Estão numa reunião, à porta fechada, a discutir o futuro da Internet. Mais informação aqui (em inglês).
Nada é o que parece
É um domingo cinzento, de chuva miudinha, um dia frio, chato, um tempo tinhoso, que raio de ideia vir de passeio. Abrigada sob as colunas da praça vai-se fazendo a feira de coleccionismo das manhãs de domingo. Compram-se e vendem-se moedas, selos, fotos de louras em topless, estampas dos três pastorinhos e da virgem de Fátima. Um septuagenário aguerrido regateia o preço de um DVD com a Sofia Loren na capa. Um míope muito míope examina os selos amarelados que lhe tentam impingir.
Os três velhotes, em pose conspiratória, falam baixinho e não mostram grande interesse pela feira. Podem ser reformados a discutir a situação política e social. É provável que falem de futebol e critiquem as opções do treinador. Podem trocar queixas sobre o custo de vida e os cortes nas pensões. São baixinhos, todos vestidos de subtis gradações de cinzento, dois com óculos, o terceiro de boné. Falam baixinho, sim, mas com entusiasmo, e ao passar escuto:
– Tu o que tens que fazer é criar um nick, que é um nome que tu inventas para a gaja não saber quem tu és. E depois dizes o que te apetecer: que és alto, louro, rico, e que a tens grande.
Riem todos à socapa, como miúdos a preparar a maior partida de sempre.
Congratulo-me por saber que os info-excluídos estão em vias de extinção.
A Internet entrou na nossa vida
Na revista 2 do PÚBLICO de hoje, um artigo sobre como a Internet entrou na nossa vida e como poderá ser daqui a dez anos: a Internet tornou-se num “meio privilegiado de troca de mensagens, partilha pública da vida privada, meio de organização colectiva, instrumento de ajuda à democracia e às ditaduras. Daqui a outros dez anos, ninguém arrisca dizer como será um meio que todos os anos se transforma de forma avassaladora.”
Uma das constatações de especialistas entrevistados pelo PÚBLICO, é que “perdemos a capacidade de afastar as distracções e de sermos pensadores atentos, de nos concentrarmos no nosso raciocínio” ou, dito de outra forma, “está a fazer-nos perder a capacidade de concentração e a tornar-nos menos reflexivos”.
Usamos a Internet para trocar mensagens e para namorar, repara a jornalista em conclusão.
Não é perda de tempo pensarmos nas vantagens e desvantagens da Internet. Eu, por mim, vejo mais prós que contras. A Internet permite, só para dar um exemplo, esta troca de ideias concordantes e discordantes entre os leitores e os autores dos artigos no Aventar. Entre gente que não se conhece pessoalmente mas que, há medida que o tempo passa, ganha o título de «familiar». Sem nos conhecermos, escrevemos «caro»; «cara»; «abraço». Por que fazemos isto?
Os leitores poderão ajudar nesta reflexão!
Uma discussão interessante
Será indicado professores e alunos serem amigos na Internet?
Embora baralhada pelos graus de ensino.
O verniz está a estalar
A censura na Net
Não é apenas a versão soft apresentada pelo Público: Estados europeus sugerem botão para denunciar conteúdos terroristas na Internet.
Vai muito para além disso. O Público, em vez de citar o El País, podia ter lido o documento (PDF)…
Clean IT – ou Limpar a Internet
A Internet como a conhece está em perigo de desaparecer.
As empresas de publicidade, perseguindo o seu desejo normal de terem cada vez melhores resultados, querem a todo o custo eliminar a navegação anónima na Internet. Ainda ontem se descobriu que o facebook anda a pedir aos utilizadores que denunciem “amigos” que não usem o seu nome real na rede. É bem conhecida a política em relação a nomes adoptada pela Google. Isto para já não falar nos serviços que, graciosamente, se oferecem para guardar toda a nossa informação pessoal (mais uma vez os piores são a Google, a Apple com o iCloud, etc).

Bufo 2.0: como delatar na Internet (roubado daqui)
Sem notícias
Mais uma ideia maluca, à Céu Mota. E se, de um dia para o outro, optar por não ouvir, ler ou querer saber o que se passa no meu país e no mundo? Não comprar o jornal, mudar de emissora de rádio quando viajo de carro, não ver as notícias na TV, etc.?
Nas férias não é difícil, mas prolongar essa escolha para o resto do ano?
