Já por cá se falou deles, mas sou obrigado a voltar ao palco, também por eles.
São gente de qualidade que faz música fantástica procurando mostrar que ser (n)do interior não é uma fatalidade.
Car@s leitor@s,
os Galandum Galundaina:
Expor ao vento. Arejar. Segurar pelas ventas. Farejar, pressentir, suspeitar. Chegar.
Já por cá se falou deles, mas sou obrigado a voltar ao palco, também por eles.
São gente de qualidade que faz música fantástica procurando mostrar que ser (n)do interior não é uma fatalidade.
Car@s leitor@s,
os Galandum Galundaina:
Exmo. Senhor
D. Jorge Ortiga
Presidente da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP)
cep.sgeral@ecclesia.pt
Quinta do Cabeço, Porta D
1885-076 MOSCAVIDE
Excelência:
A Associação Ateísta Portuguesa (AAP) assiste na comunicação social à pressão que os bispos portugueses exercem sobre o Governo para que seja concedida tolerância de ponto nos dias previstos da visita de Bento XVI a Portugal, no próximo mês de Maio. [Read more…]

À semelhança de outras grandes cidades europeias, Lisboa vai adquirindo hábitos e características próprias das sociedades desenvolvidas, mau grado o nacional pessimismo que corrói tradicional e horizontalmente a nossa gente. De facto, todos os dias podemos encontrar uma pequena feira do livro numa estação do metropolitano da capital, embora os preços não correspondam exactamente ao que se possa considerar como uma pechincha. Servem antes do mais, para as editoras escoarem produtos armazenados e nem sempre de garantida qualidade.
Comprei há uns dias um livro da autoria de um certo Antoine Béthouart, homónimo (ou o próprio?) do conhecido militar francês que se destacou na fase final da II Guerra Mundial e na zona de ocupação gaulesa na Áustria. A obra “Metternich e a Europa” (Lello & Irmão, colecção Figuras do passado), é ligeira e passível de uma breve leitura de duas noites em fim de semana.
Não temos um mercado de rendas de habitação o que empurra os jovens para a compra de casa. E que leva a juventude a fugir do centro das cidades, ou porque as rendas são insuportáveis ou porque as casas não têm condições de habitabilidade.
Os senhorios, com as rendas ao nível a que estão, naturalmente que não fazem obras de reabilitação, com a consequente degradação do parque habitacional. Uma hipótese já consagrada na Lei é os inquilinos fazerem as obras e descontarem o valor nas rendas futuras, ou os senhorios interessados deitarem mãos à obras e subirem a renda no futuro. Não funciona. Pelo meio há um batalhão de burocratas, com prazos, visitas e relatórios que levam inquilinos e senhorios para guerras de paciência a ver quem desiste.
Na Baixa de Lisboa, nos prédios que ameaçam ruir com perigo para os cidadãos, a Câmara toma posse administrativa dos prédios e faz as obras. Há já dezenas de prédios seiscentistas onde a intervenção foi feita com êxito e outras estão em curso. São medidas avulsas que vão tendo algum impacto mas só uma política consistente de liberalização das rendas pode acudir às nossas cidades. Há grandes e vários problemas em equação. A desertificação dos centros das cidades, o envelhecimento da população residente, o entrar e sair de milhares de carros de quem vive fora da cidade e trabalha dentro dela, com as despesas inerentes, o tempo perdido e a saúde arruinada.
Os inquilinos não têm poder financeiro para pagar as rendas e os senhorios não têm poder financeiro para fazer as obras. Parece um círculo vicioso ! Será? A prestação da compra da casa, o custo do automóvel e as horas perdidas no trânsito não dão margem para se estudar o assunto com coragem?
Deram-me um dia um rubi de fogo, quente como o sol quente de um dia quente de Agosto.
Pedra de sangue cintilava de esperança na desesperança do anoitecer sem sol de outro dia.
Montado o cenário, tornava-se necessário vestir Psique e expô-la sobre um rochedo no cimo da montanha.
