Crónicas dos tempos de crise: o PCP, o BE e a Troika

Uma das recorrentes limitações da política portuguesa é a tentativa de tapar o sol com uma peneira. Outra, é passar incólume entre os pingos da chuva. Foi o que fizeram BE e PCP com a troika que por cá anda. No caso concreto, tentaram tapar o sol com as cartilhas que, coitadas, nem tapam o sol nem resistem à chuva.

Não é por não ser recebida por estes partidos que a troika se vai embora e é por não se quererem comprometer (por mero taticismo de imagem, vulgo marketing) que PC e BE não desempenham o papel político que deviam.

Muito mais pragmáticos, realistas, empenhados e positivos foram os sindicatos ou, por exemplo, o Observatório Permanente da Justiça do insuspeito (em relação às suas simpatias pelo FMI) Boaventura Sousa Santos. Dos primeiros espera-se pragmatismo terra-a-terra e que lutem pelos direitos dos trabalhadores que representam, a começar pelos ordenados no final da cada mês. Ora, estando a situação no ponto em que está, não estando nem estes garantidos (a começar pelo funcionalismo público) nada como ir “negociar” com os negociadores e vincar que existem linhas que não podem ser ultrapassadas. Do segundo, como intelectual reconhecido que é, espera-se visão , sentido de antecipação e marcação de terreno. Demonstrou-as, ainda que os resultados possam ser nulos.

Os partidos que dizem representar os trabalhadores, as classes operárias e desfavorecidas, as juventudes urbanas, etc., etc., decidiram não representar coisa nenhuma [Read more…]

Semana Santa em Espanha

Modelo Primavera/Verão disponível em branco, púrpura, escarlate e exemplares exclusivos de alta costura debruados manualmente a ouro. Brevemente à venda numa Zara ou Corte Inglés perto de si.

“São todos a mesma treta” e Fernando Nobre faz parte dela

Fui daqueles que saudou a candidatura de Fernando Nobre à presidência da República, enquanto emanação da sociedade civil. No entanto, em abono da verdade, cedo lhe descobri limitações políticas e pessoais.

Ainda não me pronunciei sobre o aparecimento do seu nome nas listas do PSD porque tenho esperado que a poeira assente um pouco para desfiar os meus argumentos. Acontece que todos os dias se levanta pó, cada vez mais pó, e decidi não esperar mais.

Vamos lá a ver: a mim tanto se dá que o PSD o convide ou não, é assunto que diz respeito à máquina pê-ésse-dista e a quem nela vota. Acho legítimo, apesar de pensar que o oportunismo e as contas de merceeiro -ainda por cima furadas porque, nestas circunstâncias, Nobre não “vale” os votos que obteve- não fazem boa política. [Read more…]

O TGV descarrilou

Há, em tudo isto – um troço em andamento, outro suspenso, indemnizações a pagar, teimosia até ao precipício, avanços e recuos, fugas em frente, etc. – um amadorismo, uma falta de sentido de estado, um desgoverno, um malbaratamento do dinheiro público, um desprezo pela verdade, uma insistência nas aparências – não é por acaso esta suspensão hoje, com o “líder” incontestado reconfirmado ontem e o FMI a aterrar na Portela em breve – que faz doer a alma e desejar ter nascido noutro sítio.

O TGV descarrilou a alta velocidade, como se estava mesmo a ver. E quem era o maquinista? José Sócrates, por supuesto, o homem que diz hoje o contrário do que vai dizer amanhã, sempre com 100% de certezas. Praticamente a mesma percentagem que teve no congresso do PS.

Congresso do PS: um prémio para Sócrates

Os militantes socialistas presentes no congresso decidiram erguer uma estátua a José Sócrates. Por boa governação, supõe-se, já que o PS não é o PC chinês, presumindo-se com isto que cultiva a “ideologia” acima do “ideólogo”. A ser assim, estamos conversados, ou devíamos estar.

