O perigoso trilho da personificação do mal

É indubitável que Vladimir Putin é um déspota, sem escrúpulos. E a questão essencial não é se há outros ou não. Até porque sabemos que há.

A questão essencial é se só agora ele se revelou como tal.

Obviamente que não. E, no entanto, todo o chamado “Mundo Ocidental”, do qual fazemos parte, hoje chocado e revoltado com a sua ofensiva bélica sobre a Ucrânia, num conflito armado que dizima vidas inocentes, não se inibiu de fazer negócios, de engrossar fortunas, e até, ficar na sua dependência.

Já se sabia quem era Vladimir Putin quando a Europa – leia-se França e Alemanha -, aceitou ficar em grande parte dependente do gás russo. Ou quando Portugal foi à Rússia vender vistos gold. Ou quando a OTAN começou a expandir-se para o outrora Bloco de Leste, rumo à fronteira com a Rússia, em violação do compromisso por si assumido de não fazer tal.

Tudo isto foi acontecendo enquanto jornalistas, activistas e opositores a Putin, eram assassinados; enquanto os envenenamentos se tornavam uma espécie de instrumento de política internacional russa, etc.

Da mesma forma que o “Mundo Ocidental” sabe bem quem é e que é Xi Jiping e a China. E se a China resolver invadir a Ilha Formosa, ou Taiwan, ou que se lhe quiser chamar, o mesmo “Mundo Ocidental” que deslocou para a China a sua indústria, e que se tornou dependente dos seus fornecimentos de bens e capitais, vai bradar “Sacanas dos chineses! Maldito Xi Jiping!”. [Read more…]

Guerra na Ucrânia: Quem não quer ser lobo – Crónicas do Rochedo #55

Três generais portugueses, que fazem a análise da guerra nas televisões, têm sido acusados de posições pró-russas. Eles respondem que fazem comentários “neutrais” com base na doutrina militar e geoestratégica. E que não querem “diabolizar” nenhuma das partes. A guerra sobre a guerra tem estado ao rubro – Vitor Matos, Expresso, 7 Março

 

O Aventar foi um dos poucos blogues a abordar esta matéria. Não faltaram comentadores, jornalistas, políticos e até outros militares a considerarem, no mínimo, curioso este alinhamento destes três militares. Porquê? A própria peça jornalística o refere:

O major-general Raul Cunha chegou a dizer, na SIC, que “o Presidente russo foi encurralado” pela NATOe justificou a anexação da Crimeia; o major-general Carlos Branco disse ao “Observador” que a Rússia não ia “permitir a chacina da população ucraniana russa” em Lugansk e Donetsk, classificando a parte ucraniana como “a ameaça”; um terceiro analista, o major-general Agostinho Costa tem usado (nos três canais de televisão) argumentos como “a preocupação [dos russos] em não causar baixas civis”, ou a desvalorização da coluna paralisada perto de Kiev. No dia seguinte à invasão, quando garantiu: “Os russos já estão em Kiev.” E disse que Volodymyr Zelensky tinha fugido para Lviv, na zona ocidental“.

Ora, olhando para o que estes três militarem andaram e andam a dizer, comparando com a realidade que nos é dada a ver, penso que se entende, por um lado o desconforto das chefias militares no activo com estes momentos televisivos (chegando a palavra “vaidade” a ser referida) e por outro as críticas de que estão a ser alvo (cuja dimensão até justifica uma peça no Expresso) nas redes sociais. Obviamente, alguns desses críticos fizeram o trabalho de casa e daí surgirem acusações como: “Outras fontes explicam a posição destes generais por alegadamente pertencerem à ala esquerda militar. Alguns argumentos não são muito diferentes dos do PCP, sobretudo os que têm a ver com a expansão da NATO e dos”nazis” nas repúblicas separatistas. Todos foram ver por onde andaram e andam estes militares, onde costumam ir falar, o que costumam dizer, as coincidências e os percursos – no fundo, foram fazer o que os militares costumam fazer sobre os outros.

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Sinal de esperança?

The Kremlin has announced its demands for ending the war in Ukraine:
-Ukraine must change its constitution to guarantee it won’t join any “blocs”, i.e. NATO + EU.
-Must recognise Crimea as part of Russia.
-Must recognise the eastern separatist regions as independent.

