Sócrates, Manuela Moura Guedes, Eduardo Moniz e os sapos

Entendamo-nos: Eu achava o programa de “informação” apresentado às sextas-feiras por Manuela Moura Guedes abjecto. Por isso não o via.

O cidadão José Socrates e seus acólitos eram livres de achar o mesmo que eu ou, até, pior. Desligavam a televisão e não viam. Sabendo-se insultados faziam o que faz um cidadão: queixavam-se a quem de direito, os tribunais.

O primeiro-ministro José Sócrates espero que não tivesse tempo para perder com o programa porque estava ocupado com assuntos do país, portanto não o via. Sabendo-se insultado fazia o que faz um cidadão a quem acontece ser primeiro-ministro. Como não tem tempo a perder com minudências, manda processar o programa. Ou não, se quiser passar a imagem de quem convive bem com as críticas. Toma a decisão – espera-se que um primeiro-ministro tome decisões – de apresentar ou não apresentar queixa e age em conformidade.

O cidadão-primeiro-ministro José Sócrates quis o melhor de dois mundos. Passar a imagem de quem convive bem com a crítica e acabar com ela como se fosse primeiro-ministro-cidadão do Irão.

Eu, olhando os personagens, não me sinto bem com nenhum. Mas, neste caso, estou com Moniz e Manuela Moura Guedes. Informo o cidadão José Sócrates que engoli um sapo para escrever esta última frase. Peço ao cidadão José Sócrates que informe o primeiro-ministro José Sócrates de que engolir sapos faz parte do cargo.

Não gostando de sapos resta a demissão.

Óculos para OUVIR melhor

Ideais para escutas.

Escutas de Sócrates: O juiz será louco?

«Das conversações entre Paulo Penedos e Armando Vara resultaram indícios muito fortes da existência de um plano em que está directamente envolvido o Governo, nomeadamente o primeiro-ministro, visando o controlo da estação de televisão TVI e o afastamento da jornalista Manuela Moura Guedes e do seu marido, José Eduardo Moniz, para controlar o teor das notícias.»
Leiam bem por favor. Leiam bem e respondam: um juiz que não está louco escreveria um despacho destes?:
«Das conversações entre Paulo Penedos e Armando Vara resultaram indícios muito fortes da existência de um plano em que está directamente envolvido o Governo, nomeadamente o primeiro-ministro, visando o controlo da estação de televisão TVI e o afastamento da jornalista Manuela Moura Guedes e do seu marido, José Eduardo Moniz, para controlar o teor das notícias.»
Já leram? Se o juiz está louco, internem-no. Se não está, façam alguma coisa. E voltem a ler isto só mais uma vez:
«Das conversações entre Paulo Penedos e Armando Vara resultaram indícios muito fortes da existência de um plano em que está directamente envolvido o Governo, nomeadamente o primeiro-ministro, visando o controlo da estação de televisão TVI e o afastamento da jornalista Manuela Moura Guedes e do seu marido, José Eduardo Moniz, para controlar o teor das notícias.»

Um desenho senhor procurador, eu faço-lhe

Diz Pinto Monteiro:

«Os DIAP [Departamentos de Investigação e Acção Penal] têm muito poucos meios técnicos para questões dessas. Aliás, questões dessas são dificílimas em todo o Mundo. Vai ser muito difícil descobrir quem é que pôs isso»

Refere-se o Procurador Geral da República a umas escutas telefónicas do Apito Dourado que apareceram no Youtube.

Permita-me uma modesta contribuição, que a malta tem de ajudar nas dificuldades técnicas. É assim:

1. O DIAP (o que ficar com o processo que entretanto andam entretidos a tentar descobrir qual será) solicita à empresa Youtube o endereço IP e a hora minuto e segundo da colocação do vídeo. Não sei como é que fazem isso, mas suponho que deve ser através de uma carta.

2. Na posse desse elemento identificam a empresa que forneceu o serviço ao prevaricador. É fácil: basta pôr o número no Google (espero que saibam o que é o Google), e lá está a identificação completa. Mais um clique e até têm o nome e morada do responsável pela empresa.

3. De acordo com a legislação em vigor obrigam a dita empresa a fornecer a identificação do seu cliente, que a essa hora, minuto e segundo, tinha o tal de IP.

Meios técnicos necessários: máquina de escrever, papel timbrado e envelopes de correio. Não sugiro a utilização de mailes, porque era preciso explicar o que são, e agora não tenho tempo.