Aliás, segundo Ana Gomes (ai, Ana, ai, ai, que desilusão, a tal reserva do PS parece as reservas do futebol, são mauzinhos na tática e na técnica, aspiram, no máximo, a vestir o equipamento,  a sentar-se no banco e a fazer aquecimentos durante o intervalo)  unidade não é unanimismo. Pois não, vê-se e viu-se.

Enfim, à boa maneira dos tempos que correm, demasiados milhões por uma estátua para encher o olho. De barro, como seis anos de poder demonstraram.

Um pénis com 65 metros

Cá, para fazer o mesmo, com a mesma intenção, precisávamos de uma ponte com um tabuleiro muito maior.

Relectir sobre o país

Um minuto de silêncio para reflectir sobre o que correu mal…

… … … …

… … … …

Já está? Ok, vamos lá fazer essa campanha e ganhar votos. Não se esqueçam de dizer que somos os maiores. Os erros, já sabem, são dos outros. Nós somos os bons.

Não existe energia nuclear segura

Retomo  o tema do desastre de Fukushima e a discussão da segurança da energia nuclear.

Sempre estive convencido de que era uma questão de tempo até se tornar evidente que não existe energia nuclear segura. Aliás, continuo convencido de que há, ainda, muitos desastres (e infelizmente mais graves) que vão forçosamente ocorrer, seja com as centrais em si, com reactores, com lixo radioactivo ou por causas “não programadas”.

Tenho visto disseminada a opinião, a propósito deste caso, de que ocorreu uma conjugação de factores que “não era suposto” ter acontecido. Pois penso exactamente ao contrário: tudo o que aconteceu “era suposto” ter ocorrido e, pior, ainda não aconteceu tudo o que é suposto vir a ocorrer.

Vejamos: alguém pensa [Read more…]

O meu Benfica não apaga a Luz

O meu Benfica não apaga a Luz, rega o relvado a horas próprias, não se sente menorizado quando um campeão faz aquilo que faz o Benfica ao ganhar títulos: festeja-os com a legitimidade do vencedor.

O meu Benfica demarca-se do Benfica igual aos outros, do Benfica que copia e imita o pior dos rivais. O meu Benfica não perde tudo numa centena de minutos, o jogo, a postura, a dignidade. O meu Benfica não é uma massa de seguidores acéfalos, questiona os dirigentes, exige explicações e chama os bois pelos nomes.

Consola-me que exista um Benfica dentro do benfiquinha. Porque eu, do benfiquinha, não sou.

O fundamentalismo cristão e a queima do Corão

A “nova inquisição” fundamentalista cristã, após uma farsa sem pés nem cabeça que decorreu de um simulacro de “julgamento“, queimou um exemplar do Corão por ter sido culpado de “crimes contra a humanidade”. Dando de barato que estes senhores pretendem ignorar os crimes cometidos em nome da Bíblia, ou de outras religiões, não posso ficar indiferente ao facto de, este mesmo pastor e seus seguidores, já terem sido alertados para as consequências possíveis de atitudes como esta.

E também não fico indiferente às “razões” e “conclusões” do dito “julgamento” (o texto vai cheio de aspas porque esta é uma “realidade” absolutamente ficcionada, em que a estupidez recorre e faz uso de palavras que pressupõem um mínimo de inteligência e entendimento) em que o “pastor”, a dado momento, conclui: se você for culpado de assassínio, não vai em liberdade para casa… e acrescenta … porque matou alguém e, por causa disso, tem de ser punido.

Pois bem, já morreram 23 pessoas como resultado deste acto premeditado cujas consequências eram previsíveis. Para quando a punição destes manipuladores disfarçados de santinhos?

