Rússia – Os amanhãs que cantam

A Rússia é uma espécie de elefante na sala que muitos fazem de conta que não está ali mesmo, no centro da sala. Para muitos não é a Rússia, é Putin. Como ontem não era a Alemanha, era Hitler. O problema é que Bucha como tantas outras aldeias, vilas ou cidades da Ucrânia demonstram que Putin não está sozinho na insanidade.

Se foi Putin a dar a ordem para a invasão da Ucrânia foram, estão a ser, os seus soldados, os seus militares a transformar a tomada de territórios num horror inqualificável. Matar cidadãos indefesos, com as mãos amarradas atrás das costas é a insanidade potenciada ao extremo. Ouvir o testemunho de médicos a explicar que estão a receber crianças de Mariupol com lacerações vagino-anais é mais do que revoltante, é a demonstração plena de que não existe um Putin, existe uma parte de um povo que está disposto a cometer todas atrocidades possíveis e imaginárias em nome de uma tal de “Mãe Rússia” a quem nem de rameira podemos aplicar porque estas são incapazes de tais atrocidades.

A Rússia está a sublinhar o que dela já muitos sabiam. A brutalidade dos Czares foi substituída pela brutalidade do comunismo e agora os amanhãs cantam mais umas décadas de brutalidade com Putin. São séculos de insanidade. Considerar que não é característica de um povo mas apenas e só dos seus líderes é não querer ver o elefante que está na sala…

Habeck, o admirável ministro da economia alemão

As respostas de Robert Habeck, ministro da economia alemão, num talk show televisivo ocorrido há três dias, foram uma magistral lição de filosofia, economia, política, seriedade, coragem, autenticidade e visão.

Com uma paciência de Jó, com toda a simplicidade e nunca simplismo, Habeck, desprovido da arrogância, pretensiosismo e a habitual opacidade da esmagadora maioria de dirigentes políticos que ocupam os governos do mundo, abananou a sociedade alemã ao falar de forma brilhantemente diferenciada sobre as consequências da guerra na Ucrânia para o abastecimento de energia da Alemanha e as razões pelas quais continua a rejeitar um embargo energético contra a Rússia, enquanto tudo faz para libertar a Alemanha da dependência russa, assegurando também o abastecimento de electricidade à Ucrânia.

E aqui ficam algumas das clarividentes respostas de Habeck no programa de Markus Lanz, um conhecido moderador neoliberal da TV alemã, que acabou por engolir em seco as suas próprias picadelas sedentas de sensacionalismo, usando e abusando das fotos em que Habeck cumprimenta, inclinado, o emir do Qatar:

“A Alemanha sempre se apresentou como se nós fizéssemos tudo melhor, soubéssemos tudo melhor; e depois aprovámos Nordstream II no ano da anexação da Crimeia, e no ano seguinte transferimos parte da nossa infra-estrutura petrolífera para a Rosneft, a companhia petrolífera russa, no ano após a anexação da Crimeia! Os ucranianos agradecem-nos pelas armas, mas perguntam-nos, porque é que só as forneceram agora que o nosso povo já está a ser assassinado? Teria sido muito mais inteligente entregá-las antes, poderia até ter acontecido que nem sequer chegássemos a ser atacados; e nós só podemos dizer a nós próprios que estamos a fazer tudo bem, se partirmos de uma concepção política em que estamos sempre do lado moralmente correcto; mas não é esse o caso.” [Read more…]

A culpa é da Guerra

Parece que começou uma Guerra na Europa e, tal como sempre que acontece algo novo, várias hipocrisias foram colocadas a nu. De repente, o Ocidente descobriu que Putin é um autocrata e que quer fazer da Ucrânia seu território. Uma novidade da qual ninguém esperava. Enquanto o Ocidente das elites coloca-se contra a Rússia, esse perigoso país liderado pelo jovem Putin que apareceu há umas semanas, temos uma esquerda, que toldada pelo ódio aos EUA, não consegue condenar a Rússia por esta invasão. E aqui fica mais uma vez provado: a esquerda não é, nem nunca será, empática com pessoas, mas sim com as suas causas. São aqueles que lutam pela emancipação até de um pau de vassoura, mas que decidem quem é bom homossexual ou bom preto. É o mercado dos valores a funcionar. Estes são aqueles que querem a extinção de um partido, mas que protestam contra a extinção de partidos numa Guerra. No entanto, há que admirar a posição do PCP. O PCP foi igual a si mesmo e mantém a sua postura até ao fim. Manteve o seu fanatismo. Trata a Rússia sem liberdade como se um sistema capitalista tivesse. Para o PCP, quem tem mais de 5 euros no bolso já é capitalista.

