Charlie Hebdo
Vítor curto-circuito Cunha
Há vocações e vocações e talentos residentes numa só alma que se multiplicam e desmultiplicam. O blasfemo Vítor Cunha surgiu como
Engenheiro electrotécnico de formação, programador de profissão, um peixe no oceano das novas tecnologias já com alguma experiência internacional.
Mas foi-se revelando um poço artístico sem fundo. Na boa e velha tradição da direita quando enfrenta as artes plásticas chocou com uns quadros e fez-se Bel Miro, ou Bel’Miró, numa homenagem sadia às mercearias do Azevedo.
Empolado revela-se agora poeta, enfrentando com ambição a sintaxe, como o António Fernando Nabais reparou. Ora, perante as dificuldades em mudar num ápice a gramática, o nosso engenheiro não foi de hesitações, Ctrl+I e toca de tipografar em itálico a asneira que lhe saíra, como se fora uma citação bruscamente do céu tombada:
Tenho de admitir que este ireis todos para a cona da mãe que em má hora vos pariu traduzido ao jeito de madame Bobone mereceria mesmo um negrito. [Read more…]
Cuspir na liberdade de expressão
(a foto em cima é da Reuters. a de baixo terá muito provavelmente sido tirada por algum Charlie…)
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“Sensibilizados” pelos monstruosos ataques terroristas à redacção do Charlie Hebdo e em Port de Vincennes, vários dirigentes europeus e não só juntaram-se Domingo à manifestação que mobilizou mais de um milhão de franceses. Ou será que foram lá apenas para a fotografia? As imagens em cima parecem-me mais do que esclarecedoras.
Mário Soares, Clara Ferreira Alves e eu
Celebram-se hoje seis anos sobre a publicação de «Momentos de Lucidez», post sobre as diatribes de Mário Soares enquanto líder da oposição, primeiro-ministro e presidente da República.
Um post apenas, entre os cerca de dois mil que escrevi desde então sobre os mais diversos assuntos e sobre as mais diferentes personalidades. Um post que teria caído no esquecimento não fosse o caso de um palhaço qualquer ter decidido que o seu autor não devia ser eu mas sim a jornalista Clara Ferreira Alves.
«Momentos de Lucidez» foi publicado a meio da tarde do dia 12 de Janeiro de 2009 no 5 Dias, um blogue infelizmente moribundo que, na altura, era constituído por vários militantes e simpatizantes do Partido Comunista e do Bloco de Esquerda.
De todos os lados do espectro partidário, choveram então críticas e elogios a esse post, mesmo dentro do próprio blogue. Não vou agora debruçar-me sobre a justeza dessas críticas e desses elogios, mas sempre direi que, seis anos depois, há por ali uma ou outra opinião pessoal na qual hoje não me revejo. Embora, no essencial, mantenha quase tudo o que escrevi. Afinal, nada daquilo é novidade, antes se baseia, na sua maioria, nas denúncias de Rui Mateus nos «Contos Proibidos» e nas reportagens de Joaquim Vieira na «Grande Reportagem» e de José António Cerejo no «Público». [Read more…]
Zeca Mendonça não é Charlie
Zeca Mendonça ilustra o que acontece a quem não se dá ao respeitinho.
Robertos
Lembram-se deles, certamente. Quando era miúdo, eu não perdia uma representação, fosse no humilde biombo de rua, fosse no teatro de robertos com palco, plateia e tudo. A voz estridente dos bonecos, dada pelas palhetas, atraia os putos irresistivelmente. Lembram-se das cenas que se repetiam eternamente: “eh toro, eh torito!…Olé, olé”; ” o raio do barbeiro é doido, carago”; “Doooommm Roberto vai aqui, toma, toma, toma”; “sou o diaaaaabbooooo!…”; “não me apanhas, não me apanhas, trrré,té, té” e por aí fora, tudo dedicado ao “rrrreeeespeitável público e todos os meninos e meninas”. Infelizmente, é raro encontrarmos o D. Roberto por estes dias. Se queremos ver os nossos queridos robertos temos de (devemos) ir ao Museu da Marioneta.
