Seamus Heaney (1939-2013)

Talvez seja um pouco cruel que ele parta no fim de Agosto, e não em Setembro ou Outubro, quando ao longo da costa Flaggy, no Condado de Clare, há dias em que o vento e a luz se desprendem um do outro, e se pode parar frente ao mar e deixar que as rajadas de vento nos apanhem o coração desprevenido e o abram de um sopro. Mas é certo que ele também nos ensinou que não se está aqui nem lá, não se é mais que uma pressa atravessada por coisas estranhas e outras já conhecidas.

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Ignora o AO90

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Extensão para o Google Chrome que converte páginas escritas ao abrigo do acordo ortográfico de 1990 para o de 1945.

O Jornalismo e o sensacionalismo – 2

A discussão é interessante e o diagnóstico não se esgota nas visões representadas por estes dois artigos. Nem pode, talvez, ser desligada da discussão sobre o declínio de outros “campos” próximos do jornalismo, como sejam a política tal como é hoje praticada. Diria que jornalismo e política, outrora pilares essenciais da democracia, estão hoje em crise e com eles  também a democracia  está em criseEstrela Serrano

Obviamente, a discussão não se esgota nestas duas premissas apresentadas tanto por mim como pelo Nuno Ramos de Almeida. Aproveitando para agradecer a Estrela Serrano tanto a citação como o contributo para a análise do tema.

Eu não afirmo, taxativamente, que o declínio do jornalismo deriva da força da internet. Considero, isso sim, que uma parte dos seus consumidores se limitou a migrar de plataforma, se assim se pode dizer. E concordo, quando Estrela Serrano coloca mais um problema em cima da mesa: o declínio do jornalismo não pode ser analisado esquecendo o declínio de campos “conexos” e exemplificado pela autora com a política. Eu diria, perdoem-me o atrevimento, que existe mesmo uma relação directa.

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O Jornalismo e o sensacionalismo

O Nuno Ramos de Almeida, no i, escreveu um artigo sobre o jornalismo que muito agradou a dois velhos amigos meus. Foram eles os culpados por eu ter ido ler e, indirectamente, causadores de eu ter de escrever a discordar (nas conclusões) com o Nuno Ramos de Almeida – o que me custa, confesso.

Vou começar pelo fim. O Nuno Ramos de Almeida (NRA) recorda a tiragem do “Diário de Notícias” e de “O Século” nos inícios do século XX (100 mil exemplares/dia cada um) e compara com a realidade actual afirmando que não foram eles, os leitores, que desapareceram mas, “os jornais, a comunicação social e os jornalistas que não estão a cumprir devidamente o seu papel de informar com qualidade. O que fazem não serve“. O NRA aqui ignorou, olimpicamente, a realidade. Ou seja, os jornais no início do século XX não concorriam com a internet, as redes sociais, a televisão, etc.

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Sons de aventador #1

Egipto: o longo caminho para a democracia

Ismail Serageldin

Ismail Serageldin, o director da nova Biblioteca de Alexandria, esteve recentemente em Portugal para receber o Prémio Calouste Gulbenkian 2013. Entrevistado para o jornal Público, falou daquilo em que acredita: no poder das ideias, e no pluralismo. No seu país vivem-se por estes dias momentos de confronto entre os partidários das velhas e das novas ideias, entre islamistas (que pretendem impor no Egipto a vontade da Irmandade Muçulmana) e todos os outros, que representam cerca de metade dos cidadãos eleitores. Islamistas que não costumam aparecer nos debates promovidos pela Biblioteca Alexandrina, “encontros de teor tendencialmente liberal [e não falamos de economia]”, diz Serageldin, de que compreensivelmente não participam, imaginando talvez que dessa forma essas outras ideias perderão relevância na sociedade. [Read more…]

O mundo ao contrário

Hoje vi, com estes olhinhos que a terra e os bichos vão deglutir, um andor a ser carregado (numa procissão do Norte de Portugal) por um jovem com uma camisola com a cara do Che Guevara!

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O Ernesto deve ter dado umas valentes voltas no caixão. Ou não.

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dizes:
o que eu faço é bom.
dizes:
o que eu faço é para o teu bem.

eu digo:
há quem não esteja contente contigo.
tu dizes:
cala-te.

