Gastão era perfeito

Também em memória da Adelina, que nos vendia às escondidas este e tantos outros discos. Quem passou por Coimbra sabe de quem estou a falar.

É a minha favorita, hoje que também é dia de cada um falar da sua. Não me perguntem porquê, quando me apaixono por um poema, uma música, uma canção ou uma mulher nascem mistérios que prefiro nem desvendar.  Aqui só falta a mulher mas sobra a velha tradição da cantiga de escárnio e maldizer, superiormente reinventada.

Faz parte do Venham Mais Cinco, em termos de sonoridade e  maravilhamento poético o mais elaborado dos trabalhos do Zeca, com um respirar que logo a seguir seria impossível, tanto ao Zeca como ao José Mário Branco, o senhor que em português inventou a palavra produção.

Gastão era perfeito
Conduzido por seu dono
Em sonolências afeito
Às picadas dos mosquitos [Read more…]

O que faz falta

Grândola Vila Morena (Filhos da Madrugada)

O projecto Filhos da Madrugada foi a melhor homenagem feita até hoje à música de José Afonso e também ao homem que a criou. O melhor compositor português do séc. XX passou assim a outra geração, construindo-se a imortalidade.

É tempo de um Filhos da Madrugada II passar o testemunho à geração seguinte. Grupos e cantores para isso não faltam (imagino por exemplo o David Santos / Noiserv a pegar num “Se o Amor não Engana”…). Que as editoras não estejam para aí viradas, pois pois, compreendo. Espero que o obstáculo não venha de quem detêm os direitos do autor José Afonso (e que ainda o ano passado proibiu pelo menos uma versão). Sim, isto é verdade, embora no caso que aqui será contado um destes dias os Vampiros tenham virado Abutres, e ficámos todos a ganhar.

Seguem-se alguns vídeos com músicas dos Filhos da Madrugada que demonstram como no youtube o Zeca nunca morreu.

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Hoje dá na net: Sempre Abril (Gala de homenagem a Zeca Afonso)

Gala de homenagem a Zeca Afonso, co-produzida pola TVG (Televisão da Galiza) e a RTP.

Silvia Alberto co-apresenta, com o galego Carlos Blanco, o espectáculo que assinala a Revolução dos Cravos e presta homenagem a Zeca Afonso. “Sempre Abril”, assim se designa a gala realizada no Paço da Cultura de Pontevedra, conta com as participações de Sérgio Godinho, Dulce Pontes, Vitorino, Janita Salomé, João Afonso, Zeca Medeiros, Tito Paris, Luís Pastor, Trexadura, Victor Coyote, Xico de Carino e o grupo Faltriqueira.

Veja depois do corte a ligação para os outros vídeos sobre José Afonso: [Read more…]

O Carnaval dos contratos colectivos

Disse o ministro da destruição da economia que a culpa de o país não ter cumprido o encerramento da terça-feira de Carnaval é dos contratos colectivos.

Agora percebo a verdadeira intenção da coisa (além de mostrar serviço a uma troika em visita): colocar a contratação colectiva do trabalho na berlinda.

É um velho sonho da concertação social, que por natureza se concerta sempre para o mesmo lado. Num mundo perfeito cada trabalhador é chamado ao patrão, ou aos “recursos humanos”, e metem-lhe umas folhas de papel à frente. Assine aí se faz favor, se não assinar a porta da rua é a serventia da casa, e já agora à saída mande entrar as centenas de candidatos ao seu emprego que estão lá fora à espera.

Mais de um milhão à espera já, têm só falta o resto, ou pelo menos retirar os sindicatos do assunto, que sobre uma comissão de trabalhadores espevitada é muito mais fácil exercer represálias.

Por estas e por outras, onde se lê austeridade, produtividade e flexibilidade deve ler-se trabalho sem direitos e aumento da prepotência e dos lucros, é tudo a mesma coisa.

