Pelo NOSSO futuro, façam a VOSSA parte

Hoje abdiquei de um dia bem especial por uma causa maior. Aquela a que decido parte da vida há uns anos. Os Professores e a Escola Pública. Saíram as colocações.

Estive na Avenida dos Aliados no Porto para, em tempo real, mostrar ao país a vergonha que Passos Coelho, Paulo Portas e Nuno Crato trouxeram para as nossas escolas.

Sobre o desemprego provocado, por opção, subscrevo integralmente o António Nabais.Voltarei com uma reflexão pessoal mais tarde.

Por agora queria só partilhar a minha tristeza pela TUA ausência! Sim! A TUA que és Professor e que preferes o silêncio da tua casa, ou os likes no face, os comentários nos fóruns e nos blogues e que teimas em não perceber a importância da  rua!

Preferes bater nos sindicatos e em especial na FENPROF – hoje é um bom dia para me dizeres onde andam as outras amostras de sindicato- em vez de fazeres a tua parte.

Hoje é um daqueles dias! Eu faço a minha parte! Posso fazer mal, mas faço! Pode ser uma atitude ingénua e até pouco eficaz. Admito que sim, mas até prova em contrário não estou a ver outra melhor.

Qual foi a tua desculpa para hoje? Dentista? Compras? Micose?

Como costumo dizer, estou “efectivo à porta de casa“, a minha parte está feita, mas nem por isso perco uma (uma que seja!) oportunidade de lutar.

E tu? O que tens feito por ti? Acorda! 

Nota: desculpem lá a azia, mas o power volta na segunda-feira.

 

Professores – o dia mais longo

Nunca o dia 30 de agosto foi tão amargo. E se calhar até foi, mas a memória de professor é mesmo assim – esquece facilmente, tal a quantidade de incompetentes que nos têm transformado a vida num inferno, um ano atrás do outro.

Falta um dia para que meia dúzia de milhares de professores dos quadros saibam uma de duas coisas: em que escola vão trabalhar ou, caso continuem sem horário, que na próxima segunda-feira terão que se apresentar na escola onde estiveram este ano para fazer não se sabe muito bem o quê.

Para os candidatos a um contrato o problema é bem maior e muito pior. Incomparavelmente pior. Uma parte muito significativa vai ficar sem colocação – e quanto a isso, não me parece que escrever por antecipação seja um problema. Como gostaria de amanhã ser desmentido pela realidade.

Os outros, os poucos que conseguirem um lugar, vão vacilar entre o que têm em mãos e outras ofertas a que se candidataram. Ao contrário do que se diz por aí, é possível rescindir e optar por algo melhor.

Tudo isto em cima do acontecimento – o arranque do ano letivo.

De 6ª para 2ª, milhares de portugueses vão ter que fazer as malas, deixar a família e partir. Ainda não sabem se para o Norte ou para o Sul, para mais perto do mar ou de Espanha. Não sabem se vão conseguir alugar casa ou um simples quarto, nem tão pouco o que vão fazer, que turmas ou anos vão leccionar. Nada.

Falta um fim-de-semana para começar o ano lectivo e há mais de 100 mil almas que neste país não sabem o que vão, profissionalmente, fazer na 2ª feira. A Escola Pública merece mais e o país precisa de mais e melhor Escola Pública.

Faz todo o sentido não aceitar este tratamento em silêncio e por isso, na 6ªfeira, às 18h vou estar no Porto, na Praça da Liberdade.

Já saíram as listas de colocação de Professores, vamos para a rua

São conhecidas as listas de colocação dos docentes que concorreram aos Açores.

Mas esta será a mensagem sobre o concurso para o Continente que todos vão querer ouvir e ler nos próximos dias.

A data prevista é a próxima sexta-feira, 31 de agosto e são muitos os milhares de professores que não fazem, ainda, a mais pequena ideia do que vai ser a sua vida na próxima segunda-feira.

Se para uns a questão é saber em que escola vão trabalhar, que alunos e anos vão ter, para a maioria a questão é bem mais grave – há ou não emprego?

Por mais que se concentrem nas ofertas de escola que estão a decorrer, essa é também uma solução pouco interessante porque as vagas podem (e serão!) ocupadas por colegas dos quadros que ainda estão sem serviço atribuído. O que deveria ter acontecido era um bocadinho mais de dignidade do MEC – publicavam as listas de colocações no dia 31 e no dia 3 abriam as vagas, em oferta de escola, que realmente o são.

