Nemo me impune lacessit

Nemo me impune lacessit
Sou um homem de paz. Por isso, sinto-me inquieto. É que ao ouvir o último discurso de Passos Coelho deu-me, subitamente, uma irresistível vontade de o convidar para provar um copo do barril de Amontillado que guardo nas profundezas de uma cave. E declarar-lhe – vocês sabem…- “Nemo me impune lacessit”!

Do jornalismo

É a notícia do dia [13] nos telejornais: uma qualquer entidade fez um ranking de beleza dos muitos governantes deste mundo e o Passos ficou no top 10. Não sei o que isso diz da beleza do 1º ministro, mas sei o que diz da merda de jornalismo que temos.

República dos tremoços

As surpreendentes barracas das campanhas político-publicitárias dos partidos do obscenamente chamado “arco da governação” mostram que, por eles, Portugal já nem se candidata à condição de república das bananas. Talvez, quando muito, dos amendoins. Ou dos tremoços. Tenho vergonha e não é nada comigo.

Propaganda e Publicidade

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“Nove de cada dez estrelas usam Lux”, proclamava um velho anúncio, evidenciando o objectivo da publicidade: obter dos destinatários determinados comportamentos, independentemente de qualquer informação objectiva sobre o produto que quer divulgar. Esta é apenas uma das muitas técnicas publicitárias – fazendo os sujeitos acreditar que, usando um determinado produto, neste caso um sabonete, participam de um universo mitificado como o das estrelas de cinema – de tantas que, mais ou menos explicitamente, mais ou menos subliminarmente, nos fustigam a paciência e em nós procuram aquele bocadinho totó que, em maior ou menor grau, pensam haver em todos nós.
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Masoquismos

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Os telejornais insistem: um tal António Simões foi nomeado presidente, perdão, CEO, de um banco importante lá pelas terras inglesas. Os locutores anunciam-no com voz plena de enlevo patriótico. Parece que devíamos estar orgulhosos. Porque carga de água? – pergunto. Seja qual for o curriculum – ou o cadastro… – do homem. Não nos cansem. Estamos até aqui de geniais gestores bancários e outros que tais. Raio de mania de adorar “génios” de finanças!

Estamos rodeados de masoquistas?

Estamos cobertos

Custa à brava, mas lá vou aguentando o prof. Marcelo chafurdando na sua própria matéria fecal informativa. Nunca se foi tão longe neste jogo sujo e arrepia pensar que esta criatura manipulativa e amoral pode vir a ser presidente da República. É que há quem goste deste estilo entre o calinas intelectualizado e o vendedor de banha da cobra. Ontem a cloaca foi reforçada pelas informações vaidosas de Sérgio Figueiredo, director de “informação” da TVI. Descreveu-nos – orgulhoso, vá-se lá saber porquê – como vão decorrer os debates nos vários canais e como a corja televisiva se entendeu como um cartel; fiquei a perceber que a sua satisfação decorre do bom serviço feito aos patrões, tal como fui informado – por um jornalista com responsabilidades de direcção! – do facto de só haver dois candidatos a 1º ministro (então não são deputados o que vamos eleger?)! De resto, mantendo estes “comentadores”, o modo de cobertura da campanha é relativamente indiferente. A batota está montada à partida. Gostava de falar neste tema noutro tom, mas não há condições. É que me lembro de quando as eleições eram cobertas por um só e obediente canal; agora, é o mesmo. Só os distraídos pensam o contrário.

Momento Zen

“Tio, que diabo é isso da “mula da cooperativa”? Havia mesmo uma música com esse nome? Expliquei que havia e, para provar o que disse, procurei-a no youtube. Lá estava ela. Fiz soar a voz do velho Max e, para que se ouvisse melhor a obra, tirei o som à televisão. E estávamos nisto quando, no ecrã, apareceu Paulo Portas, discursando na cerimónia de lançamento do programa da coligação. De modo que o vice lá ia gesticulando e agitando os queixos sem que se lhe ouvisse uma palavra, ao som valsado da “mula”. Enfim, a vida é feita de pequenos nadas…

Passus Eroticus

“O que aqui está não abre nenhum buraco em lado nenhum” (Passos Coelho, discurso de apresentação do programa do PàF)

Peste na serra

Carlos Peixoto, aquele rapaz untuoso com pulsões fascistóides e o QI de uma nêspera, autor da tese de que a Pátria está contaminada pela “peste cinzenta”, é cabeça de lista da coligação de direita na Guarda. Só quero declarar que, por mim, cada votante neste mentecapto celerado não será considerado “eleitor”, mas “culpado”. Como culpado é já quem o escolheu como candidato. Culpado daquela arrogância bronca que fez Calígula nomear senador o seu cavalo Incitatus.