Hoje dá na net: Zeca Afonso – Ao Vivo no Coliseu, 1983

Em 29 de Janeiro de 1983 realiza-se o espectáculo no Coliseu com José Afonso já em dificuldades. Participam Octávio Sérgio, António Sérgio, Lopes de Almeida, Durval Moreirinhas, Rui Pato, Fausto, Júlio Pereira, Guilherme Inês, Rui Castro, Rui Júnior, Sérgio Mestre e Janita Salomé.

Este a RTP lá teve de gravar. Sabia-se que a doença era irreversível e já parecia mal. Não havia um único grande concerto de José Afonso gravado pela televisão portuguesa.

A crise vista da Alemanha

A Helena é uma portuguesa há muitos anos a viver na Alemanha, é dá-nos no 2 Dedos de Conversa a visão de quem lá está. A leitura deste artigo parece-me muito proveitosa para entendermos o assado onde estamos metidos.

Não concordo com ela, e muito menos com os portugueses que aqui também acreditam no discurso medinocarreirista, deixo de lado a questão das dívidas históricas da Alemanha, e retenho o que me parece fundamental: se em Portugal, ou na Grécia, muitos não percebem que por cada euro recebido apenas 19 cêntimos são utilizados pelo estado grego e que na prática as ditas ajudas vão direitinhas para os bancos, na Alemanha muito menos se entenderá o mecanismo da crise. Da crise dos banqueiros e da forma ardilosa como, eles sim, estão a ser ajudados, à custa da destruição da economia dos países que levaram com a especulação em cima, da crise que nenhuma austeridade pode resolver porque impede quem a aplica de pagar dívida alguma. [Read more…]

Hoje dá na net: Especial Zeca Afonso na RTP Memória

Programa emitido a 23 de fevereiro de 1987, logo após a morte de José Afonso. Não sobrava muito no arquivo. A RTP nunca gostou do Zeca, que também não era muito de estúdios, e no pós-PREC houve uma limpeza de memória aos anos de 1974-75. Mas foi um bom esforço de Luís Andrade, Brito Macedo e Carlos Pinto Coelho,que coordenaram e de  António Faria e Luís Filipe Costa que realizaram.

A mobilidade não sabe nadar, yô

Maria da Conceição Sargaço, mulher das limpezas no Ministério da Agricultura em Aljustrel, foi em 2010 parar ao quadro de mobilidade e colocada como salva vidas nas piscinas de Castro Verde. Aos 65 anos invocou a distância entre os dois concelhos, e provavelmente salvaram-se vidas nas piscinas.

Maria da Conceição, nos 5 anos que lhe restavam até à reforma, só pedia para voltar à sua vassoura, agora o estado tinha contratado “duas empresas de limpeza para fazerem o seu trabalho. “Assim estão a pagar mais do que me pagavam a mim. É por isso que gostava de voltar ao meu antigo serviço”, justificava.

Maria da Conceição, uma piegas que queria regressar à sua zona de conforto, ao adquirido direito de ser funcionária pública toda a vida, felizmente bloqueado porque algures um génio decidiu privatizar a limpeza das instalações do Ministério da Agricultura de Aljustrel, apoiando sabe-se lá que empreendedorismos. A mobilidade na função pública no seu melhor. Com a nova lei não podia invocar a distância e ia mesmo nadar para a piscina municipal de Castro Verde. Vem aí uma grande reforma na administração  pública, vai ser uma desbunda. Para quem saiba nadar, yé.

Hoje dá na net: Zeca Afonso – Maior que o pensamento

(1ª parte)

Produção: Nanook, Realização: Joaquim Vieira Tit. Original: «(ZECA AFONSO)»
Origem: Portugal – 2011

Série documental em três episódios sobre José Afonso com assinatura de Joaquim Vieira.