Espero ter ajudado.

Justiça à Portuguesa…

Aqui ESTÁ um bom exemplo de como empolar ainda mais a coisa. Quem sabe, vai-se a ver e as cópias surgidas no Canal Manhoso da Meo vieram de mão amiga na casa.

Uma notícia que deve ser lida com cuidado por ESTES meninos que hoje animaram o Aventar – podem ser os próximos a ser investigados pela PGR, ehehehehehe. E algo me diz que foram eles os responsáveis por ISTO

O Homem da Luta e o canal ranhoso…

O Sá Pinto é mesmo um “Homem do Norte, carago!”. Primeiro deu uns tabefes ao Artur Jorge e agora espectou uns sopapos ao Liedson! Entretanto, segundo a RTP, demitiu-se. Eu, se fosse dirigente desportivo, contratava-o para a secção de pugilismo. Foi assim que começou o grande Pinto da Costa.

As escutas do processo Apito Dourado estão disponíveis no Youtube e naquele canal ranhoso dos vermelhos do Meo. O que diz bem dos seus responsáveis e daquilo que representam. Vou esperar, sentado, para ver/ouvir as escutas do Apito Encarnado…

Lídia Sousa – Transcrição das escutas Vara / Sócrates

– É pá, os meus espiões em Belém dizem que a Manela e o Bibinho andam a dormir na mesma cama para estudarem o programa da dita.
– Ó Zé, não acredito, porque o Lima, se assim fosse, já tinha contado ao Fernandes. Tambem lá disseram que ele o bibinho queria deitar fora o Lima para meter lá a Caldense, que é inexperiente mas é boa como o milho e tem experiência da Mossad e até compraram uns aparelhos para me escutarem de dia e de noite.
– Põe-te a pau, Zé, olha que o teu telefone está sob escuta apesar de ser proibido.
– Ó Vara, isso seria demais!
– Mas infelizmente é verdade e por isso eles vão ficar todos baralhados!!

As conversas que se ouviriam em Portugal…

cell-phone-booth-3012

Karsten Nohl é engenheiro informático, 28 anos licenciado nos Estados Unidos. Ele e a sua equipa conseguiu, às custas de um equipamento de três mil euros e tabelas de código, quebrar o algoritmo A5/1, utilizado para garantir a privacidade dos telefonemas das redes de 2G. Ao longo dos últimos seis meses esteve a ouvir, com toda a facilidade, conversas alheias.
Por estranho que pareça, a lucrativa indústria de telecomunicações usa a mesma encriptação desde há 21 anos nas redes Global Systems for Mobile (GSM), utilizadas nos telemóveis, abrangendo 80 por cento dos 4,3 mil milhões de cartões activos.

Claro que a GSM Association não achou piada nenhuma à investigação de Nohl. Mas devia achar. Como avestruz que prefere não encarar o problema e as falhas detectadas, e tão laboriosamente escondidas, considerou o trabalho "ilegal" e "contra-intuitivo", já que o objectivo seria promover a privacidade dos telefonemas. Por isso, preferiu atacar o mensageiro.

A organização garantiu que esta descoberta não ameaça a segurança do sistema mas agora ninguém tem a certeza. A começar pelos órgãos políticos e de justiça em Portugal.

O PGR não revelou nada

Como se temia o PGR nada revelou acerca do conteúdo das escutas. Isto não é bom para ninguem. Antes de tudo, para o próprio Sócrates, que vê adensar à sua volta as suspeitas que  o juiz de Aveiro tem razões substantivas para fazer o que fez.

 

Depois para o PGR que funciona como alguem que não está seguro do que tem em mãos, nenhum interesse em deitar gasolina para a fogueira, disfarça, esconde, encolhe e nada disto é saudável para a democracia que não pode viver nesta clausura de segredos e de meias verdades.

 

Penalistas de mérito já deram o exemplo da Alemanha, onde decorreu um caso rigorosamente igual, com a diferença de que lá, o povo teve direito a saber o assunto que tinha sido escutado, não as escutas elas mesmas, evidentemente. O que leva que dois magistrados em Aveiro considerem que Sócrates cometeu " um crime grave contra a segurança do Estado"?

 

Este medo que se adivinha no PGR, no Presidente do STJ e nos socialistas confirma, em pleno, que os dois magistrados de Aveiro não são dois loucos que um dia de manhã acordaram e se lembraram de lançar estas terríveis suspeitas sobre o Primeiro ministro!

