Netanyahu, o (in)justiceiro sem vergonha

Uma família de colonos israelitas (um casal e três filhos) foi assassinada no dia 11 de Março em Itamar, na Cisjordânia, alegadamente por um indivíduo palestiniano.

Um país normal trataria este assunto como um caso de justiça. Um país expansionista poderá tender a tratá-lo como um assunto de guerra. Um país ocupante sem vergonha poderia, até, afirmar tratar-se (ironia das ironias) de um caso de terrorismo.

Mas no país de Benjamin Netanyahu, ainda sem conhecer a identidade ou localização do homicida, a primeira preocupação é a retaliação, já anunciada pelo primeiro-ministro: como punição vão construir 500 novas casas no colonato.

Três dias depois o mesmo Netanyahu declarou que Israel vai construir um muro na fronteira com a Jordânia para impedir a imigração ilegal através do país vizinho. “Temos de travar as infiltrações para proteger o nosso futuro”, disse ele.

Se alguém lhe perguntar para que caixote do lixo atirou a vergonha, a coerência, a justiça e a decência, não se lembra, livrou-se delas há muito tempo, se é que alguma vez soube o que isso significa.

NUCLEAR, as mentiras são mais que muitas e os medos reais

Se não é da tecnologia, é dos sismos, se não é dos sismos, é das pessoas, se não é das pessoas é a merda da realidade que insiste em não se domesticar.

Mas é seguro, seguríssimo, resistente a tudo, ataques armados ou acontecimentos naturais, e não poluidor, quem diz o contrário está apenas interessado em espalhar medos.

Ou, então, vamos inventar um mundo sem sismos nem fenómenos naturais, sem pessoas e, sobretudo, sem a chatice da merda da realidade.

Os mentirosos do NUCLEAR

O sismo ocorrido recentemente no Japão vem confirmar algo que o senso comum há muito sabe: por muito evoluída tecnologicamente que uma sociedade seja, será sempre frágil perante fenómenos naturais extremos.

Infelizmente, e para além de toda a destruição e morte causadas pelo terremoto/tsunami, o Japão encontra-se à beira de um desastre nuclear que poderá suplantar Chernobyl, de consequências ainda imprevisíveis, já que se trata de uma central nuclear de quatro reactores onde poderão ocorrer fenómenos destrutivos em cadeia, caso o reactor 2 venha a explodir.

Um pouco antes de entrarmos de cabeça na crise económica que atravessamos, o lóbi nuclear português andou bastante activo tentando vender uma centralzinha nuclear em Portugal. Seguro, seguríssimo, resistente a tudo, ataques armados ou acontecimentos naturais, e não poluidor, eram os argumentos mais ouvidos nas bocas de algumas sumidades que agora andam caladas e desaparecidas.

Sendo as coisas o que são, o desastre de Fukushima não será o último, bem pelo contrário, se atendermos ao envelhecimento e proliferação destas instalações. O debate está relançado.  Quando, por falta de vergonha e de seriedade intelectual, os senhores Pedro Sampaio Nunes, Patrick Monteiro de Barros, Mira Amaral, etc., voltarem à carga e vierem desvalorizar riscos, chamem-lhes M-E-N-T-I-R-O-S-O-S com todas as letras. E não lhes perdoem, porque eles sabem muito bem o que fazem.

Resultados da votação da moção de censura do BE

Correu tudo como se previa, BE, PCP e Verdes votaram a favor, PS contra, PSD e CDS abstiveram-se. Tudo previsível e sem novidades. Siga a música, que os dançarinos são os mesmos.

Festival da Canção.

Não vi o festival da canção e só hoje ouvi a canção vencedora. Anda por aí uma gente que acha que canções não são cantigas, sempre à espera de encontrar Mozart num disco da Ágata, Camões numa letra do José Cid, Pavarotti na voz do Zé Cabra.

Este ano, depois da vitória dos Homens da Luta, vai por aí um desassossego de virgindade ofendida, gentinha que diz não se sentir representada, pindéricos que acham pelintra a cantiguinha que vai à eurovisão envergonhar o país, críticos iluminados que falam em falta de qualidade “artística”. Devem estar a gozar (e eu pensava que os homens da Luta é que estão no gozo): um país que põe no topo das vendas de discos Tonys Carreiras, Quins Barreiros e afins ficar próximo da apoplexia com o resultado de um festival que ninguém segue e a que ninguém liga, exceptuando os envolvidos, é giro e dá prazer ver.

