Os programas dos partidos

Bloco de Esquerda
CDU
PS
PSD
CDS-PP

FUTAventar – uma vitória concludente

Mais uma vez e apesar de todas as vicissitudes resultantes de uma equipa que ataca do primeiro ao último minuto e de outra que só defende, e de, aqui e ali, o árbitro fazer os possíveis para prejudicar o alto ritmo imposto, só desconfiei que pode bem por ter sido ele que não aguentou o tal ritmo vertiginoso imposto por esta equipa muito bem trabalhada sob o ponto de vista físico-táctico, apesar dessas vicissitudes resultantes de uma postura tactica que remeteu a equipa “vítima” para a defesa, o Leão conseguiu mais uma vitória a todos os títulos merecida, quer na plano táctico, físico e técnico, apesar das vicissitudes.

Os jogadores apresentaram-se mais secos, menos “glamorosos” mas mais cientes de uma postura técnico-táctica que reflecte a superioridade, de quem pode contar com um jogador internacional e que na primeira hipótese facturou, dando inteira justiça ao jogo, justiça aliás que não temos cá no país nem vamos ter enquanto o Sócrates continuar com aquelas investidas político-partidárias de colocar “camaradas” em lugares chave no processo, como aliás o Pintinho coloca na Federação.

Estádio bem composto de “descompostos” relva bem tratada, temperatura amena e a namorada do Djaló, lá estava mas sem vestido de “chifron”, tipo gata borralheira, a armar ao pingarelho que está muito apaixonada, bem mas isso é outra história, como aliás….

Novo Governo, novos Ministros! (as minhas apostas)

José sócrates disse no debate de ontem que ia haver novos Ministros no próximo Governo. Em cada pasta, um ministro que não era dessa pasta. As minhas apostas para os novos Ministros são as seguintes:
Presidência do Conselho de Ministros – Augusto Santos Silva
Ministro dos Negócios Estrangeiros – Nuno Severiano Teixeira
Ministro das Finanças – Vieira da Silva
Ministro da Defesa – Luis Amado
Ministro da Administração Interna – Rui Pereira
Ministra da Justiça – Pedro Silva Pereira
Ministro do Ambiente – Jaime Silva
Ministro da Economia – J. P. Sá Couto
Ministro da Agricultura – Nunes Correia
Ministro das Obras Públicas – Jorge Coelho (em acumulação com a Mota-Engil)
Ministro do Trabalho e da Solidariedade Social – Alberto Costa
Ministro da Saúde – Correia de Campos (regresso triunfal)
Ministro da Educação – Valter Lemos
Ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior – Maria de Lurdes Rodrigues (agora para lixar os professores do Superior)
Ministro da Cultura (pasta sem titular desde a saída de Isabel Pires de Lima) – José António Pinto Ribeiro
Ministro para a Comunicação Social (nova pasta) – Emídio Rangel
Secretário de Estado para a TVI – Emídio Rangel

O debate Sócrates – Ferreira Leite (agora a frio)

Passaram as emoções do grande debate de ontem à noite e uma cama faz bem a qualquer um. Uma pessoa reflecte, vê de novo o debate e acaba por formar uma opinião definitiva. Como sabem, sou completamente anti-Sócrates e estou ansioso por me tornar, a partir do dia 27, completamente anti-Ferreira Leite. Só que, como não se pode tratar dos dois ao mesmo tempo, tratemos primeiro deste e arrumemos a figura a um canto da lusa história. Teremos então tempo para tratar da dita senhora.
Posto isto, depois de analisar as coisas mais friamente, parece-me que Manuela Ferreira Leite venceu o debate por uma ligeira vantagem. Mais. Tendo em conta as expectativas que estavam criadas, a de uma humilhação sem precedentes, foi mesmo uma grande vitória para a candidata do PSD. Claro que, entre os meus critérios, não está aquele que fala mehor, aquele que tem mais presença, aquele que apresenta uma imagem melhor.
É verdade, como alguém disse numa caixa de comentários daqui do Aventar, que a senhora muda demasiadas vezes de opinião e que só é séria quando não se ri. Mas não são assim todos os políticos? Basta ouvir a forma como o primeiro-ministro falou dos professores durante quatro anos e a forma como fala agora. E depois destes quatro anos, alguém pode realmente acreditar que José Sócrates é diferente dos outros? Alguém pode acreditar que José Sócrates é sério?
Pronto, era isto. Agora de forma fria e racional, Manuela Ferreira Leite ganhou. Ganhou, sim, ganhou.

Professores na rua antes das eleições

net12Não… Não vou escrever sobre os milhares de professores que continuam desempregados, longe, bem longe das escolas onde poderiam ser tão úteis.
Escrevo sobre a discussão que segue de mail em mail, de site em site sobre a necessidade (ou falta dela) de os docentes voltarem à rua antes do dia das eleições.
Sobre esta questão escrevi que os professores deveriam voltar à rua a 21 de Setembro.
Penso hoje que essa iniciativa não faz sentido.
O espaço público eleitoral deve ser ocupado pelos candidatos e pelas propostas – não devemos misturar a nossa luta com as questões partidárias. Esse foi um dos grandes méritos que conseguimos ter. Não fomos, em momento algum, a reboque dos partidos – o contrário aconteceu, mas isso é um problema dos partidos, não nosso.
Tivemos também a capacidade de introduzir na discussão eleitoral o tema da Escola Pública, em particular no que à carreira docente diz respeito.
Não podemos, a troco de ódios pessoais, deitar tudo a perder.
Além disso, permitem que pergunte: ia para a rua fazer o quê?
Levar a direita ao colo até ao poder?
Eu não quero o Sócrates a Primeiro-ministro, mas quero ainda menos a Manuela Ferreira Leite e a “sua” verdade conservadora.

FUTaventar – S.L. Benfica #4

Confiança. Esta é a palavra. A tranquilidade de me sentar em frente ao computador para ver uma equipa, que sei, vai ganhar! E depois de marcar um golo, o adversário nem do meio campo consegue passar.
Objectivo alcançado porque é nestes jogos que se ganham os campeonatos!

Contrato a prazo dos ministros

Ao longo dos últimos os Professores desenvolveram uma intensa luta contra as políticas do actual governo. Em inúmeros momentos e para muitos de nós a confusão entre as pessoas e as políticas tornou as coisas, quase sempre, demasiado personalizadas: o ódio à divisão na carreira é quase tão grande como aquele que se sente pela “ministra” ou pelo Sócrates. Uma coisa e outra são difíceis de separar.
Talvez por isso, ou por outra qualquer razão, os ministros ficaram ontem a saber que estão na rua de uma maneira ou de outra: com ou sem vitória do PS.
No caso da ministra, obviamente fica um problema a menos com esta senhora bem longe do sistema educativo, mas, caros camaradas socialistas, “O problema” está longe de ser principalmente esse.
As “mães de todos os problemas” são as medidas em concreto – não foi, nem o estilo, nem as pessoas. Foi mesmo uma questão de conteúdo: a divisão na carreira no topo dessa montanha de trapalhadas!

Sem SPORTTV? A solução é:

ver os jogos do futuro campeão na net:

http://www.atdhe.net/index.html

http://www.tvgente.com/

Legislativas 09:

A questão do TGV é o melhor exemplo da política à portuguesa. Quando o PSD foi governo queria muito o TGV. Queria-o tanto que até multiplicou linhas. Por sua vez, o PS afirmava que não podia ser, era muito dinheiro e as prioridades deveriam ser outras.
Quando o PS chegou ao governo passou a defender o TGV. Já o PSD passou a ser totalmente contra.

Entrem os Gatos Fedorentos, SFF.

O circo voador

Escrevo-vos sob o retumbar dos motores. Abrigada da fúria das máquinas que cortam os ares. Daqui até lá em baixo, ao rio, vão descendo os últimos mirones, os que se deixaram atrasar pelo almoço de domingo, e sabem que já não vão encontrar um lugar decente, mas nem por isso se desanimam. De nariz no ar, com os bonés recebidos hoje ou na corrida dos pais natais ou na maratona dos homens com unhas encravadas, aqui estamos a apontar para filhos ou netos a pirueta do avião. Cabe explicar que eu vivo numa cidade que perdeu a esperança de se reassumir como pólo de criação. Vivo numa cidade em que a atribuição de subsídios aos agentes culturais depende da assinatura de uma declaração de compromisso de não fazer comentários críticos a respeito do autarca e da sua gestão. Vivo numa cidade que entregou uma das principais salas de espectáculo – que já foi um dos eixos de uma política de apoio à criação artística – a um senhor produtor que se dedica à reciclagem de espectáculos serôdios, sem deixar espaço a novos criadores ou à experimentação. Vivo numa cidade governada por quem vê os artistas como uma panda de piolhosos, maltrapilhos, sempre ávidos de surripiar mais um subsídio que lhes mate a fome.