Até lá, restam-nos as candidaturas de Alberto João Jardim e Santana Lopes à presidência da República. Com o aflito esbracejar comentatório do professor Marcelo. É o que se arranja.
Nem o Charlie é Charlie
Charlie Hebdo despediu cartoonista em 2009 por gozar com os judeus
Polónia, o próximo desafio dos juniores portugueses
Torun, a cidade do Norte da Polónia de 250 000 habitantes, na margem do rio Vístula, famosa por ser o berço de Nicolau Copérnico e pelo pão de gengibre, recebe, a partir da próxima sexta-feira, o Europeu Júnior de hóquei indoor, competição em que Portugal vai estar presente, depois de ter conquistado, há dois anos, o direito de participar na mais alta roda da modalidade, versão de Inverno em pavilhão.
Depois de um mini-estágio na Holanda, muito por influência de Bernardo Fernandes, o treinador português da equipa holandesa de Venlo, muito ligado à equipa técnica liderada por Mário Almeida, segue-se a viagem para a Polónia, que, por acaso, é logo o primeiro adversário da selecção portuguesa, sexta-feira, às 11h25.
Registe-se, aliás, que, na equipa do Venlose, jogam os ora seleccionados portugueses, Miguel Ralha e Tiago Ventosa.
Segue-se, pelas 16h50, o confronto com a Turquia, para, no sábado, os Linces subirem ao rinque, rumo ao último jogo da fase de grupos, contra a Rússia (11h30).
No completo plano de treinos e jogos amigáveis, Portugal já defrontou a equipa feminina do Venlo, a equipa júnior do Nijmegen e a equipa da 1.ª Divisão holandesa, o Venlo Heren. Amanhã, será a vez da fortíssima equipa polaca do Pomorzamin Torun. Quarta e quinta-feira, Portugal mede ainda forças contra a Áustria e Suíça, respectivamente.
A comitiva portuguesa, liderada pelo executivo José Manuel Nunes, contempla o seleccionador nacional, Mário Almeida, os treinadores Carlos Silva e Bruno Santos, Dr. Pinto de Sousa (médico) e Fernando Sobreiro (fisioterapeuta). Os seleccionados são: [Read more…]
Ajudinha desinteressada aos 4 dos 9
Na última “prova dos nove”, gerou-se um curioso ponto prévio. Francisco de Assis, com aquele ar de omnisciente que lhe conhecemos começou, recostando-se triunfante na cadeira: “aquela frase que discutimos aqui, ‘se Deus não existisse tudo seria permitido’, tendo eu averiguado – garantiu o Assis – não é de Dostoievski, mas de Sartre”. “Nada disso, é de Nietzsche”- declarou a Constança Cunha e Sá. E assim foram trocando umas flores. Permitam-me, oh gentes, que dê uma ajuda aos comentadores, mais no interesse de quem ouviu e ficou na dúvida – ou, pior, enganado pela categórica garantia do Assis.
Na verdade, a frase está em “Os Irmãos Karamazov”, de Dostoievski, e é citada por Jean-Paul Sartre em “O Existencialismo é Um Humanismo” como ponto de partida para a sua indagação sobre o conceito de liberdade e correspondente noção de responsabilidade. Também Simone Beuvoir irá seguir caminho semelhante a partir do mesmo ponto.
Eu sou a minha liberdade, diz Sartre. E estou condenado a ser livre, logo, a arcar com as responsabilidades das minhas escolhas sem fugas, sem desculpas, sem ter a que me agarrar em mim ou fora de mim.
Porque me deu para esta singela incursão? É que, numa altura em que se procuram elaboradas explicações “em última instância” para os sangrentos acontecimentos recentes, pareceu-me justo pôr os pés na terra.