 

Ninguem acredita em tal "espionagem política" e na " decapitação do PS e do governo" as mesmas patranhas que foram usadas no caso "Casa Pia" e em todos os outros casos em que o PS se envolveu ou se deixou envolver.

 

O PGR devia ser nomeado pelo Presidente da República, ter um mandato igual ao dele, entrar com ele e sair com ele, com as mesmas prerrogativas, de poder ser apeado nas mesmas condições do PR, não poder ser reconduzido mais que uma vez, para o bem e para o mal, irmão gémeo do PR.

 

Mas ter um PGR que é nomeado pelo PR sobre proposta do governo e que este pode demitir quando bem entende, dá nesta pocilga onde chafurdam a credibilidade e a decência do Estado de Direito!

As prioridades num país à beira da bancarrota

O que pagamos todos por existir uma classe política sob suspeita, é enorme, e não entra nas contas, mas devia entrar. Num país numa situação alarmante, os assuntos em dia são os que têm a ver com a defesa de um governo acossado pelas trapalhadas em se envolve o seu chefe e uma enorme teia de altos dirigentes.

 

A Justiça está em polvorosa e ameaça ir mais além, após ministros, que passam a vida a bradar que o Estado de Direito é a separação de poderes, virem dizer que os magistrados andam a fazer "espionagem política".

 

E os jornais vão, às pinguinhas, para manterem a pressão e venderem, deixar cair o que já se percebeu  que já sabem, sobre a história da sucata. Hoje o SOL já vem dizer que os suspeitos todos trocaram de telemóveis para escaparem às escutas, utilizando mesmo, truques de quem sabe da poda, como aquela dos cartões recarregáveis que só são apanhados se pagos por cartão .

 

Depois estão na ordem do dia as autoestradas com vistos negativos do Tribunal de Contas, que vão parar, deixa de haver dinheiro, indemnizações, acusações porque a Lei é para cumprir e este governo não cumpre a Lei, diz o Tribunal de Contas. Os contentores de Alcântara tambem estão nos carris, grossa asneira de governo absoluto que deixou de o ser. O TGV, são os Espanhóis que vêm cá ensinar, congelem o Porto-Vigo e lancem um ramal para Sines, para as mercadorias o que parece ser bem mais sensato do que querer transportar passageiros que não existem.

 

Logo que isto acalme (após se saber o que aí vem das escutas) está na calha o casamento gay, o que tambem contribui para a resolução dos problemas que ameaçam afundar o país.

 

É isto o que muita gente não quer ver, o tremendo desgaste e prejuízos que um primeiro ministro, profundamento ferido na sua credibilidade, causa ao país.

 

Até à próxima campanha negra!

A parvoíce não poupa ninguém

“Duas coisas são infinitas: o universo e a estupidez humana. Mas, no que respeita ao universo, ainda não adquiri a certeza absoluta”.

Albert Einstein, um dos poucos homens que deveria ter sido autorizado a flutuar acima de todos os outros, deverá ter morrido sem esta certeza. Para aqueles mais dados às prosaicas parvoíces do dia a dia, resta-nos o lamento, o desabafo livre e uma certa dose de indignação.

 

Algumas pessoas não devem mesmo saber onde têm a cabeça. Duvidam? Vejam então a notícia do ionline, segundo a qual “durante 13 minutos, as conversas dos jornalistas estiveram a ser gravadas por um funcionário do Ministério da Educação”. “Enquanto os jornalistas esperavam por uma declaração do secretário de Estado-adjunto da Educação (…) o funcionário entrou na sala de imprensa e pôs um gravador junto dos microfones e dos tripés que estavam em cima da mesa. Ninguém deu conta de que o aparelho estava a gravar. Durante vários minutos, as conversas dos jornalistas giraram à volta das notícias do dia, nomeadamente sobre o caso Face Oculta. Comentários informais foram trocados entre colegas que não se aperceberam de que estariam a ser escutados”.

 

Lindo, não é?

Anda Tudo Doido

.

FACE OCULTA

.

Anda tudo preocupado porque os suspeitos terão sido avisados que estariam sobre escuta horas ou dia depois do nosso Primeiro falar.

Ninguém se preocupa com o facto de se ensinar aos meliantes que, quando se sabe que se está debaixo de escuta, se deve trocar, não só de número de telemóvel, mas também de aparelho.

