A Pronúncia do Norte

Ontem, pouco passava das oito da manhã e estava nas instalações da RTP Porto à conversa com o Presidente de Braga 2012 e um colaborador da RTP a discutir a velha questão do Norte e os media nacionais. Obviamente, a questão da privatização da RTP e, sobretudo, o futuro da RTP Porto eram tema de acalorado debate matinal entre cigarros consumidos no exterior do edifício.

Hoje, numa das páginas de facebook mais seguidas e activas do Norte (ESTA) um seguidor da mesma escreveu: O Jornal de Notícias foi o único jornal de expressão nacional a levar para a sua capa a abertura da Capital Europeia da Juventude em Braga. Os outros jornais optaram pelas habituais notícias de desgraça, intriga e futebol nas suas já tradicionais capas. Será que um evento que pretende ser um dinamizador de economia local, regional e até nacional não merece maior valorização, apoio e mediatismo por parte de quem pode e deve fazê-lo? (Miguel Oliveira).

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Todos contra a Barragem 0,1% – Depoimentos sobre o Douro e o Tua. 6 – Daniel Deusdado


Passei os últimos quatro anos com o peso da morte do rio Sabor na parte subterrânea do meu cérebro. De vez em quando, subitamente, lembrava-me de um rio pequeno que parecia chorar e rir, rebelde e limpo, de que quase ninguém queria saber à excepção de uns sonhadores unidos na Plataforma Sabor Livre.
Perante a ameaça de uma gigantesca barragem, eles falavam de um rio ainda com peixes, águias, lobos, vegetação milenar, muito inóspito, livre da nascente à foz, que viam morrer às mãos da ganância energética da EDP. E claro, com a bênção do anterior Governo – eram necessários muitos milhões para abater ao défice, a EDP pagava-os, foi sem espinhas.
Assim se vendeu a preço de saldo um extraordinário pedaço selvagem do território português, verdadeiramente único para quem tivesse olhos de ver – e muitos seriam os que, cada vez mais, acorreriam para sentir o que era a natureza em estado puro como quase já não há no mundo ocidental. Ou acham que os turistas viajam para visitar barragens e “centros de interpretação ambiental” que ficcionam o que existia antes destes holocaustos hídricos? Ou que alguém vem para Portugal para tomar banho em águas sujas e perigosas como são as de muitas barragens? [Read more…]

Todos contra a Barragem 0,1% – Depoimentos sobre o Douro e o Tua. 4 – Miguel Torga


«S. Leonardo de Galafura, 8 de Abril de 1977

O Doiro sublimado. O prodígio de uma paisagem que deixa de o ser à força de se desmedir. Não é um panorama que os olhos contemplam: é um excesso de natureza. Socalcos que são passados de homens titânicos a subir as encostas, volumes, cores e modulações que nenhum escultor pintou ou músico podem traduzir, horizontes dilatados para além dos limiares plausíveis de visão. Um universo virginal, como se tivesse acabado de nascer, e já eterno pela harmonia, pela serenidade, pelo silêncio que nem o rio se atreve a quebrar, ora a sumir-se furtivo por detrás dos montes, ora pasmado lá no fundo a reflectir o seu próprio assombro. Um poema geológico. A beleza absoluta».
Miguel Torga, Diário XII

Outros textos:
1 – Francisco José Viegas
2 – Guilherme Felgueiras
3 – Eça de Queirós
 

Sugestões para novos textos:
Formulário de contacto do Aventar ou caixa de comentários deste post.

Sábado, 14 de Janeiro, Braga 2012

A cerimónia de abertura de Braga 2012:Capital Europeia da Juventude é no próximo Sábado, 14 de Janeiro, pelas 19h, no centro histórico da cidade, Espetáculo Inaugural com os Drumatical Theatre:

Durante todo o dia, entre as 09h e as 21h, o centro histórico de Braga vai ser animado com dança, música e imensas actividades a cargo de várias associações juvenis.

Estão todos convidados!

