A cegueira da “esquerda” pelo ódio à NATO

Fonte: epa

Os embaciados óculos ideológicos de certa esquerda de aquém e além mar, para a qual a adoração da imagem inimiga – no caso, a sem dúvida censurável NATO, –  é superior à sua capacidade de empatia, humanismo e respeito pela soberania dos povos, levam, por estes dias, adeptos seus a pronunciarem-se sobre a guerra na Ucrânia com as conhecidas adversativas e propostas de rendição da Ucrânia.

Taras Bilous é um historiador ucraniano, activista do grupo Sozialny Ruch (Movimento Social) da organização do Movimento Social e editor da revista ucraniana de esquerda Commons.

Pouco depois do início da guerra, Taras Bilous escreveu “A letter to the Western Left from Kyiv”, na qual comunica a uma parte da esquerda do Ocidente o que pensa sobre a sua reacção à agressão da Rússia contra a Ucrânia.

Deve ler-se na íntegra, mas aqui ficam alguns excertos: [Read more…]

Portugal… bem, está quase

Zelensky, afirmou que Portugal pertence ao grupo de países que mostra (mais) relutância em tomar decisões a favor do seu país.

Não admira.

 

Afinal…

COVID, CRISE CLIMÁTICA, GUERRA…

Mas afinal não era suposto ser o mercado a resolver tudo??

Deixem a indústria fóssil resolver o aumento dos preços, deixem… e já agora continuem a meter-lhe mais uns tustes no bolso com o autovoucher…

Marcelo continua o namoro descarado e já marcou novo encontro para Agosto

Moçambique é sempre melho..

Com “irmãos” da índole de Nyusi e Bolsonaro, não espanta a falta de escrúpulos de Marcelo em se dispor a vender o peixe desses indignos personagens.

O entendimento de Marcelo sobre o que é a soberania de um país – com a qual enche a boca cada vez que vai a Moçambique para se escusar a tocar em pontos difíceis – é tão rasinho como é elevada a sua falta de sentido de estado ao se pronunciar com uma preferência tão exagerada, empolada e desapropriada pela terra em que o seu pai foi governador geral entre 1968 e 1970. Diz Marcelo que anda pelo mundo inteiro a ver se encontra outra terra que mais o enfeitice, mas não, Moçambique é o melhor país do mundo.

Só para explicar: falar de problemas de direitos humanos – como existem massivamente em Moçambique – faz parte da bagagem que chefes de estado ou de governos deveriam levar ao visitar um país, até mesmo quando vão falar de negócios, ou inaugurar hotéis de luxo, como Marcelo achou por bem fazer, ocasião que aproveitou para engraxar o Moçambique do corrupto Nyusi até doer. [Read more…]

Portugal sempre vergado ao capital

“Espanha defende que deve haver uma alteração do mecanismo de fixação dos preços, deixando de indexar o preço da electricidade ao preço do gás, enquanto Portugal defende uma liberalização nas taxas do IVA sobre a energia.“

Mais uma vez, a posição de Portugal é contra os portugueses. Como aquela história do corte de subsídios às renováveis: a Espanha, enfrentou, fez às abertas e viu-se a braços com 50 casos de ISDS. Mas, pelo menos, os espanhóis sabem que estão a ser atacados em grande pelo capital estrangeiro. Portugal, fez tudo por baixo da mesa, orgulha-se de nunca ter sido processado pelos amigos investidores que têm a faca e o queijo na mão e andamos a pagar tarifas feed ins e outras que tais há uma data de anos sem sequer sabermos disso, e vamos continuar a pagar.

“Os consumidores estão a pagar esse “desastre criado pelo governo de José Sócrates”, que se traduz em pagar a energia a 290 euros por megawatt/hora até 2028, “quando o preço de mercado anda pelos 40 euros”, tudo devido às garantias dadas aos investidores, as chamadas “feed-in tariff”, uma forma de acelerar o investimento nas energias renováveis dando como contrapartida contratos de longo prazo.”

“A generalidade da opinião publica não se apercebeu disso, mas estamos amarrados a contratos que o Estado fez em nosso nome até 2032. Alem de termos uma dívida tarifária, proveniente desse completo disparate tecnológico a que estamos amarrados”, diz.

Esta avidez dos governantes pelos negócios, à custa dos portugueses e do ambiente, é asquerosa.