Lá por esta visão sem ponta de humanismo, não quer dizer que os restantes sejam inocentes. Esta Guerra levou a que a maioria do espaço político não-socialista a usasse, seja com medidas inconsequentes para parecer bem ou em medidas que vão contra o próprio histórico do partido. Os EUA, depois de se espantarem com o facto de Putin ser autocrata, foram negociar com as democracias sólidas e liberais do Irão e da Venezuela. O que deve ter dado dificuldades, porque, no caso da Venezuela, reconheceram um presidente que não é o que se encontra em funções. A FIFA, essa instituição cheia de valores, também fez a sua parte. Expulsou a Rússia de um Mundial que será jogado no Qatar, país que respeita os direitos das minorias e, principalmente, dos trabalhadores. Em princípio, depois do Mundial, também se fará a marcha LGBT, nesse país tão democrático. [Read more…]

Rússia: A mentira e a perna curta

A Rússia tinha dito, nas reuniões bilaterais na Turquia, que como sinal de boa fé nas negociações de paz, iria diminuir drasticamente os ataques militares na Ucrânia. Menos de 24 horas depois, intensificou os bombardeamentos nos arredores de Kiev e noutras cidades. Está tudo dito sobre a vontade de paz por parte dos russos.

Putin não é de confiança mas mesmo assim ainda existe quem acredite….

Eu que não sou de intrigas…

Segundo notícias até agora divulgadas, parece que a reunião entre os representantes da Ucrânia e os representantes do invasor correu melhor que o costume. Alguma imprensa fala mesmo que os russos estão a retirar tropas das redondezas de Kiev. Vamos com calma. Tendo e conta a tradição russa, é melhor esperar umas horas e verificar o estado de saúde dos participantes na reunião de Istambul…

Ucrânia: últimos números sem mas nem meio mas…

Mais de 10 milhões de ucranianos foram deslocados. O equivalente à população de Portugal.

Mariupol foi arrasada. Cerca de 80% das suas infraestruturas estão danificadas ou destruídas. Uma das maiores da Ucrânia e considerada russófona pelo invasor. Imaginem se não fossem.

Em boa parte da Ucrânia estão a ser bombardeados hospitais, refúgios e lares de idosos.

Os EUA e a UE querem voltar à sua confortável corrupção, comprando petróleo e gás russos, aplicando sanções fracas, falando da boca para fora sobre a democracia, convidando Putin para Davos. Os ditadores sempre escalam e o Ocidente continua dobrando. Mas desta vez existe um problema: a Ucrânia se recusa a desistir – Garry Kasparov, antigo campeão do Mundo de Xadrez (Rússia).

A agressão violenta contra a Ucrânia não para, um massacre insensato onde a cada dia se repetem destruição e atrocidades. Não há justificativa para isso. Suplico a todos os atores da comunidade internacional, para que se empenhem realmente para pôr fim a esta guerra repugnante” – Papa Francisco (para citar alguém de quem a esquerda gosta).

This is not about Ukraine at all, but the world order. The current crisis is a fateful, epoch-making moment in modern history. It reflects the battle over what the world order will look like” – Sergei Lavrov, Russian Foreign Minister (para citar outro querido de certa esquerda e de certos militares filhos de putin que andam pelas televisões).

Wohlstandsverwahrlosung.

 

Bombardeamento do Teatro Drama em Mariupol

Cronologia:
1 – A Ucrânia afirmou que os russos bombardearam o “Teatro Drama” em Mariupol onde se encontravam cerca de 1.000 pessoas;

2 – Nós vimos várias imagens dos escombros desse mesmo teatro e dos esforços para resgatar pessoas de entre eles;

3 – Ucrânia acusa Rússia de mais um crime de guerra;

4 – Rússia nega ter bombardeado o Teatro Drama;

5 – Parlamento ucraniano vem informar que não houve vítimas desse bombardeamento.

