).
Independentemente, de algum bom trabalho já realizado no programa de Sandra Felgueiras, este foi um momento de nojo televisivo, de lixo onde crescem os Trumps deste planeta. Este tipo de trabalho não tem lugar no serviço público. A direção da RTP deveria analisar este trabalho e tirar daí as respetivas conclusões, se calhar algumas dolorosas…
Elementar, caro Watson
Obsessões académicas

Ana Paula Vitorino, ministra do Mar do executivo Costa, nomeou o jornalista Fausto Coutinho para seu adjunto. Na nota curricular publicada no Diário da República, para além da vasta experiência jornalística, ficamos a saber que o nomeado se matriculou na universidade, que não chegou a frequentar. Não sendo, nem de longe, nem de perto, comparável com os embustes recentes, questiono-me sobre a relevância de referir que Fausto Coutinho se matriculou numa universidade onde não voltou a pôr os pés. Se isto é currículo, vou ali matricular-me em meia-dúzia de doutoramentos e não aceito menos que uma secretaria de Estado.
Lettres de Paris #16
‘(…) Ne perdez pas de vue que Paris, c’est Paris. Il n’y a qu’un Paris’ (*)
And now Trump? The day after
Do que fui ouvindo e lendo à medida que se desenrolava a campanha presidencial norte-americana, houve para lá dos aspectos bizarros que uma figura controversa possibilita, muita parvoíce sobrevalorizando o perigo que representa eleger o excêntrico Donald Trump. Vejamos, Obama prometeu encerrar Guantanamo e passados 8 anos a prisão ainda funciona. O Obamacare ficou longe da promessa eleitoral. Porque razão temos que acreditar que agora vai ser mesmo construído um muro e veremos emigrantes deportados aos milhares? Se recordarmos a campanha eleitoral de 2000, W. Bush foi eleito com a promessa de não ingerir militarmente no exterior, reduzindo os gastos militares. A administração Clinton havia sido marcada pela intervenção nos Balcãs, culminando no Kosovo, sem esquecer o tristemente célebre episódio da desastrosa intervenção na Somália. E no 1º ano de mandato surgiu o 11 de Setembro e com ele toda a política mudou num ápice. [Read more…]
À espera de Le Pen

O centrão político – conservadores, liberais, social-democratas, trabalhistas – anda há mais de vinte anos a liberalizar os movimentos de capitais, a desregulamentar as actividades financeiras, a promover o “comércio livre”, menorizando as consequências resdistributivas destas opções. Andaram a promover a ideia de que o mundo é mais bem gerido pela “mão invisível” dos mercados do que pelos poderes democraticamente eleitos. De que é que precisam mais para perceber que este é o resultado da sua globalização: que Marine Le Pen vença as presidenciais francesas?
Imagem via Financial Times
Afinal, o “bem-estar” dos portugueses melhorou entre 2011 e 2015
Rui Naldinho
Duarte Marques é um especialista naquilo a que comumente se chama, no jargão, bacoradas. Ele consegue ler um documento do INE de tal forma enviesado, que tudo o que dali retira é a parte que lhe der mais jeito. É uma espécie análise à José Gomes Ferreira.
Na realidade, a partir de 2014, o bem estar dos portugueses começou a melhorar face a 2011, 2012 e metade do ano 2013, porque o Tribunal Constitucional obrigou o governo de Passos Coelho a repor rendimentos, contra a sua vontade, tanto a funcionários públicos como a pensionistas. Devemos agradecer ao TC essa melhoria, e não, ao governo que Duarte Marques elogia. Mais, não tivessem os partidos da oposição levado ao organismo máximo que fiscaliza as leis em Portugal, o TC, a questão dos cortes nos rendimentos e estivéssemos nós à espera do anterior Presidente da República, ainda hoje nos manteríamos na mesma.
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Trump: Era tudo a fingir
Já se sabe que um presidente não pode ser igual a um candidato.
(espero)
Trabalho infantil?

Dá dó profundo ver este pobre miúdo, manifestamente perturbado durante o discurso de vitória do pai, em constante movimento, suspirando, sério todo o tempo, fechando os olhos, encolhendo-se, esticando-se, infeliz; uma criança que deveria estar a dormir às 02.50 da manhã; é triste, é deprimente, é a outra face da medalha de um homem absurdo que vai segurar as rédeas desta superpotência egocêntrica, com uma apetência irresistível e doentia para o show off.
Bilhete do Canadá – Tempestade Americana
São 3 horas da manhã em Toronto e New York. Donald Trump acaba de ser eleito presidente dos Estados Unidos da América e de fazer o seu discurso de vitória, após ter recebido um telefonema de Hillary Clinton reconhecendo a derrota. Vitória por margem mínima e um discurso paroquial, muito ao estilo babado dos patos bravos contentes consigo mesmos e distribuindo agradecimentos a vivos e a mortos, que enumeram pelo nome e parentesco. A multidão delira. E começa agora o caminho para o detestar porque, tendo recebido todas as promessas, será defraudada. Donald Trump, um construtor civil, um outsider sem preparação nem experiência, com ousadia e sem medir aquilo que são as consequências políticas, não pode saber neste momento que a realidade é uma trela curta e dura. A partir de agora, está nas mãos da oposição e da comunicação social que não lhe há-de perdoar nada. O povo, esse será o eterno adiado. [Read more…]
Presidente Donald Trump

À excepção dos autores dos Simpsons ninguém seria capaz de prever que Donald Trump se tornaria presidente dos EUA. Aparecendo de fora do sistema, começou por derrotar o establishment no GOP conseguindo a improvável à partida nomeação. Sem o apoio de grande parte dos Republicanos, em certos casos até contra, terá sido esse o trunfo que ontem lhe permitiu alcançar a vitória. [Read more…]
Trump declara vitória
Obrigado, FBI, deve Trump estar a pensar
One NYT reader's reaction to an FBI letter that newly found emails didn't warrant action against Hillary Clinton https://t.co/NTyJnbeD04 pic.twitter.com/CTkqFaQCJA
— The New York Times (@nytimes) November 7, 2016
Depois de uma América onde se fez caça às bruxas por causa dos comunas, eis um presidente eleito com apoio da Rússia e, possivelmente, no caso dos email, auxiliado pela pátria dos comunistas.
Os mercados não gostam de Trump?
Por enquanto, parece que não.
Global markets react badly to prospect of a Trump victory. https://t.co/qztN9m6T1k pic.twitter.com/51mYENLpGT
— The Upshot (@UpshotNYT) November 9, 2016
Imagem: An employee of a foreign exchange trading company watching U.S. election results in Tokyo.
TORU HANAI / REUTERS













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