Ronaldo já tem nome nas estrelas

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Entre as designadas galáxias distantes, formadas no Universo primordial cerca de 800 milhões de anos após o Big Bang, a galáxia CR7 (COSMOS Redshift 7) é a mais brilhante entre todas. Foi observada por uma equipa liderada pelo David Sobral, do Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço, Universidade de Lisboa, e do Observatório de Leiden, Holanda, que realizou as observações com o Very Large Telescope do ESO. Explicou o David Sobral que o nome também é inspirado no Cristiano Ronaldo porque também ele emana um brilho “fora de série”.

Um magno embuste e outras cartas

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Anda por aí um corropio por causa de uma tal de Magna Carta que faz 800 anos. É conhecido o fenómeno da manipulação da História ao serviço das ideologias, um clássico, e que pelos vistos hoje é assumido por uma facção da chamada ciência política, instalada na “universidade” da ICAR (um excelente local de exílio para académicos de carreira fracassada nas universidades laicas).

A tal carta resulta de um clássico conflito entre nobreza feudal e poder régio. Afirma direitos aos barões perante um rei fraco. Nada de especial, a História Medieval europeia está cheia disso. Fazer dela um documento fundador da liberdade das elites faz algum sentido, simbólico. Mas qualquer carta de foral que por esse mesmo tempo em Portugal defendia os direitos dos povos perante a prepotência senhorial, nas particulares condições portuguesas que levaram os reis a com eles tantas vezes se aliaram precisamente contra os nosso barões, que eram mais condes, é um muito superior exercício da liberdade, no sentido que lhe podemos dar nesse tempo. [Read more…]

Fascinante e assustador

O robot “chita” do MIT já é capaz de saltar objectos enquanto corre.

O prodígio está a diversos níveis, desde o mecânico e sensorial ao da inteligência artificial. A Skynet cada vez mais próxima.

Os tele-psicossociólogos (ou, como diz a Júlia, os especialistas)

Sabemos todos da prudência que nos deve acompanhar quando usamos armas pesadas e de pontaria duvidosa como as Ciências Sociais. Porém, ai de nós, elas parecem contagiar muita gente com a convicção de que tais saberes se podem usar sem que deles se tenha grande conhecimento, isto é, não faltam os “especialistas” que, tendo lido um digest de tretas sobre, por exemplo, Psicologia e Direito, desatem a disparar sentenças que, à falta de verdadeira ciência, se sustentam em dogmas e no senso comum do mais rasteiro. E se sujeitos que tais forem pagos para isso, vale tudo, a coisa transforma-se em espectáculo, numa espécie de feira de freeks muito praticada pelas estações de televisão nos programas da manhã.

Mas és cliente de tais programas, perguntareis vós? Na verdade, não. Mas, infelizmente, não me têm faltado oportunidades para os ver sempre que tenho de passar ocasionais férias nos HUC. A simpatia com que alguns serviços instalam televisões nos quartos tem este preço – tendo a vantagem inopinada de nos testar e consolidar o sistema imunitário. Também em zaps caseiros páro, por vezes espantado, ao ouvir as peremptórias ”análises” supostamente psicossociológicas, dos enérgicos comentadores residentes. A irresponsabilidade, a indigência científica, a falta do mais elementar sentido ético, andam à solta. E não me venham com eventuais currículos lustrosos ou argumentos de autoridade. Quem se sujeita – a troco de uma boa remuneração, claro – a transformar a sua ciência em instrumento de predação pública de verdadeiros problemas humanos – sobretudo se a tais problemas puder ser dado aquele tom berrante que tão bem acompanha as indignações de papelão – não merece a menor consideração. E a entusiástica gritaria com que os pivôs de serviço acompanham estas sessões de banha-da-cobra jurídico-psicossociológica não ajuda nada. Mas, parece, vende bem.

Azinheirices

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O 31 que vai pelo 31 da Armada, porque José Maria Barcia assinalou “uma alucinação de meninos com fome e frio que se tornou num dos maiores produtos de marketing da Igreja Católica“, com uma caixa de comentários que é um primor, não é bem uma questão religiosa: contam-se por dezenas as tentativas da santa aliança ICAR/talassas para através de uma aparição parirem um movimento de ataque à República. Fátima é isso, embora a coincidência com o ano da Revolução Soviética lhe tenha dado um folgo maior. Há aquela parte teológica de servir como mais um exemplo do politeísmo e paganismo dos homens do Vaticano (desde JP I), mas não me meto nessa guerra.

