POEMAS DO SER E NÃO SER

Delicadamente

ela abriu a blusa e levantou os olhos decidida.

Era uma mulher de guerra combatida

daquelas cuja face conta a história.

Mansamente

baixou a medo as alças do soutien

inclinou a cabeça

e fechou os olhos à espera da minha mão.

Depois comemos pão de centeio molhado num gole de azeite

bebemos um capitoso vinho

e fomos à procura de uma paisagem com cegonhas.

 

                         (adão cruz)

(adão cruz)

A máquina do tempo: a Academia Galega da Língua Portuguesa

Em 6 de Outubro de 2008 foi criada a Academia Galega de Língua Portuguesa, sediada em Santiago de Compostela e presidida pelo Professor José Martinho Montero Santalha. Segundo Montero Santalha, a criação da Academia corresponde a uma ideia do Professor Carvalho Calero que, na década de 80, concebeu o projecto de uma instituição que «mantivesse de modo inequívoco a unidade linguística da Galiza com os outros países de língua portuguesa». A cerimónia de fundação da Academia, de qual pudemos apreciar alguns dos momentos mais importantes no vídeo acima, realizou-se no Centro Galego de Arte Contemporânea, em Santiago de Compostela. Foi apadrinhada pelos Professores Malaca Casteleiro e Artur Anselmo, da Academia das Ciências de Lisboa, pelo escritor moçambicano João Craveirinha (filho de José Craveirinha), pelo Professor Carlos Reis, reitor da Universidade Aberta, pelo Professor Evanildo Bechara, da Academia Brasileira de Letras, pelo Professor Elías Torres Feijó, presidente da Associação Internacional de Lusitanistas e vice-reitor da Universidade de Santiago de Compostela, entre outros.

Como se vê, padrinhos não faltaram à jovem Academia. Ângelo Cristóvão, presidente da Associação promotora da AGLP comentou: «Não podemos dizer que viemos ao mundo sem padrinhos!» E acrescentou: «queremos devolver ao galego o lugar que lhe corresponde, que é o de uma forma do português e não o de um dialecto do castelhano».

Em 23 de Maio deste ano de 2009 realizou-se em Lisboa, na Academia das Ciências, uma sessão inter-académica entre as duas entidades. Agora, quando falarmos em países de língua portuguesa, nunca devemos esquecer a Galiza. Somos nove e não oito, como se costuma dizer. Tanto mais que foi ali, na Galiza, que o nosso idioma comum, o galego-português, nasceu. Foi ali que pela primeira vez se falou a nossa língua, a língua de Camões, de Rosalía de Castro e de Fernando Pessoa e de Eduardo Pondal.
No entanto, na Galiza, além dos que defendem a reintegração no português, dos que são pelo acentuar da castelhanização do galego e dos que pugnam por uma via autónoma, ligada à fala popular distanciada do português por oito séculos de deriva, há também quem defenda uma mais versão radical, ainda que, em parte, apoiada na palavra do Professor Carvalho Calero e cientificamente verdadeira. Digo em parte, porque o Professor sempre defendeu a integração do galego no universo da lusofonia – a tal tese radical é a de que o nosso idioma se devia chamar galego e não português. Vamos tentar saber se esta corrente de opinião é válida. Numa outra crónica, falei aqui um pouco da história da Galiza, um tema que me apaixona. Hoje pedi reforços ao professor Ramon Villares e à sua «Historia de Galicia», um livrinho de bolso editado em castelhano, que, há mais de 20 anos (em Agosto de 1988) me foi oferecido por um professor da Universidade de Santiago de Compostela. Ponhamos então a nossa máquina a funcionar.
Não vou recuar tanto no tempo como seria desejável. Jorge Castro (OrCa), num amável comentário ao meu texto anterior sobre este tema, sugere que a irmandade galego-portuguesa poderá ter raízes ancestrais, localizadas para lá da última grande glaciação (Teoria da Continuidade Paleolítica). É uma possibilidade cuja exploração deixo para quem saiba, mas que, a ser provada, nos daria conta de uma afinidade que não deve e não pode ser destruída; muito menos pela gula hegemónica de um estado artificial como o estado espanhol. Por hoje, não recuando tanto, limitar-me-ei a visitar a época em que o condado de Portucale e o da Gallaeciae seguiram caminhos diferentes.
Quando, em 1065, morreu Fernando I de Leão e Castela, reino de que os dois condados eram vassalos, o seu reino foi dividido entre os filhos, ficando D. García com a Galiza, um território que se estendia até ao Mondego, pois Fernando I, o Magno, conquistara aos Mouros Lamego (1057), Viseu (1058) e Coimbra (1064) território que o conde governou entre 1065 e 1070. Deposto D. García e levado preso a Leão, a Galiza ficou transformada numa província de Leão, dirigida por sucessivos condes. Assim, em 1090 foi enviado para a Galiza como conde Raimundo de Borgonha, casado com D. Urraca, uma das filhas de Afonso VI. No ano seguinte, o condado portucalense foi entregue a Henrique de Borgonha, casado com a irmã de Urraca, D. Teresa. Quando Raimundo morreu, em 1107, verificou-se uma profunda crise política em que a nobreza galega participou activamente, tanto a laica ( Pedro Froilaz, conde de Traba), como a eclesiástica (D. Gelmírez. Uma parte desta nobreza aliou-se a D. Urraca, ligando-se à ideia imperial leonesa, enquanto outro grupo defendeu os direitos de Alfonso Raimúndez, filho de Urraca, que em 1109 foi proclamado rei da Galiza. Porém Alfonso Raimúndez, transformou-se, mercê da sua posição na linha dinástica, em Afonso VII de Castela e Leão, proclamando-se «Imperator totius Hispaniae». De certo modo, foi o último rei da Galiza, pois com ele integrou-se na monarquia leonesa a nobreza galega mais rebelde, representada pela estirpe dos Traba.
O que nos diz respeito sabemos nós bem – Afonso Henriques, primo direito do autoproclamado imperador, queria um reino só para ele, venceu sua mãe, D. Teresa que alinhara com a nobreza galega, prestando vassalagem ao sobrinho, na batalha (ou escaramuça; ou torneio) de São Mamede, em 1128, e proclamou unilateralmente uma independência que só em 1143, pelo Tratado de Zamora, seria reconhecida pelo rei de Leão. Como José Mattoso salienta e Ramón Villares cita, a independência de Portugal não pressupõe qualquer reacção anti-galega, pois entre os que apoiaram o nosso Afonso I estavam famílias galegas, entre as quais a dos Traba, que procurava em Portugal o êxito que na Galiza lhes era negado.
Resumindo – a formação de Portugal obedeceu a causas complexas que remetem para diferenças existentes desde a época romana entre as regiões bracarense e lucense, que constituíam a Galécia. E como Villares sublinha, correspondeu também à «incapacidade da nobreza galega para se constituir em reino próprio desde os primeiros momentos da reconquista»; a expansão territorial portuguesa, seria feita a partir da parte meridional da Gallaecia, enquanto que a região lucense, mais recolhida sobre si mesma, inserida perifericamente na monarquia castelhana, mas ligada à Europa pelo cordão umbilical do Caminho de Santiago, iria desenvolver um conjunto de traços específicos que lhe permitiriam conservar a sua identidade ao longo da história até aos nossos dias.
Nestes séculos de domínio estrangeiro, o galego foi muito invadido por castelhanismos, inquinado foneticamente e não só. Apenas no século XIX, com o Rexurdimento de Rosalía, Murguia, Pondal e tantos outros, a língua e a cultura galegas começaram a recuperar a sua identidade usurpada. Do ponto de vista da ciência linguística não parece existir dúvida de que português e galego nasceram de uma mesma matriz. Podemos chamar por isso galego-português ao idioma que, sob duas formas dialectais, falamos lá e aqui. Que fique muito claro que quando se fala de reintegrar, não estamos a falar de Portugal anexar politicamente a Galiza, estamos só a falar de uma reintegração na tal matriz comum que quase nove séculos de domínio castelhano na Galiza quiseram apagar. Gostaria muito que a Galiza fosse independente (adoptando o galego, o português ou o galego-português como língua oficial – é um problema dos galegos). Com a certeza, porém, de que chamem o que lhe chamar, as palavr
as
que os galegos pronunciarem serão as mesmas, tenha o idioma que falam o nome que tiver. Serão as mesmas e soarão aos nossos ouvidos como uma língua semelhante à nossa. Mas voltemos ao percurso histórico e ao paralelo fluir do idioma.
Referi-me à língua falada desde a Alta Idade Média nos territórios da antiga província romana da Galécia, uma variante neolatina ou, como diz com maior rigor científico Carvalho Calero, uma forma primitiva do romance hispânico ocidental. Forma que veio a resultar no galego-português (ou galaico-português). Um momento alto da evolução deste idioma é quando, no século XII, a poesia lírica produzida nesta região era escrita na língua que, além de utilizada pelos naturais, ultrapassando as suas fronteiras, chegava a Leão e Castela – as «Cantigas de Santa Maria», do rei castelhano Afonso X, o Sábio, foram escritas em galego-português. Era, pois, uma língua de cultura. No século XII ocorreu a separação de Portugal da coroa leonesa. À época a Galiza gozava de alguma independência relativamente à coroa castelhano-leonesa. Contudo, no século XIV, a intervenção galega a favor de Pedro I de Castela contra Henrique Trastâmara, motivou com a vitória deste, o exílio de muitos galegos em Portugal. Quando a sua nobreza tomou o partido de Joana, «a Beltraneja» ou, como se dizia em Portugal, da «Excelente Senhora» contra Isabel de Castela, a Galiza viu as suas instituições destruídas e a sua aristocracia perseguida, deixando de existir como nação independente.
Muito basicamente, descrevi, com a ajuda do Professor Villares, o momento da separação das duas partes irmãs, em que começou a deriva histórica e consequentemente a linguística. Dizer-se que em Portugal se fala galego é, pois um exagero radical (embora compreensível), é desconhecer o papel que Fernão Lopes, Gil Vicente, Sá de Miranda, Camões, para referir só alguns nomes, tiveram na criação da língua e na sua fixação em monumentos literários. É esquecer que os portugueses, trezentos anos decorridos sobre a independência, sulcavam os oceanos, descobriam novas terras, criavam uma maneira própria de estar no mundo. Talvez não a melhor, mas própria, em todo o caso.
Por tudo isto e não porque de algum modo a ideia nos ofenda, parece-me um exagero querer que o português se passe a designar por galego, como o pretendem os tais galeguistas radicais. Eles afirmam, em consequência, que em Portugal, no Brasil, em Moçambique se fala galego e que o galego tem, portanto, 200 milhões de falantes. Digo que são radicais porque radicam a sua tese nas raízes profundas e comuns do galego e do português. Porém, penso que o cerne do problema não se situa aí, no nome do idioma – o importante é que a língua da Galiza seja aquela que os galegos queiram como sua. Um dialecto do castelhano todos estamos de acordo que não é. É uma forma diferente de falar português (ou o português uma forma diferente de falar galego)? Penso que tudo aponta para esta hipótese. A decisão só pode ser dos irmãos galegos. Todavia, a viagem já vai longa e por hoje apenas acrescento:
– Bem-vinda ao universo da lusofonia, jovem Academia Galega da Língua Portuguesa!