Como é expectável em guerra, a desinformação e a contra-informação é o que nos é servido por ambas as partes litigantes com a conivência dos órgãos de comunicação social afectos a cada lado.
É triste, temos dificuldade em conhecer a verdade, se é que alguma vez a viremos a saber.
Sabemos, isso sim, que estão a morrer muitas pessoas a cada dia [Read more…]

Os novos “Yuri Petrovich Vlasov”

I love the Russian people. That is why I have to tell you the truth. Please watch and share. AQUI

Putin anuncia auto-purificação na Rússia

Putin, em discurso transmitido pela televisão, acusa os russos que são contra a invasão da Ucrânia de “traidores” e de serem uma “quinta coluna” que pretende a “destruição da Rússia”.
Anuncia, então, que será necessário uma “auto purificação” da sociedade para fortalecer o país.
Sabemos o que isto quer dizer num regime ditatorial como o que ele administra na Rússia: perseguição, detenção, prisão sem julgamento, envio para campos de concentração e morte, de quem se manifestar contra a invasão da Ucrânia.

Cite-se do “Nation World“:
«Russians “will always be able to distinguish true patriots from scum and traitors and will simply spit them out like a gnat that accidentally flew into their mouths,” he said. “I am convinced that such a natural and necessary self-purification of society will only strengthen our country.”»
É esta besta que [Read more…]

Negociações para o fim da guerra – ponto de situação actual

Segundo anuncia o Financial Times, citado pelo Business AM, as negociações encontram-se neste ponto:
“Se a Ucrânia aceitar um estatuto de neutralidade, renunciar a juntar-se à OTAN, comprometer-se a respeitar limites quanto às forças militares e armamento, assim como não aceitar receber armas nem a instalação de bases militares estrangeiras, a Rússia aceita o cessar-fogo e a retirada da Ucrânia.”

História is a bitch…..

Entre 1640 e 1668, entre Portugal e Espanha, tivemos a chamada “Guerra da Restauração”. Portugal lutava contra o ocupante, Espanha. Lutava pela restauração da sua independência enquanto nação. Para alguns, o melhor teria sido Afonso VI de Portugal ter desistido, acatar as exigências de Carlos II de Espanha. Foi uma guerra violenta. Por vezes, entre vizinhos que se conheciam. Outras vezes utilizando mercenários e não faltaram incidentes de crueldade singular. Os portugueses não aceitaram ser súbditos dos seus vizinhos castelhanos. E ao não aceitarem as exigências de Carlos II de Espanha, este teve ainda muitas vidas para ceifar…

Para alguns, hoje, nada teríamos para festejar a 1 de Dezembro. O Aventar seria mais um blogue em castelhano e, com sorte, a gasolina estava mais barata. O mais certo seria que em Portugal os chamados partidos independentistas fossem maioritários nas eleições regionais. Os seus líderes, com algum azar, estavam presos ali para os lados de Valladolid. Porque mantinham viva a vontade frustrada em 1640, porque, ainda hoje, tantos séculos depois, não perdoam a rendição de Afonso VI. Estes gajos independentistas não querem perceber que com a sua decisão, Afonso VI evitou mais um banho de sangue. Os castelhanos sempre o acusaram de ter estado ao serviço do imperialismo britânico, mas que teve a lucidez de na 25º hora ter recuado. Os independentistas relembram que os castelhanos assassinaram Afonso VI, pela calado, uma semana depois da assinatura do acordo (palavra simpática para rendição).

A ver se percebi, é isto que estão a pedir a Zelensky para fazer? É isto que consideram ser o melhor para os ucranianos? É fácil pedir para os outros se renderem. É fácil pedir aos outros para viverem sob o jugo de um ditador como Putin. A mim cheira-me a egoísmo. Mas isso sou eu que estou a soldo do imperialismo ocidental. Seja lá o que isso for. Se é viver num país onde posso livremente escrever estas merdas, livremente escolher os meus líderes, livremente escolher onde quero viver e trabalhar, livremente escolher o que quero ver nos meus tempos livres e livremente ser português, então estou a soldo desse tal imperialismo ocidental. Do russo, cubano, venezuelano ou norte coreano é que não, obrigado.

