Efectivamente, é um erro.
Orçamento de Estado para 2015: Crato glosa Bocage
Santana Castilho *
Todo o dinheiro que a austeridade da troika e deste governo retirou ao funcionamento da economia, à saúde, à educação e ao bolso dos portugueses, 28.000 milhões de euros, foi, quase na íntegra, para pagar o serviço da dívida, numa evidência gritante de que a austeridade nada resolveu do problema que queria resolver. Dados do Boletim Estatístico do Banco de Portugal mostram que, entre 2010 e 2014, a dívida conjunta, pública mais privada, cresceu 46,1 pontos percentuais por referência ao PIB, cifrando-se agora na assustadora expressão de 767.226 milhões de euros. A dependência de Portugal relativamente ao estrangeiro aumentou drasticamente pela mão da troika e de Passos, o mercador dos nossos anéis. Entre o que Portugal já vendeu ou vai vender a preços de saldo, recordo: Espírito Santo Saúde, HPP Saúde da CGD, Tranquilidade, Fidelidade, BPN, Banco Espírito Santo, agora Novo Banco, Cimpor, EDP, REN, ANA, CTT, TAP e PT. [Read more…]
Eis os arautos da moralização
São estes os que nos andaram a justificar o castigo fiscal e dos cortes com o pretexto moralizador de que vivíamos acima das nossas possibilidades. Estes mesmo que, sem moral, tiveram esses negócios da Tecnoforma e da venda ilegal de acções. Que, sem vergonha na cara, não se lembram das assinaturas que apuseram.
Fisco apanha Marques Mendes em venda ilegal de ações
O Fisco detectou vendas ilegais de acções da Isohidra feitas por Marques Mendes e Joaquim Coimbra, em 2010 e 2011, e que terão lesado o Estado em 773 mil euros. As acções foram vendidas por 51 mil euros, mas valiam 60 vezes mais: 3,09 milhões.
“Contactado pelo Jornal de Notícias, o antigo líder social-democrata diz não se recordar de ter rubricado quaisquer contratos de compra e venda que dariam luz verde a esta acção, mas segundo as Finanças a assinatura de Marques Mendes está presente nos papéis.”
A notícia é de Janeiro e o visado diz que nada fez. A assinatura dele aparece nos documentos por milagre. E aí continua ele com as suas postas de pescada, o porta-voz do governo no oficioso canal de televisão. Na SIC, recentemente, disse que o orçamento para o próximo ano “não é a catástrofe que se tem dito”. Esse tal orçamento que terá uma suposta devolução de impostos e, 2016 se em 2015 houver menos fuga ao fisco. Como dessas em que um sujeito vende acções 60 vezes abaixo do seu valor para pagar menos impostos.
Da série Crato é a escolha certa (4)
Beja: alunos ainda em casa
Transcrevemos uma mensagem de uma encarregada de educação:
No centro escolar Mário Beirão em Beja funcionam 3 salas de pré-primária. No entanto, existem cerca de 20 crianças em lista de espera. Existe também uma educadora de infância sem turma e uma técnica de acção educativa também sem grupo. Existe disponibilidade física para o funcionamento de outra sala. Segundo a direcção da escola, essa sala ainda não funciona porque falta uma assinatura do Secretário de Estado da Educação com a devida autorização.., isto desde que o ano lectivo começou…Ora, numa altura de contenção de custos não se admite termos gastos com duas pessoas e este número de crianças em lista de espera…Nem todos temos a possibilidade de pagar escolas privadas aos nossos filhos e a falta de uma assinatura faz esta situação arrastar-se por demasiado tempo…Sou mãe de uma dessas crianças… Que chora todos nos dias que quer ir para a escola e não pode…
Hoje é dia 21 de Outubro. O ano lectivo começou há mais de um mês, nem sempre de facto.
Quo vadis Portugal?
