Santana, o ser e o nada

santana lopesNum golpe de génio, Santana Lopes enunciou ontem uma verdadeira novidade teórica que fará tremer os fundamentos do pensamento político e, digo mesmo, filosófico. Segundo ele, a prova de boa governação e a permanente relegitimação do governo, emerge do número de grandes manifestações que não se fazem. Quer dizer: não havendo manifestações, o povo está com o governo. É feliz. Estivesse do outro lado da mesa qualquer cândido cidadão que não o sabido do Vitorino, não deixaria de lhe perguntar se o governo, quando há grandes manifestações, se deveria demitir. Mas parece que, no seu tempo, ambos faltaram às aulas de lógica.

Paga, Zé

A bronca da falência do Europarque – lá voam mais de 30 milhões dos nossos impostos – é uma espécie de tragicomédia que representa, metaforicamente, a aliança entre os maus governantes e piores empresários que têm conduzido os destinos do país – com o assentimento e/ou cumplicidade de muita gente, diga-se em abono da verdade. Que se dispõe a continuar, segundo se nota pelas últimas sondagens.
A propósito: masoquismo é uma tendência ou prática parafílica, pela qual uma pessoa busca prazer ao sentir – com um pensamento, uma situação ou um acto – dor ou imaginar que a sente. Por isso, para muitos, o que estamos viver não é uma crise, é uma verdadeira orgia. E, pelos vistos, não falta quem queira continuar.

A funda

david e golias
Não faltam, nestas e noutras páginas, referências comparando o confronto entre a Grécia e o directório comandado pelo governo alemão ao mito de David e Golias, usado como atraente metáfora. Acontece que a lenda do Livro de Samuel passa-se depois de a conversa ter acabado. Já não havia negociações. Era o momento. Por isso, o jovem David não perdeu tempo e partiu, com sucesso, para a calhoada. Quer dizer, se nos agrada a imagem, fiquemos cientes de que ainda não chegamos a esse ponto. Mas não faltará muito. A ver se o nosso David consegue.

O duo

Terças-feiras na SICN. As noites impagáveis em que dois putativos candidatos à presidência da República concorrem em poses de estadistas, olhos postos no infinito, queixo levantado, discurso tentando parecer sábio e profundo (ma non tropo, senão a malta muda de canal), análise de alcance planetário. ar de quem sabe algo que todos nós ignoramos. Santana e Vitorino, os candidatos que querem ser candidatos no lugar dos candidatos. O futuro augura-se auspicioso.

Enganado por banqueiro burlão

um drama com Ricardo Salgado.

Are you following this, America?

Óptica! Óptica. Sim, exactamente: ó-p-t-i-c-a.

Como diria o John Cleese: The clue is in the title.

Se ‘foot’+’ball’ = ‘football’, então ‘ó’ + ‘p’ + ‘t’ + ‘i’ + ‘c’ + ‘a’ = ‘óptica’.

E óptica ≠ ótica.

Sim, é extremamente simples.

óptica

Jaime Fernandes, o countryman

JAIME FERNANDES PROVEDOR DA RTP - SÓCIO DE LUIS MONTEZ - PAVILHÃO ATLANTICO

O provedor do telespectador da RTP acha que Rodrigues dos Santos fez uma boa sopa de leite, perdão: um bom trabalho na Grécia.

Jaime Fernandes, antes de ficar com o Pavilhão Atlântico privatizado, foi durante décadas a voz off dos tempos de antena do PSD. E antes disso um locutor de rádio que gostava muito de música country.

É indecente não ter, antes de responder às críticas dos telespectadores, feito a sua declaração de interesses, assim tipo, bem, eu sou suspeito, porque gosto muito de música foleira norte-americana.