Num blogue monárquico compreende-se que lhes tenha doído.

A guerra não foi um filme americano

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É natural que os vencedores escrevam a sua versão de uma guerra, as suas histórias. Não lhe chamem é História.

Setenta anos depois da derrota do nazi-fascismo Clara Barata escreve no Público, e sem se rir, sobre “o mito estalinista de que a salvação do fascismo assentou no sacrifício do povo russo“,  para depois tropeçar em sim mesma e criticar: “os 27 milhões de mortos só contam como pequena história, a história familiar, dos indivíduos, e não como análise, reflexão. Aliás, desde 2014, existe uma lei que pune com penas até cinco anos de prisão a “distorção” do papel da União Soviética na II Guerra Mundial.”

Como se o revisionismo não estivesse sujeito a idênticas condenações em França ou na Alemanha, como se a II Guerra Mundial tivesse sido um filme americano desembarcado na Normandia.

O primeiro problema historiográfico das guerras, seus vencedores e vencidos, é o da sobrevivência do positivismo oitocentista, que reduz a a História aos líderes, fazendo de Hilter o único mau da fita, elevando Churchill a homem espectáculo (e esquecendo que em Inglaterra, no poder, estava um governo de coligação) e metendo Estaline onde não é chamado. [Read more…]

O humorista do Tejo anda com piadas novas

O piadista João Miguel Tavares, aquele a quem no Governo Sombra cumpre o papel de soltar uma larachas para animar a conversa quando vai mais séria, anda numa estafada campanha contra os que nas universidades não cumprem as suas premissas ideológicas. É uma doença velha da nossa direita, agora impedida de resolver o assunto à Salazar, quando por exemplo Sílvio Lima foi corrido da docência universitária porque lhe deu para arrasar a mediocridade científica do amigo Cerejeira. Encanitam-se porque se faz em Portugal investigação nas ciências sociais e humanas sem a objectividade positivista de um Ramos ou de uma Bonifácio, malta que à força de estudar o séc. XIX acha que as humanidades estagnaram ali, que nestas coisas os ingleses é que sabem.

Ora conta-nos hoje o Tavares ter trocado o doutoramento académico pelo jornalismo, pela família a sustentar, pela casa e pelo carro, que isso de ser bolseiro implica sacrifícios, já sabíamos. O jornalismo esperava pelo João Miguel, e nele singrou. Não é para todos. Quando em 2008 era director-adjunto da Time Out, uma publicação portuguesa embora não pareça, e precisava de mão-de-obra sem casa, sem carro e sem família, saiu este anúncio:

Procura-se Jornalista Estagiário

Se és jovem, sabes a diferença entre “à” e “há”, és lavadinho e conheces Lisboa como a palma da tua mão, junta-te a nós! A Time Out Lisboa procura estagiários que não se importem de trabalhar de borla durante 3 meses, mas num ambiente muito agradável (e onde nem sequer se pede que nos vão buscar café).

Como bolseiros de doutoramento talvez trabalhassem na mesma os três meses usando as poupanças, mas sempre contribuíam para aquela coisa que nem lhe passa pela cabeça ser fundamental num país: a investigação científica. Terminaram por viver o mesmo sacrifício trabalhando numa publicação pateta, mas tenho a certeza que se fartaram de rir com as piadas da tágide do humor luso.

Mariano Gago, 1948-2015

mariano-gagoTalvez o único ministro que nos deixou mais obra do que estragos.

O telemóvel e a história é o que o capitalismo quiser

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Dizem que faz hoje 42 anos que se fez a primeira chamada telefónica via telemóvel. Dizem-se muitas coisas, e neste caso omitem-se outras. Por exemplo, o facto de Leonid Kupriyanovich ter patenteado e concretizado muito antes dessa data um sistema em tudo semelhante, não se diz.

Leonid era soviético e faz de conta que nunca existiu, que só o capitalismo americano podia inventar uma coisa destas. Confere.

