Escutas dos EUA à Europa

A Comissão Europeia e alguns países europeus estão indignados com as escutas americanas a instituições, cidadãos e dirigentes do continente. Têm razão e pediram, para já, explicações aos EUA.

Só na Alemanha a vigilância americana intercepta cerca de 500 milhões de comunicações por mês.

Estes dados, revelados por Edward Snowden ao jornal Guardian, confirmam suspeitas antigas ainda não provadas. Dificilmente os EUA confirmarão o que quer que seja e o caso ficará em águas de bacalhau, a menos que a Europa decida agir activamente, repondo alguma justiça pelo caminho, acolhendo, albergando e protegendo Edward Snowden, dando um sinal de que não tolerará a repetição destas práticas e abrindo brechas para futuros “Snowdens” denunciarem casos semelhantes.

Não acredito que a Europa (esta Europa hoje sem valores nem espinha dorsal) o faça, mas devia.

Receitas de sangria e caipirinha para fazer em casa

A canícula chegou e, com ela, o desejo de bebidas frescas e saborosas.

Muitas vezes achamos complicadas algumas coisas que, afinal, são simples e podemos fazer facilmente em casa. Uma caipirinha, por exemplo: achamos que temos que moer o gelo e não dispomos de máquina apropriada, precisamos de limas e só temos limões…

Pois que nada disso seja impedimento, podemos sempre substituir um ou outro ingrediente e fazer interpretações. Claro que, para uma caipirinha, precisamos de cachaça (aguardente de cana) mas, se apenas tivermos vodka, fazemos uma caipiroska. O resto, lima (limão em caso de recurso, mas menor quantidade), gelo e açúcar não exigem propriamente uma “logística” apurada. Quanto à receita, pode segui-la aqui, vai ver que, em poucos minutos, achará que valeu a pena.

O mesmo vale para uma sangria, conhecendo as bases podemos ser criativos.

Se não tem vinho tinto, use vinho branco. Prefere espumante? pois seja. Adapte as frutas, vinho branco casa bem com ameixa, pêssego e ananás, por exemplo, espumante combina na perfeição com frutos vermelhos, morangos incluídos . Consulte esta receita e adapte-a ao seu gosto.

Não abuse, digo eu, que ainda há muito Verão pela frente e oportunidades não faltarão.

À nossa, tchin-tchim.

Depois do pau…

… a cenoura (mas só depois de meia Europa estar longamente hipotecada).

A casa de Aristides de Sousa Mendes

casa do passal

foto daqui

Antes de mais, saúdo a decisão da Secretaria de Estado da Cultura. O não restauro da casa do cônsul de Bordéus que salvou mais de trinta mil pessoas, contra a vontade de Salazar, era um atestado de indiferença e desprezo pelos actos de um dos raros portugueses que, sozinho, se dispôs a pagar um elevado preço para fazer o que julgava estar certo.

Durante anos, quase nada se soube sobre Aristides de Sousa Mendes. Pouco a pouco, (especialmente após o lançamento da Lista de Schindler) fomos sabendo de como possibilitou a fuga de milhares de pessoas do pesadelo nazi, de como morreu na miséria, de como ele e a sua família foram penalizados e ostracizados pelos seus actos.

Há muito tempo que se falava na necessidade da recuperação da Casa do Passal sem que sucessivos governos, autoridades regionais ou mecenas privados mexessem uma palha para honrar esta página exemplar.

Foi necessário que descendentes dos fugitivos, radicados nos EUA, começassem pouco a pouco a organizar-se para que o cenário mudasse. Com as pesquisas facilitadas pela internet, a Sousa Mendes Foundation localizou cerca de três mil sobreviventes e seus descendentes, passando a palavra e recuperando a memória do cônsul português de Bordéus. Foi ainda necessário que um jovem arquitecto americano, igualmente descendente da “diáspora Sousa Mendes” decidisse montar frente às ruínas da Casa do Passal um “museu temporário” cuja iluminação contrastasse com o buraco negro da casa, para que a campainha soasse em Portugal e a decisão fosse anunciada. [Read more…]

Tó Neto 1955 – 2013

Acabo de saber da morte súbita do meu amigo Tó Neto.

Estive com ele há poucos dias, estava cheio de projectos e muito contente com as coisas que andava a fazer. Tinha projectos para o futuro a curto/médio prazo que passavam por Angola, uma ideia muito bonita e interessante para o qual se estava já a preparar, não apenas como músico, mas como documentarista e, importantíssimo para ele, como angolano.

Cheguei a visitar o camião-estúdio que tinha comprado para, como me dizia, ir filmar os lugares de Angola que ele sabia que iam desaparecer em breve.

