Είμαστε όλοι Έλληνες (Somos todos Gregos)

O que sobra do parlamento grego aprovou mais um pacote de austeridade. Segue-se a revolta social intensa, com final imprevisível. Sem nenhum raciocínio lógico esta tarde deu-me para achar que o objectivo final de Merkozy é a saída dos PIIGS do euro, tipo eu quero uma moeda forte só para mim.

Seja ou não seja, o destino da Grécia está traçado, e o nosso será já a seguir. Ou ainda alguém acredita que a austeridade cega e as privatizações ladras resolvem alguma coisa, e levantam uma economia que se afunda cada vez mais? O Vítor Gaspar acredita, eu sei, mas os loucos não contam e não deviam governar países.

Imagem e título roubados a Os Dias do Fim

Preços de bens e serviços vão aumentar após privatizações

Durante anos, a ofensiva ideológica neo-liberal foi passando a sua cartilha baseada em algumas “verdades” salvadoras. Repetiu-se até à exaustão que o estado era o papão e os privados, coitados, as vítimas. Entre os argumentos mais usados, havia dois que fluíam sempre na boca  dos novos evangelizadores:

– O estado faz mal, os privados fazem melhor.

– A presença do estado no mercado impede a concorrência e a livre concorrência faz baixar os preços.

Apesar dos factos desmentirem estas “verdades”, apesar de nunca termos visto uma descida sustentada dos preços após uma privatização, estes argumentos, de tão repetidos, passaram para o senso comum. O Provedor de Justiça vem agora dizer que teme uma subida de custos para o consumidor nos serviços públicos que vão ser privatizados e frisou que

a privatização de serviços como os CTT, EDP, Águas de Portugal e empresas de transporte vai reflectir-se num aumento dos preços

Da próxima vez que falar num estado-papão e em privados-santinhos, pense duas vezes antes de dizer asneiras e ampliar uma mentira que não passa a verdade só porque é dita por gente aparentemente séria. Como o meu avô me ensinou, o estado somos nós. Quando algo que é nosso passa para a posse de outrém, quem perde somos nós.

Como chegamos aqui? Mais pontos a considerar

O que sobra - Sorrisos de Vacas

O Jorge escreveu um excelente post sobre a forma como a dívida contraída pelos governos consumiu os recursos do país não nos deixando recursos que permitissem o desenvolvimento real e sustentado.

Quero aqui acrescentar o seguinte: temos tendência em culpar de todos os males o nosso endividamento (público e também privado, este último de muito maiores proporções). Mas convém não esquecer as outras asneiras enormes que os vários governos fizeram.

Por exemplo, o processo de privatizações foi de uma forma geral mal conduzido, dando preferência à “devolução” aos antigos grupos económicos dos activos que entretanto tinham perdido, em vez de se usarem as regras de mercado para o efeito. Havia na altura a sensação de que as indemnizações dadas a quando das nacionalizações não teriam sido justas face ao valor dos activos. Assim estabeleceram-se muitas negociações entre o governo e os antigos grupos económicos tendo em vista estes últimos voltarem a tomar posse das empresas.
 
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Privatização da RTP, uma dúvida:

Em toda esta novela da privatização da RTP existe uma coisa que ainda não compreendi.

 

Eu tenho uma empresa que se dedica a um determinado negócio. O meu vizinho lançou uma empresa no mesmo ramo de negócio. O mercado passou a ser dividido por dois. Entretanto, outro vizinho decidiu dedicar-se ao mesmo negócio e criou uma empresa. E assim sucessivamente. Hoje, como ontem, no meu ramo de negócio existem inúmeras empresas e o mercado não cresceu, infelizmente, na mesma proporção.

 

Nunca me passou pela cabeça pressionar este, ou qualquer outro Governo a criar leis de limitação do meu mercado. Por acaso era bestial! Sempre tinha o mercado na mão e podia dedicar-me, sei lá, ao golfe.

