A ode dos piegas

Cantiga dos Ais de Mendes de Carvalho dita por Mário Viegas.

Vai trabalhar malandro

Está-lhe no sangue, a nossa direita vende Portugal por 10 reis de mel coado. Este Gaspar vende por menos, vende pelos mercados, e demonstra aqui que a crise não passa de uma oportunidade para arrasar com direitos laborais, privatizar tudo, regressar ao pior do capitalismo português. Se o deixarmos, é claro.

A direita, a traição e as putas

Em 1383 o grosso da nobreza, principalmente a detentora do morgadio, tomou o partido de João de Castela. Em 1580 repetiu-se o filme, desta vez apoiando o rei Filipe. Em 1640 saem a correr 40 aristocratas, em desespero, porque a populaça andava a fazer alterações nas ruas, não apenas contra o rei Filipe III mas já contra todo o poder que a empurrava para a absoluta miséria.

Ainda podia acrescentar uns episódios oitocentistas. É sempre assim, a nossa direita anda sempre com a pátria na boca mas trai por tradição Portugal quando chega a hora da verdade.

Recordo isto na semana em que dois pré-ocupantes alemães começaram a verbalizar o que se vai seguir: humilhação internacional de Portugal através da sua máquina de propaganda, até ao estádio grego actual e o que se vai seguir.

O silêncio da nossa direita (nem toda, é verdade, mas da maioria) tem o ensurdecedor rufar da História. Sempre as putas do costume.

História

– Alguém se lembra como saímos da crise de 1929?
– Eu, eu, senhor, eu sei.

Hoje dá na net: A Infância de Ivan de Andrei Tarkovsky

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A Infância de Ivan

Ficha IMBD. Legendado em castelhano.

Merkel já dá palpites sobre o cozido à portuguesa

Aquela variante do homo sapiens sapiens que conduz o destino da Alemanha (para perder mais tarde ou mais cedo uma guerra, que isso é destino) abriu a boca para falar da Madeira.

Na ausência de moscas até pode parecer que não soltou disparate. Mas saiu, por omissão: a Madeira teria muito mais fundos comunitários para gastar (provavelmente mal, mas isso não é novidade nenhuma e é problema nosso, que não discuto o que faz a Alemanha aos seus) se um mirífico offshore não lhe tivesse aldrabado o PIB. E com mais esses 500 milhões nem o Alberto João conseguia gastar tudo em estradas, até porque teriam de ser utilizados no combate à pobreza (mais desvio, menos desvio, é verdade). Mas os offshores, a vigarice de forma e em forma do capitalismo actual, dão jeito a toda as merkles do mundo.

Entretanto vou-me sentar confortavelmente à espera, a eternidade ainda demora um bocadinho, que alguém no governo do meu país explique à gaja que ainda não chegou à Madeira. Embora pela parte que me toca, se votarem os naturais por fazer da ilha um protectorado alemã, nada a obstar; excepto as Selvagens, saibamos ficar com o que ainda não foi betonizado e sempre é o nosso extremo sul, pode fazer falta.

Fala o queixinhas

via A Educação do meu Umbigo

Hoje dá na net: O Espelho de Andrei Tarkovsky

Ficha IMBD. Legendado em inglês.

Académica de regresso ao Jamor

A Académica gosta muito do Jamor em anos de crise. Preferia que fosse contra o Benfica, temos velhas contas para ajustar, seja com quem for da final da Taça de Portugal ninguém nos tira.

Vai viver um ano com o salário mínimo e depois falamos: Manuel Braga da Cruz

O reitor da Universidade Católica Portuguesa (UCP), Manuel Braga da Cruz, apelou ontem à “revisão do sistema de financiamento” do ensino superior, defendendo um aumento das propinas a pagar pelas famílias  (…) o reitor defendeu que “a sociedade, as empresas, as famílias, e os estudantes têm responsabilidades inalienáveis” e não podem empurrar “para as costas do Estado a obrigação quase exclusiva de financiar a universidade”.

O reitor defendeu que o actual modelo de financiamento é insustentável e “discrimina pela negativa” as universidades privadas, dando como bom exemplo o Reino Unido, que aplicou um “corajoso aumento de propinas para o nível do custo real”

 

Mais um primeiro-ministro cábula e piegas

Pedro Passos Coelho foi dar uma aula e acusou os portugueses de serem piegas.

De caminho demonstrou uma profunda ignorância em coisas de senso comum, quanto mais de economia: pregar que a tolerância de ponto do Carnaval equivale a “dividir o PIB pelos dias de trabalho” além de ser de tolinho em geral é de tomar os outros por tolos em particular: o governo apenas pode mandar trabalhar a função pública (que não tem exactamente uma actividade produtiva), o privado rege-se por acordos de trabalho que na maior parte dos casos contemplam o dia como folga e nem vale a pena repetir que produtividade não significa trabalhar mais, mas sim produzir mais, coisa completamente diferente.

