Franceses pedem repetição do jogo

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I fell

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O trocadilho do momento. Encontrado por aí.

Portugal, campeão da Europa

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Parabéns aos jogadores, que foram capazes de aguentar uma França forte e a jogar sujo com faltas muito feias.

Uma chapada de luva branca para o chauvinismo francês e alemão, patente nas declarações que antecederam o jogo.

Que vergonha, França

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Estamos a 60 minutos de jogo e a França está a jogar muito melhor do que Portugal.

O que é completamente irrelevante.

A quantidade de faltas duras, nem sempre assinaladas, como no caso da agressão ao Ronaldo, é uma vergonha para a equipa da casa.

Batoteiros, suportados por um árbitro com visão selectiva.

Alemanha, perdão, CE, aplica sanções à França

E vai ser por um défice de 2.

O jogo de hoje

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Vai começar o jogo França-Alemanha. Nestas alturas, parece que temos de tomar partido. Eu, que naquilo que mais importa nunca hesitei no imperativo da escolha, recuso-me a fazê-lo agora. É mais divertido, concordo, se escolhermos um lado. Mas não consigo. É que, apesar de tudo – tudo, tudo, tudo…- não me move qualquer fobia em relação a qualquer dos contendores. Ouço os Hinos e sinto o habitual afecto por “La Marsellaise” e a admiração pela magnifica peça musical que é “Deutschland, Deutschland über alles” – ou não houvesse aqui a mão de Haydn. Por muito que abominemos os poderosos que nos envenenam a vida e nos tentam devorar a liberdade, o meu alvo não vai além deles. Nunca sofri de qualquer francofobia ou germanofobia. Como poderia, se tal seria negar muito do que sou, muito do que somos? Para lá das circunstâncias do tempo, o que melhor fica dos povos é a sua cultura, a sua herança emancipadora. E ambos os povos nos deixaram tesouros inestimáveis. Pena que nestes tempos de integração forçada se vá perdendo a fraternidade criadora.

Como lidam eles com a França?

Em 26 de Abril Yanis Varoufakis e Noam Chomsky tiveram uma interessante conversa na biblioteca pública de Nova York. A certa altura Noam Chomsky perguntou a Varoufakis, “E como lidam eles como a França?”, sendo que “eles” se refere, neste contexto, à Alemanha e à Troika. A resposta é surpreendente para quem está habituado a observar a “Europa” pelos filtros da comunicação social.

Pode assistir à conversa completa aqui.

Emigração: a estratégia versus a declaração

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Desmontar a propaganda nunca é fácil. Por reduzir a realidade a mensagens simplistas, torna-se necessário recuperar a totalidade dos factos para se descobrir a careca. [Read more…]

Juncker e o charme do défice francês

1929 Innocents of Paris (Maurice Chevalier) 01Numa entrevista ao canal televisivo do Senado Francês, Jean-Claude Juncker declarou que a França não deverá ser sujeita a sanções, apesar de ter um défice superior a 3%, porque “é a França”. No texto da Reuters, utiliza-se, de modo quase não-jornalístico, o advérbio “candidly” (‘candidamente’) a propósito destas declarações.

Provavelmente, Juncker olha para o défice português do mesmo modo que José Cid olha para os transmontanos: o défice tuga é feio, desdentado, deixou crescer a unha do mindinho e coça o rabo. O défice francês tem a voz e o charme de Maurice Chevalier, cheira a perfumes caros e não entra em restaurantes sem duas estrelas Michelin. É claro que isto é apenas uma questão de aparências, porque, na realidade, ambos estão acima dos 3%. [Read more…]

Não há almoço sem vinho

Nunca fui um adepto das politicas de François Hollande mas admirei a firmeza do presidente francês relativamente ao almoço com a delegação iraniana que estava de visita a França. Porém o incidente diplomático não impediu que Hollande e Rouhani se encontrassem substituindo o almoço por um lanche. A coisa assim até ficou mais económica

J’Accuse, agora e sempre

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Foi a 13 de Janeiro de 1898 que Émile Zola publicou o seu “J’accuse” no jornal Parisiense Aurore. Uma carta aberta ao Presidente da República Félix Faure onde era denunciada a injustiça do julgamento e prisão de Alfred Dreyfus, oficial francês e judeu, acusado de traição (e efectivamente condenado por isso). Excepcionalmente, numa época em que o anti-semitismo estava absolutamente disseminado pelas sociedades europeias,  Zola teve a humanidade suficiente para perceber a imoralidade – e o perigo – do preconceito, denunciando o anti-semitismo do governo e dos oficiais que trataram do caso.