O marau

Ganhar 10.000 por mês para fazer na tv a sua própria campanha eleitoral e a da direita, rezar pela bipolarização – a bem ou a mal, se necessário – do país, queimar em lume brando adversários políticos, promover a proliferação de candidatos – da esquerda e da direita – à presidência da República para que o seu nome vá inchando, é obra só ao alcance de um marau espertalhão. Tem impacto popular? Tem. Como os programas da tarde, os anúncios de calcitrim, as telenovelas, a música pimba (não estou a fazer juízos de valor, estou a comparar estatísticas). Marcelo, repimpado e bem pago, vai fazendo pela vida. Cada vez mais rasteiro, é verdade, cada vez mais demagogo, é verdade, mas fazendo o seu caminho – movido a combustível caro – para Belém com a diligência de uma formiguinha e a elevação moral de uma minhoca.

A ideia salvadora

O meu amigo estava desesperado. Ele é matemático e o melhor do seu trabalho ocorre no estranho e esotérico campo da matemática estocástica. Ora, estando há uns tempos de volta de um inovador e complexo paper destinado a uma prestigiada revista científica, tinha emperrado numa dificuldade. Faltava-lhe um detalhe, qualquer coisa, uma intuição salvadora que o desencalhasse. Os computadores fumegavam, as folhas de notas acumulavam-se cheias de cálculos cuja mancha gráfica parecia uma colónia de formiga salalé enlouquecida. Mas nada. Falei com ele num serão de angústia criativa, animei-o conforme pude, já que ajudá-lo nas suas matérias de investigação estava completamente fora do meu alcance. De repente, pareceu-me que lhe ocorria algo de novo. O seu rosto iluminou-se um pouco. Partiu, resmungando que se aquilo não resultasse, nada resultaria. [Read more…]

Os esquecidos

No meio de todos os debates cá e lá, das tempestades noticiosas, dos ruído dos predadores tentando dilacerar as presas, não se ouvem novas desta singela e nobilíssima realidade: na hecatombe trágica dos salvos e mortos do Mediterrâneo, muitos deles vítimas das “primaveras” patrocinadas pela gula imperial, quase todos os náufragos são recebidos pela Grécia e pelo Sul de Itália, áreas de que sabemos bem as carências e o desespero, mas também uma capacidade de solidariedade que é uma lição para as fortalezas do Norte, cujos navios chegam a recolher refugiados que, em vez de serem conduzidos para o país “salvador”, são imediatamente entregues a estes dois países e esquecidos, melhor, recalcados. Assim, Grécia e o Sul de Itália vão acumulando um número gigantesco de refugiados, enquanto a Europa finória vai garantindo que pensará no assunto. Quando tiver tempo e uns trocos nos bolsos.

Ou meios para construir muros, que é sempre um recurso dos imbecis. Enquanto sangram a vitalidade dos acolhedores em operações da mais vil chantagem.

Dos nobres valores alardeados pela Europa, vai sobrando só o da moeda que – ironia do destino – foi inventada pelos gregos ancestrais. Entretanto “os tiranos fazem planos para mil anos”, como dizia o poeta. Sem ver que o fim pode estar para muito mais cedo. Se deixarmos.

Estou confuso, pronto!

Os jornais não se calam com a famosa proposta elaborada pelo ministro das finanças alemã, o viperino Shäuble, embora omitida, por agora, nas discussões das instituições europeias. Segundo tal documento, o inteligente Wolfgang propõe, para resolver o problema grego, que a Grécia saia do euro por, pelo menos, 5 anos, durante os quais recuperaria a saúde da sua economia e, uma vez superadas as suas dificuldades, poderia regressar. E é aqui que se me agita o espanto. Então sair o euro permite recuperar a saúde da economia e prosperar?! E se isto é verdade, porque raio havia um país querer regressar depois? A Europa é governada por loucos?
Os Antigos diziam que a economia tinha, como alicerce fundamental, a ética e a moral. Pois.

Paulo, Paulo, porque os persegues?

No Parlamento Europeu e dirigindo-se a Tsipras, Paulo Rangel, qual cachorro abrigado entre os pés do dono, voltou a vociferar, naquela postura que ele julga ser a de um grande tribuno, as propostas que ele pensa devem ser seguidas pelo governo grego. Entre elas – e mais uma vez! – uma das descobertas argumentativas que fez há tempos: a Igreja Ortodoxa tem de pagar impostos na Grécia! Por mim, tudo bem; mas fico à espera que o fogoso deputado proponha o mesmo para a Igreja Católica em Portugal. Ou tem medo de ficar com a alma chamuscada?