Essa gente que produz coisas incompreensíveis para os burocratas, coisas que não possuem, nem de longe, a espectacularidade do rugido dos motores dos aviões, e que ainda para mais não dão lucro. E esmagar essa corja, reduzi-los ao nada a que pertencem, é um serviço que um autarca presta à cidade. E é por isso que esta tarde os aviões nos sobrevoam. Os espectáculos no Rivoli custam dinheiro, mas restam-nos os aviões, esse embriagador circo aéreo, que vem lembrar que quando não há cultura servem-nos espectáculo. E que com pão e circo nos entretemos.

Francisco Leite Monteiro – A autonomia dos Açores e da Madeira

A bem da verdade histórica – a autonomia da Madeira e dos Açores deu os seus primeiros passos no final do séc. XIX

A autonomia dos Açores e da Madeira, será a força que move, que “estabiliza e fortifica o pulsar democrático dos cidadãos insulares” como escreve Rubina Berardo (DN de 19.08.2009) mas é bem anterior a 1976. A autonomia já tem de facto mais de 100 anos não obstante, é certo, que a aprovação da Constituição da República Portuguesa de 1976 consignou, efectiva e definitivamente, o princípio da autonomia da Madeira e dos Açores, como regiões dotadas de estatutos político-administrativos e de órgãos de governo próprios. Em um outro artigo de João Abel de Freitas (DN de 20.08.2009) mais focalizado no aperfeiçoamento da autonomia na Região da Madeira, o autor salienta a falta que vai fazendo um “debate sério e participado sobre a autonomia – o que é, para que serve e até onde vai”.

Neste encadeamento de ideias, parece ser útil tornar claro, onde tudo isto começa. A bem da verdade histórica, que faltará sobretudo no artigo de E.B., há que recordar que a autonomia dos Açores e da Madeira, deu os seus primeiros passos, no final do século XIX. Foi por Decreto Real de 2 de Março de 1895, em relação aos Açores e por carta de lei de 22 de Maio de 1901 que ajustou algumas das disposições do mesmo decreto, tornando-o extensível à Madeira. Tratada que foi a questão, com todo o mérito, por historiadores de reconhecida idoneidade, bastará transcrever, na parte que interessa, o que sobre o assunto refere o “Elucidário Madeirense” da autoria de Fernando Augusto da Silva e Carlos Azevedo de Meneses, publicado em 1921 e reeditado em 1940:

“O dia 8 de Agosto de 1901 figura como uma data memorável nos anais deste arquipélago. Foi nesse dia que o conselheiro Ernesto Rodolfo Hintze Ribeiro, então presidente do conselho e ministro do reino, referendou um decreto concedendo à Madeira a autonomia administrativa nas mesmas bases em que já anteriormente fora concedida aos distritos açorianos. Não é sem dúvida uma autonomia com amplos poderes de administração local, mas representa um dos mais apreciáveis benefícios com que tem sido dotada a Madeira num longo período de séculos e certamente o maior de todos, no que diz respeito à concessão dos meios indispensáveis para a fácil realização de importantes melhoramentos materiais”. A propósito das faculdades e atribuições consignadas no decreto, o “Elucidário Madeirense” salienta ainda, que as mesmas passaram a residir “numa corporação administrativa, que tem o nome de Junta Geral, cuja organização e funcionamento diferem das suas congéneres do resto do país. … … O primeiro Presidente da Junta Geral do Funchal e que a ela prestou relevantíssimos serviços foi o Conselheiro José Leite Monteiro e teve como primeiro chefe da sua secretaria o Dr. Manuel dos Passos Freitas … … O decreto de 31 de Julho de 1928 ampliou notavelmente a esfera da autonomia administrativa, alargando bastante as suas faculdades e atribuições …”

O percurso no sentido da implementação da autonomia não foi pacífico, aconteceram greves, houve revoltas populares, foram promulgados diplomas visando a sua regulamentação – nomeadamente, a lei de bases de administração das ‘Ilhas Adjacentes’ de 30.04.1938 e o ‘Estatuto dos Distritos Autónomos das Ilhas Adjacentes’ de 1939, sucessivamente revisto em 1940 e 1947 – tendo, todavia, continuado por concretizar muitas intenções e promessas, até à aprovação e promulgação da Constituição da República Portuguesa de 1976. Uma vez mais foi o abrir da porta da esperança desse horizonte que, dir-se-ia, distante e, daí o alerta de J.A.F. para a necessidade de realizar o tal “debate sério e participado sobre a autonomia” para que, embora centenária, paradoxalmente, continue ainda por acontecer.

Publicado também no «Diário de Notícias»

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Cartazes das Autárquicas (Estremoz)

estremoz-CDU
Jorge Pinto, CDU
estremoz-PS
José Alberto Fateixa, PS

PARTE INTEGRANTE DE PORTUGAL

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INDEPENDÊNCIA, NEM PENSAR!
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Mas anda tudo parvalberto joãoo ou quê?
A Madeira é parte integrante de Portugal, como o são os Açores ou o Minho ou o Algarve.
Já tivemos outras que ficaram independentes, mas, em grande parte porque as suas populações assim o queriam. E para esses éramos colonizadores, e fizemos uma “excelente descolonização”, “exemplar”, diria!
Na Madeira são poucos os adeptos da independência. Muito poucos até. Percentualmente são menos que os que,no continente, acham que deveríamos ser uma província espanhola.
Só mesmo uns quantos mentecaptos podem afirmar, só porque não gostam do Presidente do Governo Regional, que lhes deveríamos dar a independência.
Os Madeirenses têm um dos melhores níveis de vida do País, e a inveja rói estes parvalhões que assim pensam.
Os Madeirenses têm um dos melhores Presidentes seja do que for que alguma vez Portugal teve. Defende intransigentemente os seus. Luta por eles, melhora o seu nível de vida. Só por isso, em mais de trinta anos de eleições livres, ganha sempre, e cada vez com maior percentagem.

Quem nos dera a nós, aqui no rectângulo, um Presidente, Primeiro Ministro, ou, quando houver regiões, um Presidente de Governo Regional, com estas qualidades. Mesmo que, desbocado, diga coisas que não agradam a muitos, mas que ninguém se atreve a desmentir. Não acredito que Alberto João seja independentista. Antes que tenha usado esta forma de dizer as coisas para provocar reacções nas gentes do continente. É só um pequeno aviso à navegação.

Experimentem ir até lá, e vejam como as pessoas vivem, e o nível de satisfação de que gozam. Falem só depois de saberem. E não me venham falar dos dinheiros que para lá mandamos, que isso está consagrado na Constituição, e outros, noutros lugares, também o recebem e não conseguiram o desenvolvimento que lá se conseguiu. E isto para não falar dos milhões de milhões que diariamente se gastam, por esse país fora, sem se saber ao certo, para quê ou para quem.