E como, no final, tudo vai ficar em águas de bacalhau, o sr Vara anda muito satisfeito. Só há um detido preventivamente, e, não deverá haver mais. Só este é que é dispensável.

.

Face Oculta – o que é certo e comprovado

O que se sabe do processo permite concluir que o Juiz  e o Magistrado de Aveiro, cumpriram escrupulosamente a Lei, ao contrário do PGR e do Presidente do tribunal de Justiça, que têm que explicar várias coisas que lançam o descrédito na vida pública portuguesa.

 

Antes de tudo, o tempo que decorreu entre a altura em que foi extraída a primeira certidão (Julho ou mesmo antes) e enviada para Lisboa e a actuação do PGR. Porque é que o PGR não tomou de imediato uma decisão e permitiu que a investigação prosseguisse? Na ausência de resposta não era lícito as autoridades de Aveiro concluirem que, face à informação e na ausência de desautorização, que o processo deveria prosseguir?

Ou essa questão, atenta a campanha eleitoral, não servia os interesses de quem manda e guardou-se para depois das eleições a presente controvérsia?

 

As lamentáveis embrulhadas do PGR e do presidente do STJ, empurrando as responsabilidades da decisão para o colo de um e outro, querem dizer o quê? E como é que se pode aceitar e que leitura  deve ter o desconhecimento dos  fundamentos da decisão, e a apressada decisão de mandar destruir as escutas à revelia da opinião de eminentes penalistas?

 

Porque se impede que as razões do Juiz de Aveiro sejam conhecidas, bem como as razões do PGR e do próprio Primeiro Ministro? Exclusivamente, na parte em escrutínio e em que se fundamentaram os índicios de "crime grave contra o Estado de Direito" ?

 

A transparência, a confiança e a credibilidade do Estado não valem "uma missa"?

Está para breve a divulgação das escutas

Dizem-me que está para muito breve a divulgação das célebres escutas de José Sócrates e Armando Vara. Se calhar, digo eu, é esperar por um dos semanários de fim-de-semana.

Se for verdade o que me dizem, vai haver algumas surpresas. Vai cair o Carmo e a Trindade e, como é óbvio, vai cair José Sócrates.

Sendo que a Assembleia da República não pode ser dissolvida até Março de 2010, terá de ser nomeado um novo primeiro-ministro. Irá ser António Costa, Presidente da Câmara de Lisboa, o Santana Lopes do PS?

Pouco viverá quem não viver para ver!

«Stand by Me» foi há um ano (ninguém arquiva o 5 Dias)

 

Por estes dias, há um ano atrás, o 5 Dias publicava aquele que se tornou o «post» mais lido e com mais comentários (quase 1000) da história da blogosfera portuguesa: o «Stand by Me» à Volta do Mundo, cantado por músicos de rua de todo o mundo. «Playing for Change» ou a música como factor de união dos povos.

O 5 Dias fez história há um ano e continua hoje a fazê-la. Porque, ao 5 Dias, ninguém o arquiva…

Portugal é mais corrupto do que a Itália – a propósito da polémica

 

Nos últimos dias, vai forte a polémica, dentro e fora do Aventar, acerca do último «post» que escrevi. Referia-me então ao arquivamento das escutas entre Armando Vara e José Sócrates, escutas essas que dois Magistrados da comarca do Baixo Vouga – um Juiz e um Procurador do Ministério Público – consideraram conter indícios de crime contra o Estado de Direito.

 Não fui eu que o disse, foram dois Magistrados independentes. Independentes porque não nomeados pelo poder político.

Não foi esse o entendimento do Procurador-Geral da República, um cargo que, como se sabe, não é, na prática, independente. Porque a sua nomeação, ao contrário dos outros Magistrados, depende do poder político: é nomeado pelo Presidente da República sob proposta do Governo. Da mesma forma, é também o Governo que pode propor ao Presidente da República a sua exoneração.

É por isso que, no que diz respeito ao conteúdo desse «post», não tiro uma vírgula – as instâncias superiores da Justiça protegem e defendem os titulares de cargos políticos e evitam que eles sejam chamados à barra do Tribunal.