IRC na Banca em 2008 – Taxa efectiva 9,6%

Justiça Fiscal, é o que podemos chamar a esta taxa em confronto com a mesma taxa aplicada aquelas empresas cheias de lucros e de trabalhadores bem pagos .

Se entrarmos com os lucros arrecadados em off shores e não contabilizados, a taxa efectiva de IRC da banca deve andar pelos 5%.

Mas quando se propõe uma taxa reduzida ,apenas sobre os lucros da actividade exportadora das empresas, não é possível, o orçamento não aguenta. Não aguentará, pois a banca leva a margem toda, assim realmente não deve aguentar.

E cá andamos neste paraíso socialista a favor dos pobres, dos reformados e da justiça social!

ETICA E EDUCAÇÃO (12)

ETICA E EDUCAÇÃO (12)
Considerações sobre Ética e Educação para além da Escola

A democracia é o regime político fundado na soberania popular e no respeito integral dos direitos humanos e abrange, como toda a gente sabe, quer a democracia política quer a democracia social. A educação, dentro da democracia, é entendida, basicamente, como a formação do ser humano no sentido de desenvolver, conscientemente, conhecimentos, juízos e opções de vida numa sociedade de seres iguais perante a lei. A democracia autêntica, baseada no respeito pela dignidade e pelos direitos humanos procura encontrar um modelo político e uma prática política que possibilitem a combinação da ética, dos ideais e valores democráticos, na procura de uma governação realista e honesta. Por vezes só é possível realizar uma parte desses ideais e desses valores, outras vezes nem isso é possível, dada a realidade dura e desumana das poderosas forças antagónicas e destruidoras.
A escola é um lugar de construção da cidadania. Formar para a cidadania implica formar para a responsabilidade e para a participação na vida activa da comunidade. Uma formação para a cidadania, num regime democrático autêntico, tem de incutir o sentimento de que os regimes de liberdade são incomparavelmente superiores aos regimes despóticos, exigindo, contudo, grandes doses de dever cívico para combater os riscos de abuso. Os valores e as atitudes, em democracia, requerem profunda divulgação e ampla aceitação, e não podem ser impostos autoritariamente ou de forma dogmática. Por isso a escola não pode ter uma acção neutra. O acto educativo transmite sempre, de forma explícita ou implícita, uma opção, induzindo valores em cada momento de comunicação, em cada acto de transmissão de conhecimentos, valores orientados por princípios que conduzem à aprendizagem de um mundo de pessoas e não de autómatos. Em resumo, o acto educativo propõe-se a conquista dos corações e das mentes, abrindo o caminho da consciência, formada de sentimentos e de razão, tornando a educação para a cidadania uma questão interdisciplinar por excelência.