A seguir à publicação da carta, Zola foi condenado a pena de prisão. Fugiu para Inglaterra onde continuou a lutar por Dreyfus que tinha sido enviado para o exílio numa ilha na Guiana Francesa. Mais tarde, em 1899, Dreyfus regressou a França e ofereceram-lhe um perdão – por um crime que não tinha cometido. Em 1906, foi oficialmente exonerado tendo-lhe sido atribuído a Legião de Honra.

Zola morreu em 1908 e Dreyfus estava presente aquando a transferência das suas cinzas para o Panteão nacional.

Versão Portuguesa da carta.

 

Edith Piaf – A Voz de França

Hoje Edith Piaf, a ” Voz de França ” completaria 100 anos.

Isto conta como terrorismo?

Era tudo mentira. Professor admite que inventou ataque de apoiante do Daesh” [DN]

Morte aos portugueses

Morte

Com a pátria da liberdade refém do medo, a extrema-direita soma e segue e alguns grunhos fascistas, cobardes e violentos como só eles sabem ser, vandalizaram uma associação portuguesa na localidade de Brie-Comte-Robert e a mensagem não podia ser mais clara. Parece – quem diria – que os gajos não vão muito à bola com os mais de 1 milhão de portugueses a residir em solo francês, apesar dos palermas com aspecto sinistro que vão reforçando as suas fileiras. A xenofobia e a fragmentação da União Europeia seguem dentro de momentos.

Ne me quitte pas

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Foi ao som de “Ne me quitte pas” de Jacques Brel que Bono Vox, ajoelhado,  fez a homenagem dos U2 a Paris e encerrou a iNNOCENCE Tour.

Ver Bono ajoelhado fez-me pensar na política francesa e europeia. Está quase a fazer um ano que regressei a Paris e voltei a ver/sentir o que já tinha visto e sentido poucos anos antes. Desconforto.

Desconforto de muitos franceses, portugueses, africanos ou asiáticos que se sentiam (e sentem) “abandonados” por um conjunto de políticas internas descuidadas que os atiram para os braços da Frente Nacional, uma espécie de “lado negro” da política francesa. E as últimas eleições em França (tanto as europeias como agora as regionais) são disso testemunha.

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A fragmentação da União Europeia segue dentro de momentos

Le Pen

Xenofobia, eurocepticismo, populismo, anti-emigração e pró-pena de morte. Parabéns União Europeia! Depois de anos de ditadura dos mercados, austeridade fanática, corrupção generalizada, apoio e participação em guerras e invasões ilegítimas que nada têm que ver connosco e muito medo à mistura, eis o teu primeiro conseguimento: uma França de extrema-direita. Se achavas o Tsipras radical, prepara-te para o que aí vem. Pode ser que aprendas, tal como os peões da direita ressabiada portuguesa, o verdadeiro sentido da palavra.

Extrema direita vence em França

(FILE) A file picture dated 12 February 2012 of Marine Le Pen, leader of French far-right political party National Front (FN) arrive on stage to deliver a speech during a meeting at the Palais des Congres, in Strasbourg, France.ANSA/YOAN VALAT
A Frente Nacional, partido de extrema-direita, liderado por Marine Le Pen, obteve 30,6% dos votos, vencendo as eleições regionais francesas, à frente do partido de direita de Nicolas Sarkozy. Os Republicanos ficaram pelos 27% e o Partido Socialista do Presidente, François Hollande, recolheu apenas 22,7% dos votos.

Esta votação confirma o que as eleições anteriores francesas já indiciavam, mas que ninguém queria admitir que pudesse tornar-se uma realidade.

A Frente Nacional passou a ser o primeiro partido em França apesar de ainda ter uma curta representação  no parlamento francês.

Este resultado representa inequivocamente um tempo de mudança que deve merecer uma reflexão profunda em França mas também a nível europeu.

Guerra e paz? Educação! Mas, sem deixar de fazer a GUERRA

O silêncio das teclas tem monopolizado o meu teclado. Por mais que tente, não consigo encontrar coerência na reflexões sobre a problemática do terrorismo. Hoje, ao fazer um minuto de silêncio com os miúdos, dei por mim a desejar que eles possam ter direito a um futuro de liberdade e em segurança.