Questão secundária

Perante a crise climática e o movimento acelerado do planeta para o abismo, a custo e a más horas, com todo o cuidadinho para não magoar os gigantes da indústria fóssil, os países ocidentais e também a China, estavam de facto a tomar medidas para uma economia (mais) liberta de combustíveis fósseis.

Sabendo-se que a economia russa se baseia, sobretudo, na exportação de petróleo, gás natural e metais preciosos, até que ponto terá este factor influído na mente perversa de Putin para avançar para a barbárie que iniciou no passado dia 24 de Fevereiro?

Não temos escapa

2,7 milhões de euros para aqueles que a ministra Maria do Céu Antunes tão carinhosamente sempre denomina de “nossos agricultores”, ou seja, para as absurdas culturas intensivas de regadio. É a tal coisa: gastos públicos, lucros privados. Com um descaramento emproado, é o sector privado – o tal que tanto se revolta contra os impostos e anseia minimizar o estado – o que mais alto grita e estende a mão quando há crise. E os lobbies funcionam às mil maravilhas com este governo sedento de investimento à custa dos cidadãos e do futuro do planeta.

 

As coisas que interessam

Nestes dias obscuros, é repetidamente referido o passado de Zelensky como actor. E daí? Isso por acaso tem alguma relevância, será que é razão para menosprezar a capacidade de alguém, ou por que razão é esse facto digno de tamanha atenção?

Já a referência ao passado de Putin como agente do KGB, essa não tem interesse nenhum.

É vergonhoso

o namoro de Marcelo com um presidente corrupto que despreza o seu próprio povo.

Óptima ideia!

E se a UE criasse uma unidade para descobrir património de oligarcas? Piketty lança a proposta.

Costa, Santos Silva e o governo em geral é que não devem achar nada bom. Desde que o money cá chegue, eles raladinhos de onde vem…

O paleio dos “mercados” e a realidade

O preço do petróleo voltou a descer, mas os preços nas bombas de gasolina continuam em alta. Que tal os lucros das companhias petrolíferas serem colectados e utilizados para pagar apoios sociais e protecção do clima? É que “o mercado”, obviamente, não regula os preços.

Galp lucra €457M em 2021 e entrega aos accionistas €565M entre dividendos e recompra de acções.

Petrolíferas em festa com os Autovouchers.

O habitual cinismo do governo português

O que eu gostava mesmo era que Portugal, desta vez, agisse à altura das suas obrigações internacionais no combate ao branqueamento de capitais e financiamento do terrorismo, em vez de esperar sentado que uns quaisquer leaks, daqui a uns meses ou anos, venham revelar relações perigosas com cleptocratas. Cúmplices de um regime que está a matar civis no coração da Europa.„

Escreve Susana Peralta, no Público. Pois, eu também gostaria imensamente que, por uma vez, Portugal assumisse uma posição corajosa.

Mas do governo português, como sempre, só é de esperar o cinismo habitual, aqui demonstrado por Santos Silva na reportagem da RTP2, sobre as sanções a aplicar:

Não estou a par nem estou interessado em saber qual é a fortuna do presidente Putin ou do ministro Lavrov no sistema financeiro europeu (…);“

E quanto aos 431 “vistos gold” concedidos por Portugal a cidadãos russos, não, nada de investigar, só se estiver na lista, só se tivesse mesmo, mesmo, mesmo que ser.

A gula e a hipocrisia do governo português é vergonhosa, cínica e perversa.

Muito pior

Arresto provisório de bens em três casas do antigo ministro Manuel Pinho, no âmbito do processo EDP/CMEC

A corrupção é nojenta, mas quando é perpetrada por um responsável político, é-o ao cubo.

O ataque das empresas à minha liberdade

Os (neo)liberais sentem-se sempre muito coarctados na sua selvática noção de liberdade por tudo aquilo que vem do Estado, por regulamentações dos governos. Pois eu acho isso estranho, porque no meu dia a dia só pontualmente sinto esses incómodos estatais. Eu até acho que pagar impostos é útil à sociedade e necessário, para serem garantidos os serviços públicos e diminuídas as desigualdades.