Partiu domingo à tarde sem se despedir dos amigos e eu não sei como o homenagear. Prefiro pensar que foi filmar, à sua maneira, paraísos longínquos perto do Kuíto, onde os rios são tantos que lhes perdemos os nomes,  enquanto nós aqui ficamos a ouvir músicas do seu último disco

Descansa em paz, Tó, foi um prazer ter-te conhecido.

O subsídio de férias

Faço parte dos portugueses que não entendem esta recusa do governo em pagar o subsídio de férias a tempo e horas, prejudicando  não apenas aqueles a quem este é devido mas, também e por arrastamento, indústrias como a hotelaria, o turismo, etc.

A justificação da vingança parece-me curta, pobre e, a ser verdadeira, grave, comezinha e desprezível.

Por isso mesmo, descartada a desculpa esfarrapada do primeiro-ministro, sendo política a razão, não a consigo entender.

Quererá o governo evitar que portugueses façam férias no estrangeiro desequilibrando a balança? Nesse caso, e porque os portugueses endinheirados continuarão a viajar, procura tapar um buraco abrindo outro maior, contraindo mais ainda a economia interna. Procurará desincentivar o aumento consumo estival? Se assim for não responde às necessidades de relançamento económico nem combate, ainda que temporariamente, o desemprego. Não há dinheiro? Pois o próprio Passos Coelho afirmou não ser esse o caso. Especulo que pretenda acabar com o subsídio de férias, mas quanto a isso já teve a resposta em relação à legalidade da pretensão.

Politicamente falando, esta medida é um desastre e eleitoralmente parece-me suicidária.

Por mais voltas que dê, procurando uma resposta séria ( que faça sentido na cabeça de Passos Coelho, Portas e militantes dos seus partidos, mesmo que não o faça na minha ) que justifique mais este tiro nas expectativas dos portugueses, no respeito pelos portugueses, no estado de espírito do país, não percebo. Não entendo, repito. Alguém me pode explicar de forma racional?

Perdigão perdeu a pena

Perdigão Perdeu a Pena

Não há mal que lhe não venha.

 

Perdigão que o pensamento

Subiu a um alto lugar,

Perde a pena do voar,

Ganha a pena do tormento.

Não tem no ar nem no vento

Asas com que se sustenha:

Não há mal que lhe não venha. [Read more…]

Se isto é limpinho, limpinho, limpinho…

…imagino o que será sujinho, sujinho, sujinho.

Procuram-se Mulheres Lacobrigenses Desempregadas para Trabalho Pontual

                                                            Kick in the eye, lacKick in the eye, lac lagos

Chamamos todas as mulheres Lacobrigenses desempregadas para participar numa performance de arte a realizar-se em Junho. Remuneração.

Este projeto enfoca a situação económica que se vive em Portugal, mais especificamente em Lagos, e pretende-se como um acto simbólico de contestação silencioso. Para tal, são precisas voluntárias que estejam dispostas a rapar os seus próprios cabelos para um filme que será projetado no exterior de edifícios em Lagos; na galeria LAR e no Centro Cultural de Lagos.

Em tempos de crise, seja ela qual for, precisamos de arranjar um símbolo que seja abrangente e abarque todas as contradições afectivas que estes momentos despertam em nós.

Rapar os cabelos tem muitas leituras diferentes e até mesmo contraditórias, dependendo das diferentes culturas e contextos onde esteja inserido. Poderá significar vergonha, castigo, humilhação, luto, perda, desespero mas, por outro lado, simboliza também um renovar de energia, revolta, contestação, provocação e um repensar de novas direcções, um novo começo. [Read more…]

Não peças desculpa, Ricardo

Não peças desculpa, Ricardo, por lutares pelos teus direitos, pelo teu trabalho e por não quereres deitar pela janela fora vinte anos da tua vida.

Não peças desculpa, Ricardo, por fazeres greve, mesmo que eu duvide que muda alguma coisa, não peças desculpa por quereres que oiçam a tua voz, mesmo se me parece que gritas para uma parede surda e inflexível.

Mas não faças greve apenas por ti, Ricardo, nem apenas pelas tuas filhas (já é muito), nem apenas pelos professores, pelos funcionários públicos, pelos sindicalizados, pelos empregados, pelos desempregados. Faz greve pelo país, pela justiça, pela dignidade cidadã.

Faz greve pelo país que emigra, pelos juros que as tuas filhas vão continuar a pagar depois de deixares de trabalhar, pela falta de trabalho com que os teus alunos se vão confrontar, pelas conquistas civilizacionais das gerações que te antecederam e que agora, subitamente, são postas em causa.