No fundo do extenso vale, inebriante, meu anel refulgiria, meu anel vincular, fusão de liberdade e poesia, encarnando desejos que não sabiam esconder-se, pulsão fundamental integrando todas as diferenças.
Febre de Eros iluminando a consciência, meu anel infinito, círculo de imensidão, centro do ser, derrota de mundos e medos roubando o tempo às formas de morrer.
Anel de Salomão, anel de Nibelungo, religando vontades no mais belo sorriso do mundo.
Rubi de fogo, o olho da serpente ao fim da tarde quente, ainda ardente.
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A palavra pressupõe mais qualquer coisita antes ou depois, mas na verdade é usada e abusada de uma maneira insólita… sem mais nada!
Que raio de vocábulo para estar sozinho.
Isolada de tudo e de todos, é assim uma espécie de ordem atirada à cara de quem a ouve, dita de forma quase acintosa.
Posso até entendê-la como um insulto, já que a sinto dardejada.
E desta forma solitária quer dizer o quê ? Ninguém parece saber.
Quando ma atiram e eu returco [Read more…]
Natália era cigana. Vivia num acampamento no meio do pinhal, lá para as bandas de Albergaria. Não teria mais de quinze anos e era muito bonita e vistosa.
Como qualquer uma na sua situação, passava por muitas dificuldades. Havia dias em que faltava a comida. Havia dias em que faltava todo o resto. Nesses dias ela sentia falta da escola onde já não ia há mais de quatro anos. O trabalho de apanhar gravetos no pinhal, de lavar a roupa da catrefada de irmãos, de procurar água para se lavar ou comida para se alimentar, de ajudar os pais na sobrevivência do dia a dia, eram mais importantes que a aprendizagem numa qualquer escola.
Natália tinha uma amiga dos tempos da escola. Leonor não era cigana nem passava dificuldades como as de Natália, mas trabalhava de sol a sol, nas lides do campo, nas lides da casa, nos estudos que sabia importantes para o seu futuro. A amizade das pequenas era tal que Leonor, tinha permissão de [Read more…]
Malcolm McLaren e Sid acabam de se reencontrar algures
no centro da terra. Gostava de ser uma mosca
morta para assistir
discretamente. Quando o final chegou
Malcolm ouviu isto cantado por um arcanjo:
Foge Bandido Foge, novo projecto de Manel Cruz (ex-Ornatos Violeta) apresenta-se hoje ao vivo na Aula Magna, em Lisboa. Fiquem com dois aperitivozinhos em forma de vídeo:
(Não tenho escrito nada para o Aventar nestes últimos dias. Apetecia-me desancar na mentira e hipocrisia da igreja, na continuação da escamoteação dos seus crimes e na descarada visita papal, assim como me apetecia pertencer a um grupo que eu designaria, por exemplo, de “Terrorismo Selectivo Benigno” (TSB), que fosse capaz, não de matar os ladrões de colarinho branco, mas de os fazer vomitar até ao último tostão, a massa que roubaram e continuam a roubar a todos nós e ao país. Apetecia-me, mas não ando com vontade de mexer na trampa. Assim sendo, viro-me para coisinhas inofensivas, como a que se segue). [Read more…]
Eram sete horas daquela tarde de Junho de 1973, e ninguém chegava. Quimba, tardava.
O Zé recordou o recado recebido ao telefone: “Às cinco no Largo da Mutamba, nas paragens dos machimbombos”.
Com alguma ânsia à mistura, Zé descobriu Quimba na sua camisa azul e calça branca, a dar cor e sentido a um andar desengonçado. De súbito tudo parecia bem, na hora certa, sem atrasos ou porquês.
“Toma” disse Quimba, entregando ao Zé um pardacento envelope: “Foi tudo que consegui arranjar em tão pouco tempo”.
Zé sorriu, após breves contas de cabeça antecedidas de um relance ao interior do envelope. “É mais do que suficiente para uma vida nova. Não sei como te agradecer”.
Quimba sorriu: “Um dia que eu precise de vida nova, ajudas-me tu a mim”.