«dísticos» – Alberto Pimenta, Corpos estranhos (1973)

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Sejamos sérios

Diz-me o calendário que hoje é dia 6 de Agosto de 2013. Data assinalável a vários títulos.

Neste dia, há 68 anos, acontecia a bomba sobre Hiroshima. Eu era um garotinha atenta ao que ouvia à minha volta: a 2ª Guerra Mundial tinha acabado e em Luanda, onde vivia, tinha havido uma grande manifestação de regozijo, mas eu não percebi porque é que foi preso um homem que deu vivas à Rússia, um país aliado segundo diziam os mais velhos. Muitos anos depois, a conversar com o Raúl Indipo, do Duo Ouro Negro, entrámos nessas memórias e fiquei a saber que também ele tinha ficado confuso: julgou que estavam a dar vivas à Russa, má peça com toda a certeza porque quem a saudava era preso, mas ele nunca conseguiu saber quem era a matrona enquanto catraio. Naquele dia, há 68 anos, eu estava sentada na areia da praia onde vivia mais o Sérgio, o filho do cozinheiro que democraticamente andava na escola pública comigo por decisão da minha mãe. Contei ao Sérgio o que tinha ouvido sobre Hiroshima e adiantei que os americanos iam continuar a deitar bombas por todos os lados. Vem de longe esta desconfiança em relação aos camones e vá-se lá saber porquê. O Sérgio estava de olhos arregalados mas não tugiu nem mugiu. Quem o fez por ele foi o pai cozinheiro que, pelo anoitecer, se plantou diante da minha mãe com o filhote pela mão e declarou que ia dormir ao musseque porque queria morrer ao pé da família. O aranzel que aquilo deu. [Read more…]

dísticos (4)

dizes:
essa forma não se ajusta às nossas necessidades.

eu registo:
continuas usando o plural majestático.

«dísticos» – Alberto Pimenta, Corpos estranhos (1973)

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A cultura também é um negócio

E cada um deve gerir o seu como bem entende. Chegado a Portugal, fui visitar uma livraria que desde sempre gosto de frequentar, com o intuito de abastecer livros que permitam satisfazer os meus hábitos de leitura durante meses. Saí de mãos a abanar. Não estou preparado para comprar livros escritos em brasileiro, exceptuando autores brasileiros, como é óbvio. Os autores ou editores, nem sei bem a quem imputar a responsabilidade, são livres de aderir ao A.O., mas eu não serei menos livre em escolher como e onde gastar o meu dinheiro. É que a leitura sempre foi para mim um prazer. Mas com esta ortografia na qual não me revejo, deixei de comprar jornais. Agora vão também os livros. Não gosto do A.O., prefiro reduzir drasticamente os meus hábitos de leitura. Ainda que acabe por ler títulos ou autores que considere mesmo indispensáveis, seguramente que o meu protesto visará atingir o ponto onde posso ser mais eficaz no protesto, evitando a compra. A escolha foi da indústria livreira, pois as escolhas têm consequências…

Mais Maias (?)

eçaO Expresso, sempre pronto para bizarrias editoriais, lançou mãos à empreitada de, não só editar o original de Os Maias, mas continuá-lo e dar-lhe um fim na convicção, porventura, de que Eça de Queirós, conquanto fosse um escritor diligente, não tinha fôlego para dar conta, sozinho, da tarefa ingente de concluir a obra. Para isso mobilizou escritores – como Peixoto e Agualusa – e outras pessoas – como Clara Ferreira Alves.

Não me entendam mal. Nada tenho contra o facto de estimular o emprego nos vários sectores da edição – desde o escritor ao livreiro – e reconheço que a vida está difícil para todos. Assim, o Eça, coitado, depois de ter visto editado um romance que ele próprio rejeitou (A Tragédia da Rua das Flores), vê agora continuado um romance que, na sua arrogante convicção, pensou ter acabado. Ele e os milhões de leitores – os voluntários e os em boa hora obrigados pelo programa do Ensino Secundário – que, na sua ingenuidade, julgavam ter lido a obra completa. Já nem falo dos muitos e ilustres ensaístas que dedicaram uma vida a trabalhar sobre este equívoco (embora Carlos Reis não hesite em incluir nisto a sua “Introdução à Leitura d’Os Maias”).

