Como Se Fora Um Conto – O Sr Adérito, Engraxador

Já lá vão muitos anos, mas as lembranças fluíam com rapidez.

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Sentado à mesa de um café da baixa Portuense, olhei os meus sapatos e pensei em quanto me saberia bem que aquele café tivesse um engraxador. Apeteceu-me ter os sapatos limpos, escovados e a brilhar.

Se ao menos ainda houvesse engraxadores! Já há muito que os não via. Os últimos estavam naquela entrada da rua Sampaio Bruno, quase em frente à Casa da Sorte. Havia também um ou dois, que paravam na Praça da Liberdade, quase na esquina da rua da ‘engraxadoria’.

Antigamente, não havia café que não tivesse um, e havia trabalho para todos. Todo o homem que se prezasse gostava de ter os sapatos a brilhar. Hoje são raros, os engraxadores, já que sapatos a brilhar ainda os vai havendo, e homens que se prezem ainda há um ou outro.

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A Maria

A Maria

A Maria nunca mais apareceu.

Os olhos, vindos do outro lado do mundo, fundos de ausência, casavam o branco e o negro para dizerem o que a boca não conseguia. O nariz afilava de um só traço o rosto magro, e os cabelos errantes fugiam da testa, cada pedaço para seu lado. A pele transluzia uma imagem por detrás dos vidros, imagem baça do avesso da vida.

Uma dor subtil desenhava os lábios maduros, finamente trémulos, como se estivessem prestes a chorar. Nunca alguma lágrima por eles correu ou voou algum beijo. Apenas o cigarro acendia e consumia a sua virgindade. [Read more…]

Rua de Andaluz: Lisboa Arruinada


Pequeno, modesto, mas característico prédio da rua de Andaluz, na intersecção com a Duque de Loulé. Preparam-se para o demolir e substituir por um exemplar decerto idêntico ao que surge mais à esquerda na fotografia. Esta zona parece condenada à total destruição.

A mulher que amanha o peixe

A mulher que amanha o peixe

Sempre que a vejo no supermercado onde vou, reconheço que não é por acaso. Muito bonita a mulher que amanha o peixe – não sei se amanha se amanhece! -.

Rosto combatido, dorido, olhar sofrido e manso, não sei o que faz desta mulher um poema, se os olhos negros e fundos, se o desenho rasgado da face, se um gesto brusco da natureza revoltada de cansaço. [Read more…]

Duque de Loulé: Lisboa Arruinada


Uma futura vítima a abater – já entaipada -, ao cimo da Duque de Loulé e antes de entrarmos na Praça José Fontana. Reparem no mamarracho à esquerda. O sonho dos senhores que em nós tripudiam, é transformar Lisboa num enorme pardieiro de alumínio, marquises de lata e vidros espelhados. desde que lucrem com a façanha, é claro.

Velha-a-Branca Lip Dub

Dos arredores da grande e betonada terceira cidade portuguesa, envio um abraço fraterno e amigo aos heróis invictos do Estaleiro Cultural Velha-a-Branca. No vídeo, perdoem-me o reparo, só faltou mesmo Mesquita Machado, o nosso Querido Líder desde 1976, dava um ar edificativo e democrático à construção. É a minha opinião.

R. Luciano Cordeiro: Lisboa Arruinada


Característico exemplar de prédio residencial do final do séc. XIX/início do XX, em Lisboa, Rua Luciano Cordeiro. emparedado, aguarda tristemente a sua demolição, decerto para ser substituído por outro mamarracho como aqueles que abundam nesta zona (Duque de Loulé).
Lisboa é sem dúvida e a par de Bucareste, a capital europeia (?) com a mais incompetente, debochada e desapiedada Câmara Municipal, cuja responsabilidade pelo desastre, já remonta a meados dos anos sessenta. Não tendo sofrido qualquer bombardeamento durante a II Guerra Mundial, os efeitos da cupidez, corrupção e mau gosto, são amplamente visíveis em todo o lado. Uma vergonha nacional.