Zé anuiu com convicção, emanando um sorriso.
Confesso, sou um dos últimos parvos que compra música. Sim, é verdade, eu ainda compro música. Depois de anos com a Tubitek elevada a minha herdeira, surgiu a FNAC que se amantizou violentamente com a minha carteira.
Até ao dia. Ao dia em que uma boa alma decidiu por fim ao meu calvário na FNAC e as suas constantes mudanças do escaparate de música alternativa e sucessivos atrasos na disponibilização das últimas boas novidades, oferecendo-me um iPod nano de 16GB. Ok, passei a ser extorquido pelo iTunes. Para cúmulo, o rádio do meu carro não tinha uma entrada auxiliar. Dass. Até que arranjei uma maquineta meia doida que punha a minha música a tocar no rádio, via frequência, mas que se perdia constantemente nas viagens mais longas, ou seja, sempre que me desviava mais de 10km de casa.
Entretanto, uma troca de carro resolveu o assunto. Tinha entrada auxiliar. Maravilha…ups, tinha que mudar as músicas à mão. Quem considera perigoso conduzir e falar ao telemóvel nunca experimentou iPod e conduzir. Entretanto fui informado que o rádio tinha disco duro ou coisa do género. Uns vinte gigas, pelos vistos. Esfreguei as mãos de contente. Vi a luz!
Novo balde de água fria: o caraças do iPod não passa as músicas para o rádio! Inferno. Ando eu a cumprir a lei, a comprar música e o iPod não deixa passar as músicas para o tal disco do rádio. O cabrão! E saber que todos me chamavam/chamam totó por comprar música…
Por isso, escrevo este post a pedir ajuda aos leitores: alguém conhece um meio de eu enganar a Apple e conseguir passar as minhas várias centenas de músicas para o rádio do carro???
O compositor russo Sergei Prokofiev, decidiu, em 1936, compor um tema musical que permitisse explicar às crianças as sonoridades dos diversos instrumentos musicais que compõem uma orquestra. Pedagogicamente, cada personagem é representado por um instrumento.
No entanto, o mesmo título tem sido usado para identificar uma das fábulas atribuídas a Esopo (autor grego do Séc. VI A.C., cuja existência vagueia entre a lenda e a realidade), – embora também surja em algumas publicações como “Pastorinho e o lobo” – cujo enredo consubstancia, como é normal nas fábulas, uma mensagem também ela pedagógica, para crianças e adultos, e que ainda hoje, usualmente, é invocada.
“Pedro e o lobo” é, pois, mais conhecido como a fábula do pequeno pastor que de tanto brincar às falsas ameaças da presença de um lobo, resulta que quando o lobo efectivamente surge, já ninguém o leva a sério e ela acaba por perder as suas ovelhas.
Todavia, ambas têm inegável mérito: a composição musical de Sergei Prokofiev visa cativar e instruir a criança pelos caminhos das sonoridades e da música; a fábula, no seu natural pendor metafórico e alegórico, ensina que não devemos enganar os outros, cuidando do crédito das nossas palavras.
Aproximar as crianças à música, guiá-las nos caminhos dos sons, faz parte integrante de um saudável processo de crescimento. Mas, também, os adultos só têm a ganhar se se propuserem a essa mesma descoberta, educando e apurando os sentidos e a percepção.
O mesmo se diga de incutir responsabilidade e cuidados nos mais novos, ensinado-os a não enganar os outros, dando-lhes referências de cuidados a ter quanto ao que valem as suas afirmações. Um sentido de responsabilidade no que se diz, no que se afirma, na interacção com os outros. O mesmo valendo – de modo ainda mais vincado, porque a maturidade por isso demanda – para os adultos: para nos levarem a sério no que dizemos, temos de o dizer com seriedade. Sob pena de, tal como o Pedro – ou o Pastorinho – de Esopo, de tanta ameaça falsa, ninguém acreditar quando ela for verdadeira.
