O próximo número

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Da colecção O governo que destrói recursos humanos (2)

Hospitais públicos perdem quase 700 camas num ano e privados ficam com 30% do total

Tudo dentro da legalidade, claro

O D. Quixote das gorduras do estado, Passos Coelho, permitiu isto porquê? 152 milhões para alguém, mas os outros é que vivem acima das possibilidades.

Permuta

Os gregos têm o Tsipras, os espanhóis o Iglesias e nós o Ronaldo. Como é que se faz para trocar?

Why did the world ignore Boko Haram’s Baga attacks?

nigeria

Confesso que me identifiquei com esta pergunta do The Guardian.

Há uns anos, numa aula de estatística concluímos que a morte de milhares seria um número, enquanto a morte de um, se próximo de nós, seria uma tragédia.

Será esta a explicação? Será que vimos Paris com os mesmos olhos que vemos o nosso quintal, enquanto a Nigéria é noutro planeta? Será isto? Estará na nossa mente que alguém que morre em Paris é parte de nós e alguém que morre na Nigéria é algo extrínseco?

Não quero acreditar que uma vida em Paris vale mais do que uma vida em África, mesmo sabendo que esta Lei Sagrada é todos os dias violada pelo nosso modo de vida ocidental.

Na Nigéria, segundo a CNN, poderão ter morrido milhares de pessoas numa ataque que poderá ter durado vários dias. Como sempre, milhares de inocentes.

Será normal que o site do público não tenha, na sua página inicial, qualquer referência a este acontecimento trágico? Nem o JN, nem a TSF, nem…

Será que as bombas transportadas por crianças com dez anos são menos criminosas que o ataque de Paris?

Não sei se o ovo e a galinha são o melhor exemplo para estudar a propriedade comutativa, mas não é argumento da Comunicação Social deixar passar o que aconteceu na Nigéria, dizendo que  os consumidores não querem saber. Experimentem ir para lá, façam imagens em directo, cobertura permanente do local e depois digam-me se a resposta dos consumidores é ou não a mesma.

É que isto de ser Charlie é muito bonito, mas de palavras…

O melhor

joga na Selecção. Efectivamente: Selecção. Parabéns, Cristiano.

Zeca Mendonça não é Charlie

Zeca Mendonça ilustra o que acontece a quem não se dá ao respeitinho.

O fato em conta

MRS

© António Cotrim/Lusa (http://bit.ly/1tZqizf)

Segundo Record, Marcelo Rebelo de Sousa, “adepto do Sp. Braga”, reagiu “às manifestações de alegria na redação da TVI”. Acontece que a TVI não tem *redação. Se ouvirmos atentamente a reacção de Rebelo de Sousa, percebemos que “o adepto do Sp. Braga” diz «pelo eco aqui da redacção». Efectivamente: [ʀɨdaˈsɐ̃ũ]. Rebelo de Sousa não referiu qualquer *redação [ʀɨdɐˈsɐ̃ũ̯]. Porquê? Porque a TVI não tem *redação. A vida (como determinadas regências) é extremamente simples. Tomai esse *fato em conta. Fato? Hoje? No sítio do costume? Exactamente.

dre 1212015

Bola de Ouro 2015

Hoje Cristiano Ronaldo vai dizer que é Charlie

Robertos

Lembram-se deles, certamente. Quando era miúdo, eu não perdia uma representação, fosse no humilde biombo de rua, fosse no teatro de robertos com palco, plateia e tudo. A voz estridente dos bonecos, dada pelas palhetas, atraia os putos irresistivelmente. Lembram-se das cenas que se repetiam eternamente: “eh toro, eh torito!…Olé, olé”; ” o raio do barbeiro é doido, carago”; “Doooommm Roberto vai aqui, toma, toma, toma”; “sou o diaaaaabbooooo!…”; “não me apanhas, não me apanhas, trrré,té, té” e por aí fora, tudo dedicado ao “rrrreeeespeitável público e todos os meninos e meninas”. Infelizmente, é raro encontrarmos o D. Roberto por estes dias. Se queremos ver os nossos queridos robertos temos de (devemos) ir ao Museu da Marioneta.
Até lá, restam-nos as candidaturas de Alberto João Jardim e Santana Lopes à presidência da República. Com o aflito esbracejar comentatório do professor Marcelo. É o que se arranja.

Nem o Charlie é Charlie

Charlie Hebdo despediu cartoonista em 2009 por gozar com os judeus

Polónia, o próximo desafio dos juniores portugueses

Vom Schiefen Turm zum Flˆflerdenkmal

Torun, a cidade do Norte da Polónia de 250 000 habitantes, na margem do rio Vístula, famosa por ser o berço de Nicolau Copérnico e pelo pão de gengibre, recebe, a partir da próxima sexta-feira, o Europeu Júnior de hóquei indoor, competição em que Portugal vai estar presente, depois de ter conquistado, há dois anos, o direito de participar na mais alta roda da modalidade, versão de Inverno em pavilhão.