 

Por isso, alguém me sabe responder de que se queixa o Dr. Balsemão? Do mercado livre? Da concorrência?

 

Principlamente, o Dr. Balsemão. Reparem, a Impresa é uma excelente empresa de comunicação social. No mercado dos semanários é imbatível. Porquê? Por ter o semanário largamente preferido dos portugueses. Existe concorrência? Existe. O mercado é livre? É. Então, o que aconteceu? Simples, o Expresso é o preferido e, por isso mesmo, já viu morrer o Semanário, o Independente, o Liberal, entre outros e até o Sol não conseguiu nem consegue fazer grande mossa ao Expresso. A SIC Notícias é quase imbatível. Motivos? Os mesmos. Já a Visão continua a liderar mesmo com a concorrência forte da Sábado (a Focus não faz grande mossa). Existem mais exemplos.

 

Sinceramente, não consigo compreender o medo do Dr. Balsemão. Será que não acredita na sua SIC e nos seus profissionais? Ou será que é, apenas e tão só, uma questão pessoal. Tão pessoal que até está a cegar aquele que é, de longe, a grande figura empresarial da Comunicação Social portuguesa dos últimos 40 anos?

Há a possibilidade de ser tudo ao contrário do que pensamos

Depois de vários anos em que o Estado tem sido visto como um recurso ou como um trampolim e nunca como uma responsabilidade, chegou, finalmente, ao poder um grupo de pessoas que assumiu, de modo quase indisfarçado, a função de comissão liquidatária de um país. Para que as contas tivessem chegado ao ponto a que chegaram, foi necessário o contributo, por acção e por omissão, de muitos, ao longo de cerca de trinta anos, ao ponto de não ser difícil imaginar uma conspiração em que muitos privados poderosos terão conseguido, pacientemente, conduzir os negócios públicos, de modo a que possam, agora, apropriar-se deles sem sequer ser necessário gastar muito dinheiro, como se pode ver no caso BPN ou como se pode confirmar nas palavras de um primeiro-ministro que, em plena televisão, afirma que há empresas públicas que terão de ser vendidas nem que seja por um euro, o que configura uma posição negocial fortíssima.

Com um povo desinformado, intoxicado por uma comunicação social que serve para propagar o pensamento único da troika, já preexistente e agora transformado em religião, a tarefa da comissão liquidatária está facilitada. Basta ver como, nas entrevistas de rua e nos inúmeros programas que permitem a todos dar opiniões, todos reproduzem, sem pensar, frases como “gastámos acima das nossas possibilidades” e “a austeridade é necessária”, como se a austeridade alguma vez tivesse sido desnecessária. [Read more…]

Educação para todos?

No país cuja Constituição consagra a gratuitidade do ensino, obter uma Educação de qualidade é um luxo que muitas famílias não podem pagar, com perdas nas vidas individuais e com prejuízos para uma nação que continua a não investir no fundamental, enquanto chama “investimentos” a estádios de futebol e a exposições mundiais ou enquanto desvia impostos e cortes salariais para desmandos privados e disparates regionais.

Diante dos que são impedidos de continuar a estudar, muitos argumentarão que “sempre foi assim” ou que “não somos todos iguais” ou que “não podem ser todos doutores”. Dos jovens ouviremos frases como “Tive de ir trabalhar, que os meus pais não tinham dinheiro para eu continuar a estudar.”

O arrepiante de tudo isto é que estes ditos são iguais àqueles que eram pronunciados antes do 25 de Abril. Já se sabe que não somos todos iguais, mas, numa democracia moderna, esperar-se-ia que tivéssemos oportunidades semelhantes, que pudéssemos contar com um Estado em busca de justiça social. Em vez disso, sempre ao arrepio de uma Constituição que tantos querem alterar, temos um Estado a esvaziar-se, muito contente com o dinheiro que vai obter nas privatizações, com anéis e dedos metidos no mesmo saco.

As finanças públicas, atacadas por vícios privados, poderão ficar, finalmente, equilibradas. Numa contradição que me será sempre estranha, o país ficará tão bem como mal continuarão as pessoas.