Prelúdio

©Pedro Noel da Luz

Todos contra a Barragem 0,1% – Depoimentos sobre o Douro e o Tua. 2 – Guilherme Felgueiras


«O povo, inclinado ao romance e à poesia e dotado de espírito imaginoso (por vezes pueril mas quase sempre devaneador), bordou a sorrir esta fantasiosa anedota de carácter parabólico, sobre os três rios que nascem nas serranias de Espanha – o Guadiana, o Tejo
e o Douro:
– Em tempos vagos, quando o mundo era ainda jovem e todos os elementos da natureza falavam, estes rios irmãos estiraçaram-se em seus “leitos”, dispostos a dormir. Combinaram que, mal acordassem, abalariam por caminhos diferentes em direcção ao mar.
O primeiro a despertar foi o Guadiana. Placidamente foi serpenteando, escolhendo chãs e vales aprazíveis, por entre meandros charnequeiros alentejanos e divagantes planuras algarvias.
O Tejo, acordou em seguida. Indo no encalço do irmão, apressou a marcha através de outeiros, sulcando as terras do centro, até encontrar vastas campinas e fartas lezírias, onde placidamente se espraia.
Estremunhado, o Douro acordou por fim, ciclópico e arrogante. Não vendo os irmãos, galgou com ímpeto erosivo, cavando seu leito em terras nortenhas, por ente muralhas petrificadas e estranguladas gargantas, rumorejando através de fraguedos bravios e cachoando em “gualgueiros” e sorvedoiros perigosos, vencendo a escabrosidade do trajecto.»

Guilherme Felgueiras, O Rio Douro Lendário (1973)

Outros textos:

1 – Francisco José Viegas

Quando Morre um Escritor?

…um escritor morre quando renega a sua palavra escrita no papel.

Todos contra a Barragem 0,1% – Depoimentos sobre o Douro e o Tua. 1 – Francisco José Viegas


Publicarei a partir de hoje alguns textos sobre o Douro e o Tua. Os seus autores serão aqueles que eu escolher e todos aqueles que o quiserem ser. Basta enviarem-nos textos pessoais sobre o magnífico património cultural e paisagístico que em breve Portugal deixará de ter. Ilustres ou não, de Esquerda, de Direita ou sem ideologia, uma coisa unirá todos eles: a oposição à construção de uma Barragem que irá garantir apenas 0,1% da energia produzida em Portugal em troca de muitos milhões a pagar pelos mesmos de sempre. Estão todos convidados.
Para começar, o depoimento sentido de Francisco José Viegas, actual Secretário de Estado da Cultura e desde sempre um feroz opositor da construção da Barragem do Tua. Natural do Pocinho, no Douro, terra de comboios e de vistas magníficas, Viegas cresceu a ver o Douro tal como ele é. E quantas vezes não o terá descido de comboio ou de barco. Não admira, por isso, que o Douro e o Tua sejam dois dos seus lugares de eleição – e daí este depoimento tão sentido, tão humano, tão verdadeiro. Tão corajoso.
Viegas fala com o coração e sente-se que por ali as lágrimas espreitam, numa torrente que se prevê mais forte e arrebatadora do que o Douro antes da construção das Barragens. Neste texto, Viegas é uma espécie de Cachão da Valeira. É isso, um Cachão da Valeira cujas águas poderosas ultrapassam as margens e vão inundar a terra portuguesa. A nossa alma.
Sorridente, lá no céu, o Barão de Forrester, precocemente desaparecido no Cachão da Valeira, aplaude Viegas e proclama: «Este é o homem certo para defender o nosso Douro. Com ele, estamos seguros.» As pedras rumorejam, as árvores ciciam e aprendem a soletrar um nome. V-i-e-g-a-s!
A rubrica «Todos contra a Barragem 0,1%» não podia começar melhor. Eis o texto de Francisco José Viegas: [Read more…]

A desgraça para o vinho do Porto

Como ao Ricardo, também a questão da paisagem me preocupa. Mas preocupa-me ainda mais o impacto que esta barragem terá na produção de vinho do Porto. Basta ver o que aconteceu com a Barragem da Aguieira para se perceber que o micro-clima do Douro será drasticamente alterado, tendo os nevoeiros frequentes e densos passado a fazer parte do dia-a-dia daquela região.