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JM
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Falando de democracia: Rotativismo e «alternância democrática»

Há um provérbio beduíno que diz, mais ou menos, «por cada vez que olhares para trás, olha três vezes para a frente». Vem isto a propósito daquela tese, se assim lhe podemos chamar, segundo a qual a história se repete. Eu diria que, mais do que uma tese, é uma superstição. Um político que se guiasse por esse princípio no exercício da sua função, seria como um automobilista que conduzisse o carro olhando para o retrovisor. Senão vejamos – já por diversas vezes me têm chamado a atenção para a similitude entre aquilo a que, nos nossos dias, chamamos o «bloco central» e «alternância democrática» (e ainda «pacto de regime») e o sistema político-partidário que antecedeu a ditadura de João Franco (1906) e deu pelo nome de «rotativismo». Vejamos então o que há de comum e o que existe de diferente entre a realidade portuguesa de há pouco mais do que um século e a situação política actual.
O rotativismo fora experimentado na Grã-Bretanha desde meados do século XIX, com tories e whigs alternando-se no governo. Em Portugal, houve um primeiro ensaio do sistema entre 1851 e 1865, com os partidos Histórico e Regenerador. Em 1876, da fusão do partido Histórico com o Reformista, nasceu o partido Progressista, sob a liderança de Luciano de Castro. Foi este quem defendeu nas duas Câmaras a implantação de um sistema bipartidário, com um partido conservador e outro mais liberal alternando-se no Poder. Os partidos Regenerador e o Progressista assumiram esse papel e o sistema funcionou até que o Ultimato britânico de 1890 provocou uma crise que se prolongou até 1892, impedindo o sistema de funcionar. No ano seguinte começou a derradeira fase do rotativismo. Em 1906, o Partido Regenerador-Liberal, liderado por João Franco, venceu as eleições legislativas. O rotativismo acabou. Entretanto, desde a traumática questão do ultimato, que desacreditou não só a instituição monárquica como também o próprio sistema parlamentar, o Partido Republicano e o Partido Socialista (nada tinha a ver com o actual, a não ser o nome) ganharam força. As Cortes transformaram-se numa liça de lutas verbais (e não só). D. Carlos quis reforçar o poder real e encarregou João Franco de formar um governo de ditadura – um pouco como aquilo que Manuela Ferreira Leite sugeria quando falou de «seis meses sem democracia, para pôr tudo na ordem» – a ideia do rei era mesmo essa, pôr tudo na ordem (menos ele, claro), mas a coisa não resultou – em 1908 deu-se o Regicídio e em 1910 a proclamação da República.
A democracia como sabemos, nos seus primeiros tempos, quer em 1910, quer em 1974, provocou agitação e aquilo a que os amantes da ordem, e os nostálgicos do antigo regime, chamam caos. De facto, durante a ditadura do Estado Novo, reinara uma paz e uma ordem semelhantes às que imperam nos cemitérios. Foi então que, em nome da estabilidade política, começaram a irromper os «pactos de regime» e começou a edificar-se o «bloco central»com uma «alternância democrática» no poder partilhada por PS e por PSD.
Comparar o rotativismo com a «alternância democrática» faz algum sentido na medida em que ambas as soluções conduzem a uma situação efectiva de não-democracia, àquilo a que se usa designar por «partidocracia» e de que já aqui falei. Quando vejo, agora neste período eleitoral, sobretudo, a sanha com que PS e PSD se digladiam, se denunciam reciprocamente, não posso deixar de pensar que se trata não de uma comédia representada para povo ver, mas de uma luta real não pelos interesses nacionais, como nos querem fazer querer, mas pela ocupação de um poleiro de onde se pode chegar aos tachos, distribuí-los pela família e pelos amigos, não esquecendo os adversários, que amanhã, por certo, os substituirão no governo e retribuirão a gentileza. É o chamado «acordo de cavalheiros». Os grandes grupos económicos apostam num ou noutro dos dois grandes partidos, embora não se lhes possa exigir fidelidade. Apoiam, contestam ou apeiam ao sabor dos seus interesses – convicção política é coisa incompatível com esses interesses.
É ocioso estarmos a discutir se queremos ou não queremos, se gostamos ou não gostamos do «bloco central», como diz Mluciano Amaral em artigo do «Diário de Notícias», o «bloco central» ou «pacto de regime» instalou-se no dia em que Sá Carneiro morreu: «uma social-democracia e um welfare state que nunca foram grande coisa, agora claramente disfuncionais e (o que é mais) muito brevemente inviáveis. O PS nunca quis mais do que isto. E a partir do dia em que caiu o avião em Camarate, o PSD também não». Porém, para que o «bloco» funcione, é preciso que os dois partidos se digladiem, que se acusem, que descubram falcatruas no campo oposto – Isaltino de Morais, Avelino Ferreira Torres, Fátima Felgueiras, são as personagens pícaras da mesma tragicomédia – a commedia dell’arte da democracia. Commedia onde não faltam Pantaleões, Pierrots, Columbinas, Arlequins e Polichinelos – embora polichinelos como Alberto João Jardim sejam nefastos para o sistema, pois põem a nu a fragilidade da sua estrutura. E vêm provar que a moral desta comédia é precisamente não haver moral.
Isto que temos, este sistema teoricamente multipartidário, mas bipartidário na prática, é uma democracia? Claro que não? Há liberdade de expressão e há liberdade de associação, mas falta um dos pressupostos do demokratía (governo popular ou do povo) – por acaso, o principal dos seus pressupostos que é a de ser o povo a governar. Salazar era tacanho e, fez a tradução do grego muito à letra – (Governo do povo? Era o que faltava!) não compreendeu um dos mecanismos essenciais das sociedades modernas – o poder do marketing político. Quando, após a vitória dos aliados, converteu o seu fascistóide regime corporativo, na tal «democracia orgânica» – faltou-lhe dar o passo decisivo – proceder a eleições livres, sem fraudes nos cadernos eleitorais nem «chapeladas» – talvez não ganhasse as primeiras eleições, mas acabaria por ganhar. Mas a democracia era, para o seu espírito moldado à dimensão de Santa Comba e do seminário de Viseu, um papão. Os partidocratas deram esse passo. E afinal não aconteceu nada. O País é deles, os cargos e sinecuras são deles. O que mudou de essencial? Podem falar à vontade, dizem eles., que é como quem diz – «falem pr´áí». Temos de nos contentar com isso?
Não perfilho a ideia de que a «história se repete», pois é um conceito acientífico, que remete mais para o foro da superstição religiosa, fugindo à objectividade com que os fenómenos históricos devem ser analisados. Diria, perante certas listas de coincidências que por aí circulam (algumas forjadas) que se trata não de ciência histórica, mas de curiosidade de almanaque. No entanto, não pode duvidar-se que, em circunstâncias idênticas, a humana condição leva os acontecimentos pela rédea e conduz a comportamentos e soluções também idênticos.
Semelhanças entre o rotativismo e este sistema de «alternância democrática», apenas uma: quando uma classe, um grupo social ganha o poder, cria mecanismos para os conservar. É difícil comparar Portugal e o Mundo de há um século com os de hoje. Há cem anos as economias nacionais eram compartimentadas e as respectivas políticas também. Hoje, com tudo o que tem de fantasioso, a globalização torna-nos mais dependentes do que éramos então – se em Nova Iorque abrem uma porta e uma janela, nós constipamo-nos com a corrente de ar. Porém, hoje como há um século, há uma elite político-económica que apenas está dividida por questões formais e que, para preservar «valores» comuns, como o da prevalência dos seus interesses, encontra acordos tácitos que não necessitam de ser lavrados em documentos – pacto de regime, bloco central, alternância democrática, rotativismo… um partido aparentemente mais de direita, outro formalmente mais de esquerda (para dar o toque democrático), mas visand
o
ambos o mesmo objectivo – conservar o poder – lutam pelo «poder». O resultado não precisa de ser combinado – ganhe quem ganhar, o poder dos grandes grupos político-económicos não será posto em risco. Hoje como há cem anos, governam partidos governados por gente afim. Há cem anos, uma elite de bacharéis e de negociantes endinheirados, hoje um escol de licenciados (uns mais do que os outros) dependente das multinacionais, das grandes empresas indígenas e, last but not least, das centrais de inteligência, dos centros de poder político mundial..
Agora que olhámos uma vez para o retrovisor, olhemos, de olhos bem abertos, as próximas três para a estrada que á frente se nos abre. Porque os beduínos devem ter razão. Semelhanças com o rotativismo de há cem anos, só esta – quando uma classe ou um grupo social atinge o poder, muda as regras do jogo de modo a ganhar sempre. Mesmo quando parece que perde.

