Faltam 435 dias para o fim do Mundo

Eu já tinha ouvido falar de uma que queimou o soutien nos idos de setenta. Ao longo destes anos já me habituei a ver queimar a bandeira dos Estados Unidos e de Israel com o devido esmero, nas inúmeras manifestações nos diferentes países do eixo do mal (e não, não estou a falar do programa da Sic Notícias). Agora, ver um enfermeiro a queimar a sua bata numa manif é uma estreia. Só não sei se ria ou se chore. É que o ridículo mata… Nos tempos da outra senhora que se divertia, qual pirómana, a queimar soutiens, o Povo gritava nas ruas: “Os ricos que paguem a crise”. Como diz essa grande referência intelectual portuguesa: “acho bem!”.

Agora, algo completamente diferente mas que me permite manter o rumo neste post, uma vez que se pode enquadrar entre a senhora pirómana e a referência intelectual e, sobretudo, tirar do sério os aventadores professores, mais que muitos, que por aqui circulam:

Se o aluno chumba o ano, a culpa é do professor; se o aluno desiste de estudar, a culpa também é do professor; e se o aluno falta às aulas, a culpa é outra vez do professor. O sucesso escolar de uma criança está sempre nas mãos do professor. Nem as origens socioeconómicas nem o contexto familiar servem de justificação – a culpa é sempre da escola, que não soube encontrar as estratégias certas para ensinar os seus alunos.
Esta é a convicção de Paul Pastorek.

Pois é, com toda a cagança, segundo o i, o Braga continua a liderar. É com cagança e com toda a pujança. Não nego, está um título do caraças! Realmente o Braga continua com “ela toda”….olha, olha, o meu Word diz que “caraças” é “locução própria do nível de língua informal, pondere o emprego de uma expressão alternativa”! Olha-me este Word todo ele cheio de cagança, deve ser de Braga! Sem pujança ficou o Carvalhal. Ele há dias assim. Já o meu Porto, com a devida cagança própria dos maiores do Mundo (e somos, carago!) foi buscar Kléber, o Gladiador. Vai ser um massacre!!! Ele fez falta no túnel, tinha sido uma mortandade, tipo a que aconteceu junto de Paredes da Beira, no seu conhecido Vale dos Mil, onde os cristãos mataram mais de mil mouros numa só noite…

Assim se caminha rumo ao fim do Mundo. Bom fim-de-semana.

"Sinto vergonha de mim"

O que se diz por aí

A detenção de dois presumíveis membros da ETA em Portugal, levanta sérias preocupações de segurança, tanto mais em plena presidência espanhola da UE. Há que garantir a máxima colaboração e partilha de informação entre forças de segurança portuguesas e espanholas. A ver vamos ver o que diz o Ministro Rui Pereira.
Mas para os espíritos não aquecerem muito, eis que temos neve no Porto e um pouco por todo o país, com o clássico encerramento dos acessos à Serra da Estrela. A neve já terá chegado a Portalegre e Évora. Vai ser já grande motivo de reportagens com carros a patinar e autoridades a apelar à calma, para mostramos aos norte-americanos, canadianos e afins que também temos cá disto. Julgam que isto é só sol e praia, não?
E isto do frio não é só por cá, o que pode ser bom negócio: que o diga o capote alentejano, cada vez mais apreciado na Europa.
E por falar em frio, Mourinho esteve ao rubro ao ver o seu Inter a conseguir ganhar ao último classificado, o Siena, apenas nos últimos minutos do jogo. A continuar assim, um dia prescinde do seu sobretudo.
Já no Reino Unido, um estudo revela que a faixa etária dos 16 aos 25 representa uma “Geração perdida” por falta de opções de trabalho e de carreira. Por cá a realidade não será muito diferente: reformas cada vez mais tarde, ensino desarticulado das necessidades do mercado de trabalho, ensino de mérito e qualidade duvidosos, e endividamentos familiares tantas vezes sem sentido, não são bons auspícios para o caso português. Ainda para mais quando se sabe agora que até as contas bancárias da Justiça em Portugal são duvidosas. Com exemplos destes estamos à espera de quê?
Por fim, uma boa notícia, vinda da Ministra Dulce Pássaro, que prometeu resolver a questão das suiniculturas durante esta legislatura. É uma boa notícia, se se concretizar a intenção, obviamente, pois que as suiniculturas continuam a ser uns dos mais graves focus de poluição do país. É caso para dizer que é mais que tempo de se resolver esta porcaria.