                      (manel cruz)

(manel cruz)

Juiz Rui Teixeira: Quem se mete com o PS leva!

Como era de esperar desde que decidiu prender Paulo Pedroso por ser suspeito de pedofilia, o juiz Rui Teixeira está a braços com o Conselho Superior de Magistratura. Ao contrário dos seus colegas, nunca mais foi promovido e parece que poderá nunca vir a sê-lo. «Em 25 anos não me recordo de nada semelhante. A avaliação de um juiz ficar dependente de um processo civil em que o juiz não é tido nem achado», refere o Presidente da Associação Sindical de Juizes. «Curiosamente», foram os três magistrados indicados pelo Partido Socialista que propuseram que se aguardasse pelo fim do processo que o em tempos alegado pedófilo moveu ao Estado.
Como seria de esperar, começo por dizer. Uma Justiça subserviente para com o poder é o que temos hoje. Uma Justiça que se vinga em quem teve o desplante de se meter com o PS. A mesma Justiça que nomeia para investigar o caso Freeport a grande amiga de Almeida Santos e mandatária da candidatura de Mário Soares à Presidência da República. A mesma Justiça que só vai atrás de Vale e Azevedo depois de ele deixar de ser Presidente do Benfica. A mesma Justiça que condena Isaltino Morais porque está sem Partido e iliba Fátima Felgueiras por ela ter o «rabo» do PS bem preso.

TVI e Público – Coincidências?

Os únicos dois canais da comunicação social que mostravam alguma independência em relação ao poder PS estão em acelerada decomposição.

O jornal de sexta-feira da TVI já foi à vida e o Público anuncia a substituição do Director e melhor que isso, o seu provedor do leitor diz que o jornal tem uma agenda política própria.

Nem mais nem menos o que o governo e o PS vêm dizendo!

FUTAventar – S. L. Benfica #5

Mais um jogo, mais uma vitória!

jorge_jesus
Já por aqui se escreveu que a vitória teve por base um lance duvidoso. Para mim não há dúvidas – estou tão certo de que este lance não foi penalty como estou de que ontem o Álvaro Pereira fez um penalty que toda a gente viu. A diferença está no facto de em Leiria ter sido assinalado e em Braga não foi. Num caso para “ajudar” o Benfica, noutro para ajudar o Porto.
Quanto ao jogo, só Benfica procurou ganhar o jogo. A Manuela Fernandes Leite esteve ausente do jogo, numa espécie de negação da própria política. O PSD não esteve no jogo para ganhar, limitou-se a esperar que o BENFICA não o ganhasse. O BENFICA entrou muito bem e só um tiro no pé do Ministro da Defesa levou o Leiria a sonhar com a vitória nas eleições.
O jogo do BENFICA não foi tão bom como tem sido hábito e só a coabitação entre a arbitragem da casa civil da presidência e o governo permitiu um lance em que Cardozo voltou a fazer o que sempre fez bem: marcar golo.
A vitória acabou por cair para a equipa que lutou por ela. Mais um jogo, mais uma vitória.
“Benha” o Leixões para mais uma enchente na catedral… E o fim-de-semana que aí vem é o melhor do ano: é aquele em que lagartos e andrades lutam entre si.
Uma última palavra para o POVO do BENFICA! Fantástico! SOMOS mesmo o MAIOR clube do mundo.

Ó, atrás vai vazio! (explicação)

Num «post» publicado hoje, peço que os nossos leitores me expliquem o significado daquela frase. Posso dizer que a Belina andou pertinho e o Carlos Ferreira acertou em cheio. Na «mouche».
Não era um golpe publicitário, Luís Moreira, nem precisava de recorrer aos seus compêndios, caro Carlos Loures. Afinal, trata-se apenas de uma frase repetida diariamente, milhares de vezes, nas paragens de autocarro do Porto.
Disse que não ouvia esta frase há anos e é verdade. Mas recentemente, por ter andado de autocarro, lá ouvi de novo a sacramental frase. Como explicou o Carlos Ferreira, as pessoas que estão na paragem refere-se à parte de trás do autocarro, que na sua óptica vai vazia, já que toda a gente se concentra à frente, mais perto da porta de saída. O curioso é que, muitas vezes, o autocarro ia tão cheio atrás como à frente (embora não parecesse porque só cabe uma pessoa no corredor a seguir à porta de trás), mas a frase já estava engatilhada por quem ficava na paragem e pronto, não havia nada a fazer…
É esta a expicação da frase. A explicação da Belina também ficou próxima. É usual dois autocarros da mesma carreira chegarem ao mesmo tempo à paragem, sendo que o da frente vem cheio e o de trás vazio. E a frase, «não vás nesse que o de trás vai vazio», também é muito comum.

FUTAventar – Tão sujo como o Liz

Aquele penalti é uma afronta a uma equipa como o Glorioso que não precisa de ajudas daquelas para ganhar jogos, tal foi o desaforo que mal fica aos benfiquistas. Se alguem tinha dúvidas hoje ficou elucidado, o campeonato já está entregue, podem mandar fazer as faixas de campeão.

Como é possível assinalar uma falta quando o defesa do leiria se limita a afastar a bola para longe, nem sequer disputa a bola ao jogador do Benfica.

Nunca vi tal roubalheira!

(EXPLICAÇÃO DA DIFERENÇA ENTRE JOGO PERIGOSO E PENALTY AQUI)

