Tendência porn móvel

As segundas-feiras  são dias duros? Nada como as aliviar um pouco, é o que diz o relatório de 2013 do agregador de conteúdos PornHub. Ao que parece, os 14.7 mil milhões de visitantes  deste site, que realizam 1.68 milhões de visitas por hora, visitam-no maioritariamente à segunda-feira, talvez para descontraírem de um fim-de-semana excitante, excepto se esses visitantes forem japoneses. Estes preferem os sábados, assim se confirmando a sua fama de workaoolichs mas revelando-se que não têm prazer no trabalho.
pornhub2013

Tirando o lado lúdico da questão, não deixa de ser curiosa a penetração dos dispositivos móveis (tablet e smartphone) no mercado computacional, levando a crer que, em 2014, já assistiremos à redefinição do conceito de computador para a maioria da população (post relacionado: Apenas um tablet… ou o Cavalo de Tróia da Internet). É certo que estes números são de apenas um site, mesmo com o impressionante tráfego que gera. Mas é de recordar que, desde a mundialização da Internet, a indústria do porn tem sido um bom indicador das tendências tecnológicas da rede.

post via readwrite: The Majority Of Porn In The United States Is Viewed On Smartphones
tabela e gráfico compostos a partir do artigo Pornhub 2013 Year in Review

A História é o que a malta quiser

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As seitas; religiosas, futebolísticas ou políticas, são pela sua natureza um perigo para a espécie humana. Começa por enfrentá-lo quem lá entra, acaba a levar com ele quem está de fora.

Solidário com um correlegionário defensor do homicídio por especulação com medicamentos, Mário Amorim Lopes decidiu brindar-me com a peculiar noção da História dos insurgentes, uma seita que alimenta este governo e é sua vanguarda ideológica. Sentem-se, que já vi gente a cair ao chão por menos do que ler isto:

Em 1789, principiado na Revolução Francesa e perpetrado durante o Reino de Terror, os jacobinos e os proto-socialistas em formação ideológica acercavam-se da vida dos outros através da guilhotina.

Deixemos os atentados básicos à língua portuguesa, principiados e intermináveis, fiquemos por esta mirabolante definição da primeira revolução liberal europeia, onde pelos vistos abundavam os “proto-socialistas”, conceito eventualmente encontrado no cérebro de um protozoário mal disposto em dia de diarreia mental. Como qualquer português que tenha concluído o 8º ano de escolaridade com mais de 1 a História sabe, o liberalismo entra em Portugal pela mão francesa, napoleónica e não só, mas de súbito Manuel Fernandes Tomás, o primeiro mártir do liberalismo português, poupemos ao Mário uma ida ao google, fica entalado entre o jacobinismo e o proto-coiso. [Read more…]

Parabéns, António Damásio!

Prémio Grawemeyer (Psicologia) 2014

NASA poderá vir a resolver problema de desemprego em Portugal

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How NASA might build its very first warp drive

Com uma coisa destas é que era emigrar à velocidade da luz (para além dela, até).

Leituras:

Apenas um tablet… ou o Cavalo de Tróia da Internet

pc_phone_tablet_evolutionA informática, até há pouco tempo, estava longe de ser um bem de consumo. Se dava uma travadinha no computador lá de casa, ou se sabia mexer nas entranhas do bicho ou se telefonava a um amigo que ajudasse. O informático estava na mesma lista onde se metem os médicos e os advogados, aqueles de quem mais cedo ou mais tarde se precisará. [Read more…]

A tese

A pedido dos meus companheiros de blogue e de inúmeras pessoas que me fizeram chegar a vontade de a ler, pedi ao João José Cardoso que fizesse o favor de a “preparar” tecnicamente e a colocar no Aventar.

Aqui fica para todos aqueles que a queiram ler e à mercê de todos aqueles que a queiram “tresler”.

A Comunicação Política Digital nas Eleições Directas de 2010 no PSD pelo candidato Pedro Passos Coelho (pdf)

As redes sociais e a política organizada

visao

Saiu hoje na Visão uma entrevista ao Fernando Moreira de Sá (ficheiro pdf: entrevista FMS), feita a propósito da sua dissertação de mestrado.

