Urgência$

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O governo anunciou, de surpresa, que vai começar a drenar doentes das urgências públicas para os hospitais privados. Estou espantado, já que o que costuma acontecer é exactamente o contrário: sempre que um doente precisa de intervenção urgente e diferenciada, se está num hospital privado é, geralmente, despachado para os serviços públicos. Até o conspícuo Osório dos privados ficou espantado com o brinde, declarando que ninguém do governo lhe tinha dito nada. Pois é, perante a pressão mediática o governo, como é costume, atira lérias para o ar. E tanta vontade tem de servir os amos que nem repara que estes não têm meios de aproveitar a prenda.

Não entendi nada. Não entendo nada

Vanda Pereira

Há dias, o PS votou contra o quociente familiar no IRS.
Isto é, o PS votou contra SUBSTITUIR o atual quociente conjugal, por um quociente familiar em que o rendimento do agregado familiar, para determinação das taxas do IRS passe também a ser DIVIDIDO pelo número de filhos – valendo cada dependente 0,3 na equação.
O PS não pensou nas famílias. Apenas e só. Não pensou. Ao votar contra, o PS mostrou que tanto lhe faz. Tanto lhe faz, que uma família não tenha filhos, que uma família tenha 1 filho, 2 filhos, 3 filhos, é tudo igual.
Dias depois, o mesmo PS voltou. E voltou preocupado com as famílias

Batam com o Portas!

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Passamos o dia a ouvir o Paulo Portas (com vossa licença) a falar na imensa generosidade do governo. Fez-se o ajustamento, diz ele. Aumentam as pensões e os vencimentos dos Funcionários Públicos ( e os descontos do IRS, na armadilha dos escalões) graças à devolução de parte dos cortes dos salários e da CES,diz ele.
Feitas por imposição do Tribunal Constitucional e não pelo teu gang governante, digo eu, oh cara de ovo escalfado!
O Portas ali está de novo! O Portas é diarreia visual! O Portas é um percevejo político! Se o Portas é português, eu quero ser esquimó. Se o Portas é terráqueo, eu quero ser marciano! Fora com o Portas, fora, PIM!

Da série estes tugas são loucos…

Sem colocar em causa o forte impacto local na Terceira, caso se concretize a gradual saída dos EUA das Lages, é algo estranho ouvir falar em chineses ou ver membros do PCP defender o status quo.

O presidente do executivo açoriano, que na segunda-feira se reúne com o Presidente da República, admitiu ainda a possibilidade de a infra-estrutura das Lajes ser usada por outro país que não os EUA, como a China, com quem Portugal tem “uma relação diplomática” que é “muito anterior” àquela que tem com Washington.

Para o PCP da ilha Terceira, faltou uma “avaliação séria” sobre o potencial estratégico da Base das Lajes e o Estado português cedeu “com demasiada facilidade” às chantagens dos norte-americanos.

Definitivamente a tradição já não é o que era…

Os donos deste mundo quase todo foram à vidente

A Goldman Sachs “aposta na vitória da Nova Democracia, o partido que governa a Grécia. O estudo, que também joga na reeleição de Passos Coelho e Rajoy, assenta numa ligação directa entre indicadores económicos e escolhas dos eleitores.” (Ricardo Costa no Expresso Curto de hoje).

Afinal a fé depositada, ou melhor, emprestada ao BES não foi apenas vulgar servilismo do Arnaut, os líderes da finança mundial tomam mesmo a realidade pela medida dos seus desejos, e assim se tramam os especuladores, que depois nós pagamos a conta.

Azar, pese uma sondagem da sempre imaginativa Euroexpansão, as tendências de voto são claras, de acordo com a Popstar já actualizada.

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E não esquecer que nestas sondagens o peso do PDR e do Livre ou lá como se avançam está obviamente distorcido: enquanto de um lado apenas se pode prever o peso do eleitorado fixo da direita, os novos partidos irão crescendo à medida que se tornem conhecidos. Principalmente o partido de Marinho Pinto é óbvio que não vai ficar por aqui.

Da revolta de um filho…

… cuja mãe foi assassinada pelo gang que se senta nas cadeiras ministeriais.
Este texto veio ter comigo no Facebook e tem que ser conhecido. Foi, pelo que percebi, escrito a quente pela revolta de um filho que viu a sua mãe morrer em consequência das acções da corja que manda neste país. Até quando?
Nota: Embora se trate de um texto público, foi pedida autorização ao seu autor para aqui a incluir. Noémia Pinto


O texto que se segue é de João Carlos Silveira, filho de Maria Vitória Moreira Forte, nascida em  Idanha-a-Nova, no dia 10 de Fevereiro de 1925 e assassinada em Almada no dia 17 de Janeiro de 2015.