É curioso como…

… num país tão pequeno, os professores e os juízes são colocados, e os médicos são incentivados.

Um desejo para 2010

Num país em que a população está num crescente processo de envelhecimento, pondo em perigo a continuação da própria nação; onde a dívida pública é galopante; onde o desconcerto das instituições, sejam públicas ou privadas, face às demandas da cidadania se enraíza cada vez mais, desrespeitando-se princípios básicos de legalidade com a maior das facilidades; e onde a República capitula às adversidades e usa a comunicação social para mascarar essa realidade, a preocupação que ronda o casamento homossexual, principalmente em sede de adopção, parece-me, uma vez mais, mais um exercício autismo lusitano.

Confesso que, a mim, a adopção de crianças por casais homossexuais faz-me enorme confusão, tal como o próprio casamento homossexual, enquadrando a questão na óptica do secular instituto do casamento e da génese deste. Mas faz-me ainda mais confusão que o actual processo de adopção seja tão estúpido, anacrónico e obstrutivo a quem quer dar uma vida melhor a crianças que se vão amontoando em instituições, sem afectos ou referências. É desumano tanto para as crianças que perduram nas instituições, como para quem quer tomar conta delas e ampliar as suas famílias.

Pior ainda, é que nada se tem feito de verdadeiramente válido para apoiar as famílias. Para apoiar o aumento da natalidade.

Somos, antes, uma país que fez do baixo custo da mão-de-obra uma bandeira de competitividade, sem nunca perceber que haveria um custo social terrível a pagar. E a factura aqui está: não há dinheiro para ter filhos, não há dinheiro para ter casa, não há dinheiro para ter carro. Excepto se for emprestado. E aqui temos um povo mal pago e endividado, a quem é dito que para vencer os desafios do futuro é preciso ser mais produtivo, apostar na qualidade e ser inovador.

Este não é um artigo a favor ou contra o casamento homossexual.

É um artigo contra a incapacidade da República em resolver os seus problemas e desviar as atenções daquilo que é essencial à sobrevivência futura da nação.

É um artigo a favor de que os assuntos com verdadeiro interesse para o futuro do país, passem a estar na ordem da agenda política e do debate nacional.

Quando se falou do aborto, falou-se de concepção, de liberdade, mas muito pouco se falou de família excepto para justificar a manutenção de uma dada estatuição penal, como se fosse esta a base programática de construção e de apoio à família.

Quando se fala de casamento entre homossexuais, agita-se o tema da adopção, mas não se aborda nem rumos civilizacionais nem a vergonha que é o actual sistema de adopção que protelam a entrega de crianças, à sombra sabe-se lá de que interesses institucionais.

É urgente debater a família, estabelecer prioridades sociais e de rendimento, passando por políticas de educação, de saúde, laborais e fiscais. É urgente cuidar do essencial, e deixar o acessório. Ou o problema não será que país vamos deixar aos vindouros, mas antes a que vindouros vamos deixar isto?

Desejo que em 2010, haja vontade de falar do futuro do país além do TGV, das escutas, de homossexualidade ou de aeroportos.

Desejo, mas não espero.

Entretanto: Feliz 2010!

AS VICISSITUDES DE SERMOS PAIS

Para os meus filhos Camila e Felix, que passam ao estatuto de pais, em breve dias ou horas… e eu, avô do quarto descendente da família, com essa ansiedade da espera…

Faz dois dias, neste mesmo sítio, falei de amor e paixão. Definia o amor como um sentimento duradouro e a paixão, uma emoção que dura o que deve durar. As definições estão no texto e ao texto remeto-me.

Apenas que não referi que a paixão é curta, enquanto que o amor é duradouro. Especialmente se esse olhar nos olhos reflecte uma atracção que pode ser duradoura. Duradoura, tempo que transcorre entre a primeira vez que duas pessoas se encontram, e o derradeiro dia em que tudo acaba, seja divórcio, separação ou a morte de um membro do casal. Na minha lembrança, encontra-se viva a ideia da emotividade que o amor entrega. Amor que pode passar a ser uma paternidade/maternidade de um pequeno ser que nasce da fusão dos corpos que, com delicadeza e com carícias gentis, se procuram, onde cada beijo é uma rosa vermelha que não lacera, mas enternece…, essa ternura que um casal capaz de criar, sabe entregar… [Read more…]

FMI – a falta de liderança em Portugal

O relatório do FMI para além de arrasar a visão ídilica do governo, e de propor uma série de medidas que pouco ou nada têm a ver com a política do governo, termina com uma recomendação "letal". Portugal precisa de liderança!