Vamos lá a ver a última dúzia de lálálás que ganhou o Festival:

Estas sim, eram canções a sério, com estas sentia-mo-nos representados, estas de pelintra não têm nada e estão cheias de qualidade artística, topa-se logo ao primeiro acorde.

Pró ano também concorro com uma composição séria, rica, artística e de elevada complexidade conceptual, dedicada ao mar e a quem labuta. Vou chamar-lhe Os Homens da Lota. Vai ser uma alegria.

Angola: tão poderosos e tão burrinhos

A poderosa cleptocracia angolana tremeu perante a possibilidade de uma manifestaçãozinha popular de cerca de vinte pessoas. Se não fosse triste era de rir, se não fossem tão parvos até podiam passar por inteligentes, se não fossem tão cobardolas até  passariam por pró-democratas. Mas são burros e sobranceiros e borram-se com a possibilidade de o povo acordar.

Esta gente que não respeita nada nem ninguém, quando não silencia, elimina. Mas investe nas democracias ocidentais e tem posições dominantes em empresas ditas estratégicas, com os governantes de cá sempre dispostos a beijar-lhes a mão. Fazem isso com mubaraks, com kadhaffis, com zedus, com o resto da ladroagem internacional.

Mas voltemos a Angola: ainda me lembro que, no pós 25 de Abril, um dos combates do MPLA era o obscurantismo. Não sei se me apetece rir, ou chorar.

O Mediterrâneo somos nós todos

A surpresa da Europa e seus governos perante os acontecimentos no Norte de África radica no preconceito, no desconhecimento e na ignorância.

Agora tenta-se surfar a onda, como se vê no caso Líbio, numa clara tentativa de sacudir o petróleo do capote.

Tropeçamos na ignorância e no preconceito a cada passo, nos postes dos blogues, nos comentários dos jornais, nas declarações dos programas interativos de rádio e televisão. O mouro, o muçulmano, o norte africano, é para parte da população europeia ainda inimigo histórico, ou novo inimigo, emigrante não integrado, terrorista potencial, manhoso, preguiçoso, atrasado, sub-desenvolvido, sub-espécie, raça inferior, etc.

O mesmo -ou algo semelhante- se passa com políticos e governantes. Exceptuando raríssimos casos (como será o do eurodeputado Miguel Portas) desses países pouco mais conhecem do que hotéis, salões governamentais, excursões de propaganda, escritórios de petrolíferas, investimentos aí feitos pelos seus próprios países, a dança do ventre para turistas e a temperatura da água do mar. [Read more…]

Angola nervosa com o que se passa nos países árabes

A convocatória para uma manifestação em Luanda no próximo dia 7 deste mês pôs a rapaziada emepêlista de dedo próximo do gatilho e mão no cassetete.
A convocatória, aparentemente anódina e pouco estruturada, foi o suficiente para que o MPLA anunciasse uma contra-manifestação e redobrasse a presença policial, e fez  ainda com que o secretário geral do partido viesse a terreiro afirmar que não se pode confundir o que se passa no Magrebe com a situação angolana.
Não se pode confundir mas pode-se comparar e, comparando caso a caso, item a item, Angola não sai melhor na fotografia, antes pelo contrário.
Mas, se ficam nervosos apesar de não reconhecerem as razões, melhor fariam em arrepiar caminho. O dia da sua queda já esteve muito mais longe, é só uma questão de tempo. Tempo que vão utilizar para continuar a enganar o povo que os há-de apear quando, um dia, uma convocatória ou um incidente servir de rastilho e o sangue voltar a jorrar. Burro velho não aprende línguas.

As Ilhas de Bruma

O autor dá pelo nome de Septimus e o album intitula-se “Experimentar na m’incomoda”. Este tema conta com a voz de José Medeiros. Ouçam:

Fantástico, este disco que anda por aí -já o ouvi integralmente- e do qual quase ninguém ouviu falar. Anda tudo surdo?