A entrevista

Comecei, com toda a boa vontade, a ver a entrevista de António Costa. As primeiras perguntas andaram à volta de um “não ser”, a última sondagem. Independentemente da discussão que mereçam os resultados dessas operações, elas não podem ser discutidas como se representassem o ser, a realidade ela mesma. As sondagens – e não quero maçar-vos mais sobre o tema – reflectem apenas e muito vagamente uma sombra da realidade. Elas não têm estatuto ontológico. Estas perguntas atiram-nos para um lugar vazio e as que se lhe seguiram – malabarismos sobre números eleitorais – não são muito melhores. Já vi por onde isto vai e a presença de supostos representantes “do povo” não augura nada de bom. Assim, desliga-se a televisão e liga-se a música. Já está.

Os desígnios insondáveis das sondagens

Tendo recebido um telefonema em que alguém se propunha sondar-me em matéria eleitoral e tendo eu declinado o convite – como sempre fiz – lá fui parar, mais uma vez, à coluna dos que “não sabem/não respondem”.

Gostava que as palavras que aqui estou a escrever tivessem o efeito mágico de afastar estas abordagens de uma vez por todas. Notem que não consigo tratar mal ou ser indelicado para as pessoas que se encarregam destas tarefas, sobretudo as que nos abordam presencialmente. Geralmente são jovens a procurar ganhar um parco salário e, por isso, merecem-me, geralmente, simpatia e cordialidade. E não só os que fazem sondagens políticas, mas também comerciais – quando lhe perguntam que programas de televisão prefere, estão, de facto, a relacionar os seus dados pessoais com os seus gostos no sentido de escolher espaços de colocação da publicidade televisiva -, estas agora mais raras, sobretudo desde que as empresas aprenderam a piratear dados das redes informáticas (como esta…) e desenvolveram métodos mais fiáveis de medição de audiências. Mas lá que recuso, recuso. [Read more…]

Política mesmo (assim)

Ontem, no Política Mesmo, José Luís Arnaut teve dia aziago. O tema era a situação da Grécia e os convidados eram, não porque a TVI tenha grandes escrúpulos democráticos, mas porque gosta de fogo de artifício, divididos num suposto esquerda – direita. A esquerda presente era facilmente identificável: Ricardo Pais Mamede e Mariana Mortágua. À direita é que as coisas se complicavam. Além do “moderador” – Paulo Magalhães, a mim não me levas – brilhava o mui ínclito José Luís Arnaut e, porventura julgavam eles, Francisco Seixas da Costa, diplomata por vocação, gastrónomo por devoção. Se julgavam isso, saiu-lhes mal a festa. Já por várias vezes tenho apreciado o equilíbrio das posições de Seixas da Costa, designadamente em política internacional. Não decepcionou, mais uma vez (ou melhor, se alguém saiu decepcionado, não foram aos espectadores). Os verdadeiros diplomatas vão rareando e, em situações como a que se vive hoje, isso é dolorosamente evidente.

Os desígnios insondáveis das sondagens

Tendo recebido um telefonema em que alguém se propunha sondar-me em matéria eleitoral e tendo eu declinado o convite – como sempre fiz – lá fui parar, mais uma vez, à coluna dos que “não sabem/não respondem”. Gostava que as palavras que aqui estou a escrever tivessem o efeito mágico de afastar estas abordagens de uma vez por todas. Notem que não consigo tratar mal ou ser indelicado para as pessoas que se encarregam destas tarefas, sobretudo as que nos abordam presencialmente. Geralmente são jovens a procurar ganhar um parco salário e, por isso, merecem-me, geralmente, simpatia e cordialidade. E não só os que fazem sondagens políticas, mas também comerciais – quando lhe perguntam que programas de televisão prefere, estão, de facto, a relacionar os seus dados pessoais com os seus gostos no sentido de escolher espaços de colocação da publicidade televisiva -, estas agora mais raras, sobretudo desde que as empresas aprenderam a piratear dados das redes informáticas (como esta…) e desenvolveram métodos mais fiáveis de medição de audiências. Mas lá que recuso, recuso. Agora que as sondagens – e, quando querem poupar dinheiro, as entrevistas sobre o valor das ditas – estão a ferver, devidamente comentadas por entrevistados conspicuamente parciais, quer sejam assumidamente pertencentes a partidos – quase sempre próximos do poder – quer sejam jornalistas sabujos e servis, espécie que abunda em todos os canais e jornais, ocorre-me deixar aqui esta nota. [Read more…]