“Maior que o Pensamento” é o título de um documentário em três partes acerca da vida e da obra do poeta, compositor e intérprete José Afonso, o mais conhecido autor da chamada canção de intervenção portuguesa, movimento do qual se pode aliás dizer que foi fundador e líder (embora de maneira informal).

(…) O documentário recolhe muitas dezenas de testemunhos de pessoas que conheceram José Afonso e com ele colaboraram, desde familiares e amigos a músicos de várias nacionalidades. Imagens de atuações de José Afonso (algumas inéditas em Portugal, como na Alemanha em 1963) completam este exaustivo trabalho sobre um criador que suplantou em muito a estrita esfera do seu posicionamento ideológico, tornando-se num dos mais originais e destacados criadores do seu país no século XX. Ao longo do documentário, podem ser ouvidas algumas das mais significativas canções da autoria de José Afonso, interpretadas pelo próprio.

(…) “Maior que o Pensamento”, uma produção Nanook, é um documentário de Joaquim Vieira, com edição de Aníbal Carocinho, direção de produção de Lila Lacerda, consultoria histórica de Irene Flunser Pimentel e consultoria de Maria Helena Afonso dos Santos.

Ficha RTP completa

2ª e 3ª partes [Read more…]

Ressurreição de Carnaval

Vemos hoje tudo o que perdemos por ter pedido ajuda externa: níveis de desemprego, de falências, ratings da República, dos bancos: quantos anos vamos demorar a regressar aos níveis de há um ano?

No período de neo-jornalismo que atravessamos esta frase pertence a uma “fonte próxima do ex-primeiro-ministro“, ou seja a José Sócrates disfarçado de torneira. Depois da confissão de Judite, entrevistou de uma fornada 4 banqueiros 4 só para chamar a troika, veio a discussão grave do avô Soares:

discutimos brutalmente, amigavelmente, eu sempre a convencê-lo e ele a não estar convencido, e depois o ministro das finanças também interveio mais tarde e ele acabou por ter de ceder

e agora isto.

Há coisas que não se aprendem na escola. Uma delas, até por ser mórbida, é a dificuldade de alterar os factos históricos; pode lavar-se a imagem, coisa de comunicação e vendas a retalho, mas a ciência a seu tempo registará que José Sócrates tentou mais tarde desresponsabilizar-se pelo pedido de empréstimo externo ocorrido durante o seu governo e pelo qual será sempre o gajo que fez merda.

Outra, para desconsolo de viúvas, viúvos e viúv@s, é aquela de um morto de cara lavada não deixar de ser defunto.

Quem não tem dinheiro não tem História

Museu Britanico, em Londres

O mercado já está a funcionar na Grécia: menos estado, menos segurança nos museus, mais espaço para a iniciativa privada, que naturalmente saberá conservar as peças agora desviadas do Museu de Olímpia.

O património histórico deve estar nas mãos dos empreendedores, caminho que de resto os britânicos já tinham traçado a grande parte do friso do Partenon, tão bem guardado em Londres. E como ficava bonita a Acrópole em Berlim.

Por estas e por outras, hoje também sou grego. Outros irão para a porta do Museu Nacional de Arte Antiga, aguardando a sua oportunidade.

Dia de Mobilização Internacional: Somos todos gregos: [Read more…]

Onde ardem as “ajudas” à Grécia?

Diz o ministro holandês das finanças:

temos de certificar-nos que o dinheiro que emprestamos não é consumido pelas chamas.

Por cada euro que entra apenas 19 cêntimos se destinam a gastos do estado, 40% vão direitinhos para a banca internacional. Ou seja, a Holanda empresta à Grécia para pagar à finança.