Por mim, confesso: tal como não li a “Tragédia…” – se o seu autor a abominava, eu respeitei a sua opinião – não faço a menor intenção de ler este folhetim escrito nas defuntas costas do seu autor. Há lá escritores estimáveis e dos quais gosto? Há. Mas, por mim, vão ficar a falar sozinhos. Embora possa ser estimulante para alguns ler a fulgurante conclusão que a Clarinha vai dar à obra-prima de Eça. Que, por este andar, ainda se transforma em obra-tia. A iniciativa do Expresso designa-se, no seu comemorativo conjunto, “Eça Agora”. Essa agora!!

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dizes:
eu quero a paz.

sim, acredito.
já seria altura de gozares
o que ganhaste na guerra.

«dísticos» – Alberto Pimenta, Corpos estranhos (1973)

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dizes:
é necessário construir o futuro.

agora compreendo porque afundas o presente:
para lançares os alicerces.

«dísticos» – Alberto Pimenta, Corpos estranhos (1973)

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dizes:
eu é que sei quais são os interesses de todos.

e não sabes
que todos sabem também quais são os teus interesses?

«dísticos»Alberto Pimenta, Corpos estranhos (1973)

Dompenaxinho – Já não dói não

Gosto de cantigas de Verão, mesmo sem gostar do Verão. Esta é das mais surpreendentes dos últimos anos.  Os mitras açorianos são os maiores.

Obrigado Hugo Ferreira.

Teatro no Porto: bom e barato

No final dos três anos de qualquer curso profissional, os alunos têm de participar numa Prova de Aptidão Profissional (PAP), o que lhes permitirá obter uma certificação profissional, para além do diploma de 12º ano.

Na Academia Contemporânea do Espectáculo, a PAP integra, frequentemente, a representação de peças, em que intervêm alunos dos três cursos: Cenografia, Luz e Som e Interpretação. O facto de estas provas estarem abertas ao público constitui uma possibilidade de ver o trabalho de um conjunto de jovens talentosos que estarão no futuro das artes do espectáculo em Portugal. É uma ocasião para assistir a espectáculos de grande qualidade pagando pouco.

Este ano, estarão em cena os espectáculos If…GípolisO Maldoror Está Vivo.

Não sigam o cherne. Sigam os cartazes. [Read more…]

Apetece.

Estou cansado, pá

Sá da Costa mandada encerrar

pelo Tribunal de Comércio de Lisboa. Manifesto contra o encerramento das livrarias históricas de Lisboa (editado pela Letra Livre), será lido amanhã, sábado 20/07, às 21h, na Livraria Sá da Costa (Rua Garrett, ao Chiado). Uma iniciativa dos trabalhadores da Livraria Sá da Costa.

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Leya apela ao voto em branco

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A Leya criou uma sobrecapa para forrar a capa do livro de José Saramago Ensaio sobre a lucidez (Caminho, 2004).

Num país indeterminado decorre, com toda a normalidade, um processo eleitoral. No final do dia, contados os votos, verifica-se que na capital cerca de 70% dos eleitores votaram branco. Repetidas as eleições no domingo seguinte, o número de votos brancos ultrapassa os 80%. Receoso e desconfiado, o governo, em vez de se interrogar sobre os motivos que terão os eleitores para votar branco, decide desencadear uma vasta operação policial para descobrir qual o foco infeccioso que está a minar a sua base política e eliminá-lo. E é assim que se desencadeia um processo de ruptura violenta entre o poder político e o povo, cujos interesses aquele deve supostamente servir e não afrontar. Ensaio sobre a Lucidez (…) constitui uma representação realista e dramática da grande questão das democracias no mundo de hoje: serão elas verdadeiramente democráticas? Representarão nelas os cidadãos, os eleitores, um papel real, e não apenas meramente formal?

Assunção faz citação em segunda mão

Bourreau_executionHá dias em que uma pessoa se sente herói de uma epopeia, capaz de enfrentar multidões em nome de um ideal. Assunção Esteves, agarrada ao leme da Assembleia da República, foi atingida pelos protestos de cidadãos presentes nas galerias, elementos incómodos que mandou evacuar.