Líderes

Hoje, como nos últimos dias, não faltam as habituais lamentações sobre o facto de a Europa estar sem grandes líderes. Sou mais modesto, mas muito mais ambicioso. Não quero grandes líderes, que os paga a História bem caro. Queria mais: queria líderes inteligentes, corajosos, íntegros, cosmopolitas, sensatos, honestos, dotados de sentido de empatia e solidariedade e cujos valores de referência sejam a liberdade e a democracia; as reais, não os seus fantasmas. E coragem para votar neles. É pedir muito, não é?

Discurso do grande Cacique Cavalo Cansado

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“A zona do euro são 19 países (…) mas se a Grécia sair ficam 18 países”
“Há muito tempo que eu pensava que (…) as coisas iam acabar mal”
“A zona euro irá sobreviver com a mesma força que teve no passado”
“Eu também digo que não entendo esta jogada”
(Declarações de Aníbal Cavaco silva)


Perplexo com estas declarações e receando ser parcial ao comentá-las, socorri-me da opinião do ilustre Grande Chefe Cavalo Cansado, sábio e prudente cacique de além mar, chefe dos Apanhas Na Tola, glória das pradarias do Oeste. Assim falou o venerando chefe:
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Conselho gratuito

Exmo. Sr. Presidente da Republica:
Tendo V.Exa. manifestado, repetida e emocionadamente, o seu” alívio pela venda da TAP” venho, por este meio desinteressadamente, trazer V.Exa. a alvissareira notícia de que é possível obter alívio por formas muito mais simples e económicas que a que decorre da venda da companhia aérea nacional. E com a vantagem de, proporcionando o alívio a V.Exa., não prejudicar o país nem favorecer negócios mais que duvidosos – argumento a que, acredito, V.Exa. será particularmente sensível. Aqui está:

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Doar e levar

Hoje é Dia Mundial do Doador de Sangue. Os noticiários informam, com alguma surpresa, sobre a diminuição das dádivas e pergunta-se pelas razões. Isto num país onde nunca faltou a generosidade neste domínio. Permitam-me lembrar-vos que este assunto foi um dos primeiros sintomas de que os portugueses elegeram um governo de gente com a consciência e a sensibilidade social de uma alforreca. Uma das primeiras medidas que ocorreu a estes celerados foi a de suspender a isenção de taxas moderadoras aos dadores de sangue, insignificante benefício de que usufruíam, cuja natureza era praticamente simbólica e irrelevante do ponto de vista financeiro. Ninguém, como é óbvio, dava sangue por esta razão, nem os doadores se movem por razões tão mesquinhas. Mas, até por isso, têm todas as razões para se ter sentido ofendidos e insultados pela medida da corja governante. Mas não nos surpreendamos. A má gente que nos governa, quando ouve falar em doar, puxa logo da pistola. É que eles simplesmente não compreendem. Por isso, as suas mentes tacanhas agridem sem hesitar o que lhes é estranho. Neste caso, o que é bom. O que é pura generosidade.

O Iº Ministro é o Camões?

Neste 10 de Junho os telejornalistas voltaram à fatal procura da imbecilidade que tanto lhes acalenta o coração. Poucas pessoas fazem ideia das dezenas de entrevistas de rua que é necessário fazer – algumas bem interessantes – para, na montagem final, se obter aquele rol de idiotas (não lhes chamo só ignorantes, dado o tipo de amostra apresentado). O efeito é conhecido: “este país chegou a isto”, ” os jovens já não sabem nada”, “no meu tempo é que era bom” e coisas do género. Acessoriamente, o jornalista obtém uma virtual piscadela de olho dos patetas que se julgam, no país que parecem mostrar aquelas entrevistas, esclarecidos e intelegentíssimos por contraste. Há muitos anos, um então conhecido jornalista contou-me que foi obrigado a fazer 68 entrevistas até obter duas completamente obtusas. E foram essas que foram para o ar. Topam?