É percebendo isto que se entende o sentido do “não pagamos”. Diga um outro governo grego que acabou a zorba para os especuladores (incluindo por exemplo o “nosso” BCP) e a música será outra, obviamente com efeito dominó. Faça um governo português o mesmo e cai a Espanha, e a Espanha deve sobretudo a banqueiros franceses e alemães. Entendidos quanto aos interesses em jogo, e percebido quem está a ajudar quem?

fonte do gráfico

A familiaridade do insulto em Portugal

Apercebo-me por uma crónica do Ricardo Araújo Pereira (a que cheguei via Joana Lopes) ter Sócrates chamado mansa à mãe de Vítor Gaspar (numa altura em que provavelmente nem sonhava com a sua existência) e agora Santana ter tido o flope de chamar Salazar à senhora de um ministro das finanças do Esteves*, partindo do princípio que o tio de Fernando Rosas era casado.

O problema de Portugal é ser Lisboa, e Lisboa ser muito pequenina. O resto é paisagem.


* Esteves, alcunha de Salazar; por razões de segurança nunca se noticiava onde o homem ia meter as botas, mas apenas “o sr. presidente do conselho esteve ontem em“… sem ofensa, falta pouco para Cavaco Silva recuperar este hábito lusitano.

Bandex – Um futuro pior

Depois deste vídeo, será que o queque que preside à JSD vai virar pastel de nata?

Ó Aníbal! onde estás tu *omem?

* nem todos têm agá.

Cavaco não foi à António Arroio

Cavaco Silva cancelou à última hora uma visita à escola António Arroio. Embora corram boatos de que tal se deve ao facto de os estudantes lhe prepararem uma monumental assobiadela, estamos em condições de garantir que o motivo foi outro: ao contrário do combinado a conhecida escola artística não ia receber o dignatário com uma Cow Parade. Na ausência de Cow Art, Cavaco Silva terá dito aos seus assessores:

– Não vou, não vou e não vou. Cancelem e marquem uma visita a uma escola agrária.

E se emigrasses?

O político analfabeto João Almeida volta a dar nas vistas, desta fez sem Facebook. A ideia de que o trabalho não tem direitos, tudo se nivela por baixo e um trabalhador é uma espécie de objecto descartável, assenta-lhe que nem uma luva.

É maneira de pensar como qualquer outra, e vigora em muitos países  para onde o deputado bem podia emigrar. Para a China, por exemplo.

BiTri e Artur Jorge

O que faz esta fotografia de Artur Jorge num blogue portista como o BiTri que arrancou hoje ao meio-dia?

Faz parte do meu primeiro artigo numa casa de dragões. E do Aventar nem fui o primeiro a estrear-me, ainda faltam dois.

OCDE; ROTF

A piada do gráfico da semana está na previsão que o acompanha:

A OCDE aponta, no entanto, para uma viragem pela positiva na atividade económica nos países que compõem a organização, com a zona euro a apresentar sinais de que a deterioração da atividade se está a moderar.

Para memória futura aqui fica esta demonstração da OCDE enquanto vidente do capitalismo no seu pior, a tendência para acreditar em si própria sempre a subir até chegar ao sol. Arqueologia, como o esquecido ROTF, no fundo um LOL que se rebola pelo chão. Mas ainda arranjam uma desculpa em Ormuz para explicar o falhanço, há sempre uma saída airosa para a imbecilidade, incluindo a crónica e irreversível.

Hoje o comboio do meio-dia vai apitar 2 vezes 3 vezes

Hoje dá na net: Estado de Sítio

Ficha IMBD. Em castelhano.

À espera dos bárbaros

– Que esperamos na ágora congregados?
Os bárbaros hão-de chegar hoje.
– Porquê tanta inactividade no Senado?
Porque estão lá os Senadores e não legislam?
Porque os bárbaros chegarão hoje.
Que leis irão fazer já os Senadores?
Os bárbaros quando vierem legislarão.
– Porque se levantou tão cedo o nosso imperador,
e que faz sentado à porta da cidade,
no seu trono, solene, de coroa?
Porque os bárbaros chegarão hoje.
E o imperador espera para receber
o seu chefe. Até preparou [Read more…]

Hoje dá na net: Zorba, o Grego

Ficha IMBD. Em inglês.