Respeito pela natureza ou desportos náuticos?

José Freitas

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É aqui, junto a este mouchão em que nidificam quase todas as espécies de garças existentes em Portugal e o único sítio de Portugal onde nidifica a ìbis negra, que se irão realizar provas do campeonato nacional de motonáutica a 20 e 21 de Junho, em plena época de nidificação.
O Município de Salvaterra de Magos apoia a prova. Incompreensivelmente o mesmo Município que ignora a existência da ilha ou que não faz nada para a proteger. Apoia com o argumento básico de que os visitantes vão consumir e deixar dinheiro no concelho.
A lei proíbe e pune a perturbação de ninhos de espécies protegidas. É o caso. Estamos portanto perante uma ilegalidade evidente.
O mais caricato é que o concelho lucraria muito mais se promovessem a importância ecológica do Escaroupim, não durante dois dias assassinos para as aves, mas durante todo o ano, para os amantes da fotografia e observação de aves.
São políticas que não se entendem… básicas, curtas, sem visão, distorcidas da realidade. Quem paga? os contribuintes que veêm o seu dinheiro esturricado em palhaçadas e as centenas de crias de especies protegidas que morrerão caso a prova se realize.
Partilham muita coisa que publico… gostava de ver isto partlhado. Quem sabe não chegará a alguém com o bom senso de parar com este atentado.
A foto foi tirada ontem. Algumas centenas de ninhos já estão a ser construídos. Milhares de ìbis negra e garças (cinzenta, branca, branca grande, colhereiros, gorazes, boieiras…) chegam ao final de cada dia para pernoitar. É um espectáculo da natureza à porta de casa…

Adenda: Petição disponível aqui.

Terra plana & astrologia

Geografia

Hoje, a abertura solene do 1° Simpósio Luso-Brasileiro de Astrologia terá as honras, mas bem mais grave, uma certa forma de legitimação de se realizar nas instalações da Sociedade de Geografia em Lisboa.

No meu entender a Sociedade da Terra Plana está para a geografia, como um simpósio de astrologia está para a astronomia.  Como congénere da Sociedade Portuguesa de Astronomia apetece-me aconselhar a actual direcção da Sociedade de Geografia a dirigir-se até ao extremo do nosso planisfério (seguindo o mapa da referida sociedade) e saltarem para o vazio. Boa aterragem em Sirius

PS- Percebo que possa haver uma transacção financeira muito favorável à Sociedade de Geografia, tão apetecível em tempos de crise, mas apesar de tudo são uma sociedade científica e há limites para uma sociedade científica, não são uma associação de bairro ou uma filarmónica.

Tornado: fundamentos filosóficos

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http://wp.me/p29WGc-A8

Dedinho maroto!

 

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Vamos lá desopilar um pouco, que isto são muitas notícias revoltantes e negativas.

Então não é que um estudo cujos resultados foram divulgados no dia 4 deste mês na publicação Biology Letters indica que, afinal, o tamanho conta? Em concreto, o tamanho dos dedos.

Pois é, esses dedinhos dizem muito mais das vossas tendências sexuais do que se pensava… Segundo os estudiosos, a diferença de tamanhos entre o dedo anelar e o dedo indicador pode apontar a nossa tendência para sermos fiéis ou infiéis. E não, não falo de religiões (aqui é aquela parte em que vos pisco o olho com ar matreiro). Falo de sexo puro e duro, mesmo.

Resumindo, tudo indica que quem tem o dedo anelar maior do que o dedo indicador tem maior tendência para a promiscuidade. E quanto maior for a diferença de tamanhos, maior é probabilidade de estarmos perante um traidor à santa instituição do matrimónio ou da vida conjugal. E agora permitam-me um aparte: ainda bem que os jihadistas não perdem tempo a ler as obras destes ímpios, caso contrário, decepariam (no mínimo) todas as mulheres cujos dedinhos fossem suspeitos. Já se se tratasse dos homens, certamente não teria mal.

Agora, perante este estudo, e tendo analisado cuidadosamente as minhas mãos, noto que numa mão tenho o anelar mais pequeno do que o indicador, mas na outra acontece o contrário. Esta descoberta deixou-me preocupada e apreensiva. O que quererá isto dizer da minha fidelidade? Tenho maior tendência para ser fiel ou infiel? Sou ou não de confiança? Ai, credo, tantas questões em torno de dois dedos!