ETICA E EDUCAÇÃO (8)

ETICA E EDUCAÇÃO (8)
Binómio Ética-Educação
De qualquer forma é-me difícil não considerar, desde já, como virtudes, hábitos de diligência, seriedade, sinceridade, lealdade, competência, responsabilidade, coragem, perseverança, altruísmo, disponibilidade e solidariedade. Quero dizer-vos, no entanto, que há virtudes estabelecidas que podem não o ser. A tão propalada tolerância, que parece um termo eticamente atraente, pode ser uma palavra injusta, já que quem tolera se pode sobrepor, verticalmente, ao que é tolerado, em presunção de superioridade. A tolerância não é mais do que uma virtude passiva se não aceitar o outro e a diferença. Na democracia dialógica as relações são ordenadas pelo diálogo e não pela posição. Á cultura da tolerância, onde muitas vezes a ética se confunde com egocentrismo disfarçado, penso que devemos contrapor a cultura da diferença e da diversidade, altruísta, policêntrica e horizontal, esta sim, uma virtude activa. A diferença sou eu próprio, a diferença é cada um de nós.
Também não sou a favor do consenso pelo consenso, especialmente quando este significa o acordo acima de tudo, a subalternização da diferença, o patamar acima das consciências, a posição acomodatícia, a hipocrisia, a cobardia, o marasmo, a desistência, a segurança dos inseguros, a roda desdentada que rola bem mas nada produz. Exigir o consenso pode significar não deixar o outro falar, fechar o espaço para o diferente, acabar com o diálogo onde ele devia começar. Nas entranhas do consenso pode a liberdade exalar o seu último suspiro. Sou dos que pensam que a ética, podendo não ser incompatível com o consenso, está na luta, na discussão e no direito de ser minoria. (continua)

                            (manel cruz)

(manel cruz)

ASSOCIAÇÃO ATEÍSTA PORTUGUESA

ASSOCIAÇÃO ATEISTA PORTUGUESA

Objectivos:
A Associação Ateísta Portuguesa propõe-se e constituem seus objectivos:

Fazer conhecer o ateísmo como mundividência ética, filosófica e socialmente válida;
A representação dos legítimos interesses dos ateus, agnósticos e outras pessoas sem religião no exercício da cidadania democrática;
A promoção e a defesa da laicidade do Estado e da igualdade de todos os cidadãos independentemente da sua crença ou ausência de crença no sobrenatural;
A despreconceitualização do ateísmo na legislação e nos órgãos de comunicação social;
Responder às manifestações religiosas e pseudo-científicas com uma abordagem científica, racionalista e humanista.

Manifesto
Na sequência da legalização da Associação Ateísta Portuguesa, os outorgantes da respectiva escritura saúdam todos os livres-pensadores: ateus, agnósticos e cépticos, que dispensam qualquer deus para viverem e promoverem os valores da liberdade, do humanismo, da tolerância, da solidariedade e da paz.

Os ateus e ateias que integram a Associação Ateísta Portuguesa, ou a vierem a integrar, aceitam os princípios enunciados pela Declaração Universal dos Direitos do Homem e respeitam a Constituição da República Portuguesa.

O objectivo da «Associação Ateísta Portuguesa» é mostrar o mérito do ateísmo enquanto premissa de uma filosofia ética e enquanto mundividência válida. Porque o ser humano é capaz de uma existência ética plena sem especular acerca do sobrenatural, e porque todas as evidências indicam que nenhum deus é real.

A Associação Ateísta Portuguesa defende também os interesses comuns a todos os que escolhem viver sem religião, defendendo o direito a essa escolha e a laicidade do Estado, e combatendo a discriminação e os preconceitos pessoais e sociais que possam desencorajar quem quiser libertar-se da religião que a sua tradição lhe impôs.

A criação da Associação Ateísta Portuguesa coincide com uma generalizada ofensiva clerical a que Portugal não ficou imune. Apesar de o ateísmo não se definir pela mera oposição à religião e ao dogmatismo, em nome da liberdade, da igualdade e da defesa dos direitos individuais a «Associação Ateísta Portuguesa» denuncia o proselitismo agressivo e a chantagem clerical sobre as sociedades democráticas. O direito de não ter religião, ou de ser contra, é igual ao direito inalienável de crer, deixar de crer ou mudar de crença, sem medos, perseguições ou constrangimentos.

O ateísmo é uma opção filosófica de quem se assume responsável pelos seus actos e pela sua forma de viver, de quem dá valor à sua vida e à dos outros, de quem cultiva a razão e confia no método científico para construir modelos da realidade, e de quem não remete as questões do bem e do mal para seres hipotéticos nem para a esperança de uma existência após a morte.

A Associação Ateísta Portuguesa representa todos os que optem por esta forma de viver e defende a sua liberdade de o fazer.

FC Porto – FutAventar#6:

Traineira ao fundo!

O debate Manuela Ferreira Leite – José Sócrates. Afinal quem foi o primeiro-ministro nos últimos 4 anos?

Todos aqueles que esperavam uma goleada histórica no debate de hoje devem estar, neste momento, muito desiludidos. Manuela Ferreira Leite não só não foi humilhada como conseguiu uma ligeira vitória. Poderia ter ganho à vontade, e nisso concordo com o José Magalhães, mas a sua falta de jeito não lhe permitiu tal façanha.
Quanto ao desempenho de José Sócrates, a certa altura pareceu-me que não foi ele o primeiro-ministro nos últimos 4 anos, tal era a forma como atirava as culpas de tudo para a sua adversária. Como é possível, pergunto eu, sabendo-se que o PS esteve no poder 11 anos nos últimos 14?
Espantosa, também, a forma como se vitimizou. Dizendo que Manuela Ferreira Leite estava a atacá-lo pessoalmente e a dedicar-se à maledicência. Senhor primeiro-ministro, atacá-lo pessoalmente era falar da licenciatura ao Domingo, do Freeport, da Cova da Beira, dos projectos manhosos da Guarda, da Sovenco, da casa comprada a metade do preço, das declarações de rendimentos do Tribunal Constitucional, dos documentos do Notário desaparecidos. Isso sim, seriam ataques pessoais.

LEITE – 5, SÓCRATES – 4

.MFL GANHA, POR POUCO

Empate técnico.
MFL, perdeu uma boa oportunidade de cilindrar JS.
O seu pouco traquejo em debates deste tipo, deu vantagem a ao ainda nosso Primeiro, nesse ponto.
Sócrates não perdeu votos, e Leite não os ganhou.
Ninguém ganhou com o debate.

there is a light that never goes out

duerer_praying_hands

enfim, a ESPERANÇA nos nossos corações ! 

esperemos que a manelita crie RIQUEZA, RIQUEZA nas nossas contas bancárias, directamente, claro está, porque não serão certamente os nossos empresários que, de borla e à francesa, acompanhando as visitas oficiais do presidente da república, se limitam a encher a pança de acepipes e se esquecem do cardápio de negócios ou então aqueles que, à boa maneira portuguesa, como diz o grande homem de negócios do norte, «estou-me a marimbar para o estado, vou investir outdoors». 

esperemos que o filósofo termine com sucesso a rede de creches e lares, e de forma abrangente, com vagas para a totalidade da populaça, porque das duas uma: ou acabamos a ter que aprender a ler e a contar outra vez ou então perdemos toda e qualquer faculdade para tal, medicados durante dias, meses e anos a fio. pouco importa. para o filósofo, ou melhor, para «o filho que matou o pai e a mãe para ser orfão», VIVEMOS NO MELHOR DOS MUNDOS. 

há por aí algum antero de quental numa vila do conde do hoje e do agora que nos salve dos ingleses, perdão, dos espanhóis ?

