Enfeitiçadas, inquietas e confusas

É um standard do cancioneiro americano e já o cantaram Doris Day, Barbra Streisand, Carly Simon, Sinead O’Connor, ou (a minha versão favorita), Ella Fitzgerald. Foi escrita pela famosa dupla Rodgers & Hart para o musical “Pal Joey”, no já longínquo ano de 1940, mas em muitas das versões gravadas posteriormente a letra, tão ousada para a época, foi censurada e reescrita. “Bewitched, bothered and bewildered” (que talvez se possa traduzir por “Enfeitiçada, inquieta e confusa”) é uma canção rara porque se atreve a dar voz ao desejo feminino, sem recorrer à habitual capa do romantismo cor-de-rosa. Relato de uma paixão contada no feminino por uma mulher que se revela experiente (“Os homens não são uma sensação nova / saí-me bastante bem, acho eu”), sem pudor de fazer referência às qualidades dele que mais a atraem (“horizontalmente falando ele está no seu melhor”), e que no fim da aventura remata desta forma a sua história: “Romance, acabou. A tua oportunidade, acabou. As formigas que invadiram as minhas calças, acabaram. Enfeitiçada, inquieta e confusa – nunca mais”.

As passagens que mais nervosismo parecem ter produzido ao longo dos anos terão sido “I’ll sing to him, each spring to him / And worship the trousers that cling to him” (algo como “cantarei para ele, a cada primavera, para ele / e adorarei as calças que se prendem a ele”), e “vexed again, perplexed again / thank God, I can be oversexed again” (“irritada de novo, perplexa de novo / graças a Deus, posso estar sobressexuada de novo”). Foram adocicadas de maneira a que a pulsão sexual, esse estado de turbação que a canção descreve, se fosse diluindo num mais domesticável sentimento amoroso. O discurso feminino sobre o desejo gera incomodidade e não apenas nos homens. E a suposta libertação feminina nesse plano traduz-se frequentemente na apropriação de um discurso tipicamente masculino, que se reduz ao uso desassombrado dos termos que até há pouco nos estavam vedados, e na assunção de um comportamento predatório que era também exclusivo do outro sexo. Quero com isto dizer que me parece muito bem que uma mulher possa falar ou escrever sobre os homens que comeu, ou o que gosta de fazer e que lhe façam na cama, mas este discurso é ainda muitas vezes uma espécie de travesti do discurso masculino e parece mais destinado a produzir um choque na cabeça dos homens (e, sejamos sinceros, na de muitas mulheres) do que a dar voz a uma vivência feminina da sexualidade. Parece evidente que há apetência e fascínio por aquilo que as mulheres possam dizer a esse respeito (bom exemplo disto parece ser o sucesso do monótono “O sexo e a cidade”), ainda que muitas vezes esse interesse não vá além de voyeurismo. Encontrar um discurso próprio depois de séculos de silenciamento é um caminho tortuoso, e no qual talvez seja necessário explorar todas as estradas e todos os desvios. E neste campo, como em muitos outros, quem é poeta leva vantagem. Segredo Não contes do meu vestido que tiro pela cabeça nem que corro os cortinados para uma sombra mais espessa Deixa que feche o anel em redor do teu pescoço com as minhas longas pernas e a sombra do meu poço Não contes do meu novelo nem da roca de fiar nem o que faço com eles a fim de te ouvir gritar Maria Teresa Horta (“Minha Senhora de Mim”)

CDU – Recados na Educação

jerónimo
Há uns dias, em Coimbra, Mário Nogueira fez um discurso inflamado durante o comício de Jerónimo de Sousa. É um tema que, ao contrário do que se esperava, não tem sido muito aproveitado pela Oposição. Sócrates devia ser obrigado a falar do Estatuto da Carreira Docente, único no mundo, da Avaliação de Professores e da Ministra Rodrigues, mas tem sido poupado. Talvez porque, no principal partido concorrente, milita uma senhora que, por acaso, foi uma péssima Ministra da Educação.
Entusiasmado com as 700 pessoas que o ouviam nas escadarias monumentais, Jerónimo de Sousa falou do aumento do défice e aventou a hipótese de eleger um Deputado por Coimbra.
Quem sabe?
Tudo isto no dia em que, mais uma vez, mostra a sua elegância política, ao não querer aproveitar-se da polémica dos PPR de Francisco Louçã.

Louçã não cumprimenta as peixeiras, ou uma demonstração de coerência

No dia em que se sabe que Louçã fez um PPR (como dizia o outro, não havia necessidade, não me parece que tenha de ir contra o que defende para assegurar o seupé de meia), o «Publico» faz manchete com a recusa do líder do Bloco de Esquerda em visitar o espaço das peixeiras no Mercado Municipal de Alcobaça.
Ao contrário do que parece, trata-se, em minha opinião, de uma prova de coerência, de fuga ao populismo. Todos sabem que as peixeiras dão excelentes imagens televisivas, muitos gritos, mutios beijinhos. É o que elas querem, está-lhes nas guelras. E fazem isso seja a quem for que lhes apareça pela frente.
Ao não querer entrar no espectáculo, Louçã mostra que é diferente dos outros. Podia ir e a seguir tomar um banho rápido. Não o fez. Deu o corpo às balas e fez o que a consciência lhe ditou.

Novidades da campanha: Sócrates já diz o nome maldito

Novidades da campanha: José Sócrates, o ainda primeiro-ministro, do alto do seu pedestal, já diz o nome de Manuela Ferreira Leite. Nunca se tinha visto tal desde o início do período oficial de campanha.
O que o terá feito dizer o nome maldito? A sondagem? Uma distracção? O medo?
Pois, Sócrates diz que tem medo do regresso ao passado. Estará a falar precisamente de passado? Do passado Guterres? Ou do seu próprio passado? É incrível como, após uma maioria absoluta de quatro anos, o passado ainda continua a ser justificação para tudo!