E, já agora, como raio é que ocorrem este temas para estudo a estes académicos? Não é por nada, mas a pensar em temas destes, devem ser uns tipos bem divertidos, bons para dois dedos de conversa. Ou mais… (olha eu a piscar-vos o olho outra vez).

 

As minhas reais preocupações sobre o fato

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© Alain Rossignol / Jorge Cunha (http://bit.ly/1Denk24)

That no good. Ugh.

Allen Ginsberg, America

***

Segundo Elisabete Jacinto, o “problema reside no fato de desconhecermos onde está esse limite“. Por seu turno, Ricardo Leal dos Santos considerou importante “o fato de tudo ter corrido sem qualquer tipo de percalço“. Efectivamente, já em Novembro de 2014, de acordo com a mesma fonte, o piloto Nico Hulkenberg revelara estar “muito contente pelo fato do calendário da Fórmula 1“. Há poucas horas, surgiu “o fato de na véspera“. Através deste pequeno périplo, isolámos um exemplo muito concreto de geração de estrangulamentos e de constrangimentos. Estrangulamentos e constrangimentos? Exactamente.

Igualmente respeitador daquele princípio extremamente conhecido (“Agora ‘facto’ é igual a fato (de roupa)”), Rui Caldeira, director do Observatório Oceânico da Madeiraescreve o seguinte:

Estes acontecimentos serviram também para despertar as minhas reais preocupações sobre o fato de que na condição de ilha no meio do Atlântico estarmos [sic] desprovidos de um sistema de monitorização permanente do oceano circundante.

Além das “preocupações sobre o fato”, poderíamos perguntar o porquê de ‘trajeto’, ‘boias’, ‘direção’ e até ‘efetuamos’, quando ‘Dezembro’, ‘afectam’ e ‘detectados‘ abriam boas (para não dizer óptimas) perspectivas.

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Admito que o «’orgulhosamente’ sós», escrito por Caldeira, isolando o orgulhosamente e deixando o sós à solta, me levou às aspas do Tarski. Não, não são do Tarski do Searle: são do Alfred.

Contudo, como o problema que hoje apreciamos “reside no fato“, terminemos com chave de ouro e debrucemo-nos sobre o assunto.

“Philae conseguiu enviar dados do cometa antes de ficar sem *batéria”?

Sem *batéria? Não. Afinal, desta vez, é mesmo “sem bateria“. OK.

Em louvor e glória dos egrégios avós

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Anda pela nossa extrema-direita dita liberal uma vaga de revisionismo histórico (ou de regresso à historiografia à moda do séc. XIX, mas essa deixo para outro dia).

Agora é o Ferreira, putativo candidato a salazarinho que quer fazer “fazer uma carta aberta aos portugueses a explicar porque é que a história é muito maior do que se diz. Escrever uma carta aos portugueses sobre “A tua história foi muito maior do que te dizem”, por exemplo. É que nós somos mesmo bons.” Modéstia e ignorância.

Já o ex-maoísta, ex-pioneiro do eduquês de Boston, ex-formador de professores mal formados, ex-autor de um blogue que apagou porque ali defendeu a escola pública contra os ataques da dupla Valter/ Rodrigues, aliás também ex-apagador de calúnias sobre um conhecido cronista que se lixe a colega que as reproduziu e deu com os costados em tribunal, e actual e único grande defensor do Crato e do “ensino” vocacionado para a mão-de-obra desqualificada e barata, Ramiro Marques, vem em defesa, imaginem, de Putin, e proclama que o Ocidente tem motivos para se orgulhar do seu passado e para celebrar os seus valores comuns. Não há sítio melhor para fazer isso do que as escolas. [Read more…]

Há Merkels a mais na Alemanha

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Comecemos por colocar os pontos nos ii:

1) O ensino técnico em Portugal é tratado como um ensino de segunda, ou pior, olhado frequentemente como uma via para delinquentes e marginais. Isso está muito errado. Deveria ser a base de uma carreira digna, responsável pela introdução de mais qualidade e de novas tecnologias na sociedade. Uma oportunidade para a criação de emprego com potencial para gerar novos empregos;

2) Gosto da Alemanha. Na Alemanha há mulheres e homens com intervenções políticas fantásticas (a minha onda é o bloco de esquerda: Verdes e Die Linke) contra a austeridade. A CDU/CSU de Angela Merkel é apenas a formação política mais votada, não é mais nem menos do que isso. Por isso não me revejo e repudio gracinhas anti-alemãs a roçar a xenofobia.