E haverá interesse nacional?

Passos diz que “há muito interesse francês no processo” das privatizações

D. João II, o Príncipe Perfeito, terá declarado, acerca do reinado de seu pai, Afonso V, que este o deixou dono das estradas de Portugal, tais foram os favores com teria cumulado a aristocracia. D. Afonso V terá sido, portanto, um cultor do Estado mínimo, avant la lettre. Para corrigir aquilo que considerou erros macroeconomicopolíticos do pai, D. João chegou ao ponto de esfaquear um cunhado, entre outras medidas pouco simpáticas.

Os afonsos que nos governam já venderam as estradas e andam pelo mundo a oferecer o resto. Quando acabarem, o Estado será uma coisa tão mínima que acabará por fazer as delícias de todos os que sonham em viver num protectorado. Cá estaremos todos, à espera que os alemães ou os franceses façam o pedido que comunicaremos, pressurosos, às cozinhas. Que, ao menos, a gorjeta valha a pena.

LufTap?

Esquisito… Diz-se por aí que a TAP será brevemente privatizada e até agora, tal tipo de inovações obedecem a certos critérios. “Aventam-se” várias hipóteses, entre as quais a coligação Ibéria-British Airways que antes de tudo, significa a liquidação da empresa portuguesa e a simples tomada das rotas e da moderna frota. Fala-se também na dupla TAM-TAAG, a aliança que patrioticamente e em princípio mais interessaria, mantendo-se a empresa no âmbito CPLP, com o nome, logo e pessoal. Mas pelo que corre nos gabinetes de pessoal, há algo mais: os zunzuns falam do início de uma redecoração do interior dos aparelhos, obedecendo às normas da Lufthansa, aquela companhia que fundada pelo marechal Göring, tantos sucessos conseguiu nas últimas décadas.

São os “concursos privatizantes” à Esquema deste esquemático regime.

Privatiza, filho, privatiza

O Ministro da Caridadezinha anunciou a entrega de mais “40 equipamentos sociais do Estado” ao sector privado.

 O Estado não tem vocação para dirigir”, disse Pedro Mota Soares

O sector privado da caridadezinha explica:

Manuel Lemos, da União das Misericórdias Portuguesas (UMP), (…), considera positiva a aposta do governo na capacidade de resposta do sector social. ” (…) Não se trata de dizer que a gestão pública é má, mas é uma máquina diferente.” Como exemplo, aponta as burocracias naturais a que têm de obedecer as respostas na dependência da Segurança Social. “Quando precisamos de ir comprar umas pilhas, vamos. Numa estrutura que faz parte da máquina do Estado é natural que seja preciso cumprir toda uma série de procedimentos.”

Eu traduzo: no estado compram-se as pilhas ao fornecedor que apresentar melhor oferta, no velho binómio qualidade/preço. Nas Misericórdias compram-se as pilhas ao amigo mesário que generosamente se fará pagar mais e oferecendo menor qualidade.

Por motivos profissionais vasculhei em tempos os arquivos de várias Misericórdias portuguesas. Ao longo dos séculos, em todas, figuravam nas actas trafulhices sistemáticas, roubos vários, gamanços puros. Nas actas, imaginemos o que nunca chegou ao ponto de revoltar a irmandade…