Sondagem da Intercampus com voto em urna: 32 – 29, ou como os eleitores têm medo de dizer que não votam PS

Há por aí muito boa gente que, ao telefone ou pessoalmente, tem medo de dizer que não vota PS. É aquilo a que alguns chamam asfixia democrática ou um clima de terror que se instalou na sociedade portuguesa há quatro anos. Repare-se no caso do professor Charrua, repare-se no caso da Directora do Centro de Saúde de Vieira do Minho, repare-se no caso de Dalila Rodrigues, repare-se no caso da Associação de Professores de Matemática, repare-se no caso da TVI, do qual já ninguém fala, repare-se em quem foi encarregada de investigar o caso Freeport.
São os perigos da Maioria Absoluta, de que já tiveramos dois tristes exemplos durante os anos 80 e 90.
Seja por isso ou não, o certo é que, na primeira sondagem com voto em urna, ou seja, com intenção de voto secreta, o PS aparece com a votação mais baixa de sempre e o PSD aparece mais perto do que nunca de chegar ao poder. Novo empate técnico, perfeitamente encaixado na margem de erro de 3%.
Na sondagem da Intercampus, o Bloco de Esquerda aparece com 12%, que deverá ser mais ou menos o seu resultado eleitoral. Menos nunca. Mais, talvez.

Escutas de meias meia perna e saia curta

Eram assim no meu tempo, o que mexia comigo que não era brinquedo, aquilo era altamente erótico, naquela altura não percebia porquê mas fui aprendendo com o tempo. O tom da pele, branca de lula , era realçada pela cor azul da meia e da saia e as pequenas eram sempre do melhor e mais bonito. Escutas eram as meninas dos colégios, bem alimentadas, bem tratadas, iam ao médico tomar vitaminas, eu ía ao médico quando estava a morrer levar com injecções de clorofenicol que hoje são proíbidas, mesmo em animaizinhos ( depois vem o Ricardo com aquela das experiências…)

Numa palavra elas eram boas por todos os lados e aqui o rapaz sabia bem que não lhes podia chegar o que me deixava muito desassossegado.

Estava eu nesta e com o assunto arrumado quando afinal parece que há escutas bem menos inspiradoras e nada a condizer com a minha memória mais interessante. Toda a gente anda a ser escutada, até o Presidente da República, o que bem vistas as coisas não é nada de admirar o Jorge Sampaio tambem viu o seu número de telefone envolvido numas listas muito chatas e que nunca mais ninguem explicou.

O melhor mesmo é desatar a dizer tudo ao telefone, preparação de assaltos, listas de jovens a quem vai ser distribuído o Magalhães, violações, distribuição de subsídios a empresas amigas, convites para concursos e respectivas comissões, audiências do Aventar, comentários do Dalby, encontros com namoradas e adultérios, até mesmo as crónicas da Fernanda Câncio quando as lê ao nosso Primeiro.

As secretas ficariam completamente baralhadas, davam baixa e nós voltavamos às escutas da minha juventude! Vale?

Descubra as diferenças

O meu bairro foi hoje visitado pelo bloco central. Primeiro passou a senhora, beijinhos, abraços, apertos de mão, e uns tipos com umas coisas ao ombro caminhando de costas e abrindo caminho.

2009-09-19-12h07m34

Depois veio o senhor,  apertos de mão, beijinhos, abraços, e uns tipos com umas coisas ao ombro caminhando de costas e abrindo caminho.

2009-09-19-13h30m49Eu gosto muito de campanhas eleitorais. Dos governantes descendo as escadas até ao povo. Suponho que tomam banho logo a seguir.

Adenda (hoje é 0 meu dia das adendas, está visto): Acabo de ouvir uma jornalista na TSF afirmar que o Senhor teve mais apoio popular que a Senhora, isto numa autarquia laranja. É completamente mentira. Quanto muito a JS tinha mais militantes que a JSD. Este é o meu bairro, assisti à passagem dos dois do mesmo lugar, e a recepção foi exactamente a mesma.

Além disso a autarquia até Novembro é laranja, mas o PS é de longe  e por tradição dominante na cidade e no distrito.

Assim se faz jornalismo isento, com rigor, e já agora esquecendo que os outros não são parvos.

Prognósticos menos reservados

expresso-19-9-09

para as próximas eleições.

Este Expresso vale mil sondagens.

Adenda: Entretanto li a notícia que faz manchete. “Ana Drago e Joana Amaral Dias foram dois dos rostos do BE no Parlamento nesta legislatura.” escreve Martim Silva com Ricardo Jorge Pinto. Em 2005 JAD foi candidata pelo BE em Santarém, não tendo sido eleita. É o chamado jornalismo de investigação no seu melhor.

De regresso

politica

Depois de algum tempo de paragem, estou de novo em contacto com os leitores (sejam eles quem forem) deste excelente blog.

Estive uns dias por terras de Marrocos. Como dizia a canção que muitos cantamos quando eramos crianças “Fui visitar a minha tia a Marrocos”.

(por acaso e que eu saiba não tenho nenhum familiar em Marrocos)

Mas passemos à frente…

Estamos a praticamente uma semana das Eleições Legislativas.

Por isso a campanha eleitoral está ao rubro.

Temos partidos políticos que, pelo menos no meu caso, nunca tinha ouvido falar.

Estão neste caso o PTP (Partido Trabalhista Português) ou o Partido da Vida.

Mas há também outros de que só quase ouvimos falar nestas alturas.

Refiro-me a PCTP/MRPP ou o POUS, cujos líderes carismáticos são, respectivamente o Dr. Garcia Pereira e Carmelinda Pereira.

Uma vez mais, partidos, tal como os chapéus, ha muitos… O resto da frase fica para cada um completar.