 

O que devemos entender aqui por liderança? Que Sócrates não é um líder ?

 

Na minha opinião Sócrates não é um líder, é um guerrilheiro, isso sim, mas líder nem pouco mais ou menos. Mas no que ao FMI diz respeito, julgo que o que está subentendido é não haver uma "ideia" para o país.

 

Portugal, após o grande desígnio nacional de se juntar à UE, quer ser o quê enquanto país?

O país injusto e pobre que é, após os muitos milhões que vieram da UE ? Viver do turismo, dos campos de golf, das autoestradas e das pontes?

 

Qual é a política para o mar, sendo nós o país que maior área  tem de água salgada sob sua supervisão? Retomamos as pescas, desenvolvemos a piscicultura, melhoramos os estaleiros, colocamos o país no mapa mundial no que aos portos diz respeito ?

 

Na agricultura, somos capazes de desenvolver "fileiras" no azeite, no vinho, na fruticultura, na floricultura, encontrar novas aplicações para a cortiça ?

 

Nas energias renováveis, em vez de uma empresa pública andar a investir milhões nos USA, somos capazes de aproveitar as milhares de horas de Sol que mais ninguem tem na UE, as magníficas condições de vento em off-shore e territoriais, apoiar engenheiros e cientistas que se dedicam com mérito ao desenvolvimento de novas aplicações?

 

Apoiar os investigadores na área da saúde e de novas tecnologias, juntar-lhe  empresas capazes de colocar no mercado os novos conceitos e transformá-los em negócios exportáveis? Ou vamos continuar a deixar morrer grandes descobertas, como aconteceu com a dos novos transistores feitos a partir da celulose, e que uma empresa Brasileira está a desenvolver industrialmente por ninguem se ter interessado, neste país de betão?

 

Construir autoestradas, pontes, e aeroportos é uma ter uma "ideia" para o país? Andar de braço dado com a Banca, as grandes empresas públicas e os grandes grupos económicos, que são "absorsores" de  riqueza, é ter uma "ideia" para o país?

 

O FMI diz que não!

Tão simples quanto isto… uma ideia para Portugal

No (i) diz o Prof. Eduardo Anselmo de Castro, da Universidade de Aveiro:

 

"Confundimos inovação com cópia automática do que surge do estrangeiro como último grito da moda. Porque não ser inovadores olhando as actividades tradicionais de forma original?

Podemos fazê-lo com uma actividade em particular; tratar bem dos idosos, nossos e de outros países. A procura é garantida e a expansão tambem. Em vez de carpirmos a crise da segurança social, críariamos valor acrescentado com as reformas dos europeus."

 

E não aumentavamos a dívida, e criavamos postos de trabalho, e investiamos na construção civil, e exportavamos serviços com a vinda de estrangeiros, que comiam o nosso peixe, a nossa fruta e a nossa carne, e vinho e cerveja, e têxteis e sapatos, procuravam os nossos serviços médicos, tudo pago pelas altas pensões dos nossos vizinhos europeus.

 

É que sol, uma temperatura amena e um povo prazenteiro tem procura ; o TGV é que não!

Ser Pai. Saber amar incondicionalmente

 