Na Luz ganha o Benfica,

de acordo com as estatísticas

Benfica em casa Jogos PortugalFC Porto Empates PortugalBenfica
Total 103 17 (17%) 27 (26%) 59 (57%)
Liga Portuguesa 76 12 (16%) 23 (30%) 41 (54%)
Taça de Portugal 12 0 (0%) 2 (17%) 10 (83%)
Supertaça 11 4 (36%) 2 (18%) 5 (45%)
Campeonato de Portugal 4 1 (25%) 0 (0%) 3 (75%)

Se a tradição ainda for o que era, o FCP festeja sim, mas no Dragão. Mas não celebra invicto na Invicta, ou seja, hoje, para os azuis e para aquele rapaz que os treina e sonha sempre com o Benfica, está um belo dia para perder.

(Há coisas em que sou conservador e gosto da tradição. Esta é uma delas. O pior, em certos assuntos, são as modernices.)

Benfica proíbe tarjas e bandeiras do FCP

Ainda bem que a notícia é de ontem, senão pensava ser coisa do 1º de abril porque, quando  a li, não quis acreditar. Nunca escondi aqui que sou adepto do SLB, por isso mesmo estou à vontade para qualificar: é inqualificável.

O Benfica não precisa disto e cheira-me a tentativa de menorizar os eventuais festejos na Luz se o FCP, lá, se sagrar campeão. Não sei porquê, mas acho que não passou por aquelas cabecinhas que isso dá, ainda, mais força aos festejos, por exemplo no Marquês. Além disso, campeão é campeão, é justo que celebre. Se não querem que o FCP celebre na luz, ganhem o jogo e celebrem a vitória sobre o campeão anunciado, ponto final.

Mas há dois argumentos que vêm apensos, tipo desculpa de mau pagador. O primeiro é o da segurança e visa proibir “armas de arremesso”. Certo, é um ponto de vista, mas proíbam-se então todas as tarjas e todas as bandeiras, de visitantes e visitados. O outro roça o ridículo: parece que o FCP já fez o mesmo no Dragão, impedindo a entrada do mesmo material por parte do Benfica. Talvez, não me custa imaginar. Mas o pior dos nossos adversários não nos serve de exemplo, digo eu aos meus filhos, e eles, que são crianças, percebem, porque é simples, porque é decente e porque somos melhores. Mas só quando somos.

Quando Sócrates e Passos Coelho se davam bem

Já desconversavam, é certo, mas entendiam-se.

1 de Abril, Dia das Verdades

Vai, vai, vai, disse o pássaro: o género humano

Não pode suportar tanta realidade.

T.S. Eliot

Não sejamos ingénuos, a manipulação e a desinformação existiram sempre, em todas as épocas, regimes e círculos de poder. Mas a mentira, descarada e desmascarada, nem sempre passou com tanta indiferença como agora. A questão não está, apenas, num governo, por exemplo um governo, mentir. Está, isso sim, em saltar a mentira à vista de todos e passar impune. Está em ser recorrente, passar com normalidade e ser encarada com naturalidade. Está em ser aceite como uma das regras do jogo, como uma malandrice necessária para que o jogo funcione e avance.

A banalização da mentira tornou-a isso mesmo: banal, habitual, quotidiana. O dia 1 de Abril, como dia das mentiras, perdeu impacto e aquele arzinho transgressor que carregava. Hoje, ninguém compra um jornal para decifrar a mentira que lá vem disfarçada de verdade. No entanto, estou em crer que o contrário funcionaria. Eu, por exemplo, compraria um jornal para descobrir qual a verdade perdida nas suas páginas, disfarçada de mentira.

Por isso proponho que o dia 1 de Abril passe a ser o dia das verdades. Seria apenas um dia por ano e isso, acho, poderíamos suportar.