Os ratos

As areias estão movediças, as águas tumultuosas, a embarcação mete água, o petróleo não escoa.

Nas embaixadas líbias, um pouco por todo o mundo, os ratos demarcam-se e salvam o pêlo.

Agora foi a vez do embaixador líbio em Lisboa descobrir que estava ao serviço de um “regime fascista” (cito).

Não sei se desprezo mais ditadores assassinos como Kadhafi ou os ratos de porão.

Enterrado o regime, na hora da disputa dos despojos, vamos vê-los surgir de novo. Como democratas de longa data, pois claro. * que os pariu.

Franco Jara, o Nosso Homem em Estugarda

A equipa que melhor joga futebol em Portugal quebrou final e merecidamente o enguiço alemão.

Franco Jara, o nosso homem em Estugarda, pôs os jogadores alemães de cabeça à roda, sem saberem se lhes serviam Weiss, se lhes serviam Pils, se lhes davam canecas ou rematavam imperiais.

Sálvio inaugurou, Cardoso confirmou, o Benfica dominou. O treinador das Águias no final do jogo só falou do Benfica. Continua a ser o segundo treinador que mais fala do Benfica em todo o mundo, Portugal incluído.

O Aviador Líbio

Para a Carla Romualdo

e para o seu

Aviador Irlandês

O piloto recebeu ordens superiores.

Receber ordens superiores é o que faz um piloto militar. Receber ordens, assentir, não questionar, cumprir. O ar, para o piloto militar, é meio, não é fim.

O piloto olhou o co-piloto e ambos assentiram questionar e não cumprir. Não bombardear o povo a que se pertence, não bombardear o povo que se é, não bombardear quem se é.

Ao carregar no botão de ejeção, o piloto deixou de pilotar o avião e pilotou a vida. Uma história bonita, estória de heróis quando tudo arde, mesmo que tudo arda, ainda que tudo arda.

Uma estória de aviadores. A história do Aviador Líbio.

 

Brincadeirinhas Inocentes

Afinal parece que era só uma experiência. Assim sendo, esta frase de um polícia do Grupo de Intervenção de Segurança Prisional (GISP) era só a brincar:

P: Enquanto o sr. não tomar medidas para ser um ser arrumado o sr. vai ser altamente violentado. Há dúvidas?

Mas era só uma experiênciazinha para ver se o Taser funcionava. Funcionou, o preso tomou logo as medidas necessárias. Do outro lado estavam guardas prisionais, elementos do GISP e um elemento médico para o caso de dar para o torto e ser necessário tomar outras medidas, reanimatórias.

Estou a vê-los combinar a experiência: da próxima vez que o tipo se recusar a limpar a merda, o guarda telefona ao director, o director telefona ao GISP, alguém telefona ao médico e prontos, vemos se a tal arma eléctrica funciona. Se não funcionar experimentamos com uma cadeira. Eléctrica.

Moção de censura do BE faz vítimas no… BE

No dia seguinte à apresentação da intenção de moção a trinta dias do BE, a propósito das declarações de J. M. Pureza, escrevi num comentário a um post meu

Dá a sensação de repentismo e improviso, um pouco como se JMP viesse à pressa apagar um fogo que F. Louçã ateou ontem.

A demissão, hoje, do membro da mesa nacional do BE Paulo Silva vem confirmar o que eu suspeitava. Mas não só. Vem confirmar, se ainda fosse necessário, que o partido que se apresentou há uns anos reinvindicando uma postura e uma ética diferente dos outros partidos políticos é, agora e nesse sentido, farinha do mesmo saco, roída pelo mesmo bicho.

Do ponto de vista ético e de seriedade política, o Bloco vem perdendo – não apenas agora – legitimidade para criticar as derivas dos outros, chamem-se eles José Sócrates ou Paulo Portas. A continuar assim assistiremos ao progressivo esvaziamento do Bloco de Esquerda.

Isso acontecer numa  altura em que o descontentamento popular atinge valores muito elevados é prova de grande inabilidade política.

Egipto, amanhã começa o amanhã

Cheguei a declarar-me egípcio e a celebrar antecipadamente, ontem. Agora, enquanto todos festejam, felizmente, chegou a hora de fazer de advogado do diabo e dar  aos egípcios uma pequena notícia: este foi o último dia em que o processo no Egipto foi deles.