O farsola já começou a ir ao pote

Nos últimos tempos, não disse uma palavra que fosse sobre Pedro Passos Coelho e o PSD. Entendi que interessava em primeiro lugar despachar o outro. Teríamos, então, tempo para tratar deste.
Pela minha parte, as tréguas acabam já hoje. Dei-lhe o benefício da dúvida durante alguns dias, mas o seu estado de graça acabou. Os meus colegas PSD do Aventar que me perdoem, mas a partir de hoje guerra é guerra.
O farsola, como muito bem lhe chamou Miguel Portas, tem de ser desmascarado porque, no fundo, é igual a José Sócrates no que diz respeito às mentiras e à quebra das promessas eleitorais. Disse o que disse durante a campanha, mas a primeira medida que toma quando chega ao poder é assaltar o bolso dos contribuintes. Roubar descaradamente quem trabalha para entregá-lo ao capital. Já para não falar da forma como imediatamente se põe de cócoras perante os interesses económicos das televisões privadas, adiando a privatização da RTP e privatizando tudo o que dá lucro. Para quem tomou posse há apenas uma semana, não está nada mau!
O problema de Pedro Passos Coelho é que nunca passará de uma pálida imagem de José Sócrates. Tal como o anterior primeiro-ministro, nunca trabalhou, nunca fez nada na vida, limitando-se apenas a gerir uma carreira partidária que haveria de o levar directo ao pote. E ele aí está, cheinho e pronto a abocanhar. Na arte da mentira, Passos Coelho ainda tem muito para aprender com José Sócrates, mas os primeiros exemplos são bem encorajadores.
Não, a tomada de posse de Pedro Passos Coelho não representou o primeiro dia do resto das nossas vidas. Representou apenas mais do mesmo…

Uma questão de confiança

Outdoor PS 2011

Em Lisboa, em Entre-Campos, nem a desculpa entretanto apresentada para não cumprir a promessa de não usar outdoors (colocar “de forma simbólica” um “outdoor por círculo eleitoral”) foi mantida: o painel da foto é composto por um outdoor na frente e outro no verso.

O caso de campanha de ontem foi a artificial troca de argumentos sobre se o PS estaria ou não a usar o medo para condicionar o voto (está) e se o PSD pretende ou não privatizar a CGD (pretende privatizar algumas coisas).

É uma discussão artificial porque é irrelevante. Na verdade, o PS, ele mesmo, comprometeu-se com a troika avançar com a privatização de partes da CGD, para melhorar a gestão do grupo, o que incluirá «uma agenda mais ambiciosa com vista à já anunciada venda do ramo de seguros do grupo, um programa para a eliminação gradual de todas as subsidiárias não nucleares e, se necessário, uma redução de actividades no exterior» (ver ponto 30 da carta do Governo à Troika).

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Troika a privatizar!

O memorando da troika, do qual o ‘Aventar’, em iniciativa inédita na blogosfera e com o sentido  de servir o interesse público, publicou a tradução integral, em 2. Regulação e supervisão do sector financeiro, refere explicitamente, no ponto 2.5 Caixa Geral de Depósitos (CGD), várias orientações, de que destaco o seguinte segmento:

Isto (aumento de capital, nota minha) incluirá um plano temporal mais ambicioso para a já anunciada venda do sector de seguros do grupo, seguir um programa para se desembaraçar das subsidiárias que não façam parte do seu núcleo e, se necessário, a redução das actividades no estrangeiro.

Nicolau Santos, director-adjunto do ‘Expresso’, na coluna semanal ‘Cem por Cento’ do suplemento de Economia do mesmo semanário, escreve no ponto 7 um texto que ouso subscrever:

Para compor os seus rácios, a Caixa Geral de Depósitos será reduzida apenas à sua actividade financeira, vendendo todas as outras áreas (seguros e saúde), a sua actividade internacional e possivelmente várias das suas participações nacionais. As empresas portuguesas, estratégicas ou não, ficam agora desprotegidas face ao avanço de investidores internacionais. E dado os valores irrisórios a que se encontram, o mais certo é que todos os designados centros de decisão nacional passem para mãos estrangeiras…

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O programa eleitoral do PSD

De acordo com o que acabo de ouvir numa rádio, a versão Coelho do programa do FMI resume-se a isto: sopa dos pobres e privatizações. Parece que o estado ainda tem empresas que dão lucro, e se dá lucro privatiza-se. Parece que o estado ainda presta serviços públicos, um verdadeiro desperdício, serviços privatizados podem sempre dar lucro a um pobre qualquer, tipo Mello, que por sua vez pode muito bem organizar uns torneios de golfe para ajudar os pobrezinhos ainda não privatizados.