Antologia de pequenos contos insólitos: Mário Henrique-Leiria

Hoje apresentamos Mário-Henrique Leiria e alguns contos de três dos seus livros «Contos do Gin-Tonic» (1973),a sua obra mais conhecida, «Novos Contos do Gin»(1974) e «Casos de Direito Galático» (1975). Mário-Henrique Leiria nasceu em Lisboa em 1923 e morreu em Cascais em 1980. Ligado ao movimento surrealista, chegou ao grande público através da frequente declamação que, na televisão, o actor Mário Viegas fazia dos seus textos. Começamos com um conto do seu último livro, «Casos de Direito Galático».
mário
Ilustração de Cruzeiro Seixas para a capa do livro «Casos de Direito Galático».
CASO 37 007 339 – 3º VIII
Sector de Rigel
(Crostol contra Pul-Tra)
Pul-Tra, rastejador polipoide de Algol-7, caixeiro viajante de máquinas de solidão, ao desembarcar no porto estelar de Troikalan em actividade profissional, foi abordado no bar do dito astroporto por Crostol, indivíduo insecto-voador, indígena do planeta, que delicadamente o convidou a tomar um recipiente de «Grum-Kvas VOP» como símbolo de boas vindas.
Pul-Tra, com dois tentáculos e extremo cuidado, pegou no insecto indígena e, em gesto ritual, arrancou-lhe cerimoniosamente os órgãos visuais.
Dado este acontecimento, foi detido para averiguações por um membro do Departamento Gravito-Sentencioso que gravitava de serviço no astroporto.
A queixa foi imediatamente apresentada por Brastol, membro do grupo reprodutivo de Crostol (5º sexo), baseada na alegação de destruição desnecessária praticada na pessoa de um indivíduo do citado grupo.
Processando-se em seguida a análise de Conjuntos, Circunstâncias e Condições, alegou a defesa que Pul-Tra, como todos os naturais de Algol-7, era de condição pacífica, sempre pronto a retribuir qualquer delicadeza recebida.
Dado que, por contingência psico-somática, todos os naturais dessa região prezam e consideram como o maior bem a solidão e a contemplação interna (zan-zan-dag), Pul-Tra, ele mesmo vendedor das mais requintadas máquinas de solidão produzidas pela sua raça, devolvera no melhor estilo a amabilidade de Crostol, libertando-o dos órgãos visuais e, assim, da presença de imagens externas inoportunas.
A acusação (Ministério Público – Comarca de Troikalan) no entanto, não aceitou esta argumentação, considerando que, como é sabido, os órgãos visuais dos indígenas de Troikalan são o elemento sustentador do equilíbrio sexual (5º sexo) dos grupos reprodutivos e a destruição desnecessária dos mesmos pode pôr em grave risco a imprescindível polinização das fecundações de grupo. A ignorância deste facto, disse, não pode de forma alguma servir como argumento para a absolvição do rastejador polipoide Pul-Tra, de Algol-7. Como fez notar, há outras maneiras de ser agradecido além de «andar por aí a vazar olhos» (sic).
A sentença (Sector de Rigel – Comarca de Troikalan) foi benigna, considerando como circunstância atenuante a boa-fé com que o acto fora praticado, embora a acusação tivesse protestado energicamente.
Pul-Tra foi sentenciado a suportar luz nos olhos directa e ininterruptamente durante 37 rotações algolianas (factor + 7), com pena suspensa por 3 ciclos de Rigel. Ao grupo reprodutivo de Crostol foram concedidos dois binóculos reprodutores extra e, como indemnização simbólica, a posse temporária, durante a pena suspensa, do apêndice caudo-solitário de Pul-Tra.
Pergunta-se aos estudantes atentos: foi a sentença coerente com os trâmites planetários em vigor (Sector de Rigel) ou houve abuso de poder?
(Casos de Direito Galático)
Torah
Jeová achou que era altura de pôr as coisas no seu devido lugar. Lá de cima acenou a Moisés.
Moisés foi logo, tropeçando por vezes nas lajes e evitando o mais possível a sarça ardente. Quando chegou ao cimo, tiveram os dois uma conferência, cimeira, claro. A primeira, se não estou em erro. No dia seguinte Moisés desceu. Trazia umas tábuas debaixo do braço. Eram a Lei.
Olhou em volta, viu o seu povo aglomerado, atento, e disse para todos os que estavam à espera:
– Está aqui tudo escrito. Tudo. É assim mesmo e não há qualquer dúvida. Quem não quiser, que se vá embora. Já.
Alguns foram.
Então começou o serviço militar obrigatório e fez-se o primeiro discurso patriótico.
Depois disso, é o que se vê.
(Contos do Gin-Tonic)
Bus stop
Deu uma corrida rápida e saltou para o autocarro no momento exacto em que a porta começava a fechar-se.
Sentiu a pancada atrás de si e ouviu a campainha.
O autocarro arrancou, talvez com violência excessiva. Agarrou-se ao varão metálico e respirou fundo, para aliviar o cansaço vindo da corrida inesperada.
Procurou as moedas necessárias no bolso das calças e entregou-as ao cobrador, ao passar o torniquete. Deu uns passos pelo corredor central, deteve-se, deitou a mão à argola que lhe pendia por cima da cabeça para garantir o equilíbrio e olhou em volta. Nenhum lugar sentado.
Baixou os olhos. No chão parecia que alguém havia pisado flores e deixado uma pasta esmagada, viscosa, com vestígios de vermelho e amarelo. Escorregava, quando lhe passou com o pé por cima. Afastou-se um poco e mudou a mão para a argola da frente.
Os passageiros liam ou olhavam pela janela. Num silêncio pouco vulgar. Lá, no lado de fora do banco do fundo e com uma perna meio estendida para o corredor, um velho de longa barba ainda quase ruiva e um boné gasto de pala amachucada olhava para ele fixamente, impassível. Desviou os olhos com uma sensação de súbito desconforto que não conseguiu compreender.
Pela janela reparou que estava na Avenida da Liberdade. Do lado de lá dos vidros as pessoas moviam-se pelos passeios e os carros deslizavam num ruído que lhe chegava abafado. As casas, as árvores e o tempo iam ficando para trás.
Começou a admirar-se. Não havia paragens. Ninguém saía nem entrava. No entanto, como o autocarro ia realmente cheio, talvez fosse assim mesmo. Andam sempre a mudar os regulamentos, não há nada a fazer.
O autocarro dobrou a esquina e entrou por uma rua estreita, empedrada, escura. Que era aquilo? De um lado e doutro pequenos prédios de tijolo avermelhado, sujo, perfilavam-se, monótonos. As pessoas na rua eram poucas e pareciam caminhar com extrema cautela. Nenhum carro. Apenas o som insistente do motor do autocarro.
Sentiu-se inquieto. Desviou os olhos da rua. Um ressalto dos pneus fê-lo procurar o equilíbrio apoiando-se levemente com a mão esquerda, no ombro da menina que, no banco ao lado, lia uma revista muito colorida. A menina ergueu os olhos. Tristes. Uns cabelos exactamente negros e longos ladeavam-lhe o pequeno sorriso só esboçado. Baixou a cabeça e retomou a leitura da revista colorida.
Retirou a mão numa desculpa silenciosa e ficou ainda a olhar os cabelos negros que desciam sobre os ombros e tornavam a esconder o rosto da menina.
Depois, de novo inquieto, voltou a observar a rua.
Teve uma sensação repousante de alívio. O autocarro acabava de entrar na Avenida da República. Mas que volta aquela!
Olhou o relógio. Tinha 17 minutos para apanhar o comboio. Era pouco. Com aquele caminho disparatado ia com certeza perdê-lo. E ter que esperar meia hora pelo outro. Que chatice, o trânsito.
O autocarro travou chiando, para deixar passar um grupo que, com uniforme leopardo e olhando correctamente em frente, atravessava a praça.
Aproveitou para admirar mais uma vez o Monumento. Realmente era bonito. Sempre apreciara a escultura. Devia ter dado um trabalhão dos diabos, o Monumento.
Num solavanco sem aviso o autocarro seguiu.
O ruído da Avenida deixou de se ouvir e apenas restou o silêncio interior, com o ciciar discreto de alguém que virava a página.
Lá fora, passad
a
a praça, o campo estendia-se, o sol poente a desenhá-lo com nitidez e alguma melancolia.
Começou a fixar a janela quase obsessivamente. Viu as vacas que pastavam, as casas pequenas e distantes e até lhe pareceu ouvir um sino a badalar.
Não se conteve. Assim ia perder todos os comboios.
Largou a argola em que se pendurava e, com passos de marinheiro em autocarro, chegou junto do condutor.
– Mudaram o percurso? – interrogou quase agressivo.
O condutor não virou a cabeça. Continuou a olhar em frente, para a estrada que surgia, recta. Disse só:
– Não.
O autocarro acelerou um pouco.
Voltou para a sua argola e pendurou-se de novo.
No banco da frente, uma criança, ao colo da mulher forte de cabeça inclinada, virou-se para ele e ergueu um braço pequenino, num gesto mais pequeno ainda. E inútil.
Sempre preocupado com o comboio, ficou a olhar e a tentar compreender o que acontecia lá fora.
Passado o último renque de árvores, o autocarro entrou de novo na Avenida.
Respirou fundo. Talvez ainda chegasse a tempo.
Mas não conseguia saber onde se encontrava. Uma Avenida muito longa e larga sem nome conhecido, com prédios excessivamente altos de um lado e de outro. Rigorosamente iguais até ao fim.
Uma avenida. Vazia. Sem carros. Sem gente. Sem árvores.
Desistiu.
Passou algum tempo, no silêncio que o envolvia, sempre pendurado na argola e olhando inutilmente a mancha das flores esmagadas que marcava o chão.
O autocarro estacou de repente.
Balançou, desequilibrado, mas logo recuperou o equilíbrio e avançou para a porta que se abria, automática,
Foi o primeiro a saltar. Olhou em volta.
Uma estrada asfaltada prolongava-se até à entrada distante do que lhe pareceu, dali, ser uma quinta com um portão largo.
De cada lado surgiram-lhe dois homens altos e calados, uniformes negros e pequena metralhadora em bandoleira.
Seguraram-no. Um pelo cotovelo esquerdo, o outro pelo cotovelo direito. Começaram a andar. Os três. Em silêncio.
Sentiu passos atrás de si. Muitos.
Ao aproximar-se, o portão tornou-se-lhe mais nítido. Era bastante largo r gradeado.
Então, quando a distância lho permitiu, leu em letras metálicas numa faixa ondulante por cima da entrada
ARBEIT MACHT FREI
Realmente não se preocupou muito. Nem sequer sabia alemão.
(Novos Contos do Gin)