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Peço desculpa pelo que vou dizer mas ESTOU MUITO REVOLTADO!
A minha mãe acaba de falecer há uma hora e meia, no Hospital Garcia d’Orta e, depois de ter dado entrada cerca das 11:00 horas da manhã, só foi vista cerca das 20:15 horas, depois de inclusive eu ter participado de um Médico, para mim indigno da profissão que diz que professa e depois de muitas outras peripécias na Urgência deste Hospital!
Independentemente de todas as queixas que possa ter, de muitos “profissionais” que trabalham nesta Urgência, o culpado maior da morte da minha mãe é filho da outra senhora, que dá pelo nome de Pedro Passos Coelho e o gang dos seus lacaios!

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Quem tem medo do salário mínimo mau?

Salário Mínimo

Disposto a correr o risco de questionar o distinto “economista, consultor de gestão e comentador de coisas” Carlos Guimarães Pinto (CGP), devo confessar que fiquei surpreendido pela superficialidade dos argumentos usados para literalmente responsabilizar o modesto e eleitoralista aumento do salário mínimo pela inversão da trajectória “mágica” dos números do desemprego em Portugal. Leigo que sou, estava convencido que tivesse sido obra das forças obscuras que se movem por trás dos arbustos para armadilhar a cruzada heróica e patriótica de Passos Coelho e entregar de novo o poder aos sinistros socialistas.

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O Expresso insiste, insiste, insiste

Sempre otimista [sic], contudo, o histórico socialista“. E eu também: Mário Soares nunca foi um ‘otimista’.

A TVI não é Charlie

A promoção ao Jornal Nacional da TVI censurada – Setembro 2009

Solidariedade com o Estabelecimento Prisional de Évora

epévora

NUNO VEIGA/LUSA

Sei que José Sócrates é culpado, mas o único castigo para a má governação consiste em não ser reeleito, à excepção do que tem acontecido com Alberto João Jardim. A má governação castiga, também, os governados, mas há quem o mereça, sobretudo se usar o voto da mesma maneira que usa o cachecol de um clube de futebol. Penso, a propósito, que faria sentido que o voto deixasse de ser secreto, para que os eleitores das maiorias pudessem ser os únicos a sofrer com as medidas tomadas pelos governos que elegeram, mesmo que indirectamente. [Read more…]

A SPA não é Charlie

Maria João Nogueira denuncia que a SPA tentou silenciar um blogger por ter escrito“coisas de que a SPA não gosta”. Contactada pelo Shifter, Maria João diz que este blogger é afinal uma blogger. “Refiro-me a algo que se passou comigo em 2012. Estávamos em pleno debate sobre o projecto de lei 118/XII (Lei Canavilhas), e eu escrevi muito no meu blogue sobre a SPA”, contou-nos numa conversa por e-mail.

A Lei Canavilhas – assim baptizada por ter sido uma iniciativa da deputada socialista de Gabriela Canavilhas (o PS estava, na altura, no Governo) – nunca avançou; tratou-se apenas de um projecto de lei relativo à cópia privada, cuja aprovação defendia ser um incentivo à economia cultural e que visava taxar os dispositivos que permitem fazer cópias.

Um director da SPA não gostou do que Maria João Nogueira publicou e ameaçou-a com um processo em tribunal. “Fez-me chegar o recado, através duma pessoa muito acima de mim, na hierarquia do sítio onde trabalho”, contou-nos. A SPA não foi a primeira empresa a tentar calar Maria João Nogueira; em 2009, recorde-se, a Ensitel tentou fazer o mesmo com a mesma blogger, mas não teve sucesso“Eles [a SPA] disseram-me que não eram uma empresa de telemóveis de vão de escada, eram muito mais poderosos.” [via shifter]

Entretanto o FB da SPA tem sido uma animação com comentários apagados. Isto do respeitinho tem muito que se lhe diga.

O post da MJN está aqui: Não SPA, tu não és Charlie.

Zeca Mendonça não é Charlie

Zeca Mendonça ilustra o que acontece a quem não se dá ao respeitinho.