Agora é a minha vez…

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Ainda não é desta que me irei pronunciar sobra a Grécia. Como dizemos em África, há que deixar correr o marfim… Mas indignou-me o noticiário das 14h na SIC-N. Federica Mogherini visitou Portugal, foi recebida por Rui Machete, a estação televisiva avançou para o Palácio das Necessidades, aturei quase 5 minutos do discurso do ministro e quando me preparava para ouvir a voz da senhora, qual Varoufakis qual quê, esta senhora deve ser o político europeu mais interessante nos dias que correm, que me perdoem os amigos aqui do blog, as senhoras até compreendo, mas de facto queria ouvir a voz da responsável europeia da política externa. Ainda por cima italiana. Depois admiram-se que os cidadãos estejam cada vez mais afastados das instituições europeias. A culpa é da comunicação social. Quando um político tem algo a dizer, um cidadão interessado como eu se predispõe a ouvir, o máximo que oferecem é um canastrão, sem que consiga recordar uma palavra ou sequer o assunto da conferência. Salvou-se a foto, ou pelo menos metade. Neste caso, prefiro a esquerda à direita…

Congresso do PS em 1975

Mário Henriques

Mário Soares: Nós queremos lutar contra a burguesia.

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O ultimato alemão

Conferência de imprensa de Yanis Varoufakis depois da reunião do Eurogrupo (16/02/2015). Em vez de se ler recortes criteriosamente seleccionados pela comunicação social, é de ouvir as declarações integrais do próprio (em inglês), bem como a sessão de perguntas e respostas.

Ouvir por exemplo que o governo grego estava pronto para assinar um documento de extensão do programa a troco de algumas condições, tais como não haver mais cortes das pensões mais baixas e não haver aumento do IVA durante esse prolongamento.  Mas esse documento foi retirado minutos antes da reunião do Eurogrupo começar, tendo sido trocado por uma versão anterior, da passada quarta-feira, no qual os gregos estavam a ser pressionados para assinar não uma extensão mas sim um novo programa, onde era pedido “alguma flexibilidade” nos cortes, sem explicitar.

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SSchäuble, ordem para matar

E o terceiro anjo tocou a sua trombeta, e caiu do céu uma grande estrela ardendo como uma tocha, e caiu sobre a terça parte dos rios, e sobre as fontes das águas.
E o nome da estrela era Absinto, e a terça parte das águas tornou-se em absinto, e muitos homens morreram das águas, porque se tornaram amargas.

Apocalipse 8:10-11

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E à terceira semana cessou o fogo de artifício (do cachecol à ausência de gravata, passando pela mentira dos arbustos), e a extrema-direita apontou a artilharia pesada. Paulo Rangel explica tudo hoje no Público, com uma franqueza exemplar: “O caso mais glosado, mas que não é sequer o mais iminente, é o do contágio dos extremismos de esquerda“.

Traduzindo: há que dar uma lição à esquerda grega, antes que pela Europa fora, a começar no estado espanhol, a esquerda comece, ó horror, a ganhar eleições. A ser irresponsável, como já afirma um monte de excrementos chamado SSchäuble, decidido a brincar à blitzkrieg sem força aérea.

Assim se demonstram vários factos, para os quais muito distraídos andamos: quem governa a Europa não é a direita, mas uma extrema-direita, ordo ou neoliberal, que quando sente ameaçado o edifício totalitário que subtilmente construiu e se chama federalismo, não hesita em mandar às urtigas o direito dos povos ao voto livre, que já não o era numa sociedade onde a informação é controlada pelo poder económico, mas fica assim bem claro como nunca o foi. [Read more…]

Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa de 1990?

Ou seja, “para no próximo sinal amarelo” e “em risco para o clássico”? Ah! “pára no próximo sinal amarelo” e “em risco para o clássico“. OK. Siga.

Os sítios e os nomes

Finalmente, após um longo – e, certamente, sábio – silêncio no que diz respeito a propostas concretas, António Costa irrompe, firme, com uma das ditas. Dar o nome de Humberto Delgado ao aeroporto da Portela. Compreendo o embaraço das outras bancadas. É difícil e mal compreendido fazer oposição a este tipo de proposta. E, note-se, não duvido da boa vontade dos proponentes nem da sinceridade da sua consideração pelo homenageando. Mas reparem: quando se fazem estes exercícios de toponímia, que consistem em substituir um nome ou referência tradicional e popularmente consagrados por novas designações – independentemente dos méritos dos homenageados -, raramente o novo nome se sobrepõe ao antigo na fala popular, o que reverte em prejuízo da intenção com que a alteração é feita. Portela, continuará a ser Portela, excepto nos comunicados oficiais e, eventualmente, nas notícias da Imprensa. E, aqui, surge a segunda objecção: é que raramente se ouve ou lê uma boa notícia quando se fala de aeroportos. “Avião aterra de emergência no aeroporto Humberto Delgado”, “aviões desviados, devido ao mau tempo no H.D.”, “avião retido com grave avaria no H.D.”, ” ameaça de atentado no H.D.”, “avião despenha-se após descolagem no H.D.”, “voos adiados e caos no H.D.” e por aí fora, estão a ver a ideia.
Abreviando: esta é mesmo a melhor forma de homenagear alguém?