Amanhã, muito cedo, começam a aterrar os representantes das internacionais ideológicas e partidárias. Vão organizar o processo. Vão criar partidos, encontrar líderes, instruir filiados, implantar-se no país. Virão representantes dos EUA e da Europa domesticar a transição, garantir os fluxos, proteger Israel e os reinos sauditas, manter posições, garantir permanências.

Virão também outros, representantes de interesses económicos diretos e indiretos, ONGs, farsantes, bem-intencionados, extremistas de todos os extremismos, turistas das revoluções, negociantes de armas, oportunistas espertalhões, voluntários de causas politicamente corretas, etc., etc., etc.

Os peões (os egípcios, regime incluído) avançaram. Alguns comeram, outros foram comidos. Agora começam a sair os cavalos, os bispos, as torres, mas este é um xadrez com muitas casas e cores, há muito que acabou o xadrez das pretas contra as brancas.

Hoje festeja-se na Praça Tahrir. Ainda bem. Amanhã os egípcios começam a lutar por uma democracia que lhes convenha. É melhor que o saibam cedo, do que tarde.

A moção do BE serve para quê?

José Manuel Pureza declarou hoje à Antena 1 que a direita cairá no ridículo se votar a moção de censura ontem anunciada por Francisco Louçã. Acrescentou ainda que a moção se destina a separar águas e distinguir esquerda e direita. É assim a modos que uma moção-electrólise, digo eu.

O raciocínio é mais ou menos este: nós vamos apresentar uma moção mas vocês não sejam ridículos, não votem nela. Não votem, porque se votarem, a moção faz efeito e não é para isso que a apresentamos, é só para dizer que nós somos nós e vocês são vocês. Nós chamamo-nos B. de Esquerda e vocês assumem-se de centro direita e de direita. Toda a gente sabe isso, mas  nada como uma moçãozinha para deixar claro o que todos sabem.

Dito de outra forma: se vocês votarem a nossa moção são ridículos. Caso contrário, a moção não serve para nada (antecipadamente assumido por JMB) e torna-se ridícula.

Sócrates esfrega as mãos e ri-se. Pudera.

Gostas? Tens a certeza? Gostas de quê, afinal?

Uma senhora morreu em sua casa e o seu corpo foi encontrado apenas agora, nove anos após o falecimento.

É uma notícia triste, de solidão , abandono e desinteresse, um retrato de certa sociedade que criámos. O meu colega José Freitas deu conta dos factos aqui no Aventar, num estilo curto, seco e objectivo. Dizia que o corpo da senhora e o do seu cão haviam sido encontrados após nove anos, pouco mais.

Bastou para que oito pessoas levantassem o polegar, carregassem no botão e dissessem Gosto. Gostam? Mas gostam de quê, podem dizer-me? Dada a natureza e o tom da notícia, parece que gostam da morte da senhora e do abandono do cadáver.

Eu sei que o botãozinho está lá, mas deve ser utilizado com um mínimo de inteligência. E de pudor, já agora.

Egipto, para já ganha o povo

Para já ganha o povo, o futuro logo se verá. Para já ganha a civilização contra a barbárie. Para já ganhamos todos.

17h27 Paulo Moura, enviado especial do Público, no Cairo: “A praça Tahrir está a encher-se de gente, está a ficar completamente cheia. Não há caos. As pessoas continuam organizadas, estão a fazer os piquetes do costume, são civis que revistam as pessoas para ver se não têm armas. Para entrar na praça é preciso passar por uns 15 checkpoints destes. Na praça as pessoas estão num grau de excitação enorme, dão beijos umas às outras, há um clima de vitória.”

17h21:Mubarak está de saída (especialmente desde que o ministro da Informação o negou)”, escreve o antigo editor de Médio oriente do “Guardian”, Brian Whitaker. Mas exército e Suleiman lado a lado a governar o Egipto é um cenário que não agradaria à maioria dos egípcios.

17h19: “Praça Tahrir, agora: cânticos, música, assobios. Isto já não é um protesto, é um enorme concerto”, escreve no Twitter Arabzy.