Em 1917 o golfe ainda não ajudava os pobres, mas já era assim:

A comissão de festas da Cruzada de Mulheres Portuguesas, realizou uma festa (venda de flores e rifas) no Jardim Zoológico de Lisboa, a favor da Sopa para os pobres, uma obra de beneficência do Século. Nas imagens de Benoliel: na barraca da Sopa para os pobres, entre outras, Angélica Pereira da Rosa, Camila Meireles e Eugénia Magro; e na barraca da Cruzada das Mulheres Portuguesas, Gabriela Aragão Morais, Ermelinda Cordeiro e Angelina Chagas.

Citado do excelente blogue Ilustração Portuguesa, que teve de sair do blogger acusado de pornografia. Realmente, se isto não é pornografia, parece.

Privatizar, a arma financeira e política

Privatizar a eito é a palavra de ordem do momento, no PSD e no PS. Os socialistas invocam o objectivo do PEC de limitar o deficit em 3% do PIB em 2013. Os social-democratas, sob a capa liberal, propõem-se arrasar inteiramente o papel do Estado na economia – mesmo na economia de bens e serviços sociais básicos, como água, correios, saúde e ensino.

Ao contrário da propaganda em voga, a intervenção do Estado na economia nem sempre é maldição diabólica. O artigo de opinião O porquê das Privatizações ? , de Duarte Nuno Clímaco no DN é elucidativo. Eu, por outro lado, lembro as acções iniciadas por Bush e continuadas por Obama de investimento de avultadas somas de dinheiros públicos para salvar um sistema financeiro e parte do sistema económico (indústria automóvel) detido em exclusivo pelo sector privado. Onde andava a excelência absoluta do privado?

Do PS ao PSD, ou se quisermos de todo o ‘centrão’, não existe uma clara definição de estratégia para o País. Na ignorância, nada melhor que usar estafadas receitas. Pergunto: há quantos anos se vêm fazendo privatizações em Portugal e onde se aplicaram os vultuosos fundos que o Estado encaixou? Que desenvolvimento foi conseguido? Querem ao menos avaliar o que se está a passar com a evolução económica de países com forte intervenção estatal, como o Brasil, Rússia, Índia e Rússia? Não, não lhes interessa. [Read more…]

O PS desafinado!

Sócrates já não é o “animal feroz”, na sua própria equipa já há muita gente que desafina.

Pedro Adão e Silva : ex-secretariado nacional do PS: ao contrário do que parecia, quem vai sofrer mais com o PEC não são as classes médias, são as mais pobres. É dramático, mas o maior contributo para a diminuição da despesa é dado pela redução das transferências do Orçamento do Estado para a Segurança Social..”

Manuel Alegre, militante do PS e candidato à presidência da república: “Não me parece que haja neste PEC um suficiente esforço de partilha. Não é moralmente aceitável que enquanto se impõe o congelamento de salários na função pública haja gestores de empresas de capitais públicos que se atribuem milhões de euros de prémios e benefícios…”

João Cravinho, ex-ministro PS: ” O PS entrou numa deriva à direita que vai ser muito dificil fazê-la regressar sem que haja grandes alterações na própria direcção do PS. (…) Portas diz que certas privatizações só se podem fazer quando houver um regulador forte ou quando isso não criar situações monopolistas ainda mais graves. O Portas a dar lições de esquerda a Sócrates…”

Enquanto isto, Sócrates diz, com aquele ar de mentiroso patológico, que  vai ajudar a Grécia! Mas ajudar como e com quê?

Vitor Ramalho, presidente do Inatel e militante PS: ” Sou abertamente contra um conjunto de privatizações e de venda de participações em multiplas empresas. Os valores apurados em processo de privatização não vão diminuir o défice.”

Veja o vídeo após a aprovação do PEC !

