Liberdade de imprensa

E já que falamos de liberdade de imprensa – e parece que a maioria de nós não tem dúvidas sobre quanto precisamos dela – aproveitemos para falar também dos despedimentos massivos de jornalistas – entre eles os mais experientes, os mais qualificados, os mais incómodos – , dos cronistas silenciados pela voz do dono, das agendas obedientes aos interesses financeiros, da situação precária de tantos profissionais.

Falemos de tudo isto agora, que o tempo já não é não muito, ou não fosse tudo isto também Charlie.

Cartoon: Junião

Da Madeira com amor

João Jardim prepara-se para entrar na corrida para Belém. Ambição? Nada disso. Jardim quer tão somente apresentar as suas ideias, ganhar nem lhe passa pela cabeça. (yeah right…)

Do Charlie Hebdo ao Syriza: o regime contra-ataca

Iohannes Maurus*

A propósito do atentado de ontem contra o Charlie Hebdo, partilho um artigo sobre as caricaturas de Maomé que publiquei em Viento Sur faz agora quase 9 anos. Tudo o que nele disse continua, para mim, perfeitamente válido. Haveria apenas que acrescentar um matiz importante.

Hoje, o que era um fantasma terrorista sob o qual queriam ocultar-se as resistências reais ganhou corpo. Do lado árabe-muçulmano, do lado dos colonizados, tanto nos seus próprios países de origem como no espaço colonial importado para as metrópoles, um pequeno sector assumiu como sua a imagem fantasmal do islamista-terrorista produzida pela propaganda neocolonial do Ocidente. Hoje existem realidades como o Estado Islâmico ou as diversas “franchises” da Al Qaida cuja delirante materialidade de ectoplasma não as impede de assassinar, com pretextos teológico-políticos, pessoas de todas as religiões, quer sejam yazides, cristãos do Oriente ou muçulmanas.

Pouco importa que este tipo de subjectividade política delirante e desligada de qualquer processo de libertação anticolonial tenha sido criado ou financiado directamente pela CIA ou outros serviços ocidentais, como aconteceu com a Al Qaida no seu tempo, ou que tenha aparecido espontaneamente, como, segundo Aristóteles, podiam aparecer criaturas infecta dos miasmas. O que importa é que essa imagem do “mouro mau” é a própria imagem do colonizado produzida pela dominação colonial, uma imagem que, assumida pelo colonizado, reproduz ao infinito e de modo nenhum anula essa dominação. O olhar colonial cria o bárbaro, o incivilizado, justificando assim sobre o nada moral e cultural deste último um presumível direito de tutela — mais ou menos paternal ou mais ou menos violenta — dos civilizados sobre os bárbaros. Os assassinos dos jornalistas de Charlie-Hebdo são os tristes agentes dum acto de propaganda colonial pela acção. [Read more…]

Era isto que os assassinos queriam:

Vários ataques a locais de culto muçulmano em França. Conseguiram, porque o filhodaputa não tem lado, é omnipresente.

 

Mistérios sortidos

…Continuo a encarar com alguma perplexidade a perfeição da natureza, porque há três mistérios humanos para os quais continuo a não conseguir descortinar a utilidade, a saber, as mamas do Homem, os testículos do Papa e as mensagens presidenciais de Cavaco Silva. Se alguém puder e quiser, que me ajude.” (Pedro Pezarat Correia).

Li isto e, apercebendo-me da inquietude do ilustre autor, que muito prezo, apresso-me a dar, correspondendo ao seu apelo, a minha modesta contribuição. Por pontos:
– Quanto às mamas do homem, deve sublinhar-se que a sua inutilidade é, ela própria, sinal de grandeza. A grandeza das coisas que só existem porque são esteticamente imprescindíveis. A importância da elegante simetria dos corpos. E, sobretudo, que diabo, já imaginaram o gozo a que as nossas queridas parceiras de espécie nos sujeitariam se nós, homens, nem uma – inútil, sim, mas existente e no seu lugar – imitação dos seus belos – e, ainda por cima, úteis – atributos peitorais? Em nome da paz entre os sexos, fiquemos por aqui, deixando uma bênção agradecida à criatividade da natureza, dos deuses, ou seja lá de quem for a autoria de tais maravilhas. [Read more…]

O mais certo é acabar em prescrição

Mas hoje teremos escumalha cavaquista em tribunal. É expectável que nenhum deles acabe no Estabelecimento Prisional de Évora.