Os Deolinda e os parvos da santa terrinha

Sempre achei este comentador tosco e trauliteiro. Problema dele, de quem o segue e de quem lhe paga.
Agora deu-lhe para sair do seu campo de conforto – dizer mal de políticos  cá do sítio – para chamar parvos aos Deolinda e a quem deles gosta.
É verdade que, a propósito da canção que fala em ser-se parvo, se têm escrito muitas loas e alguns exageros, como esse de se tratar do hino de uma geração.
Eu, que não tenho hino nem geração – o que se compreende se pensarmos que Sócrates ou até o plumitivo primário a quem me refiro têm, mais coisa menos coisa, uma idade aproximada da minha e que um facto desses é suficiente para acabar de vez com qualquer ideia de pertença – acho que parvo é o senhor.
Saberá ele que os Deolinda são uma banda e fazem canções? Canções, isso mesmo, como o parvo do Rui Veloso fez sobre um tal Chico Fininho, a parva da Amália sobre a casa de uma dita Mariquinhas ou outros idiotas fazem sobre temas do seu tempo, como homens que vendem castanhas, touradas, bikinis às bolinhas, cargas em contentores ou comboios a apitar? Sabe o putativo comentarista que as canções não se fazem para salvar pátrias falidas ou indigentes? Sabe que as letras – medíocres, como diz – são apenas letras e devem tanto à literatura como  a ela são devedoras as suas croniquetas comuns e repetitivas? [Read more…]

Gary Moore, 1952-2011

Gary Moore, lendário guitarrista de blues, morreu ontem em Espanha. Esta guitarra não voltará a soar desta forma.

A democracia é malcheirosa, uma chatice

Cito:

“Este hábito não existia nos tempos da ditadura porque os cidadãos temiam as consequências, mas desde que o país abraçou a democracia multipartidária há 16 anos as pessoas começaram a sentir que podem libertar gases em qualquer lado.”

O Museu do Cairo é das pessoas do futuro

O Museu Egípcio do Cairo foi hoje assolado por uma chuva de coquetéis molotov,  lançados de janelas e terraços próximos do edifício.

Trata-se de uma ação organizada, foi decidida e instigada por alguém. Sobre quem são os responsáveis os acusadores dividem-se e corremos o risco de nos perdermos entre informação e contra-informação.

O que se espera é que objectos que resistiram aos séculos sobrevivam ao tempo breve de uma revolução e permaneçam como património das futuras gerações. O que se espera é que a arte de anteriores civilizações não desapareça em nome de interesses políticos de hoje.

Não preciso de conhecer o nome dos culpados para ter uma opinião: são múmias e deviam estar expostas num museu. Na secção dos animais irracionais.

Pormenores…

A família, inglesa, vive em Portugal há mais de dez anos, dizia o jornal.

O marido acabara de sair para ir trabalhar, bateram à porta e a senhora foi abrir. Eram três indivíduos fardados, ela pensou que fossem do exército.

Não demorou muito a perceber que se tratava de um assalto e, aqui, poupo ao leitor os pormenores tal como a lista de bens subtraídos.

Chegada a polícia a senhora declarou que falavam uma língua desconhecida que não lhe pareceu ser a portuguesa.

Quando se vive num país estrangeiro é conveniente atender a algumas minudências.  Não falo de reconhecer as fardas militares, mas saber identificar a língua local é capaz de ser um pormenor que pode, uma vez ou outra, vir a dar jeito.

Contratações e transferências de jogadores

Parece o Liedson vai para o Brasil e não sei se o David Luís vai para Inglaterra.

Não me interessa muito. Só me inquieta uma coisa: quem é que o FCP vai “desviar” desta vez?

Egipto, o que se pode passar a seguir?

Dando por quase certa a queda do regime de Mubarak, impõe-se a pergunta: e depois o quê?

Há quem recorde o caso iraniano e tema a implantação de um regime teocrático à imagem de Khomeini. É uma possibilidade e tem que ser considerada. Tal situação, do meu ponto de vista, equivaleria a um retrocesso civilizacional num país (região) que já ensinou História e Civilização ao resto mundo.

Existe ainda como possível – mas com menor probabilidade – a implantação de uma ditadura militar como consequência dos actuais motins. Seria uma releitura do mudar algo para ficar tudo na mesma, prolongando o regime e os interesses instalados até ao seu estertor final, agora de forma mais musculada. Não creio que esta via possa, neste momento, vingar.

