Da colecção O governo que destrói recursos humanos (2)
Tudo dentro da legalidade, claro
O D. Quixote das gorduras do estado, Passos Coelho, permitiu isto porquê? 152 milhões para alguém, mas os outros é que vivem acima das possibilidades.
Permuta
Os gregos têm o Tsipras, os espanhóis o Iglesias e nós o Ronaldo. Como é que se faz para trocar?
Zeca Mendonça não é Charlie
Zeca Mendonça ilustra o que acontece a quem não se dá ao respeitinho.
O fato em conta

© António Cotrim/Lusa (http://bit.ly/1tZqizf)
Segundo o Record, Marcelo Rebelo de Sousa, “adepto do Sp. Braga”, reagiu “às manifestações de alegria na redação da TVI”. Acontece que a TVI não tem *redação. Se ouvirmos atentamente a reacção de Rebelo de Sousa, percebemos que “o adepto do Sp. Braga” diz «pelo eco aqui da redacção». Efectivamente: [ʀɨdaˈsɐ̃ũ]. Rebelo de Sousa não referiu qualquer *redação [ʀɨdɐˈsɐ̃ũ̯]. Porquê? Porque a TVI não tem *redação. A vida (como determinadas regências) é extremamente simples. Tomai esse *fato em conta. Fato? Hoje? No sítio do costume? Exactamente.
Robertos
Lembram-se deles, certamente. Quando era miúdo, eu não perdia uma representação, fosse no humilde biombo de rua, fosse no teatro de robertos com palco, plateia e tudo. A voz estridente dos bonecos, dada pelas palhetas, atraia os putos irresistivelmente. Lembram-se das cenas que se repetiam eternamente: “eh toro, eh torito!…Olé, olé”; ” o raio do barbeiro é doido, carago”; “Doooommm Roberto vai aqui, toma, toma, toma”; “sou o diaaaaabbooooo!…”; “não me apanhas, não me apanhas, trrré,té, té” e por aí fora, tudo dedicado ao “rrrreeeespeitável público e todos os meninos e meninas”. Infelizmente, é raro encontrarmos o D. Roberto por estes dias. Se queremos ver os nossos queridos robertos temos de (devemos) ir ao Museu da Marioneta.
Até lá, restam-nos as candidaturas de Alberto João Jardim e Santana Lopes à presidência da República. Com o aflito esbracejar comentatório do professor Marcelo. É o que se arranja.
Nem o Charlie é Charlie
Charlie Hebdo despediu cartoonista em 2009 por gozar com os judeus
Polónia, o próximo desafio dos juniores portugueses
Torun, a cidade do Norte da Polónia de 250 000 habitantes, na margem do rio Vístula, famosa por ser o berço de Nicolau Copérnico e pelo pão de gengibre, recebe, a partir da próxima sexta-feira, o Europeu Júnior de hóquei indoor, competição em que Portugal vai estar presente, depois de ter conquistado, há dois anos, o direito de participar na mais alta roda da modalidade, versão de Inverno em pavilhão.
Depois de um mini-estágio na Holanda, muito por influência de Bernardo Fernandes, o treinador português da equipa holandesa de Venlo, muito ligado à equipa técnica liderada por Mário Almeida, segue-se a viagem para a Polónia, que, por acaso, é logo o primeiro adversário da selecção portuguesa, sexta-feira, às 11h25.
Registe-se, aliás, que, na equipa do Venlose, jogam os ora seleccionados portugueses, Miguel Ralha e Tiago Ventosa.
Segue-se, pelas 16h50, o confronto com a Turquia, para, no sábado, os Linces subirem ao rinque, rumo ao último jogo da fase de grupos, contra a Rússia (11h30).
No completo plano de treinos e jogos amigáveis, Portugal já defrontou a equipa feminina do Venlo, a equipa júnior do Nijmegen e a equipa da 1.ª Divisão holandesa, o Venlo Heren. Amanhã, será a vez da fortíssima equipa polaca do Pomorzamin Torun. Quarta e quinta-feira, Portugal mede ainda forças contra a Áustria e Suíça, respectivamente.