ass: ANARQUISTA DUVAL

Carta aberta a Ferreira Fernandes

Caro Ferreira Fernandes,

Li hoje a sua crónica no «Notícias Magazine de Sábado», ou lá como se chama o pasquim do «Jornal de Notícias» onde agora escreve.
Nessa crónica, diz o senhor que viu um «Prós e Contras» que resumia os últimos quatro anos, porque ali estavam aqueles que não conseguiram governar, representados pelo ministro Santos Silva, e aqueles que não deixaram governar, representados por Francisco Lopes do Partido Comunista. Referia-se, como explicou ao longo do seu texto, à avaliação de professores.
(ah, o bom Prós e Contras que, só por si, foi todo um programa de Legislatura. Passou por ali, qual braço armado do Governo, grande parte da campanha movida contra os professores desde 2005. Durante anos, a Ministra da Educação pôs e dispôs do programa à medida das suas conveniências, tendo proibido sempre a presença de Mário Nogueira no painel de convidados. Na única vez em que Mário Nogueira foi convidado, há bem pouco tempo, a Ministra não apareceu).
Voltando ao seu texto. É espantoso! O actual Governo teve maioria absoluta durante quatro anos, mas o Partido Comunista não o deixou governar. Nem José Sócrates diria melhor.
Diz o senhor que foi o Partido Comunista que impediu a avaliação dos professores. Pensa, depreende-se, que todos ou a maioria dos professores são comunistas e que nenhum deles terá votado PS. Pensará também que todos os professores são seres acéfalos que não sabem pensar pela sua cabeça e que se limitam a seguir as ordens do chefe, que neste caso deverá ser Mário Nogueira.
Parece que o deputado comunista não soube dizer o que faria com os professores que tivessem negativa na avaliação. Isso significa, para si, que os professores não querem ser avaliados. Mais uma vez, é espantoso!
Pessoalmente, não tenho qualquer problema em ser avaliado e até defendo um modelo que distinga efectivamente entre os bons e os maus professores e que influencie a progressão na carreira. Só tenho pena que o Ministério não tenha conseguido implementar um modelo decente e minimamente exequível. Mas já agora, respondo à sua pergunta. A um professor que tenha nível negativo na avaliação, depois de ponderadas as circunstâncias, deve ser dada uma segunda oportunidade, se necessário através de formação profissional. Se mesmo assim continuar a ser um mau professor, deve ser afastado do ensino. Obviamente.
Mas lamentavelmente, o meu caro Ferreira Fernandes ignora que tudo começou com um movimento espontâneo dos professores, em particular as gigantescas manifestações de 2008, e que os Sindicatos (14 Sindicatos, a maior parte deles não afectos à CGTP) se viram obrigados a segui-los, sob o risco de ficarem para trás.
E ignora que foi o próprio Ministério da Educação que reconheceu que o monstro burocrático que criou, o modelo de avaliação de professores, não era exequível, de tão burocrático. Daí ter simplificado. Uma, duas e três vezes. Tão simplificado que, actualmente, já não avalia nada – menos ainda do que o anterior sistema. Basta não ter faltas injustificadas para ter BOM.
Ignora também o meu caro Ferreira Fernandes que foi o próprio primeiro-ministro que reconheceu discrepâncias e erros no modelo inicial e no modelo simplificado que «está» em vigor.
Ignora ainda que o modelo de avaliação proposto não passa de uma cópia do modelo chileno herdado de Augusto Pinochet, como refiro num outro «post».
Foi por isso que o Governo não conseguiu avaliar os professores. Porque o seu modelo de avaliação era muito mau. Não foi pela acção do PCP. Não foi por falta de gentileza. Foi porque era um péssimo modelo que não fazia qualquer distinção entre bons e maus professores e que era impossível de ser posto em prática nas escolas.
Quanto ao mais, o senhor pensa que os professores deviam gostar de uma patroa que durante quatro anos os insultou e os tratou mal. O senhor gostará desse tipo de patrões. Nós não – lamento.
Quem escreve sobre Educação devia estar melhor informado, meu caro Ferreira Fernandes. Já em 1937, Túlio Lopes Tomaz, em «Algumas Considerações sobre Instrução e Educação em Liceus em Portugal», n.º 38, dizia: «Isto de falar sôbre educação, deve ser coisa fácil, pois não há actualment barbeiro bem informado ou boticário bisbilhoteiro que não guarde, num bôlso interior, quatro frases repolhudas, apanhadas no ar, ou em folha de couve local, e que podem condensar-se em uma única afirmação: tudo é muito mau, excepto a quitessência nelas contida.»
Quem escreve sobre Educação, repito, devia estar melhor informado. E, já agora, não ser desonesto intelectualmente.

Sempre ao dispor,

Ricardo Santos Pinto, professor.

O debate José Sócrates – Manuela Ferreira Leite minuto a minuto

Aqui fica a visão do chat do Aventar, em directo, durante o debate entre os dois candidatos a primeiro-ministros. A análise fria e racional vem a seguir, mas podem continuar a participar no chat, agora com o balanço do debate:

Aventar: É o último debate pré-campanha eleitoral, Manuela Ferreira Leite e José Socrates vão trocar argumentos, que aqui vamos comentar. Nós e todos os nossos leitores, claro.

20:41 [Comentário de João Cardoso]
Para alguns o debate já acabou, ora vejam este comentário, que retirei do Público Online:

20:42 [Comentário de João Cardoso]

12.09.2009 – 20h06 – ROLF, Lisboa SÓCRATES DEU UMA VALENTE COÇA NA VELHA ! Sócrates ganhou o debate na Sic em toda a linha. Ficou-se a perceber mais uma vez quem é que encarna as ideias de progresso, das energias renováveis, das novas tendências degitais, do carro eléctrico e da sociedade moderna. Portugal não pode nem vai gser governado por uma velhota avòzinha salazarenta ao serrviço do país antiquado de Santana Lopes!

20:54 [Comentário de Atributos – José Magalhãe]
preparados?

20:58 João Cardoso: Parece que estamos

21:02 Atributos-José Magalhãe: Espero não me irritar muito. O Sócrates mex com os nervos de qq um

21:04 João Cardoso: Já mexeu com os meus à entrada: aquela de que só há 2 vencedores possíveis é de quem já suspendeu a democracia

21:05 Atributos-José Magalhãe: E a sra é que a queria suspender

21:09 Ricardo: cá estou

21:09 Atributos-José Magalhãe: Tem calma… ainda estamos nos anúncios

21:10 João Cardoso: Sim, já passou o do Ministério da Saúde…

21:13 Atributos-José Magalhães: quem espera….

21:14 [Comentário de Ricardo]
Cá estamos. Prognósticos?

21:15 Atributos-José Magalhães: só no fim…. mas acho que o tigre da malásia vai perder pontos (votos) aqui

21:20 Atributos-José Magalhães: O homem disse isto tudo sem se rir…. caramba!

21:25 Atributos-José Magalhães: bem fala frei Tomaz

21:28 Ricardo: como é que ela se está a portar?

21:29 João Cardoso: A resposta de que um de nós não vai ser deputado se ganhar as eleições, foi brilhante

21:29 Atributos-José Magalhães: Muito melhor do q eu estava à esoera

21:31 Atributos-José Magalhães: HUMILDADE?

21:31 João Cardoso: É humidade, enganou-se

21:31 Atributos-José Magalhães: rsrsrs

21:33 Atributos-José Magalhães: A cara de MFL vale um poema

21:34 Atributos-José Magalhães: O homem decorou uma data de citações

21:35 Ricardo: é o costume, as citações. mas nunca as leu.

21:35 Atributos-José Magalhães: e aponta o dedo…. mal criado

21:37 Atributos-José Magalhães: Só acaba o tempo para MFL?

21:39 Ricardo: está a defender-se bem no caso do tgv

21:39 João Cardoso: Mesmo não concordando com ela, tens razão

21:40 Atributos-José Magalhães: tb acho

21:41 Atributos-José Magalhães: Falou bem , a senhora

21:41 Ricardo: PORTUGAL NÃO É UMA PROVÍNCIA ESPANHOLA!

21:42 Atributos-José Magalhães: LÁ VEM A ARROGÂNCIA

21:42 Ricardo: o ENDIVIDAMENTO É O PONTO FULCRAL

21:43 Ricardo: Sócrates comprometeu-se em 2005 a não aumentar impostos.

21:43 Atributos-José Magalhães: mas explicou tudo mt bem explicadinho aos Portugueses

21:44 Ricardo: falA, Demagogia!

21:44 João Cardoso: Claro, este ano baixava os impostos

21:45 Atributos-José Magalhães: ano de elições…. no próximo subiria

21:46 Atributos-José Magalhães: O tempo está bem contado?

21:48 Ricardo: Piscando o olho ao centro, fala dos reformados

21:49 Atributos-José Magalhães: O palavroso parece falar mais tempo…. não gosto

21:50 João Cardoso: O homem tá fora da lógica mais elementar

21:51 Ricardo: lá vem ele com os programas alheios, sempre com um sorriso trocista e uma evidente falta de sentido de Estado

21:52 Atributos-José Magalhães: O homem percebe pouco do que MFL fala

21:53 Ricardo: Manuela Ferreira Leite continua a defender-se muito bem e a dar explicações racionais para as suas políticas. Quem a ouvir até acredita!

21:53 Atributos-José Magalhães: que magnânimo… a adr tempo

21:55 Atributos-José Magalhães: Lá estáo homem a não perceber… será que dá resultado?

21:55 Ricardo: Agora estão a discutir quem introduziu mais portagens

21:56 Atributos-José Magalhães: Ele interrompe constantemente e ninguèm diz nada

21:56 Ricardo: O senhor tem a noção? Mesmo sendo inúteis?

21:57 João Cardoso: Ele disse oportunismo… e continua sem se rir

21:57 Ricardo: Ferreira Leite defende-se menos bem no caso das SCUT

21:57 Atributos-José Magalhães: O homem é burro, ou faz-se

21:57 Ricardo: também porque o outro não pára de o interromper

21:57 [Comentário de joaquim seco]
o Sócrates está a ganhar?