Depois de um mini-estágio na Holanda, muito por influência de Bernardo Fernandes, o treinador português da equipa holandesa de Venlo, muito ligado à equipa técnica liderada por Mário Almeida, segue-se a viagem para a Polónia, que, por acaso, é logo o primeiro adversário da selecção portuguesa, sexta-feira, às 11h25.

Registe-se, aliás, que, na equipa do Venlose, jogam os ora seleccionados portugueses, Miguel Ralha e Tiago Ventosa.

torun pavilhaoSegue-se, pelas 16h50, o confronto com a Turquia, para, no sábado, os Linces subirem ao rinque, rumo ao último jogo da fase de grupos, contra a Rússia (11h30).

No completo plano de treinos e jogos amigáveis, Portugal já defrontou a equipa feminina do Venlo, a equipa júnior do Nijmegen e a equipa da 1.ª Divisão holandesa, o Venlo Heren. Amanhã, será a vez da fortíssima equipa polaca do Pomorzamin Torun. Quarta e quinta-feira, Portugal mede ainda forças contra a Áustria e Suíça, respectivamente.

A comitiva portuguesa, liderada pelo executivo José Manuel Nunes, contempla o seleccionador nacional, Mário Almeida, os treinadores Carlos Silva e Bruno Santos, Dr. Pinto de Sousa (médico) e Fernando Sobreiro (fisioterapeuta). Os seleccionados são: [Read more…]

Critérios

Quando vou a uma manif não pergunto quem vai, pergunto qual a sua causa. Ou então, e logo na primeira semana de liberdade em Abril de 74, não teria ido a nenhuma, todos os Pides à solta por lá andavam.

Ajudinha desinteressada aos 4 dos 9

Na última “prova dos nove”, gerou-se um curioso ponto prévio. Francisco de Assis, com aquele ar de omnisciente que lhe conhecemos começou, recostando-se triunfante na cadeira: “aquela frase que discutimos aqui, ‘se Deus não existisse tudo seria permitido’, tendo eu averiguado – garantiu o Assis – não é de Dostoievski, mas de Sartre”. “Nada disso, é de Nietzsche”- declarou a Constança Cunha e Sá. E assim foram trocando umas flores. Permitam-me, oh gentes, que dê uma ajuda aos comentadores, mais no interesse de quem ouviu e ficou na dúvida – ou, pior, enganado pela categórica garantia do Assis.
Na verdade, a frase está em “Os Irmãos Karamazov”, de Dostoievski, e é citada por Jean-Paul Sartre em “O Existencialismo é Um Humanismo” como ponto de partida para a sua indagação sobre o conceito de liberdade e correspondente noção de responsabilidade. Também Simone Beuvoir irá seguir caminho semelhante a partir do mesmo ponto.

Eu sou a minha liberdade, diz Sartre. E estou condenado a ser livre, logo, a arcar com as responsabilidades das minhas escolhas sem fugas, sem desculpas, sem ter a que me agarrar em mim ou fora de mim.
Porque me deu para esta singela incursão? É que, numa altura em que se procuram elaboradas explicações “em última instância” para os sangrentos acontecimentos recentes, pareceu-me justo pôr os pés na terra.

É preciso aprender a escrever

Vítima de lirismo precoce, Vítor Cunha encerra o poema com “É preciso ireis [sic] todos para a podre gruta maternal de onde em má hora fostes paridos.”

Da colecção O governo que destrói recursos humanos (1)

Taxa de mortes nas cadeias portuguesas é o dobro da média europeia

Mau aspecto

Quer saber como se escreve “aspecto” segundo o AO90? Consulte o priberam e a infopédia. Já sabe como se escreve?

Pela Liberdade, sempre…

ParisE respeito pela autodeterminação dos povos, a presença de Netanyahu em Paris pode ser aproveitada para negociar a libertação e permitir o nascimento do Estado da Palestina. Sem prejuízo ao direito de Israel existir e viver em paz…

Dos manifestantes esquisitos

Vejo por aqui grande indignação pelos figurões que pontuam a fila da frente da manifestação de Paris. Compreendo. Mas vejam a questão de outro ponto de vista e imaginem quanto lhes custa, a eles, serem obrigados a “vir comer à mão”. Esta manifestação consagrará valores que alguns destes crápulas desprezam. Mas tiveram de vir. Porque hoje, os valores da liberdade tomaram conta da maioria das consciências. E de tal modo isso aconteceu que até estes – por defesa da sua sobrevivência política – vergaram a cerviz. Vale pouco? Parafraseando: As pequenas vitórias valem pouco, mas quem as despreza é louco.