Vamos ver o que esta última semana nos reserva, sendo certo que, ao que parece e de acordo com as últimas sondagens, a vitória vai sorrir, uma vez mais, lá para os lados do Largo do Rato.

A ver vamos.

Ana Gomes quer o PS com o BE

A nível de governo não me parece mas a nível parlamentar, sim . Há várias vantagens nesta formula. Desde logo obriga o PS a negociar e a ceder em prioridades que ninguem entende como é o caso das obras públicas megainvestimentos, e os negócios contentores de Alcântara, resultantes do quero posso e mando, tambem ficam com os dias contados.

Depois o BE fica com a liberdade suficiente para continuar a pugnar pelas privatizações que só são possíveis no seu imaginário mas que na realidade não são possíveis no presente enquadramento político e financeiro.

E, mais importante que tudo, que se encontrem consensos para os grandes problemas nacionais, como sejam a criação de riqueza ( o país caminha para o empobrecimento) tratar o SNS, limpar a Justiça, desatar os nós na Educação, criar postos de trabalho, sustentar a Segurança Social.

Além disso o país tem leis a mais e acções a menos, há que governar e encarar os problemas de frente sem medo dos que não estão interessados que as coisas melhorem.

Mas sem criação de riqueza nada será possível é aí que está a chave do problema. Não são as grandes empresas públicas, os grandes grupos económicos que resolvem o problema do emprego.

Portugal tem à sua frente um horizonte negro com o empobrecimento à espreita, com aumentos do PIB na ordem dos 1.8% durante vários anos, há que ter a coragem de perceber que este crescimento não suporta o Estado social que temos.

O barulho dos inocentes

Por alturas do meu 12º ano participei numa marcha silenciosa que se realizou no Porto no âmbito da luta por TIMOR.
Lembrei-me disto a propósito da Manifestação que alguns professores estão a programar para hoje.
Sobre a oportunidade política escrevi o que penso num post anterior.
Mas, agora que todos sabemos que vamos assistir a uma miserável demonstração de força de um grupo de gente voluntariosa sem noção do ridículo, pergunto: o que irá dizer o PS depois de se verem meia dúzia de pessoas nos tais 3 locais de concentração?
Eu, se fosse do PS diria: a fraca adesão vem mostrar que a escola pública e a educação começam a compreender o alcance das reformas efectuadas, aliás como demonstram os estudos internacionais blá, blá, blá…
Percebem a ideia? Um mau momento pode ser suficiente para estragar muito do que foi conseguido. E, nenhum partido vos vai agradecer o voluntarismo desta acção sem sentido.

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Coincidências bué de significativas

Imagine um problema jurídico já esclarecido pelo Tribunal Constitucional: têm ou não as listas concorrentes a eleições autárquicas de incluir suplentes? Não.

Imagine que nestas eleições a questão se levanta em diversas comarcas e há uma, que se saiba apenas uma, onde o juiz entende haver razão para decidir contra a jurisprudência superior.

Imagine agora que isso acontece na Figueira da Foz, onde um dos candidatos de outra lista é, por coincidência, juiz de profissão, e ainda por cima a notícias salta para jornais e televisões, violando ligeiramente o segredo de justiça.

Deixe de imaginar: aconteceu, como narra o  Rui Curado Silva, estamos em Portugal, e o primeiro-ministro é o melhor exemplo de democracia que o partido onde optou por fazer carreira tem para nos dar.

Claro que o final é feliz, e o Tribunal Constitucional acaba de confirmar a legalidade da lista do BE. Imaginem agora um  país onde esta gente tudo controla… Já estivemos mais longe. E espero que no dia 27 nos afastemos ainda mais.

1×2

A Democracia LUSA continua em crescendo de forma – quase tanto como o Sporting do Paulo Bento. Agora até podemos tentar escolher entre dois mundos – o de Cavaco e o de Sócrates. Perante tal dificuldade, aposto numa tripla:

1-O Presidente manda dizer que suspeita ser escutado.
X-O Primeiro obviamente diz que não sabe de nada.
2-O Presidente inventou a notícia.

Ainda as escutas, ou como Cavaco Silva segue o exemplo de Jorge Sampaio

A rocambolesca novela em redor das escutas à Presidência da República tem servido para a blogosfera da área do PS dar a entender que Cavaco Sila está a dar uma mão, em plena campanha eleitoral, ao PSD, acusando o Governo de estar na base dessas escutas. Ou seja, por ser do PSD, Cavaco quer a vitória do PSD e está a fazer jogo sujo.
Posso acreditar que sim, porque não seria caso virgem. O seu antecessor, Jorge Sampaio, também tentou favorecer o seu Partido, o PS, em detrimento do PSD. Só que foi mais directo. Por muito menos do que Sócrates já fez, dissolveu a Assembleia da República, convocou eleições e permitiu a Maioria Absoluta que temos hoje. Tudo muito simples.

Primeira página do EXPRESSO

É a prova da força do BE! A última primeira página do semanário do regime antes das eleições é usada para atacar o BE. E apenas numa perspectiva pessoal da coisa.

Com Rangel os Gatos fazem ronron

Este Rangel é um achado de comunicação e de capacidade de argumentação, bem perguntou o Ricardo o que terá levado alguem a enviar para Bruxelas o único PSD que ganha votos nas entrevistas.

Nunca se esquecendo de dizer que passa sempre pelo Porto ( a Elisa é que não põe lá os pés) faz um racíocinio extraordinário que nunca a Manuela se lembraria de fazer. Aquela de que ninguem vai para Bruxelas de TGV, são dez horas de viagem, o TGV só serve Madrid .

Quanto à farinha Maizena bem mostrou que não precisa, até anda a fazer dieta o que diga-se, não está a sortir efeito, mas não se pode ser perfeito.

Foi, de longe, a melhor prestação e que tenham sido os militantes do PS a enviá-lo para Bruxelas é uma hipótese muito séria e credível.