Alguém explique…

A este hipócrita que a culpa é do seu amigo Putin. Ou já se esqueceu de quem andou a financiar a extrema direita europeia?

Porque a hipocrisia não é….

…. um exclusivo das forças pró Putin que temos por , também é fundamental denunciar estes verdadeiros criminosos de guerra.

Alegadamente…

…. um grupo de entusiastas de Vladimir Putin estão reunidos em Lisboa. Assim se vê a força da democracia portuguesa: sejam chalupas de extrema direita ou chalupas de extrema esquerda, a todos o direito de reunião e manifestação.

RESISTÊNCIA

Vemos muita gente a fugir da Ucrânia. É natural e os números tenderão a aumentar com o agravamento do conflito.

Vê-se também gente dirigindo-se para a Ucrânia, voluntariando-se para acções de defesa. Boa parte são emigrantes ucranianos residindo noutros países que se sentem motivados a defender a sua terra e os seus familiares. Outros, porém, são estrangeiros que se propõem lutar contra uma injustiça que acham gritante.

Haverá, entre todos eles, militaristas nostálgicos e românticos da guerra que gostam do cheiro da pólvora, de camuflados e de cenários de destruição. Serão, suponho, uma minoria.

Muitas destas pessoas são apenas gente corajosa, com o coração no lugar certo e grande generosidade. Não se lhes pode, em bom rigor, chamar belicistas nem pacifistas, mas vão para a guerra almejando a paz. Uma paz que não seja podre.

As descobertas da direita portuguesa ou mesmo mundial

Quando o mesmo homem, num país, desempenha, em anos seguidos e alternadamente, as funções de Presidente da República e de Primeiro-ministro, dificilmente poderíamos falar em democracia consolidada ou mesmo em democracia. Vladimir Putin nunca foi flor que se cheirasse, tal como os oligarcas e mafiosos que o rodeiam e que andam pelo mundo a comprar clubes de futebol e empresas e casas e iates. Putin é um escarro tóxico que aprendeu muito do que sabe no mundo soviético, para, hoje, ser chefe de um bloco capitalista e imperialista, porque o primeiro implica o segundo, a cavalo de uma globalização inevitável e cavalgada por gente muito pouco recomendável, sempre salvaguardada, no entanto, por quantos defendem a pureza de um capitalismo imaginariamente assente numa aparência de meritocracia.

A direita portuguesa ou mesmo mundial descobriu, com a invasão da Ucrânia, que o Putin era mesmo mau. De caminho, aproveitou para continuar a normalizar o Chega, indignando-se muito com a posição equívoca do PCP (que consegue condenar e relativizar, ao mesmo tempo, a invasão russa), como se o PCP não tivesse, há muitos anos, posições equívocas sobre algumas ditaduras, usando de uma linguagem tortuosa para fugir a comentários sobre excrescências como a antiga oligarquia angolana ou a ditadura norte-coreana. [Read more…]

Curto e grosso…

Adega de Pegões na linha da frente da resistência à ocupação russa

Cumprido o seu propósito, esta garrafa da adega de Pegões foi transformada em cocktail molotov, e será – talvez já tenha sido – usada para resistir à ocupação do Adolfo de São Petersburgo. Melhor que reciclar uma garrafa de boa pinga setubalense, só mesmo arremessá-la e fazê-la explodir contra o exército invasor. No mínimo, rebenta com um blindado.

Esta é pelos produtores de vinho deste país, que estão agora privados de um mercado de 45 milhões de euros – que até cresceu 61% em 2021, apesar da pandemia – porque aquele filho da Putin decidiu invadir a Ucrânia e ameaçar os países da NATO com nukes. Em vez de deixar os russos beber o seu Adega de Pegões em paz. Facho de merda.

O Equilíbrio do Terror #4 – SWIFT: a bomba atómica financeira que pode eventualmente incomodar os verdadeiros donos disto tudo

Durante estes dois longos dias, muito se tem falado na possibilidade de utilizar a bomba atómica das sanções: banir a Federação Russa do SWIFT, um sistema integrado de comunicação de transacções transnacionais, que engloba mais de 11 mil instituições financeiras. O resultado prático da utilização deste nuke, long story short, seria a exclusão da Rússia do sistema financeiro internacional, mainstream, obrigando as suas empresas e bancos, bem como os seus fornecedores internacionais, e encontrar alternativas para as suas operações.