Faz greve pelo país que fecha portas, pelos centros das cidades cheios de lojas falidas, [Read more…]

Hoquei em Patins

Os jogadores mereciam? Mereceram.

Dois minutos depois do tempo regulamentar (no início do prolongamento).

Incultura

Imagine-se que se perguntava a dois mil alunos do secundário em Portugal quem foi Luís de Camões e que boa parte deles respondia que teria sido um apresentador de televisão.

Imagine-se que outros tantos responderiam que Eusébio foi primeiro-ministro durante a segunda guerra mundial, que Amália Rodrigues foi mulher de D. Dinis, que Florbela Espanca foi cantora de rock ou que Fernando Pessoa foi atleta olímpico.

Imagine-se ainda que, postos perante um mapa, não saberiam apontar a localização aproximada de Lisboa.

É precisa muita imaginação para conceber tal cenário? Talvez não, pelo menos a julgar pelos resultados obtidos num inquérito realizado em Inglaterra. [Read more…]

Georges Moustaki 1934-2013

Robotarium de Vila Franca desactivado

Era simultâneamente uma peça de arte pública e um cruzamento entre arte, ciência e biologia. Não resistiu ao vandalismo, que incluiu até disparos de balas.

Este é o tipo de notícia a que bastaria um “sem comentários” para mostrar desacordo, incompreensão e condenação, não fosse uma afirmação  do autor, o artista Leonel Moura:

Leonel Moura mostra-se resignado perante a situação, considerando que os atos de vandalismo são fruto do momento conturbado que o país atravessa

Infelizmente duvido que, mesmo se os tempos que o país atravessa não fossem conturbados, este tipo de vandalismo não existiria. Trata-se de um problema de (falta de) cultura e de civismo, e está inscrito mais fundo do que a mera circunstância das dificuldades do momento. Lamentavelmente.

Merkel: Austeridade, eu?

Que Portugal e Grécia estão quase reduzidos a cinzas, que a Espanha para lá caminha, que os indicadores europeus são piores que nunca, ninguém duvida.

Culpados, responsáveis, é que não há, afinal não é só em Portugal que a culpa morre solteira. Já faltou mais para ouvirmos a sra. Merkel dizer que foi sempre a favor da mutualização das dívidas e de maior igualdade de tratamento entre os países europeus. Para já, vem dizer que foi sempre contra a austeridade (as palavras podem não ser estas, mas o sentido é).

A Alemanha tem alguma culpa na situação actual? Não, nem pensar, a culpa é de Barroso, esse indígena do sul, do BCE, essa instituição que funciona à margem da vontade alemã, e de interesses que a Alemanha desconhece, a iniciar pelas próprias eleições alemãs.

É, aliás, por causa das eleições alemãs, que Merkel inflecte o discurso e procura deitar areia para os olhos dos próprios alemães, numa altura em que no país se começa a entender onde conduz a política suicida da dupla Merkel/Schäuble, com o PIB da zona euro a contrair 0,2% e com a locomotiva alemã a crescer apenas 0,1% no último trimestre. [Read more…]

Paguem o subsídio de férias a tempo e horas

Os trabalhadores do sector do turismo também precisam de trabalhar quando os outros fazem férias. Mas, para se ir de férias, é preciso haver pilim e o subsídio dos funcionários públicos é um direito contratualizado com o estado.

O que importa é ganhar a Liga Europa

benfica chelsea

Vejo grande parte dos jogos de futebol na mesma tasquinha, há anos. Meia dúzia de benfiquistas, dois ou três portistas, um ou dois sportinguistas, compomos o ramalhete habitual. Comentamos jogadas, “amandamos” umas bocas, fazemos de treinadores de bancada, gritamos de alegria ou de impaciência. Há um ou dois benfiquistas mais nervosos que vaticinam a derrota e dão o jogo como perdido ao primeiro passe falhado pelo Benfica. Muitas vezes é um portista ou um sportinguista que se ri e diz “tem calma pá, ainda faltam oitenta e sete minutos”.

Esses meus amigos sabem uma coisa que lhes tenho dito, especialmente desde que Jorge Jesus veio para a televisão dizer que a prioridade era (é) o campeonato: não percebo. Garantido um lugar na Liga dos Campeões, se eu tivesse que priorizar (se pudesse escolher apenas um título), escolheria a Liga Europa. Não o digo agora (acreditem se quiserem), depois do jogo com o F C Porto.