A vinte e cinco euros a senha!

«Eu adoro a Ministra da Educação, com ela os alunos passam todos!»

Terminou finalmente a primeira semana de aulas. Feita que está a apresentação das minhas 7 turmas e dos meus quase 200 alunos, posso dizer que estou satisfeito e aliviado. É incrível que, ao fim de 16 anos a dar aulas, continuo nervoso e assustado no momento em que vou conhecer uma turma constituída por canalhada do 7.º ou 8.º ano. É incrível, mas acontece.
O momento mais divertido foi quando um respiço de 12 anos, ao ouvir-me falar do meu grau de exigência no que toca ao aproveitamento, saíu-se com esta: «Ó setor, é por isso que eu adoro a Ministra da Educação. Com ela, os alunos passam todos!»
Ao fim de 16 anos de actividade, a experiência acumulada é suficiente para contornar situações imprevistas. «Olha que não é bem assim», e lá preguei um sermão ao puto sobre a importância de estudar e de ser aplicado. Quanto todos sabemos que, na realidade, ele é que está coberto de razão.

A sondagem de hoje do Expresso e novo empate técnico entre PS e PSD

A Eurosondagem, que nas eleições europeias se revelou tão generosa para o PS, vem hoje com uma nova sondagem para o Expresso. Desta vez, verifica-se de novo um empate técnico: 34% para o PS contra 31% do PSD, com um grau de probabilidade de 95%. Não admira que, em breve, apareça o PSD à frente noutra sondagem qualquer. Já o Bloco de ESquerda, apresar da ligeira vantagem sobre a CDU, poderá disparar no que diz respeito ao número de deputados. Ana Gomes, no «Público», defende a aliança do PS com o Bloco de Esquerda. Mas com os resultados da actual sondagem, os dois Partidos juntos não alcançariam a maioria absoluta.
Quanto a mim, as últimas Europeias serviram de vacina. As previsões eram mais ou menos as que são hoje, e, no final, o PSD venceu destacado. No final se verá, parecendo-me certo que a campanha eleitoral em curso já não servirá para grande coisa. Mesmo os indecisos, não será com a campanha que mudarão de opinião.
Agora vamos lá ver a prestação de Paulo Rangel no «Gato Fedorento».

Ali em Cuba, bem no Alentejo

cuba-estação de comboios...cuba-2009
Fui a Cuba, à nossa Cuba ali bem no Alentejo e, como palavra puxa palavra,…. em bom português posso dizer que há todo um Portugal onde é bem visível o embargo à criação de projectos que originem emprego, desenvolvimento, riqueza, …. enfim … tudo jogos de interesses ao mais alto nível.
Nesta altura do campeonato, o Alentejo deveria ser uma das regiões mais prósperas e povoadas do país e afinal… só por lá estão os que ainda não morreram.

Maria Monteiro

Experiências científicas com animais: Por que é que Leonor Beleza não experimenta nela própria? (as alternativas)


Há uns meses atrás, a propósito da criação do Biotério, um projecto da Fundação Champalimaud com capacidade para 25 mil animais, escrevi este post, no qual perguntava por que razão Leonor Beleza, que em tempos andou a fazer experiências com sangue contaminado, não fazia experiências nela própria. É que é esse um dos objectivos do Biotério, fazer experiências com animais. O outro objectivo é exportá-los para outros países, alguns dos quais não têm qualquer legislação que proteja os animais.
O nosso leitor Dorean Paxorales perguntou-me então qual era a alternativa que eu defendia às experiências científicas com animais. Desde aí, está prometida a resposta. Que chegou hoje.
Ponto prévio: antes que me perguntem se é mais importante o ser humano ou o animal, ou se devemos sacrificar humanos com doenças incuráveis para proteger os animais, respondo desde já que há uma enorme diferença entre experimentar em nome da medicina ou experimentar em nome da indústria da moda, da indústria da cosmética, da indústria dos perfumes e quejandos.
Posto isto, vamos às alternativas e comecemos exactamente pela indústria médica e farmacêutica. O método mais eficaz no que concerne aos resultados, e que permite poupar o sofrimento de milhares de animais, é o da cultura de células, tecidos e órgãos. Actualmente, é possível retirar células de animais e mantê-las vivas quase indefinidamente, utilizando-as nas experiências com os mesmos resultados. Além disso, podem cultivar-se pedaços de tecido ou de órgãos dos animais ou mesmo do corpo humano. A descoberta do mecanismo de crescimento dos nervos, o estudo da fisiologia dos nervos e das suas actividades eléctricas, o estabelecimento do número de cromossomas das células humanas e em particular as causas do Sindrome de Down ou algumas causas do cancro foram conseguidos graças a esta técnica.
Para saber qual é a toxicidade de determinado produto que se pretende vender, é usual utilizar o teste LD 50, em que se determina a quantidade de produto ingerida necessária para matar metade dos animais no teste. Não é necessário, no entanto, intoxicar o animal até à morte. O Bio-Ensaio de Neutral Red, uma solução que é dissolvida em água e adicionada às células, numa caixa de cultura de tecidos, permite aquilatar da toxicidade de um determinado componente. O Método de Difusão de Agarose também avalia a toxicidade dos materiais sintéticos usados em aparelhos médicos.
Para avaliar o potencial de corrosão de um produto ou ingrediente, não é necessário queimar a pele de um animal. Existe o Ensaio de Corritex. Utiliza-se uma barreira de matriz de colagénio como uma forma de pele artificial e um indicador de PH colocado de forma a detectar quanto tempo leva o químico a penetrar nesta barreira.
Para ensaiar o grau de irritação que um produto pode provocar na pele ou nos olhos do ser humano, é normal utilizar coelhos albinos, que são rapados e raspados antes de se colocar o produto na pele nua durante 4 horas. Existe a variante do teste de Draize – o produto é colocado nos olhos dos coelhos durante 21 dias.
Não é necessário. Um sistema de alteração protaica ensaia uma irritação, modificando a matriz de proteínas causada pelos materiais estranhos que são indicadores potenciais de irritação do olho ou da pele. Ainda com o mesmo objectivo, existe o Ensaio de Passagem Trans-Epitelial, que mede o químico induzido numa barreira artificial construída por células para estimar a potencial irritação do olho aos químicos. A EpiDerme (que recorre a pele artificial), a EpiOcular (tecido artificial semelhante à córnea), os Modelos Matemáticos e Computacionais (prevêem o grau de irritabilidade de substâncias de teste com base nas estruturas e propriedades físicas e químicas) ou o Teste Epipack (que utiliza folhas de células clonadas), são outras das técnicas que já provaram ser eficazes na experimentação médica.
A farmacologia quântica, por seu lado, é uma técnica usada na química baseada em computador, para estudar a estrutura molecular das drogas e dos seus receptores no corpo. É utilizada em estudos de transmissores de nervos, hormonas, bloqueadores Beta, anestésicos, antidepressivos e muitos outros.
Não faltam as alternativas à experimentação animal, sendo que os resultados são os mesmos. Ou melhores, visto que não se podem considerar fiáveis os resultados que são obtidos em animais cujo estado emocional, devido ao stress, está completamente alterado. Cerca de um milhão de animais são criados, todos os anos, propositadamente para serem utilizados em experiências.
No fim disto tudo, apetece-me perguntar: e os humanos somos nós?