Tenho lido por aí que o crescimento económico praticamente nulo, ou descida do défice em 1% são insuficientes, mas representam uma pesada factura paga pelos trabalhadores. Em consequência defendem renegociação da dívida, revisão do pacto orçamental entre outras acções. Vamos por partes. É hoje consensual que apesar do discurso político que Passos Coelho e apoiantes apregoavam no início da legislatura, quando defendiam uma diminuição da despesa em detrimento do aumento da receita, falharam. Poderemos catalogar de incompetente o actual governo, serei sem margem para dúvida subscritor desta tese. Mas então se falhou o objectivo de diminuir a despesa, sou todo ouvidos às sugestões que possam vir dos opositores ao actual governo. Nomeadamente do PS que se perfila para ser alternância. Quanto a renegociar, significa exactamente o quê? Incumprir? Imaginemos por um instante que dizemos aos credores “não pagamos”. Alguém no seu perfeito juízo acredita que apesar do peso dos juros que Portugal suporta, passado algum tempo não estaríamos em situação idêntica? E quando voltássemos a bater à porta dos mercados, quais seriam as condições e taxas a que obteríamos o financiamento? Seguramente bem piores, pois como diz o povo, “gato escaldado…” e perdida a confiança dos credores, a receita seria mais gravosa que a actual. [Read more…]
Lixo – II
Apesar da tentativa do regulador proteger o mamarracho proibindo o short selling, as acções da PT valem hoje um Euro… A OI parece não viver melhores dias… Há no entanto quem defenda a nacionalização, uma factura que sairia bem cara ao contribuinte.
Contributos para os futuros acórdãos do Supremo Tribunal Administrativo
Tendo em conta a recente decisão do Supremo Tribunal Administrativo (STA), é fácil adivinhar o espírito dos futuros acórdãos desta prestigiada instituição.
Antes de mais, e sempre que estiver em causa algum cidadão com mais de cinquenta anos, os juízes usarão como referência o provérbio “Quem já andou não tem para andar”. Bastará substituir o verbo “andar” por outro qualquer que se possa relacionar com o caso que estiver a se julgado.
Para além disso, os juízes do STA continuarão a encarar perdas ou amputações com o mesmo espírito de abertura que usaram para considerar que não é grave estar impedido de ter relações sexuais a partir dos cinquenta anos. Continuamos sem ter a certeza se há vida para além da morte, mas, graças aos juízes, ficamos a saber que não há vida sexual para lá dos cinquenta. [Read more…]
Parabéns Nuno Crato
Foi um golpe de mestre: lançar o caos nas colocações de professores contratados para obter a aprovação pública do golpe que faltava: a selecção directa pelos directores/presidentes de câmara e nalguns casos certamente será ouvido o senhor prior.
Pelos vistos era uma ambição antiga: os ex-ministros aplaudem de pé.
Vai ser um sossego, fazes greve não te renovo o contrato, refilas, aspas, colocas em causa seja o que for, aspas, aspas. Em termos eleitorais, ganham os caciques um seguro de voto, basta a promessa de trazerem de regresso à terrinha os filhos da mesma que, vejam lá, andam pelo país fora porque se esqueceram de estudar na faculdade e são mais novos que tantos outros.
Claro que esta aplicação da estratégia do choque nunca será comprovada. Só por milagre se provará que os caos foi propositado. Nuno Crato, um ministro bem escolhido. Maria de Lurdes Rodrigues (que foi bem mais discreta ao soltar a avaliação de professores para ninguém reparar no assassinato da gestão democrática) e José Sócrates roem-se de inveja. A privatização é já a seguir.
Sobre greve, apenas isto…
Não sou dos que defendem o fim do direito à greve. Bem pelo contrário, considero a greve uma legítima forma de luta. Que apenas deveria ser utilizada em último recurso, perante situações excepcionais. Não é exactamente o que acontece em Portugal, onde a greve se tornou uma banalização, utilizada vezes sem conta, principalmente pela CGTP e sindicatos seus filiados para usar a rua muitas vezes para motivos políticos, em vez de procurar resolver problemas laborais. É pena que o faça, perdem credibilidade, sendo essa a razão para perderem sistematicamente o apoio do cidadão comum, também ele trabalhador e frequentemente o mais afectado com a greve. Nos transportes públicos deficitários é por demais evidente que não são as empresas as principais lesadas, mas os utentes. Mas para os sindicatos isso pouco importa, querem é gente na rua, promovendo a sua manifestação ou concentração que depois receberá o tempo de antena no jornal televisivo em horário nobre. [Read more…]
Volta, 24 de Abril
As evidentes vantagens das empresas públicas de transportes ou Miguel Noronha a suspirar pelo fim do direito à greve.
Da série Crato é a escolha certa (3)
Da série Crato é a escolha certa (2)
Da série Crato é a escolha certa
AO90: vogais fechadas para balanço
Há três anos, um aluno, ao ler um texto do manual, pronunciou a – por assim dizer – palavra “atores” fechando o A inicial.