O uso da Burqa e do Niqab é um tema que ultimamente está na ordem do dia, com alguns países europeus a legislar sobre a sua proibição.
Apesar de o debate ser desejável, a forma como o problema é apresentado revela uma total ignorância, para não dizer racismo e xenofobia, já que pretende conotar o uso do véu integral com propaganda político-religiosa e não como um problema social que afecta sobretudo as mulheres muçulmanas.
Apesar de não aceite no ocidente, o uso da Burqa e do Niqab desperta naqueles que estão “por fora”, principalmente nos homens, uma certa curiosidade e fascínio pelo fruto proibido, apresenta uma imagem de uma mulher submissa e recatada, provoca até uma exacerbação da sensualidade feminina, patente nos gestos da mulher velada, no seu olhar e voz.
Para as mulheres que usam a Burqa e o Niqab, invariavelmente por imposição da sociedade e dos maridos, o facto constitui uma humilhação, um desconforto e um atentado ao seu direito à identidade pessoal.
Mas mesmo sob a Burqa, que pretende tornar a mulher num ser desprovido de sensualidade, a mulher sente-se feminina e é feminina. [Read more…]

Galandum Galundaina, Vidigueira, 2010
Como endrominar podcasts faz parte dos meus ócios (saudades da rádio…) misturei três faixas do novo álbum dos Galandum Galundaina, Senhor Galandum, que aqui vos deixo.
Sou suspeito para falar da música dos Galanduns, que a amizade se mete de permeio, e na primeira destas músicas está uma cantiga de embalar que muito me diz e um dia eles me souberam ensinar, num momento muito especial da minha vida que para sempre lhes devo e nunca esquecerei.
Ouçam, e digam de vossa justiça. O disco anda aí pelas lojas, e vale muito a pena.
(Com especial abraço aos amigos aventares)
Mal-aventurada palavra, bem-aventurada palavra, espectaculosa ou mal-entendida, repentina, abandonada, terrosa ou etérea.
Penoso viver do lado direito, com obtuso cérebro que irradia uma luz cor-de-rosa de banal bom-senso, ridícula, religiosa e fria, estranho conúbio de cálculo e simetria.
Do lado esquerdo, vestígios de terra seca, retocados de sol e água, húmida palavra em secreta transição da estreiteza da vida para a infinita margem do sonho.
(Palavras tépidas, impuras, laterais, resplandecentes nas vitrinas de luxo, insalubres, umbrosas, sepulcrais).
(monumentais, desdobráveis, descobríveis, maduras de oiro e trigo e penoso desejo de céu azul no imenso tossir da poeira dos ideais insubmissos).
(Jactância lodosa, leitosa, grudada a translúcidos horizontes, respirando asfixia na secura de todas as fontes).
Dúctil criatura de aço e pés pequenos, em largos sonhos de vibração das manhãs de rosto alvo, sem distâncias nem delírios.
Bem-aventurada palavra (mal-aventurada palavra), viva (morta), sensual (fria), erecta (impotente), ofegante (sibilosa), rotunda (famélica), fremente.
Eu temo muito o mar, o mar enorme, solene, enraivecido, turbulento…se a minha amada um longo olhar me desse dos seus olhos que ferem como espadas, eu domaria o mar que se enfurece, com a força das palavras estranguladas.
(Poema de Ofélia Bomba, minha colega, não de cardiologia mas de psiquiatria)
O ninho
É do azul que parto
Para o percurso único da poesia
Do azul do mar imenso
Do azul intenso
Que banha o meu país
E a minha fantasia
E segue solitário até ao infinito.
Passo pelo roxo da saudade
Nos lírios imortais de Van Gogh
Mistura de óleo e eternidade
De espanto e grito.
Passo, depois, no amarelo vivo
Dos girassóis de Julho em Portugal
E brindo à vida, ao amor cativo
Único, intemporal.
Navego no vermelho. Lume e fogo
Aurora boreal do meu percurso
Em que me perco e quase afogo
E desço à terra, ao castanho baço
Força telúrica a lembrar o curso
Do passado e do presente, num abraço.