Aguentas Ulrich?

Caixabank lança OPA ao BPI.

É demais

Depois de suportar as baboseiras dos governantes alemães e portugueses (ah! a harmonia entre os pequenos e os grandes filhos da puta, como diria o Alberto Pimenta), após ser massacrado pela cáfila do Eurogrupo, o governo grego foi – oh, inclemência! – vítima do apoio do Alberto João. Irra, que há dias de azar!

Não há tempo para jogos na Europa

Yanis Varoufakis

Yanis Varoufakis

ATENAS— Escrevo este artigo à margem de uma negociação crucial com os credores do meu país — uma negociação cujo resultado poderá marcar uma geração, e tornar-se mesmo um ponto de viragem quanto aos efeitos da experiência da Europa com a união monetária. [Read more…]

Era uma vez um primeiro-ministro desorientado

Manif Grécia

Foto@Expresso

Quando questionado pelo jornalista Rui Pedro Antunes (DN) no rescaldo da vitória do Syriza nas legislativas gregas, a eurodeputada do BE Marisa Matias referiu que “finalmente Portugal terá um primeiro-ministro que o defende no Conselho Europeu“. Concordo com esta premissa e só lamento que esse primeiro-ministro não seja o português. Esse já há muito demonstrou que as suas prioridades são a Alemanha, a corte e os boys do seu partido e a sua agenda ideológica além-Troika. E à medida que o cerco anti-austeridade se aperta e o vazio de ideias se avoluma, pouco mais restará a Passos Coelho do que esconder-se debaixo das saias de Angela Merkel, refém da sua própria inércia.

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O resultado é sempre o mesmo

O capitalismo pode ter inúmeros defeitos, mas sempre que um país muda rumo ao socialismo, inevitavelmente acaba falido. É uma questão de tempo…

O Egito, o Egipto e o Estado Islâmico

Exactamente: o Egito e o Egipto. Efectivamente.

o egito e o egipto

 

O infiltrado fascista

Petro Poroshenko

Fico sempre muito comovido quando assisto a declarações do milionário ucraniano que os EUA adquiriram para servir os seus interesses nos jogos de poder em curso fronteira russa, posteriormente convertido em presidente da república daquele triste país transformado em ringue de boxe por russos e ocidentais. Como se já não chegasse serem governados pela extrema-direita que, apesar de extremamente violenta e perigosa, não desperta a obsessão pelo uso dos termos “radical” e “extremista” por parte dos Josés Rodrigues dos Santos desta vida, os ucranianos têm também que aturar este mercenário alinhado com os neonazis no poder chamado Petro Poroshenko.

Depois do encontro em Minsk, e de Poroshenko ter imediatamente afirmado não acreditar que o cessar-fogo entre forças ucranianas e separatistas pró-russas fosse respeitado, a verdade é que, à excepção de pequenos incidentes que se verificaram durante o fim-de-semana, os beligerantes parecem estar empenhados em cumprir o acordo assinado na capital bielorrussa, o que poderá complicar os planos de imposição da tão pretendida lei marcial por parte dos fascistas ucranianos. A NATO vai ter que esperar.

Êxodo de treta

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O absurdo apelo de Benjamin Netanyahu para que todos os judeus do mundo fossem viver para Israel, não é só demencial; traduz a expectativa, muito em voga, que nos vê a todos como idiotas. Com esta patranha, o governante israelita quer fazer passar a ideia de que todos os judeus são sionistas e, portanto, solidários com todos os desmandos que por lá se fazem.