Excitada pela descarga de adrenalina, Assunção incitou os deputados a não terem medo, tendo sido aplaudida pelos do PSD e do CDS. Impelida pelas aclamações, ei-la, pressurosa, a declarar que é necessário repensar o acesso às galerias. Muita animação na maioria gozosa.

Eis senão quando, Assunção, já imparável, já de velas enfunadas, declara julgando-se preclara: “Como dizia Simone de Beauvoir, não podemos permitir que os nossos carrascos nos criem maus costumes.” Escusado será dizer que a maioria sentiu calores e calafrios e revirou os olhos.

Seria, no entanto, importante, que alguém explicasse a Assunção que é feio fazer uma citação em segunda mão e que é bom confirmar as fontes, regra fundamental para quem tem uma carreira académica. Ora, Simone de Beauvoir não disse; citou, isso sim.

Na realidade, a frase foi escrita por Gracchus Babeuf numa carta à sua mulher. A escritora francesa fez uma citação truncada dessa mesma carta, no ensaio “Oeil pour oeil” que consta da obra L’existentialisme et la sagesse des nations (há edição portuguesa na Esfera do Caos).

Babeuf escreveu: “Les supplices de tous genres, l’écartèlement, la torture, la roue, les bûchers, le fouet, les gibets, les bourreaux multipliés partout, nous ont fait de si mauvaises mœurs !”. Simone citou: “«Nos bourreaux nos ont fait de bien mauvaises mœurs.» écrivait avez regret Gracchus Babeuf.” Assunção enganou-se na autoria e terá consultado uma tradução manhosa, já que o revolucionário francês relata factos num pretérito infelizmente perfeito; Assunção transformou uma constatação num incentivo, o que é um exagero, mesmo sabendo-se que todo o tradutor é um traidor.

Porque temos a preocupação de que o Aventar funcione como um serviço público, deixamos aqui a frase que Assunção Esteves poderá dizer quando voltar a haver agitação nas galerias, o que já não deve tardar muito: “Como escreveu Simone de Beauvoir, citando, de forma incompleta, Grachhus Babeuf, «os nossos carrascos habituaram-nos mal»”

Quero, ainda, aproveitar para sossegar Assunção, porque aprendi a lição: os nossos carrascos são o Presidente da República, os membros do governo e os deputados da maioria e não há maneira de me acostumar a que continuem a torturar o país.

Zeca e os vampiros

Há cinquenta anos, Zeca Afonso publicava um EP intitulado “Baladas de Coimbra”. Lá estava “Os Vampiros”. Os vampiros lá estavam.

A lembrança do composipoetocantor resiste na limpidez da voz e na frontalidade do homem (e a frontalidade é só uma maneira de ser límpido).

Os vampiros continuam irrevogavelmente agarrados ao nosso pescoço. Austeridade é o nome que dão aos caninos.

Detesto a frase feita: “Isto é tão actual!” Hoje, não tenho outro remédio senão repeti-la, porque continua a haver pouca gente a comer tudo.

O vídeo é o do célebre concerto no Coliseu, em 1983. O Zeca estava muito doente e o país também não se sente muito bem.

Manuel Louzã Henriques

Há pessoas que nos fazem, começa sempre por duas, e depois nos foram fazendo, continuado o labor das mesmas duas, chegam outras, os amigos.

Sendo o meu pai um particular amigo do Manuel, tive o acrescido benefício de o conhecer desde pequenino. Confesso-me, de muito puto, fiel admirador e copiador no meu quarto daquela casa minúscula na Rua da Mãozinha onde as estantes acumulavam o desarrumo ordenado do que gostamos; livros, instrumentos, objectos com uma história e pessoas lá dentro e a contar para fora; mais que não seja serviu-me tantas vezes de justificação perante a minha mãe habituada às prateleiras ordenadas da loja dos avós, onde ela chamava desarrumado eu garantia, estética e funcionalmente, está muito mais arrumado que a nossa cozinha, sei onde está tudo e hei-de trazer o resto do mundo para casa. Coisas de puto, já não sei onde andam coisas e papéis, e cada vez menos trago o mundo para casa.