Elevada humidade favorece a incidência de doenças fúngicas, em particular o míldio [daqui]. A severidade da doença apresenta alta correlação positiva com o número de horas diárias de molhamento foliar e com a humidade relativa do ar maior que 90% [daqui].  O desenvolvimento da doença é favorecido pelas chuvas na primavera e pela formação de um micro-clima húmido junto à videira: terrenos impermeáveis, solos húmidos e muito férteis, plantações densas, nevoeiros até tarde, orvalhos muito fortes, etc. [do próprio Ministério da Agricultura, que, afinal, também sabe das consequências]

Há um bem precioso e único no mundo, e que constitui a forma de vida de muita gente, que está em risco para que uma barragem seja feita. Obrigado EDP pelo egoísmo-negócio. Obrigado PS pela propaganda-negócio. Obrigado PSD pela cobardia-negócio.

Obrigado, sincero, aos que procuram que esta calamidade não avance. Que, por uma vez, seja feita a vontade dos cidadãos em vez da vontade de alguns cidadãos.

O relatório da Estrutura de Missão do Douro sobre a Barragem do Tua

Projecção do impacto de uma das linhas de alta tensão sobre o Alto Douro Vinhateiro após a construção da Barragem

Em 2009, a Estrutura de Missão do Douro fez um relatório sobre a Barragem de Foz Tua, assinado por Ricardo Magalhães, Chefe de Projecto da Missão do Douro.

E se o relatório do ICOMOS / UNESCO escondido pelo Governo é arrasador no que toca aos efeitos da construção da Barragem na paisagem duriense, o presente relatório não o é menos. Espantoso, sobretudo porque assinado por alguém que tem vindo a defender continuamente a construção do empreendimento.

Atente-se apenas nas seguintes frases do relatório:

«Questões críticas que não se podem escamotear: A hipótese de vir a ser criada uma toalha de água (mais ou menos interessante, consoante a cota de pleno armazenamento) que não seja suficientemente diferenciadora. (…) Não se diferenciará do Azibo, do Alto Rabagão, do Douro e, portanto, dificilmente se poderá constituir numa clara vantagem competitiva decisiva para a região.»

<em>«A singularidade paisagística de uma parte do Vale que o torna, em termos de recurso turístico, um atractivo de excepção e, portanto, uma mais-valia, decorrente da associação do vale encaixado com a presença marcante do comboio e a possibilidade do mesmo fruir. O vale, sem o comboio, constitui um valor natural efectivo, em termos de sustentabilidade mas não tem uma valia intrínseca específica, uma vez que não é acessível.»

«A eliminação da ligação ferroviária diminuirá, à partida, a atractividade e a possibilidade de exploração turística do corredor do Tua, em particular, de Mirandela, na medida em que desaparecerá a oferta de um produto turístico – o passeio à Foz do Tua.» [Read more…]

EDP ou a “Casa Amarela”.

A EDP, que tenta ocultar o seu carácter empresarial feroz com a pele de um cordeiro filantropo, anda a pintar barragens de amarelo, sob o pretexto de Arte pública ou activo turístico. O Henrique Pereira dos Santos, consegue por-se na pele do lobo e chama-se a si próprio o conservador contraditório (eu chamaria a isso ser do contra, quando todos estão a favor e estar a favor quando todos estão contra). Eu acho que a EDP nos anda a roubar há tempo de mais. Com a agravante de pagar a alguém 150 mil euros (!) para gozar connosco em tom de amarelo. É como escrever num muro, em letras garrafais: ide-vos ****. Isto também pode ser considerado arte, pois as palavras também combinam bem com a natureza. Juízo! Até a população, que costuma usar a mesma paleta de cores que o Cabrita Reis nas fachadas das casas, acha a cor um asco. Uma habitante local chega mesmo a comparar o flagrante mau gosto com a bandeira nacional que podia lá ser colocada e tinha o mesmo efeito repelente. Não bastava a auto-estima deste país litoral estar em baixo, ainda vão ao interior atemorizar os pobres autóctones com a cor da loucura.

O estradismo: uma crónica sobre as últimas três décadas de asfalto.