É que quase todo o trabalho (imenso!!!) que estão a ter agora será simplesmente para nada.

Até por isso e porque 6ªfeira vai ser um dia bem especial penso que fará sentido que todos os professores se juntem, na rua,  ao fim da tarde. É o momento de mostrar ao país o que nos vai na alma!

Vais?

Crato inclinou-se tanto que abriu um buraco

São quase três da manhã e a plataforma continua em baixo. Os Professores continuam a não poder concorrer.

É perfeitamente estúpido que o Mestre da exigência se preste a este papel. Não há adiamento que resista a tanta incompetência.

E reparem, não se trata de estar ou não estar de acordo com as políticas: para lutar pela Escola Pública, fomos, no Porto, outra vez para a rua!

Não é essa a questão.

O ponto é mesmo a incompetência desta gente em gerir uma coisa tão simples como um concurso de professores. Nos anos 80, quando eram em papel, tudo era possível. Agora com computadores e fibra óptica e sei lá mais o quê, não conseguem? Ou são incompetentes ou querem acabar com os concursos nacionais?

Será que sobre isto, a FNE terá algo a dizer? É que à hora em que uns estavam nas ruas do Porto a lutar pela escola pública, outros estavam a Despachar serviço no gabinete do Ministro.

Nota de rodapé: passaram 11 minutos e a plataforma continua como o Crato! Um zero!

 

 

Nuno Crato, o ministro da desunião

Tendo em conta o passado próximo, as desconfianças enunciadas pelo Paulo Guinote fazem sentido. No entanto, a atitude hoje assumida por várias entidades, exigindo ser recebidas em conjunto, teve o condão de obrigar Nuno Crato a definir-se.

Em primeiro lugar, mostrou-se manhoso, um político a sério, no sentido maquiavélico do termo, ansioso por conseguir dividir os adversários, lançando-os uns contra os outros. Depois, fez uma declaração que, parecendo explicar a sua atitude, serviu, na realidade, para manifestar o desejo de desunião: “Uma coisa são problemas salariais e falamos com os sindicatos; outra são as preocupações dos pais, e falamos com os pais; outra são as dos directores, como é o caso da organização de trabalho das escolas.”

A verdade é que, do ponto de vista de quem se preocupa com Educação, todas estas questões têm de interessar a todos. Um pai consciente deseja professores justamente remunerados; todos os professores e directores deverão ser sensíveis às preocupações dos pais; a organização de trabalho das escolas não diz respeito apenas aos dirigentes escolares, como é evidente. Note-se, entretanto, a armadilha insidiosamente estendida aos sindicatos e aos professores, reduzidos a uma gente materialista, preocupada, apenas, com o dinheirinho.

Nuno Crato definiu-se. É chegado o momento de todas as entidades e todas as pessoas ligadas à Educação fazerem o mesmo e, a propósito, não é demais lembrar que as manifestações e as vigílias são importantes, mas não são suficientes. Por isso, em minha própria representação, estarei, amanhã, às 17h, em frente à DREN.

Adenda: eu escrevi “amanhã, às 17, em frente à DREN”? Não é amanhã, é hoje. Até logo.

Vamos continuar a apertar porque está a resultar

Que ninguém tenha dúvidas, porque a realidade está aí para o mostrar: o Governo em geral e o Nuno Crato em particular já perceberam que o Monstro está a acordar.

Os Professores estão a começar a levantar-se – foi a Manif da semana passada, as vigílias desta semana, serão as concentrações regionais da próxima semana e tudo o que for preciso, porque está a resultar.

Durante meses, o homem desapareceu. Ninguém o via!

Numa semana apareceu mais do que o animal atrás do Pinto da Costa. Após a Manifestação de Lisboa, ainda tentou continuar escondido, mas em cima da marcação das Vigílias fez uma conferência de imprensa e divulgou um comunicado.

É também por isto que não entendo o Paulo, que continua a ter um Umbigo do tamanho do mundo: se é dos sindicatos é porque é do PCP, se é dos professores é porque é do bloco. Posso deixar um desafio – será que queres sugerir alguma forma de luta? O que fazer a seguir? [Read more…]

Para que servem os professores? Para o presente do país!

Andei uns dias com a pergunta na cabeça: “Para que servem os professores?