Pela Liberdade, sempre…
Dos manifestantes esquisitos
Vejo por aqui grande indignação pelos figurões que pontuam a fila da frente da manifestação de Paris. Compreendo. Mas vejam a questão de outro ponto de vista e imaginem quanto lhes custa, a eles, serem obrigados a “vir comer à mão”. Esta manifestação consagrará valores que alguns destes crápulas desprezam. Mas tiveram de vir. Porque hoje, os valores da liberdade tomaram conta da maioria das consciências. E de tal modo isso aconteceu que até estes – por defesa da sua sobrevivência política – vergaram a cerviz. Vale pouco? Parafraseando: As pequenas vitórias valem pouco, mas quem as despreza é louco.
Testamento Vital: o que está a acontecer?
Laura Ferreira dos Santos* e João Carlos Macedo**
Embora, por Lei, não seja obrigatório usar o modelo disponível no Portal da Saúde para efectuar um Testamento Vital (TV), vamos aqui centrar-nos nele, atendendo a que foi o meio escolhido por um de nós.
Na medida em que muitas das opções referidas no modelo não iam ao encontro do que se queria, fez-se sobretudo uso dos espaços em branco.
Desde já, ressaltem-se seis elementos:
1. o modelo não pode ser preenchido em computador, mas apenas à mão;
2. os espaços em branco do modelo realmente existente são muitíssimo mais pequenos do que aqueles que o modelo publicado em DR dava a entender visualmente (portanto, o utente fica muito mais cerceado na sua liberdade);
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Os “charlies” e a greve na TAP
António Alves
Há cerca de 15 dias esteve para acontecer uma greve na TAP. Só não aconteceu porque o governo num acto ilegal e prepotente o impediu. O governo, à revelia da lei, uma semana antes da greve acontecer decretou uma “requisição civil”. Perante a lei da República Portuguesa a Requisição Civil só pode ser decretada depois da greve se ter iniciado e única e exclusivamente se os trabalhadores em greve não cumprirem os serviços mínimos determinados pelo tribunal arbitral ou acordados entre as partes em conflito.
O governo agiu ilegalmente e impediu de facto o exercício de um direito fundamental consagrado na Constituição da República Portuguesa. O governo violou grosseiramente a liberdade dos trabalhadores da TAP e os direitos dos trabalhadores portugueses em geral. Não me lembro de ler nenhum editorial em qualquer jornal português a criticar o governo ou de ouvir qualquer invectiva inflamada de qualquer opinador televisivo contra a prepotência governamental. Muito pelo contrário, o que li e ouvi foram muitas críticas e até alguns insultos disfarçados em vários editoriais de jornais ditos “sérios” aos trabalhadores da TAP. Da classe política “mainstream” idem aspas. Dos cidadãos em geral também nenhum deles levantou o cu do sofá para se manifestar contra esta violação grosseira da Liberdade.
Somos “charlie”? O tanas! E hoje até estou bem educado…
A Liberdade defende-se todos os dias nas mais pequenas coisas. Não é só quando morre alguém.
Não é preciso gostar de Charlie para ser Charlie
Surgem, em muitos media – e aqui também -, numerosos textos, sérios e interpelantes uns, grosseiros e ressabiados outros (Sinel de Cordes, a malta não te evita por seres um ousado provocador, mas porque, as mais das vezes, não tens piada).
Por mim, não vejo o problema nem tenho reservas em estar com todos os que são “Charlie” e não lhes vou, sequer, perguntar se conheciam o Charlie que dizem ser. Entendo que, sejam quais forem as opiniões que tenham sobre a revista, as pessoas sentiram o perigo da situação e o tiro no peito da liberdade. E é este ponto, penso eu, que leva a esta quase unanimidade na condenação inequívoca do atentado e na onda de solidariedade que se levantou.
É que o direito à liberdade de expressão não é dos jornalistas: é de todos nós. E como tal foi sentido. Muitos dos que mostram a sua solidariedade seriam alvos do Charlie Hebdo ou não escondiam a sua hostilidade ao hebdomadário? É verdade. E daí? Porque lhes querem vedar o direito de manifestar a sua indignação cívica? O Charlie Hebdo era (é!) uma revista iconoclasta, desbragada, ofensiva. Ela desafiava os limites da liberdade. E é exactamente isso que despertou as consciências. E isso é bom. Muito bom. E não nos surpreendamos por este caso ter ganho esta importância avassaladora. Sabemos bem que muitas outras vítimas houve, em dias recentes, em atentados terroristas igualmente sangrentos e cruéis. Porém, não podemos separar estas ocorrências das significações que lhes estão associadas.