Não faltam os exemplos. Sei que, como em todas as profissões, há os políticos sérios e os políticos desonestos. Mas então, como explicar que em todas as profissões haja desonestos que prestam contas à Justiça e na política não? É tudo gente séria…

Já quanto ao estilo, reconheço um certo exagero, fruto de ter escrito em cima do acontecimento. Que dizer? Olhem, que me inspirei num famoso «blogger» – que durante anos andou a chamar filho da puta a toda a gente e que, hoje em dia, é um garboso Deputado do Partido Socialista.

No meio de tudo isto, só tenho pena que a polémica tenha extravasado para a caixa de comentários de um outro «post», cujo objectivo era prestar uma sincera homenagem a Salgueiro Maia, o herói da Revolução de Abril e aquele que, se fosse vivo, estaria mutio desiludido com o estado a que isto chegou.

 

 

  

Uma contratação indesejada

 

Figo vai processar o Correio da Manhã porque não gostou da capa de hoje.

 

Segundo este jornal e baseado em escutas à dupla de atacantes Sócrates / Vara o apoio de Luís Figo a José Sócrates nas últimas legislativas terá custado 75 mil euros,

 

Ao que parece Figo não gostou da convocatória para o jogo Sport Face – F.C Oculta, principalmente por ser chamado a jogar pelo Face quando esperava ter sido contratado pelo clube da Oculta.

 

 

 

 

Face Oculta – pode envolver altas figuras da hierarquia do Estado (i)

Não se pode destruir nem se pode tornar ilegal ou inválido o que é essencial para a descoberta da verdade!

 

A sua existência não pode ser ignorada, até porque pode constituir prova fundamental para terceiros envolvidos no processo. Daí a lei seja clara no que à sua destruição diz respeito.Só após a decisão do processo transitar em julgado!

 

Tornando simples o que é complexo, ou o que pretendem complexo, o Prof Costa Andrade faz o que só está ao alcance de quem sabe muito e de quem é suficientemente independente. Desmonta, uma a uma, as pretensas "competências" que o TSJ se atribui a si próprio, incluindo a destruição das escutas.

 

A utilizaçã/valoração das escutas no que que diz respeito aos "conhecimentos fortuitos" não depende da prévia autorização do juiz de instrução, cidadão comum e orgãos de soberania estão, rigorosamente,na mesma situação. Nem um, nem outro gozam da garantia de autorização prévia de um juiz de instrução a autorizar as escutas.

 

Entretanto, Rodrigo Santiago, advogado de Godinho, vem dizer que o seu cliente é só a ponta do iceberg, e que altas figuras da hierarquia do Estado poderão estar envolvidas.

 

PS Ver Face Oculta ontem aqui no Aventar e Público. Hoje noi.

 

 

Face Oculta – A Justiça a brincar aos taumaturgos

No Público o Prof. Manuel da Costa Andrade Professor de Direito Penal na Universidade de Coimbra

 

As escutas podem configurar, no contexto do processo para o qual foram autorizadas, decisivo e insuprível meio de prova.

 

A começar, uma escuta, autorizada por um juiz de instrução no respeito dos pressupostos materiais e procedimentais prescritos na lei, é, em definitivo e para todos os efeitos, uma escuta válida.Não há no céu- no céu talvez haja!- nem na terra, qualquer possibilidade jurídica de a converter em escuta inválida ou nula. Pode, naturalmente, ser mandada destruir,já que sobra sempre o poder dos factos ou o facto de os poderes poderem avançar à margem da lei ou contra a lei. Mas ela persistirá, irreversível e "irritantemente", válida!

 

Uma vez recebidas as certidões ou cópias, falece àquelas superiores autoridades judiciárias, e nomeadamente ao presidente do STJ, legitimidade e competência para questionar a validade de escutas que foram validamente concebidas. (bold meu)

 

Mas elas podem tambem configurar um poderoso e definitivo meio de defesa. Por isso é que, sem prejuízo de algumas situações aqui negligênciáveis, a lei impõe a sua conservação até ao trânsito em julgado. Nesta precisa medida e neste preciso campo, o domínio sobre as escutas pertence, por inteiro e em exclusivo, ao juiz de instrução do localizado processo de origem.

 

Um domínio que não é mínimamente posto em causa pelas vicissitudes que, em Lisboa, venham a ocorrer ao nível de processos, instaurados ou não, aos titulares de soberania. Não se imagina – horrible dictum – ver as autoridades superiores da organização judiciária a decretar a destruição de meios de prova que podem ser essenciais para a descoberta da verdade. Pior ainda se a destruição tiver tambem o efeito perverso de privar a defesa de decisivos meios de defesa.