Fui pensando que, de facto, os Professores, enquanto classe são algo muito diverso que, na sua maioria, levam a sua prática profissional centrada em dois eixos:

– o trabalho com os alunos, na maioria dos casos, excelente, de grande empenho e de muita entrega;

– uma visão individualista da profissão, quer enquanto agente diário de mudança social, quer enquanto autor permanente de mudanças para o futuro.

A maior estrutura coletiva de professores, a FENPROF, tem, desde sempre, exigido ser um parceiro ativo nas questões educativas, mesmo que fora da  esfera profissional, mas os professores nunca se sentiram verdadeiramente envolvidos nessa dimensão. Penso, pois, que aqui está parte da resposta à questão colocada: os professores estão disponíveis (estiveram!) para sair à rua contra a sua avaliação, mas não se conseguem mobilizar para lutar por uma coisa tão “simples” como a ESCOLA PÚBLICA! [Read more…]

Concursos de Professores: depois do acordo há novidades

Sou só eu que acho isto uma anedota ou… Então o MEC assina um acordo com alguns sindicatos e agora, na negociação extraordinária com a FENPROF, aceita introduzir alterações ao que tinha acordado com os sindicatos mais pequenos?!!!

Professores e sindicatos: pistas para reflexão

O papel dos sindicatos, goste-se ou não, está, em relação ao poder, do outro lado da folha. Já aqui escrevemos sobre o papel destinado aos sindicatos que assinaram o acordo com o MEC – com comportamentos destes é absolutamente natural que os professores, quando se sindicalizam, escolham maioritariamente a FENPROF. Goste-se ou não, é o único sindicato de professores (para simplificar, porque a FENPROF é uma federação de sindicatos regionais).

Agora, as reflexões que têm vindo a ser feitas nos últimos tempos sobre o comportamento da FENPROF fazem algum sentido, nomeadamente porque permitem questionar a própria classe.

Duas ou três ideias para lançar a reflexão:

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Professores e sindicatos, blogues e movimentos: representatividade

O movimento sindical docente tem características muito interessantes que poderiam merecer uma atenção mais detalhada dos investigadores destas coisas. Os Professores (incluindo aqui os educadores) são cerca de 150 mil, só na função pública, havendo mais uns milhares na parte privada do sistema.

No Educar, Paulo Guinote interroga-se sobre esta temática, fazendo-o a dois tempos. Vamos ao debate, procurando equacionar a primeira parte da discussão:

“Afinal quem representam ou pretendem representar os sindicatos de professores?” [Read more…]

Concurso de Professores: Efectivos e contratados, resultados diferentes

O tempo vai passando e a troca de argumentos continua, mas a questão central é a mesma: o acordo assinado entre alguns sindicatos, pouco representativos e o MEC é um bom acordo?

Depois de ter feito uma análise ponto a ponto, é hora de ver o documento de forma mais ampla.

Para os docentes do quadro, o acordo é quase inócuo. Clarifica a questão dos horários zero e isso é muito positivo. Tudo o resto é pouco ou nada importante.

Para os professores contratados o documento é muito mau!

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Análise ao acordo entre o MEC e alguns sindicatos

Depois do acordo entre o MEC e alguns sindicatos, este é o momento de analisar o que foi assinando, comparando o acordo com a legislação hoje existente. Será falta de honestidade argumentar que entre a primeira proposta do MEC e esta última há muitas coisas melhores. Pois, mas essa todos perceberam que era, a primeira, apenas um isco.

Vamos lá então analisar o que está assinado:

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Concursos de Professores e o acordo em tons laranja

Foi assinado um acordo entre o MEC e alguns sindicatos.

Vamos começar por colocar as cartas todas na mesa. Há lugares comuns que atiram a CGTP e a FENPROF, de Mário Nogueira, para a esfera comunista. Todos o dizem e alguns o escrevem.

Até se diz que a FENPROF nunca assina qualquer tipo de acordo e que nunca tem propostas.

Na mesma linha de argumentação, parece-nos que faz todo o sentido colocar algumas organizações no lado partidário (sim, partidário!) a que pertencem. A que partido pertencem os dirigentes sindicais que assinaram com o MEC? Porque ninguém o diz, nem ninguém o escreve? É pecado ser comunista, mas não é pecado ser militante do PSD?

Tal como escrevemos no Aventar, há muito se sabiam duas coisas: a FENPROF não assinaria e a FNE assinaria sempre. Os outros não contam porque não representam, de facto, ninguém.