Na foto um dos efeitos do estradismo: a proliferação de lixo. Estrada municipal em Cinfães.
Nos últimos 30 anos (e mesmo durante a longa noite do Estado Novo) os senhores governantes do concelho de onde sou natural debitaram um extenso relambório eleitoralista cujo tópico principal era a estrada. Segundo eles, eram necessárias estradas. Estradas em todos os sentidos, a ligar todos os pontos: A a B, B a C, BB a CC, etc etc. Com a chegada dos fundos comunitários construiu-se, então, um número ilimitado de estradas, estradinhas e estradões para todo o lado, mesmo antes de existir uma rede de saneamento, da própria electricidade e de água potável para todos. Onde havia uma casa, podia o seu proprietário contar com uma estrada à porta, apesar de não ter esgotos nem água canalizada. Entre asfalto e paralelípedos de granito, o investimento em vias suplantou o da educação, da cultura e do apoio ao comércio e à indústria locais. A grande justificação era a de que as estradas trariam progresso, aproximavam pessoas, tornavam as distâncias longas em percurso reduzidos e, portanto, geravam progresso. Tempo é dinheiro e, como tal, as estradas iriam supostamente constituir autênticas caixas multibanco do interior. Ao mesmo tempo que as câmaras municipais e os seus feudos distribuíam empreitadas a construtores “da sua confiança”, o Estado central gizava auto estradas para transformar Portugal num reticulado de asfalto e cimento. Foi o “estradismo”. [Read more…]

Braga 2012 CEJ:

Em apenas 72 horas, um grupo de jovens foi para as ruas de Braga. Aqui fica o resultado:

Procura-se Francisco José Viegas por crimes contra a Humanidade

Por ironia do destino, Francisco José Viegas nasceu no Pocinho, terra onde termina uma das mais belas linhas ferroviárias do nosso país, a Linha do Douro. O Pocinho fica no concelho de Vila Nova de Foz Côa, local onde há uns anos se conseguiu impedir a construção de uma Barragem que iria submergir um extenso conjunto de gravuras rupestres do período Paleolítico.
Alguns anos depois, Francisco José Viegas, que não se comove com essas coisas, prepara-se para ser o coveiro de uma das mais belas regiões do país, o Vale do Tua, e seguramente da mais bela linha ferroviária de Portugal e da única ligação que ainda permanece ao serviço das populações de Trás-os-Montes. Pelo meio, ainda será capaz de destruir a classificação do Douro como Património da Humanidade.
Aliás, a estratégia dos últimos dias parece ser essa. Ameaça-se com a perda da classificação do Douro, para, no final, garantir a continuidade da mesma e, como estava planeado, destruir o Vale e a Linha do Tua. [Read more…]

«Vimos por este meio solicitar que à Região do Alto Douro Vinhateiro seja retirada de imediato a classificação de Património da Humanidade»

Carta enviada hoje por Correio para os responsáveis da UNESCO e do ICOMOS. Enviado também por mail para todos os membros das duas instituições. Enviado pelo Facebook para todos os apaixonados pelo Douro em Portugal e no Mundo*

Dear Sirs,

In 2001, UNESCO classified the Alto Douro Wine Region in northern Portugal, as a World Heritage Site.
In February 2011, the construction of a hydroelectric dam near the mouth of the River Tua, Dam Foz-Tua began, after the project was approved by the Government of Portugal. This dam will destroy all the Tua Valley and its railway and it will cause irreparable losses with regards to the natural, cultural and human heritage of that area and all the Alto Douro Wine Region, classified as World Heritage by UNESCO.
In December 2011, the Government of Portugal, through the Secretary of State for Culture, announced that the construction of the dam wouldn’t be suspended.
Therefore, we hereby request that the classification of heritage site is removed immediately from the Alto Douro Wine Region, since such a classification is not compatible with a landscape marked by a pile of concrete that destroys one of the most important natural regions of Europe.
If it doesn’t happen, UNESCO itself is in question, since it accepts that a landscape is totally garbled after being classified as a World Heritage Site.

Yours Sincerely,

Attachements:

Before: Tua Valley and its Railway – video and photos
Now: Works at Tua Valley
After: Dam Foz-Tua

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TRADUÇÃO PARA PORTUGUÊS [Read more…]

Em Alijó, trocam o Património da Humanidade por um monte de betão, mas não gostam de ser acusados disso. Por isso, censuram todos os comentários desagradáveis no Facebook!