Nota: Devido à especificidade do tema, socorri-me dos sites da Animal e do Centro Vegetariano, entre outros.

Que série é esta?

“‘E-mail’ denuncia que Fernando Lima, assessor de Cavaco, entregou ao ‘Público’ um ‘dossier’ sobre as suspeitas de espionagem do Governo a Belém.” “

“Num encontro, que terá decorrido em Abril de 2008, “num café discreto da Av. de Roma”, o assessor de Belém entregou a Luciano Alvarez um dossier sobre Rui Paulo de Figueiredo, adjunto jurídico de José Sócrates, cujo comportamento levantou suspeitas aquando da visita de Cavaco Silva à Madeira. Lima estaria convencido que este adjunto de Sócrates integrou a comitiva para “observar, o mais dentro possível, os passos da visita do Presidente e o modo de funcionamento interno do staff presidencial”.

Todas estas informações constam de um e-mail enviado por Alvarez ao correspondente na Madeira, Tolentino de Nóbrega, no qual relata o encontro com Fernando Lima e sugere que até seria bom que a história viesse da Madeira, para que o ónus não recaísse sobre a Presidência: “O Lima sugere e eu acho bem duas perguntas para o início do trabalho (até porque a eles também interessa que isto comece na Madeira para não parecer que foi Belém que passou esta informação, mas sim alguém ligado ao Jardim).”

Este e-mail é apenas um dos  vários documentos a que o DN teve acesso, cujo conteúdo se refere a questões internas do jornal.”

Excerto tirado do Diário de Notícias… ou do Público?!? Já nem sei… Mas este enredo é um bocado confuso demais, não? Até parece interessante, mas não se percebe nada! Tenho pena de não ter acompanhado esta série desde a primeira temporada!

A pívia prolonga a vida

Querida e perene companheira de uma vida, a pívia devia merecer um respeito que nem o PPV, nem o João e o Ricardo, lhe concedem.

Quantos problemas me evitou a dita ? Quantas doenças ? Quantos problemas “grávidos” que são os mais graves? Um gajo está em África, na flor da idade, não pode dormir porque está de faxina, com o medo incrustado nos ossos, a ouvir barulhos e segredos que só a floresta tem, e o que faz para sobreviver? Pensa em todas as amigas que deixou no liceu, mesmo as que nunca lhe deram a mais pequena excitação. E isso é pecado ? É contra a vida ?

Dizia eu, para um dos poucos gajos casados e que tinha a mulher lá com ele, porra, pá, bem sei que é preciso coragem mas agora chegas a casa encostas-te no quentinho, fazes amor, amanhã é outro dia. E o gajo é, pá, olha agora chego a casa e a mulher está a dormir, julgas que a acordo, tem ela culpa desta vida lixada? Não a acordo, fico a contar as tábuas do tecto, solitário…

E eu a perceber muito bem que o gajo tinha saudades do prazer solitário, podia pensar na mulher do capitão, ou nas catorzinhas que tinha visto essa tarde em Luanda…

Isto é matéria para conhecedores, gajos que não podiam pôr a mão no joelho da colega porque tinha que casar com ela, ou então era chamado ao director e levava uma sova do irmão mais velho . Agora vão directamente ao assunto, coitados dos rapazes ainda não se divirtiram nada e já estão cheios de problemas, têm que pensar no prazer da parceira, e se ela não se divertiu, e se ela não tomou a pílula, e esqueci-me do preservativo, e se ela não colocou o aparelho…

Com a pívia é só saúde, não há compromissos, é gente boa . Essas meninas do PPV deviam ser as mais furibundas defensoras dessa actividade intemporal porque evita muitos dos problemas que elas próprias tanto renegam.

E oferecer maços de lenços de papel, é assim tão caro? Com o logotipo do PPV !

O mistério básico do capitalismo

Van-Eyck-Arnolfini

O mistério básico
do capitalismo: como uma coroa, permanecendo imóvel

durante um certo período de tempo, faz nascer dez cêntimos
ao seu lado – por exemplo: Tu pões

como diz o anúncio
20.000 coroas numa conta de alta rentabilidade

num dos nossos grandes bancos. Passados seis anos
podes ir a esse banco e receber

35.532 coroas. Agora a questão é: A quem
tiraram as 15.532 coroas?