Não percebo, repito. Para mim, ganhar uma competição europeia é muito mais importante, mais [Read more…]

Memorando para reforçar relações culturais entre Portugal e Espanha

Que tenham assinado o memorando, acho bem.

Que tenham boas intenções, também acho bem, mas de boas intenções assinadas estão os caixotes do lixo cheios.

Enquanto a cultura for um broche para colocar na lapela, especialmente em cimeiras internacionais vazias de conteúdo prático, nada mudará em Portugal.

Em relação a políticas culturais é que sim, por uma vez valia a pena Portugal fazer o papel de bom aluno. Em Espanha já há muito se percebeu o valor da cultura e dos apoios para as áreas criativas como formas de valorização da sociedade, como instrumento económico e como forma de afirmação internacional. Mas não basta querer, é preciso investir nos artistas e criadores, nas estruturas e nas indústrias culturais.

Ora, para isso é necessário um ministério da Cultura e um aumento do peso da cultura no Orçamento Geral do Estado. E aí é que a porca torce o rabo.

Ainda o F C Porto – Benfica

O F C Porto ganhou ontem o jogo no estádio do Dragão e pode, com isso, ter ganho o campeonato. Um jogo de futebol só termina quando o árbitro apita,  como mais uma vez se demonstrou quando se jogava já o tempo suplementar. O jogo foi equilibrado e as equipas equivaleram-se em campo sendo que este campeonato (que ainda não acabou) fica marcado pela disputa e pela indecisão até ao fim , como disse noutro poste.

A arbitragem não influenciou o resultado. Não vi em campo Salazar, nem a Pide, nem o centralismo lisboeta, nem o regionalismo (claro que percebo que o futebol pode simbolizar e representar aspirações regionalistas autonómicas quando isso corresponde a um sentir profundo e identitário de grande parte da população, o que não é, manifestamente, o caso), nem as batalhas miguelistas, nem as invasões francesas. Os profissionais fizeram o seu trabalho, as acções do FCP devem subir nos mercados e as do Benfica devem baixar. Aos adeptos, que desses números astronómicos nada ganham, resta apenas o desportivismo, já que não me consta que façam parte das estruturas profissionalizadas.

O Benfica perdeu e fiquei um bocado chateado,  [Read more…]

Já mandaram um convite a Rui Rio…

…para um Worst Tour?

“Se quisermos ser empreendedores no Porto, tudo tem de passar pela Câmara. E qualquer documento traz uma nota de rodapé a dizer que não podemos dizer mal da Câmara.

Amanhã é dia de Porto – Benfica…

…e a metade do país que gosta do jogo de futebol (na qual me incluo) vai já fervendo em torno do despique.

O jogo é uma espécie de final que pode valer um título e isso torna-o mais apetecível, interessante, importante, perigoso, incendiário e pasto de provocações e demagogias.

Também por aqui, se calhar melhor aqui do que noutras circunstâncias, se vê quem é quem, o que vale e qual a dimensão humana de cada um. Eu, que sou benfiquista, espero que o Benfica ganhe, claro, ou, pelo menos, empate e seja campeão. Um portista quererá o mesmo para o seu clube, como é lógico.

Amanhã, quando começar o jogo, para mim, vão estar duas equipas em campo ( árbitros à parte ) e jogadores com nomes como Lima, ou Artur, James ou Helton. E não, não vai lá estar Salazar, nem a Pide, nem o centralismo lisboeta, nem o regionalismo, nem as batalhas miguelistas, nem as invasões francesas. Chamar “aquela equipa fascista”  ou “os verdadeiros representantes do futebol português” tem tanto a ver com [Read more…]

Fundador alemão do euro pede o fim da moeda única

Oskar Lafontaine, um dos fundadores do euro quando era ministro das Finanças da Alemanha, pediu o fim do euro para deixar os países do Sul recuperarem. E sublinha que “os alemães ainda não perceberam que o sul da Europa, incluindo a França, será forçado pela sua miséria actual a lutar, mais cedo ou mais tarde, contra a hegemonia alemã“…

…“Merkel vai despertar do seu sono hipócrita quando, a sofrer por causa da política salarial alemã, os países europeus unirem forças para fazer um ponto de viragem na crise penalizando inevitavelmente as exportações alemãs”, avisa Lafontaine… [Read more…]

Benfica em Amesterdão

Agora também já compram árbitros na Europa! Sujinho, sujinho, sujinho!

(Dizem em certos sítios mais ressaibiados. É a vida!)

Extinções

Esta frase de um leitor num comentário a este poste

…quando era criança era muito comum ver joaninhas em todo o sítio, hoje em dia são cada vez mais raras…

fez-me fazer um exercício de memória.