No concelho de Alijó, porque o caciquismo caceteiro de alguns autarcas começa a fazer escola, a ordem é calar todas as vozes contrárias à construção da ignóbil Barragem que vai destruir o Douro Património da Humanidade.
No Facebook, a censura está a actuar pela noite fora. Os lacaios de Mexia, Viegas e quejandos estão atentos e, ao mais pequeno comentário contra a Barragem, censuram. Apagam o comentário, impedem novos comentários daquela pessoa e, em última instância, apagam a página, como aconteceu com aquela que o Dario abordou no post anterior.
Os Vereadores do PSD no concelho de Alijó, por razões que se percebem facilmente, também têm andado, pela noite fora, com o lápis azul bem afiado. Tentei comentar algumas vezes, mas os comentários não duraram mais do que meia dúzia de segundos. Desapareceram imediatamente. O mesmo aconteceu na página do Teatro Municipal de Alijó, em que a censura é ainda mais rápida.
O que se passa em Alijó para que, de repente, todos se tenham unido em torno de algo que vai destruir o que de mais belo o concelho tem? Não precisam de responder, todos já percebemos o que está em causa…
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Em lume brando…

Não. Lisboa é uma bela cidade. O que defendo é o uso de uma bomba de neutrões, de modo a preservar o magnífico património edificado”. Foi esta a resposta que formatei para dar nessas ocasiões. Quando a pergunta não é séria, sinto-me desobrigado de responder a sério.

Obviamente, eu também não quero Lisboa a arder. Deus nos livre, já imaginaram os custos de a recuperar? Já bastou a fortuna da Expo 98…É a minha resposta aos mesmos amigos a que se refere Jorge Fiel.

O artigo em causa, de leitura obrigatória, coloca as coisas como elas são. A cidade de Lisboa, por culpa de uns quantos e alguns deles do Norte, é uma espécie de ralo neste lavatório em que se transformou Portugal. Repetindo o que escreveu o Subdirector do JN: o Norte é a região mais pobre do país, apesar de ser a que mais contribui para a riqueza nacional, com 28,3% do PIB. Por ser a região mais pobre e tendo em conta o objectivo de convergência dos fundos comunitários (aproximar as regiões mais pobres das mais ricas) é uma vergonha, uma pulhice aquilo que hoje se pode ler na página 2 do JN. E se percebi bem algo que li a correr um destes dias num rodapé televisivo, o Ministério das Finanças já se prepara para avocar a gestão das verbas do QREN, o que me leva a temer o pior…

Olhem, só me resta concluir como Jorge Fiel: “Nós não queremos mesmo Lisboa a ser consumida pelas labaredas. O que nós queremos é dizer, em voz bem alta, que estamos fartos de ser chulados“.

Barragem do Tua ou Património Mundial – O que é mais importante para o país?


O leitor Mário Carvalho fez a pergunta que se impõe: Barragem do Tua ou Património Mundial – O que é mais importante para o país?
Os criminosos que fizeram parte do Governo anterior já responderam à pergunta, mas os actuais ainda vão a tempo de responder de forma diferente. Ou dão preferência à pandilha de Mexia, fazendo o país pagar com milhões e milhões um empreendimento completamente inútil, ou conservam para o país e para o Douro um estatuto de Património Munidal.
Dado que o actual Governo recebeu em Agosto um relatório demolidor da Unesco e escondeu-o até hoje, parece que a resposta também já está dada. A esses, sempre direi por agora que, se concretizarem o seu projecto, ficarão na História e serão relembrados por terem acabado com o Património Mundial de uma região única e irrepetível. Por causa de um monte de betão que não serve para nada.
Alarves sem alma nem coração, economistas da treta que não percebem a importância do Turismo num país como Portugal, iletrados que se dizem homens de cultura. A História já cavou a vossa sepultura.