ALTERIUS NON SIT QUI SUUS ESSE POTEST

Zelensky recua na neutralidade da Ucrânia

Não osbtante parecer que se caminharia para um acordo, Zelensky recua relativamente à neutralidade futura da Ucrânia, recusando um estatuto idêntico ao da Suécia e da Áustria.

Ucrânia – negociações indiciam um avanço significativo

Ambas as partes, Rússia e Ucrânia, apontam para um avanço significativo conducente ao cessar-fogo e ao fim da invasão russa. Estaremos perto da retirada de Putin da Ucrânia? Julgo que teremos de esperar e, pior ainda, sem saber ao certo o que esperar.
O facto de Vladimir Medinsky, líder da delegação russa nestas negociações, admitir que consideraria positivo que a Ucrânia assumisse um estatuto de neutralidade idêntico ao da Suécia e da Áustria, membros da União Europeia, mas não da OTAN, indicia que, ou pode subentender-se, a Rússia admite uma Ucrânia independente e até como membro da União Europeia.

Putin sabe, penso, que não tem condições para ocupar a Ucrânia, nem sequer de suportar um governo fantoche contra os ucranianos que, neste momento e muito naturalmente, apenas [Read more…]

Também tu, Kim Jong-un???

Primeiro pensei que era coisa do Inimigo Público. Depois vi que era do Sapo:

O norte-coreano Kim Jong-un terá negado a ajuda de Vladimir Putin na invasão da Ucrânia, dizendo-lhe que a Rússia é “muito doida”. A alegação ocorre quando a invasão russa em solo ucraniano chegou à estagnação, com relatos de um furioso Putin a considerar recorrer ao ‘plano B’ – armas não convencionais.

Bloco de Esquerda e o rabo de fora…

O Bloco de Esquerda decidiu unir-se ao Podemos (Espanha) num movimento internacional criado por este com o objectivo de evitar o envio de armas à resistência ucraniana. A primeira surpresa: ver o Bloco de Esquerda a unir-se a um partido que em Espanha tem feito e dito, sobre a invasão russa da Ucrânia aquilo que o Bloco critica ao PCP. Um cheirinho a hipocrisia, não? Então, cá dentro critica o PC e lá fora une-se com os que dizem/defendem o mesmo que o PCP. Hummm, parece que estou a ver ali no canto um rabo de fora…

(estas linhas da notícia são uma delícia: El pasado lunes, Podemos celebró que los comunistas portugueses del Bloco de Esquerda se hayan sumado a la iniciativa. Esta entente sirve a Podemos para posicionarse en el tablero internacional y ganar espacio en la política interna)

A segunda surpresa: não enviar armas para os resistentes ucranianos cujo seu país está a ser invadido pela Rússia de Putin. Entendem que o esforço deve ser todo concentrado na busca pela paz. A paz é o que todos queremos, sejamos de esquerda, de direita ou candidatos a Miss Universo. Só que, para que a paz exista é preciso que todos a desejem. Putin quer a paz? Quer, mas só depois de ter conseguido matar todos os ucranianos que desejem ser ucranianos e não russos e depois de ter destruído toda a Ucrânia. Até o conseguir, não teremos paz. E os ucranianos, querem a paz? Querem. Querem o seu país livre de forças militares ocupantes e com isso, existirá paz. É assim tão difícil perceber a realidade? Depois de os russos terem invadido a Ucrânia a paz só é possível se eles regressarem a casa. A partir do momento que entraram e começaram a matar e destruir como raio se ontem a paz sem recuarem? A paz só não a quer quem vende armas ou quem for chalupa. Todos a queremos. O problema é como a obter.