Vejam e ouçam agora Rifão quotidiano, outro dos «Novos Contos do Gin», dito pelo inesquecível Mário Viegas.

AO POEMA ECOLOGISTA AVENTADO POR CARLOS LOURES

Em momento de revolta escrevi o que se segue. Não leves a sério, Carlos Loures.

O POETA É UMA MERDA

Magnífica surpresa nesta saga de poetas
para as cinzas nocturnas!
Serena ode à quietude universal!
Ali na esquina com fumo branco
habemus paxem.
Na deserta anatomia do silêncio
onde outrora a poesia já morou
grita a verdade bem alto.
Pedaço de vida fumegante
e a grossa lista das páginas em silêncio.
Talvez o nosso nome esteja lá
para embrulhar a consciência adormecida
em dez minutos de paz e de vida.
Lida a vida a vida inteira
este atalho de fim de mundo nada encurta e tudo alonga.
Verdadeiro a correr e a cantar
esgueirando pela rua a frágil seara do corpo
só o paraplégico
fazendo cavalo na cadeira de rodas.
Verdadeiro apenas aquele gajo sujo
colado á soleira numa caixa de cartão
mostrando os dentes que não tem
em arremedo de sorriso que não se abre.

Por isso o poeta é um falso
nem sequer é um fingidor.
O poeta é uma merda.
Cada vez mais me enojam os poetas
na sua ambiguidade de tempo e espaço
no vazio da sua mentirosa e teatral ausência.
Abrandado o tempo na escassez da vida
nem da vida o poeta se dá conta.
O poeta é um cego com ares de quem tudo vê.
O poeta é ridículo.
Inventa céus que não existem
engolindo patéticos peregrinos nos buracos negros das palavras.
Diz aquilo que ninguém entende para mostrar o que não sabe.
Fecha os versos no escuro como se branca fosse a noite inteira.
O poeta finge
O poeta mente
O poeta não vê
que á volta do fumo se juntam quatro caminhos
ainda que nenhum deles tenha princípio ou fim.
E um atalho de fé sem madrugada
sobre as areias movediças da maldição
onde se afogam a mente e a razão.
O poeta não passa de um dilema
perdido entre o silêncio e a palavra.
Por mais agudo que seja o grito da verdade
Não há verdade na essência do poema.

Adão Cruz

Educação: a olhar para o umbigo

Um dos melhores retratos da educação em Portugal é aquele que foi traçado nos recentes debates entre os líderes partidários. Os candidatos falaram sobre avaliação de professores mas não sobre o ensino“…Ler o resto AQUI.

Este é o melhor retrato do actual estado da Educação em Portugal. Foi escrito pela Helena Matos no Blasfémias e é de leitura obrigatória.

O Sr. Dr. Juiz está feito

O processo Casa Pia foi-lhe parar às mãos por ingenuidade, por acaso ou porque se fez a ele?

Se calhar tambem não sabe, às vezes passam coisas pela cabeça de um homem que nunca mais nos largam. Logo que lhe cheirou a crimes tão graves e a gente tão graúda, o sr. Dr. ou metia baixa ou pedia orientações. Não fez nem uma coisa nem outra, bem pelo contrário, foi à Assembleia da República constituir arguido um deputado da Nação e do grupo parlamentar do PS. Com as televisões a filmarem em directo.

Agora o sr. Dr. juiz vai encontrar PSs pela frente toda a sua vida, eles estão em todos os lugares, no aparelho do Estado, na governação, na Alta Administração Pública, na Justiça, nas Polícias, na Comunicação Social em tudo o que tem poder para manipular e não deixar esquecer o que o sr. Dr. fez ao PS.