Testamento Vital: o que está a acontecer?

Laura Ferreira dos Santos* e João Carlos Macedo**

 

livro_testamento_vital_laura_ferreira_dos_santosEmbora, por Lei, não seja obrigatório usar o modelo disponível no Portal da Saúde para efectuar um Testamento Vital (TV), vamos aqui centrar-nos nele, atendendo a que foi o meio escolhido por um de nós.

Na medida em que muitas das opções referidas no modelo não iam ao encontro do que se queria, fez-se sobretudo uso dos espaços em branco.
Des
de já, ressaltem-se seis elementos:
1. o modelo não pode ser preenchido em computador, mas apenas à mão;
2. os espaços em branco do modelo realmente existente são muitíssimo mais pequenos do que aqueles que o modelo publicado em
DR dava a entender visualmente (portanto, o utente fica muito mais cerceado na sua liberdade);
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Os “charlies” e a greve na TAP

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António Alves

Há cerca de 15 dias esteve para acontecer uma greve na TAP. Só não aconteceu porque o governo num acto ilegal e prepotente o impediu. O governo, à revelia da lei, uma semana antes da greve acontecer decretou uma “requisição civil”. Perante a lei da República Portuguesa a Requisição Civil só pode ser decretada depois da greve se ter iniciado e única e exclusivamente se os trabalhadores em greve não cumprirem os serviços mínimos determinados pelo tribunal arbitral ou acordados entre as partes em conflito.
O governo agiu ilegalmente e impediu de facto o exercício de um direito fundamental consagrado na Constituição da República Portuguesa. O governo violou grosseiramente a liberdade dos trabalhadores da TAP e os direitos dos trabalhadores portugueses em geral. Não me lembro de ler nenhum editorial em qualquer jornal português a criticar o governo ou de ouvir qualquer invectiva inflamada de qualquer opinador televisivo contra a prepotência governamental. Muito pelo contrário, o que li e ouvi foram muitas críticas e até alguns insultos disfarçados em vários editoriais de jornais ditos “sérios” aos trabalhadores da TAP. Da classe política “mainstream” idem aspas. Dos cidadãos em geral também nenhum deles levantou o cu do sofá para se manifestar contra esta violação grosseira da Liberdade.
Somos “charlie”? O tanas! E hoje até estou bem educado…

A Liberdade defende-se todos os dias nas mais pequenas coisas. Não é só quando morre alguém.

Não é preciso gostar de Charlie para ser Charlie

Surgem, em muitos media – e aqui também -, numerosos textos, sérios e interpelantes uns, grosseiros e ressabiados outros (Sinel de Cordes, a malta não te evita por seres um ousado provocador, mas porque, as mais das vezes, não tens piada).

Por mim, não vejo o problema nem tenho reservas em estar com todos os que são “Charlie” e não lhes vou, sequer, perguntar se conheciam o Charlie que dizem ser. Entendo que, sejam quais forem as opiniões que tenham sobre a revista, as pessoas sentiram o perigo da situação e o tiro no peito da liberdade. E é este ponto, penso eu, que leva a esta quase unanimidade na condenação inequívoca do atentado e na onda de solidariedade que se levantou.

É que o direito à liberdade de expressão não é dos jornalistas: é de todos nós. E como tal foi sentido. Muitos dos que mostram a sua solidariedade seriam alvos do Charlie Hebdo ou não escondiam a sua hostilidade ao hebdomadário? É verdade. E daí? Porque lhes querem vedar o direito de manifestar a sua indignação cívica? O Charlie Hebdo era (é!) uma revista iconoclasta, desbragada, ofensiva. Ela desafiava os limites da liberdade. E é exactamente isso que despertou as consciências. E isso é bom. Muito bom. E não nos surpreendamos por este caso ter ganho esta importância avassaladora. Sabemos bem que muitas outras vítimas houve, em dias recentes, em atentados terroristas igualmente sangrentos e cruéis. Porém, não podemos separar estas ocorrências das significações que lhes estão associadas.

As vítimas têm a mesma dignidade humana, mas o significado dos atentados é, inevitavelmente, valorizado de modo diverso, conforme o seu sentido e os perigos e desafios que fazem adivinhar no nosso futuro. Por isso, recuso a pretensão de julgar os que se indignam e a indagar das suas razões. Somos livres. E também os que morreram são mortos da nossa liberdade.