Para uns, a paz só se consegue se as tropas russas regressarem a casa e aí as partes se sentarem a negociar a dita. Para outros, não chega. Será necessário Putin ser corrido ou morto. E depois temos os líricos que entendem que a paz se obtém com a rendição dos ucranianos (não sei se pensavam o mesmo em 1939 ou na ocupação de Timor). E depois temos os sonhadores, que acreditam em unicórnios e que com músicas e corações desenhados a coisa vai lá.

Por último, temos os hipócritas. Os hipócritas estão do lado de Putin mas sabem que afirmar isso prejudica a sua imagem e o seu negócio (os votos) e então defendem coisas que não lembrariam nem aos terraplanistas: somos pela paz e por isso o caminho é não fornecer armas aos ucranianos. Ou seja, traduzido, se os ucranianos não tiverem armas a paz é garantida. Pois é. Após serem assassinados e o seu país totalmente destruído, só fica uma das partes. E assim temos paz. A paz dos agressores e a morte dos oprimidos.

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Como chegamos à invasão da Ucrânia – opinião de John Mearsheimer

John Mearsheimer, reconhecido académico da Universidade de Chicago, é um dos principais representantes da “escola neorealista” em Relações Internacionais da actualidade, que se contrapõe à escola do “Liberalismo Internacional”, defensor da teoria “offensive realism” das grandes potências.
Apesar de eu ser de opinião de que o responsável pela invasão da Ucrânia é Putin, de achar que, de momento, o que mais me deve preocupar é o fim da guerra e a busca de um cessar-fogo imediato até que as negociações sejam concluídas, de modo a impedir um ainda maior massacre de civis, continuo a tentar ser livre para ler e ouvir opiniões fundamentadas, mesmo que possa estar em desacordo com elas, total ou parcialmente. É o caso deste vídeo, onde John Mearsheimer expõe as suas opiniões e respectivos fundamentos históricos e geo-políticos à luz da política das grandes potências.
O conhecimento não faz mal! O que faz mal é o uso que lhe podemos dar.

E em Portugal, nada???

China pressionada por Biden – Invasão da Ucrânia

Há uns dias atrás, após o logro da 3ª ronda de negociações entre Ucrânia e Rússia, onde esta ousou endurecer as suas posições em vez de as desanuviar, ao declarar que nem a independência da Ucrânia aceitaria, sugeria que uma pressão sobre a China talvez ajudasse a travar aquela horrenda tormenta que se abateu sobre o povo ucraniano.
É que, vejamos, por muito que as sanções económicas estejam a afectar a Rússia, podemos já constatar não são suficientes para demover Putin. De facto, o que está a acontecer é que as suas transacções financeiras, arredadas do sistema “Swift”, estão a ser canalizadas para o sistema “Cips”, controlado pela China, aproximando os dois países rivais desde há séculos.

Daí, ter sugerido que, sendo os europeus um dos melhores clientes de produtos chineses, uma pressão no sentido de afastar a China de um limbo de nem sim, nem não ao massacre da Ucrânia, empurrando-a para pressionar Putin e assim o encurralar, poderia [Read more…]

Vamos aproveitar e olhar para a China? #2

A China sabe que o dia seguinte pode ser complicado. Muito complicado para os seus negócios, para a sua política geoestratégica ou seja, para os seus interesses. A liderança chinesa sabe interpretar os sinais.

E os sinais são claros. A Rússia de Putin cometeu um erro crasso ao invadir a Ucrânia e, no fim, aconteça o que acontecer vai ficar de rastos em termos económicos e sociais. Pior, principalmente para a China, conseguiu unir o mundo ocidental. De repente, a Europa está unida, quer a NATO e pensa até na criação de uma força militar interna. Simultaneamente, os Estados Unidos e a Europa reaproximam-se; o Japão, a Coreia do Sul e a Austrália (juntamente com outros países do Pacífico) nem um segundo hesitaram. E a China?

A China olha para todo o cenário e pensa que por culpa de Putin, os seus adversários principais, os Estados Unidos, emergem desta crise numa sintonia com os seus aliados que não se via há décadas. E sabe que unidos se tornam, economicamente, mais interdependentes e, consequentemente, mais fortes. A China está a ver o comportamento da sociedade civil ocidental e percebe que a linha que a separa de ser o próximo alvo de boicotes económicos é ténue. Cada vez mais. Aliás, sabe que dentro da sociedade civil ocidental já se discute, já se propõe esse boicote. Os cidadãos. Os governantes ainda estão a “esperar para ver” e a rezar para que a China dê um sinal. Aliás, sobre isto e pela rama já vários aventadores falaram nas Conversas Vadias.