Olhe em volta, sr. Dr., o sr magistrado Lopes da Mota assoprou umas coisas indevidas à Fatinha de Felgueiras que fugiu a tempo para o Brazil. Está na Presidência do Eurojust. De vez em quando tem que assoprar mais umas coisas aos seus colegas titulares do Freeport, mas que é isso comparado com o sr. Dr. que está à espera de uma decisão de um colega seu ( é quase certo que é do PS) para lhe fazer pagar a indemnização que o Pedroso vai receber, descontando nas suas promoções?

O irmão, o outro Pedroso até recebeu uma indemnização do Ministério da Segurança Social por um trabalho que não fez ! Está à espera de quê ?

Só lhe estou a dar um exemplo de “asfixia democrática” isto não tem nada a ver com a realidade!

Das misérias de um país

Os últimos dias de campanha foram miseráveis. Chegamos a um país que discute escutas de um órgão a soberania a outro, conspirações que envolvem o presidente, o governo e jornalistas, emails alvo de kackers ou afins, as prestações televisivas de candidatos num programa de humor e o share que atingiram.

Está instalada a confusão. Em todo o lado. Nos órgãos de soberania, a começar num presidente à deriva e num primeiro-ministro perdido, nos partidos políticos, na comunicação social, na sociedade.

Eis o Portugal de 2009.

O quanto gostaria de ver Eça de Queirós escrever sobre as misérias desta coisa.

O que fazer com os movimentos

Depois da MEGA-manif de ontem com mais de 149 mil professores ausentes, alguns dos seus mentores pensam nos passos seguintes. A seu tempo darei a minha opinião sobre o assunto, mas de momento gostaria de analisar alguns dos argumentos de Ramiro Marques.

1. Creio que a única coisa que une os dirigente (no singular) de cada um dos movimentos é a visão anti-sindical da profissão. Algo mais que visto – obviamente continuam a não ver o essencial. A movimentação da Classe aconteceu por muitos motivos, um deles a existência de sindicatos. Quer gostem quer não gostem, isso é uma verdade.
2. É uma verdade, sendo que o ataque feito pelo PS aos direitos sindicais vai tornar agora quase impossível a prática sindical – o editorial de António Avelãs é esclarecedor.
3. É excessiva esta ligação entre os dirigentes sindicais e as suas ligações partidárias. Recordo, no entanto, que esta foi uma questão internamente discutida no último congresso da FENPROF. No entanto penso que não faz sentido esta consideração num momento em que os Sindicatos e os Professores conseguiram manter a LUTA bem longe dos partidos.
4. Este argumento é um insulto – sou dirigente nacional da FENPROF e fico triste por ver o Ramiro a entrar no insulto.
5. Uma ORDEM???? Era só o que nos faltava. Além disso, sonhar com 10 mil sócios é uma miragem meu caro Ramiro… uma miragem!

A uma semana das eleições…

está ainda muito por esclarecer, sendo que há já alguns elementos quase certos:
1 – O PS vai ganhar, mas sem maioria absoluta.
2 – PSD fica em segundo e com o CDS também não chega à maioria parlamentar.
3 – BE será a 3ª força na casa dos dois dígitos. Deve eleger pela primeira vez em Faro, Aveiro e Braga, aumentar em Setúbal, Porto e Lisboa. Coimbra é uma miragem (Escreve-me o João Cardoso para corrigir esta ideia, ver comentário).
4 – CDS e CDU lutam palmo a palmo pelo último lugar.

É também claro que o PS ataca o PSD, seu adversário natural, mas não deixa o BE descansado – todos os dias há um ataque forte ao BE (veja-se a capa de ontem do Expresso ou a presença de Alegre em Coimbra). Claro que o BE também não ataca a esquerda do PS, antes pelo contrário – hoje ouvi Louça dizer que teria todo o gosto em ter Alegre a seu lado numa campanha.
O PCP continua o seu caminho sozinho a falar para a sua gente.
Entre o PSD e o CDS acontece algo de estranho – o PSD deixou a Direita direitinha a inteirinha para o Paulinho das feiras. Não entendo esta postura, que na minha opinião vai custar a vitória ao PSD.

Com estes dados quase certos, a Cavaco só resta convidar o Secretário-geral do partido com mais votos nas eleições para formar governo. Sócrates irá formar governo minoritário – não acredito num acordo pós-eleições. Estas (im)possibilidades:

– PS / PSD
– PS / CDS
– PS / BE
– PS / CDU
– PS / CDU / BE

Tudo se encaminha para uma maioria de esquerda no Parlamento. PS, BE e CDU juntos terão a maioria absoluta. Obviamente esta não é a esquerda possível que Alegre deseja, é, antes, a esquerda impossível. Não me parece possível que a CDU possa dar a mão a Sócrates num acordo parlamentar – aprovação do orçamento e do programa de governo, ainda que com uma abstenção, por exemplo.
Já acredito mais num acordo com o BE, sendo que Louça tem sido muito claro: NÃO!
O Portas até gostaria mas não terá capacidade para levar o PS até à maioria
Perante o não da esquerda resta ao PS encostar o PSD à parece apelando à responsabilidade governativa… e ir avançando em minoria. O PSD irá “aprovar” documentos essenciais com a sua abstenção.
Vamos então para a última semana.

A nobre arte

Estive, mais uma vez, acordado até às cinco da manhã para ver boxe, directamente de Las Vegas.

Floyd Mayweather contra José Manuel Vasquez, o primeiro nunca perdeu é um artista “borboleta” em cima do ring tal é a sua capacidade de esquiva. Pertence a uma família de boxeurs, o pai e o tio foram grandes lutadores e o tio é seu treinador. Mais uma vez ganhou contra um boxeur corajoso que só perdeu quatro vezes, mas que não tem a técnica de MayWeather.

Despertei para o boxe com Cassius Klay, ou Mohamed Ali, um portento, com um 1,90m e 100 Kgs flutuava no ring como se fosse um bailarino, ficou célebre o combate que travou contra um gigante ainda maior do que ele, Floyd Petterson, em que este sete assaltos encostado às cordas a lever pancadaria. No fim desse assalto, o adversário não podia com um gato pelo rabo e Cassius deu cabo dele num ápice.

Sugar Ray Robinson, talvez o melhor boxeur de todos os tempos, era de uma elegância impressionante, e Hollyfield outro gigante a quem era muito dificil atingir, tal era a sua capacidade de defesa.

Tive o gosto de conhecer, aqui em Lisboa, o nosso Belarmino, um saco, que era pago para levar porrada de putos ambiciosos e de agentes mafiosos, tinha uma capacidade de encaixe extraordinária, aguentava o que fosse preciso. Falei muitas vezes com ele, era porteiro do “Sempre em Festa” e eu passava tempo a ouvir as suas histórias .

Mas no outro dia aconteceu-me uma muito boa. Esperei até às cinco da manhã para ver um combate entre Mayweather e Jim Hatte, inglês tambem imbatido, que joga sempre ao ataque tipo “rolo compressor.” O Floyd arrumou-o em cincoenta e dois segundos.