Entre os parvos e falsos ingénuos do costume,  deu escândalo. Compreende-se. Primeiro porque não é para qualquer um distinguir entre investigação científica e vida política ou profissional. Alguém ter narrado, sem aldrabices, o que conhece do seu dia-a-dia num trabalho académico é obviamente uma vergonha para os do costume. Nos tempos dos Business School que correm, é assim. E logo a seguir porque as verdades doem sempre aos mentirosos e a quem as encobre, para ganhar a vida, por ideologia, sempre no croquete & beberete.

Ainda não li a tese do Fernando mas da entrevista, tirando a deliciosa anedota do forum TSF onde Sócrates foi bombardeado com elogios, não fiquei a saber nada que não fosse óbvio, para quem tenha dois dedos de testa e ande no mundo das redes sociais, incluindo blogues. E quem não anda, problema seu. Quem exerce a profissão de jornalista sem andar, tem bom remédio, emigre para um emprego. [Read more…]

O Pinóquio e Joseph Blatter

Hoje, Neil deGrasse Tyson teve um daqueles momentos. Ainda bem. Realmente, no universo do Pinóquio, a pergunta “o que aconteceria ao nariz do Pinóquio, se ele declarasse: ‘o meu nariz está prestes a crescer’?” não tem resposta.

A pergunta “Ronaldo ou Messi?”, em princípio, digo eu, muito subjectivamente (desconheço parâmetros para aferir objectivamente esta matéria, mas admito que existam) não tem resposta objectiva no planeta Terra. Prefiro Ronaldo, mas a minha condição de português, provavelmente, toldar-me-á o discernimento. Contudo, na Oxford Union e alhures, estar-se-ão nas tintas para as minhas predilecções acerca deste assunto. Porquê? Porque não sou o presidente da FIFA. Não sei o que toldará o discernimento de Blatter.

O Portugal da fé

banha da cobra

As redes sociais reabriram as portas ao empreendedorismo do vígaro  viral.

O vígaro viral agarra numa treta há muito adormecida na net, dá-lhe um título apelativo e mete-a a circular nos facebooks deste mundo, onde haverá sempre um ingénuo a partilhar de borla. Objectivo? o retorno à página comercial que é a alma do negócio.

Há muitos, fui parar ao Portugal Mundial (googlem, não linko vígaros), por via de um aviso sobre micro-ondas. Embora uns milhões de humanos, coisa pouca, andem a consumir alimentos cozinhados ou aquecidos no aparelho vai para uns anos, uma catraia terá descoberto que aquilo altera o DNA e depois o nosso organismo não o reconhece e se fôssemos uma planta num vaso morríamos. É isso e o milagre do sol telecomandado pela senhora que corneou o carpinteiro, ontem comemorado, e não vem a despropósito, a página Portugal Mundial é filha do “portal” Portugal Místico, onde se vende Cristaloterapia, Homeopatia de Bach e Sincronização Cerebral, muito embora se afirmem

um portal com pessoas por trás que ‘trabalham’ de forma gratuita e voluntária mas que pagam (e não é pouco) pela sua manutenção, monitorização e existência online.

O negócio tem rendido pouco, e ainda bem. Partilhem disparates, partilhem, sempre ajudam à conversão da Rússia.

Fotografia:  Eduardo Gageiro, Vendedor de banha da cobra, Lisboa, 1957

Moscas da época

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Tenho uma colónia de moscas da fruta na cozinha. Chegaram com o verão logo a seguir às formigas, estabeleceram-se ao contrário do formigueiro que não suportou o anunciado mais fresco estio (ou será estilo?) de sempre, já são da casa.

Obrigam a algum cuidado, tratando-se de açucares à solta, sacodem-se e cá vamos convivendo fraternalmente, o meu franciscanismo sempre foi muito dado aos insectos.

Quero crer que se trata de familiares Drosophilidae. Não por convicção zoológica mas porque sempre que as vejo, em bando experimentando uma bravo-esmolfe (aliás bravo, que esmolfe desapareceu das frutarias) sorrio pelo menos um bocadinho: ah Sarah Palin, que saudades. Muito gosta a extrema-direita da ignorância.

A boa prática das aspas e o *busão de Higgs

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O manual de boas práticas do jornal A Bola parece estar a fazer escola. O próximo passo será o de pôr entre aspas todas as palavras escritas em AO90, não se limitando essa boa prática àquelas que se encontram no título.

O passo seguinte? É fácil: abandonar as aspas e, como Daniel do Rosário (e não só), cumprir o disposto quer no Decreto n.º 35 228, de 8 de Dezembro de 1945, quer no Decreto-Lei n.º 32/73, de 6 de Fevereiro.