Será alienação? Indiferença? Como será viver sem tanta informação?
Por todos os lados ela nos chega. Tanta, que ficamos imobilizados… sem saber para onde nos virar, sem conseguir filtrar e assimilar. Ficamos loucos. Não agimos.
Provavelmente, escreveria menos no Aventar…
Não há como experimentar!
Quem é ZON está onde?
O Expresso conta hoje mais um episódio da saga Ongoing/espionagem privada. Uma irmã de Nuno Vasconcellos terá visto devassada a sua conta bancária. Pode acontecer a qualquer um de nós, participa-se à Judiciária. Mas neste caso faz-se queixa ao irmão, que chama um empregado que descobre o IP suspeito de tal ataque e move as suas influências para obter junto da ZON a sua identificação, aparentemente através de um “espião” do SIED.
Isto é de uma enorme gravidade: chama-se fazer justiça com as próprias patas, é completamente ilegal e uma porta aberta para qualquer um destes crápulas devassar a vida online de qualquer cliente da ZON (onde me incluo) ou provavelmente de qualquer outra empresa do ramo.
O Ministério Público lavou as mãos do caso (só merece vir um destes dias a descobrir que está a sofrer a mesma devassa).
Estamos a viver no faroeste, e não nos tinham dito nada.
Hoje dá na net: How governments have tried to block Tor
Na 28º Chaos Communication Congress que se realizou em Berlin, no fim do ano passado, assistiu-se a esta interessante apresentação sobre a técnicas que os vários governos do mundo adoptaram para censurar a Internet, tentando bloquear especificamente a ferramenta Tor que permite navegar anonimamente na Internet. Se quiser aprender a usar a ferramenta Tor pode ver como, aqui.
Em inglês, sem legendas.
Abrir o google
Hoje vale literalmente a pena abrir o Google.
O Google Doodle de hoje é uma homenagem a Gideon Sundback, inventor do fecho-ecler.
Judite recordas-me a outra…
No passado dia 8 de Março, logo às primeiras horas da manhã, fui acordado por quatro simpáticos e anónimos inspetores da PJ – só um se dignou identificar-se.
(…)Enquanto me “arrumavam” a casa – tudo no estilo “Feng-Shui” – fui questionado sem nunca conhecer os motivos que se escondiam por detrás de tão agradável e matutina visita (nota: para a próxima, sff, tragam-me o café e os jornais da manhã, obrigado).
Rui Cruz, activista do Tugaleaks e de outras causas, contituído arguido, ainda não sabemos porquê, mas pode ler o que o Rui por enquanto pode contar.
* de uma cantiga do Fausto
O Google é mulher
Uma amiga minha, que se distingue por ser cidadã de invulgar cultura e de espírito muito acutilante, enviou-me este pensamento sobre o sexo do Google:
Cheguei à conclusão de que o Google é mulher.
Ainda não terminámos a frase e já está a dar palpites…
Não resisti à tentação de divulgar a frase, presumindo embora que a mesma ainda não é, mas certamente em breve será lida por tudo o que são mensagens de correio electrónico.
A despeito de pretensioso feminismo, a minha amiga defende com solidez a superior sagacidade da mulher, com base na evidência de que os interlocutores/homens ainda têm o pensamento desfasado em relação ao “timing” que gostariam de ter. E dá um exemplo eloquente: o ministro Vítor Gaspar. Li e fiquei sem argumentos.
Site do PSD novamente atacado
O Site do PSD – Lisboa foi novamente atacado – podemos ler a frase ” A verdade é uma merda” e ver um vídeo de Nel Monteiro.
Como remover o seu histórico da Web (versão Google)
![Web By tom burke from Morgan Hill, CA, USA (Flickr) [CC-BY-2.0 (www.creativecommons.org/licenses/by/2.0)], via Wikimedia Commons](https://i0.wp.com/aventadores.wpcomstaging.com/wp-content/uploads/2012/02/web.jpg?resize=300%2C225)
Estou-me a referir à funcionalidade que a Google oferece, onde guarda de forma automática o seu histórico de navegação, as buscas que efectuou e ainda mais dados. Esta funcionalidade até ao dia 1 de Março é estanque em relação aos outros produtos oferecidos pela Google aos seus utilizadores.