Como evitar portagens na A25 e na A23

No dia em que todas as SCUT passam a ser pagas, é importante saber como pagar o menos possível aos assaltantes de estrada. Para saber como fazer na A25, aqui. Para o mesmo efeito na A23, aqui e aqui. Fiquem, ainda, a saber que a A23 é mais cara que a A1.

Dois exemplos de como a blogosfera pode ser um serviço público, ao contrário daquele que é prestado pelas concessionárias e pelo Governo.

A Reforma da Administração Local (Coimbra):

Convite:

Este Sábado, pelas 15h na sala 4 da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, um debate sobre a Reforma da Administração Local e que terá como oradores: o Secretário de Estado da Administração Local, Eng. Paulo Júlio; o Prof. Doutor Manuel Porto da Universidade de Coimbra e o Prof. Doutor Artur Pires da Universidade de Aveiro.

Uma organização do Instituto Francisco Sá Carneiro.

A Batalha dos Três Reis

Este artigo foi redireccionado para este link:

D. Sebastião e a Batalha de Alcácer Quibir

alcacer-quibir

Cavaleiros Árabes. Foto Mohamed Bachir Bennani

 

Cidades Globais:

No próximo dia 4 de Novembro, no Ipanema Park Hotel – Porto, Seminário Cidades Globais com os seguintes oradores/temas:

“Gestão Eficaz, um desafio em tempos de crise” com o Prof. Poças Martins, o Eng. João Carvalho Guerra e moderado pelo Dr. Nuno Camilo (10h15).

“Soluções para financiamentos – QREN, a última oportunidade” com o Eng. Carlos Duarte da CCDRN (12H00)

“Regiões Administrativas em Portugal e Espanha” com Dr. José Luís Carneiro e autarca espanhol a designar e moderado pelo Dr. Manuel Cabral (14h30)

“Comunicar as Cidades – os novos desafios da Era Digital”, Fernando Moreira de Sá (17h00)

“O Estado Social e o papel das Autarquias” com Dr. Marco António Costa, Sec. Estado da Segurança Social (17h45)

Mais informações e inscrições em www.cidadesglobais.com

O bailio* da Madeira

A conversa habitual, em democracia é, depois de contados os votos, “ganhou A, perdeu B, C ou D”. Ninguém se lembra porque é que votou ou quem não votou, as suas razões e as estratégias dos AA e dos BB para arrebanhar os papelinhos para a urna. Talvez por isso, ciclicamente, surjam uns indignados na praça que querem o regresso das ditaduras marxistas, como alternativa à democracia (a este propósito sugiro a leitura do artigo de Pedro Lomba, ontem, no Público). Mas é curioso que, uns e outros, têm sempre a palavra povo na boca. Já aqui referi esta falácia de considerar povo como algo de onde emana asalvação. Povo é, para os políticos, o Outro – prova de que a democracia só funciona à boca da urna e que política não combina com cidadania.

O que me espanta nesta balbúrdia toda é que, da Esquerda à Direita e, sobretudo, estes indignados da praça, todos, sem excepção, queiram salvar aquele povo que os repudia, que vota Alberto João Jardim, que venera Salazar, que vê e aplaude touradas, que pára em acidentes e que os provoca, que deseja ardentemente substituir cultura por futebol e centros comerciais ao domingo e que acha que o ponto mais alto do dia é saber o resumo da Casa dos Segredos. Ir para uma praça ou um parlamento falar por este “povo”, defendê-lo e invocá-lo deve compensar muito o esforço, realmente. Deve ser muito terapêutico para uns e financeiramente vantajoso para outros. Eu precisaria de um estômago novo todos os dias.

P.S. é mesmo bailio. Não é gralha. Ver o significado, aqui.

Impunidade parlamentar

Como perceber o voto num político que vive amparado numa rede em que o poder legislativo, o poder executivo e o mundo empresarial têm ligações tão próximas e tão evidentes, ao ponto de podermos falar de uma legalização da corrupção? Jardim representa tudo o que não devemos aceitar num político, desde o desbragamento reles até à assumpção de que gasta mais do que aquilo que tem, com a desculpa de que tem “obra feita”.

Jardim fá-lo porque sabe que isso lhe rende votos. A relação da maioria dos cidadãos com a política é a mesma de um elemento de uma claque com o clube que apoia, é uma relação afectiva, tribal no sentido mais básico do termo.