Diz quem percebe da poda que seria inútil recorrer a este instrumento de dissuasão, na medida em que Putin poderia optar, por exemplo, por criar uma cryptomoeda, ou aproximar-se ainda mais da China, que funcionaria como seu pivot na economia internacional. Mas eu, que percebo poucos destas podas, apesar de já ter assistido a umas quantas em Sobreposta, terei a ousadia de contrariar os especialistas. Por um lado porque Putin não invadiu a Ucrânia sem ter a lição bem estudada, como de resto nos vem provando, e já terá a crypto-opção em cima da mesa. Se nós temos esta informação, ele também a terá, prévia e devidamente estudada. Por outro lado, porque a aproximação à China está mais que consumada, como revelam os acordos para compra de petróleo e gás russo, firmados esta semana, para não falar na narrativa dominante na imprensa chinesa, toda ela controlada pelo comité central do PCC, assente na ideia de uma luta comum das duas potencias contra a opressão ocidental. [Read more…]

O professor doutor especialista e “tudólogo” Alexandre Rublo Guerreiro

As nossas televisões são uma maravilha no que toca a descobrir aves raras do comentário. Talvez por falta de atenção minha ainda não conhecia a “última bolacha do pacote” das aves raras do comentário televisivo: o Alexandre Guerreiro. Ao que parece divide o seu tempo entre vender aulas na FDUL, o comentário desportivo e agora a guerra entre a Ucrânia e a Rússia.

Bem vistas as coisas está tudo interligado. São tudo verdadeiros cenários de guerra. E, verdade seja dita, o lado bélico do comentário sobre bola nas televisões em Portugal não anda muito longe do antagonismo verbal a que se assistiu hoje de manhã na Sic Notícias entre este Alexandre “Rublo” Guerreiro e o José Milhazes. Vamos então ouvir o especialista em guerras, sejam elas no leste da Europa ou no Sporting:

Sobre Bruno de Carvalho, Ministério Público, Terrorismo e Alcochete: AQUI

Agora sobre a manifestação das forças de segurança na crónica criminal num programa da manhã da TVI e também fala de Terrorismo: AQUI

Já neste, temos o especialista, desta vez na TV Record, a falar sobre o “Terrorista” do ISCTE: AQUI

E aqui temos o benfiquista especialista Alexandre Rublo Guerreiro a falar sobre a agressão a um director de modalidades do Sporting no programa do Goucha na TVI: AQUI

Nestes exemplos temos o homem a falar como um verdadeiro especialista em terrorismo, direito, futebol, medicina, política internacional, políticas de segurança. E confesso que não coloquei aqui tudo. Estou convencido que se a minha busca fosse mais intensa ainda descobria um vídeo sobre como fazer o melhor “Bacalhau com Todos”.

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Sean Penn Blues

Sean Penn filming documentary in Ukraine about Russia’s invasion.

Sean Penn está em Kiev a gravar um documentário sobre a invasão russa.

***

Coragem

“Mesmo na noite mais triste
Em tempo de servidão
Há sempre alguém que resiste
Há sempre alguém que diz não”

A realidade

Lixa-nos a realidade. Foi-se o lirismo.

Somos sempre pela paz. E nunca queremos a guerra. Por isso, entrincheiramo-nos… para fazer a guerra. Ou será a luta pela paz? Será possível querer paz fazendo a guerra? Ou é uma contradição?

Sem lirismo, a realidade: é por perpetuarmos as guerras que não atingimos a paz. E enquanto houver quem se queira entrincheirar nas guerras dos burgueses, o povo continuará a ser, apenas e só, figurante.

Chega e PCP – Brothers in Arms

A extrema direita europeia e o PCP, a mesma luta

Choninhas soberanos baixam as calças ao “imperialismo de bem”

Corre por aí uma tese: tens de apoiar um lado. Sim, tens de apoiar um lado mesmo que ambos os lados sejam péssimos! Nazis ou fascistas? Escolhe rápido!

“Aqueles também são filhos da puta, mas são os meus filhos da puta”, dizem por aí.

Os choninhas portugueses, soberanos, fazem sempre a mesma escolha: dar o cu a quem o quiser. Assim é, também, neste caso.