Procurei pensar no que poderia ser feito para resolver o problema. Pensei nas armas que Espanha e outras Espanhas vendem à Arábia Saudita, que depois as fornece ao DAESH.

Pensei nas vantagens estratégicas que Israel tira da instabilidade no médio oriente, algo que lhe permite manter a lógica da guerra permanente.

Pensei no petróleo necessário ao modo de vida ocidental que, dividido entre grupos de árabes, será sempre mais “controlado” do que num contexto de união de todos os povos árabes.

E até me lembrei das bestas quadradas que, nos Açores, avançaram para o ataque ao Iraque.

Mas, por agora penso que há duas coisas muito mais urgentes:

  • atacar o DAESH em FORÇA e com todas as bombas que cada um de nós conseguir suportar;
  • desenhar um projeto de propaganda à escala europeia que permita levar aos jovens árabes uma mensagem diferente, algo que lhes apresente um sentido para a vida, que consideram perdida. Mais escola?

E, mesmo correndo o risco deste post não ter servido para nada, pelo menos servirá para a manifestação de apoio aos Anonymous.

Será que o Bataclan foi escolhido por acaso?


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Será que o DAESH escolheu, por mero acaso, a sala de espectáculos francesa do Bataclan para perpetrar um dos mais bárbaros ataques terroristas da história?

Se tivermos em linha de conta que o A=1, B=2, C=3, e por ai fora, B+A+T+A+C+L+A+N corresponde a 2+1+20+1+3+12+1+14 que corresponde a 54 que, por sua vez, corresponde à idade com que morreu Osama Bin Laden.

Esta será a fórmula ( B+A+T+A+C+L+A+N = 2+1+20+1+3+12+1+14 = 54 ) que pode ter estado subjacente à escolha do local do atentado pelo DAESH para ” homenagear ” o antigo líder da Al-Qaeda.

Nota: Este post foi apagado por lapso. Verificado o erro foi republicado a partir da cache não tendo sido possível recuperar os comentários contudo estes poderão ser consultados aqui.

Uma imagem que diz tudo: o terrorismo tem que ser uma luta sem tréguas.

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O terrorismo não vencerá.

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Não é só na Hungria que há fascismo

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[Calais Migrant Solidarity]

Em Calais, ontem de manhã, cerca de 300 sírios foram expulsos da cidade pela polícia. Como tentassem resistir, foram agredidos com matracas e gás pimenta e obrigados a seguir caminho para The jungle – um campo de refugiados situado num pântano baldio e infecto da periferia de Calais. A polícia francesa tem ordens para manter os refugiados afastados dos itinerários turísticos.

O Marcel das minhas vindimas

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(c) Gérard Landau (INA)

Aquele velhote chamado Marcel que tinha ido ajudar o sobrinho (Francis) e a mulher dele (Madeleine!) na vindima. Esse velhote pândego e brejeiro a tratar-me por Marguerite, “Marguerite des Champs”, para dizer a flor que eu era e que ele teria colhido se fosse ainda então rapaz novo. Esse velhote do Languedoc a falar na língua cantada e antiga daquele lugar da Occitânia onde me fixei brevemente para ser Marguerite – Marguerite des Champs de nome completo, “Des Champs-Élysées”, quando Marcel evocava Paris para dizer o que nos separava para além da diferença de idades.

Marcel como Proust mas sem livros, mas sem a consciência aguda da literatura, mas sem precisar de ser salvo pela leitura, mas sem poder reparar na eternidade de grande mistério do que se passa entre a voz que lê e a existência do corpo que a transporta, mas sem perturbações poéticas ao atravessar a paisagem da vinha – a vinha só vinha, o mistral só vento, apesar de todos os que enlouquecia. [Read more…]

Sarkozy não quer refugiados em França

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O antigo PR dos franceses e potencial candidato à sucessão de Hollande acusa a Alemanha de estimular a vinda de refugiados para a Europa. E diz que há entre Merkel e Hollande un complot em favor das quotas de acolhimento na UE. Sarkozy quer centros de retenção junto às linhas de fronteira. Viktor Orban II. (Eurojournalist)

Paris é o destino final da troika

«O Grexit é usado para gerar o medo necessário para forçar Paris, Roma e Madrid a aceitar. O plano de Schaüble é pôr a troika em todo o lado, mas sobretudo em… Paris! Paris é o grande prémio.» Yanis Varoufakis [Fonte: Libération]

Grécia: o “golpe de Estado” que não será televisionado

Porque é financeiro, conta com o apoio do presidente da Comissão Europeia, do ministro das Finanças da Alemanha, das agências de notação financeira, dos governos (entre os quais o português), da Oposição interna ao Syriza, e dos jornalistas (com destaque para a imprensa alemã e francesa) comprometidos com o sistema. Mais, aqui (em francês).