 

Não podem decretar retrospectivamente a sua nulidade. O que lhes cabe é tão-só sindicar se elas sustentam ou reforçam a consistência da suspeita de um eventual crime do catálogo imputável a um titular de orgão de soberania.

 

O que não podem é decretar a nulidade das escutas: porque nem as escutas são nulas, nem eles são taumaturgos. O que, no limite e em definitivo, não podem é tomar decisões (sobre as escutas) que projectem os seus efeitos sobre o processo originário, sediado, por hipótese, em Posárgada, e sobre o qual não detêm competência

 

PS: o transcrito foi escolhido por mim e não esgota o artigo.

Coerência de Ministro…

Interpretação autêntica sobre a destruição das escutas…

 

 

Aventado em Do Portugal Profundo

 

José Sócrates será o Mário Soares de Pinto Monteiro

Há uns anos atrás,  o Procurador-Geral da República de então, Cunha Rodrigues, recusou ouvir Mário Soares, Presidente da República, a propósito do Fax de Macau, na investigação que estava a ser liderada por Rodrigues Maximiano. «Cunha Rodrigues, envolvido em conciliábulos com Soares em Belém, optou pela versão mínima: deixar de fora o Presidente e limitar o caso a apurar se o Governador de Macau, Carlos Melancia, recebera um suborno de 250 mil euros». (Joaquim Vieira, «Grande Reportagem», Set/Out 2005)

Os indícios criminais abundavam, mas Presidente é Presidente e o entendimento de Cunha Rodrigues era o de que «dar esse passo era abrir a Caixa de Pandora, implicando uma investigação ao financiamento dos partidos políticos, não só do PS mas também do PSD.»

Hoje em dia, o Procurador-Geral da República, Pinto Monteiro, tem o seu novo Mário Soares. Chama-se José Sócrates e é Primeiro-Ministro. O facto de um Magistrado de primeira instância considerar que há crimes contra o Estado na conduta do Primeiro-Ministro não é para ele relevante. Daí que mantenha o processo tanto tempo parado no seu gabinete, permitindo que Sócrates vença calmamente as eleições. Daí que não recorra da decisão do Supremo de anular e eliminar as escutas. Daí que se prepare para fazer o mesmo com as restantes certidões que já tem na sua posse. Primeiro-Ministro é Primeiro-Ministro e a função da Justiça não é perseguir os poderosos.

Exactamente ao contrário do que muitos dizem, parece-me que os Juizes e Magistrados de primeira instância são aqueles que mostram mais independência. Foram eles que prenderam Paulo Pedroso, que extrairam certidões sobre José Sócrates, que constituiram Armando Vara arguido. Quando a situação se torna complicada para eles, as instâncias superiores da Justiça são chamadas e tudo desaparece como que por magia. Anula-se. Arquiva-se. Nomeia-se Cândida Almeida, a grande amiga de Mário Soares e de Almeida Santos. E destrói-se. Tudo. Porque a função da Justiça não é perseguir os poderosos.

 

O humor muito nosso

Perante as situações dificeis, a tendência muito portuguesa é arranjar umas anedotas que sempre aliviam a pressão, dando azo a umas conversas laterais, e daí a falar de futebol e gajas é um saltinho.

 

– a dívida não é externa, é eterna!

 

– as inundações ocorrem porque o país se afunda!

 

– é proíbido roubar porque o governo não admite concorrência

 

– este governo é como o bikini, ninguem sabe como se segura mas todos querem que caia

 

– as p… ao governo porque com os seus filhos não vamos lá

 

– nem atrás nem por baixo, o governo c… em cima

 

Até as anedotas, velhas de séculos, são adaptadas:

 

"Esta senhora entrou no quarto com este senhor e depois despiram-se, meteram-se na cama…

E depois ? pergunta o marido

Depois nada, apagaram a luz

Vamos ficar para sempre com essa dúvida, finaliza o marido"

 

Isto quanto às escutas de Sócrates, todos sabem que há marosca, mas ninguem ouviu.

 

Enfim, do mal o menos, ninguem entra em depressão, ninguem acredita em ninguem, mas a gente diverte-se à brava!