A Lápis de Memórias editou um livro que é uma conversa, entre o melhor conversador do mundo, o Manuel Louzã Henriques, a Manuela Cruzeiro e a Teresa Carreiro, acrescido do testemunho de um muito pequenino grupo dos seus amigos, houvesse espaço para todos e não cabiam numa lombada. Ficou-se pelas 460 páginas.

Algures Com Meu(s) Irmão(s) pode parecer mais uma daquelas coisas das gentes de Coimbra, muito dadas ao saudosismo e suas estórias (esquecendo que essa cantada saudade dos tempos juvenis brota da nascente dos que entre nós estudaram, e a estas terras, mares e suas serranias até eram estranhos). Também sendo, e qual o mal, não o é. [Read more…]

A idade do ‘juventismo’

le_bel_age_01Numa entrevista recente, a pretexto da publicação em França do seu mais recente ensaio, intitulado Le bel âge, Régis Debray afirmou – ao arrepio dos que modernamente olham para a História da Humanidade como unicamente feita de presente – que vivemos uma época marcada pela “crise da transmissão”. Referia-se o autor à perda dos elos de ligação entre o passado e o presente, com consequências, designadamente, para a sobrevivência das identidades culturais dos povos, sobre quem se lançou o sortilégio tecnológico da globalização uniformizadora do Mundo. E no entanto, “o que distingue um homem de uma abelha ou de um urso é que um homem ergue monumentos, guarda a memória dos avós. Mas hoje instalam-nos num universo desligado do passado, embora conectado no espaço. Contudo, o elo de ligação profundo da Humanidade reside no tempo e não no espaço.” [Read more…]

Nem tudo o que parece é

Take a little walk to the edge of town

peça de teatro procura autores

papagueno

Notas para uma peça de teatro plagiada a reescrever urgentemente… ajuda, precisa-se!

Melina

melina_mercouri

No dia em que a União Europeia faz um ultimato à Grécia para que resolva em três dias (e no meio de uma crise política parecida com a nossa) a bicuda questão das garantias associadas ao financiamento daquele Estado sob resgate financeiro, recordo uma tarde que passei em Atenas à conversa com o marido de Melina Mercouri (1920-1994) – o cineasta Jules Dassin (1911-2008), que ela conhecera em Cannes em meados dos anos 50.

Actriz, cantora, activista política, Mercouri foi também Ministra da Cultura – é da sua autoria a ideia das capitais culturais da Europa, [Read more…]

A Cidadela de Mazagão

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A Cisterna Manuelina de Mazagão

“Os nossos lugares em África eram praças de guerra. As suas muralhas conservadas até hoje – na maioria dos casos – atestam a sua solidez. Os seus moradores podiam dormir sossegados. Para as erguer não se pouparam os bons materiais, alguns deles vindos de Portugal, como a pedra de cantaria, a madeira e a cal. Trabalharam nelas os melhores artífices da metrópole e dirigiram-nas os melhores debuxadores e mestres de pedraria do tempo, nacionais ou estrangeiros.” (LOPES, 1989, pág. 41)

Em meados do século XVI estava em marcha um plano de mudança na política portuguesa em relação às praças Norte Africanas. A sua insustentabilidade económica e militar, aliada à perda de valor estratégico que sofrem face ao novo contexto criado com as descobertas na América, Africa e Asia, tornam a sua manutenção nas mãos da coroa portuguesa inviável. Após a queda de Santa Cruz do Cabo Guer em 1541, inicia-se o abandono de algumas das praças, tendo no espaço de nove anos sido evacuadas Safim, Azamor, Arzila, Alcácer-Ceguer e o Castelo de Aguz. No entanto, para além de se manterem as posições estratégicas do estreito, Ceuta e Tânger, a coroa portuguesa decide manter uma presença no chamado Marrocos Amarelo, ordenando a construção de uma grande fortaleza concebida de acordo com os últimos conceitos da arquitectura militar europeia.

Mazagão, considerada a primeira fortaleza da era moderna, onde se puseram em prática as mais avançadas teorias desenvolvidas pelos arquitectos militares italianos do Renascimento, revelar-se-ia um bastião inexpugnável durante os quase 300 anos de permanência portuguesa no local. [Read more…]

Um óptimo fim-de-semana

Exactamente. Um óptimo fimdesemana.