21:58 Atributos-José Magalhães: Como ele consegue….. não se rir…. é fantástico

21:58 Ricardo: PS quer criar medo em relação à privatização da Segurança Social

21:59 Atributos-José Magalhães: Para já, só no tempo

21:59 Ricardo: ó joaquim seco, acho que estão empatados

22:00 Ricardo: com ligeira vantagem para Ferreira Leite (sem rancores, ó Freitas)

22:00 Atributos-José Magalhães: pela minha contagem q tem 9 pontos…. acho que MFL ganha 5-4

22:01 Atributos-José Magalhães: lá vem o programa dos outros

22:01 joaquim seco: vocês são do psd?

22:02 Ricardo: Sócrates vem com o Salario Minimo e tem razão, é uma pedra no sapato de Ferreira Leite

22:02 Ricardo: eu não, joaquim seco. BE /PCP, por aí.

22:02 Atributos-José Magalhães: eu sou do FCP

22:02 João Cardoso: Neste jogo sou neutro, mas sensível à irritação

22:03 joaquim seco: que adianta aumentar o salario mínimo quando não há emprego para ninguem?

22:03 Atributos-José Magalhães: O homem fez tudo no ultimo ano…. ano de eleições, claro

22:04 Atributos-José Magalhães: deu tudo e mais alguma coisa…. quem vier a seguir que se amanhe

22:04 Atributos-José Magalhães: Boa.MFL… ele que responda

22:05

22:06 Atributos-José Magalhães: ele continua a não entender MFL…. boa defesa

22:06 João Cardoso: Eu passei 4 anos a aturar este demagogo

22:07 Atributos-José Magalhães: Nunca mais é dia 27 para dar um pontapé neste gajo

22:08 Atributos-José Magalhães: O homem brinca com as palavras

22:09 Ricardo: Volta a defender-se muitoo bem com a Segurança Social. Daqui a 10 anos, ele não vai estar lá e as reformas vão ser metade do que são agora.

22:10 Ricardo: Novo tema: SNS. Será que vai fechar do encerramento das Urgências e das Materni
da
des? E das taxas moderadoras nas cirurgias?

22:12 Ricardo: Não deve ser difícil defender-se no caso da SNS

22:15 João Cardoso: Este debate tem mais tempo que os outros, ou sou eu a fazer mal as contas?

22:15 Atributos-José Magalhães: este terá uma hora. Osoutros 45m

22:16 Ricardo: Sim, tem mais 15 minutos. Ela podia ter aproveitado bem a questão do SNS e não o fez, pelo contrário.

22:16 João Cardoso: Muito democrático. São 15 m de suspensão

22:17 Atributos-José Magalhães: Raios partam o empate….. e eu q só dou nove pontos no total

22:19 Ricardo: Na educação, Sócrates fica marcado pelo ataque sem precedentes à classe profissional dos professores

22:20 Atributos-José Magalhães: ele interrompe mas não deixa interromper

22:20 João Cardoso: Agora temos música

22:20 Atributos-José Magalhães: e a ministra da educação?

22:21 Atributos-José Magalhães: ele vai mante-la?

22:21 Ricardo: Não respondeu à pergunta: vai manter a Ministra e a política contra os professores?

22:22 Ricardo: Terá cometido erros na avaliação dos professores…

22:22 Atributos-José Magalhães: quanta humildade

22:22 Atributos-José Magalhães: tantos papeis que o eng tem

22:23 Ricardo: Novos Ministros! Não vai manter a coisa

22:23 João Cardoso: Claro que não: agora vai-se virar para a literatura infantil

22:24 Ricardo: ela atacou-o pessoalmente? ela dedicou-se à maledicência? ele é parvo ou faz-se?

22:24 João Cardoso: Chegou o momento bloco central: ainda se beijam

22:27 João Cardoso: Não tendo levado a dose que o Leixões hoje apanhou, Socrates sai-se mal.

22:28 Ricardo: Pareceu-me muito empatado, com ligeira vantagem para Ferreira Leite. Atendendo a que se esperava uma goleada de Sócrates…

Fim do debate.

ASSOCIAÇÃO ATEÍSTA PORTUGUESA

Exmo. Senhor
Dr. Fernando Horácio Moreira Pereira de Melo
Presidente da Câmara Municipal
presidencia@cmvalongo.net
Avenida 5 de Outubro
4440-503 Valongo

Senhor Presidente da Câmara
A Associação Ateísta Portuguesa (AAP) tomou conhecimento de que a Câmara Municipal de Valongo, na sequência das obras de reabilitação, efectuadas na jardim da Praça 1º de Maio, na cidade de Erme-sinde, pretende erigir uma estátua da senhora de Fátima naquele espaço público, situação que, a verifi-car-se, configura um atentado contra o princípio constitucional, que consagra a separação Estado/ Igre-jas, ao mesmo tempo que discrimina e ofende agnósticos, ateus e crentes de outras religiões.
A alienação de um espaço público, de forma permanente e definitiva, por iniciativa dos representantes da autarquia, para promover uma determinada religião, neste caso através de uma estátua pia, para a qual já está construído o respectivo pedestal, além de ser claramente lesivo da ética republicana e de violar a laicidade do Estado, não vem prestigiar o poder autárquico nem a isenção eleitoral, comprome-tendo a laicidade a que devia sentir-se obrigado .
Não colherá, tão pouco, o argumento de, eventualmente, se tratar de uma iniciativa votada democrati-camente pelos órgãos autárquicos do concelho do Valongo, já que as decisões a nível municipal não podem violar os princípios constitucionais nem o mais elementar bom senso.
Assim, a Associação Ateísta Portuguesa (AAP) solicita ao Sr. presidente da Câmara que se digne informar esta associação se a informação é verdadeira e, em caso afirmativo, pronunciar-se sobre este assunto, a fim de poder actuar em conformidade, caso se concretize o atentado contra a laicidade do Estado.
Aguardando a resposta de V. Ex.ª, com a possível brevidade, apresento-lhe os meus cumprimentos.

Associação Ateísta Portuguesa – Odivelas, 11 de Setembro de 2009
Carlos Esperança
(Presidente da Direcção) TM – 917322645

A Sua Excelência, o Dr. Salvador Allende Gossens

Nota da Administração: O prof. Raul Iturra pediu expressamente que este texto fosse publicado apenas hoje, dia 12 de Setembro. Por ter nascido no Chile, ontem foi dia de luto para ele.