Robertos

Lembram-se deles, certamente. Quando era miúdo, eu não perdia uma representação, fosse no humilde biombo de rua, fosse no teatro de robertos com palco, plateia e tudo. A voz estridente dos bonecos, dada pelas palhetas, atraia os putos irresistivelmente. Lembram-se das cenas que se repetiam eternamente: “eh toro, eh torito!…Olé, olé”; ” o raio do barbeiro é doido, carago”; “Doooommm Roberto vai aqui, toma, toma, toma”; “sou o diaaaaabbooooo!…”; “não me apanhas, não me apanhas, trrré,té, té” e por aí fora, tudo dedicado ao “rrrreeeespeitável público e todos os meninos e meninas”. Infelizmente, é raro encontrarmos o D. Roberto por estes dias. Se queremos ver os nossos queridos robertos temos de (devemos) ir ao Museu da Marioneta.
Até lá, restam-nos as candidaturas de Alberto João Jardim e Santana Lopes à presidência da República. Com o aflito esbracejar comentatório do professor Marcelo. É o que se arranja.

Ajudinha desinteressada aos 4 dos 9

Na última “prova dos nove”, gerou-se um curioso ponto prévio. Francisco de Assis, com aquele ar de omnisciente que lhe conhecemos começou, recostando-se triunfante na cadeira: “aquela frase que discutimos aqui, ‘se Deus não existisse tudo seria permitido’, tendo eu averiguado – garantiu o Assis – não é de Dostoievski, mas de Sartre”. “Nada disso, é de Nietzsche”- declarou a Constança Cunha e Sá. E assim foram trocando umas flores. Permitam-me, oh gentes, que dê uma ajuda aos comentadores, mais no interesse de quem ouviu e ficou na dúvida – ou, pior, enganado pela categórica garantia do Assis.
Na verdade, a frase está em “Os Irmãos Karamazov”, de Dostoievski, e é citada por Jean-Paul Sartre em “O Existencialismo é Um Humanismo” como ponto de partida para a sua indagação sobre o conceito de liberdade e correspondente noção de responsabilidade. Também Simone Beuvoir irá seguir caminho semelhante a partir do mesmo ponto.

Eu sou a minha liberdade, diz Sartre. E estou condenado a ser livre, logo, a arcar com as responsabilidades das minhas escolhas sem fugas, sem desculpas, sem ter a que me agarrar em mim ou fora de mim.
Porque me deu para esta singela incursão? É que, numa altura em que se procuram elaboradas explicações “em última instância” para os sangrentos acontecimentos recentes, pareceu-me justo pôr os pés na terra.

Um filhodaputa nacional é um filhodaputa pior do que os outros

Estava escrito nas estrelas: se cada ataque a uma mesquita é uma medalha no peito dos três canalhas franceses que mataram no Charlie Hebdo, e portanto um acto de alguém que fica abaixo do nível deles porque ainda por cima lhes faz fretes, os nossos filhosdaputa não iam descansar enquanto não fizessem das suas:

1143O ataque à Mesquita de Lisboa tem um detalhe muito luso: a ignorância. Em 1143 não se fundou Portugal, que o parto já vinha de traz trás e foi arrastado, e mesmo dando importância a um tratado que nem existiu teria sido assinado com o primo do Afonso Henriques, coisa de católicos, não tem nada que ver com mouros.

É no que dá umas décadas de historiografia fascista, que ainda não se apagaram.

Continuem a misturar os wahabitas, uma seita minoritária dentro do islamismo, com todos os muçulmanos, e quando acordarem depois de uma noite de cristal queixem-se.

Via 31 da Armada, nem toda a direita portuguesa é estúpida, não senhor.

Adenda: “Ironia é vandalizar uma mesquita usando numeração árabe” – da página Yronicamente, Facebook.

Mistérios sortidos

…Continuo a encarar com alguma perplexidade a perfeição da natureza, porque há três mistérios humanos para os quais continuo a não conseguir descortinar a utilidade, a saber, as mamas do Homem, os testículos do Papa e as mensagens presidenciais de Cavaco Silva. Se alguém puder e quiser, que me ajude.” (Pedro Pezarat Correia).