Charlie contra a xenofobia

O Charlie era e será assim. Os charlistanistas, convertidos ontem à pressa aos valores da liberdade de expressão e à defesa eterna do Charlie Hebdo, refiro-me aos que cultivam o ódio contra o próximo pela cor, crença e género, foram e serão representados desta forma no Charlie.
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Da baixeza

Antonis Samaras, ainda primeiro-ministro grego, olhou para o massacre no “Charlie Hebdo” e viu um argumento para a sua campanha.

Duelo

Marcelo Rebelo de Sousa e Santana Lopes deram hoje, quanto às eleições presidenciais, o tiro de partida. Um no outro.

O comunicado

O infantil e apatetado comunicado do nosso Ministério dos Negócios Estrangeiros sobre o atentado contra o Charlie Hebdo, omisso nos valores em causa – nem sequer a palavra liberdade ali aparece – é deprimentemente sintomático da espécie de gentinha que nos governa. Mais uma vez, sinto-me envergonhado por procuração. Mais uma vez.

O fascismo da intolerância

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Maio de 2014

E eis que a Europa está a ser engolida pela extrema-direita…
O que é peculiar no fenómeno é que as análises que se fazem por aí só vão buscar a figura do nazismo para o justificar, quando, na verdade, o Hitler está morto e enterrado e é um outro facto que está a detonar tudo isto: a imigração islâmica.
Os muçulmanos quando chegam à Europa não estão interessados em participar no grande plano de Bruxelas. O que eles realmente fazem é tentar desenvolver comunidades autónomas em território europeu, com os seus micro-souks e pequeno comércio que não se mistura no resto da actividade económica europeia. As que vingam são as mais organizadas, habitualmente radicais e intolerantes, que se regem pela Sharia (a lei islâmica, que não respeita constituições).
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Georges Wolinski – Porto Cartoon

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Foi em 2007 que tirei esta foto a Georges Wolinski no IX Porto Cartoon (do qual Wolinski era Presidente do Júri). Recordo-o pela sua simpatia, bom humor e pela forma descontraída no meio da cerimónia institucional do Porto Cartoon.

Foi hoje assassinado em Paris quando estava a trabalhar no seu “Charlie Hebdo”. O Porto Cartoon sofreu uma perda irreparável. O Luís Humberto Marcos (o pai do Museu Nacional da Imprensa) perdeu um amigo. Um dia negro. Muito negro.

Sou Chalie Hebdo e também sou Ana Gomes, consequentemente

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A extrema-direita portuguesa não está minimamente preocupada com um atentado à liberdade de expressão, que vitimou hoje vários dos seus heróis. É uma guerra que não lhes assiste, a deles é económica e santa.

Assim a indignação virou-se contra esta afirmação de Ana Gomes, que num país ocupado por línguas bárbaras sou obrigado a traduzir:

#CharlieHebdo – Horror! Também o resultado de políticas anti-europeias de austeritarismo: desemprego, xenofobia, injustiça, extremismo, terrorismo.

(Na Lusa, citada pelo órgão central da extrema-direita neoliberal, parece que traduziram austerisme por políticas de anti-austeridade, o que já ultrapassa ligeiramente a simples ignorância da língua de Rimbaud).

Para o perfeito neoliberal tudo se explica pela moral, na velha lógica religiosa: há os bons, e os maus. Os maus são maus porque são maus, e neste caso porque são maometanos. Cavalgando na sua guerra santa, não podem compreender que os praticantes do mal, e concordamos embora por razões diferentes que desses se trata, existem não por inspiração demoníaca mas uma qualquer razão, lógica, causa. [Read more…]

Também somos Charlie

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Evitar confundir religião com bárbara escumalha…

Questões de fé, neste caso o Islão, nada têm a ver com a barbárie ocorrida hoje em França. Segundo a própria doutrina a prática religiosa deve ser livre e não contempla os actos de violência que algumas bestas teimam utilizar em prol do fanatismo, visando o condicionamento das sociedades, buscando o confronto de valores, graças à visão distorcida dos livros sagrados. O ódio ao muçulmano será a pior resposta que a civilização ocidental pode optar. Nesta matéria há que continuar afirmando e praticando os valores da Liberdade, sem atender a raça, convicções políticas ou religiosas e outras, nem descurar naturalmente a acção policial na prevenção, repressão e severa punição judicial dos vermes que praticam hediondos atentados terroristas.