Continuo no preto. Tinta-da-china.
Ou numa nuvem carregada de água
Na viuvez duma tarde chuvosa.
Liberto-me no branco em que assisto
À neve, à cal, aos vestidos de noiva
À bata da escola de menina
E paro p’ra pensar. Duvidosa.
Que importa se o teu olhar
É verde ou dourado
Bordado de sol ou de luar
Que importa se o teu sorriso
É um poente
Tinto de promessas quase a naufragar.
Se este poema é um caminho
Tecido de arco-íris e de asas
Onde me aventuro e ouso
E todas as cores do mundo
São o ninho
Em que eu repouso.
(Com especial abraço ao amigo Raul Iturra)
Encontrava-me num café de Paris, na Place de Contrescarpe, onde Edith Piaf (un petit oiseau) iniciara a sua carreira como cantora de rua.
Eu sonhava…nessa altura não era proibido sonhar, pelo contrário, era obrigatório sonhar.
À medida que a luz da manhã crescia, insubstancial e fria, eu descia a Rue Mouffetard. À minha direita descia Tchaikovsky e à minha esquerda subia Van Gogh. Madrugavam ambos as suas inquietas e inflamadas personalidades nessa horizontal e fresca manhã do século dezanove. [Read more…]
Vi hoje, no mercado, as primeiras favas tenrinhas. Se fizerem o favor de descontar o exagero, confesso-vos que passo o ano à espera da época das favas. Eu, como quase todas as crianças e adolescentes, detestava favas, ou julgava detestar, até ao dia em que, convidado a almoçar em casa de amigos, me foram servidas favas à algarvia. Comi a primeira precocemente enjoado, a segunda e a terceira com enfado, a quarta e a quinta com relutância e o resto do prato com verdadeiro prazer e surpresa: como era possível ter perdido, durante tantos anos, tal maravilha?
Passei a gostar de favas de todas as maneiras, à algarvia, à moda da Estremadura, favas secas fritas, arroz de favas, favas com codornizes… E, se eu já estava convertido, faltava ainda a revelação final, um dos pratos mais estranhos da cozinha tradicional portuguesa, o mais suspeito e inverosímil casamento: favas à algarvia com peixe frito. Passei a admirar – eu que sou pouco dado a admirações – a anónima mente brilhante capaz de tal ousadia inventiva.
É o segundo post que faço sobre o assunto. O primeiro, acompanhado da respetiva receita, foi deixado há uns anos aqui. Provem agora, nos tempos mais próximos, enquanto as favas estão tenras e saborosas, e digam de vossa justiça.
De todo o longo processo que o PRP desenvolveu no sentido da subversão do regime da Monarquia Constitucional, a questão da Aliança Luso-Britânica foi sempre um dos principais polos de virulenta propaganda. Mesmo antes dos acontecimentos decorrentes do Ultimato de 1890, os feros ataques ao predomínio da Inglaterra em Portugal, consistiram no eixo primordial da acção política, onde um nacionalismo de laivos retintamente demagógicos, visava antes de tudo, mobilizar uma parte da facilmente excitável e ociosa população das duas principais cidades portuguesas.
Num período onde a expansão colonial atingiu o climax e ameaçou a Europa com a eclosão de uma guerra generalizada, Portugal conseguiu preservar um relevante património colonial, objecto da cobiça dos novéis actores da cena internacional, como a Bélgica de Leopoldo II – a questão do Congo – e logo após a unificação de 1871, o II Reich do Kaiser Guilherme I e do chanceler Otto von Bismack. A arbitragem a que Mac-Mahon foi chamado para decidir (1875) a posse do valioso território banhado pela baía do Espírito Santo (Lourenço Marques), deveria ter representado para a opinião pública nacional, num claro sinal demonstrativo da necessidade da manutenção de um firme apoio britânico à posse portuguesa dos estratégicos e potencialmente ricos territórios em África. De facto, Lourenço Marques era o porto natural do hinterland sul-africano e num ponto de partida da mão de obra destinada às minas do Rand. O desencadear da segunda Guerra Boer (1899-1902), valorizaria enormemente a área geográfica que os britânicos displicentemente designaram até à década de 30 do século XX, como Delagoa Bay.