A comitiva portuguesa, liderada pelo executivo José Manuel Nunes, contempla o seleccionador nacional, Mário Almeida, os treinadores Carlos Silva e Bruno Santos, Dr. Pinto de Sousa (médico) e Fernando Sobreiro (fisioterapeuta). Os seleccionados são: [Read more…]
Critérios
Quando vou a uma manif não pergunto quem vai, pergunto qual a sua causa. Ou então, e logo na primeira semana de liberdade em Abril de 74, não teria ido a nenhuma, todos os Pides à solta por lá andavam.
Ajudinha desinteressada aos 4 dos 9
Na última “prova dos nove”, gerou-se um curioso ponto prévio. Francisco de Assis, com aquele ar de omnisciente que lhe conhecemos começou, recostando-se triunfante na cadeira: “aquela frase que discutimos aqui, ‘se Deus não existisse tudo seria permitido’, tendo eu averiguado – garantiu o Assis – não é de Dostoievski, mas de Sartre”. “Nada disso, é de Nietzsche”- declarou a Constança Cunha e Sá. E assim foram trocando umas flores. Permitam-me, oh gentes, que dê uma ajuda aos comentadores, mais no interesse de quem ouviu e ficou na dúvida – ou, pior, enganado pela categórica garantia do Assis.
Na verdade, a frase está em “Os Irmãos Karamazov”, de Dostoievski, e é citada por Jean-Paul Sartre em “O Existencialismo é Um Humanismo” como ponto de partida para a sua indagação sobre o conceito de liberdade e correspondente noção de responsabilidade. Também Simone Beuvoir irá seguir caminho semelhante a partir do mesmo ponto.
Eu sou a minha liberdade, diz Sartre. E estou condenado a ser livre, logo, a arcar com as responsabilidades das minhas escolhas sem fugas, sem desculpas, sem ter a que me agarrar em mim ou fora de mim.
Porque me deu para esta singela incursão? É que, numa altura em que se procuram elaboradas explicações “em última instância” para os sangrentos acontecimentos recentes, pareceu-me justo pôr os pés na terra.
É preciso aprender a escrever
Vítima de lirismo precoce, Vítor Cunha encerra o poema com “É preciso ireis [sic] todos para a podre gruta maternal de onde em má hora fostes paridos.”
Da colecção O governo que destrói recursos humanos (1)
Mau aspecto
Pela Liberdade, sempre…
Dos manifestantes esquisitos
Vejo por aqui grande indignação pelos figurões que pontuam a fila da frente da manifestação de Paris. Compreendo. Mas vejam a questão de outro ponto de vista e imaginem quanto lhes custa, a eles, serem obrigados a “vir comer à mão”. Esta manifestação consagrará valores que alguns destes crápulas desprezam. Mas tiveram de vir. Porque hoje, os valores da liberdade tomaram conta da maioria das consciências. E de tal modo isso aconteceu que até estes – por defesa da sua sobrevivência política – vergaram a cerviz. Vale pouco? Parafraseando: As pequenas vitórias valem pouco, mas quem as despreza é louco.
Testamento Vital: o que está a acontecer?
Laura Ferreira dos Santos* e João Carlos Macedo**
Embora, por Lei, não seja obrigatório usar o modelo disponível no Portal da Saúde para efectuar um Testamento Vital (TV), vamos aqui centrar-nos nele, atendendo a que foi o meio escolhido por um de nós.
Na medida em que muitas das opções referidas no modelo não iam ao encontro do que se queria, fez-se sobretudo uso dos espaços em branco.