Para a FNE, as diferenças entre a proposta inicial do MEC e aquilo que foi assinado, justificam o sinal de vitória.

Para a FENPROF, as contas são feitas de outro modo – entre a legislação que existe e a que aí vem, que vantagens há para os professores?

Quem souber responder…

Concursos de Professores – há acordo (de alguns) com o MEC

O MEC e alguns sindicatos chegaram a acordo para regulamentar os concursos de Professores. Tal como ontem se previa no Aventar, tudo seguiu a lógica. A FNE assina.  A FENPROF não.

Da parte de uns, os que assinaram, a proposta vem de encontro aos interesses dos seus associados.

Para os que não assinaram, nomeadamente a FENPROF, a questão por agora, coloca-se na necessidade de ir ouvir o que pensa o seu Conselho Nacional sobre a última proposta do MEC. Logo que possível faremos  uma análise à última proposta do MEC.

Concursos de professores- a reunião decorre e…terminou

Ao que tudo indica a FNE vai assinar.

A FENPROF não assina. A FENPROF saiu do MEC  – não há acordo entre a maior federação de professores e o MEC. Confirma-se o palpite anterir: a FENPROF não assina.

Os outros? Parece que ficaram lá dentro…

Antecipar o futuro: MEC e sindicatos não chegam a acordo sobre concursos

É só uma questão de tempo, mas algures ali para o meio do mês de Março vamos ter uma notícia deste tipo. E isto vai acontecer por duas razões:

– a proposta tem elementos que são inaceitáveis do ponto de vista dos professores;

– os sindicatos não podem assinar, nos dias que correm nada com o governo.

No que diz respeito a este último ponto, a  FENPROF com a GREVE GERAL marcada para 22 de Março tem que encontrar elementos que ajudem a levar os professores para a GREVE, logo qualquer que fosse a proposta, estaria sempre presente um não.

Do lado da FNE a situação é muito mais delicada – os seus dirigentes são, em boa medida, militantes do PSD e a proximidade com o Governo é por isso muito maior. Com o acordo infeliz entre a UGT, o Governo e os patrões, os dirigentes não podem dar outro passo em falso.

Agora, quanto à proposta em concreto, [Read more…]

Concursos – reuniões do MEC com FNE e FENPROF: novidade má

Durante o dia de hoje o MEC recebeu os representantes dos docentes para negociar as alterações à legislação de concursos.

As duas federações revelaram que é intenção do governo apresentar uma nova proposta que irá integrar algumas das propostas apresentadas.

A FNE (UGT), tal com a FENPROF (CGTP), exigem a antecipação para 2012 do concurso previsto para 2013 e colocaram em cima da mesa as questões já antes destacadas.

A possibilidade dos docentes das escolas privadas com contrato de associação foi até alvo de comentário do “Tudólogo de Domingo.

Da reunião no MEC resulta um esclarecimento que coloca em cima da mesa uma situação completamente absurda: [Read more…]

Concursos de professores Olímpicos: escolas privadas nos concursos públicos

Os concursos de Professores, como antes escrevi, são um acontecimento mediático ao nível de uns Jogos Olímpicos: são de quatro em quatro anos e o fundamental é participar.

Só consigo registar uma diferença: os Jogos Olímpicos são em ano bissexto e os concursos de professores, nem por isso.

Seguindo a natural esquizofrenia que alimenta a mente dos nossos políticos, qualquer equipa que tome conta do Ministério da Educação tem que mexer na legislação de concursos. E esta é a primeira nota a salientar – torna-se impossível gerir uma carreira nestas condições, em permanente mudança.

Na proposta que agora foi apresentada pelo MEC há duas questões que estão a monopolizar a discussão:

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Autonomia e gestão das escolas: é como o Pai Natal!

O Ministério da Educação e Ciência apresentou há uns dias um documento de princípios sobre a gestão das Escolas. E na última semana entregou aos sindicatos uma proposta de Lei para alterar o Regime de Autonomia e Gestão das Escolas.

Vamos então ao debate!

Manuela Mendonça, FENPROF

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Caiu do céu…

Aos trambolhões.

Depois do tsunami docente que inundou as ruas da capital vezes sem conta, houve pela blogosfera quem procurasse tornar o mundo bi! De um lado, os bons. Do outro, os maus! De um lado, os puros, os que não se vendem. Do outro os sindicalistas, os sindicatos e em especial a FENPROF.