Ontem, 11 de Setembro de 1009, estive em silêncio. Era o aniversário do assassinato do Presidente Constitucional do Chile, Sua Excelência Dr. Salvador Allende.
Dr. por ser médico e não por arrogância, como em muitos sítios da Europa e da América Latina, continentes onde apenas se tem um grau académico e as pessoas gostam de ser denominadas por Dr.. Enquanto isso, nós os Doutores costumamos pedir para sermos chamados pelo nome. Excelência, por ter sido a forma de se endereçar a ele como Presidente de todos os chilenos.
Um protocolo que acabou quando ele foi eleito, por sufrágio universal, Presidente da República do Chile. Gostava de ser denominado Companheiro Presidente e era assim que nos o chamávamos quando tínhamos a sorte de falar com ele.
A sua história é conhecida por todos. O que não se sabe, era da sua calma, serenidade, tratamento igualitário à Babeuf (1) da Revolução francesa. Como ele, lutava pela igualdade, usando o socialismo científico da Karl Marx, retirado, como devoto luterano que era, da teoria económica de Lutero dos anos 1540 em frente.
O Companheiro Presidente, como se sabe, fez tudo, excepto ser médico. Ministro de Estado nos Governos Radicais dos anos 30 do século passado, Senador (2) durante vinte anos e Presidente da República, eleito para seis anos, mas que não conseguiu atingir pela traição da Forças Armadas do Chile, inédito na nossa História Cronológica, por ordem dos manda-chuvas Nixon e Kissinger. História mais do que sabida.
A sua vida familiar e como indivíduo tímido que era, é outra história. Teimoso e persistente, mas com respeito pela humanidade e direito dos outros, excepto pela burguesia, que explorava a imensidão do povo pobre que era o Chile.
Nunca esqueço o dia, comigo ainda no Chile e com quinze anos de idade, em que um dos motoristas do nosso Senhor Pai entra na nossa quinta, colocada no sítio mais alto das terras da indústria que produzia força eléctrica e separada dos 370 descosidos que para ele trabalhavam, para me dizer: Don Raulito, está o Senador Allende às portas das terras e da população, mas o Senhor Engenheiro não o deixa entrar, mandou fechar o portão e colocou a Guarda Civil para ele se afastar. No Chile são chamados Carabineros e fazem parte da Forças Armadas.
Furioso, percorri a correr esses dois quilómetros que separavam a nossa quinta das casas do operariado, entrei de imediato ao quartel da polícia e mandei abrir as portas. A Guarda não queria, mas eu bati com um punho na mesa, acrescentei que era uma ordem para ser obedecida e que do Patrão eu tratava depois. Agarrei chefe da Guarda pelo braço, fomos cumprimentar o Senador, enquanto o resto dos carabineros corriam a abrir os portões da propriedade privada. Mandei a Guarda entrar para os seus aposentos e acompanhei o Senador casa após casa, para falar com as pessoas. Aliás, mandei um outro operário para juntar pessoas e o encontro foi feito com discurso nas partes públicas dessas terras.
O Senador, preocupado por mim, disse-me para me ir embora. Não ouvi: era o dinamizador da sala. Fiquei, ouvi, cumprimentei todos e cada um dos operários, referi que não sofreriam represálias e assim foi: o debate foi feito em casa, à qual tinha acesso livre toda a Democracia Cristã, que mais tarde ajudaria a derrubar o Presidente Constitucional, voltando atrás ao perceber o delito que tinham cometido e ajudaram a libertar o país… após muitas mortes, cadeia, exílios, ente os quais, o meu, o de minha mulher, filha de um General, sendo hoje a nossa descendência Britânica, outra Neerlandesa ou Holandesa, como são enganosamente denominados.
Saímos do Chile, para estudos, eu e a minha mulher, voltamos atempadamente para as eleições e o nosso candidato ganhou. A seguir, nunca mais o vi. No dia da sua morte, ganhei um campo de concentração, do qual os meus docentes da minha britânica Universidade me resgataram.
Desde esse dia, fui socialista materialista histórico: a Sua Excelência era o melhor orador. Vamos ouvir os seus discursos e a convicção das suas explicações. A história parece ser a minha, mas é parte da benfeitoria do Companheiro Presidente. Ele foi morto a 11 de Setembro, eu fui preso e enviado para o exílio até hoje. Voltar? Imensas vezes, por curto espaço de tempo,, para pesquisar saber social entre os meus.
Silêncio. O Companheiro Presidente fala:

1) Babeuf, Nöel Gracchus Gracchus Babeuf (1760-1797), o primeiro que, durante a Revolução Francesa, soube ultrapassar a contradição, da qual tinham-se retirado todos os políticos que se estimavam aderentes à causa popular, uma contradição entre o direito a existência e a recuperação da sua propriedade de trabalho e a sua liberdade de trabalhar onde melhor houver, para ganhar o direito da liberdade económica. Por causa do seu pensamento e da sua actividade com o adágio todos somos iguais, foi o iniciador de uma sociedade nova. Por causa dessa procura de igualdade, o cidadão Babeuf foi guilhotinado pelos seus colegas de Partido, os partisanos de Robepierre Foi um premonitor do tempo da história socialista científico criada por Karl Marx, a sua mulher a Baronesa Prussiana Johanna von Westpalen ou Jenny Marx, e ideias retiradas de um texto sobre a evolução da propriedade privada e a família de Friedrich Engels, sedo Jeny Marx a redactora de Manifesto Comunista. Base dos princípios social -democrata do Companheiro Presidente.
2) A república do Chile tem um poder legislativo bicameral, como na Grã-bretanha. O Senado era a Câmara Alta e o poder era exercido pelo Presidente da República por meio do veto presidencial para um certo tipo de leis.

Moby no Porto:

Desculpem mas hoje, por causa deste senhor, não vejo debates nem vou ao futebol:

…prefiro estar no Parque da Cidade a assistir ao concerto que a Porto Lazer organiza.

Até Já!

Debate Manuela Ferreira Leite – José Sócrates

Falando de democracia: Ainda o tema do iberismo (II)