Ora, o primeiro sinal de que a China pode mudar o rumo desta história de guerra foi dado hoje. Foi João Querido Manha, na sua página no Twitter que chamou a atenção para um facto relevante: “um analista político chinês em Shangai diz que a China tem duas semanas para decidir apoiar o Ocidente e pressionar Putin a acabar a guerra”. Quem desejar ter o trabalho de ler, em inglês, o que esse analista escreveu (AQUI) percebe que essa mudança estratégica da China pode ser mais rápida do que alguns, como eu, imaginavam. Ainda bem

Resta saber é se, mesmo assim, no dia seguinte ainda vai a tempo de ultrapassar a má vontade em consumir produtos “Made in China”. Veremos, se Putin deixar, se o mundo mudou. Eu não acredito no Pai Natal mas…

De Alexandre Guerreiro a João Lemos Esteves é um salto…

Sobre o Alexandre Guerreiro já o Aventar falou inúmeras vezes ao longo destes dias. Desde o primeiro post a 25 de Fevereiro que se tornou viral passando por ESTE que viralizou de igual forma até ao que se publicou hoje. O Expresso acordou um pouco mais tarde assim como a Sábado e ontem o Ricardo Araújo Pereira. E de repente, ontem, surge um texto em castelhano sobre o rapaz.

Dizer que o texto é em castelhano é simpatia minha. Enfim, pouco importa. Ora, o texto é de um português, de seu nome João Lemos Esteves. O nome não era estranho. Ora este João Esteves é, segundo o seu twitter: Senior Intell Analist Hagana Consulting. Mas que raio se passa com os “Intell” portugueses? É que o Alexandre Guerreiro também o é/foi. Onde são recrutados? Mais, onde são formados? É que se um é amigo do Putin, o outro é amigo de Trump. Será que ser-se chalupa é requisito para ser espião em Portugal?

Mesmo tendo deixado mais acima o link para o tal texto em castelhano, não resisto a partilhar aqui uma parte do mesmo.

Nótese este nombre: Boaventura Sousa Santos, el inspirador espiritual-político-académico de Alexandre Teixeira Neto Guerreiro. El amigo de la agencia de propaganda rusa SPUTNIK, que se autodenomina padre del acuerdo político que llevó a Antonio Costa a la dirección del gobierno portugués y de partido político pro-Putin Podemos en España. Volveremos a él muchas, muchas veces aquí en TOTAL NEWS AGENCY. Y no olvidar que también el viernes, como parte de esta operación de contrainteligencia, las autoridades portuguesas arrestaron al rabino de la Comunidad Israelí de Oporto, Daniel Litvak. Israel es lo enemigo que une Alexandre Teixeira Neto Guerreiro, Antonio Costa, Boaventura Sousa Santos y lo Podemos en España, muchas veces con estrategias comunes. 

Um e outro, académicos. Um e outro cepas de universidades portuguesas. Um e outro a defender o indefensável. Se a estes juntarmos o trio de militares putinianos que pululam nas televisões só se pode concluir que a culpa foi do Covid. De certeza. É miolo comido. Muito comido. Valha-nos Deus….

Vasco Pulido Valente, Mário Soares, Putin e os ensinamentos da História

Parte I

aqui escreveu o João Mendes sobre um antigo artigo de Vasco Pulido Valente e penso que foi o João Maio (não encontro) que escreveu sobre um outro antigo artigo, desta feita de Mário Soares. Em comum: uma previsão antecipada do que hoje está a acontecer. Mas existe outra coisa, mais importante, em comum. Cada um à sua medida sabiam da importância da História na explicação do presente e na previsão do que pode ser o futuro.