A singularidade do estilo de Ricardo Santos Pinto

AntonioSmith

© Shaenon K. Garrity (http://bit.ly/1KvTVTd)

 

Adivinhe de quem é.
(…)
Ora veja lá o nome do autor do texto citado e depois veja o nome do autor deste mesmo post.
Ricardo Santos Pinto

 ***

Ontem, ao procurar um texto de Malcolm Coulthard, co-autor do excelente An Introduction to Forensic Linguistics: Language in Evidence, fui surpreendido por um estudo de Rita Marquilhas e de Adriana Cardoso. O artigo de Marquilhas e Cardoso simula uma peritagem relativa a enunciados escritos no âmbito da investigação de um crime e debruça-se sobre um texto escrito por Ricardo Santos Pinto, publicado em 12 de Janeiro de 2009, no 5dias.net, mas frequentemente atribuído à jornalista Clara Ferreira Alves.

As Autoras indicam que, em 2011 ,”Clara Ferreira Alves continuava a desconhecer que se tratava de um texto de autoria já clarificada”. Como se percebe pelo episódio relatado na epígrafe, mesmo depois de indicar o texto, Ricardo Santos Pinto vê-se obrigado a voltar à carga, perante a insistência de um comentador.

Poderia terminar este pequeno comentário com um ingénuo “esperemos que este estudo de Rita Marquilhas e Adriana Cardoso venha, duma vez por todas, esclarecer o assunto”. Contudo, como demonstrado pelo caso ‘Voltaire vs. S.G. Tallentyre/Evelyn Beatrice Hall’, muito provavelmente, nem os esclarecimentos de Ricardo Santos Pinto, nem o estudo de Marquilhas e Cardoso, nem sequer este texto (para quem tiver dúvidas sobre a autoria, o meu nome está lá em cima, debaixo do título) servirão para que muitos passem a preferir a realidade à ficção. Infelizmente, como bem sabemos, desde o Maxwell Scott: “This is the West, sir. When the legend becomes fact, print the legend”.

Da série La Palisse

Um idiota é um idiota e é um idiota: Rodrigo Adão da Fonseca.

Viveiro de Terroristas: eis o Ocidente

osama_bin_laden_independentNa edição de 6 de Dezembro de 1993 – há 22 anos, – o Independent fazia um retrato amistoso de Osama Bin Laden, um soldadinho de chumbo a fazer a conveniente guerra aos soviéticos.
Quem alimentou esta gente e agora se queixa dos radicais, dos extremistas terroristas?

Genial!

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(palmado a Jean Lenturlu)

Parece que no Expresso também são Charlie

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João Carreira Bom. Mário Crespo. Dóris Graça Dias. Wikileaks. Marisa Moura.
No Expresso? A sério?

É isto:

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Um filhodaputa nacional é um filhodaputa pior do que os outros

Estava escrito nas estrelas: se cada ataque a uma mesquita é uma medalha no peito dos três canalhas franceses que mataram no Charlie Hebdo, e portanto um acto de alguém que fica abaixo do nível deles porque ainda por cima lhes faz fretes, os nossos filhosdaputa não iam descansar enquanto não fizessem das suas:

1143O ataque à Mesquita de Lisboa tem um detalhe muito luso: a ignorância. Em 1143 não se fundou Portugal, que o parto já vinha de traz trás e foi arrastado, e mesmo dando importância a um tratado que nem existiu teria sido assinado com o primo do Afonso Henriques, coisa de católicos, não tem nada que ver com mouros.

É no que dá umas décadas de historiografia fascista, que ainda não se apagaram.

Continuem a misturar os wahabitas, uma seita minoritária dentro do islamismo, com todos os muçulmanos, e quando acordarem depois de uma noite de cristal queixem-se.

Via 31 da Armada, nem toda a direita portuguesa é estúpida, não senhor.

Adenda: “Ironia é vandalizar uma mesquita usando numeração árabe” – da página Yronicamente, Facebook.

No País dos Papa-Charlies


Santa Paciência… todos nós aqui temos que ter para fazer humor em Portugal“.

No país dos indignados onde, como diz Bruno Nogueira hoje – “não há um único programa de humor nas televisões generalistas sobre política”  –  toda a gente clama ser “Charlie”, vão poucos anos (1987) sobre a censura explícita ao programa “Humor de Perdição“, de Herman José. Depois de uma “entrevista histórica” à rainha Santa Isabel, o programa foi tirado da antena: uns quantos bois haviam-se queixado à RTP que não podia ser, isto de andar a gozar com personagens históricas, não pode ser. E o programa foi cancelado.
Claro, há que relativizar, o tempo passa e a mentalidade muda. Devem ter sido outras as razões para que o Contra Informação também tenha desaparecido da tv em sinal aberto.

Ridendo castigat mores, Gil Vicente?