As vítimas têm a mesma dignidade humana, mas o significado dos atentados é, inevitavelmente, valorizado de modo diverso, conforme o seu sentido e os perigos e desafios que fazem adivinhar no nosso futuro. Por isso, recuso a pretensão de julgar os que se indignam e a indagar das suas razões. Somos livres. E também os que morreram são mortos da nossa liberdade.
A singularidade do estilo de Ricardo Santos Pinto

© Shaenon K. Garrity (http://bit.ly/1KvTVTd)
Adivinhe de quem é.
(…)
Ora veja lá o nome do autor do texto citado e depois veja o nome do autor deste mesmo post.
– Ricardo Santos Pinto
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Ontem, ao procurar um texto de Malcolm Coulthard, co-autor do excelente An Introduction to Forensic Linguistics: Language in Evidence, fui surpreendido por um estudo de Rita Marquilhas e de Adriana Cardoso. O artigo de Marquilhas e Cardoso simula uma peritagem relativa a enunciados escritos no âmbito da investigação de um crime e debruça-se sobre um texto escrito por Ricardo Santos Pinto, publicado em 12 de Janeiro de 2009, no 5dias.net, mas frequentemente atribuído à jornalista Clara Ferreira Alves.
As Autoras indicam que, em 2011 ,”Clara Ferreira Alves continuava a desconhecer que se tratava de um texto de autoria já clarificada”. Como se percebe pelo episódio relatado na epígrafe, mesmo depois de indicar o texto, Ricardo Santos Pinto vê-se obrigado a voltar à carga, perante a insistência de um comentador.
Poderia terminar este pequeno comentário com um ingénuo “esperemos que este estudo de Rita Marquilhas e Adriana Cardoso venha, duma vez por todas, esclarecer o assunto”. Contudo, como demonstrado pelo caso ‘Voltaire vs. S.G. Tallentyre/Evelyn Beatrice Hall’, muito provavelmente, nem os esclarecimentos de Ricardo Santos Pinto, nem o estudo de Marquilhas e Cardoso, nem sequer este texto (para quem tiver dúvidas sobre a autoria, o meu nome está lá em cima, debaixo do título) servirão para que muitos passem a preferir a realidade à ficção. Infelizmente, como bem sabemos, desde o Maxwell Scott: “This is the West, sir. When the legend becomes fact, print the legend”.
Viveiro de Terroristas: eis o Ocidente
Na edição de 6 de Dezembro de 1993 – há 22 anos, – o Independent fazia um retrato amistoso de Osama Bin Laden, um soldadinho de chumbo a fazer a conveniente guerra aos soviéticos.
Quem alimentou esta gente e agora se queixa dos radicais, dos extremistas terroristas?
Parece que no Expresso também são Charlie

João Carreira Bom. Mário Crespo. Dóris Graça Dias. Wikileaks. Marisa Moura.
No Expresso? A sério?
Um filhodaputa nacional é um filhodaputa pior do que os outros
Estava escrito nas estrelas: se cada ataque a uma mesquita é uma medalha no peito dos três canalhas franceses que mataram no Charlie Hebdo, e portanto um acto de alguém que fica abaixo do nível deles porque ainda por cima lhes faz fretes, os nossos filhosdaputa não iam descansar enquanto não fizessem das suas:
O ataque à Mesquita de Lisboa tem um detalhe muito luso: a ignorância. Em 1143 não se fundou Portugal, que o parto já vinha de traz trás e foi arrastado, e mesmo dando importância a um tratado que nem existiu teria sido assinado com o primo do Afonso Henriques, coisa de católicos, não tem nada que ver com mouros.
É no que dá umas décadas de historiografia fascista, que ainda não se apagaram.