Duque de Loulé: Lisboa Arruinada

Dois prédios na Duque de Loulé, um já praticamente demolido e outro que aguarda o seu triste fim. No primeiro (verde água), situava-se a Galeria Camilo-Eça, um centro de tertúlias literárias e políticas, pertencente ao arquitecto Rui da Palma Carlos, pessoa extraordinariamente simpática e generosa. O meu irmão Miguel e eu próprio, muitas vezes o visitámos e é com grande pena que vemos hoje, um prédio que foi tão bonito, reduzido a uma parede e a uma varanda. O que se terá passado, para que tenha sobrado ainda alguma coisa? Um embargo? Espero que sim e que pelo menos, reconstruam a fachada.
O edifício contíguo é muito interessante, com janelas em ferradura, vidros coloridos (a lembrar Tiffany) e algo de misterioso, como se tratasse de um castelo, ou uma “casa de bruxas”. Merece recuperação total, exterior e interior.
* Por detrás da arruinada fachada verde, podemos facilmente verificar o lixo que se vai construindo na cidade, fruto da ambição do lucro, da falta de preparação e mau gosto. Ralé de vigaristas, é o mínimo que podemos dizer.

Portugal é Lisboa (1)

Estação de Nine - Linha do Minho/Ramal de Braga, Novembro 2008.

“Exmos. Senhores:

Ouvi em sucessivos jornais de actualidade hoje a menção à greve dos comboios e a anunciada greve de amanhã, em que «não serão só os  comboios, mas todos os transportes públicos à excepção do Metro».
A minha primeira dúvida foi qual o Metro a que se referiam? Lisboa, Porto, Mirandela ou do Sul do Tejo?
Não tendo possibilidades para concluir que se trata de um pressuposto antigo de que «Lisboa é Portugal e o resto é paisagem», pelo menos quando se trata de uma emissora que tão bem trata TODO o país, então julgo poder dizer que se tratando de uma «gralha jornalística» (isso existe?), então solicito a respectiva reparação. Se é o Metro de Lisboa que não vai parar, informe‑se devidamente as pessoas de tal facto.
Obrigado pela atenção,
J.C.”

Capitão da Areia #2:

A cidade de Vila Real ficava aos poucos para trás. Estava a subir o Marão por entre curvas de asfalto enganador que o túnel nunca mais está pronto nem construída a prometida auto-estrada. A noite estava escura como breu.

No esforçado automóvel estava a “patroa” a dormir e a minha criança lá mais atrás ensonada. Pensava eu. Pelas colunas ecoava “Capitão da Areia”. Baixinho, eu respeito o sono dos outros. Nestas coisas de viajar com filhos folgam os pulmões e prejudica-se a Tabaqueira Nacional e o Ministério das Finanças. De repente, ouço a minha Mafalda:

O Super-homem está a caminho,

Traz o Panda e o Soldadinho,

Fecha os olhos e verás.

Às vezes

Há dragões que têm medo

E é esse o seu segredo,

Cuidado!

Vivem debaixo da cama,

Brincam com o Homem-aranha,

Vais levá-los no teu sono”.

Um dueto imprevisto com o Pedro Abrunhosa! A minha mulher já me tinha dito que desconfiava que o PA tinha escrito esta letra para os filhos. Sinceramente, não sei nem faço a mínima ideia. Já não vou a nenhum consultório há tempo suficiente para não estar actualizado. Só sei que a minha, com tão só seis anos, já sabe de cor a letra de “Capitão da Areia”.

O Marão começou a ficar para trás e aqueles pontinhos de luz ali indicam que Amarante está perto e a A4 aproxima-se. O regresso ao Porto com um dueto surpreendente. Eu amo esta cidade.

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Av. da República: Lisboa Arruinada


Chegar ao Porto dez minutos mais cedo, eis em resumo o que significa o mega-projecto do TGV. No exacto momento em que as cidades do país proporcionam um ridículo espectáculo de ruas esburacadas, prédios e casas a ameaçar derrocada, jardins ao abandono, transportes públicos deficientes e monumentos a carecer de intervenção urgente, as autoridades parecem querer insistir num erro vetusto de décadas. Se talvez se possa compreender a insistência na construção de uma linha de alta velocidade que nos ligue ao resto da Europa, as suas ramificações dentro do território nacional são por todos consideradas como teimoso desvario.