O que é grave no discurso de Merkel é que a afirmação sobre o excesso de licenciados ibéricos tem a sua dose de ignorância. A percentagem de licenciados portugueses situa-se bem abaixo da percentagem espanhola e alemã (ver gráfico acima). Estamos a falar de realidades distintas.  [Read more…]

Negacionismo vermelho

Após um número de campanha sobre a erosão costeira para as intercalares da freguesia São Pedro da Figueira da Foz protagonizado por Miguel Tiago, escrevi um artigo no Beiras em que confrontava as posições negacionistas do deputado com a questão da subida do nível do mar e com as posições e a intervenção de Os Verdes. O Miguel Tiago respondeu. Sobre as questões levantadas pelo Miguel Tiago sobre erosão costeira, estas já tinham sido abordadas em artigo publicado em janeiro no Beiras onde refiro que os “estragos causados pela ondulação na Praia do Cabedelo resultam da acumulação de vários fatores: o prolongamento do Molhe Norte, a redução do volume de areia das praias pela retenção de sedimentos nas barragens dos rios e o aumento do nível da água do mar. O prolongamento do molhe é sem dúvida o fator mais importante. (…) O aumento do nível da água do mar, por enquanto em cerca de 20 cm nos últimos 100 anos, tem um contributo menor, mas não se prevê que possa abrandar dado que o aquecimento global progride.”

O que não se pode ignorar de maneira nenhuma é que o Miguel Tiago acha que o aquecimento global é pseudociência, logo deve ser obra do acaso o aumento da nível da água do mar que se verifica: 20 cm nos últimos 100 anos. Recordo que recente trabalho em que se estudou em grande detalhe os últimos 6 mil anos, demonstra que a rapidez desta subida é inédita neste período e provavelmente em período superior se for estudado. Aliás o Miguel Tiago tem um texto no Avante muito elucidativo sobre a sua peculiar construção negacionista sobre o aquecimento global, num misto entre a conspiração e o conhecimento superficial sobre a imensa matéria publicada sobre o tema. Segundo o Miguel, a “investigação Científica é também um processo social, sujeito a instrumentalização pela classe dominante“. Não são as companhias petrolíferas que o Miguel Tiago denuncia, não são a Shell, a Texaco, a BP, a Ford, a GM ou a Daimler-Chrysler que há cerca de 15 anos criaram a Global Climate Coalition (entretanto dissolvida) com o objectivo de inventar um ambientalismo alternativo que negava o aquecimento global. Quem é atingido pelos propósitos do Miguel são os investigadores que mais trabalho realizam e publicam sobre o assunto, como os investigadores da Universidade de Lovaina, da Universidade de East Anglia e da NASA (recordo que estes se bateram contra o negacionismo de Bush). Noto que alguns destes investigadores são frequentemente convidados pelo grupo político do Parlamento Europeu a que pertence o PCP para participar em atividades sobre o aquecimento global. [Read more…]

Tubarão

Amanda Brewer shark© Amanda Brewer (via The Huffington Post)

A óptica é óptima: parabéns ao Expresso

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Segundo Expresso, Stefan Hell, Eric Betzig e William Moerner

foram premiados pela Real Academia Sueca das Ciências por terem desenvolvido a microscopia óptica à nanoescala através de moléculas fluorescentes.

Efectivamente: óptica.

óptica2Saúde-se o Expresso por este feliz e auspicioso regresso à excelência ortográfica.

Grafia azul

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© LEHTIKUVA/Reuters (http://bit.ly/1nYg8Bx)

Acabo de saber, através de Brian Greene – a propósito, vale a pena assistir a este excelente debate entre Greene e Dawkins –, que o Nobel da Física foi atribuído a Isamu Akasaki, Hiroshi Amano e Shuji Nakamura, pela invenção de emissores eficientes de luz azul (convém ler o excelente texto de Teresa Firmino, no Público).