Para além dos imperativos da realidade física – eles não cabiam todos lá…-, talvez seja útil lembrar o governo Israelita que os judeus da Diáspora têm, há muitas gerações, as suas próprias pátrias, elas próprias muito mais reais que a ficção que era Israel enquanto país. E o facto dessas pátrias os terem tratado, em muitos momentos da História, com a violência que conhecemos, nada tem a ver com a existência ou inexistência de Israel, nada tem a ver com “este” Israel. Tem a ver com razões muito mais complexas, que aqui não se discutem, a não ser lembrando que as perseguições que os judeus sofreram em muitos países da Europa têm muito mais a ver a barbaridade e os interesses torpes dos perseguidores que com qualquer demérito ou culpa dos perseguidos. [Read more…]

Arrufos

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– Pedrito, apetece-me algo.
– Senhora, vossos desejos são ordens para mim.
– Traz-me um copo de água!
– Sim, vou já privatizar!
[via maquinistas.org]

 

Adoro políticos sensatos

Isenção de taxas ao Benfica “é politicamente incorrecta” mas “sensata”. Poderão fazer a sensatez de me dispensarem de pagar IRS?

Entretanto, no dia dos namorados…

be my valentine

– O meu mandato acaba daqui a uns meses.
– A sérrrio? Mas não têm a eleição prrresidencial primeirro?
– Nein, Liebling,  isso é um truque que temos para não se falar das legislativas.
– Ach so! Depois vemos se ficas com o Gasparr ou com o Constâncio.
– Ah!, como me inspiras. Tenho uma coisa para ti…
– Ja! Ja!, Sê um lindo Männchen e vai picarr os miolos do Tsiprrras com isso.

Luísa Dacosta (1927-2015)

LuisaDacosta

«Os malmequeres tinham os olhinhos abertos a furador e as pétalas de um cheio alto, minuciosamente, pespontado à volta. As rosas? De um coração de crivo, muito trabalhado, partia um recorte fino e sinuoso, preenchido a barras de cheio baixo que um ponto arrastado sublinhava. Nas folhas de pé cheio e bainhas assimétricas, o bordado era ainda mais requintado: uma trama axadrezada e ziguezagueante de pontos sobrepostos. Malmequeres e rosas formavam duas hastes entrelaçadas, como mãos que quisessem colher um rosto, e rodeavam um L — de Letícia? de Luz? de Luísa? A letra era almofadada e o crivo entalhava-se-lhe no corpo e na volta, que terminava em volutas, texturadas e nosinhos minúsculos. Uma bainha aberta, larga, geometrizada a bastidor, e quase musical, fazia-lhe uma moldura, nos cantos rematada por um florescer de pétalas, como que colhidas em frágil teia de aranha. [Read more…]

Oh patego, olh’o balão

Pronto, já temos mais um tema para entreter e esgazear papalvos. O governo está, segundo dizem os seus papagaios menores, a pensar convidar o Papa para as comemorações dos 100 anos daquilo de Fátima. Estando o assunto no domínio da pura possibilidade, as tv’s não se fazem rogadas e já rolam entrevistas sobre o que talvez seja. Ou não. Ou pelo contrário. Há milhares de anos, já o mestre Parménides nos advertia sobre a esterilidade da via do não-ser. Não adianta. Já que não há panem, que não faltem os circencis. Mesmo que rascas.

Na Grécia do Syriza

o fim está próximo. Tenham medo…

Eurosondagem:

Passos Coelho, o fantoche de Merkel. Será que dói quando ela mete a mão?

S. Valentim na tasca

Ontem foi dia da ponte aérea da bifana, missão cujo objectivo é assegurar que a bifana vai a Maomé, que neste caso – não disparem! – é o meu pai.

Era dia de S. Valentim e apanhei a taberneira a perguntar a um dos fregueses do costume:

– Então, compraste um ramo de flores para a tua mulher?

– Flores? Comprei-lhe foi um ramo de couves para o caldo verde!

Como ela não achou graça, e ela é uma mulher que retalia quando não acha graça, ele completou logo, já sem bazófia, todo sentimental, e quase num sussurro:

– E um anel dos chineses, pronto. Daqueles que têm uma pedrinha.

Como ela gostou da resposta, encheu-lhe o copo e sorrimos todos.

Sugestão para o Dia dos Namorados

Amor, flatulências e outros devaneios gratuitos e inúteis do Oh Simão.