Não se queixem srs. políticos – presentes, passados e já a seguir -,

srs. neoliberais, srs. “o mercado é que manda”, srs. “o mercado é que regula”, srs. cidadãos “estou-me a cagar para a política”, srs. “arranja-me aí um empréstimo a três meses para ir jantar fora”, doce público em geral

Fitch avisa que cortará rating de Portugal se FMI não intervier

(trocando em míúdos: que se lixe a europa, que se lixe o fundo de ajuda europeu, que se lixe a cimeira europeia, que se trambique o tal projecto europeu, que vão todos passear, que se foda o doce público em geral e o cidadão comum em particular. A gente manda e eles baixam a bolinha.)

SOS, Contra a proibição das Sementes Livres

Ontem a minha caixa de correio foi inundada com vários mails sobre a questão das sementes. Aqui ficam os mais importantes sobre este escândalo gravíssimo e verdadeiramente anti-natural, já que as sementes são património de todos, apuradas por gerações e gerações de seres humanos.

Indignem-se, divulguem pelas redes  sociais, assinem as petições e apelem a terceiros que as assinem. Já chega de empobrecer o património coletivo. Basta.

*

Em 2011 a Comissão Europeia vai propor novas regras relativas à reprodução e comercialização de sementes, a chamada “Lei das Sementes”. Esta lei irá impedir os agricultores de guardar sementes e ilegalizar todas as variedades de plantas não homologadas.

Este assunto é gravíssimo e põe em causa a nossa soberania alimentar…

Dou um exemplo muito concreto… vai passar a ser ilegal, o ‘Ti Ferreira guardar as sementes de uma abóbora para semear no ano seguinte… [Read more…]

Ângelo de Sousa – 1938-2011

Ângelo de Sousa/ sem título, 2009 / acrílico sobre tela 150×115 cm.


 

Ângelo de Sousa em “Tudo o que sou capaz”


“Prémio Nobel da Arquitectura” para Souto Moura

Eduardo Souto Moura é o vencedor deste ano do Prémio Pritzker, também conhecido como o prémio “Nobel” da arquitectura.

Souto Moura é, assim, o segundo português a ser galardoado com o prémio mais prestigiado de arquitectura do mundo (o outro é Siza Vieira, galardoado em 1992).

A arquitectura portuguesa, através de alguns dos seus melhores arquitectos, está de entre as que mais se distinguem qualitativamente. Desta vez, e merecidamente, parabéns, Souto Moura.

PS: Uma volta rápida por alguns blogues mostrou-me o que, na blogosfera, vai sendo óbvio: a substimação da obra de Souto Moura e a desvalorização do prémio. Não vou nessa, há muito que gosto sinceramente do trabalho de Souto Moura e do dos bons  arquitectos contemporâneos portugueses. Mas não estaríamos em Portugal se a invejinha e a depreciação não começassem a falar alto, não é?

200 anos e 200 países em 4 minutos

Álvaro de Campos: Soneto já antigo

Não sei porquê, acordei com este poema na cabeça:

Olha, Daisy: quando eu morrer tu hás de
dizer aos meus amigos aí de Londres,
embora não o sintas, que tu escondes
a grande dor da minha morte. Irás de

Londres p’ra Iorque, onde nasceste (dizes…
que eu nada que tu digas acredito),
contar àquele pobre rapazito
que me deu tantas horas tão felizes,

Embora não o saibas, que morri…
mesmo ele, a quem eu tanto julguei amar,
nada se importará… Depois vai dar

a notícia a essa estranha Cecily
que acreditava que eu seria grande…
Raios partam a vida e quem lá ande!

(Retirado de Fernando Pessoa, um blogue inteiramente dedicado ao poeta)

Angela Merkel, a Presidente da República de Portugal…

… já exerce magistratura activa. Que é como quem diz, se Cavaco não fala, falo eu.

PSD ainda não governa e já imita o pior do PS

O PS, vimo-lo nos últimos anos, disse, desdisse, contradisse, meteu os pés pelas mãos, meteu as mãos pelos pés, enrolou a língua, desenrolou-a, perdeu a cabeça, encontrou-a, voltou a perdê-la, etc.