Li isto e, apercebendo-me da inquietude do ilustre autor, que muito prezo, apresso-me a dar, correspondendo ao seu apelo, a minha modesta contribuição. Por pontos:
– Quanto às mamas do homem, deve sublinhar-se que a sua inutilidade é, ela própria, sinal de grandeza. A grandeza das coisas que só existem porque são esteticamente imprescindíveis. A importância da elegante simetria dos corpos. E, sobretudo, que diabo, já imaginaram o gozo a que as nossas queridas parceiras de espécie nos sujeitariam se nós, homens, nem uma – inútil, sim, mas existente e no seu lugar – imitação dos seus belos – e, ainda por cima, úteis – atributos peitorais? Em nome da paz entre os sexos, fiquemos por aqui, deixando uma bênção agradecida à criatividade da natureza, dos deuses, ou seja lá de quem for a autoria de tais maravilhas. [Read more…]

O comunicado

O infantil e apatetado comunicado do nosso Ministério dos Negócios Estrangeiros sobre o atentado contra o Charlie Hebdo, omisso nos valores em causa – nem sequer a palavra liberdade ali aparece – é deprimentemente sintomático da espécie de gentinha que nos governa. Mais uma vez, sinto-me envergonhado por procuração. Mais uma vez.

“Estou preparado para ser Presidente da República!”

declarou Pedro Santana Lopes. E assim ficamos a saber que o homem já fez 35 anos. Como o tempo passa…

They got a thing goin’on…

Com o aproximar das eleições legislativas, a coligação que suporta o governo do desonesto porém versado na arte de abrir portas Pedro Passos Coelho conheceu ontem um episódio invulgar: o PSD convidou o seu partido irmão para participar numa plataforma de diálogo e entendimento sobre questões centrais para o futuro do país. Refiro-me, claro, ao Partido Socialista. Já o parceiro de coligação foi pura e simplesmente ignorado. Os taxistas bem se queixam da crise…

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O final do Verão, a Primavera e depois de Outubro

Efectivamente, com o Acordo Ortográfico de 1990, o Verão deixa de existir. Contudo, há quem adopte o AO90 e simultaneamente ignore aquilo que ele determina.

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Depois de ter assinado o Acordo Ortográfico de 1990 e de ter escrito “Agora ‘facto’ é igual a fato (de roupa)”, Santana Lopes traz-nos Outubro e Primavera.

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Exactamente.

Ainda há quem fale em crise nas editoras…

Um livro que vende 30 mil exemplares imediatamente após a publicação e não desperta interesse de reedição ao autor ou editora desde 1996, não é um facto estranho ou ficção, acontece em Portugal. A explicação é simples, o principal visado é um político português que mais parece saído da imaginação literária de Mario Puzo, antigo Primeiro-Ministro e Presidente da República na choldra em que o seu partido muito contribuiu para transformar o Portugal que hoje existe.
O livro chama-se “contos proibidos – memórias de um PS desconhecido”. Seria interessante a sua reedição nos dias de hoje…

José Sócrates não devia ter sido o primeiro ex-primeiro-ministro a ser preso em Portugal

Diz Mário Soares, em mais uma intervenção em defesa de José Sócrates, que não existe Justiça em Portugal.
É espantoso que alguém que foi primeiro-ministro por 2 vezes e presidente da República durante 10 anos venha agora confessar que, enquanto governante, nada fez para que existisse Justiça em Portugal.
Mas Mário Soares sabe bem do que fala. E tem toda a razão. É que, se existisse Justiça, José Sócrates não teria sido o primeiro ex-primeiro-ministro a ser preso no nosso país.

Não é caca, é mesmo merda

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Anda a nossa extrema-direita neoliberal numa desmesurada lufa-lufa tendo por alvo a Raquel Varela. Não procurem uma linha que seja onde se critique o que tem a moça publicado sobre o país onde estamos – não há. Mas já teclar sobre a personalidade, o clássico argumentum ad hominem, floresce-lhes nos dedos com uma dimensão inesperada.

Ele foi a Helena Antena1 Matos, por conta do guarda-roupa de Passos Coelho, a beata Maria João Marques desenvolvendo o tema dos trapos, sobre o que imagina nos seus piores pesadelos ser o socialismo, e agora André Azevedo Alves em pleno estilo Ramiro Marques, a que pelos vistos não segue só a linha censória de comentários, caindo na velha argolada de invocar o socialista e notável anti-estalinista George Orwell para meter uns bacóros ao barulho.

Ainda pensei que tanto trabalho vindo de quem despreza o papel da sua força se deveria a uma pepinada televisiva que a rapariga frequenta, e nunca consegui ouver dadas outras presenças intelectualmente repulsivas. Mas parece ter a coisa explicação mais prosaica. Escreve este último: [Read more…]

As nuvens negras que afinal vieram

52 mil idosos perderam complemento solidário

Sobre a prisão preventiva

Sócrates queixa-se de não ter sido julgado. Porque pedir provas e concretização da acusação,  permitindo-lhe a defesa, como ele invoca para justificar a ilicitude da sua prisão preventiva,  é o processo de julgamento.