No entanto, a partir de 1 de Março os outros produtos da Google vão ter acesso a este tesouro de informação (não só à informação gerada a partir desse dia em diante, mas a todo o histórico). Esta é informação muito sensível, se tem o serviço activo pode lá encontrar indícios acerca da sua orientação sexual, preferências políticas, religião que professa, produtos que compra e em que lojas, viagens que realizou, problemas de saúde, etc. Em suma, a maior parte da sua vida on-line pode lá estar espelhada, para a maior parte das pessoas, será 100% da vida on-line.
Imagine o quanto não vale esta informação para os clientes da Google. Se tiver, por exemplo, algum tipo de doença e estiver fragilizado. E, de repente, começar a receber anúncios de curas milagrosas para a sua doença. É normal que tente a cura. É o que toda a gente faria. Não pense que este é um caso hipotético, é o que já acontece hoje em dia.
A seguir ao corte mostro como eliminar esta informação.
Redes sociais
Foi com curiosidade que acompanhei nas redes sociais a divulgação do concurso que organizámos . Na imagem seguinte apresentam-se os números de partilhas na página do concurso à data presente.
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7000 partilhas no Facebook, 415 no Tweeter e 10 no Google+. Numa página que, num mês, acumulou mais de 130 mil visitas, a rede do Google foi apenas usada dez vezes para partilhar a página. Ou o contador da Google contem um erro crasso, ou a sua rede social está a ser um enorme fiasco. Outra leitura, claro, é que os utilizadores do Google+ não gostam de concursos. Enfim, poderão os leitores escolher a explicação que lhes pareça mais credível mas os números parecem não sorrir à Google.
Outro aspecto interessante foi o ritmo de partilha. [Read more…]
À margem do concurso blogues do ano 2011
Diz que porn, sex ou lá o que é, já deixou de ser a primeira pesquisa no google. E digo que o papel da indústria pornográfica no crescimento e desenvolvimento da net é tantas vezes omitido mas foi determinante.
Eu que ainda sou do tempo em que uma página mais pesada que 35kb era um monstro sempre achei que internet e sexo são almas inseparáveis, mas não me peçam provas, acho e prontos.
Tudo este paleio para vos mostrar o top do tráfego a partir do Aventar nos últimos 7 dias (e não contem a ninguém que parece mal).
O Kim da Megaupload, o FBI e a Democracia
Que o Kim(zinho) da Megaupload não é flor que se cheire, é claro e óbvio. Que a Megaupload fazia tábua rasa de direitos de cópia e de autor, também parece evidente. Que a maior preocupação do FBI e do pessoal da SOPA não são propriamente os autores, os criadores e os artistas, também não carece de desenho.
A luta é pelo controlo da internet e pela limitação da liberdade aqui instituída. A vontade é a aquisição de ferramentas legais para o encerramento de sites e para o cerceamento de correntes de opinião mais “inconvenientes”, o silenciamento de vozes incómodas. Não são, sequer, os prejuízos causados a utilizadores anónimos e a gente sem rosto, ou decisões de tribunal, que vão fazê-los recuar. O que os faz recuar (por enquanto) é o facto do conhecimento estar desequilibrado a favor dos utilizadores da internet. O que os faz recuar é o facto de serem atacados e terem muito a perder.
Defender a liberdade na net não é defender o Kimzinho da Megaupload nem subvalorizar os direitos de autores e criadores. Defender a liberdade na net é defender a última frincha popular que ainda náo foi tomada e controlada. É defender a última sombra de democracia que ainda tem alguma autenticidade. Nada menos do que isso.
Diga não à ACTA
(Para ligar as legendas inicie em primeiro lugar o filme, a seguir clique no botão ‘CC’ uma vez e, depois do fundo deste botão ficar vermelho, clique outra vez e escolha o idioma na lista que aparece)
A liberdade que desfrutamos na Internet representa uma ameaça muito sensível aos poderes do nosso mundo. É por isso que assistimos todos os dias a tentativas para cercear esta liberdade, para a limitar e estrangular. O Tratado Comercial anti-Contrafacção – ACTA (Anti-Counterfeiting Trade Agreement) – não é mais do que outra destas tentativas. Informe-se neste site.
Rapaziada pró-controlo da internet leva uma PIPA de SOPA
Levaram sopa e recuaram. Uma pipa de sopa, para ser mais exacto.
Sendo quem são e representando o que representam, é natural que não fiquem por aqui e voltem à carga com maior conhecimento de causa.