Outra hipótese, aquela de que sou partidário, é a mudança de regime e a instauração de uma democracia que respeite os direitos de expressão, culto, associação e voto. Não vou aqui recorrer a ironias sobre a qualidade das democracias actuais, especialmente enquanto morrem pessoas nas ruas do Cairo e de outras cidades. [Read more…]

Eu também sou egípcio

Não sei o que se seguirá no Egipto, destestaria ver um regime fundamentalista religioso suceder ao actual.

Mas hoje sou egípcio. Estou ao lado destas pessoas.

Egipto, Tunísia e Países Árabes: a Revolução Dominó

Depois de fazer tudo o que os tiranos sempre fizeram nestes casos, -a velhinha repressão musculada, detenções arbitárias, etc. – o regime de Hosni Mubarak avançou com as medidas que os tiranos de hoje em dia tomam e cortou o acesso à internet e telemóveis. Mohamed ElBaradei, que regressou ao Cairo e se colocou ao lado dos protestantes, parece estar em prisão domiciliária (segundo a Antena1 há momentos), ao contrário do que afirmam notícias como estas.

As confrontações estendem-se já a várias cidades do país e vão continuar a alastrar. Depois da Tunísia e do Egipto, as manifestações por uma mudança de poder começam a fazer ouvir-se no Iémen e noutros países árabes.

Sem pretender fazer futurologia e sem arriscar prever o que se seguirá ou que tipos de regime surgirão, é certo que a geografia política do Norte de África e Médio Oriente está a mudar nestes dias. Está a fazer-se história nas ruas e assistimos em directo a uma revolução-dominó. [Read more…]

A maior Biblioteca Digital de língua portuguesa em risco de fechar

O site Domínio Público é a maior bilioteca digital de língua portuguesa. Constituída, como o nome indica, por obras cujos direitos de autor caíram já no domínio público ou foram autorizadas pelos criadores a integrá-la, a bilioteca foi lançada em 2004 com o propósito de colocar

à disposição de todos os usuários da rede mundial de computadores – Internet – uma biblioteca virtual que deverá se constituir em referência para professores, alunos, pesquisadores e para a população em geral.

e ainda

promover o amplo acesso às obras literárias, artísticas e científicas (na forma de textos, sons, imagens e vídeos)

Criado por iniciativa do ministério de educação do Brasil, o projecto corre o risco de encerrar por falta de procura. [Read more…]

Bibi diz que mentiu – "todos são inocentes"

Carlos Silvino, Bibi, diz que mentiu e que todos os acusados são inocentes.

Junta que esteve sempre drogado e submetido a medicação muito forte. Adianta ainda que muitos dos rapazes foram obrigados a assinar.

Manobra de diversão ou não, estas declarações vão minar o resto do processo. O advogado de Carlos Cruz veio já dizer que o seu cliente foi condenado com base nas declarações de Silvino.

Curioso, também, é o facto de Bibi ter prescindido de José Maria Martins, seu advogado no processo Casa Pia desde 2003, há apenas três dias.

Nunca especulei sobre este caso, não vou fazê-lo agora. Mas admita-se por um breve momento que, na turbulência que aí vem, a sentença acaba anulada. Conseguem imaginar as consequências?

Eu não.

Adenda: Segundo o Público, Bibi diz que foi obrigado a mentir e

“Tive que dizer tudo com pena dos rapazes, que tinham levado bastante porrada. Via-se nos corredores [da Polícia Judiciária]”, afirma Silvino, que garante também ter feito todos os depoimentos sob o efeito de medicação e insinua também que lhe era sempre dado um copo com água “que não sabia o que tinha”. “Sempre que fui à Polícia Judiciária tomava aquele copo de água e sempre que regressava à prisão não me sentia bem, transpirava”, explicou.

O cientista que sabia que Cavaco Silva ia ganhar as eleições de ontem

Cliff Arnal, cientista britânico da  Universidade de Cardiff, desenvolveu uma fórmula matemática onde prova científicamente que Cavaco Silva ganharia as eleições presidenciais de 23 de Janeiro. Eis o resultado.