O Umbigo (Paulo Guinote) e o Profblog (Ramiro Marques) são disso o melhor exemplo com um anti-sindicalismo quase primário que tira, quase sempre, algum rigor na análise.

Subscrevo muitas das opiniões sobre os erros do movimento sindical e, em particular, da “minha FENPROF”, mas a militância com que batem em tudo o que mexe, desde que venha da FENPROF, até chateia.

No caso em apreço não deixa de ser extraordinário a forma como ignoram (por aqui também, nada!) um elemento central: foi a pressão da FENPROF que levou a esta conclusão!

Tal como são os primeiros a atirar pedras, talvez ficasse bem, de quando em vez, tirar os óculos, escuros ou laranja ou…

A Fenprof paga a traidores?

Mário Nogueira é presidente do meu sindicato e da Fenprof. Nunca com o meu voto, pela simples razão de ter por princípio não votar em listas únicas, seja onde for, assim não fosse e nos 20 e tal anos de sindicalizado logo se teria visto. Temos as nossas divergências, tem os seus defeitos mas também qualidades muitas vezes obscurecidas pela espuma da propaganda dos governos e dos preconceitos sobre os militantes do PCP.

Nunca imaginei que esta fotografia oficial fosse sonhada pelo pior dos seus adversários, sobretudo porque tirada em plena campanha eleitoral.

Constato que uma das qualidades que lhe reconhecia, intuição, faro, traquejo, chamem-lhe o que quiserem, político, desapareceu. Não tenho dúvidas de que vai pagar por isto mais dentro do seu partido que fora dele.

Prefiro ler este acontecimento como mais uma demonstração da velha máxima: a profissionalização dos sindicalistas mata o sindicalismo, e pelos vistos os próprios sindicalistas.

Quanto ao Sindicato dos Professores da Madeira ou explica muito bem explicadinho onde arranjou tanto euro para a sua fantástica sede, ou deve ser imediatamente corrido da Fenprof. Assim seria, não fosse ser-se sindicalista uma profissão em Portugal.

Sindicalismo, tecnologia e idas à escola

Com toda a consideração que tenho pelo Luís Lobo, dirigente do meu sindicato e rapaz da minha criação, esta sua afirmação ao Público:

“Não trabalhamos por email ou por blogue, vamos, pessoalmente, escola a escola, alertar os professores, é um trabalho que dá frutos, mas não de um momento para o outro”

obriga-me a perguntar se entende por ir à  escola afirmar numa reunião sindical que o actual processo de liberalização selvagem resulta da queda da União Soviética, acrescentado com requintes de crueldade que as social-democracias nórdicas apenas existiam porque o sol na terra estava ali ao lado. Aconteceu na minha escola, no 1º período.

Pesem as nossas divergências ideológicas sei que o Luís não confunde uma sessão de esclarecimento do PCP com uma reunião sindical. Além disso repito o que já escreveu o Paulo Guinote: nós estamos nas escolas, vocês vêm cá reunir, e descobrir realidades que desconhecem. Tivesse o SPRC aceite a proposta feita há muitos anos de limite de mandatos dos dirigentes sindicais, ou seguissem estes a prática exemplar de alguns colegas, que se recusam a ficar no sindicato a tempo inteiro, e as coisas seriam mais fáceis.

Quanto ao mail, deixa cá ver quantos anos demorou o SPRC a descobrir que podia mandar mails aos sindicalizados, mais barato e eficaz que o jornal em papel, e já agora aproveito para contar que no dia 13/04/08 enviei um mail ao webmaster da Fenprof solicitando a implementação de um feed na página, o google reader facilita, que me respondeu “Feed RSS é coisa que está planeada, e que será implementada logo que possível.”

Azar, até hoje ainda não foi possível. Isso e deixar de usar software da Micro$oft.