Caro Adão Cruz,
Por andar sempre a usar estas linhas para escrever do que sinto, vejo, analiso e psicoanaliso, não tinha reparado no seu texto tão temido por falar de sentimentos. Não me parece possível fazer uma biologia do espírito. Seria uma ofensa aos sentimentos. A Biologia, e a palavra o diz, é uma dissecção dos sentimentos, uma autópsia dos mesmos, o que me parece impossível: nem há ideias, nem há elementos para abrir o espírito. Repare, se quiser entender assim, que a minha frase no rasto da sexualidade, caminha o amor, indica já uma autópsia dos sentimentos. A sexualidade é uma força da natureza, sem a qual não podemos viver. É essa força colocada pela biologia em nós, para nosso prazer que não tem palavras, especialmente se quisermos definir o orgasmo e não apenas a paternidade. A paternidade é uma relação social em segunda instância, porque na primeira, é o amor. Não o amor com quem podemos sentir o prazer sem palavras, sempre a dois, mas eternamente solitário. Compara um filho seu, existente ou não, com um de uma favela. Os sentimentos que existem neles, embora não se conheceçam e pertençam a classes sociais diferentes, são exactamente iguais
Amigo Raul Iturra, em primeiro lugar, as melhoras da sua gripe.
Em segundo lugar queria dizer-lhe que nos encontramos em campos opostos, no que respeita ao entendimento das emoções e dos sentimentos. Desta forma, é sensato não querermos ter a pretensão de nos convencermos um ao outro. Mas é saudável, sob todos os pontos de vista, dialogarmos sobre tão cativante tema. Assim sendo, gostaria de lhe dizer que a biologia do espírito é um conceito muito actual, praticamente irreversível, e cada vez mais aceite por, praticamente, todos os neurobiologistas contemporâneos. O facto de se usar a palavra espírito, não significa que a ciência tenha necessidade dela, mas utiliza-a, exclusivamente, como contraponto ao raciocínio.
A ciência não procura controvérsias, mas apenas tentar com toda a seriedade e honestidade explicar os fenómenos da vida, como é seu dever natural e seu objectivo incontestável. Todos sabemos que hoje, na vida, tudo se processa á base dos conhecimentos científicos, desde o lavar dos dentes às viagens interplanetárias. E ninguém contesta. Este conceito de biologia do espírito, ao contrário do que o meu amigo diz, em nada afecta a natureza das emoções e dos sentimentos, totalmente diferentes, umas e outros, em cada pessoa. [Read more…]
As palavras estão gastas, estão gastas as palavras. Mas há pessoas que têm sempre dentro de si uma permanente sensação de paisagem. Pode ser o Universo, uma floresta, um rio ou um sorriso.
Mesmo gastas, as palavras são olhos de distância e água, as palavras são sopros de horizonte, as palavras são bonitas. São bonitas as palavras ditas e não ditas.
São boas as palavras, por fora e por dentro, mesmo as palavras más, para ver e falar com a paisagem, sobretudo se não somos capazes da poesia de Grieg numa Canção de Solveig, ou da melodia de Smetana nas ondulações do Moldava.
Mesmo gastas, as palavras gastas ainda têm dedos, olhos e lábios.
Eu ainda acredito nas palavras velhas e gastas.
Mesmo gastas, puídas, sem cor, são elas que dão a tangência da música e acendem as noites com unhas de fora.
Não matem as palavras gastas, velhas, assim sem mais nem menos, não deitem fora as palavras velhas, até que me ofereçam, no dia em que ficar mudo, uma caixa de palavras novas.
Estes rapazes e raparigas de capa e batina, com instrumentos musicais a tiracolo, com as as capas no chão a pedirem dinheiro para uma qualquer viagem de curso, cheiram-me a carnaval, a “fazer de conta”, aquilo não é nada para arranjar dinheiro para uma viagem.