Sempre que uma autoridade concede uma entrevista, confirma os piores receios, mostrando sempre inamovíveis nas muito discutíveis opções de investimento. Continuamos então na senda das obras de fachada ao estilo aldeia de Potemkin, em vez de recuperarmos o imenso e quase fatalmente perdido património. As obras de pequena e média dimensão, proporcionam o trabalho de que as empresas tanto necessitam, dinamizando vendas, produção de materiais e consequentemente, ajudando a mitigar o problema do desemprego. Simultaneamente, prestar-se-ia um inestimável serviço a um país que pretende apresentar-se ao mundo como um destino turístico de primeira categoria. Para assim ser, não basta desfiar-se um caricato rol de campos de golfe e hotéis de charme, ao mesmo tempo que se esquecem as praias poluídas e sem infraestruturas de acolhimento, ou as muito danificadas estradas secundárias que conduzem os visitantes ao apregoado turismo num interior praticamente desertificado. Investe-se em grandes projectos turísticos no Alqueva, mas esquece-se todo o espaço circundante. É a opção pelos condomínios fechados levada ao extremo.

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Como Se Fora Um Conto – A Minha Viagem Praga

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A MINHA VIAGEM A PRAGA

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Já há muito tempo que desejava ir à República Checa. Minha mulher, sabendo desse desejo, marcou uma viagem numa semana de férias. Era agora. Estava a chegar o dia.

Com entusiasmo, procurei nas casas de câmbios e nos principais bancos, coroas para trocar por euros. Não havia, nada, nenhuma. Mas informaram-me que, logo no aeroporto de Ruzyne, e também por todo a cidade, encontraria locais para esse câmbio. Fiquei descansado. Afinal, iria para uma cidade, para um país, pertencente à Comunidade Europeia.

Desde o fim da década de oitenta do século passado que se pode, com facilidade, visitar esta cidade, durante tanto tempo escondida pelo regime comunista.

Iria conhecer [Read more…]

Sonic Youth no Porto

Acabou há pouco mais de uma hora o concerto dos Sonic Youth no Porto.
Foi um concerto cheio de energia, ou pelo menos com energia suficiente para deixar de rastos um trintão como eu.

O bilhete dizia que o concerto começava às 21.00 mas a essa hora estava eu a vê-los sair do Abadia por isso fui com calma para o Coliseu.

Foram quase duas horas de profissionalismo com muitas musicas do ultimo álbum e algumas passagens por outros mais antigos como daydream nation, e experimental jet set and no star.

Muita energia mesmo. A única palavra que encontro para descrever é mesmo Raw Power… com um final apoteótico com Thurston Moore a entrar quase pela plateia, por esta altura deve estar muita gente a dizer que também nunca mais vai lavar o braço outra vez.

O concerto acabou a “horinhas” decentes ainda a tempo para um copo na baixa do Porto.

Defensores de Chaves: Lisboa Arruinada


A Defensores de Chaves está já há anos, transformada num estaleiro. Obras do metro, feliz remoção da estação rodoviária e, como sempre, as demolições destruidoras do património. Uns atrás de outros, prédios com fachadas entaipadas, portas e janelas cobertas de tijolos. A demolição em nome de um progresso que apenas parece ser o sinónimo dos negócios para alguns. A cidade de Lisboa assemelha-se a uma gigantesca pedreira, transformando-se todo o património oitocentista em entulho. Grandes áreas residências, têm sido transformadas em prédios semi-vazios de escritórios e com aquele tipo de “arquitectura” que tem transformado esta outrora bela capital, no imundo pardieiro a que as autoridades nos habituaram. Até quando?

Recuperar a memória

Documentário sobre o concerto de homenagem aos republicanos, que juntou em Rivas Vaciamadrid, 800 ex-combatientes, exiliados, orfãos da guerra, presos políticos, etc.

Lembrando os que defenderam a legalidade republicana, e foram vítimas de um dos maiores massacres fascistas do séc. XX. Apontando o dedo aos que continuam a tentar que o esquecimento apague os seus crimes.

O primeiro vídeo traz-nos  a belíssima actuação de Bebe, que abriu esta homenagem.

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Faltam 17 dias para a visita do Papa a Portugal

E eu, esquecendo deliberadamente milhões de católicos deste país, associo-me a esse lamentável episódio da história deste charco.

«Tarde de chuva, a península inteira a chorar
Entro numa igreja fria com um círio cintilante
Sentada, imóvel, fumando em frente ao altar
Silhueta, esboço, a esfinge de um anjo fumegante

Há em mim um profano desejo a crescer
Sinto a língua morta e o latim vai mudar
Os santos do altar devem tentar compreender
O que ela faz aqui fumando
Estará a meditar?