Estou consciente de ter escrito um texto, cujo título era Sermos Pais, a profissão mais antiga e desprestigiada da História? Um texto com citações, debates, definições, comparações, enfim, um texto de erudito que, sem saber como, vai citando, de forma natural, enquanto escreve. Mas, ser pai também é acordar de noite porque um descendente está a asfixiar e a necessitar de ajuda imediata. É a dor da incerteza, é a dor do amor incondicional que não tem descanso, é a doçura convertida em desespero, é a luta com escudo e elmo para manter o mais pequeno. Enquanto travamos esta batalha (verdadeiro milagre da vida) não pensamos, não sentimos, apenas nos concentramos na luta que acaba por permitir a continuação da vida desse ser pequeno a quem tanto amamos. Roxo, brônquios fechados por uma teia fabricada por um indecente vírus que apareceu sem se saber de onde. Ou, sabemos, mas não queremos recordar. Existem bactérias e vírus que nos rodeiam sem nos apercebermos. Não somos capazes de ver ou entender que existem, tão intensa é a nossa alegria ao levarmos o nosso pequeno a passear, a alegria de o poder mostrar aos outros membros da família, aos nossos amigos, exibimo-nos com o pequeno ser que, no dizer de Wilfred Bion em 1961? Cogitations e em 1962? Learning from experience, nasce já no nosso pensamento. Tanto desejamos ser pai, que antes de o conceber, o imaginamos, brincamos, beijamos, andamos às cavalitas, vamos juntando berlindes, temos piões classificados para o dia que…somos capazes de o ver tal e qual se pensou dever ser ou virá a ser. Podíamos partilhar esse prazer com a mãe, mas prazer de pai é prazer solitário, calado, imaginário, ternamente, como se esse homem fosse a mulher que traz a criança no seu ventre. Prazer que dinamiza esse não esperado acordar nocturno em que vimos que o fruto do nosso imaginário, está quase a partir, a deixar-nos. Sem pensar mais, aplicamos essa resiliência de Cyrulnik ou inaudita capacidade de construção humana. Sem saber como, nem de que maneira, o reconstrói e o faz ficar vivo e a saltitar. Alguma frase salta de repente da nossa cabeça: ter filhos é um prazer, mas criá-los, pode ser um martírio e a nossa atitude muda do imaginário de berlindes, à vigilância permanente enquanto o pequeno se faz adulto, e entende o desenvolvimento da vida e, assim, acabamos por viver em paz: sabemos que aprendeu, do nosso próprio exemplo, das nossas noites acordadas e dos nossos dias de observação silenciosa, que a criança percebe nos seus sentimentos inconscientes, esses que ficam gravados na História do indivíduo.

Amor de pai, um Cid Campeador, que nem chora nem tem raiva: vê, ouve, vigia, toma conta, ama e ensina. Com a esperança que os mais novos aprendam o debate com os factos da vida, provem os perigos e afastem-se deles, aceitarem que as palavras ditas e o gesto autoritário, seja apenas um incentivo para continuarem a aprender e a interagir com outros seres humanos.

Este amor de pai, transferido para outros mais novos, em idade ou em saber, trabalha sem descanso a preparar novas ideias para transferir de forma adequada e conveniente, na base do debate, com amplidão de entendimentos, com coordenação com outros saberes, que permita a síntese de uma ideia já provada, com hipóteses de outros autores. É este o processo que dinamiza o saber comparativo, que ensina o amor de pai. Crianças maduras em idade mas fracas em dedicação ao cuidado de si próprias e no respeito a um pai que vela o ano inteiro com o objectivo de ensinar apenas um facto: saber precisa de leituras, de paciência, de confronto consigo próprio, de aceitar os erros pessoais, de saber perguntar, corrigir e melhorar o que tem sido indicado como ausente no debate, aprender as regras para não se afogar, para não ficar roxo por falta de ar, mas sim empenhado em aceitar a experiência de quem mais percebe, pela dedicação imensa ao longo do tempo, transmitida com respeito e a altura adequada à capacidade de entendimento.

Ser pai é ser professor. Ser professor, é a vida sem descanso para avançar nas experiências de transmitir saber e pedagogia ou processo estruturado de retirar ideias do pensamento de outros e ganhar as forças e o oxigénio suficientes e necessários que levam a uma aceitação de si próprio e a uma clara, limpa, serena e tranquila disposição na relação com os que comigo aprendem. Se um pai tem confiança em mim e se permite entender o meu texto, olhar a minha cara no espelho, esse pai pensa de mim o que o seu imaginário já experimentado, criou. Mãos estendidas que ajudam a não sufocar, por falta de saber ou por falta de técnicas que são retiradas do ser mais experiente, no qual acredito porque permite melhorar o amor à vida. Comigo e com os meus colegas de carteira ou de vida. Aos que oiço e ajudo, tanto quanto aprendi ao saber ser independente por aceitar as técnicas da respiração que o meu pai cota, teve a paciência e o amor de me transferir. Ser pai, é o trabalho mais benevolente do mundo. Construído para as novas gerações serem adultas no saber e na idade, ao aceitarem a História e a sua lógica. Nem sempre favorável ao indivíduo, mas aprendida ao longo do tempo, mata os vírus que retiram a capacidade de respirar o ar sadio do saber amar os outros e de me respeitar a mim mesmo.

Gripe A: À dose

Afinal a vacina é só para tomar uma dose, ao contrário do que se dizia e fazia há um mês atrás, em que eram precisas duas doses.