O Professor Jorge Manuel Torres Pereira lecciona a disciplina Fundamentos de Electrónica no Instituto Superior Técnico e explica (7.8) que

O díodo emissor de luz, LED – “Light Emission Diode”, é um dispositivo que converte a energia eléctrica em energia luminosa. A conversão está associada a transições electrónicas acompanhadas da emissão de fotões de comprimentos de onda compatíveis com a variação de energia ocorrida.

Contudo, segundo o Expresso,

O prémio Nobel da Física foi hoje atribuído (…) pela invenção do díodo eletroluminescente (LED), anunciou hoje o júri em comunicado.

Ora, independentemente de, por exemplo, por estas bandas, LED significar “diode électroluminescente” e até o Professor Lobo Ribeiro ter vacilado entre “díodos emissores de luz” (p. 6) e “díodos electroluminescentes” (p. 93), há um dado grafemicamente adquirido: eletroluminescente é grafia inadmissível em português europeu. Sim, eletroluminescente. Efectivamente, inadmissível.

Recordando as sábias palavras de outro Nobel da Física,

I’m not going to do this, I’m not going to simplify it, and I’m not going to fake it. I’m not going to tell you it’s something like a ball bearing inside a spring, it isn’t.

No, it isn’t. Se não souberdes o que significa ‘ball bearing’, não vos preocupeis. O Eng.º João Roque Dias explica-vos.

Continuação de uma óptima semana.

Ativadas? I’ve smelled a rat

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© Brian Cliff Olguin for The New York Times (http://nyti.ms/1pGZbGN)

Como aconteceu ao James Bond, no final de Os Diamantes São Eternos, “I’ve smelled a rat”. De facto, quando se lê ‘ativar’ em vez de ‘activar’ ou ‘ativo’ em vez de ‘activo’, num texto aparentemente escrito em português europeu, devemos desconfiar. Sendo verdade que o Mouton Rothschild é um clarete, também não podemos esquecer que ‘ativar’ e respectivas formas flexionadas são características do português do Brasil.

Para que não haja dúvidas, consultemos a Folha de S. Paulo:

Cada conjunto de neurônios de localização só se ativa em um local específico.

Mais de 30 anos depois, em 2005, o casal Moser descobriu outro tipo de neurônios que se ativam no córtex entorrinal quando os animais estavam em uma região, formando um mapa.

Efectivamente: ‘neurônios’ e ‘ativa’ (como “em uma região” ou “em um local”, mas essa é outra conversa) indicam-nos que estamos a ler um texto escrito em português do Brasil.

Por isso, ao contrário daquilo que se lê no Expresso, as células nervosas identificadas por John O’Keefe não são *ativadas. Aliás, basta ler-se o texto de Ana Gerschenfeld, no Público de hoje, para rapidamente se perceber que “certas células se activavam”. Exactamente: activavam.

O Comité Nobel é claro

In 1971, John O´Keefe discovered the first component of this positioning system. He found that a type of nerve cell in an area of the brain called the hippocampus that was always activated when a rat was at a certain place in a room.

Por esse motivo, é incompreensível esta adaptação do Expresso:

John O’Keefe identificou, em 1971, o primeiro componente deste sistema de localização ao perceber que um determinado tipo de células nervosas de um ratinho, localizadas numa região do cérebro – o hipocampo -, eram ativadas quando este estava num determinado local de uma sala.

Dito isto, parabéns a John O’Keefe, May-Britt Moser e Edvard Ingjald Moser.

Chamam-lhe a nova lei da cópia privada, eu chamo-lhe a lei da extorsão (acho que faz mais sentido)

Caros senhores do Governo, da SPA, Agecop e afins, posso fazer-vos umas perguntas?

Sempre me disseram que perguntar não ofende, por isso desde muito cedo comecei a fazer perguntas. Um vício que ainda não perdi. Hoje, os senhores do Conselho de Ministros aprovaram uma nova lei, uma nova versão da lei da cópia privada. Mexe com direitos de autor e, acima de tudo, mexe com o dinheiro de todos os cidadãos.