O que me incomoda sobremaneira e atenta contra a minha liberdade, é a forma invasiva e abusiva com que as empresas, que esses (neo)liberais tanto idolatram, me obrigam a usar coisas que não quero e se intrometem na minha vida para roubar os meus dados pessoais e fazerem os seus negócios. [Read more…]

De presidente para presidente

Marcelo Rebelo de Sousa e o ministro Santos Silva não perdem uma oportunidade de enfatizar a relação privilegiada e próxima com Moçambique e o seu governo, empolando o papel de Portugal no seio da UE para apoiar aquele país “irmão”. Marcelo está outra vez em vias de visitar “a sua segunda pátria”, sabe-se lá para quê, mas aqui lhe deixo um recado:

Não o choca mesmo nada a estrondosa imoralidade do filhinho do seu amigo Filipe Nyusi por oposição à miséria da grande maioria da população moçambicana? Não seria sua obrigação segredar ao seu amigo e homólogo, assim de presidente para presidente, que é inadmissível e revoltante esse avantajado personagem esgalhar sem matrícula pelas ruas de Maputo nos diversos bólides que possui?

Depois vêm falar das catástrofes em Moçambique e da ajuda urgente e necessária, como se os sucessivos governos moçambicanos estivessem, de facto, muito preocupados em melhorar as condições de vida dos moçambicanos. Não estão. A menos que se trate do seu clã.

 

Licença menstrual

 

Desde aquele longínquo momento em que tive a primeira menstruação que me indignei com o primitivismo da Natureza no que toca a esta absurda “solução”. What??? Uma pessoa está em qualquer sítio, em qualquer momento, no meio de qualquer tarefa ou divertimento e começa a escorrer-lhe sangue das entranhas??? Mas que despropósito é este??? E depois tem de gramar isto ao longo da vida, bem como, frequentemente, as dores de cabeça e de ventre que lhes estão associadas???

Enfim, uma mulher acaba por se conformar com estes malfadados dias do mês aos quais atribui nomes do mais idiota que há porque continuam a ser tabuizados, procurando ignorá-los e ultrapassá-los sem acidentes de maior. Mas eles lá estão, e, mais ou menos, incomodam.

Gostei, pois, da notícia vinda de Girona, que passou a ser a primeira câmara municipal a conceder uma licença para dores menstruais, com direito a oito horas por mês, consecutivas ou não, que podem ser compensadas durante o trimestre seguinte.

Parece-me isto muito bem, já que se tem de aturar esta aberrante ideia da mãe natureza…

P.S. Sobre a “solução” encontrada para o parto já nem digo nada…

 

 

Desabafo

Nesta investigação, Manuel Pinho — que exerceu funções governativas entre 2005 e 2009 – é suspeito de ter sido corrompido pela dupla de executivos, que controlou a EDP entre 2006 e 2020, António Mexia e João Manso Neto. O antigo banqueiro Ricardo Salgado, também é, segundo a tese do Ministério Público, corruptor activo do antigo ministro da Economia. O antigo governante é suspeito de ter tomado várias decisões que terão beneficiado a EDP e prejudicado em 1200 milhões de euros o erário público.”

Mesmo sem ter ainda sido condenado, dá vontade de ir em manifestação para a frente da quinta onde Manuel Pinho cumpre prisão domiciliária exigir que devolva aos portugueses o valor que já transferiu para as contas em Espanha, na Alemanha e no Brasil. E mais, que peça publicamente perdão aos portugueses. Um ministro corrupto é do mais miserável que pode haver.

Custa-lhes muito a entender, mas estão lá para nos servir.

E, claro, há que boicotar a EDP, pelo menos dentro do possível (a parte comercial).

Boa, Suécia!

Portugal não ratificou alterações a convenção fiscal negociada em 2019 e, descontente com o impasse, Estocolmo pôs fim a acordo original. Agora, vai tributar pensionistas que vivem em Portugal, até há pouco isentos de IRS. “

E continuam a insistir na agricultura intensiva de regadio

A situação é dramática, mas não há sensatez que entre na cabeça dos governos espanhol e português, que, na avidez do negócio (e viva o crescimento económico liberal, que, como se vê, não é exclusivo do partido que o reivindica para si!), continuam a destruição do ambiente e a promoção da desertificação, aumentando violentamente ou mantendo a agricultura intensiva de regadio.