Desde já, ressaltem-se seis elementos:
1. o modelo não pode ser preenchido em computador, mas apenas à mão;
2. os espaços em branco do modelo realmente existente são muitíssimo mais pequenos do que aqueles que o modelo publicado em DR dava a entender visualmente (portanto, o utente fica muito mais cerceado na sua liberdade);
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Os “charlies” e a greve na TAP
António Alves
Há cerca de 15 dias esteve para acontecer uma greve na TAP. Só não aconteceu porque o governo num acto ilegal e prepotente o impediu. O governo, à revelia da lei, uma semana antes da greve acontecer decretou uma “requisição civil”. Perante a lei da República Portuguesa a Requisição Civil só pode ser decretada depois da greve se ter iniciado e única e exclusivamente se os trabalhadores em greve não cumprirem os serviços mínimos determinados pelo tribunal arbitral ou acordados entre as partes em conflito.
O governo agiu ilegalmente e impediu de facto o exercício de um direito fundamental consagrado na Constituição da República Portuguesa. O governo violou grosseiramente a liberdade dos trabalhadores da TAP e os direitos dos trabalhadores portugueses em geral. Não me lembro de ler nenhum editorial em qualquer jornal português a criticar o governo ou de ouvir qualquer invectiva inflamada de qualquer opinador televisivo contra a prepotência governamental. Muito pelo contrário, o que li e ouvi foram muitas críticas e até alguns insultos disfarçados em vários editoriais de jornais ditos “sérios” aos trabalhadores da TAP. Da classe política “mainstream” idem aspas. Dos cidadãos em geral também nenhum deles levantou o cu do sofá para se manifestar contra esta violação grosseira da Liberdade.
Somos “charlie”? O tanas! E hoje até estou bem educado…
A Liberdade defende-se todos os dias nas mais pequenas coisas. Não é só quando morre alguém.
Não é preciso gostar de Charlie para ser Charlie
Surgem, em muitos media – e aqui também -, numerosos textos, sérios e interpelantes uns, grosseiros e ressabiados outros (Sinel de Cordes, a malta não te evita por seres um ousado provocador, mas porque, as mais das vezes, não tens piada).
Por mim, não vejo o problema nem tenho reservas em estar com todos os que são “Charlie” e não lhes vou, sequer, perguntar se conheciam o Charlie que dizem ser. Entendo que, sejam quais forem as opiniões que tenham sobre a revista, as pessoas sentiram o perigo da situação e o tiro no peito da liberdade. E é este ponto, penso eu, que leva a esta quase unanimidade na condenação inequívoca do atentado e na onda de solidariedade que se levantou.
É que o direito à liberdade de expressão não é dos jornalistas: é de todos nós. E como tal foi sentido. Muitos dos que mostram a sua solidariedade seriam alvos do Charlie Hebdo ou não escondiam a sua hostilidade ao hebdomadário? É verdade. E daí? Porque lhes querem vedar o direito de manifestar a sua indignação cívica? O Charlie Hebdo era (é!) uma revista iconoclasta, desbragada, ofensiva. Ela desafiava os limites da liberdade. E é exactamente isso que despertou as consciências. E isso é bom. Muito bom. E não nos surpreendamos por este caso ter ganho esta importância avassaladora. Sabemos bem que muitas outras vítimas houve, em dias recentes, em atentados terroristas igualmente sangrentos e cruéis. Porém, não podemos separar estas ocorrências das significações que lhes estão associadas.
As vítimas têm a mesma dignidade humana, mas o significado dos atentados é, inevitavelmente, valorizado de modo diverso, conforme o seu sentido e os perigos e desafios que fazem adivinhar no nosso futuro. Por isso, recuso a pretensão de julgar os que se indignam e a indagar das suas razões. Somos livres. E também os que morreram são mortos da nossa liberdade.
A singularidade do estilo de Ricardo Santos Pinto

© Shaenon K. Garrity (http://bit.ly/1KvTVTd)
Adivinhe de quem é.
(…)
Ora veja lá o nome do autor do texto citado e depois veja o nome do autor deste mesmo post.