Ai, ui, atirem-me água benta
Ajoelho-me, benzo-me, arrependo-me, esconjuro-a
Atirem-me água fria
Por ela assalto a caixa de esmolas
Atirem-me água benta
Com ela eu desço ao inferno de Dante
Atirem-me água fria

Ai, ui, atirem-me água benta
Por parecer latina suponho que o nome dela
É Maria
É casta, eu sei, se é virgem ou não depende
Da nossa fantasia.»

Video Maria, dos GNR, esteve durante muitos anos (não sei se ainda está) na lista de músicas proibidas da Rádio Renascença – Emissora Católica Portuguesa.

Av. da Liberdade e "El Cabezudo": Lisboa Arruinada

Este autêntico escândalo citadino existe há muitos anos. Dois prédios – um já demolido e outro que apresenta apenas a fachada arruinada – foram destruídos para o fim que a imagem mostra. É a prova da inépcia das autoridades e de um hipotético negócio especulativo que ainda não vingou. Este buraco situa-se diante da entrada sul do metro da Avenida, ao pé da estátua do “El Cabezudo”, vulgo Simão Bolivar, o grande herói chavista avant la lettre. Lisboa, uma cidade cada vez mais parecida com uma boca parcialmente desdentada e atingida pela cárie.

Duque de Loulé: Lisboa Arruinada

Dois casos típicos. O prédio cor de rosa, na Duque de Loulé, foi esvaziado há uns dois anos. Na altura, ostentava o orgulhoso cartaz indicando “nova construção”. Hoje, felizmente já lá não se encontra, mas miraculosamente surgem portadas e janelas abertas, além dos costumeiros vidros partidos. Para “arejar” as casas vazias, com certeza… A Câmara Municipal de Lisboa que tem fiscais por todo o lado a verificar – e a multar ~ obras de recuperação de tugúrios, deve andar muito distraída. Por toda a cidade, estes vidros partidos indiciam apenas uma coisa: crime anunciado. Urge implementar normas severas que podem mesmo ir à pura e simples expropriação de edifícios, preservando-se o interesse colectivo. Não valerá a pena agitar-se a opinião pública com “comunismo”, porque até Salazar assim procedeu quando decidiu construir toda a zona compreendida entre a Alameda e a Av. do Brasil em apenas alguns anos. Este tipo de expropriações por flagrante delito, podem até ser facilitadas pelo facto de uma boa parte dos edifícios pertencerem a mafiosas entidades que dão pelo prosaico nome de “bancos”, “companhias de seguros”, ou “fundos imobiliários” nacionais e estrangeiros. O interesse geral deve estar acima da especulação que arruina a cidade, envergonha a população e estiola a consciência nacional.

Quanto ao “lindo exemplar moderno” da foto em baixo, espelha bem – até a fachadinha o diz – a actual situação. Continuam a construir desnecessário lixo para o terciário, em zonas de habitação. Num momento em que as empresas despedem escriturários e pessoal burocrático, os escritórios – devido também à informatização – vão-se reduzindo em dimensão e até desaparecendo, para quê, então, despovoar o centro das cidades? Pela simples especulação danosa? No prédio que habito e que foi construído para habitação, existem mais escritórios do que casas e desta forma encontra-se praticamente deserto a partir das seis da tarde, com os consequentes assaltos e invasão das escadas por “certo tipo de profissionais de 10 minutos às 2 da manhã” que proliferam nesta zona da cidade, etc. O terciário deve ser confinado a locais próprios e expulso dos prédios de habitação. [Read more…]

Exposição na Torre do Tombo

Uma belíssima exposição de fotografias de J. Laurent, organizada pela Associação Portuguesa de Photographia, em parceria com a DGARQ, Torre do Tombo. Com a coordenação de Angela Castelo-Branco e António Vasconcelos Faria
De 13 de Abril a 31 de Maio de 2010.

The Offshores, California Sun – Vídeo

Já aqui falei dos The Offshores. Pois bem, apresento hoje o “Live Promo Vídeo” de California Sun, uma das faixas do album que os Offshores estão a preparar. Oiçam agora, se querem ser dos primeiros, daqui a pouco tempo estas canções andarão aí a circular. Depois, podem sempre dizer aos vossos amigos que as ouviram em primeira mão no Aventar. Ou na novíssima página deles no Facebook.