Sugestões a Passos Coelho – as privatizações

Para onde vai o dinheiro das privatizações? Para manter os erros, os vícios, as mordomias, os desperdícios? Se é, as privatizações são um péssimo negócio, vendemos os anéis e ficamos com os problemas todos, nem um resolvemos.

Mas o dinheiro das privatizações pode ser bem aplicado, e assim, a saída do Estado da economia já pode ser uma coisa boa. Por exemplo, utilizar o dinheiro para baixar a dívida, os juros vão subir, o serviço da dívida é monstruoso, está ao nível do que gastamos no SNS em relação ao PIB, é como ter dezenas de hospitais, pagar vencimentos a milhares de profissionais , ter a despesa de tratar milhões de pessoas, é isso o serviço da dívida anual.

Se esse dinheiro não for sujeito a uma discussão e a uma decisão na Assembleia da República,  vai-se evaporar no desperdício, nos mega projectos sem retorno, no TGV, nas autoestradas em duplicado, nas parcerias público.privadas, nos vencimentos milionários…e ficaremos sem empresas e sem dinheiro!

Utilizar esse dinheiro para sanear empresas com potencialidades e fechar as que têm que ser fechadas, pagar indemnizações a quem quizer sair para trabalhar por conta própria, modernizar e apoiar as empresas exportadoras e com tecnologia de ponta. Estão inscritos no Orçamento para o TGV 900 milhões de euros enquanto se vai dizendo que o projecto é para adiar.

Fazer um levantamento sério dos serviços que estão em duplicado, que não têm razão de existir, e terminar com eles. Sem esse trabalho prévio, as privatizações ( com as quais eu concordo) vão servir exclusivamente , para manter os erros que há muito existem.

O governo é um fingidor! (mas não é poeta)

Álvaro Santos Pereira, economista e docente na Simon Fraser University, analisa assim, o PEC:

Sinal mais : As privatizações e previsões económicas realistas!

Sinal menos: Este é um PEC fingidor. Finge-se que o investimento público baixa, mas mentêm-se as parcerias público-privadas. Finge-se que as despesas com o pessoal descem, mas esquece-se que estas têm baixado principalmente porque se transformaram os hospitais em  empresas do Estado. Finge-se que se atacam os problemas estruturais da despesa pública, mas a consolidação orçamental é conseguida sobretudo com o aumento da carga fiscal efectiva e com as receitas das privitizações.

Acima de tudo, este é um PEC que adia mais uma vez a resolução dos problemas estruturais das contas públicas nacionais!

Tem a certeza que tem direito ao ar que respira?

Porque já faltou mais para que até o ar seja privatizado.

A Jaula

A nossa economia é uma jaula de onde não se sai por meios próprios.Ou somos ajudados pelo exterior ou então vamos empobrecer ainda mais. Como se percebe não há nenhuma política coerente, voltamos ao mesmo de sempre, aumentar impostos, que Sócrates jurou não aumentar, congelar salários…

Com Sócrates, crescemos sempre abaixo das outras economias europeias e ao fim de uma maioria absoluta a nossa posição é muito pior do que quando ele começou. E não se diga que é da crise porque não é, a crise começou em em 2009 e ele está lá desde 2005. Enquanto a Espanha e a Alemanha não arrebitarem nós nada ou muito pouco podemos fazer. O tecido empresarial é o mesmo, nem sequer se aproveitou para inovar, modernizar…

A receita que se vai obter com o aumento dos impostos é igual ao dinheiro que se meteu nos bancos, ninguem sabe para quê, não há posição nenhuma conhecida e ninguem os quer. As privatizações são os anéis a saírem dos dedos, depois disto pouca coisa o Estado tem para vender, talvez as Berlengas…

É uma situação de desespero que leva a estas privatizações mas a pior notícia é que o dinheiro arrecadado vai desaparecer nas mãos dos boys e das girls, não vai ser utilizado para relançar a economia, modernizar o tecido empresarial. A pobreza é o futuro dos portugueses, pela mão “deste animal feroz”.