Je suis Charlie

Je suis Charlie

A homenagem das redacções do grupo IPM (La Libre, LaLibre.be, DH, DH.be, DH Radio e Paris Match).

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Charb, um homem assassinado por cães cobardes

https://aventar.eu/2015/01/07/1224112/

Para começar, deus não existe

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E para continuar, essa que é a pior invenção de sempre da humanidade não pode continuar a ter fanáticos. A bem, mas de preferência a mal.

Sois merda, abaixo de cão 1000 vezes, e não temos medo. Mais vale morrer de pé do que viver de joelhos ou de cu para o ar. E ficai sabendo, ó canalhas, que Charb, Cabu, Tignous e Wolinsky é que foram hoje directamente para o paraíso da imortalidade.

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Sai um estágio para efeitos estatísticos para a mesa 3

Após a revelação o embuste, a taxa de desemprego voltou a crescer em Novembro. Que manobra irá Passos usar para mascarar os números desta vez?

Bruno Nogueira esmaga José António Saraiva

Chegamos a um ponto em que o próprio esfíncter se recusa a ter contacto com a crónicas do arquitecto. Nem o olho do rabo quer ver aquilo.”

Charlie Hebdo – a barbárie mora ao lado

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O que aconteceu hoje no jornal “Charlie Hebdo” só será surpresa para os distraídos.

O Primeiro-ministro francês já disse uma parte do que tinha de ser dito: “acto de barbárie excepcional”. Porém, falta o resto. Falta uma verdadeira discussão séria, em França e na Europa, sobre o problema do terrorismo (interno). Sim, terrorismo sem qualquer acrescento. Nos media e nas redes em França todos (ou quase) falam em terrorismo islâmico. Pode ter sido. Ou não. Nunca esqueço que em Madrid (Atocha) o governo de Aznar se apressou a colar à ETA os atentados…

O problema é grave. Por força do comportamento extremista alucinado de uma minoria no seio das centenas de milhar de muçulmanos que vivem e trabalham na Europa, os partidos radicais estão a ganhar votos e poder. A Frente Nacional está a um passo de vencer as eleições legislativas francesas. É fundamental que a comunidade muçulmana na Europa lidere a batalha contra o terrorismo. É a única forma de evitar a escalada vitoriosa do radicalismo oposto. É sintomático que hoje, em França (e na Alemanha, na Bélgica, na Holanda, etc.) sejam outras comunidades outrora olhadas de lado (africanos, asiáticos, etc.) a apoiarem os partidos que defendem medidas radicais contra as comunidades muçulmanas.

Uma coisa é certa, por este andar vamos todos ser derrotados pelos radicais de um e outro lado. E o dia seguinte será negro…

Duas inverdades repetidas sobre o Syriza

ActrizMeridaO Libération relembrava esta semana que a desinformação em torno do Syriza vem acompanhada de duas grandes mentiras em que se classifica o partido de ser euro-céptico e de ser anti-euro. Se dúvidas houver, basta ler o programa do Partido de Esquerda Europeia – o qual não integra o PCP que é apenas membro do GUE – que acompanhava a candidatura de Alexis Tsipras à Presidência da Comissão Europeia redigido para o IV Congresso do Partido de Esquerda Europeu intitulado “Unamo-nos por uma alternativa de esquerda na Europa” :

“a Esquerda Europeia considera que uma transformação profunda da Zona Euro, colocando-a ao serviço de uma visão da Europa baseada na solidariedade, é absolutamente essencial” (…) “a Esquerda Europeia não incentiva a saída do euro, acto este que, por si só, não irá conduzir automaticamente a políticas mais progressistas. Poderá até aumentar a competição entre os povos e criar uma explosão das dívidas soberanas através de uma prática de desvalorização concorrencial. Temos que transformar os instrumentos existentes em ferramentas de colaboração ao serviço dos povos.

PFEC

“Os gregos são livres de decidir o seu destino. Mas…” – diz Hollande com o tom melífluo dos tartufos. O problema é a adversativa “mas”, que se ouve e lê por todo o lado e que, mesmo assim, é a forma mais branda das pressões e chantagens, por vezes brutais, disparadas contra o povo grego. Que vão das manobras e golpes financeiros às ameaças políticas mais torpes, da invectiva grossa e frontal da “führer” Merkel à baboseira de eunuco político do nosso ministro dos negócios estrangeiros. E assim vai o PFEC – processo de fossilização em curso da democracia na Europa.