Jan Erik Vold

(versão de LP, a partir da tradução para castelhano de Francisco J. Uriz reproduzida em El poema nos recuerda el mundo, prólogo, selecção e tradução de Francisco J. Uriz, Libros del Innombrable, Saragoça, 2000, p. 104).

Além do poema em si, serve a sua publicação no Aventar para uma notificação a quem gosta de poesia: fica condenado a visitar regularmente Do Trapézio Sem Rede – poesia passada para português, sob pena de ser declarado mentiroso.

Os que não gostam de poesia devem fazer o mesmo com fundadas esperanças numa melhoria do seu estado de saúde.

Não é o hábito que faz o monge. É o monge que tece o hábito, que usa o monge, que faz o monge

Parece ser um trocadilho, uma brincadeira. No entanto não é. É a lógica da vida. A sonhamos sempre. Ou, sonhamos sempre com a vida. Calderón de la Barca (1), o dramaturgo do Século de Ouro Espanhol, escreveu a sua comédia trágica: La vida es un sueño, onde o príncipe encarcerado para não ser El-rei pensa:

«¡Ay mísero de mí! ¡Y ay infelice!
Apurar, cielos, pretendo
ya que me tratáis así,
qué delito cometí
contra vosotros naciendo;
aunque si nací, ya entiendo
qué delito he cometido.
Bastante causa ha tenido
vuestra justicia y rigor;
pues el delito mayor
del hombre es haber nacido.»

Não seria assim que, no séc. XIX, falaria Karl Marx. Convicto estou de Marx ter sido um devoto luterano, um homem de fé, que escreveu o seu primeiro livro, aos 15 anos, ensaio sobre Religião, com o título Die Vereinigung der Gläubigen mit Christo nach Johanes 15,1-14, in ihrem Grund und Wesen, in ihrer unbedingten Notwendigkeit und inihren Wirkungen dargestellt (União dos Crentes com Cristo, segundo João 15, 1-14, representada no seu fundamento e essência, na sua necessidade incondicional e nos seus efeitos) (doravante Vereinigung), seguido de uma tradução do grego dos versos 140-176 da peça de Sófocles. Karl Heinrich estudou no Ginásio Jesuíta Frederico Guilherme, em Triers, entre 1832 e 1835, onde revolucionou os conceitos de economia e sociologia. O trabalho de Alexander von Humboldt, cientista natural e pesquisador, foi fundamental para a mudança do pensamento burguês de Marx: O princípio da causalidade estabelecido por Humboldt, inspirado no racionalismo de Descartes: “como conheço”, seria para a Geografia: como se constitui o fenómeno? Qual a sua causa primordial? Esta dúvida serviu de mediação para o conhecimento científico que, para ser considerado como tal, deveria ser demonstrado, justificado e só assim considerado verdadeiro, como é dito no texto “A geografia no pensamento filosófico” de Maria Flortice Raposo Pereira, da Universidade Federal de Ceará, pode ser acedido em: http://www.mercator.ufc.br/index.php/mercator/article/viewFile/65/40 e comentado em: http://portalsaofrancisco.com.br/alfa/alemanha/alemanha-5.php. Fonte a que eu próprio recorri para o meu trabalho (de Setembro de 2009): A religião é o ópio do povo, título tirado da introdução do livro de Marx, datado de 1943-44: Crítica aos princípios da Filosofia do Direito, do seu professor Georg Hegel.
Pôde um cristão luterano, instruído e ensinado na fé cristã proferir essa frase? A resposta é, para mim, positiva, porque se trata de um protestante no mais amplo sentido do conceito. A prová-lo aí está o livro em que debate Hegel, mas também o livro que escreveu a sua mulher, baseando-se nas notas do seu marido e de Engels, a Baronesa Católica Prussiana Johana von Westphalen, intitulado O manifesto comunista, de 1848. Baronesa que deixou a vida da corte para redigir os textos do seu marido, passando a ser uma desconhecida que escrevia o que Marx estudava: a economia. Uma família solidária, que entendeu o lucro, definiu a mais-valia e organizou a luta contra o capital e a burguesia que o possuía; fundou a Primeira Internacional ou a Primeira reunião dos Trabalhadores do mundo, em Londres, no ano de 1861, assistiu às iniciativas sindicais e colaborou na união dos trabalhadores, com o sonho de uma sociedade sem propriedade privada nem hierarquias.
Uma família, podemos dizer, à Calderón de la Barca.
Família perseguida e expulsa de vários países europeus pelas suas ideias radicais e pelos textos de Jenny Marx, assinados por Marx e Engels.
Com descendência que soube organizar, após a morte dos seus pais, a Segunda Internacional e colaborar com Kautsky na criação do primeiro partido social-democrata, de socialismo científico.
Família que teceu o hábito que usou, fazendo dos seus membros monges revolucionários.
Donde: Não é o hábito que faz o monge. É o monge que tece o hábito que usa que, por sua vez, faz dele o monge.

(1) Pedro Calderón de la Barca (17 de Janeiro de 1600 – 25 de Maio de 1681) foi um dramaturgo e poeta espanhol. De família acomodada, o seu pai exerceu funções administrativas na corte. Após os extensos e abundantes estudos Universitários no Colégio Imperial dos jesuítas e nas Universidades de Alcalá de Henares e de Salamanca, cursa Humanidades, Clássicos e Teologia, preparando-se para o sacerdócio católico romano, que abandona e parte para a Flandres, onde se torna soldado lutando no cerco da Catalunha. Mais tarde, retorna aos estudos para o sacerdócio, é consagrado padre e adoptado por El-rei como o dramaturgo da corte. Nomeado capelão de Honda delrei, escreveu autos sacramentais, peças de teatro, entremeses, zarzuelas, comédias religiosas, de amor, de ciúmes e filosóficas. Nos seus 60 anos de actividade criativa fixou as regras do teatro espanhol. La vida es sueño, sobre ética e El Alcalde de Zalamea, sobre costumes e justiças, são apenas dois exemplos da sua vastíssima obra.