França Central

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O socialismo liberal de Hollande

uma amostra daquilo que nos espera com António Costa.

Uma nota final sobre o Charlie Hebdo

Após ler este texto e este conjunto de textos comecei a pensar que todos têm as suas pertinências, uns mais do que outros. Mas parece-me também trágico que Charlie Hebdo, um jornal que nunca pretendeu ser o símbolo da República francesa (lembro-me de Luz a dizer nesta entrevista “I didn’t go to the spontaneous rally on January 7th. People sang the national anthem. We’re talking about Charb, Tignous, Cabus, Honoré, Wolinski: they would’ve scorned this kind of attitude.” E que “I’m going to think about my dead friends, knowing they didn’t fall for France!” ) que não pretendia influenciar ou coagir, que não pretendia fazer dinheiro ou ser popular, que era, sobretudo, um jornal anti poder e anti-sistema se tenha tornado num argumento para esgrimir em discussões sobre a laicidade, ou o universalismo do republicanismo francês, a forma como lidam com o colonialismo, os limites da laicidade, da liberdade de expressão, ou pior ainda uma discussão sobre a sociedade de valores francesa. Não é que estas discussões não sejam válidas, não é que não se devam ter. Custa-me é ver este jornal que tem tão poucas pretensões, que nunca pretendeu ser um símbolo, ser dado como exemplo máximo de todas estas coisas (ou o exemplo contrário a todas estas coisas, dependendo do autor), como um ponto de partida essencial para todas estas discussões. Charlie Hebdo era só um jornal satírico que nem sequer tinha grande público (esteve praticamente à beira da bancarrota nos últimos anos). Custa-me ver no fundo, o jornal a ser instrumentalizado desta forma não só por políticos mas por intelectuais e activistas que de certeza que têm até as melhores intenções.

É difícil de ver isto porque não há ninguém para falar em nome do jornal, porque as pessoas que podiam falar sobre o jornal em si estão mortas. Parece-me óptimo que se debata estes pontos de vista, que se ponha em causa visões de sociedade mas acho um absurdo caírem no erro de atirar o jornal para todas estas discussões como se Charlie Hebdo fosse de repente um símbolo da França, como se estivesse para o regime como está Charles de Gaulle ou a Marselhesa.

Ao menos tenham a decência de ouvir um dos sobreviventes: ” Today, it seems that Charlie fell for the freedom of speech. The simple fact is that our friends died. The friends we loved and whose talent we admired so very much.”

Charlie Hebdo – a barbárie mora ao lado

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O que aconteceu hoje no jornal “Charlie Hebdo” só será surpresa para os distraídos.

O Primeiro-ministro francês já disse uma parte do que tinha de ser dito: “acto de barbárie excepcional”. Porém, falta o resto. Falta uma verdadeira discussão séria, em França e na Europa, sobre o problema do terrorismo (interno). Sim, terrorismo sem qualquer acrescento. Nos media e nas redes em França todos (ou quase) falam em terrorismo islâmico. Pode ter sido. Ou não. Nunca esqueço que em Madrid (Atocha) o governo de Aznar se apressou a colar à ETA os atentados…

O problema é grave. Por força do comportamento extremista alucinado de uma minoria no seio das centenas de milhar de muçulmanos que vivem e trabalham na Europa, os partidos radicais estão a ganhar votos e poder. A Frente Nacional está a um passo de vencer as eleições legislativas francesas. É fundamental que a comunidade muçulmana na Europa lidere a batalha contra o terrorismo. É a única forma de evitar a escalada vitoriosa do radicalismo oposto. É sintomático que hoje, em França (e na Alemanha, na Bélgica, na Holanda, etc.) sejam outras comunidades outrora olhadas de lado (africanos, asiáticos, etc.) a apoiarem os partidos que defendem medidas radicais contra as comunidades muçulmanas.

Uma coisa é certa, por este andar vamos todos ser derrotados pelos radicais de um e outro lado. E o dia seguinte será negro…