 

Isto não ajuda nada, a credibilidade e a confiança andam muito por baixo, e as pessoas vão começar a pensar que isto de cientifico nada tem, agora é só uma dose porque não há vacinas para todos.

 

Entretanto a febre tambem é à dose, de manhã em casa as crianças não têm febre, na escola passam a ter e no centro de saúde já não têm. Isto reforça a desconfiança.

 

Trezentos alunos no Distrito de Aveiro foram mandadas para casa, após as escolas constatarem que as crianças estavam febris, o que nuito preocupou os pais, que de imediato foram aos centros de saúde que verificaram não haver o quadro febril o que muito zangou os pais.

 

Se as crianças não fossem mandadas para casa, teríamos por aí acusações de desleixo, assim como as escolas jogaram pelo seguro, aqui del-rei que que as escolas querem é fechar as portas e ir de férias.

 

O pânico está a tomar conta das pessoas e não é à dose o que é a pior notícia.

 

Quem paga a escola pública?

Uma das diferenças que se quer estabelecer, não inocentemente, é que as escolas privadas são pagas pelos pais, remetendo, implicitamente, para o limbo das coisas não terrenas o pagamento das escolas públicas.

 

É como se as escolas públicas funcionassem sem ter patrão, sem ter quem as pague. Daí decorrem vários vícios de pensamento que são tidos como certezas não analizáveis, certezas absolutas. É assim, pronto!

 

Decorre que todos podem chegar ao topo, porque não há que dar satisfações a ninguem. Ao Ministério nem vê-lo, paga e cala. Á sociedade em geral, não se reconhece direito nenhum nem pelo facto de pagarem impostos.Aos pais, nem vê-los nada têm a ver com a escola, eduquem os filhos em casa e deixem-nos em paz.

 

Ouvem os trinados do Mário "alucinado", outro que não paga, nem faz esforço nenhum que lhe dê algum merecimento sobre o que se passa na escola pública. Reinvindica mandar, ter muito poder, todas as benesses para quem lhe paga o vencimento de sindicalista, não vá deixarem de pagar as quotas e ele ter que arranjar emprego onde tenha que labutar.

 

Numa palavra, na escola pública só há direitos, não há dever nenhum, é que ninguem paga nada, são todos a quererem mundos e fundos porque tudo vem de um saco muito fundo, que o homem da floresta trás às costas.

 

No privado, nada disso, os pais pagam a bem pagar. Completamente diferente!

Como Se Fora Um Conto – Uma Língua Falada… Uma Nação com… Um País Subdesenvolvido

UMA LÍNGUA FALADA POR DUZENTOS MILHÕES DE PESSOAS.

UMA NAÇÃO COM QUINZE MILHÕES DE GENTE AMBICIOSA E TRABALHADORA.

UM PAÍS SUBDESENVOLVIDO

Estão na moda os jogos de computadores. Há-os de todos os géneros.

Em alguns, é até possível construir uma vila, uma cidade, um país ou uma vida, virtuais e paralelos aos existentes.

Assim, comecei a imaginar, sem jogo nem computador, o meu país de sonho, com as minhas cidades de sonho, e que vida aí poderia ter.

Comecei devagar, delineando a situação geográfica e climática. Poderia ficar situado no hemisfério norte e com um clima temperado. Isto do clima é importante porque ninguém gosta de extremos e eu muito menos. Temperaturas nem altas de mais, nem baixas de mais, nem muita chuva nem chuva a menos. Temperaturas negativas só mesmo nas terras mais altas, que eu queria que tivesse, onde a neve caísse e eu pudesse brincar com ela. Temperaturas altas também, mas sem passar os trinta e poucos no pico do verão para poder ir a banhos, à praia ou à piscina. Para isso seria preciso, ter montanha, uma serra pelo menos, ou duas, razoavelmente altas para ter neve, e outras mais baixas para fazer montanhismo que é coisa que gosto muito, e mar, muito mar com praias de areia. Não queria ter a temperatura da água do mar muito baixa, mínimo de quinze ou dezasseis graus, nem muito alta, aí até aos vinte e dois, que tomar banho em sopa não gosto muito. Já agora colocava de onde a onde, rios, riachos, ribeiros, lagoas, albufeiras, rias, e mais que fosse com água, nas mais diversas situações de terreno, desde planícies até gargantas fundas entre montanhas. Colocava serras e montes das mais variadas configurações, com vertentes viradas para todos os pontos cardeais, grandes planícies e planaltos diversos. Fazia com que o meu país, fosse diminuindo de altitude até acabar à altura do mar, com alguns pontos altos, promontórios, com o mar a bater lá em baixo para que a costa fosse menos monótona e ganhasse encanto. Não queria um país muito grande, aí uma coisa com cerca de cem mil metros quadrados e com menos de dois mil quilómetros de costa marítima. Aproveitava também para colocar umas quantas ilhas, de diversos tamanhos e características, onde as pessoas pudessem viver de forma diferente umas das outras, e até melhor, se assim o entendessem.