Consta hoje no Jornal Público:
„Esta terça-feira está reunida a Comissão Permanente da Seca, que congrega vários ministérios, para analisar a situação e eventuais medidas a tomar. A seca, que começou a agravar-se no país em Novembro, deixou Portugal continental no final do ano com 93,7% do território em seca fraca, moderada ou severa. O mapa de Janeiro do IPMA, além de indicar que 100% do território se encontra nessa situação, coloca já uma vasta área do Algarve e do Alentejo em seca extrema.“

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“Nós, os super-ricos, devemos pagar mais impostos”

Antonis Schwarz é um dos vários jovens milionários alemães que defendem uma maior tributação dos particularmente ricos.

“Antonis Schwarz: Sim, tanto na Alemanha como internacionalmente, a regra é: quanto maior a riqueza, menos se paga em impostos. Na verdade, deveria ser o contrário: Os ombros mais fortes devem contribuir mais para o bem comum. Porém, de facto, temos baixado sucessivamente os impostos para os super-ricos nos últimos 30 anos. Com a Corona, estamos num ponto em que os cofres do Estado precisam ainda mais de fundos adicionais. É por isso que dizemos: Temos de mudar o nosso sistema fiscal.

tagesschau.de: Quando diz “nós”, não é só você, mas cerca de 50 pessoas ricas que se juntaram na organização “Taxmenow”. Isso significa que existe actualmente muito apoio por parte daqueles que têm relativamente muito dinheiro?

Schwarz: Sim, exactamente. Somos mais de 50 pessoas na iniciativa “Taxmenow”. Beneficiamos muito com o sistema. Somos de opinião que temos de fazer algo e usar a nossa voz em público como pessoas ricas para dizer: As coisas não podem continuar como estão agora. [Read more…]

Ensaio sobre a cegueira

Portugal é um dos países mais desiguais da Europa quer na distribuição do rendimento quer da riqueza. Trabalhadores por conta própria e licenciados são os mais ricos. Especialistas defendem imposto sucessório e valorização dos salários

(…) somos o quinto país mais desigual da União Europeia (…)

Como sair desta espiral? Educação, valorização dos salários e da contratação coletiva, reforço das prestações sociais, mais progressividade fiscal e recuperar o imposto sucessório são caminhos apontados pelos especialistas ouvidos pelo Expresso.”

Como é possível que esta límpida constatação da desmedida desigualdade não abra os olhos a quem vai votar à direita???

A propósito do crescimento económico

Só quando a última árvore for derrubada, o último peixe for morto e o último rio for poluído é que o homem perceberá que não pode comer dinheiro.

Provérbio Indígena

Para além das bocas

Há quem, ao invés de se entreter com as muitas trivialidades que os candidatos partidários vão arremessando para produzir títulos de jornal, analise os diversos programas eleitorais publicamente disponíveis no que se refere a temáticas específicas.

É o caso da ZERO, que efectuou uma avaliação global de dez temas chave nas áreas do ambiente e sustentabilidade e de três aspectos específicos, tendo por base os programas dos partidos/coligações candidatos com representação parlamentar. Os dez temas gerais de análise foram: o combate às alterações climáticas, promoção de energias renováveis, eficiência energética e pobreza energética, sustentabilidade no sector dos transportes, relevância de políticas de ordenamento do território, desenvolvimento de políticas com impacto na melhoria do ambiente urbano, incentivos a uma verdadeira economia circular, investimentos em conservação da natureza, melhoria da gestão de recursos hídricos e na economia do mar, promoção de uma agricultura mais sustentável e maior resiliência da floresta portuguesa. As três iniciativas específicas avaliadas foram a credibilização da Avaliação de Impacte Ambiental, a decisão sobre o novo aeroporto para a região de Lisboa e a maior transparência e participação da sociedade no Fundo Ambiental.

Também a TROCA – Plataforma por um Comércio Internacional Justo procedeu a uma análise das propostas dos partidos no que toca à temática do Comércio Internacional.

E haverá outras… Seja como for, o propósito destas análises é contribuir para a reflexão e uma escolha fundamentada, pelo que a sua leitura é da maior pertinência e se recomenda.

Os PSs a lembrarem-se da sua matriz ideológica?

Foto: PS

Depois de andarem décadas a pontapear os trabalhadores e a promover o capital, estará agora na altura de os sociais-democratas/socialistas se arrependerem dessa traição e se recentrarem no que deveria ser o seu genuíno papel?