Continuem a misturar os wahabitas, uma seita minoritária dentro do islamismo, com todos os muçulmanos, e quando acordarem depois de uma noite de cristal queixem-se.
Via 31 da Armada, nem toda a direita portuguesa é estúpida, não senhor.
Adenda: “Ironia é vandalizar uma mesquita usando numeração árabe” – da página Yronicamente, Facebook.
No País dos Papa-Charlies
“Santa Paciência… todos nós aqui temos que ter para fazer humor em Portugal“.
No país dos indignados onde, como diz Bruno Nogueira hoje – “não há um único programa de humor nas televisões generalistas sobre política” – toda a gente clama ser “Charlie”, vão poucos anos (1987) sobre a censura explícita ao programa “Humor de Perdição“, de Herman José. Depois de uma “entrevista histórica” à rainha Santa Isabel, o programa foi tirado da antena: uns quantos bois haviam-se queixado à RTP que não podia ser, isto de andar a gozar com personagens históricas, não pode ser. E o programa foi cancelado.
Claro, há que relativizar, o tempo passa e a mentalidade muda. Devem ter sido outras as razões para que o Contra Informação também tenha desaparecido da tv em sinal aberto.
Quem é Gustavo Santos?
É um intelectual pimba com tal notoriedade que já foi várias vezes tema de alguns programas do Canal Q, que, como se sabe, está sobretudo orientado para a comédia.
A Ana Markl, a Joana Marques e o Daniel Leitão analisam o exemplar a seguir ao corte. Os vídeos são divertidos, porque o Gustavo é um triste. No fundo, é um monte de merda, o que explica por que razão só diz merda: que ninguém o acuse de inconsistência. [Read more…]
Liberdade de imprensa

E já que falamos de liberdade de imprensa – e parece que a maioria de nós não tem dúvidas sobre quanto precisamos dela – aproveitemos para falar também dos despedimentos massivos de jornalistas – entre eles os mais experientes, os mais qualificados, os mais incómodos – , dos cronistas silenciados pela voz do dono, das agendas obedientes aos interesses financeiros, da situação precária de tantos profissionais.
Falemos de tudo isto agora, que o tempo já não é não muito, ou não fosse tudo isto também Charlie.
Cartoon: Junião
Do Charlie Hebdo ao Syriza: o regime contra-ataca
Iohannes Maurus*
A propósito do atentado de ontem contra o Charlie Hebdo, partilho um artigo sobre as caricaturas de Maomé que publiquei em Viento Sur faz agora quase 9 anos. Tudo o que nele disse continua, para mim, perfeitamente válido. Haveria apenas que acrescentar um matiz importante.
Hoje, o que era um fantasma terrorista sob o qual queriam ocultar-se as resistências reais ganhou corpo. Do lado árabe-muçulmano, do lado dos colonizados, tanto nos seus próprios países de origem como no espaço colonial importado para as metrópoles, um pequeno sector assumiu como sua a imagem fantasmal do islamista-terrorista produzida pela propaganda neocolonial do Ocidente. Hoje existem realidades como o Estado Islâmico ou as diversas “franchises” da Al Qaida cuja delirante materialidade de ectoplasma não as impede de assassinar, com pretextos teológico-políticos, pessoas de todas as religiões, quer sejam yazides, cristãos do Oriente ou muçulmanas.
Pouco importa que este tipo de subjectividade política delirante e desligada de qualquer processo de libertação anticolonial tenha sido criado ou financiado directamente pela CIA ou outros serviços ocidentais, como aconteceu com a Al Qaida no seu tempo, ou que tenha aparecido espontaneamente, como, segundo Aristóteles, podiam aparecer criaturas infecta dos miasmas. O que importa é que essa imagem do “mouro mau” é a própria imagem do colonizado produzida pela dominação colonial, uma imagem que, assumida pelo colonizado, reproduz ao infinito e de modo nenhum anula essa dominação. O olhar colonial cria o bárbaro, o incivilizado, justificando assim sobre o nada moral e cultural deste último um presumível direito de tutela — mais ou menos paternal ou mais ou menos violenta — dos civilizados sobre os bárbaros. Os assassinos dos jornalistas de Charlie-Hebdo são os tristes agentes dum acto de propaganda colonial pela acção. [Read more…]
Mistérios sortidos
…Continuo a encarar com alguma perplexidade a perfeição da natureza, porque há três mistérios humanos para os quais continuo a não conseguir descortinar a utilidade, a saber, as mamas do Homem, os testículos do Papa e as mensagens presidenciais de Cavaco Silva. Se alguém puder e quiser, que me ajude.” (Pedro Pezarat Correia).