Deixem-se de merdas; não tens de escolher um lado entre EUA/NATO e Rússia coisa nenhuma. Se num cenário como este, o que te dão a escolher é entre o vómito e a diarreia, foge. O lado que tens de escolher é: PAZ ou GUERRA?

Por tal, Portugal agora tem uma missão. A saber:

Revogar os vistos gold dos oligarcas russos (1), acolher os refugiados ucranianos que fogem da guerra (2) e apoiar as várias sanções à Rússia (3).

Por fim, ficar bem longe das intenções de resposta de instituições nazis como a NATO (4) que só perpetuam a guerra. Escolher a paz.

Caros senhores da guerra,

Não há imperialismo bom e imperialismo mau.

Existe Rússia, China, EUA, UE e NATO. As ententes da guerra. Espero que se fodam todos bem fodidos.

Só o povo salva o povo.

Protesto anti-guerra. Estados Unidos da América, 1970. Autor desconhecido.

O Equilíbrio do Terror #2 – Ucrânia: correr atrás do prejuízo, depois de duas décadas de normalização ocidental de Vladimir Putin

Um dia triste para a humanidade. Putin fez aquilo que eu e muitos outros não acreditavam ser possivel e lançou um ataque em larga escala contra o território ucraniano, em toda a sua extensão. A guerra está às portas da União Europeia e, parece-me, uma nova cortina de ferro voltará a dividir a Europa. A Ucrânia está entregue à sua sorte e Putin já deixou implícito que qualquer interferência externa elevará o conflito para o patamar nuclear.

As democracias têm agora a obrigação moral de se unir em torno de um embargo total à Federação Russa, sem excepções, como pretendem alguns sectores económicos, insensíveis ao drama ucraniano. Fecho imediato de fronteiras, congelamento de todos os activos russos no nosso território, suspensão de qualquer troca comercial, corte de vias de comunicação ao mínimo indispensável para manter aberta a via diplomática de serviço mínimo. Não podemos contribuir com um cêntimo que seja para o esforço de guerra russo.

Foram muitos anos, anos demais, a normalizar Putin e o seu regime. O resultado está à vista. Que nos sirva de lição para que percebamos a ameaça que a extrema-direita contemporânea representa. É por isso que não, não podem mesmo passar.

Yaremchuk, o craque

Foto: Getty Images.

Putin e alguma esquerda portuguesa e a União Nacional entram num bar – A ironia do destino – Crónicas do Rochedo 51

A 12 de Março de 1938 Hitler anexa a Áustria. Afinal a maioria da população até era alemã, justificavam os nazis. Anos antes, em 1918, a Alemanha assinara um tratado em que assumia nunca anexar este seu vizinho mesmo sabendo que uma parte dos seus habitantes falavam alemão.

Por essa altura, anos 30, a mesma Alemanha nazi afirmava que as populações de etnia alemã na Checoslováquia e em especial na chamada região dos Sudetas, eram perseguidos e mal tratados. Por isso, explicavam, a Alemanha via-se forçada a anexar essa região. Foi o primeiro passo para a posterior anexação de toda a Checoslováquia.

Por essa altura, as entranhas do Estado Novo olhavam para as investidas de Hitler com uma visão utilitarista. Se, por um lado, Salazar preferia Mussolini a Hitler, por outro lado via em Hitler e no nazismo uma forma de impedir o crescimento do comunismo. Mas não é sobre esta matéria que quero falar. Prefiro abordar aquilo a que chamo de “uma ironia do destino” de alguma da nossa esquerda actual na sua relação com Putin.

Voltando então aos anos 30 do século passado: a maioria dos apoiantes de Salazar olhavam para estas iniciativas de Hitler em 1938 com fascínio. Entendiam que o homem até tinha razão, os austríacos até eram uma espécie de bávaros. E os sudetas eram maioritariamente habitados por alemães, caramba. Mais, gostavam de relembrar que a Alemanha tinha sido humilhada pelas potencias ocidentais no final da I Guerra Mundial e que reinava a hipocrisia por parte destas. E nem era verdade que Hitler fosse entrar em guerra com o resto da Europa, ele não era parvo. Foi de tudo isto que me lembrei quando vi, nos últimos dias, o discurso tanto do PCP como de certos “intelectuais” da nossa esquerda, um discurso entre o apoio a Putin ou o justificativo da sua acção: afinal, a culpa é dos Aliados que humilharam a “Mãe Rússia” após a queda da União Soviética e, sublinharam o facto de tanto a Crimeia como as duas outras regiões hoje “anexadas” são de maioria étnica russa. E o Kosovo, pá, o Kosovo”. Ontem a União Nacional, hoje a esquerda intelectual. A mesma luta.