Hoje no Mosteiro dos Jerónimos lá vi uma “Tuna académica” e fiquei com a ideia que é de uma das novas Universidades, há por ali muita novidade quanto à vestimenta, parece que sairam do atlier da Ana Salazar, barretes, casacas à maneira, botas a condizer. Cheira-me a fim de semana bem passado, com uma noitada no Bairro Alto e umas quecas longe das vistas .Estamos a melhorar, até agora o que se via (na mais bela praça do Mundo) eram excursões de gente da terceira idade, garrafão na mão e uns petiscos de fazer água na boca, saboreados entre os belos jardins e àrvores frondosas.
Mas, estava eu, com a “tuna”, os rapazes e as raparigas têm um grande orgulho em serem alunos universitários e tocarem um qualquer instrumento porque não fraquejam, não desistem, não param um minuto que seja. E, ali estão, com o pézinho a dar para o lado compassadamente, e nem se apercebem do alívio na cara dos turistas quando se vêm livres deles.
É que visitar o mosteiro com aquelas dezenas de pessoas à nossa frente é penitência suficiente!
Alexa Meade faz pintura. Mas não uma pintura qualquer. Não utiliza telas ou paredes. Pinta em pessoas. Não são tatuagens, são mesmo pinturas. Alexa, de 23 anos, desenvolveu uma técnica que faz áreas de três dimensões parecerem de duas dimensões.
A técnica não é fácil. Nem a apreensão da arte. Há quem estranhe.
Aqui jaz um homem mau, há perto de cem anos parido de um resquício de mãe.
O homem mau morreu.
Não berrou nem tossiu, e cinquenta anos depois mijou e respirou.
Vomitou a mãe dez meses de gravidez de toda a gente indecente.
As pontas do corpo mirraram na avalanche de tripas inchadas.
O homem mau morreu.
Fez do ferrado retenção, dizem, para ter o gosto de borrifar as ventas do irmão.
Os olhos escorreram pus que os gatos lamberam e as moscas sugaram quando nasceu.
O homem mau morreu.
Expulso às avessas, o feto imundo deste caixão de há cem anos saiu enforcado no cordão, borrado e roxo, roxo e borrado até mais não.
O homem mau morreu.
O sangue da mãe correu, correu e o leite secou.
Aqui jaz um homem mau, alguém o conheceu?
Dizem vozes, reza a lenda, que a cor que o desfeou e a morte que o matou foi a ideia de ser quem era, e não o que os outros queriam.

(adao cruz)
Há vozes que só não falando se entendem, e há sonhos que tudo reduzem àquilo que se acredita.
Subimos o alto dos montes, descemos o fundo dos mares onde tudo se abre e se fecha na falsa harmonia dos contrastes que fazem a ponte entre a noite e o dia.
Nascem algemas nos pulsos abertos de sangue, e não sabemos quem seguir, se a alma se a razão, quando, neste cansado vaivém, uma entra e outra sai do coração.
São tantas vezes sepulcrais as ruas da nossa cidade interior!
A farsa que a gente é, só dói mesmo de pé, antes de a gente cair.

Mais um jornal sem viabilidade económica apesar da minha ajuda que o compro quase todos os dias. É sempre uma tristeza ver um jornal fechar. Não tem leitores e não tem publicidade !
Num artigo ao abrigo do direito de resposta, na Sábado, o Grupo de Joaquim Oliveira vem mostrar quem é que leva a publicidade do governo. Curiosamente, o Correio da Manhã leva a maior parte do bolo, seguido dos habituais. Estava convencido que o “i” tambem tinha direito a qualquer coisinha mas enganei-me.
Os estudos económicos mostram, quando queremos que mostrem, que o investimento se paga em cinco anos. A vender dez mil exemplares/dia nem daqui a 30 anos. A intenção de venda já está em cima da mesa, com um acumular de milhões de dívidas a fornecedores. Nem pelo valor das dívidas alguem lhe pegará, pois o seu valor são as tiragens e estas, são baixíssimas muito longe do “break even point”, a partir do qual deixará de ter prejuízos.