É preciso muita paixão.

Um vómito – O Louçã e a Drago têm poupanças

Compraram acções, usaram um dos instrumentos do Diabo que eles juram quererem matar. Arreda satanás!

O Louçã parece que tem trinta mil euros e a Ana cinco mil, esta gente é milionária, tão nova e cheia de cheta, valha-nos Deus, como podem eles serem anticapitalistas?

Um dia destes o jornalismo que se pratica no país vai cair em si e ter vergonha, chamar à primeira página uma notícia destas é um vómito, um escarro, só pode vir de jornalistas doentes, dependentes, vergonhosamente ao serviço de quem lhes paga os títulos e as notícias.

Um dia os jornalistas sérios que não atacam pessoas e que seguem as regras da deontologia da profissão, perceberão que ninguem faz pior ao jornalismo que estes vómitos de primeira página. E que só há estes escarros porque, muito convenientemente, a Justiça não existe.

E tomarão nas suas mãos a autoregulação da profissão !

Ó, atrás vai vazio!

Aos anos que não ouvia esta frase.
Depois de um de vós me dizerem a que se refere esta frase, continuarei com o «post»…

Assuntos não discutidos na campanha

Por onde anda o desemprego que está para durar e a crescer ? E a criação de riqueza ? E a dívida externa ? Estes assuntos, os mais importantes que se perfilam no horizonte não aparecem na campanha. Porquê?

Não há ideias, não há medidas ?

Há quem diga, sem se rir, que se tratam de problemas que vieram com a crise e com a crise irão, isto da parte dos socialistas. Mas da parte dos outros partidos ? Se não há criação de riqueza, e não há, como a OCDE já veio dizer, como é que se criam postos de trabalho ? E como se suporta o Estado Social ( a saúde, a segurança social…)?

Vai ficar para a última semana de campanha ?

XX – nÃO sEJAS dURO dE oUVIDO O9/09

É mesmo assim que se chama o “debut” álbum dos The xx. Que grande estreia! Numa altura em que anda tudo a pensar onde colocar o x no próximo dia 27, nada como colocar nas orelhas os phones e ouvir xx:

FutAventar – F.C. Porto #7:

Os mouros do Aventar estão ansiosos. Estão mortinhos por ver a posta sobre o resultado de Braga. Mas tão ansiosos que até já nos brindaram com uma posta sobre o tema. Paciência que nestas coisas mais vale escrever aos Domingos.

Uma ansiedade só ultrapassada por aquela do próximo domingo. Vê-se logo que não percebem nada de estratégia e da arte maquiavélica dos nossos dirigentes. Mouros dum raio! Então queriam ver o Braga a perder ou empatar para vocês, amanhã, na eventualidade de uma vitória, virem para aqui festejar o primeiro lugar? Pensavam vocês que o Porto vos faria semelhante frete? Nem pensar.

O meu Porto perdeu e bem. Muito bem. É assim mesmo, para evitar ver os mouros em primeiro lugar, ajudar a equipa B do FCP! Rima e é verdade!

Domingos Paciência: Uma bofetada de luva branca

Apesar de ser portista, quase fiquei contente com a vitória do Braga. Foi mais uma vitória de Domingos Paciência sobre o FC do Porto e uma bofetada de luvra branca para todos aqueles que teimam em pôr em causa a seriedade do antigo avançado do Dragão. Esquecem-se que os treinadores de futebol podem ser tão honestos e verticais como qualquer outro profissional. Esquecem-se também que os portistas não são menos honestos do que os outros só porque são portistas.
Mas por mais vezes que ganhe ao FC do Porto, Domingos Paciência terá de continuar a enfrentar os anti-portistas e a dar-lhes bofetadas de luva branca. Infelizmente para o meu clube.
A seguir, como é óbvio, será Jorge Costa que, pelo Olhanense, também fará fretes ao FC do Porto. E Manuel Fernandes, que pelo União de Leiria fará fretes ao Sporting. Ah, pois, só os do FC do Porto é que não sérios…
Sabes que mais, Domingos? Já não há paciência!

FUTAventar – o Dragão afunda-se por um canudo

Fisica, tactica e tecnicamente o FCP esteve muito longe de poder arrancar qualquer ponto ao Braga. O jogo de Londres arrasou por completo os melhores jogadores do Dragão que se arrastaram no campo completamente esgotados.

A par disso o Braga está uma senhora equipa com uma defesa muito poderosa e um meio campo que se completa, onde sobressai um leãozinho que o Sporting muito mal tratou como, aliás, fez a outro ,o Varela, que agora joga no FCP.

Esta é uma visão, digamos, de grande rigor tecnico ,mas a verdade é que tudo isto pode ser o resultado de os jogadores do FCP ao verem jogar o Glorioso ao nível fantástico que só o facciosismo não deixa ver, estarem já arrasados psicologicamente, e derrotados sem capacidade de luta percebendo que o campeonato já era.

Um abraço Andrades!

Alegre em campanha para as Presidenciais de 2011

«O SNS é uma bandeira socialista que está a ser esfarrapada; e mais que uma bandeira socialista, é uma bandeira que o povo precisa».
A frase foi dita por Manuel Alegre ainda há bem pouco tempo, já depois da saída de Correia de Campos. Hoje, travestido em fervoroso apoiante do Governo, no comício de Coimbra, assegurou que só o PS pode defender o Serviço Nacional de Saúde.
Coerência? Não lhe peçam isso. O homem é um poeta e, para além disso, já anda em campanha para as Presidenciais de 2011.

Os professores sem cavaco

Fui almoçar a Belém áquelas casinhas do sec. XVll onde morria o rio, que ouviram os choros das mães dos marinheiros que demandaram as Índias, os gritos dos Távoras naquela barbárie dominical, os tiros do ataque a D.José l ( lá está o “beco salgado” para que nada torne ali a crescer). Seguia-se a passeata num dos largos mais belos do mundo, comover-me com os Jerónimos, empanturrar-me com os pastéis (agora são filas de meter dó), depois o CCB, com tempo os vários museus…

Mas desta vez, acompanhava-me o texto do João Paulo, o receio das manifestações dos professores independentes, uma das quais ali bem perto frente ao palácio cor-de-rosa. E se a manifestação fosse um fiasco ? Lá fui quatro da tarde, polícias alguns para além dos habituais, uns quantos civis, um grupo aqui outro ali, muito pouca animação, a palavra de ordem é que ainda era cedo, seria, desconfio que para outros já seria tarde, a sorte é que a maioria que passava ali não fazia ideia da manifestação.