Post scriptum: Ao contrário daquilo que por aí se escreve, não é *busão. Não, não é: é bosão. Escrito isto, parabéns a Peter Higgs e a François Englert e uma merecida homenagem a Robert Brout. Para terminar, o New York Times explica o bosão (sim, bosão).

Há vida em Marte?

Segundo a NASA, apesar da ausência de metano, é provável, David, é provável. Contudo, uma coisa é certa: não há dinheiro em Marte. Não, não há.

Boas notícias…

-Não posso deixar de saudar o possível desmantelamento do arsenal de armas químicas do regime sírio. Mais até que questões de princípio que tão pouco são irrelevantes, sou opositor dos excessivos gastos dos Estados em armamento, sempre financiados à custa do esbulho que os governos praticam sobre os empreendedores que de facto criam riqueza e postos de trabalho.

-Excelente seria que além da Síria países como Irão, Arábia Saudita, Turquia, mas principalmente EUA, Rússia, China, França, Grã-Bretanha ou Israel também abdicassem dos seus programas, reduzindo assim gastos militares inúteis…

Adeus, Altavista

15 de Dezembro de 1995  — 8 de Julho de 2013

A Cidadela de Mazagão

Cisterna 1

A Cisterna Manuelina de Mazagão

“Os nossos lugares em África eram praças de guerra. As suas muralhas conservadas até hoje – na maioria dos casos – atestam a sua solidez. Os seus moradores podiam dormir sossegados. Para as erguer não se pouparam os bons materiais, alguns deles vindos de Portugal, como a pedra de cantaria, a madeira e a cal. Trabalharam nelas os melhores artífices da metrópole e dirigiram-nas os melhores debuxadores e mestres de pedraria do tempo, nacionais ou estrangeiros.” (LOPES, 1989, pág. 41)

Em meados do século XVI estava em marcha um plano de mudança na política portuguesa em relação às praças Norte Africanas. A sua insustentabilidade económica e militar, aliada à perda de valor estratégico que sofrem face ao novo contexto criado com as descobertas na América, Africa e Asia, tornam a sua manutenção nas mãos da coroa portuguesa inviável. Após a queda de Santa Cruz do Cabo Guer em 1541, inicia-se o abandono de algumas das praças, tendo no espaço de nove anos sido evacuadas Safim, Azamor, Arzila, Alcácer-Ceguer e o Castelo de Aguz. No entanto, para além de se manterem as posições estratégicas do estreito, Ceuta e Tânger, a coroa portuguesa decide manter uma presença no chamado Marrocos Amarelo, ordenando a construção de uma grande fortaleza concebida de acordo com os últimos conceitos da arquitectura militar europeia.

Mazagão, considerada a primeira fortaleza da era moderna, onde se puseram em prática as mais avançadas teorias desenvolvidas pelos arquitectos militares italianos do Renascimento, revelar-se-ia um bastião inexpugnável durante os quase 300 anos de permanência portuguesa no local. [Read more…]

Internet: em velocidade, Portugal é o 20.º

Os pormenores e a notícia (via João Roque Dias).

50 anos

A Ponte da Arrábida sobre o rio Douro no Porto foi inaugurada no dia 22 de Junho de 1963

Barbaturex morrisoni

Barbatus (L) ‘bearded’ þ rex, ‘king’, referring to the presence of
ventral ridges along the mandible and giant size of the taxon.
Species nomen honors Jim Morrison, vocalist and lizard king.

Excelente título do Washington Post. A história é contada no Público e o artigo está aqui. Não tenho à mão nem a versão portuguesa do No One Here Gets Out Alive de Hopkins e Sugerman, nem o resto da colecção, só a versão alemã. Se alguém tiver as traduções portuguesas por perto, agradeço que nos ilumine com o parágrafo de Hopkins e Sugerman sobre a Celebração do Lagarto e a tradução do poema (será esta?). Se não, mais tarde, quando for a Portugal, faço uma actualização.

O Verão de 1816

Diz o IPMA que

 4 sistemas de previsão acoplados: três europeus – ECMWF, Met Office, Météo-France – e um norte americano – NCEP [prevêem] para o trimestre junho, julho e agosto, (…) um cenário para Portugal Continental em que a probabilidade da temperatura média ser inferior ao normal é de 40 a 60%, com uma anomalia negativa entre -0.5 e -0.2 °C.