continuação daqui

No primeiro semestre de 2009 o défice espanhol disparou – o governo de Zapatero gastou quase o dobro da receita encaixada – situava-se esse défice no final de Julho em aproximadamente 40 mil milhões de euros. Segundo a OCDE, a taxa de desemprego em Espanha situava-se nos 18,7%, sendo a mais elevada entre os países pertencentes à instituição, cuja média estava, em Maio, nos 8,3%. Em Portugal a percentagem de desempregados, embora elevadíssima, andava pelos 9,1%. Não significa isto que em Portugal se viva melhor do que em Espanha – as estatísticas não dizem tudo e a economia paralela, lá mais do que cá, é uma realidade. Tomaram muitos de nós viver como alguns daqueles «desempregados».
No entanto, no caso de uma integração num mercado de trabalho tão rarefeito, os portugueses partiriam em desvantagem – índices de formação mais baixos e a desvantagem da língua – o castelhano (ainda que isso fosse dito de outra maneira) seria o idioma oficial e obrigatório e os portugueses que, embora, de facto, compreendem o castelhano, não o falam conforme supõem e indicam nos «curricula». Na sua quase maioria, falam um «portunhol» ridículo do qual o jornalista João Marcelino nos deu um excelente exemplo num dos vídeos que pudemos ver. Para os portugueses em geral a integração seria um desastre. Contudo, há portugueses e «portugueses».
Os empresários, alguns empresários, vêem na integração uma solução para a grave crise económica que atravessamos. Os grandes vislumbram a hipótese de um mercado mais do que quintuplicado, a oportunidade de parcerias com grupos espanhóis ou com grupos internacionais sediados em Espanha. Falaciosamente agita-se a miragem de um mercado de 800 milhões de pessoas, como se as ex-colónias obedecessem ainda aos ditames das antigas metrópoles. Outros, menos grandes, sonham com a possibilidade de vender os seus negócios em condições favoráveis a esses grupos. Quer nuns, quer noutros, verifica-se um desprezo generalizado pelo conceito de independência nacional. Tudo se reduz a uma questão de mercado. Mas esta gente da alta roda do capital, eu compreendo. Se for preciso até dizem que são patriotas, e que estão a defender os interesses nacionais… O que se torna mais difícil compreender é ver esse desprezo compartilhado por gente que, no seio de uma «Ibéria unida», passaria à condição de cidadãos de segunda, a heróis de «chistes» que os falantes castelhanos logo inventariam sobre os «portuguesitos». Com a arrogância própria da ignorância, riem-se quando lhes falamos de valores como o idioma, a História, a cultura. Nem sabem o que são essas coisas. Vi num blog a afirmação de que «seria giro» os clubes portugueses jogarem no campeonato espanhol – o que representa, pelo menos, uma visão inédita do tema, reduzindo-o a uma dimensão futebolística. Embora os cidadãos do estado espanhol não pareçam muito entusiasmados com a ideia, ao centralismo castelhano ela não deixa de ser simpática, porque provaria àqueles bascos, catalães e galegos que defendem a independência das suas nações que até os portugueses, mais de trezentos anos depois de terem abandonado o redil a ele regressam de cabeça baixa e pedindo licença para entrar.
Quem defende a integração de Portugal em Espanha, onde seria uma Comunidad autonómica, a 19ª, salvo erro, tem de ter consciência de uma coisa – Num referendo a anexação não passará. Se este ou outro governo nos integrassem à revelia da vontade popular, como entrámos na União Europeia, violando a Constituição da República, teríamos um grande problema – todos nós, portugueses, traidores e invasores. Onde quero chegar é que confio em que há portugueses e portuguesas corajosos em número suficiente para fazer a vida negra a quem nos quisesse anexar e a quem nos tivesse vendido. Poderia ser o fim de um estado artificial e sem razão para perdurar – a Espanha hegemonizada pela Castilla miserable, ayer dominadora,/ envuelta en sus andrajos desprecia cuanto ignora como disse Antonio Machado em «Campos de Castilla» e Josep Vidal nos recordou. E Vidal disse-nos também no seu excelente comentário ao meu texto sobre a questão do iberismo: «A Espanha é uma má companheira de viagem para qualquer projecto de integração em qualquer âmbito cultural, estando totalmente incapacitada, não só para liderar, como também para participar em qualquer projecto de iberismo.» (…)«Os actuais estados europeus, independentemente de serem monarquia ou república – e não é necessário que te diga que não sou, de modo algum, afecto à monarquia, que considero uma forma de governo anacrónica e periclitante – não conseguiram afastar-se do conceito patrimonialista que herdaram das antigas monarquias (Ponho-te como exemplo a questão da capitalidade do Estado; hoje em dia não faz sentido falar de “capital”, mas continuamos a fazê-lo em vez de falarmos de pólos ou centros dinâmicos para determinados projectos… O governo pode estar em qualquer local, mas nem tudo deve passar pelo governo, seja Lisboa, Madrid, Barcelona ou Valência…) E enquanto não nos desfizermos desse lastro, os projectos de integração – inclusivamente de convivência em igualdade – estão condenados ao fracasso, por algo de tão básico como a falta de respeito. Em suma, podemos dar cabo da cabeça discutindo, mas, basicamente, estamos perante uma questão de respeito: respeito pela singularidade, pela diferença, pela identidade… Essa é a premissa sobre a qual se podem construir num plano de igualdade todas as alianças e todos os acordos para trabalharmos juntos em projectos concretos… Mas em Espanha – onde se diaboliza o nacionalismo catalão, rotulando-o de excludente – pratica-se visceralmente, para além de toda a racionalidade, um nacionalismo incluente, assimilacionista. Essa é a tónica dominante, com todas as honrosas excepções que podemos assinalar (e oxalá fossem muitas). E isso conduz-nos a outro dos motivos essenciais pelos quais os projectos de integração – ou de convivência em igualdade – estão condenados ao fracasso: a ignorância. Não é que não nos tenham ensinado a conhecermo-nos, é porque nos ensinaram a ignorar-nos, ensina-se a «desconhecer» o que é diferente. Com? Com preconceitos, com desinformação, com a tergiversação da história até limites escandalosos.»
«Se Espanha não tem solução, se Espanha não quer outra solução, por que não aceitamos que a única saída que depende estritamente de nós, a que não passa por pedir licença a mais ninguém, é a da independência? De maneira surpreendente, os argumentos contra a independência são do tipo: “A independência não pode ser e, além disso, é impossível”. Quero dizer que quem argumenta contra é que a torna impossível. Não sou tão estúpido para subvalorizar as dificuldades do processo, está claro. Porém, se me colocam perante a alternativa de uma impossibilidade historicamente experimentada – a inclusão em Espanha – e uma impossibilidade por experimentar, inclino-me pela segunda via». (Salvador Cardús, sociólogo e escritor, que publica semanalmente um artigo no jornal diário Avui, dizia em 3 de Julho (citado por Josep Vidal).
Em 19 de Agosto , um leitor galego fez o seu comentário, lamentando a falta de uma referência à dimensão económica do tema, na sua opinião (e na minha) fundamental. Terminava dizendo: «Como galego amante de Portugal, só posso desejar aos portugueses que não acabem cedendo a sua soberania a Espanha
.
Para a minha nação – a Galiza – a dependência dos espanhóis tem sido historicamente nefasta… e continua a sê-lo». A este amigo, para já, deixo-lhe uns versos da também nossa Rosalía de Castro em «Cantares Galegos»: «Que Castilla e castellanos,/todos num montón a eito,/non valen o que unha herbiña/destes nosos campos frescos».
Acrescente-se que o tema da integração tem uma raiz eminentemente económica (o leitor galego tem toda a razão). O que o que se esconde por detrás desta campanha, tem como base o desiderato de um mercado alargado onde algumas empresas portuguesas possam expandir-se, o que é natural que aconteça com meia dúzia delas. Enquanto isso, a grande massa das empresas, nomeadamente as PMEs, seriam implacavelmente cilindradas e destruídas, implicando uma taxa de desemprego que não é possível calcular, mas que nos mergulharia numa miséria ainda mais atroz do que aquela em que estamos.
Em contrapartida, a desconstrução do estado espanhol implicaria na Catalunha, por exemplo, uma catástrofe de sentido inverso – milhares de empresas, competitivas como só os catalães sabem ser, perderiam um mercado de mais de quarenta milhões de pessoas, passando a estar confinadas ao pequeno mercado nacional. Por isso, apesar da vontade de muitos patriotas, os tubarões catalães querem continuar a ser espanhóis. E alguns tubarões portugueses almejam também esse mercado.
Estranhamente, os grandes aliados de quem quer preservar a independência nacional portuguesa, são, sempre segundo o tal estudo de Salamanca, a maioria dos cidadãos do estado vizinho. Enquanto apenas 34% dos portugueses seria contra a união, do lado espanhol a percentagem dos opositores seria de 30%, havendo 29,1% que se manifestou indiferente ao projecto. Isto significa que, se prevalecesse a estúpida ideia de nos integrarmos, teríamos de pedir licença para entrar e, obviamente não impor condições, aceitar um rei como chefe de Estado, a capital em Madrid e o português como segunda língua, sendo o castelhano o idioma oficial da tal Ibéria (que, obviamente, continuaria a chamar-se Espanha. Porque haveriam eles de se dar ao incómodo de mudar o nome?).

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Em 1965, com um grande grupo de gente apanhada na leva de prisões causada pela traição do controleiro do sector universitário do PCP (um tipo que, curiosamente se chama ou chamava Nuno Álvares Pereira), eu à época ligado à FAP, estive com Mário Lino num calabouço colectivo do 2º piso do Aljube e depois em Caxias. Recordo nele um militante do PCP, onde esteve até 1991, rapaz amante de cinema (creio que dirigia o Cineclube Universitário), bem disposto, inventor de boas pilhérias – lembro-me dele, ataviado de bispo, com trajos fabricados por nós e por um báculo feito com um cabo de vassoura oficiar uma missa em improvisado latinório. Porém, aos poucos, a imagem do ministro arrogante e trapalhão, faz desvanecer a recordação positiva que guardo do jovem de há mais de 40 anos. Agora é o golpe final – Mário Lino, ministro das Obras Públicas Transportes e Comunicações declarou-se «iberista confesso», numa palestra em Santiago de Compostela (afirmando que «temos uma língua comum»). Como já vimos, há várias espécies de «iberismos» Na maior parte dos que se dizem iberistas existe a ideia da integração na monarquia espanhola, com capital em Madrid, e o castelhano como língua principal. A ideia tão absurda, respondo, citando o meu antigo companheiro de prisão: Jamais! Jamais!

HOJE, TORÇO INTEIRAMENTE PELA DRA MANUELA

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ASSIM COMO PASSO A SER BENFIQUISTA OU SPORTINGUISTA NOS JOGOS INTERNACIONAIS NOS QUAIS ELES CONCORRAM

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.Não é difícil de entender.
É um imperativo Nacional.
O sr Pinto de Sousa é a modos que um estrangeiro que só nos quer levar de vencida, seja de uma maneira, seja de outra.
Qualquer voto, num partido qualquer que não seja o do ainda nosso Primeiro, é um não voto no partido do governo.
Hoje, voto PSD. Amanhã não sei, mas sei que não voto PS.

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JM
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Há vida para além de Sócrates

A maior central fotovoltaica do mundo está a ser estudada há vários meses por um grupo de empresas portuguesas para ser instalada no Alentejo ( o local específico ainda é secreto)e que será 45 vezes mais potente que as de Serpa e Moura que continuam a estar entre as 50 maiores do mundo.

A ideia é vender energia electrica “verde” para os países nórdicos que precisam de compensar a emissão de CO2 conforme o tratado de Quioto. Entretanto, e para o mesmo efeito, a Alemanha está a preparar uma Megacentral no deserto do Sara para abastecer a UE. O SOL começa a ser visto como uma fonte inesgotável de energia e Portugal foi abençoado como o país com mais horas de sol da UE.

A Megacentral em estudo ( a LUZ.ON tem como associados Mário Batista Coelho, o homem que ergueu a central de Moura, a Fundação de Calouste Gulbenkian, a Efacec e a EIP – electricidade industrial Portuguesa ) quer avançar na criação de um “cluster” nacional, onde entraria tambem a Quimonda, ou a parte correspondente à tecnologia dos painéis solares.

Este projecto terá um custo que será metade do custo previsto para o TGV (sem as alcavalas), poderá fornecer energia para três milhões de pessoas, representa quase quatro barragens iguais à do Alto Lindosos e duas centrais de Sines da EDP.

E evita 1.8 milhões de toneladas de CO2.

Mas claro que não tem o “cachet ” de um TGV a parar em todas as estações e sem passageiros…