O chefe da tribo, porque usa as mesmas cores do eleitor, merecerá sempre o seu voto. Para além disso, numa atitude muito mediterrânica, a possibilidade de o mesmo chefe revelar pouca seriedade nesta ou naquela área é sempre relativizado com um sorriso malandro que reduz as críticas a mau perder, ao mesmo tempo que desculpa a desonestidade com os resultados alcançados.

Há quem garanta que, na Madeira, nada voltará a ser o mesmo, que Jardim será obrigado a actuar de outra maneira, graças à firmeza do governo da República. Como São Tomé, cá estaremos, durante os próximos quatro anos, para confirmar que até pode não ser assim. Entretanto, a maioria absoluta continua e parlamento madeirense continuará a legislar de acordo com os interesses pessoais de alguns deputados, sujeitos à impunidade parlamentar.

Hoje é Dia de Pesagens

 

Retomamos a rambóia habitual dentro de momentos.

 

Dia de reflexão na Madeira IV

-Já reflectiste?

-Estou indeciso, não sei de que é que me hei-de mascarar este ano.

Dia de reflexão na Madeira III

-Já vês luz ao fundo do túnel?

-Não, mas acho que vejo outro túnel pronto a inaugurar ao fundo deste túnel.

Dia de reflexão na Madeira II

A culpa é dos cubanos

O Futuro da CCDRN:

Confesso o pecado: hoje tirei semelhante folga que só comprei o jornal quando fui jantar. Por isso não sabia que o vídeo colocado mais abaixo tinha sido tema no Jornal de Notícias e, para surpresa minha, a CCDRN (Comissão Coordenadora e de Desenvolvimento Regional do Norte) tinha sido tema de capa.

Segundo uma fonte do Jornal de Notícias, o Eng. Carlos Duarte é o próximo presidente da CCDRN. Uma excelente notícia. Porém, ao ler a peça de fio a pavio (duas vezes) dei por mim a pensar que cheira a queimadela. Da grossa. Os anos que levo a “virar frangos” a tal me obrigam. Mesmo olhando para o cabeçalho e verificando que a peça foi feita por um dos melhores jornalistas nacionais.

O Eng. Carlos Duarte aparece como o preferido dos autarcas do Norte. Só meia verdade. Ora vamos lá ver: o Eng. Carlos Duarte é o preferido da esmagadora maioria dos autarcas do PS e do PSD do Norte? É a mais pura verdade. Como o é, de igual forma, o facto de ser o preferido da esmagadora maioria dos múltiplos técnicos da área, dos diferentes dirigentes das inúmeras instituições públicas e privadas da Região Norte.

Porquê? [Read more…]

Um político com tomates:

Nem vale a pena continuar a “bater no ceguinho”, todos sabem as responsabilidades do anterior governo no estado calamitoso das contas públicas.

Nem vale a pena querer explicar, por A +B, o conteúdo do livro verde sobre o poder local. Ninguém quer perder uma migalha de poder.

O que vale a pena é falar claro e enunciar tudo sobre a nossa realidade local. Na esmagadora maioria dos municípios temos freguesias a mais. E quanto menos rural é o concelho, mais notória é essa realidade.

Um exemplo que conheço bem: a Maia. Existe uma vila chamada Castelo da Maia que é composta por cinco, repito, cinco freguesias (Gemunde, Barca, Gondim, S. Pedro e Sta. Maria do Avioso). Cada uma delas, isolada, pouco consegue. As cinco, reunidas numa só e a que se poderia chamar, perfeitamente, freguesia do Castelo da Maia, teriam massa crítica suficiente para impor um conjunto de vantagens, junto do Município, que hoje, todas elas separadas, não conseguem. Aqui está um exemplo. Outro exemplo encontro no interior, em pleno Douro, no concelho de S. João da Pesqueira. Duas freguesias vizinhas (Riodades e Paredes da Beira) cuja racionalidade obrigaria, sem ser necessário qualquer reforma imposta de cima, a uma fusão. As duas, em separado, pouco contam. E tantos outros exemplos poderiam ser enunciados. [Read more…]