Meia volta e fui ao passeio, um casal de africanos a casarem-se nos Jerónimos ela toda de branco ele com um ar comprometido, os acompanhantes a apostarem se aquela árvore era “uma olive” o noivo nada dizia já tinha dito demais, bem sei que isto é um bocado “bronco” mas que dizer daquele ar “bem” num casamento que se queria com a alegria genuína africana, com as “cadeiras” a bambolearem num ritmo que só eles é que têm natural ?

Com a segunda decepção do dia avanço para o CCB em passo estugado não vá já não encontrar O Expresso ou o Público e pimba não há jornais nem esses nem os outros, sigo em frente sem desfalecer e vou para o Jardim das Oliveiras sobre o Tejo mas sem jornal, deito-me na relva, o Muralhas de Monção estava fresquinho ao almoço, salvou-me a tarde.

Cartazes para as Autárquicas (Santarém)


Francisco Moita Flores (actual Presidente), PSD. via Imagens de Campanha
santarem
António Carmo, PS.

Louçã só gosta de nabos a bem da credibilidade

Louçã em Alcobaça passeia no mercado cumprimenta, beija e fala com as vendedoras dos nabos, nabiças, tomates, alfaces enfim com a horta, mas evita a as vendedoras de peixe. Estas bem lhe dizem adeus mas Louçã não está para peixeiradas a bem da seriedade. O BE quer todos, mas não todos e muito menos a qualquer preço, sabe bem que aquilo depois à noite nas televisões é um rodopio de abraços e beijocas, bailaricos, palavrões, como é que isto joga com um partido do arco do poder?

Poemas com história: Poema ecologista

Era com um longo Poema ecologista (podendo também servir de prefácio) que abria uma colectânea de poemas que publiquei em 1990 – O Cárcere e o Prado Luminoso. Na altura estava envolvido num projecto cuja direcção científica era conduzida pelo Professor Luís de Albuquerque, professor catedrático da Universidade de Coimbra, doutor honoris causa pela de Lisboa, figura cimeira na investigação histórica do período dos Descobrimentos, enfim, um grande intelectual, um cidadão exemplar e um homem bom. Foram alguns anos de convívio intenso, travámos uma grande amizade e, naturalmente, quando publiquei o livrinho, ofereci-lhe um exemplar. Pois Luís de Albuquerque escreveu uma réplica a este poema que hoje vos apresento. Guardo ciosamente o original escrito pelo punho do Professor e hoje compartilho convosco a leitura desse texto. Luís de Albuquerque, em plena actividade, presidindo à Comissão Nacional para a Comemoração dos Descobrimentos, foi ceifado por um acidente cardiovascular e faleceu em Janeiro de 1992. Aqui vos deixo a parte inicial do meu poema e, em baixo, o valioso «contraditório» de Luís de Albuquerque.

Poema ecologista

Vítima de uma certa e cruel
forma de poluição,
de um desgaste acelerado
dos meios naturais,
tal como o bisonte, o castor,
o lince, a cabra selvagem,
o poeta é hoje
um bicho ameaçado de extinção.
A destruição indiscriminada
de elementos essenciais
ao equilíbrio da vida,
a água contaminada, a voragem
que destrói a floresta,
a natureza consumida,
põem em perigo
a existência de muitos animais.
O poeta não se extingue porém
com a dramática violência
da baleia: a fúria utilitária
que se apossou das sociedades,
a súbita transformação
dos cafés em bancos comerciais,
roubaram-lhe o habitat
e ameaçam-lhe a sobrevivência.
Não flutua morto como o peixe
na albufeira da barragem,
entre o pneu velho, o preservativo,
a embalagem perdida,
as garrafas de plástico,
os detritos industriais:
não obedecendo já ao mote,
busca o spot, a «mensagem»
que ajude o pesticida
a matar o peixe e a vender mais
a margarina,
a «promover» o cancerígeno sumo:
aparece uma manhã a boiar
na secretária da agência,
morto heroicamente
ao serviço do consumo.

Não meu Amigo

O poeta não está em vias de extinção.
O lince, o castor, a foca, o homem
não vão resistir
ao fumo fétido das celuloses
suecas,
aos rios contaminados dos detritos das celuloses
suecas,
aos verdes plásticos
que alastram por prados artificiais,
ao crude.
que faz todo o mar negro, negro.
Mas salvam-se as cabras de Cabo Verde
que se riem dos plásticos
e comem-nos.
E com elas salvam-se os poetas
que sabem viver a angústia
de não haver mais amigos nos cafés, nos jardins, na noite,
e são capazes de fazer poemas de tudo,
mesmo dos plásticos.
E a poesia, meu amigo,
não é nada um péssimo produto;
é o único produto
que anda por aí
e não se adultera.
Para a poesia não é necessária a inspecção,
nem a defesa do consumidor.
Cada um consome a poesia que quer
e se ninguém a quer
a poesia morre e não deixa despojos deletérios.
Por isso,
Os poetas não são bichos em extinção
enquanto a poesia circular,
mesmo que seja em meios pútridos,
enquanto houver alguém que a sorva
como sorve o ar ignorado
de cada manhã irrepetível.

Luís de Albuquerque
1990.04.05

albuquerque

Candidatos no carro

O programa da SIC, “Os candidatos como nunca os viu”, terá como objectivo habilitar os eleitores a conhecerem os candidatos, como explicou o director de Informação da empresa (…)

Para o ar já foram 4 programas e, em todos eles foi incluída uma entrevista dentro de um automóvel em circulação, sendo interessante observar a atitude de cada um deles. Só um apareceu ao volante, Jerónimo de Sousa, que embora atento à lei que impõe o cinto de segurança, frequentemente soltou as mãos do volante, entusiasmado com a conversa, deixando o automóvel rolar na estrada, quiçá mal controlado, com risco pessoal e de terceiros, o que é de certo modo preocupante, tratando-se de um candidato que ousa pretender conduzir o governo de Portugal, oxalá, com segurança.

Dos outros 3 candidatos, Francisco Louçã, José Sócrates, e Paulo Portas, não deu para avaliar o “à vontade” ao volante, já que se sentaram, confortavelmente, no banco de trás, junto à entrevistadora. Mas deu para perceber que Louçã e Portas, conscientemente, não hesitaram e fizeram o percurso usando o respectivo cinto de segurança, como é de lei. Sócrates, todavia, descontraidamente, prescindiu do uso do cinto, ignorando a segurança e o cumprimento da lei. A “distracção” de Sócrates não surpreende nem é facto inédito, trazendo à mente o caso que abriu o editorial do DN de 15.05.2008: “Os exemplos têm de vir de cima e neste particular o primeiro-ministro deu um péssimo exemplo ao País nas três vezes que puxou por um cigarro e o acendeu a bordo do avião da TAP que o transportava para a visita de Estado à Venezuela”.

Simplificando, por este processo, ficou a saber-se quem não está à altura para ser primeiro-ministro após as eleições de 27 de Setembro….

Francisco Leite Monteiro (publicado também no «Diário de Notícias»)