Acabado de construir a parte física do meu país, colocava-lhe gente afável, acolhedora, algo ambiciosa, com um bom ambiente social, com um nível de segurança elevado, não esqueçamos que seja onde for a criminalidade aparece, por todo o lado gente inteligente, trabalhadora e competente. Para aí uns quinze milhões de pessoas, sendo que um terço delas trabalharia e viveria fora do país, para que de uma maneira ou de outra, ajudassem os que aqui ficam, com dinheiro, conhecimentos externos, novas vivências etc.. Para completar, fazia-os falar uma língua que mais uns duzentos milhões de pessoas também falassem no mundo inteiro, para que pudessem estar bem acompanhados nas relações internacionais.

Como o país tem um clima maravilhoso de contrastes temperados, a agricultura seria pujante. Seríamos auto-suficientes na carne, nos legumes, no vinho, na água, no leite, no azeite, e em todos os outros arigos necessários à sobrevivência. Com uma costa tão grande seria impensável que não tivéssemos uma frota pesqueira à altura, pelo que também de peixe e seus derivados, estaríamos bem servidos.

A nossa economia seria florescente, pois que com esta capacidade produtiva o comércio e a industria estariam em alta, com uma estrutura productiva de primeira água. As exportações para outros países seriam uma constante. Como temos uma costa marítima tão grande, a nossa frota mercantil seria uma das maiores, sendo os nossos portos centros nevrálgicos de saída e entrada de mercadorias de e para todo o mundo. Por via disso, os transportes e comunicações ferroviários e terrestres, seriam rápidos, seguros, modernos e eficazes.

Já agora que estou nesta construção virtual, dava ao meu país uma história cultural com muitos séculos, e um património em conformidade com esse tempo todo.

As cidades, as vilas e as aldeias, seriam bonitas, arejadas, com um nível de qualidade de vida superior, e governadas por pessoas dedicadas à coisa pública. A vontade de bem servir seria apanágio de todos os dirigentes e governantes. A seriedade nas relações, a educação esmerada, e as poucas diferenças sociais, fariam com que a corrupção não existisse. O governo geral, trabalharia para o bem do país, no seu todo, e não para só para o bem de alguns.

As pessoas viveriam felizes …

Aqui parei. Afinal estava a falar do meu País, já construído, já feito, já existente.

A grande diferença para o que eu construí, estava só nas pessoas que dirigem e governam, o resto era tudo igual.

As pessoas do meu País real, são da mesma forma trabalhadeiras, acolhedoras, inteligentes, ambiciosas e pacíficas. Mas as pessoas que nos governam e nos dirigem, e mandam, são incultas, incapazes e com características autistas, asfixiam a economia, destruíram a agricultura salvando-se por pouco a vitivinicultura, acabaram com as pescas o que é uma vergonha para um País que com a costa que tem deveria estar virado para o mar, não têm objectivos estratégicos, deixaram que a estrutura productiva ficasse velha e caduca, permitiram que o turismo, continuasse sazonal e fraco apesar das enormes potencialidades do nosso território. As pessoas que nos governam e nos dirigem tentam transformar-nos em cidadãos quase medíocres, e nós vamos deixando.

Poderíamos ser um dos países mais ricos do mundo, aproveitar a força trabalhadora dos quinze milhões da nossa nação, e a classe dirigente transformou-nos em subsídio dependentes e nos coitadinhos da Europa. Somos um País sub-desenvolvido, onde os interesses, a corrupção e o compadrio fazem parte do dia-a-dia. Os nossos emigrantes, um terço da nação, quase esqueceram o seu país de origem, e são altamente produtivos e bem considerados nos seus países de acolhimento, e as segundas gerações quase não sabem quem nós somos. O País abandonou-os.

Podíamos ser um dos países mais ricos e evoluídos do mundo, como no meu sonho virtual, mas não somos, e a culpa é só nossa, que nos deixamos levar e governar assim.