O PSD jurou que não viabilizaria mais nenhum aumento de impostos em 2011 mas admite aumentar o IVA, que já foi um imposto cego (Marco António Costa dixit) e injusto (Pedro Passos Coelho), mas agora já não é. Quanto à avaliação dos professores (não me pronuncio aqui, neste poste, sobre a justeza, ou não, da medida em si), o contorcionismo político atingiu o auge e em vinte e quatro horas o preto passou a branco e vice-versa, para fazer jus ao primeiro parágrafo desta crónica. Eu sei que a situação é grave e estamos em campanha eleitoral, mas é pela amostra que se avalia o produto.

Com isto, relembro duas frases que ouvi nos últimos dias: “Não vão os portugueses perceber que saltando da frigideira correm o risco de cair no lume” disse Jerónimo de Sousa e “Não temos os políticos que merecemos. Temos os políticos que somos” escreveu aqui o José Freitas. Pois é.

O que é, e o que pode fazer, um governo de gestão

Até às prováveis próximas eleições (Cavaco Silva ainda não se pronunciou) o governo de José Sócrates encontra-se em gestão.

Um governo nessas condições não é novidade na democracia portuguesa e permite a gestão corrente dos assuntos do país, apesar de ter poderes limitados pois, segundo a Constituição, a isso deve cingir-se estritamente (segundo o artigo 196, alínea 5, da Constituição um governo de gestão “limitar-se-á à prática dos actos estritamente necessários para assegurar a gestão dos negócios públicos”). Assim sendo, novas nomeações, aprovação de projectos ou a promulgação de leis são apenas admissíveis em casos excepcionais e absolutamente prementes. No entanto a definição de “estritamente necessários” e de “gestão dos negócios públicos” é suficientemente vaga para que possamos perder-nos relativamente aos seus limites.

Decisões que envolvam aumento de impostos, investimentos a longo prazo, cortes de prestações sociais, etc., estão excluídas da noção de gestão corrente, ainda que o Estado possa continuar a contrair dívida necessária ao seu financiamento.

A história recente dos governos de gestão portugueses mostra que [Read more…]

Onde está a coragem de Sócrates e Teixeira dos Santos?

José Sócrates, enquanto detinha o poder, apresentou-se sempre na AR com tiques de superioridade, arrogância e, por vezes, desprezo pelos opositores. Não raro, humilhou-os e reduziu-os àquilo que entendia ser a sua insignificância, casos de Heloísa Apolónia, Francisco Louçã ou Paulo Portas. Era de esperar que um homem tão convicto e corajoso, tão impado e seguro de si mesmo, ouvisse o julgamento final sobre a sua governação. Fugiu. Desta vez fugiu mesmo, fisicamente, porque à realidade furtou-se sempre. O retrato de um homem sem respeito pelo parlamento e pelo país.

Manuela Ferreira Leite confirmou hoje o adágio que garante que a vingança se serve gelada. Enquanto falava, foi a vez da fuga de Teixeira dos Santos, que  foi perder-se algures nos Passos Perdidos. Os dois homens que detiveram mais poder no país nos últimos anos,  como se ainda fosse necessário, revelaram a sua verdadeira dimensão. Uma dimensão autista, pouco corajosa e nada digna. Para não dizer pior.

Apedrejamento do autocarro do Benfica: a culpa é do ministro

A super-lua foi há uns dias, mas parece que os efeitos só hoje chegaram a Portugal.

Depois de Sócrates ter inventado mais um triunfo e de Cavaco ter vindo dizer que já desistiu de ser PR (pelo menos com este governo), o F.C. do Porto vem comunicar que condena o ataque ao autocarro do Benfica, mas não muito. E enquanto a polícia procura os responsáveis, o FCP diz que não é preciso porque a culpa é… do ministro.

Grande país, cada cavadela, cada minhoca! Será que os anelídeos se podem exportar?