 

Agora só falta aqui é cimento

Ao minuto e 20 segundos desta apresentação do documentário Pare, Escute e Olhe, acendem-se umas luzes sobre o perigo que representa para José Sócrates ser escutado quando pensa que não o está a ser. Não sou adepto do jornalismo dos microfones unidireccionais, das teleobjectivas que se escondem na longa distância, e menos ainda das escutas telefónicas como meio sistemático de prova, mas há casos em que se justificam. Este primeiro-ministro é um deles.

 

 

 

Mais um que nunca mais progride na carreira

Coitado do homem!

Um ministro com as gravações bem contadas

Augusto Santos Silva é um bocado desbocado, sabia-se, e vai ter agora de explicar como sabia o número exacto de cassetes (52) onde terão sido gravadas conversas do grande líder. O Sol online confirma uma suspeita que me ficou quando ontem o ouvi na SIC Notícias: tal número era desconhecido do público, ao contrário do que afirmou.

Tratando-se do actual ministro da Defesa ficam suposições no ar sobre a forma como obteve a informação, suposições óbvias e que nos fazem entrar no território do golpe de estado, uso dos serviços de informação para cobertura partidária, etc. etc.

Já agora, essa de as escutas serem gravadas em k7’s dá vontade de rir: a polícia portuguesa ainda anda no analógico? Não gravam em suporte digital porquê? Será que têm medo da pirataria informática?

Escutas ilegais, o tanas…

Diz o Juiz Rui Rangel, se o Primeiro Ministro é apanhado numa escuta telefónica legal, em que não é ele que está sob suspeita, e dessa escuta resultar índicios criminais, deve ser retirada uma certidão para efeitos de abertura de inquérito se um Juiz considerar relevantes esses índicios.

 

Se o objecto da escuta for o Primeiro Ministro, aí a escuta tem que ser autorizada por um Juiz do Supremo. É essa a letra e o espírito da Lei. Só se a escuta  tiver como objecto o PM, o PR ou o PAR, é que  é necessária a autorização (prévia) do Juiz do Supremo.

 

Não pode ser de outra maneira, pois se a PJ recolhe indicios de crime tem que os dar a conhecer a um magistrado para este avaliar do valor de tais índicios. A não ser assim, teríamos os mais altos dignatários do Estado a cometer crimes, a polícia a saber, ou melhor, o Magistério Público a saber, e o crime seguiria impune.

 

Por redução ao absurdo. Um dos três dignatários era apanhado numa escuta (a um amigo, como diz Sócrates) a preparar um golpe de Estado, com vista a terminar com a Democracia e a instaurar uma ditadura. Então o que se faria? Metia-se a cabeça debaixo da areia ? Deixava-se fazer o golpe de Estado ?

Outra coisa seria se alguem, a polícia, por  iniciativa própria, andasse a escutar aquelas personalidades porque desconfiava que estavam a preparar um golpe!

 

E dizer na AR que não conhecia o negócio PT/TVI, calar a voz incómoda e agora dizer que sabia "oficiosamente" e não "oficialmente" é uma grande treta!

 

 

O Blasfémias não quer perceber

As chamadas foram feitas pelo Vara para Sócrates e não o contrário.

 

O Inspector de Aveiro perante uma evidência de crime não deve tirar certidões, mas antes, (como diz Júdice) destruir as escutas.

 

As escutas de Cavaco Silva e a sua divulgação foram um serviço público prestado por dois jornalistas que transcreveram uma conversa privada de dois colegas.

 

Quando a certidão e a gravação chegaram ao PGR este não fez o que manda o bom senso.Destruí-las!

 

O Presidente do Tribunal de Justiça, mal recebeu as gravações do PGR deveria devolvê-las sem tomar conhecimento do seu conteúdo.

 

Como diz, Ricardo Costa, no Expresso, há conversas do primeiro ministro gravadas na mão não se sabe de quem e é preciso destruí-las.

 

Quando um amigo cumpre o dever de telefonar a um amigo é sempre para falar de assuntos que leva a polícia a mandar tirar certidões.

 

Não há escutas nenhumas nem nenhuma certidão, o que há são conversas que levaram a polícia a mandar emitir uma certidão ilegal.

 

Tirar certidões de escutas gravadas pela polícia, é prenúncio de crime para qualquer um, menos para José Sócrates!

 

Entendidos?

Certidões às Pinguinhas

.

A CONTA GOTAS

.

Como se fora um pagamento a pretações, as certidões importantes, vão chegando. Umas agora, outras daqui a dias, outras passado quase um mês.