Santana Castilho – Resposta a Mário Nogueira

Mário Nogueira assinou um artigo no “Público”, a que deu o título “Esta Fenprof incomoda que se farta!” Dir-se-ia refém de uma qualquer peça de Ionesco, tantos são os absurdos em que se enleia, ou convertido á Patafísica, “ciência” de soluções imaginárias. Mário Nogueira espadeira contra indeterminados, que não tem coragem de citar. Aderente ao axioma “quem não está connosco está contra nós”, Mário Nogueira convive mal com esse espaço de liberdade que designa por “blogues da especialidade”. Mas destaca-me do naipe, que apoda de adversários da Fenprof e arautos de falsidades. A deferência merece resposta:

1. O meu último artigo, que Mário Nogueira refere como exemplo dos ataques à Fenprof e paradigma de falsidades, tem três vertentes claras para quem não seja analfabeto funcional: resenha diacrónica de escritos meus, cuja substância foi confirmada por desenvolvimentos posteriores; opinião, em que sou acompanhado por milhares de professores, divergente da linha oficial da Fenprof, mas que só a escola burlesca de TariK Aziz poderia ignorar; e perguntas. Perguntas difíceis de tragar por goelas apenas oleadas para dar passagem a elefantes e sapos vermelhos, partidariamente cozinhados. [Read more…]

Santana Castilho – O estado do país e do ensino

1. Ouvi recentemente Jorge Sampaio apelar e defender uma tese recorrente no discurso de políticos informados e sensatos. Segundo eles e a respectiva tese, em momentos críticos temos que nos concentrar no “essencial”. Este é o vocábulo assassino: “essencial”. No caso em apreço, tratar-se-ia de responder com vigor “à especulação financeira”, que assestou baterias contra a frágil economia portuguesa. No mesmo sentido, sucederam-se comentários e declarações, de plurais procedências, invocativas da “compreensão” e do “bom senso”dos partidos políticos, dos cidadãos e das organizações sindicais. O poder branqueador do que se sugere ser “essencial” (num ambiente carregado de dramatismo como é um cenário de bancarrota) propõe às vítimas de anos longos de erros e tropelias que se aliem incondicionalmente aos respectivos responsáveis porque, “agora”, é “essencial” salvar o povo da bancarrota. É pobre como desígnio nacional. É triste que em 36 anos ainda não tenhamos saído daqui.

2. Li no site oficial da FENPROF:

“… Só por ignorância ou má fé alguém pode afirmar que os sindicatos e, em particular, a FENPROF, não têm feito tudo o que está ao seu alcance para impedir que a avaliação de desempenho seja considerada para efeitos de concurso.

… Na história da democracia portuguesa … têm sido muitos os momentos em que as organizações que lutam pelo futuro e pelos direitos dos cidadãos sofrem os mais variados ataques movidos por pessoas e entidades instrumentalizadas pelo poder político e pelos interesses estabelecidos”. [Read more…]

Concursos de Professores e avaliação

Admito e por isso evito.
Admito que está tudo farto de ouvir falar de professores.
Evito falar para não tornar ainda mais presente o ódio latente em algumas almas.

Há umas semanas, por alturas da abertura do concurso de Professores vim aqui procurar explicar o erro que o ME tinha cometido – afirmei, por querer ser rigoroso, que a questão era técnica.
Essa, tarde e a más horas, mas está resolvida.

A FENPROF, organização a cuja Direcção não pertenço desde o último Congresso, procurou desde o primeiro dia usar o argumento acima referido, mas tendo em mente um objectivo maior: impedir que a avaliação tivesse efeitos na graduação para concurso.

E se a táctica se percebe, o resultado é mais uma vez um desastre: a avaliação vai mesmo contar.
Memorando, luta pela não candidatura ao conselho geral, luta para não entregar objectivos, acordo e agora isto…
Sou dos poucos, pelos vistos, que pensa ter havido uma sucessão de erros na condução destas estratégias. Não sei se havia alternativas – mas, por aqui não iria certamente…
Uma classe que luta com 150 mil trabalhadores tem o dever de conseguir mais e melhor.

Os concursos de Professores

Portugal deve ser o único país do mundo onde os concursos de professores são notícia. Em Inglaterra não aparecem nos jornais porque não há concurso. No Burkina não há concursos porque não há professores, logo não há notícias.
E, caro leitor, quem vos escreve é um professor que fica sempre surpreendido com tanto destaque para uma coisa que interessa apenas aos próprios.
Vejamos.

O sistema educativo português tem a contrato (entre efectivos e contratados e …) cerca de 150 mil docentes. Creio que ninguém conhece os números com rigor. Parece que não é só contar…
Destes haverá cerca de 100 a 110 mil nos quadros – em linguagem comum, efectivos.
Há um número mais ou menos estável há cerca de 10 anos de 40 mil docentes a contrato.
Os concursos agora em causa, em sentido lato, aplicam-se a estes.