Brrr, que gelo. Mas como já estamos na estação idiota da comunicação social, e há sempre um a colaborar na nobre causa do capitalismo não fazer mal a ninguém, a poluição nunca ter existido e o planeta ser tão descartável que o posso ir tramar onde me der mais lucro, já estou cheio de frio.

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O aquecimento global volta a fazer das suas…

Ou talvez não, mas certamente os teóricos dos mitos climáticos cientificamente por comprovar, irão argumentar com as alterações, blá, blá, blá… No entanto, ao que parece em 1816 o Verão não terá sido nada quente e nessa altura, ainda não existiam várias das causas apontadas pelos crentes especialistas na matéria. Nem os EUA eram na época uma superpotência. Registo que desde o fim do mandato de W. Bush, com Obama na Casa Branca, estas matérias passaram a ter uma menor projeção internacional…

Lua Cheia

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Contra a Monsanto marchar, marchar

monsanto 2
Volta a ser hora de agir contra os monopólios e os interesses instalados. Amanhã é dia de Marcha Global.
Em Portugal, marcha-se pelo menos em Monsanto, no Porto e em Lisboa. Pessoal, vamos lá dar um pézinho?
Mais informações aqui (em Inglês) e aqui (para Facebookers).

Paraíso Perdido

Fica aqui um excelente vídeo que é mais um grito contra a construção da barragem do Tua. Mais uma prova de como os sucessivos governos permanecem egocentrados e cegos a tudo o que de bom este país tem. Ao visualizar mais uma prova do crime que está a ser cometido, só me ocorreram palavras indecorosas que, por respeito aos leitores, não revelarei aqui.

Sócrates, «teus netos vão-te perguntar em poucos anos» pelo paraíso que já não vemos e pelos comboios que já não usamos. Que lhes vais responder?

E agora, se me dão licença, vou ali gritar umas palavras barbudas e já volto.

Extinções

Esta frase de um leitor num comentário a este poste

…quando era criança era muito comum ver joaninhas em todo o sítio, hoje em dia são cada vez mais raras…

fez-me fazer um exercício de memória.

Tenho cinquenta e dois anos, nasci em Angola, vim para Portugal com quase quinze, há trinta e sete anos, portando. Sem nenhuma pretensão científica e não sendo exaustivo, dei por mim a pensar nas extinções a que assisti – aqui a palavra é utilizada de forma pouco exacta, sendo que chamo extinção ao (quase) desaparecimento de certas espécies de determinados locais.

Um dos primeiros insectos que me maravilhou em Portugal foram os pirilampos. Lembro-me deles às centenas, à noite, piscando nos campos. Há anos que não vejo um único pirilampo nos mesmos campos. O que se passou? Não sei, sei que as crianças os apanhavam às dezenas para brincar, mas imagino que sempre tenham feito o mesmo ao longo de gerações. [Read more…]

Proibição de pesticidas que matam abelhas

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Os governos, no caso europeu também as instituições supra-nacionais, sofrem geralmente de legislalite aguda, uma doença que os faz criar leis para tudo e mais alguma coisa, dia sim, dia não, num afã inconsequente de parecer que trabalham muito e controlam tudo.

A legislação ridícula e absurda acumulada é sinal de que nunca perceberam uma coisa muito simples: salvo raríssimas excepções é preferível lei nenhuma a uma má lei. Nem os liberais mais couraçados escapam, quando no poder, a esta doença viciante – normalização disto, regulamentação daquilo, proibição daqueloutro e por aí fora.

No meio de tanta tralha legislativa, lá surge uma vez por outra uma lei importante. É o caso da proibição de pesticidas que matam abelhas, decidida agora pela Comissão Europeia, contra a posição de lóbis poderosos e bem infiltrados nos círculos políticos. [Read more…]

Barriga de Trigo

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O Trigo como principal causa da obesidade que actualmente grassa nas sociedades ocidentais. Uma teoria do cardiologista William Davis, que no seu livro «Wheat Belly» (Barriga de Trigo), aponta os malefícios para o organismo do consumo de trigo, maiores ainda do que o consumo de açúcar. [Read more…]

Gonçalo Ribeiro Telles recebe Prémio Sir Geoffrey Jellicoe

Ribeiro Telles

Tenho pelo Arq. Ribeiro Telles o maior dos respeitos. Pelos vistos a Federação Internacional dos Arquitectos Paisagistas (IFLA) também.