Este discurso não é apenas estúpido.

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Anda um espectro pela Europa, o seu nome é Vladimir Putin, e é bom que os poderes da velha Europa se aliem para lhe fazer frente

A ameaça a Leste nunca deixou de o ser, apesar do alegado desanuviamento da era Yeltsin. Vladimir Putin, uma espécie de Estaline 2.0, tem hoje um poder desmesurado, reforçado por quatro anos de enfraquecimento do hard power ocidental, uma das muitas consequências do consulado do idiota-útil Trump, e representa, agora mais do que nunca, pelo menos desde a desintegração da União Soviética, uma ameaça permanente para as democracias liberais da Europa. Vale a pena ler a peça da jornalista Ana França, no Expresso, que sintetiza bem aquilo que se está a passar.

Comecemos pela Ucrânia: em 2014, Putin invadiu e anexou a Crimeia. Num ápice e sem que a comunidade internacional movesse mais do que os lábios e os dedos para declarações contidas, cobardes e circunstanciais. Desde então, tem apoiado os separatistas russos na região de Dombass, parcialmente controlada pelas milícias apoiadas pelo Kremlin, onde o risco de novo Anschluss é real. Desde então, mais de 14 mil pessoas perderam a vida no conflito.

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Illustrated – Russian Journey by Robert Capa and John Steinbeck

As coisas que eu encontro nas minhas tralhas, quando ando à procura de outras.

Estava eu à procura de uma caderneta de racionamento dos tempos da Segunda Guerra Mundial, e dei com esta revista “Illustrated” de Maio de 1948:

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O exemplar, apresenta-nos uma reportagem feita por uma dupla excepcional: Robert Capa (fotógrafo) – que o nosso João L. Maio recentemente evocou -, e John Steinbeck (escritor):

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Cristiano Ronaldo, Coca-Cola e o Europeu dos autocratas

Gostei de ver a UEFA a sair em defesa da Coca-Cola, na sequência da ronalidice a que assistimos há uns dias. Até porque nem todos se podem dar ao luxo de cuspir no prato onde comeram, como fez Cristiano Ronaldo.

Por causa deste episódio, fui espreitar os patrocinadores oficiais do Euro 2020. E descobri que pelo menos um terço das empresas patrocinadoras são geridas por oligarcas e directamente controladas por um regime totalitário:

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Chamar os Putins pelos nomes

Joe Biden chamou assassino a Vladimir Putin, e logo um coro de virgens ofendidas surgiu a rasgar as vestes, pelos mais variados motivos que vão da vassalagem a Moscovo, que impera no leste da Europa, ao anti-imperialismo estado-unidense, passando pela fábula da diplomacia, inútil contra tiranos totalitários, ou peloa receios de que o Ocidente perca o acesso ao enorme mercado russo.

Putin é um facínora que deve ser sancionado, embargado e isolado. E a cada novo negócio que a Europa ou os EUA fazem com o regime de Moscovo, onde praticamente toda a economia está concentrada nas mãos dos oligarcas UE gravitam em torno do Kremlin e da figura do seu imperador, é mais um prego que se martela no caixão da democracia, mais um milhão que Putin transfere para os seus satélites europeus, mais um passo na legitimação da autocracia, com cada vez mais adeptos no bloco europeu.

Esteve bem, Joe Biden, ao apelidar Vladimir Putin de assassino. Porque é exactamente isso que ele é. Depois de quatro anos de vassalagem bajuladora de Trump, é tempo de chamar os ursos pelo nome e assumir uma posição de ruptura. Enquanto o Ocidente não for capaz de se demarcar deste é de outros regimes, como o chinês ou o Saudita, a democracia continuará a ser um mero eufemismo para o colaboracionismo que nos assiste. Não foi para isto que se derrubou a Cortina de Ferro. Putin é nosso inimigo e é tempo de o começarmos a tratar como tal.