Então, qual é o problema?
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Congresso da FENPROF: unidade e unicidade

Nos últimos dias a tradicional romaria da comunicação social em torno do Congresso do PSD levou-os a procurar um caso: há muitas listas e isso é a prova de que não há unidade em torno do líder.
Parece-me um absurdo que se fale no assunto, como se fosse negativo haver um grupo de pessoas (creio que 25) que se decidem juntar para concorrer a algo. Então isso não é Democracia? Parece-me que sim.


Pois bem, nos dias 23 e 24 de Abril a FENPROF vai realizar mais um Congresso, desta vez o décimo.
E, se todos se recordam, há 3 anos houve duas listas.
Agora, ao que sei, há uma!
Eu, que nunca fui muito fã das unidades faz de conta, deixo apenas a minha tristeza pelo processo.
Voltarei!

Violência e indisciplina na escola

Neste fim-de-semana TODOS falaram porque Mário Nogueira e o Conselho Nacional da FENPROF aparecem, obviamente, como a VOZ dos Professores. É apenas a demonstração da importância que TEMOS na sociedade Portuguesa.
A FENPROF sugere que a prevenção deve ser prioritária em relação à punição: acredito, desculpem-me camaradas, que Jacques de la Palice não diria melhor.
Mas, a FENPROF disse mais:
– as condições, nomeadamente ao nível dos recursos humanos tem que ser objecto de um projecto tipo, “Parque Escolar”, porque não são as paredes, nem os computadores que criam boas escolas. A presença de equipas multidisciplinares (psicólogos, educadores sociais, animadores, assistentes sociais, terapeutas) é urgente e o aumento do número de funcionários auxiliares é igualmente prioritária.
– a carga burocrática, absolutamente desnecessária e que nada acrescenta ao acto educativo tem que terminar: o horário dos PROFESSORES TEM que ser usado para aquilo que é a sua função, dar e preparar aulas, trabalhar com os alunos; não somos burocratas, nem técnicos oficiais de contas.
– “conferir ao professor, a exemplo do que acontece já em algumas comunidades espanholas, o estatuto de autoridade pública e a figura jurídica da presunção da verdade;”
E esta última referência tem merecido comentários ao longo do dia, quer por parte da Srª Ministra, quer por parte do Presidente de alguns pais.
A Srª Ministra, no seu habitual registo, “não sei de nada, só vim aqui ver a bola” diz que a proposta da FENPROF é uma possibilidade.
O sr. que não refiro o nome para não sujar o Aventar deseja que as faltas continuem a ser todas iguais, sejam elas justificadas ou injustificadas.
Sem margem para dúvidas: 99% dos problemas de indisciplina nas escolas são CULPA (com as letras todas) dos PAIS dos meninos. Eu, como Pai de dois alunos da Escola Pública, exijo que 99% dos alunos da “minha” escola não se percam por causa de alguns pais que não cumprem o seu papel.
Por mim, Pais de alunos violentos devem ter sanções financeiras.

Ser Anti é proibido?

Aqui há tempos a propósito das minhas dúvidas sobre o trabalho da FENPROF nos últimos anos, era “apontado” como radical. Hoje vimos o sr. da TAP a dizer que as Greves são coisas do Século passado. Nesta área como na bola, parece que ser moderno é dizer que sim e alinhar sempre numa linha de discursos simpáticos, independentemente do que REALMENTE se pensa.
Nas caixas de comentários do Aventar tenho sido de forma, mais ou menos directa, de ser anti-portista. E, isso, é visto quase como se fosse um crime.
Eu, sinceramente, acho que não é crime e é um direito que eu tenho, assumido como qualquer outro – as derrotas do Sporting, do Porto e, agora do Braga, são coisas que desejo. Quer seja nas nossas competições, quer seja ao nível internacional – se depender de mim, perdem SEMPRE e é com as derrotas do Sporting e do Porto que me sinto bem, quase tanto como com as vitórias do BENFICA!
Mas, há algum drama nisto?
Não me parece. Ou ser anti alguma coisa agora é proibido?

Mário Nogueira dá as respostas a TODAS as perguntas

Numa entrevista exclusiva ao Topo da Carreira Mário Nogueira responde a tudo sobre o acordo com o ME – é uma entrevista de Leitura Obrigatória!
E no site da FENPROF podemos ter acesso a alguns quadros que também são interessantes para perceber o que está no acordo.