Gonçalo Ribeiro Telles, pioneiro da arquitectura paisagista, pregou quase sempre no deserto, entre assentimentos de cabeça e palmadinhas nas costas, como as gentes arrogantes sempre fizeram com os visionários, do género “será génio, mas é maluco”.

As mesmas gentes que nos deixaram como legado um país caótico e desordenado, muito longe da suficiência agrícola, com imensas quantidades de solos inutilizados e impermeabilizados, destruidor de biodiversidade, um país desintegrado e desmemoriado em relação à sua própria cultura e natureza.

Perseverante, lutou décadas pela implementação e manutenção, por exemplo, do Corredor Verde de Monsanto. A sua marca em Portugal é, felizmente, maior do que a obra que lhe foi permitido concretizar e visível no número e qualidade de seguidores e discípulos que granjeou.

Tenho a infeliz sensação de que, não fosse a pequenez e a hipocrisia com que foi tratado pelos poderes que foram sucessivamente administrando o território, ministros e ministérios do ambiente incluídos, e Portugal seria hoje um país mais equilibrado, belo, justo e sustentável. [Read more…]

O Chimpsky e o Dan

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Depois de Nim Chimpsky ter servido para Herbert Terrace tentar provar que a capacidade de produção de enunciados respeitando regras gramaticais não é um exclusivo dos seres humanos (ao contrário do que muitos pensam, o próprio Terrace já admitiu que os resultados obtidos e publicados deram, afinal, um ‘falso positivo‘), agora surge o babuíno DAN (no artigo do Courrier International, surge ‘Dan’ que, convenhamos, é mais carinhoso: a adopção de maiúsculas em DAN distancia-nos dele, como de certa forma acontecia com o HAL: Heuristically programmed ALgorithmic computer)) como estrela da companhia de projecto chefiado por Jonathan Grainger (numa equipa que conta com, entre outros, o excelente Johannes Ziegler), em que os autores pretendem demonstrar poderem as competências de base para processamento ortográfico na direcção da leitura  ser adquiridas sem a pré-existência de representações linguísticas.

A seguir com atenção.

Vamos lá privatizar tudo: agora é a vez da água

Estes tipos são capazes de quase tudo? Não, estes cabrões são capazes de tudo, mesmo, desde que enriqueça alguns.

O leitor pensava que no séc XXI, com populações escolarizadas e especializadas, com tecnologia e meios de informação, com sindicatos e organizações sociais, com Unescos e cartas de direitos humanos, as pessoas estavam mais protegidas, defendidas e conscientes dos seus direitos? Erro seu, a barbárie é a de sempre, apenas munida de armas mais poderosas.

É apenas uma questão de tecnologia e de arranjarem formas de cobrar: um dia privatizarão o sol e o ar respiramos, com o apoio e directivas de Bruxelas, Washington, Pequim ou quem lhes suceda.

Croniquetas de Maputo: o lixo e a chuva

Uma das primeiras coisas que nos assalta os sentidos, em Maputo, é o lixo. A visão do lixo, o cheiro do lixo, o cuidado com o lugar onde se põe o pé. A cidade não está preparada para lidar com o lixo que produz, a política de recolha e transformação é quase inexistente, os raros contentores parecem ter sobrevivido em mau estado a campanhas sucessivas no Iraque, no Afeganistão, na Líbia, nos campos de treino de uma escola para bombistas, amolgados, retorcidos, a tombar para os lados. Servem como mera indicação de uma zona geográfica em volta da qual se acumulam quantidades enormes de lixo. Não é raro, de dia ou de noite, encontrar lixo a arder, contentores em chamas, fumo negro toldando pequenas zonas da cidade. Outras vezes sentimo-lo à distância pelo cheiro de mil e uma coisas diferentes em combustão simultânea.

Em alguns locais, em algumas ruas, o lixo vai-se acumulando sobre o lixo, pessoas e automóveis pisam-no e compactam-no, nivelam-no, entupindo escoadores e valetas, tapando buracos aqui e ali. Os pobres dos pouquíssimos trabalhadores dos serviços de recolha, desprovidos de meios, acompanham camiões de lixo que há muito deixaram de ser basculantes, colocam um lençol de plástico no chão e vão empilhando lixo sobre ele, depois levantam-no, balançam-no uma, duas, três vezes e upa,  [Read more…]