O desconhecimento da História explica muito do que está a acontecer. E essa ignorância, de boa parte da classe política europeia, é a causa de termos chegado aqui. Só uma absurda ignorância pode explicar a dependência de parte importante da Europa, com a Alemanha à cabeça, de energia fornecida pela Rússia. A ganância não justifica. Aliás, a ganância é, por si só, uma materialização dessa grave ignorância. A mesma falha de formação que levou a Europa a deixar morrer a sua indústria, a não apostar em ser, o mais possível, auto suficiente. A pequenez intelectual da nossa classe política é um reflexo do nosso desinteresse e da forma como, cada vez mais, preferimos políticos assépticos – aliás, sobre esta particularidade, aconselho este ARTIGO de 2004, escrito por Graça Franco no Público.

A mesma ignorância histórica leva muitos dos nossos mais jovens a não compreender o que está em causa. Quando muitos responsáveis políticos falam, e com razão, da “geração mais qualificada de sempre” esquecem que essa “qualificação” demasiadas vezes também é fruto de algum facilitismo. Que começou na minha geração, os que chegaram ao secundário e ao ensino universitário nos inícios dos anos 90 do século passado. Foi uma opção dos países ocidentais (com honrosas excepções). Um dos pilares do conhecimento, a História, passou a uma espécie de parente pobre do sistema. Eu sei que não foi o único. Aqui chegados, um ponto de ordem: estou a falar da maioria, como é obvio. Não vale a pena começarem já a preparar as espadas para a caixa de comentários…

Ora, uma sociedade menos preparada acaba por ter como consequência natural uma menor qualidade dos seus dirigentes políticos. Mesmo sabendo que Vasco Pulido Valente era genial, o facto de ter escrito, em 2015, isto: “A Crimeia foi o primeiro objetivo; e o segundo foi parte da bacia de Donetsk, porque a Crimeia não serve de nada sem uma ligação fácil e segura ao coração do Império, Não existe ponta de dúvida que Putim não recuará”, não faz dele um adivinho ou uma espécie de Zandinga. Não. Apenas se limitou a aplicar os seus vastos conhecimentos da História a uma realidade que estava a começar. Melhor dito, a recomeçar.

Porque a História, infelizmente, repete-se. Quando muito mudam os protagonistas. A repetição é causada pela ignorância. Sobretudo daqueles que tinham a obrigação de não serem ignorantes. A mesma ignorância daqueles que, não satisfeitos com os erros cometidos com a Rússia, continuam a cometer e de forma mais grave, um erro gigantesco na forma como nos estão a condenar a ficar na mão e sob a bota da China. Por ganância? Certamente. Por ignorância? Absolutamente.

Alexandre Guerreiro, o Expresso e o Aventar

Ex-espião pró-russo: como ele saiu da secreta para o Conselho de Ministros, uma viagem ao Irão e a ligação a três partidos – Expresso

Os leitores do Aventar souberam primeiro. Agora (e uma vez mais) o Expresso completa o que já se tinha dito aqui.

De uma Negociação de Paz a uma Declaração de Guerra

Sob os auspícios da Turquia decorreu ontem um encontro entre os ministros dos Negócios estrangeiros da Ucrânia e da Rússia para, supostamente, negociar caminhos conducentes a um acordo de fim de guerra. Depois de no dia anterior o Kremlin ter dados sinais de algumas cedências nas suas pretensões, a declaração final de Lavrov intensifica-as, a ponto de tornar inviável não apenas um acordo, mas também o prosseguimento de qualquer ronda negocial.
De permitir a continuidade da independência da Ucrânia, na véspera, passa a exigir que a Ucrânia não se aproxime do Ocidente (adesão à União Europeia), e que a sua riqueza não seja explorada por capitais ocidentais.