ATRACÃO FATAL

Claro, ATRACÕES. O cê não se pronuncia. Era o outro cê? Ah! «O Pego do Inferno continua a ser uma das principais atracões [sic] turísticas do concelho de Tavira».

As minhas reais preocupações sobre o fato

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© Alain Rossignol / Jorge Cunha (http://bit.ly/1Denk24)

That no good. Ugh.

Allen Ginsberg, America

***

Segundo Elisabete Jacinto, o “problema reside no fato de desconhecermos onde está esse limite“. Por seu turno, Ricardo Leal dos Santos considerou importante “o fato de tudo ter corrido sem qualquer tipo de percalço“. Efectivamente, já em Novembro de 2014, de acordo com a mesma fonte, o piloto Nico Hulkenberg revelara estar “muito contente pelo fato do calendário da Fórmula 1“. Há poucas horas, surgiu “o fato de na véspera“. Através deste pequeno périplo, isolámos um exemplo muito concreto de geração de estrangulamentos e de constrangimentos. Estrangulamentos e constrangimentos? Exactamente.

Igualmente respeitador daquele princípio extremamente conhecido (“Agora ‘facto’ é igual a fato (de roupa)”), Rui Caldeira, director do Observatório Oceânico da Madeiraescreve o seguinte:

Estes acontecimentos serviram também para despertar as minhas reais preocupações sobre o fato de que na condição de ilha no meio do Atlântico estarmos [sic] desprovidos de um sistema de monitorização permanente do oceano circundante.

Além das “preocupações sobre o fato”, poderíamos perguntar o porquê de ‘trajeto’, ‘boias’, ‘direção’ e até ‘efetuamos’, quando ‘Dezembro’, ‘afectam’ e ‘detectados‘ abriam boas (para não dizer óptimas) perspectivas.

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Admito que o «’orgulhosamente’ sós», escrito por Caldeira, isolando o orgulhosamente e deixando o sós à solta, me levou às aspas do Tarski. Não, não são do Tarski do Searle: são do Alfred.

Contudo, como o problema que hoje apreciamos “reside no fato“, terminemos com chave de ouro e debrucemo-nos sobre o assunto.

Morreu Filipa Vacondeus


Os da minha geração sabem quem foi, assim como sabem quem era o eng. Sousa Veloso do TV Rural; antes de cozinhar ser uma moda, já Filipa Vacondeus cozinhava para todos na televisão. É o que sei.

“Estou preparado para ser Presidente da República!”

declarou Pedro Santana Lopes. E assim ficamos a saber que o homem já fez 35 anos. Como o tempo passa…

They got a thing goin’on…

Com o aproximar das eleições legislativas, a coligação que suporta o governo do desonesto porém versado na arte de abrir portas Pedro Passos Coelho conheceu ontem um episódio invulgar: o PSD convidou o seu partido irmão para participar numa plataforma de diálogo e entendimento sobre questões centrais para o futuro do país. Refiro-me, claro, ao Partido Socialista. Já o parceiro de coligação foi pura e simplesmente ignorado. Os taxistas bem se queixam da crise…

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Nem Mário Nogueira

Conseguiria ser tão claro. Vejamos:

“O Decreto Regulamentar é contraditório (…) diz que a prova é complementar mas depois a prova tem um carácter decisivo”

“O Decreto Regulamentar é inconsistente”

“Esta prova não se integra em nenhum projeto global de qualificação, quer dos vários intervenientes do sistema educativo com impacto nas aprendizagens dos alunos, quer da competência docente”

“o Conselho Científico considera que esta prova carece de alguns requisitos que deve reunir uma avaliação credível – a validade e autenticidade”

“A PACC implementada em 2014 carece de validade e autenticidade”

“Este tipo de provas ignora aquilo que é essencial na acção docente”

“A adoção de uma prova de avaliação de conhecimentos e competências entre essas duas etapas (formação superior e período probatório) parece-nos pouco fundamentada, a menos que, conforme acima referido, a entidade empregadora o MEC duvide da qualidade ou do rigor das instituições de
ensino superior que tutela”

E, para terminar: [Read more…]

Exactamente: Eusébio

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«Benfica inside-left Eusebio da Silva Ferreira takes a flying kick to score the first goal of the match 18 minutes into the European Cup final against AC Milan at Wembley, 22nd May 1963. Milan won the match 2-1» (Foto via contra.gr)