Mexia alive

O Governo Sombra hoje, ao vivo na Casa da Música, mostrou-nos, mais uma vez, a versão de Pedro Mexia frente a uma assistência. Transforma-se. Evidencia a sua face mais agressiva de homem de direita o que, em si, nada tem de especial; está no seu direito. Mas precisa de ser tão básico e vulgar nas suas falas e dichotes políticos – sem piada, o que é o pecado maior neste tipo de programas? Que diabo, ainda há quem se lembre que aquele é o poeta e escritor Pedro Mexia. Não brilhará, provavelmente, na história da literatura, mas não faria mal em cuidar da consideração que para si ganhou. Até já é, desde o 10 de Junho, comendador! Não vou aqui discutir ( se é que se pode por a questão nestes termos) se há ou não poesia política – desculpem-me a omissão, Brecht, Aragon, Mayakovsky, Sophia e todos e todos…-, mas tentar demonstrá-lo com aquela quadrinha que ouvimos é simplesmente imbecil. Para não falar nas surpreendentes referências bolsadas durante todo o programa. Você não tem piada, Pedro Mexia, sobretudo quando o põem à frente de uma assistência a qual, valha a verdade, não lhe atribuiu a cumplicidade que nela procurou. Mexia ao vivo? Se queres conhecer o vilão…

Mariano

O drama das condecorações póstumas é que o condecorado não se pode defender. Nem defender a sua obra.

De olhos na cultura

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“Nós na nossa vida precisamos de mais do que de ciência. Precisamos de poesia, precisamos de arte nas suas mais variadas expressões” (Passos Coelho!!!!). Visto isto, meus irmãos e irmãs que andais a exigir apoio à cultura, podeis descansar. Isto foi dito esta semana e não passa pela cabeça de nenhum de nós que o (ainda) 1º ministro esteja a mentir, já que tal não lhe está no hábito. Pelo contrário, parece denunciar um sério empenho na matéria. Outra coisa não seria de esperar de um homem que – diz ele- leu os clássicos do marxismo-leninismo (sic) em criança e, pelos 14 anos, lia Thomas Mann e, logo a seguir, os existencialistas – ” Sartre, Camus, Russell (…) como é próprio dessa idade” (sic). Temperava essas leituras com Sócrates e Nietzsche! Declarou ainda, na passada, o seu amor pela poesia de Herberto Hélder o que, se fosse afirmado há uns meses, poderia tirar o poeta do seu recatado silêncio (mérito de que poucos se podem gabar embora, no caso,com imprevisíveis consequências). [Read more…]

Os cidadãos e o “arco da governação”

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Fotografia: Sharif Karim

O maior, diz ele

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Já aqui publiquei esta foto acompanhada da notável legenda de João Vale “Querida, encolhi Portugal“. Não é, porém, demais, sublinhar a surpreendente metáfora que esta imagem convoca. Esta é a imagem que Passos Coelho tem, realmente, não só das Universidades propriamente ditas – as verdadeiras, digamos assim -, mas também do próprio país. Evidencia também o que parecem ser traços idiossincráticos do 1º ministro, e do modo como ele vê a sua estatura junto à mesquinha realidade. Passos Coelho é egomaníaco e mitómano. Encantado consigo próprio e receoso de que os outros não lhe reconheçam a grandeza que ele próprio se atribui, não hesita em mentir repetida e patologicamente, esperando disso um benefício imediato, como a admiração e a atenção de que carece. Ele é um gigante. A realidade não o acompanha. Pior para a realidade. Há mesmo imagens que valem mil palavras. Pelo menos.

Então?!

Impressionante! Num alarde de insensibilidade política, a Assembleia da República passou ontem uma sessão plenária inteirinha sem abordar o magno problema da contratação de Jorge Jesus pelo Sporting. Pelo contrário, dedicaram-se a minudências como o desemprego, os anunciados cortes nas pensões e outros dramas sociais, que nem de longe têm a importância da comunicação de Luís Filipe Vieira ou das iniciativas de Bruno de Carvalho. É isto: a AR continua a não ter noção das prioridades!.

Lembrança

Hoje discute-se muito (agora mesmo decorre na TVI24 um debate sobre o assunto) a questão das dívidas ilegítimas (e as não menos ilegítimas cobranças) ao fisco, que apanham de surpresa e desfazem – financeira e psicologicamente – tantos cidadãos contribuintes, enredados em processos tantas vezes improcedentes. Como se fosse justo a punição preceder o julgamento. Ou, em termos mais pistoleiros, “disparar-se primeiro e perguntar-se depois”. Porém, gostaria de lembrar aqui que este dispositivo do “pagas primeiro e reclamas depois”, mesmo quando é evidente que o contribuinte tem razão, foi criação de Teixeira dos Santos, ministro cujos truques e maningâncias têm sido deveras subestimados. Só para lembrar, para que a trovoada actual não nos apague da memória as tempestades passadas.