“(…) o ex-líder da JS foi buscar um tema contra-intuitivo em Portugal – onde o mais comum é falar-se da necessidade de haver mais meritocracia – para fazer uma crítica do culto da meritocracia. Trata-se de uma nova abordagem política de um filósofo norte-americano da Universidade de Harvard, Michael Sandel, que escreveu o livro “A Tirania do Mérito”. Sandel entende que a meritocracia replica o privilégio das elites e mina a coesão social, criando as bolsas de descontentes que levam à adesão aos populismos (daí Trump ter as classes trabalhadoras ou Le Pen os ex-eleitores comunistas).

Como é filho de um industrial ligado ao calçado, foi buscar o exemplo das gaspeadeiras, as operárias, que cosem os sapatos: “As gaspeadeiras não têm mérito? Os técnicos de manutenção da CP não têm mérito? Só conseguiremos ser um país forte se respeitarmos o que une o povo com dificuldades. O que os une a todos é a cola da nossa comunidade, é o Estado social.”

No seu discurso, Pedro Nuno Santos trocou a meritocracia pelo “respeito” pelas classes trabalhadoras, como fez o novo chanceler alemão, Olaf Scholz, do SPD (Partido Social Democrata).

Porém, de A. Costa essa recuperação da memória não é mesmo de esperar; continua na linha de Schröder.

„Na “Tirania do Mérito” Sandel entende que a meritocracia replica o privilégio das elites e mina a coesão social“: é incrível como uma banalidade tão simples pode ser tão certeira e boa de ouvir.

Já saudades de Merkel

Friedrich Merz conseguiu à terceira tentativa tornar-se o novo chefe da União Democrata Cristã (CDU). Felizmente este partido alemão está agora na oposição e esperemos que por lá se mantenha a longo prazo. Merkel estava a léguas das minhas convicções políticas, mas sempre admirei a sua modéstia, sentido do dever, sensatez, inteligência e desapego a bens materiais e honrarias.

Já este advogado de negócios e lobista topo de gama de longa data tem assumido posições de liderança num número considerável de empresas, grupos de interesse e redes de negócios. É considerado um especialista financeiro e económico com valiosos contactos na política e nos negócios. Merz foi, por exemplo, vice-presidente da associação de lobbying empresarial da CDU Wirtschaftsrat até ao final de 2021 e membro convidado da presidência da Mittelstands- und Wirtschaftsunion.

Mas a sua função mais aparatosa foi a de Presidente do Conselho Fiscal da Black Rock Alemanha (que exerceu de 2016 a 03/2020), a megagigantesca gestora de fundos que detém mais poder do que muitos governos juntos; o CEO da BlackRock dispõe de mais dinheiro do que o PIB da Alemanha e do Reino Unido somados.  (“Só o tamanho da BlackRock cria um poder nos mercados que nenhum Estado pode controlar” – Michael Theurer, eurodeputado alemão do partido liberal FDP).

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Inspiração

É ir votar, mas com vontade de pôr em causa a relação entre a precariedade de tantos e as negociatas lucrativas de tão poucos; com vontade de parar com a depredação ávida de recursos; com vontade de preservar a biodiversidade; com vontade de dar prioridade ao bem comum; com a percepção clara de que a fixação cega no crescimento económico ilimitado leva o planeta, leva tudo, ao colapso.

Prioridades VIP

O Governo autorizou o Turismo de Portugal a gastar nos próximos dois anos até 10 milhões de euros para campanhas de publicidade digital

A dívida do Governo para com o futuro: Agro-ladroagem

Portugal está em “stress hídrico”, mas o governo projecta até 2030 mais 134 mil hectares de novos regadios … intenções de investimento que superam os 2.000 milhões de euros em novos regadios e a modernização dos sistemas já instalados para “acelerar” a intensificação de culturas, quando se verifica uma redução nas disponibilidades de água, segundo Relatório do Estado do Ambiente 2020/21 da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), que revela um diagnóstico “preocupante” sobre o futuro dos recursos hídricos em Portugal. Ao longo dos últimos 20 anos houve uma redução na disponibilidade de água deixando o país em “stress hídrico”…
“Apesar deste cenário crítico, o governo anuncia que prevê investir 588 milhões de euros na modernização dos regadios existentes e 199 milhões na construção de novas infra-estruturas de rega. Destes montantes, a região alentejana irá beneficiar de 304 milhões. Para o centro do país serão canalizados 212 milhões.”