Entre-Campos: Lisboa Arruinada

Em Entrecampos, o enorme terreno onde outrora se ergueu a Feira Popular, encontra-se limpo de ruínas e aguarda por novas construções. A cidade de Lisboa tem sido privada de espaços de lazer e a Feira Popular foi um grande polo de atracção durante décadas, onde gerações se divertiram no luna park disponível, comemorando aniversários ou participando em patuscadas nos Santos Populares. É um apetecível espaço para o sector betoneiro que domina o país e é com preocupação que os lisboetas imaginam o uso a que está destinado. Será decerto mais um colosso a perder de vista e sem qualquer interesse para a população, com volumetrias disparatadas, alumínios e placas em pedra polida ao gosto de qualquer WC de hotel de Tegucigalpa. Nada de novo.
Lisboa precisa urgentemente de espaços lúdicos adaptados às novas necessidades de uma juventude adepta de novos desportos e formas de lazer. Este terreno seria ideal para a construção de um prolongamento do jardim do Campo Grande, estendendo a malha verde em direcção ao renovado Campo Pequeno e incluindo pistas para ciclistas, skatters e patinadores.
Argumentarão com os compromissos tomados. Gesticularão com a ameaça de indemnizações, processos em tribunais nacionais e europeus. O interesse da comunidade está muito acima dos jogos da especulação e seria curioso verificar até onde pode ir a cumplicidade entre as diversas forças políticas dominantes na Câmara e as empresas investidoras interessadas ou “proprietárias” do espaço. Como disse anteriormente, nacionalizações ou expropriações “Por Bem” não amedrontam seja quem for. Ficamos – na certeza da dúvida – à espera de um projecto do arq. Ribeiro Telles.

una pareja

La pareja de Presidentes de Polónia

Hablar de pareja, hoy en día, es un asunto de mucho cuidado. Diría más, es un asunto delicado. Pienso que lo primero es definir el concepto de pareja. Según el Diccionario de la Real Academia de la Lengua Española, pareja es un conjunto de dos personas, animales o cosas que tienen entre sí alguna correlación o semejanza, y especialmente el formado por hombre y mujer. Hasta porque las hay del mismo sexo y las de género diferente. [Read more…]

Brasil – um imenso Portugal

Rio de Janeiro ainda com o cheiro dos portugueses

E passo a responder: oxalá que esse “cheiro dos portugueses” lá permaneça por muito tempo, pois trata-se de raízes, de um património cultural de valor inestimável que fazem parte indivisível daquela grande nação que hoje é o Brasil. E o Brasil ganha com este “cheiro”!

Ainda neste contexto, vai uma mensagem especial aos meus amigos gaúchos, sob forma da seguinte citação:

“… É de justiça que se reconheça que foi vital para o sucesso das armas portuguesas…a atuação do Marquês de Alegrete*…o Brasil ficou-lhe devendo, […] mais que a qualquer outro general, o arredondamento de domínio ao sul do seu território”.“A Saga no Prata”, pág. 335 – Juvêncio Saldanha Lemos –  Letra & Vida, Porto Alegre 2009. Recomendo a leitura desta excelente obra que sendo de grande conteúdo mantém de forma exemplar o equilíbrio entre um grande livro e um livro grande.

Abraço

Rolf Dahmer

Alegrete/ concelho de Portalegre / Portugal

Fado Tropical

Chico Buarque de Holanda

Oh, musa do meu fado
Oh, minha mãe gentil
Te deixo consternado
No primeiro abril
Mas não sê tão ingrata
Não esquece quem te amou
E em tua densa mata
Se perdeu e se encontrou
Ai, esta terra ainda vai cumprir seu ideal
Ainda vai tornar-se um imenso Portugal [Read more…]

Capitão da Areia

À noite,

Há fadas pelo céu,

Gigantes como eu,

Cuidado!

Há sombras na janela,

Peter Pan dança na estrela,

Não acordes na viagem.

Conta-me uma história

De tesouros e luar,

És capitão da Areia,

E pirata de Alto Mar

Agora,

As cortinas têm rostos,

São fantasmas bem-dispostos,

Cuidado!

O Super-homem está a caminho,

Traz o Panda e o Soldadinho,

Fecha os olhos e verás.

Às vezes

Há dragões que têm medo

E é esse o seu segredo,

Cuidado!