Se se seguisse a linha de pensamento de Sócrates, então não existiria o conceito de prisão preventiva, já que só se poderia prender estando reunidos os elementos da acusação. Nesse caso, podendo-se iniciar o julgamento, não faria sentido o iato da prisão preventiva. Por outro lado, ao se prender preventivamente e apresentado acusação parcial, como gostaria Sócrates que tivesse acontecido, nada impediria o acusado de apresentar defesa, dando início ao julgamento antes de a investigação estar concluída, o que é insustentável.

Não existe notícia, portanto.

Em todo o caso, se esta é a convicção de Sócrates, então teve 7 anos para mudar a lei, sujeitando-se ao escrutínio do meio jurídico, tal como até o fez no regulamento que aprovou quanto às visitas e encomendas que pode um preso receber.

O que devemos de facto perguntar é porque é que Portas não foi preso preventivamente, quando até é sabido do raide que fez ao processo dos submarinos, durante a famosa sessão de fotocópias.

Sócrates por escrito à TVI

Uma simples pergunta para Cavaco

Na sua última ida à televisão, ontem, Cavaco, o avisador, avisou para que os políticos não prometessem o que não poderiam cumprir, para evitar a erosão da democracia face às promessas não cumpridas pelos políticos. E que os partidos devem ser exemplo, bla, bla, bla, responsabilidade e tal.

Não é novidade para ninguém, e não o será para Cavaco, salvo se estiver ché-ché, que este governo prometeu resolver os problemas do país sem aumento de impostos. Neste momento, não interessa se a promessa era realista, importa que não foi cumprida, tendo por isso contribuído para o descrédito das instituições que Cavaco jurou defender.

Quanto ao exemplo dos partidos e do governo, não é preciso dizer mais do que Jacinto Capelo Rego, Tecnoforma, Citius, arranque do ano lectivo e leis orçamentais inconstitucionais.

Portanto, porque é que Cavaco ainda não demitiu este governo? Ou se aplica de facto a hipótese supra ou as suas palavras são palha para encher fronhas.

Ano novo, Cavaco velho

Cavaco Silva falou, mais uma vez – nada nos é poupado! – ao País. Exigiu-nos a todos responsabilidade e transparência. E alertou para que não se fizessem falsas promessas neste ano eleitoral. Cavaco sabe, por experiência, de tudo isto. Basta ver a responsabilidade com que encara o seu cargo e a vigilância do bom funcionamento das instituições democráticas e a transparência com que geria os seus investimentos no BPN ou a operação Casal da Coelha. Quanto às promessas vãs, nunca Aníbal as fez, como todos sabemos ( de resto, como se sabe, Cavaco não tem nada a ver com a nossa infelicidade e o seu coração imaculado não nos quer senão bem). Mas disse mais. Falou da urgência do amor com casamento – ou do casamento haja amor ou não, tanto faz. Entre os “seus” partidos e, se possível, com uma poligâmica piscadela de olho a outros candidatos. Exigiu confiança nos políticos governantes – sentimento que, ao vê-lo, imediatamente se acende nos nossos corações – e, de caminho, foi deixando a sua mensagem essencial: as eleições não interessam. O que interessa é que quem for eleito faça o que lhe mandarem e cumpra os ditames vindos de longe, pelo que Aníbal não resistiu a uma uma subliminar nota de ameaça e terrorismo político – brando, claro, como os lusos costumes. Cavaco falou. Este ano ainda agora começou e só tenho más notícias.

Inferência

Passos quer proteger “o que já conseguimos juntos”. Em relação ao próximo ano de eleições legislativas, o primeiro-ministro fala numa “recuperação assinalável do poder de compra de muitos portugueses”: funcionários públicos, pensionistas, “mas também de todos os portugueses em geral com o alívio fiscal que a reforma do IRS irá trazer”, diz a comunicação social. Compaginadas estas declarações com as minhas notas sobre o tema “os sociopatas e a política”, inferi esta profunda conclusão: eu bem me parecia!

Previsão

“Este será o primeiro Natal desde há muitos anos em que os portugueses não terão a acumulação de nuvens negras no seu horizonte”, disse Passos Coelho na sua mensagem natalícia. De modo que, no dia seguinte, mal me levantei, abri a janela e lá estava: o sol brilhava no céu. Era o que eu pensava. As palavras do Passos não eram uma metáfora: eram um plágio do boletim meteorológico.