A região alentejana irá “beneficiar” ??? Que falácia inaudita, quando se está a falar de sugar a região alentejana, de a sobre-explorar e dela abusar à bruta com cada vez mais culturas intensivas e superintensivas !

“Visto de longe, um olival acabado de plantar parece um cemitério americano”. “Ele domina o manto de verde em quilómetros e quilómetros até perder de vista. Esta é a nova realidade no Alentejo, sobretudo em Beja, Serpa, Moura, Ferreira do Alentejo.”

Com infindável hipocrisia se declara que “A agricultura intensiva de regadio é perfeitamente compatível com a sustentabilidade dos recursos“ – o quê ??? E nem tendes vergonha nenhuma de reconhecer que “é um modelo agrícola atraente porque garante elevados rendimentos a curto prazo“ – pois, a curto prazo, para encher bolsos alheios e empobrecer tudo o resto…  e de concluir que “existe hoje uma dinâmica empresarial muito interessante no sector agrícola, que interessa acarinhar e suportar” – muito interessante é a vossa avó torta! No Alentejo, “antes existia grande variedade de culturas de sequeiro e de prados. Hoje, a homogeneidade de culturas domina numa região que está, em mais de 70%, na mão de grupos estrangeiros. Sem respeito pela paisagem ou tradição dos locais, os custos para a região são imensos.”

Sabeis vós e sabemos todos que a intensificação das culturas agrícolas acarreta a contaminação dos solos e águas por pesticidas e fertilizantes, a alteração das paisagem e problemas socio-económicos que afastam as pessoas do interior e promovem a perda de biodiversidade, bem como incêndios recorrentes…

Mas tudo isto pretendeis vós, governo, promover e subsidiar. Porque só vos interessa o curto prazo das eleições, só interessa sacar, esmifrar a qualquer custo. E quando a terra e o solo estiverem exangues, vão-se os investidores à sua vida e cá ficam os restos estéreis de terra deserta, mas nessa altura já vocês estarão reformados e sem punição. [Read more…]

A paixão assolapada do governo português pelos ricos

No que toca à paixão pelos ricos – como aliás a muito mais – PS e PSD são areia do mesmo saco. A prová-lo, mais uma vez, o estudo do Observatório Fiscal Europeu “New Forms of Tax Competition in the European Union: an Empirical Investigation“,  publicado em Novembro passado.

Esse estudo sobre o dumping fiscal na UE mostra claramente como os estados europeus promovem uma concorrência fiscal ruinosa entre si, com reduções e isenções de impostos sobre os rendimentos de capital (empresas), bem como do imposto sobre o rendimento das pessoas singulares (IRS): o número de esquemas de evasão fiscal para os super-ricos mais do que quintuplicou nos últimos anos (de 5 para 28). De acordo com o estudo, os regimes especiais mais prejudiciais foram criados pela Itália, Grécia, Chipre e Portugal. Segundo estimativas conservadoras, este tratamento preferencial fiscal proporcionado aos mais ricos causa na UE uma perda fiscal de 4,5 mil milhões de euros por ano aos cidadãos de rendimento médio e baixo. [Read more…]

“Esverdeamento”

O ano acabou mal, com a Comissão Europeia a classificar os investimentos em energia nuclear e gás como sustentáveis no processo de transição ecológica. A taxonomia é um sistema de classificação de produtos financeiros à escala da UE, destinado a orientar capital directo para a transformação verde da produção de energia e da economia.

E como os lobbies falam mais alto, a CE, na sua habitual incoerência entre o palavreado e a prática, apresentou aos 27 Estados-membros, na sexta-feira, uma proposta de rotulagem verde para centrais nucleares e a gás, abrindo assim as portas a que milhares de milhões continuem a fluir rumo a tecnologias nocivas e ultrapassadas – ao invés de serem aplicados em energias renováveis.

Além das consequências ambientais devastadoras destas formas de energia, hoje os sistemas energéticos baseados em energias renováveis são já mais baratos do que o nuclear e os combustíveis fósseis, criam mais empregos e possibilitam a criação descentralizada de valor, em vez de concentrar o poder económico em algumas grandes empresas.

Mas não há maneira de a responsabilidade e a sensatez falarem mais alto do que o dinheiro.