Masturbação? Punheta? Pívia? Mas que merda de blogue é este?

Aqui há uns meses, decidi convidar para o Aventar o João José Cardoso, depois de ver um comentário dele no Jugular. Vindo daquelas bandas bloguísticas (não falo das Beiras e dos palonços que por lá pululam, atenção!), não podia ser grande coisa e hoje, depois deste «post», acabo de o confirmar.
Pois o meu colega João José Cardoso, não contente por fazer um «post» sobre masturbação, onde utiliza também expressões indecorosas como punheta, pívea, etc., ainda desdenha da Associação Pró-Vida e da luta contra este pecado. Só faltou usar também as expressões bronha, despentear o palhaço, afogar o ganso, esgalhar o pessegueiro, tocar ao zarolho e outras que tais.
O facto de eu ter brincado milhares de vezes com os meus cinco amiguinhos, durante a adolescência, não vem ao caso. Tenho vergonha de o reconhecer.
Mas para João José Cardoso, a masturbação é uma actividade muito normal. Só lhe faltou dizer que é uma actividade nobre. E a seguir? Vai dizer que se as raparigas enfiarem a mão inteira na boca do corpo também fazem muito bem?
Meus amigos, a Enciclopédia Lello Universal, de 1981, na página 187 do 2.º volume, desfaz quaisquer dúvidas: «Masturbar-se: Praticar em si prazeres sexuais nocivos à saúde».
Nocivos à saúde. Entendido agora, seus tarados?

A Segurança Social – o que o governo não diz

Com a dita reforma da Segurança Social não se resolveu o problema, longe disso, adiou-se o problema por uns anos, poucos.

Bàsicamente, o que o governo fez foi aumentar os anos de desconto, de trabalho, e diminuir as pensões, que é uma forma escorreita de aumentar as receitas e diminuir as despesas, tudo à conta do trabalhador. O resultado desta reforma é que daqui a uns cinco anos o utente que vá para a reforma, vai com 65 anos de idade, 35 anos de desconto e com cerca de metade a que teria direito se tivesse saído cinco anos mais cedo. Porque quem saiu antes da reforma está amplamente beneficiado.

O que é isso de Privatizar a Segurança Social ? Seria entregar a Companhias de Seguros privadas os descontos dos trabalhadores para serem aplicados no mercado de capitais. É isto o que Manuela Ferreira Leite defende? Não, o que MFL defende é que 25% dos descontos possam ser aplicados a render no mercado de capitais mas mantendo-se o Estado como gestor.

E o plafonamento ? Os trabalhadores descontam para a Segurança Social até um certo plafon (limite) e a partir daí cada qual aplica os seus descontos onde muito bem entenda. Pode até aplicar tudo na Segurança Social gerida pelo Estado.

E o que é que interessa ao trabalhador ? Interessa que quando chegar a sua altura de passar à reforma receba o estipulado segundo os seus anos de desconto e a sua idade. Ou poderá interessar receber mais se correr o risco de ter os seus descontos total ou parcialmente aplicados no mercado de capitais? É que neste caso pode receber mais mas tambem pode ficar sem reforma como aconteceu a milhões de cidadãos americanos na presente crise!

Fica claro que só há uma maneira de tornar sustentável as pensões. Criar riqueza, criar postos de trabalho, criar gente nova capaz de renovar demograficamente o país e torná-lo melhor.

Todos querem abocanhar o seu quinhão do nosso dinheiro, mas quem é que tendo bom senso, vai jogar a sua própria casa no casino? E os que defendem a privatização tambem não dizem que se as pensões se evaporarem quem paga, outra vez, são os mesmos de sempre. Não foi o que aconteceu com a banca ainda há bem poucos meses?

O processador Baptista

Victor Baptista, o único deputado a votar contra o fim do sigilo bancário, vai processar o candidato a deputado do BE por Coimbra:

O líder distrital do PS/Coimbra revelou, hoje, que espera ver José Manuel (BE) constituído arguido devido ao teor de uma entrevista, por ele concedida ao diário As Beiras na qualidade de candidato a deputado ao Parlamento. Contactado pelo “Campeão”, o potencial arguido disse aguardar “com serenidade” o eventual desenrolar do processo. Interpelado pelo nosso Jornal, o entrevistado disse registar que Victor Baptista se sinta acusado num contexto em que, sem referência a nomes, Pureza se insurgiu contra malfeitores.

O mesmo Jornal, ouviu a chamada fonte próxima:

Fonte próxima do líder distrital do PS/Coimbra disse ao “Campeão” tratar-se de afirmações lesivas da “honra e da imagem” de Victor Baptista e da “consideração que lhe é devida”. Tal fonte imputa a José Manuel Pureza o desejo de, em crítica subjectiva, associar o dirigente socialista a negócios alegadamente corruptos em que intervieram representantes de entidades públicas, como se ele fosse membro de um «Bloco central de malfeitores».

Leia um recorte da referida entrevista, mas não se ria que o homem é sério.

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Cartazes para as Autárquicas (Cuba)

cuba-CDU
João Português, CDU
cuba-PS
Francisco Orelha, PS
cuba-PSD
Conceição Pires, PSD

SONDAGENS NOVAS. ATESTADO DE BURRICE

PS À FRENTE, PORTUGUESES ATRÁS
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Agora são seis os pontos que os separam, com o partido do governo à frente do PSD. Desfez-se o empate técnico.
Nestas sondagens que serão ou não muito católicas, o BE tem 12% e a CDU e o  CDS empatam a 7. Cada vez acredito menos em sondagens. Cada vez acredito mais em encomendas bem direccionadas. A confirmarem-se estes resultados, ficamos a saber que os Portugueses não aprenderam nada com estes quatro anos e meio, e merecerão o que lhes irá acontecer. O País à beirinha do abismo, e com estes resultados dará um enorme passo em frente.