Ainda debitou uns disparates sobre a Grécia, logo quando se acaba de saber que a dívida pública cresceu durante o seu governo, e não foi pouco, e crescerá ainda mais, rumo à bancarrota final. Se ainda não percebeu porquê pode ler qualquer manual básico de História do séc XX, está lá tudo muito bem explicado.

Antes de dar aulas podia ter estudado a lição. Haja rigor, exigência de trabalho, imposição de sacrifício aos alunos, e temos mais um primeiro-ministro chumbado. O resto é pieguice.

Hoje dá na net: Andrei Rublev de Andrei Tarkovsky

Andrei Rublev, parte um.

Ficha IMBD. Legendado em inglês.

Segunda parte: [Read more…]

Ainda sobre sua majestade

Em Portugal toca-se na Isabel, a senhora que para todos os efeitos é chefe de estado da ilha e seu império há 60 anos e é blasfémia. Desde o séc XIV debaixo da pata britânica, não admira. Quando visitou Salazar foi um corropio no beija-mão.

Então troquemos os Sex Pistols pelos U2. Sim, ditadura (regime no qual um governante se perpetua até que a morte do seu povo o separe), e criminosa, sangue espalhado pelo planeta, 60 anos ungida por nascimento e um tio nazi. Querem mais música? africana, asiática, ou a dos corajosos irlandeses chega?

60 anos no poder

chama-se ditadura.

Portugal falha acordo. Zona Euro já admite bancarrota

Chegaram ao fim, sem acordo, as negociações entre o Governo português e a troika. As negociações vão prosseguir na segunda-feira.

A reunião entre os três partidos da coligação que está no Governo e os representantes da Comissão Europeia (CE), Banco Central Europeu (BCE) e Fundo Monetário Internacional (FMI) acabou sem acordo quanto às medidas de austeridade e reformas estruturais que o país está disposto a adoptar para continuar a receber a ajuda internacional.

A troika «exige mais austeridade do que aquela que o país é capaz de suportar», afirmou o líder da PSD, Pedro Passos Coelho citado pela AFP, à saída do encontro.

Já o líder do CDS, Paulo Portas, justificou o falhanço das negociações porque «não queria contribuir para a explosão de uma revolução» e aceitar as medidas exigidas pela troika poderia ter esse efeito.

Representantes da banca internacional juntaram-se também este domingo à maratona negocial que envolve o Governo português e a troika para a adopção de novas medidas de ajuda externa àquele país, avançou a agência France Press. [Read more…]

Hoje dá na net: Solaris de Andrei Tarkovsky

Quando por aqui estreou este filme de Andrei Tarkovsky foi hábito confrontá-lo com 2001 Odisseia no Espaço. Já vi comparações piores. O mundo de Tarkovsky numa nave espacial, de uma beleza aterradora.

Ficha IMBD. Legendado em inglês.

P183, o pintor que saiu do frio

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Chamam-lhe o Bankski por comparação com o artista de Bristol e ataca nas ruas de Moscovo. Consta que tem 28 anos e se chama Pavel, o que sabemos é que assina P183, e nos aparece como mais um génio das artes plásticas contemporâneas, feitas no único espaço onde a arte ainda faz sentido: a rua.

Deixo-vos também dois vídeos: [Read more…]

Volta para a tua terra

Hoje dá na net: Nostalgia de Andrei Tarkovsky

A obra-prima de Andrei Tarkovsky? todas as obras de Tarkovsky são a.

Com esta se abre um ciclo dedicado ao realizador soviético, cortesia da Mosfilm que tem colocado grande parte do seu acervo na net.

Ficha IMBD. Legendado em português (clique em CC para seleccionar a legenda).

Este golo é tão belo como a Vénus de Milo

espero que haja mais gente a dar por isso. Esculpido por Hugo Viana, num jogo entre o Braga e o Portimonense.

Nem pão nem circo

Louvo a decisão de Passos Coelho: quem tira o pão em coerência também deve tirar o circo. Agora, e em coerência, espero os veementes protestos da Igreja: o Carnaval é uma festa tão religiosa como o Natal, ambas de origem pagã e a seu tempo adoptadas pelo cristianismo versão Vaticano.