Tenho cinquenta e dois anos, nasci em Angola, vim para Portugal com quase quinze, há trinta e sete anos, portando. Sem nenhuma pretensão científica e não sendo exaustivo, dei por mim a pensar nas extinções a que assisti – aqui a palavra é utilizada de forma pouco exacta, sendo que chamo extinção ao (quase) desaparecimento de certas espécies de determinados locais.

Um dos primeiros insectos que me maravilhou em Portugal foram os pirilampos. Lembro-me deles às centenas, à noite, piscando nos campos. Há anos que não vejo um único pirilampo nos mesmos campos. O que se passou? Não sei, sei que as crianças os apanhavam às dezenas para brincar, mas imagino que sempre tenham feito o mesmo ao longo de gerações. [Read more…]

Proibição de pesticidas que matam abelhas

abelha

Os governos, no caso europeu também as instituições supra-nacionais, sofrem geralmente de legislalite aguda, uma doença que os faz criar leis para tudo e mais alguma coisa, dia sim, dia não, num afã inconsequente de parecer que trabalham muito e controlam tudo.

A legislação ridícula e absurda acumulada é sinal de que nunca perceberam uma coisa muito simples: salvo raríssimas excepções é preferível lei nenhuma a uma má lei. Nem os liberais mais couraçados escapam, quando no poder, a esta doença viciante – normalização disto, regulamentação daquilo, proibição daqueloutro e por aí fora.

No meio de tanta tralha legislativa, lá surge uma vez por outra uma lei importante. É o caso da proibição de pesticidas que matam abelhas, decidida agora pela Comissão Europeia, contra a posição de lóbis poderosos e bem infiltrados nos círculos políticos. [Read more…]

No Mexia não se Mexe, Mexam lá no Mexilhão

Estes rapazes são muito fortes com os fracos. Já com os fortes…

E Passos, como aqui se vê, não tem vergonha nenhuma.

Saco de Gatos

Pode ser que agora cortem as unhas ao Gaspar.

Democracia

O Público de hoje traz depoimentos de 55 personalidades sobre aquilo que melhorariam na democracia portuguesa. Muitas das declarações não passam de colagens de banalidades românticas, ingénuas e tardo-adolescentes. Outras, pelo contrário, são estruturadas e fazem uma leitura política de um tema naturalmente político.

Serve esta introdução para dizer que, se houve depoimentos mais importantes e lúcidos do que outros, aquele que mais me tocou e melhor põe o dedo na(s) ferida(s) pertence a Gonçalo M. Tavares, e não é “político”, nem “programático”, nem sequer “objectivo”, muito pelo contrário: é metafórico, artístico e literário, na melhor acepção dos termos. No entanto, estas parábolas ilustram na perfeição a situação de “captura democrática” em que vivemos

1 –“O cantor”

Um pássaro foi atingido com um tiro na asa direita e passou por isso a voar na diagonal.

Mais tarde foi atingido na asa esquerda e viu-se obrigado a deixar de voar, utilizando apenas as duas patas para andar no chão. [Read more…]

Liberdade

Esta canção é todo um programa e volto sempre a ela quando as coisas se confundem e o mundo parece perder o rumo.
Que sociedade queremos construir e para quem? Quem deve estar no centro das decisões políticas? Os políticos eleitos devem estar ao serviço de quê? Queremos, ou não, um mundo mais justo e inclusivo?
Porque a nossa liberdade não acaba na liberdade de expressão. Aí, ela apenas começa.

O Diletante e a Quimera, de Pedro Medina Ribeiro

Saíu hoje, Dia Mundial do Livro, o novo título de Pedro Medina Ribeiro.

Ainda não o li e não posso opinar sobre ele. Mas sobre a escrita bela, luminosa e transparente de PMR, posso.

A seu tempo, aquando da saída do seu primeiro livro, dei disso notícia no Aventar. Volto agora a fazê-lo a propósito de “O Diletante e a Quimera” com a certeza comprovada e consabida de que recomendo um grande escritor, de voz clara e cristalina, alheio a modas e contemporaneidades algo vácuas e fúteis, como se o nosso tempo não fosse plural e vário, como se não fôssemos quase todos tocados pela emergência do “hoje cheirando a amanhã” na actual configuração multimédia do mundo.

Por isso mesmo a escrita de Pedro Medina Ribeiro se impõe como “diferente”, por parecer alhear-se da necessidade imediatista de afirmar-se “moderna”, por ser sua, genuína e extraordinariamente bela, por nos remeter para um tempo que, paradoxalmente, transporta algo de intemporal. [Read more…]