A máquina do tempo: diversas maneiras de ser livro

A viagem de hoje começará por ser de quase dois mil anos na direcção do passado. Depois voltaremos ao presente. Neste ziguezaguear entre épocas, o tema será sempre o mesmo – o livro e algumas das formas sob as quais nos tem acompanhado. Talvez por deformação profissional, o anúncio mais antigo de que tenho conhecimento é precisamente feito a livros e diz assim:
Tu, que desejas levar contigo os meus livros para qualquer parte
e procuras tê-los como companhia de longa jornada,
compra aqueles em que o pergaminho fica apertado em pequenas tábuas.
Deixa as prateleiras para os grandes (livros), em mim segura com uma só mão.
Não deixes, porém, de saber onde estou à venda e não andes errante,
perdido pelo cidade toda; com a minha indicação estarás certo:
a seguir às portas da Paz e ao foro de Minerva.

É aquilo a que se pode chamar um spot publicitário dos finais do primeiro século da nossa era. Escreveu-o Marcial, um poeta latino, nascido na Península Ibérica, em Bilbilis, (c. de 40-104). A sua obra principal são os «Epigramas», poesias curtas e satíricas, tais como esta, muitas vezes citada: «Se a Glória vem depois da morte, não tenho pressa de a alcançar». No anúncio, além da oportuna informação sobre a localização da livraria, de notar a alusão à portabilidade do livro por oposição aos pesados rolos, e à acessibilidade do texto, bem como à maior resistência do pergaminho relativamente ao tradicional papiro. Só para termos uma ideia, quem quisesse possuir uma versão completa da Eneida teria de se haver com doze rolos (arrumados numa caixa pesada e de grandes dimensões). O códice de que Marcial faz a propaganda permitia arrumar todo o texto num volume. Um pouco, à escala da época, vantagens semelhantes às que hoje o kindle nos oferece relativamente ao livro impresso.

Na realidade, tal como actualmente ocorre na ameaça que o livro digital representa para a sobrevivência do livro impresso, as resistências eram muitas. Os bibliófilos da altura riam-se daquelas folhas de pergaminho apertadas entre duas tábuas – pois era lá possível que aquela geringonça ridícula substituísse os rolos, herdados da Grécia, que, durante séculos, foram o suporte da palavra escrita?
Terá sido Secundo, o editor de Marcial, quem lançou em Roma a nova forma de livro. Mas sem sucesso imediato. A reacção e a resistência à mudança foram mais fortes do que a evidência das vantagens. A adaptação progressiva à nova forma de livro iria demorar cerca de quatrocentos anos, vindo a consumar-se no decurso do século V, embora já durante o século III nas compilações jurídicas prevalecessem os códices. De certo modo, o mesmo que hoje se diz dos e-books e do kindle – «Ora! Isso é bom é para substituir enciclopédias, obras de referência…».
Não tenho dúvidas de que não demoraremos quatro séculos a acolher um suporte novo (que já não será o kindle, mas sim qualquer outra coisa que hoje não podemos sequer imaginar e que entretanto surgirá). Porque estas mudanças, como já anteriormente disse, fazem-se por pragmatismo e não por mera vontade de inovar. Pode mesmo dizer-se que a vontade de mudar radicalmente de suporte tem uma história de sistemática resistência a essa mudança – nunca foi fácil. Contudo, um das barreiras que se colocam a uma maior difusão do livro electrónico, é o pagamento de direitos a autores e editores. Problema que afecta também (talvez ainda mais) os compositores e as editoras discográficas. As pessoas, pelo menos a maioria delas, não têm a noção de que ir à Internet e imprimir um livro ou gravar uma canção é um acto de pirataria. No entanto, sabem que não devem roubar livros ou discos nas lojas.
Mas as coisas vão andando no sentido de os livros digitalizados se irem tornando um sistema honesto e respeitável, aceite por editores e autores. Já este mês de Setembro, a Google fez propostas de um acordo aos editores europeus relativamente ao respeito pelos direitos de autor. Nos Estados Unidos esse acordo entre a empresa que controla o motor de busca mais utilizado da Web e os representantes das outras partes interessadas já existe. Se o acordo se concretizar também no nosso continente, milhões de livros publicados na Europa, mas que já não se encontram disponíveis nas livrarias, poderão ser digitalizados e colocados em linha. Em Bruxelas, a Comissão Europeia convocou uma reunião para examinar o complexo mecanismo jurídico que a exploração electrónica de milhões de livros pressupõe. A função principal desse mecanismo seria a de regular a divisão do dinheiro gerado pelas vendas online – quanto desse dinheiro irá caber à Google, quanto ficará para autores e editores. Segundo a proposta, os editores e os autores ficarão com 63% e a Google com 37%.
Não vai ser fácil porque, como lembra a associação de Editores Italianos, a implantação do sistema iria violar vários pontos da Convenção de Berna sobre os Direitos de Autor. Mas encontrar uma solução que contemple os interesses de todos os envolvidos e que compatibilize o sistema com a Convenção, cuja primeira forma data de 1886, será apenas uma questão de tempo. Provavelmente com o sacrifício de princípios da Convenção, assinada há quase 150 anos, quando não era possível prever o rumo que o livro começaria a tomar na transição do século XX para o XXI.
Para terminar a nossa viagem de hoje, percorramos com este pequeno vídeo o caminho do livro desde a pré-história até aos nossos dias. O livro, nas suas diversas formas, tem sido um companheiro fiel. Talvez não sobreviva durante muito mais tempo sob a forma que nos é hoje familiar. Mas, podemos estar certo, continuará a acompanhar-nos.