A liberdade, assim mesmo, faz-lhes comichão e a internet é um espaço de liberdade difícil de controlar. Ora isto, para quem está habituado a pensar que toda a sociedade se condiciona a bel-prazer, é mais do que podem suportar. Voltarão, isso é certo. Mas acontece, e isso é igualmente certo, que as armas estão do lado de quem faz a rede. Ora, sem superioridade bélica do seu lado esta gente não está habituada a lutar. Para já levaram sopa. Ainda vão levar uma pipa de derrotas até controlarem a net. Alguma vez conseguirão?
Assine, salvemos a internet
Hoje pode ser o dia em que salvamos a Internet.
O Congresso dos EUA se preparava para aprovar uma lei que permitiria aos EUA censurar o acesso a qualquer website no mundo. Mas após nossa entrega de uma petição forte com 1.2 milhões de assinaturas à Casa Branca, a presidência veio à público contra o projeto de lei — e na medida em que a pressão popular esquenta, alguns apoiadores do PL estão mudando de lado. Nesse momento, o protesto de blecaute liderado pela Wikipédia trouxe a campanha para o centro das atenções das notícias.
O Senador Wyden vai boicotar a votação, lendo em voz alta os nomes de todos os que assinaram esta petição. Assine também. No fundo não é todos os dias que temos um senador norte-americano a ler o nosso nome no Congresso. Ou prefere a censura?
WordPress, o protesto
Pelas razões explicadas esta manhã pelo Helder Guerreiro, hoje o WordPress acordou assim. Lindo. Um dia pode mesmo ser obrigado a fazê-lo por imposição legal norte-americana. Os governos têm de aprender que a internet é nossa.
Apertando o Cerco

Se visitar a Wikipédia em Inglês, ou inúmeros outros sites, vai deparar com uma página parecida à que ilustra este post. Trata-se de um protesto contra as leis anti-cópia elaboradas pelo mesmo lobby que em Portugal vai fazer aprovar a lei da cópia privada (que goza de uma unanimidade enternecedora na Assembleia da República). As leis em questão são a SOPA (Stop Online Piracy Act) e PIPA (PROTECT IP Act), a primeira lei é da câmara dos representantes e a segunda do senado, com objectivos idênticos.
Notas acerca de votações pela Internet
![By Original author:S. Solberg J. [GFDL (www.gnu.org/copyleft/fdl.html) or CC-BY-3.0 (www.creativecommons.org/licenses/by/3.0)], via Wikimedia Commons By Original author:S. Solberg J. [GFDL (www.gnu.org/copyleft/fdl.html) or CC-BY-3.0 (www.creativecommons.org/licenses/by/3.0)], via Wikimedia Commons](https://i0.wp.com/aventadores.wpcomstaging.com/wp-content/uploads/2012/01/200px-ballot_box_current-svg.png?resize=200%2C264)
A votação pela Internet é um problema difícil de resolver devido à própria forma como a Internet está construída. Esta abertura traz-nos inúmeras vantagens, mas também algumas desvantagens. Para garantir que um votante anónimo não faz votações repetidas empregam-se várias técnicas. Podemos limitar a votação por “cookies” ou por endereço IP, ou então usando ambas as técnicas ao mesmo tempo.
Um cookie não é mais do que uma pequena quantidade de informação que é guardada no computador do utilizador e que é lida pelo próprio servidor que a criou. Utilizam-se os cookies para muitos fins. Podem ser usados para identificar um utilizador por forma a que este não tenha de se autenticar de cada vez que acede a um site, servem para recolher informações sobre os hábitos de navegação (que sites visita, em que ordem, etc), servem também para indicar se o utilizador já votou ou não numa determinada categoria de um concurso sobre os melhores blogs de 2011.
Internet censurada em Espanha, a partir de Março
Não será bem como sugiro no título, o apagar das liberdades não se faz de um momento para o outro, mas a Lei Sinde que entra em vigor em Espanha em Março, é um passo nessa direcção (pode ler também o apontamento do Público). É também um passo completamente inútil para estancar o download de conteúdos protegidos com direito de cópia.
Poder-se-á, por outro lado, revelar muito mais eficiente para travar e atenuar fenómenos como este:
Para Começar Bem 2012 – De Braga para o Mundo…
TEDx_BRAGA com Miguel Gonçalves, sempre a bombar, e com sotaque à Braga.
Mete qualquer jotinha no bolso…












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