A magistratura activa de Cavaco Silva

O Presidente da República pronunciou-se finalmente sobre a actual crise política. Para dizer o quê? Para dizer que foi tudo tão rápido – aconteceu logo nas primeiras horas e até, pasme-se, nos primeiros dias – que já não tem nada para dizer.

Ainda bem que esta é a magistratura activa. Se fosse a outra nem tinha chegado a aperceber-se de que existe uma crise.

Sócrates, para ex-primeiro só falta o quase

O quase ex-primeiro-ministro José Sócrates anunciou hoje mais um triunfo para o país.

Tem sido assim com Sócrates, o “filósofo”: de triunfo em triunfo até à derrota terminal.

O mesmo tem acontecido com Sócrates, o político: de vitória em vitória até à crise final.

Já Sócrates, o mentiroso, andou de consenso em consenso até ao abandono total.

Por outro lado Sócrates, o ilusionista, apresentou truques de crescimento em crescimento até à recessão real.

Também Sócrates, o provinciano, foi de afirmação internacional em afirmação internacional até ao descrédito local.

E lembremos Sócrates, o engenheiro, de PEC em PEC até ao desespero mortal.

Falta apenas Sócrates, o demitido, a bem de Portugal.

Chora, chora, PS, chora…

O choradinho aumentou de volume, vem aí a berraria.

A culpa? É dos outros. Responsáveis? Os outros. Quem falhou? Os outros. Maus da fita? Os outros, pois claro, nós até queríamos dialogar, queríamos resolver, queríamos o melhor para o povo, os cidadãos, sei lá, os gajos que pagam e não choram muito alto porque o microfone é nosso, deles será a macrofome, quando muito.

Entretanto, buaáááá, mamã Merckel, aqueles meninos já não querem brincar mais comigo, sou tão coitadinho, tão incompreendido, tão injustiçado…

Esta foi a parte que ouvi. Como não tinha tampões para os ouvidos  aumentei o volume da aparelhagem e ouvi um CD. De quem? Dos Deolinda, era o que tinha à mão.

 

Projecto Tsunami: ilustradores pelo Japão

Um grupo de artistas pediu a vários ilustradores que interpretassem os acontecimentos recentes no Japão. A ideia começou a espalhar-se através de redes sociais e ganhou a adesão de ilustradores de todo o mundo.

O objectivo é vender estes trabalhos e, através da organização Give2Asia, aplicar as receitas obtidas em projectos no Japão.

No site Tsunami-Imagens para o Japão podem ver-se trabalhos já enviados e as linhas mestras do projecto. Ilustradores que queiram participar podem saber aqui como fazê-lo.

NUCLEAR: há que debater, sim, mas de forma séria

Nos últimos dias escrevi dois postes denunciando o argumento de que o nuclear é absolutamente seguro e não poluidor, utilizado por muitos defensores -e promotores- dessa energia. É mentira, disse. Tal bastou para que fosse acusado de espalhar medos.

É verdade que a questão energética é das mais prementes do mundo actual e do futuro mais próximo. É igualmente verdade que faz parte de uma questão mais lata que poucos (os políticos, por exemplo, sabem que só conquistam o voto popular prometendo a ilusão do crescimento económico contínuo) estão interessados em discutir: a sustentabilidade do crescimento e a redistribuição dos recursos a nível planetário, como exige o redesenho de bem-estar anunciado pelas economias ditas emergentes.

A noção de sustentabibidade pesa, quer queiramos, quer não, como uma espada de Dâmocles sobre o futuro do planeta, os  recursos passíveis de utilização e consumo e a possibilidade de deles se usufruir ao longo de um prazo de tempo que ultrapasse as gerações mais imediatas. Sem essa discussão é impossível debater, de forma séria, as questões energéticas de modo a que não nos limitemos apenas a empurrar os problemas com a barriga segundo a máxima “quem vier a seguir que feche a porta”. [Read more…]