– Ricardo Santos Pinto
***
Ontem, ao procurar um texto de Malcolm Coulthard, co-autor do excelente An Introduction to Forensic Linguistics: Language in Evidence, fui surpreendido por um estudo de Rita Marquilhas e de Adriana Cardoso. O artigo de Marquilhas e Cardoso simula uma peritagem relativa a enunciados escritos no âmbito da investigação de um crime e debruça-se sobre um texto escrito por Ricardo Santos Pinto, publicado em 12 de Janeiro de 2009, no 5dias.net, mas frequentemente atribuído à jornalista Clara Ferreira Alves.
As Autoras indicam que, em 2011 ,”Clara Ferreira Alves continuava a desconhecer que se tratava de um texto de autoria já clarificada”. Como se percebe pelo episódio relatado na epígrafe, mesmo depois de indicar o texto, Ricardo Santos Pinto vê-se obrigado a voltar à carga, perante a insistência de um comentador.
Poderia terminar este pequeno comentário com um ingénuo “esperemos que este estudo de Rita Marquilhas e Adriana Cardoso venha, duma vez por todas, esclarecer o assunto”. Contudo, como demonstrado pelo caso ‘Voltaire vs. S.G. Tallentyre/Evelyn Beatrice Hall’, muito provavelmente, nem os esclarecimentos de Ricardo Santos Pinto, nem o estudo de Marquilhas e Cardoso, nem sequer este texto (para quem tiver dúvidas sobre a autoria, o meu nome está lá em cima, debaixo do título) servirão para que muitos passem a preferir a realidade à ficção. Infelizmente, como bem sabemos, desde o Maxwell Scott: “This is the West, sir. When the legend becomes fact, print the legend”.
Viveiro de Terroristas: eis o Ocidente
Na edição de 6 de Dezembro de 1993 – há 22 anos, – o Independent fazia um retrato amistoso de Osama Bin Laden, um soldadinho de chumbo a fazer a conveniente guerra aos soviéticos.
Quem alimentou esta gente e agora se queixa dos radicais, dos extremistas terroristas?
Parece que no Expresso também são Charlie

João Carreira Bom. Mário Crespo. Dóris Graça Dias. Wikileaks. Marisa Moura.
No Expresso? A sério?
Um filhodaputa nacional é um filhodaputa pior do que os outros
Estava escrito nas estrelas: se cada ataque a uma mesquita é uma medalha no peito dos três canalhas franceses que mataram no Charlie Hebdo, e portanto um acto de alguém que fica abaixo do nível deles porque ainda por cima lhes faz fretes, os nossos filhosdaputa não iam descansar enquanto não fizessem das suas:
O ataque à Mesquita de Lisboa tem um detalhe muito luso: a ignorância. Em 1143 não se fundou Portugal, que o parto já vinha de traz trás e foi arrastado, e mesmo dando importância a um tratado que nem existiu teria sido assinado com o primo do Afonso Henriques, coisa de católicos, não tem nada que ver com mouros.
É no que dá umas décadas de historiografia fascista, que ainda não se apagaram.
Continuem a misturar os wahabitas, uma seita minoritária dentro do islamismo, com todos os muçulmanos, e quando acordarem depois de uma noite de cristal queixem-se.
Via 31 da Armada, nem toda a direita portuguesa é estúpida, não senhor.
Adenda: “Ironia é vandalizar uma mesquita usando numeração árabe” – da página Yronicamente, Facebook.
No País dos Papa-Charlies
“Santa Paciência… todos nós aqui temos que ter para fazer humor em Portugal“.
No país dos indignados onde, como diz Bruno Nogueira hoje – “não há um único programa de humor nas televisões generalistas sobre política” – toda a gente clama ser “Charlie”, vão poucos anos (1987) sobre a censura explícita ao programa “Humor de Perdição“, de Herman José. Depois de uma “entrevista histórica” à rainha Santa Isabel, o programa foi tirado da antena: uns quantos bois haviam-se queixado à RTP que não podia ser, isto de andar a gozar com personagens históricas, não pode ser. E o programa foi cancelado.
Claro, há que relativizar, o tempo passa e a mentalidade muda. Devem ter sido outras as razões para que o Contra Informação também tenha desaparecido da tv em sinal aberto.














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