Ninguém entende, mas, se pensarmos bem, até é fácil de explicar. Se observarmos atentamente quais são os intervenientes, chegamos lá.

Sócrates I, O Arrogante, foi ouvido a falar ao telemóvel, com o seu amigo Vara. Ele pensava que não, mas foi. Durante meses, consegui-se que as transcrições do que se ouviu, ficassem no segredo dos deuses. As eleições, vinham a caminho. Depois, Sócrates II, O Dialogador, ganhou-as. Já não era possível esconder por mais tempo, o que alguns sabiam, e a notícia veio a lume. As certidões do que se ouviu, tinham que ser apresentadas, mas as resistências que sempre existem nestes casos, continuaram a fazer o seu papel, e…. é o que se vê. Chegam às pinguinhas, a quem de direito.

Entretanto, uma tempestade se anuncia. As escutas estão provocar uma guerra no Parlamento. Segundo Ferreira Leite, o nosso Primeiro deve explicações ao País. Por outro lado, os defensores oficiais do chefe do governo, este não se sente obrigado a fazê-lo, já que se tratou de conversas privadas entre amigos. E ainda vão dizendo que a líder Social Democrata faz com essa exigência, baixa política.

A ideia de chamar ao que se está a passar, campanha negra, quer regressar, mas parece que desta vez não surtirá o efeito desejado. Não há ou haverá campanha negra para ninguém. A vitimização, que fez carreira no anterior governo, não deverá medrar neste.

O sr Pinto de Sousa, entretanto, respira de alívio, por breves momentos, porque se disse que o que se ouviu, não vale de nada. Foi ouvido sem autorização. Mas a opinião pública é que não se vai deixar levar por lorpa, desta vez. O não valer de nada, não iliba ninguém.

E imagine-se, até o Presidente está preocupado!

Também eu estou preocupado, e por essa razão pergunto:

– Se as conversas detectadas e gravadas fossem de outrem que não o nosso Primeiro, e o outro interlocutor fosse da mesma forma o sr Vara, teriam ido para o arquivo vertical (mais conhecido por lixo)?

Face a estas preocupações, e com um certo aproveitamento político ouvem-se por aí, nos cafés e esplanadas (apesar do frio vão conversar e fumar para lá), vozes anónimas e também das outras, a perguntar:

– Com mais este caso a juntar a todos os outros, será que o nosso Primeiro, deveria ser substituído?

– O partido que ganhou as eleições, deveria indigitar outra personagem?

E até há quem responda e diga que sim!

.

A ilegalidade das escutas não absolve Sócrates

A primeira decisão que José Sócrates deve tomar é exigir que as escutas sejam analizadas e delas se tirarem as devidas conclusões. Não me estou sequer a referir se têm ou não validade criminal, estou a dizer que um Primeiro Ministro não pode aceitar que o seu nome ande, permanentemente, sob suspeita.

 

A comunicação do Procurador Geral da República esconde mais do que mostra, seguida das palavras atabalhuadas do Presidente do Supremo Tribunal de Justiça, ficando no ar que as gravações há muito que andam na dança dos gabinetes.

 

Noronha diz que está sujeito ao segredo de justiça e que só o PGR poderá falar sobre o caso. Este enrola-se nas certidões primeiras, no conjunto de nove, mais não sei quantas e tudo morre como é habitual.

 

Após todos os processos, ou casos, ou campanhas negras em que Sócrates se vê envolvido há sempre gente de família, ou grandes amigos ou assessores que são arguídos .Quanto a Sócrates há sempre uma barreira que impede chegar  mais próximo dele, como se "a sucata" que os familiares e amigos fazem, fosse possível, sem essa condição.    

 

 Sócrates estar por perto e ser quem é!

 

 

 

 

 

,

 

 

As escutas acidentais

A questão jurídica não a discuto. A coisa política é muito simples: ou o primeiro-ministro solicita a divulgação das suas conversas com Armando Vara (eventualmente ressalvando aspectos de foro íntimo e pessoal), ou vai cavar o seu enterro político.

Se o fizer, mesmo que sejam transcritas inconveniências nos jornais, sai por cima.

Não o fazendo, enquanto o processo sucateiro durar ninguém se esquecerá que, se calhar, enfim, também, provavelmente, pode estar envolvido, é claro que está, corja de gatunos, etc., o que vale politicamente 2 fripóres. E assim ficará com 3, o que já é muita areia para qualquer carruagem.