Vivem debaixo da cama,

Brincam com o Homem-aranha,

Vais levá-los no teu sono.

Conta-me uma história

De tesouros e luar,

És capitão da areia,

E pirata de alto mar

Conta-me uma história

Onde eu entro devagar,

És capitão da areia

Diz-me onde me vais levar

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Momento Ratzo-Canónico da Semana

Música para fins-de-semana e tolerâncias-de-ponto. Legendado em brasileiro. Sejam tolerantes. Peace.

Ganga – o sábio das calças rotas

Da passagem do Zé por terras de Angola, não ficou apenas o irónico episódio “Rikamba”. Outras histórias houve, como as de um par de calças que no dia em que ele chegou a Luanda, deu tanta confusão.

Tudo porque ele estava no mercado de Kinaxixi, em Luanda, acabado de chegar de barco àquelas terras numa docemente quente tarde de Novembro de 1970. Acompanhava-o Manuel, já há muito de vida instalada na Fazenda Tentativa sita no Alto Dande, a nordeste de Luanda, onde era Fiel Auxiliar num dos armazéns do açúcar, e que lhe arranjara um lugar de motorista na Companhia.

O Zé queria comprar umas calças, pois as jardineiras que trazia, tinham feito o favor de se rasgarem de puídas que estavam, a começar entre-pernas mas já a ameaçar a denúncia traseiro acima.

“Que raio!” disse o Zé. “Não vou chegar nesta figura à Companhia. O que vão os patrões pensar de mim?”.

Manuel ria-se: “Não te preocupes que aqui encontras tudo o que precisas”. “Olha aqui esta banca de roupa”.

Movido pelos nervos, Zé tomou logo palavra com o vendedor, um negro ainda moço, de corpo franzino e de sorriso estampado na cara: “Preciso de umas calças”, puxando pelo peitilho das suas jardineiras, afirmou de modo peremptório “Ganga!” Ganga!”.

O olhar do imberbe vendedor alterou-se, transitando da alegria para o espanto “Ganga?!” disse ele “Nganga!”

“Sim, isso!” disse o Zé enquanto puxava pelas alças das suas jardineiras, “Ganga, ou Nganga, ou lá que merda chamam a isto”.

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Jónsi – Go Do:

Ele há coisas tão boas, mas mesmo tão boas, que é pecado não as partilhar: o novo trabalho de Jónsi!

E agora uma cantiga facista

De que muito gosto. É duns gajos a quem chamávamos Heróis ao Mar.

Lisboa Arruinada: a Visconde de Valmor, sem Prémio


Edifícios da época da construção das avenidas novas. Degradados e fechados, esperam o camartelo. A situação de trágica torna-se irónica, porque o nome da avenida Visconde de Valmor, remete-nos para o mais conhecido Prémio de arquitectura de Portugal. Não deixa de ser simbólico.
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The Offshores, uma nova banda portuguesa

Hoje estou contente, bastante contente mesmo. Bem sei que os leitores não têm nada a ver com os meus contentamentos  e descontentamentos privados mas, passados muitos anos, relocalizei o meu amigo Carlos Gonçalves Pereira, um histórico da música portuguesa, que fez parte de bandas míticas como os Corpo Diplomático, os Casino Twist aqui retratados, os Aqui d’el Rock ainda que de forma fugaz, os sofisticados Barbarella de boa-memória e, mais recentemente, os Raindogs. Reencontrei-o graças à Enciclopédia e ao José Eduardo ( obrigado J. E.).

Com o Carlos partilhei noites inteiras de música e criação, de planos, de projectos, de  conversas de viagens, de loucuras várias, etc. Ainda me lembro bem de quando ele me apareceu em casa (vivia eu num país europeu que não a Holanda) a convidar-me para ser manager do projecto que estava a criar em Amsterdão, de eu ter ido conhecer a banda e ter estado tentado a mudar-me para lá – ainda tenho as gravações, Carlos. Depois, com o tempo (não havia telemóveis nem internet), perdemos o rasto um do outro, até hoje.

Pois bem, a conversa já se alonga e serve para dar a conhecer dois projectos recentes do CGP: Mr Wolf & Brother Ramon e os Offshores, estes últimos com disco a sair brevemente. A seu tempo darei aqui notícia. Para já, fiquem com os Raindogs para aguçar o apetite.