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Dia Mundial da Fotografia

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É hoje. Honra aos pioneiros da imagem fotográfica como Emílio Biel, sem cujo trabalho seria difícil, por exemplo, imaginar o vale do Douro e a foz do Tua em finais do séc. XIX.

Centro de Linguística da Universidade do Porto

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Como é do conhecimento público, em consequência de um processo de avaliação internacional conduzido pela FCT em parceria com a European Science Foundation, uma parte muito significativa das unidades de investigação do país não passou à segunda fase do processo e não terá, por esse motivo, financiamento a partir de 2015.

O CLUP – Centro de Linguística da Universidade do Porto é uma dessas unidades. Nas últimas semanas, vários órgãos de informação têm publicado notícias, entrevistas ou reportagens sobre a situação específica do CLUP. No entanto, é importante reforçarmos, também através de outros meios, o nosso sentimento de injustiça e de rejeição perante a avaliação que nos foi atribuída.

O Centro de Linguística da Universidade do Porto, unidade da FCT fundada em 1976 pelo Prof. Doutor Óscar Lopes, goza de uma grande reputação entre investigadores nacionais e estrangeiros, é responsável por publicações prestigiadas e lidas pela comunidade científica, apresenta índices de produtividade muito significativos em termos quantitativos e qualitativos e é a única estrutura científica de apoio à formação graduada e pós-graduada especializada em Ciências da Linguagem na Universidade do Porto.
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Einstein a mostrar a língua

E a TSF a mostrar o estado actual da adopção do Acordo Ortográfico de 1990 em Portugal:

A fotografia é uma arte, mas não são necessariamente as obras de arte mais belas que se tornam as mais famosas, mas sim aquelas que registam fatos

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Exactamente: fatos.

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Sim, em Portugal.

Albert Einstein sticks his tongue out to photographers in 1951

© Arthur Sasse/ AFP (http://bit.ly/1nr6nXc)

Paisagem de Marte

O mais recente panorama interactivo do Curiosity em Marte, cosido a partir de 138 imagens e estende-se por mais de 30.000 pixels de largura pelo fotógrafo Andrew Bodrov da Estónia.

Do Androids Dream of Electric Sheep?

A nova versão do robot da Honda, ASIMO, a executar tarefas complexamente triviais, como abrir um termo e verter o conteúdo num copo de plástico.

* Do Androids Dream of Electric Sheep?

Antropofagia mental

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Brindou-me o professor do ensino básico mas não colocado que antes foi astronauta não colocado Vítor Cunha com um artigo em resposta a um comentário meu, feito nesta casa. A “argumentação” é a do costume ou os tratamos bem ou os investidores fogem, e eles é que criam emprego, os beneméritos, há que erguer estátuas, tão bonzinhos que eles são, patatipatatá.  No meio compara o gasto em putas, carros e automóveis topo de gama com o dispêndio de quem vive do salário mínimo em necessidades básicas, mas quanto a isso estamos habituados, e hoje não me apetece repetir o vai viver com o salário mínimo durante seis meses e depois falamos.

Pareceu-me uma boa ideia, isto de ir aos comentários,  e mais uma vez me inspira, mas como já é tarde limito-me a republicar o que escreveu, a minha opinião ficou no título: [Read more…]

XP

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Já não há paciência para aturar o tonitruante obituário do Windows XP. Não há quem não cante o que foram as suas maravilhas na altura, agora que a Microsoft decidiu deixar cair o sistema e os seus possuidores em nome do progresso. O argumento é que o sistema já tem 12 anos e é tempo de o abandonar, bem como aos incautos clientes destes aldrabões. Esquecem-se de dizer que ainda há 3/4 anos vendiam portáteis dotados com XP. Os modelos pequenos, sobretudo, não usavam outra solução, o que não era nada mau, já que era muito mais leve e sensato que o Vista que se seguiu. Por isso, façam lá a vigarice mas não nos dêem música com as maravilhas do futuro, até porque alguns aspectos do Windows 8 parecem saídos da cabeça de tecno-ideotas fumadores de coisas esquisitas. E porque, finalmente, esta operação não passa de um acto de terrorismo comercial. O resto é conversa.