O PS é isto, um Estado nas mãos das corporações que mamam sem cessar, gastar o que há e o que não há, não sabe criar riqueza! Em vez de um prepotente  e arrogante político (qualidades dos incapazes) deveria haver, uma vez por todas, um consenso alargado entre Empresários, Sindicatos, Partidos, associações sectoriais, sobre as actividades e os “clusters” em que o país tem vantagens competitivas e estabelecer um plano estratégico a dez anos e cumpri-lo. É a isto que se chama governar!

Uma coisa é certa, entre muitas outras, as empresas de tecnologia que estão a ser criadas e desenvolvidas em Portugal, face à pobreza da nossa economia vão ser compradas por empresários de economias mais fortes e que sabem para onde vão!

Um desastre, o que temos pela frente!

Privatizações – defender a Companhia das Lezírias

Vendem-se os anéis mas ficam os dedos? Nem isso! Aumentar os impostos nem pensar (embora o Código Contributivo fosse um aumento “oculto”), diminuir nas despesas nem em tempo de abastança quanto mais em tempo de miséria.

Restam as privatizações e as “golgadas” tipo fundações, hospitais empresa que desorçamentam despesa pública.

Quanto às privatizações, o “filet mignon” há muito que se foi na voragem dos negócios, restam participações que irão parar às mãos dos mesmos de sempre, à velocidade das prementes necessidades do Estado gastador.

Mas queria chamar aqui a atenção para a Companhia das Lezírias, um bocado apetitoso para a ambição de fazer dinheiro e muito e depressa. Terras ricas, onde se cultiva tudo e mais alguma coisa, atravessada por dois rios (o Tejo e o Sorraia) com uma enorme extensão e que se deixa trabalhar e sustenta dezenas de famílias que fazem da agricultura o seu ganho pão, enquanto rendeiros.

Esta enorme extensão de terras maravilhosas, das mais produtivas do país, ainda presta outro enorme serviço que é fazer de tampão, à política de betão, não o deixando crescer para cima do rio. A tentativa já foi feita, na altura houve força para travar a extorção, demasiada visivel, mas temo que aos poucos a lezíria vá desaparecendo na voragem de quem nada respeita.

O problema dos sobreiros, da margem sul, em investigação, já se deu dentro das terras da Lezíria, num golpe baixo que se não fossem as circuntâncias do abate dos sobreiros já teria passado despercebido

Vão começar com um hotel aqui, outro ali, mais um campo de golf e quando dermos pela marosca um dos poucos paraísos existentes já não tem salvação.

Perto da grande cidade e de cinco milhões de habitantes, o aeroporto aqui a minutos a tentação é grande, ou abrimos os olhos, ou tudo vai na enxurrada que nada respeita.

Sem agricultura, sem indústria, sem pescas, tarde ou cedo estaremos na situação da Grécia e da Irlanda e de outros países que pensavam que se podia viver eternamente dos empréstimos de quem produz.

Vêm aí as privatizações! Salvemos a companhia das Lezírias!

Privatizações e casamento gay

Eis o que vai ser posto em prática pelo novo Governo, segundo o Programa hoje apresentado na Assembleia da República. Um Programa que, ao que parece, vai ser igual ao Programa apresentado em campanha eleitoral – e qualquer Governo devia ser obrigado a cumprir um Programa igual ao que apresentou ao eleitorado.

Seja como for, a receita do PS vai ser aquela que já se esperava: governar à Esquerda e à Direita conforme as conveniências. À 2.ª e 4.ª, vai acelerar as privatizações e dar apoios chorudos aos Bancos. À 3.ª Feira, vai propor o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Sempre deixando claro que todos têm a responsabilidade de deixar o Governo fazer o seu trabalho – logo que uma das suas medidas for chumbada, lá virá o choradinho das forças de bloqueio, o «esticar da corda» e, em breve, a apresentação de uma moção de confiança.

Pois, pois – governar à Esquerda e à Direita ao mesmo tempo é capaz de ser difícil. Será que a Oposição vai cair no logro?