O facto de esta medida apenas atingir a função pública (no privado, porque não se trata de um feriado, cada um sempre fez o que entendeu), tem um toque de crueldade socrática em ritmo de samba. E lá chegaremos ao fim do ano como o país da Europa que mais dias e horas trabalha e menos por isso recebe. Uma combinação perfeita para a festa final: esta gente vai sair vestida de alcatrão e penas, o traje mais que merecido. Vai ser um carnaval.

4 de fevereiro de 1961

Hoje dá na net: Jethro Tull – Live at Madison Square Garden 1978

Aos 19:53 inicia-se o concerto propriamente dito.

Alinhamento:

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A privatização do crime

José Manuel Fernandes está muito indignado porque é direito, aliás dever, de um funcionário público quando lhe é dada uma ordem ilegal exigir que tal seja feito por escrito (não é bem isto que ele cita, mas é isto que diz a lei). E pode cumpri-la sob protesto, ou mesmo recusar-se a fazê-lo, como manda o direito e os bons costumes.

A superioridade do privado em relação à função pública será então, na opinião do ilustre liberal, que um trabalhador (o que ele chamaria um “colaborador”) se lhe for dada uma ordem que infrinja a a lei a  cumpra, atento, venerando e porque a tal é obrigado.

Não devo estar a ver bem a coisa, mas se isto não é uma aceitação tácita da criminalidade (que tanto pode ser fiscal como muito pior, imaginem uma empresa de segurança) é pelo menos muito parecido.

Frases que fazem história

Regresso ao passado

Parece que ontem uns assinaram pela energia nuclear e outros pela monarquia. O nuclear após Fukushima e a monarquia com aquele patusco que faz filhos e tem um bigode castiço mas não vai ao concurso do bigode do ano.

Aguardo ansiosamente um manifesto que exija às escolas a reposição da terra no seu lugar aristotélico. Quem anda é o sol, carago.

À memória de Manuel Buíça e Alfredo Costa

Lisboa, lambida na suavidade do seu sol de Inverno, só tinha olhos para as vitrinas, onde se mostravam os bustos dos assassinos reais craionados ou em fotografia.

Uns comerciantes arvoravam-nos por simpatia, outros pelo reclame que constituíam esses quadro, pois centenas de pessoas paravam a contemplá-los. Havia quem os afixasse por imitação. Não apareciam as manifestações de saudade para com o Rei nessas exibições: o seu rosto e o do seu filho apenas se podiam ver através dos vidros das urnas fúnebres. (…)

Por fim deixara-se livre a entrada no necrotério e a multidão era tanta que se tornara necessário, a fim de evitar as brutalidades dos empurrões, encharcá-la com agulhetas do serviço. Era assim às primeiras horas e as autoridades estavam tranquilas, diante das manifestações, não vendo o advento da República em cada uma dessas curiosidades de convictos ou de aderentes. A exaltação pela memória dos matadores tinha um ar de alucinação colectiva em certas camadas; as mulheres repeliam esse culto e choravam pelos assassinados; rezavam. (…) [Read more…]

Vai viver um ano com o salário mínimo e depois conversamos: Vítor Bento

“Importa proteger o talento, remunerar o talento. Há um caminho perigoso do igualitarismo, que defende que todos devemos ser igualmente pobres, que hostiliza a diferenciação remuneratória”, afirmou Bento durante um colóquio sobre diplomacia económica promovido pela comissão parlamentar dos Negócios Estrangeiros. in Público

Em 2010 Vítor Augusto Brinquete Bento recebeu 450 000 euros como presidente do conselho de administração da SIIBS. Como andou pelo Banco de Portugal é provável que tenha tido mais diferenciações remuneratórias. No Conselho de Estado substitui Dias Loureiro, outro grande combatente contra o caminho perigoso do igualitarismo.

A ganância

A direita é assim, está-lhe na genética: quanto mais tem mais quer.

Acabar com a greves é uma ambição antiga (alguns mais moderados ainda as toleravam aos domingos mas só depois da missa) e agora aproveitaram o congresso da CGTP para, no intervalo de a responsabilizar pela crise (como é sabido os sindicalistas fazem partimes nas offshores e uns biscates na bolsa), não apenas contestarem a sua existência (UGT – unicidade sindical!) como passarem à fase em que a simples menção à existência de exploradores e explorados passou a pecado capital, Tarrafal com quem o afirma.

É esta ganância que os trama. Acabam sempre a pedir a ditadura mesmo que disfarçada de ditamole. E quem tudo quer tudo perde.

George Grosz, Os pilares da sociedade

Hoje dá na Net: Os canhões de Navarone (1961)

A sra. Merkel anda cansada, a precisar de ir ao cinema, e nada melhor que um clássico dos filmes de acção, com a paisagem grega em fundo. Fazia-lhe bem, aposto.

Página do IMDB.Legendado em português