Li isto e, apercebendo-me da inquietude do ilustre autor, que muito prezo, apresso-me a dar, correspondendo ao seu apelo, a minha modesta contribuição. Por pontos:
– Quanto às mamas do homem, deve sublinhar-se que a sua inutilidade é, ela própria, sinal de grandeza. A grandeza das coisas que só existem porque são esteticamente imprescindíveis. A importância da elegante simetria dos corpos. E, sobretudo, que diabo, já imaginaram o gozo a que as nossas queridas parceiras de espécie nos sujeitariam se nós, homens, nem uma – inútil, sim, mas existente e no seu lugar – imitação dos seus belos – e, ainda por cima, úteis – atributos peitorais? Em nome da paz entre os sexos, fiquemos por aqui, deixando uma bênção agradecida à criatividade da natureza, dos deuses, ou seja lá de quem for a autoria de tais maravilhas. [Read more…]
Da baixeza
Antonis Samaras, ainda primeiro-ministro grego, olhou para o massacre no “Charlie Hebdo” e viu um argumento para a sua campanha.
O comunicado
O infantil e apatetado comunicado do nosso Ministério dos Negócios Estrangeiros sobre o atentado contra o Charlie Hebdo, omisso nos valores em causa – nem sequer a palavra liberdade ali aparece – é deprimentemente sintomático da espécie de gentinha que nos governa. Mais uma vez, sinto-me envergonhado por procuração. Mais uma vez.
O fascismo da intolerância
Carlos Roque,
Maio de 2014
E eis que a Europa está a ser engolida pela extrema-direita…
O que é peculiar no fenómeno é que as análises que se fazem por aí só vão buscar a figura do nazismo para o justificar, quando, na verdade, o Hitler está morto e enterrado e é um outro facto que está a detonar tudo isto: a imigração islâmica.
Os muçulmanos quando chegam à Europa não estão interessados em participar no grande plano de Bruxelas. O que eles realmente fazem é tentar desenvolver comunidades autónomas em território europeu, com os seus micro-souks e pequeno comércio que não se mistura no resto da actividade económica europeia. As que vingam são as mais organizadas, habitualmente radicais e intolerantes, que se regem pela Sharia (a lei islâmica, que não respeita constituições).
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Sou Chalie Hebdo e também sou Ana Gomes, consequentemente

A extrema-direita portuguesa não está minimamente preocupada com um atentado à liberdade de expressão, que vitimou hoje vários dos seus heróis. É uma guerra que não lhes assiste, a deles é económica e santa.
Assim a indignação virou-se contra esta afirmação de Ana Gomes, que num país ocupado por línguas bárbaras sou obrigado a traduzir:
#CharlieHebdo – Horror! Também o resultado de políticas anti-europeias de austeritarismo: desemprego, xenofobia, injustiça, extremismo, terrorismo.
(Na Lusa, citada pelo órgão central da extrema-direita neoliberal, parece que traduziram austerisme por políticas de anti-austeridade, o que já ultrapassa ligeiramente a simples ignorância da língua de Rimbaud).
Para o perfeito neoliberal tudo se explica pela moral, na velha lógica religiosa: há os bons, e os maus. Os maus são maus porque são maus, e neste caso porque são maometanos. Cavalgando na sua guerra santa, não podem compreender que os praticantes do mal, e concordamos embora por razões diferentes que desses se trata, existem não por inspiração demoníaca mas uma qualquer razão, lógica, causa. [Read more…]













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