Este ano, durante uma aula de oitavo ano, uma excelente aluna está a ler um texto em voz alta. No manual, é assaltada por um “suscetível”. A aluna (excelente, repita-se) lê o E da segunda sílaba do mesmo modo que leria os de “apetite”. Numa idade em que não se consegue evitar reacções a erros alheios, a turma, com excepção de uma aluna, manteve-se impávida: para a maioria, não houve erro de leitura. Ninguém me contou estas histórias, acrescente-se. [Read more…]
“”Greve? Eu não, sou dos que trabalha”
Diogo Barros
Ao ler tantos e tantos comentários negativos relativamente a quem faz greve, compreendo que trabalhar com um mínimo de direitos e condições em Portugal é, não só uma realidade que cada vez menos pessoas têm acesso, como uma verdadeira prova de valentia e coragem psicológica. Estas pessoas, além do serviço diário que naturalmente já fazem, são alvo quase que diariamente de uma lavagem cerebral atroz de que aquilo que têm são ‘regalias’ e que ‘há quem esteja disposto a trabalhar ainda por menos’. Eu não consigo imaginar a culpa e a pressão que muitas dessas pessoas devem sentir e acho isso abominável. Uma sociedade de lobos ávidos de sangue.
Ao defender o direito à greve de tanta gente trabalhadora que fala mal da mesma, sinto-me completamente num filme. Num filme cheio de pessoas, infelizmente, miseráveis a defender com unhas e dentes o direito à sua própria miserabilidade. É triste.
Os meus parabéns a todos os trabalhadores com direitos por aí fora. Que não se sintam mal nesta sociedade que cada vez mais lhes aponta o dedo e que façam, mesmo, o oposto: lutem por manter o que têm e, mesmo, por ganharem mais! E obrigado por existirem e serem realmente, o motor do país.
A arte da cratomância
“Acertei quando escolhi Crato para ministro da Educação” – Passos Coelho
A preparar o insucesso dos alunos
Para além de uma actualidade desastrosa na Educação, graças ao experimentalismo do ministro, vale a pena olhar brevemente para o futuro.
De uma maneira geral, vários ministros da Educação e alguns cúmplices mais ou menos assumidos têm declarado que o sucesso dos alunos depende exclusivamente – ou sobretudo – da escola ou, mais especificamente, do professor.
Esta afirmação pode parecer um elogio, mas, na realidade, é uma desresponsabilização e uma mentira.
Começando pela mentira, sabe-se, empírica e cientificamente, que o meio socioeconómico em que uma criança é criada tem, na maior parte dos casos, uma influência enorme ou decisiva no seu sucesso escolar. Já escrevi sobre isso, no âmbito de uma polémica em que alguns aventadores participaram. Descobri hoje mais dois textos sobre o assunto: Poor Kids Are Starving for Words e Starting School at a Disadvantage: The School Readiness of Poor Children. [Read more…]
O adensar da catástrofe Espírito Santo
(imagem: Expresso)
A confirmar-se que Governo, Presidência da República e Banco de Portugal teriam já conhecimento da situação do BES em Agosto de 2013, a situação em si adquire contornos de uma gravidade sem precedentes. Significa que houve negligência por parte do presidente da República que nos garantiu, por mais que uma vez, que as acções do BES eram seguras, significa que o Governo omitiu a gravidade da situação aos portugueses impedindo que medidas adicionais fossem tomadas e significa também que cai a falsa imagem de inocência e candura de Carlos Costa, o imaculado presidente do Banco de Portugal que agora se assemelha, mais do que nunca, ao seu antecessor Constâncio. O BCE poderá bem vir a ser a sua próxima casa.
Isto foi um assalto
1,045 mil milhões de euros em benefícios fiscais às SGPS. Os pobres que paguem a crise.
Fiscocídio sádico
Na sua habitual estratégia de sadismo comunicacional, vários membros do governo foram alternando palpites sobre se a carga (canga?) fiscal que pende sobre os portugueses ia subir, baixar ou manter-se.
1º andamento: baixa a carga fiscal. 2º andamento: talvez suba a carga fiscal. 3º andamento: a carga fiscal mantém-se.
– Sai o OGE e o que nos dizem? Que a carga fiscal se mantém.
– O que vemos nós? Que vamos pagar mais impostos.
– Conclusão: eles disseram “a carga fiscal mantém-se; não disseram manter-se-à”.
Q.E.D.
Lixo
Costuma acontecer quando governos interferem na economia. Tenho dúvidas que este papel volte a ter algum valor…
Eleitoralismo do OE15 explicado por Luís Pedro Nunes
“E o único eleitoralismo que me parece que este orçamento tem é dizer que não é eleitoralista sendo que por isso é eleitoralista.”











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