Pieter Bruegel – A Queda dos Anjpos Rebeldes

Isto é absolutamente inaceitável para ucranianos, mas também para nós ocidentais. A independência de um país não se negoceia, nem se deve sentar à mesa com quem a não pretende reconhecer.
No início desta invasão, o Kremlin começou por dizer que se tratava de uma “operação militar”, ficando agora à vista que ontem, mais não fez do que a DECLARAÇÃO de GUERRA que tinha recusado fazer, cujo objectivo é [Read more…]

Alexandre Guerreiro e os seus amigos da MGIMO

A Universidade onde o Alexandre Guerreiro andou a dizer umas coisas consegue estar ao nível da personagem:

MGIMO students,educated young people,say that Putin’s army isn’t killing the population, that Putin has the right to invade a neighbouring country & demand “denazification,demilitarisation,neutral status & legalisation of the seizure of Crimea” under threat of continued massacres

Estudantes do MGIMO, jovens universitários, dizem que o exército de Putin não está matando a população, que Putin tem o direito de invadir um país vizinho e exigir a “desnazificação”, desmilitarização e legalização da tomada da Crimeia” sob ameaça de massacres contínuos

O vídeo da vergonha pode ser visto AQUI.

Eu sou um ingénuo…

Fonte: Aqui

Alexandre Guerreiro e o Aventar

O jurista e comentador Alexandre Guerreiro diz que Putin e Lavrov receberam um relatório com a sua sugestão sobre como invadir o Donbass protegido pelo direito internacional. Ex-espião, nega ser pago para ser um “agente de influência”, mas assume que quer influenciar para que nem tudo o que vem de Leste seja diabolizado – Expresso.

Ao longo dos últimos dias, o Aventar publicou vários artigos sobre o “comentador” Alexandre Guerreiro que geraram uma enorme curiosidade dos leitores com audiências recorde no nosso blogue. Hoje, o Expresso publicou um trabalho sobre a personagem em causa. Um trabalho do jornalista Vitor Matos.

Nessa entrevista, alguns dos dados agora tornados públicos pelo Expresso já os leitores do Aventar os conheciam, nomeadamente a ligação umbilical à Rússia, a sua participação num evento da Universidade de MGIMO (Rússia) e da ligação desta (e do Alexandre Guerreiro) ao ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Sergei Lavrov.

Agora sabemos quem pagou as despesas: “Na segunda participação, o governo da Crimeia ofereceu a viagem e a estadia” mas o homem continua a dizer que não é pago pelos russos. Aliás, começou por dizer que nunca recebeu nem um chupa-chupa para mais à frente reconhecer que afinal lhe pagaram a ida à Crimeia. Mais uma das múltiplas contradições da personagem, algo já visto antes nos seus escritos nas redes ou intervenções na SIC.

De todo o modo, depois de uma leitura atenta à peça jornalística, ficam algumas dúvidas que espero ver respondidas nos próximos tempos:

  1. O que é que realmente fazia no Serviço de Informações Estratégicas de Defesa (SIED)? Analisava o quê? Só para saber se era o gajo que tirava fotocópias e servia café ao chefe de serviço ou se era coisa mais importante e; por via do que temos visto (e nas companhias com se relaciona) , qual o motivo para ter sido exonerado do cargo no SIED? Sim, segundo as fontes do Aventar, o rapaz foi exonerado.
  2. Qual o motivo para, depois de ser exonerado do SIED, a  Presidência do Conselho de Ministros (PCM) lhe ter criado um posto de trabalho alegadamente “à medida” no governo da PAF, em 2015?

  3. Qual a relação entre a sua ligação à Rússia e em alguns dos seus posts partilhar ideias comuns com as do Chega? Será que temos aqui uma ponte?

Estou certo que vamos ter, aqui no Aventar (e não só), “cenas dos próximos episódios”.

(já agora, a foto deste artigo é de Alexandre Guerreiro, militante do PAN, sim, do PANe foi retirada DAQUI)

Isto não está fácil, Galp…

Além do gás liquefeito da Rússia que chegou a Sines na passada sexta-feira, Portugal continuará nos próximos dias a receber cargas oriundas do mercado russo. Entre elas está gasóleo de vácuo, que a Galp já admitiu que ainda receberia no quadro das encomendas já em trânsito

Qual é o espanto? É o PCP a ser o PCP

Depois venham dizer que o PCP anda a ser perseguido…É melhor entrevistar outra vez a Senhora Embaixadora…

Bichinha pirilau…

Obrigado Orlando Sousa 👍

Embaixada da Rússia em Lisboa

A foto é de Carlos Nunes Lopes. Embaixada da Rússia em Lisboa, esta noite. Agora é que não nos vamos livrar de um míssil.