A comunicação social vai ficar mais pobre, tão pobre já ela é!
… todos os “portugueses” que vivem para cá de Almada e Vila Franca de Xira…
Dia 8 de Abril chega aos cinemas de bom gosto Pare, Escute, Olhe de Jorge Pelicano.
O que pode querer um Ministério da Cultura que estabelece o prazo de um mês para o Director do Museu Nacional de Arqueologia abandonar as actuais instalações do Museu?
Pretenderá que ele cumpra a ordem de serviço?
É óbvio que o Ministério sabe que a ordem não tem qualquer viabilidade de ser cumprida. Não teria, em condições operacionalmente rigorosas, mesmo que tivesse sido acatada em Agosto, como se alega.
Assim sendo, o Ministério sabe que a ordem não vai ser cumprida. Atira o Director do Museu para uma situação de desobediência. Deixa-o de mãos atadas, com a cabeça no cepo. [Read more…]

Um longo monólogo, com muitos gestos e fundo musical E o colega com bichinhos carpinteiros. As perguntas que já não se fazem, colocam-se. Uma confusão de pessoas e de nomes. No afã de interromper e de falar por cima, quase saía um cinquenta por cento, em vez de trinta.

Segundo EUA e Israel, o Irão está militarmente obliterado. Na realidade, há mísseis iranianos a atingir localidades de Israel (que tem das melhores defesas aéreas do mundo), além da península arábica.
Falta pouco para Trump dizer que acaba esta guerra com um telefonema.
Subida exponencial do preço do petróleo, aumento da inflação e das taxas de juro, perda de poder de compra, perigo de incumprimento nos créditos bancários, tudo em ambiente de forte especulação e de bolha imobiliária. Onde é que eu já vi isto?!
diz Santana Lopes. Pois. Mas só uma pessoa escreveu «agora “facto” é igual a fato (de roupa)». Uma.
Vinícius Jr. “incluiu a Seleção Nacional no lote de favoritos à conquista do Mundial 2026“. Lembrete: ‘selecção’ ≠ ‘seleção’.
Efectivamente, no Expresso: “Enfermeiro nomeado para coordenador da Estrutura de Missão para as Energias Renováveis deixou o cargo quatro dias depois da nomeação ter sido publicada“.
É possível lermos, num artigo de Jorge Pinto, “um partido que defende a política assente na ciência e nos dados” e a indicação “O autor escreve segundo o acordo ortográfico de 1990“? É.
“uma constatação de factos“. Factos? Com /k/? Estranho. Então e o “agora facto é igual a fato (de roupa)“?
“o nosso sentimento e as nossas condolências para com as famílias daqueles que não evitaram a trágica consequência de perder a vida”. Sacanas das pessoas, culpadas de não terem evitado morrer.
Não é Trump always *chicken out (00:31). O verbo é to chicken out, conjugado na terceira pessoa do singular (presente do indicativo), logo, aquele s faz imensa falta. Oh yeah!
Por lá, pó branco, só se for gelo. Como sabemos, o combate à droga é a motivação destas movimentações. A libertação de Hernández foi uma armadilha extremamente inteligente para apanhar os barões da droga desprevenidos.
Oferecer um calendário ou uma agenda a Mourinho. O jogo é na terça…

« Mais vous avez tout à fait raison, monsieur le Premier ministre ! » (1988). Mas, prontos. Voilà. Efectivamente.
Existe uma semelhança entre as pianadas do Lennon no Something e do Tommy Lee no Home Sweet Home.
Moreira, mandatário de Mendes, admite que avanço de Cotrim o levou a não ser candidato a Belém. Júdice, mandatário de Cotrim, votará Seguro na segunda volta.
O “cartel da banca” termina com um perdão de 225 milhões de euros aos 11 bancos acusados de conluio pelo Tribunal da Concorrência. Nada temam!
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