Είμαστε όλοι Έλληνες (Somos todos Gregos)

O que sobra do parlamento grego aprovou mais um pacote de austeridade. Segue-se a revolta social intensa, com final imprevisível. Sem nenhum raciocínio lógico esta tarde deu-me para achar que o objectivo final de Merkozy é a saída dos PIIGS do euro, tipo eu quero uma moeda forte só para mim.

Seja ou não seja, o destino da Grécia está traçado, e o nosso será já a seguir. Ou ainda alguém acredita que a austeridade cega e as privatizações ladras resolvem alguma coisa, e levantam uma economia que se afunda cada vez mais? O Vítor Gaspar acredita, eu sei, mas os loucos não contam e não deviam governar países.

Imagem e título roubados a Os Dias do Fim

Queridos, não encolham as manifes

Diz a CGTP que ontem estiveram 300 000 em Lisboa. Sendo óbvio que no Terreiro cabem pouco mais de 120 000, também não ouvi ninguém dizer que estiveram lá todos ao mesmo tempo, e truques baixos como o do JN, que andou a publicar um vídeo feito antes de a praça encher são pura batota. Andamos a inflacionar números de manifestantes desde 75 (quem começou até foi a direita) e agora é tudo muito relativo.

Por mim estou com o espírito do Luís M. Jorge:

Para um espírito prático a fraqueza dos nossos sindicatos só tem estas soluções: ou se tornam muitos e param o país, ou se tornam muito violentos e param o país.

Servem as manifestações para alguma coisa? já ouvi patrões de patrões louvar estas iniciativas: acham eles que o pessoal faz o seu piquenique, extravasa a raiva nas palavras de ordem, e fica muito contente por serem muitos. Em parte é mais ou menos isso, razão porque fica mal à direita encolher a manife, se tivessem juízo ainda falavam em 400 000.

A manifestação eficaz juntará um destes meses os que alinham com os sindicatos com os que nunca alinharam, principalmente os desempregados. E não será em Lisboa, será pelo país fora, provavelmente mais pelo país fora, e desconfio que de norte para sul. Eficaz em número, nem precisando de ser muito violenta, embora conhecendo os hábitos da casa e o funcionamento das panelas de pressão tal seja provável. Já faltou mais, este governo tem-se esforçado por isso, e nesse dia prometo acender uma velinha a Vítor Gaspar, será merecida.

Adenda: além de ser um belo vídeo, estas imagens desmentem quem acha que o Terreiro do Paço nem sequer encheu: [Read more…]

Whitney Houston, 1963-2012; adeus miúda

Esta cachopa cantava num género que não me assiste: delicodoce, romântico a puxar mais pela voz que pela cantiga, muito soul, alma com quem vou pouco à bola.

O género tinha uma excepção: Whitney Houston, capaz de meter um calhau à procura do lenço no bolso, especialista nas grandes canções que fazem um filme lamechas transmitir aquele bocadinho de tarde bem passada nas matinés que compensa o preço dos dois bilhetes.

Só quem nunca se apaixonou não fica triste: morreu Whitney Houston.

O trapézio fez 4 anos

Só agora dei por ela, o meu blogue de poesia favorito continua a dar-nos poesia passada para português.

Do Trapézio, sem rede; este eu até pagava para ler.

Olha pra mim a publicar uma crónica do Pacheco Pereira

Aqui está, o artigo do Pacheco Pereira no Público de hoje. Nem faço a ressalva de não concordar com tudo, o que é óbvio, a História tem o condão de unir os que a estudaram, e basta.

A ver

Uma boa reportagem sobre os Anonymous nacionais, um fenómeno nas nossas tv´s. A sério: ouviram, deram tratamento jornalístico, e nem sequer lhes chamam piratas. Serviço público.

RTP1 [10-02-2012]

Ocupar a Praça

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