Recessão democrática

No take introdutório do GPS emitido na passada semana na RTP3, Fareed Zakaria apresentou a sua visão sobre aquela que deve ser a prioridade das prioridades da Administração Biden: conter a pandemia. Conter a pandemia, salvar pessoas, vacinar mais e mais rápido, recuperar a economia e mostrar ao mundo que os EUA podem liderar no combate à pandemia e à crise económica, e voltar a ocupar a posição de farol das democracias liberais, reconstruindo alianças estilhaçadas por quatro anos de governação destrutiva, recuperando a credibilidade perdida, redefinindo prioridades diplomáticas, estratégicas e geopolíticas, reafirmando o papel dos EUA no mundo e recolocando o país no centro da política internacional. Uma missão quase-impossível, pelo menos no curto prazo, depois dos estragos causados pelo furacão Trump.

No mesmo programa, David Miliband usou um termo que ouvi pela primeira vez, “democratic recession”, associado não só à governação Trump, mas a toda a onda de populismo oportunista, mais ou menos autoritária, sempre grosseira e arrogante, ideologicamente vazia, no sentido filosófico da palavra, e cuja artilharia pesada consiste na divisão, exacerbada pela construção artificial de um (ou mais) inimigo comum, pela transformação de minorias em bodes expiatórios, para efeitos de distracção, e numa profunda instrumentalização do medo, de feridas mal saradas, do ressentimento e do ódio, como catalisador da violência miliciana.

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América, hoje (1): A interferência russa nas eleições norte-americanas de 2016

O que é que se passou com os russos e a interferência nas eleições norte-americanas de 2016?

Ao longo da eleição [de 2016], um grupo alargado de russos testou as base de dados de eleitores do Estado [norte-americano] em busca de inseguranças; infiltrou-se [hacked] na Campanha de Hillary Clinton, na Comissão de Campanha Democrata ao Congresso e na Comissão Nacional Democrata; tentou infiltrar-se na campanha do senador [republicano] Marco Rubio e na Comissão Nacional Republicana; divulgou informações politicamente prejudiciais na Internet; espalhou propaganda no Twitter, Facebook, YouTube e Instagram; organizou comícios na Flórida e na Pensilvânia; teve reuniões com membros da campanha Trump e seus associados; e apresentou uma proposta de negócio de um arranha-céu em Moscovo para a Trump Organization. [Revista Time, 18 de Abril de 2019]

Poderão alguns dizer que a Time faz parte dos Fake Media a que Trump recorrentemente se refere quando as notícias não lhe são favoráveis (spoiler alert: para Trump, tudo o que não é notícia a ele favorável, é fake media).

Vejamos então o que disse a comissão de espionagem do senado norte-americano (US SSCI), parte integrante do Congresso norte-americano, o qual é controlado pela maioria republicana de Trump. Dito de outra forma, só ficou escrito o que os republicanos aprovaram. E disso, só ficou por censurar na versão tornada pública o que, novamente, os republicanos aprovaram.

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O choque de ventiladores

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Primeiro foram os chineses, que, “tendo o problema controlado” (so they say), começaram a enviar ajuda para países europeus. Depois vieram os cubanos, com os seus médicos comunistas, infectados até ao tutano de perigosíssimo marxismo cultural, seguindo-se os russos, que enviaram ajuda médica para Itália.

Perante a multiplicação dos gestos de “solidariedade”, que se estenderam também aos EUA, pela mão do amigo Vladimir, Donald Trump ter-se-á apercebido do seu atraso na corrida pela instrumentalização oportunista da solidariedade da treta, e lá foi ele, esbaforido, a correr atrás do prejuízo. [Read more…]

Trump admitiu que a Rússia o ajudou a ser eleito. E, depois, negou-o.


“I had nothing to do with Russia helping me to get elected.”

Negou-o a seguir, em declarações ao New York Times, passado uma hora.

“No, Russia did not help me get elected,” Mr. Trump told reporters as he departed the White House for Colorado Springs. “I got me elected.”

O bronco tinha estado no Twitter a bater no procurador especial que o investigou, Robert Mueller, o qual tinha ontem afirmado que a sua investigação não tinha ilibado Trump de crime algum.

Acontece, quando a boca foge para a verdade.

O Relatório Mueller em versão Pinto Monteiro

Aqui está o ficheiro PDF, devidamente recortado à la Pinto Monteiro.