A nova-velha Turquia!

TURQUIA EST. ISL

A Turquia iniciou uma nova política face ao auto-proclamado “estado islâmico” (“ei”), em consequência do atentado de Suruç, há 10 dias (20 de Julho), na fronteira turco-síria. A famigerada Kobane, na Síria, fica a apenas 10 km de Suruç, sendo aliás esse o destino dos membros da Juventude Socialista dos Oprimidos (assim mesmo, Partido Socialista dos Oprimidos), cuja acção de voluntariado visava ajudar à reconstrução desta cidade anteriormente ocupada pelos criminosos do “ei” e, bombardeada pela Força Aérea da Coligação. O atentado de Suruç saldou-se em 32 mortos e 104 feridos.

Este foi a mote, a razão convenientemente encontrada pelo Presidente da República (PR) Erdogan para esta mudança, mas a qual nada tem a ver com os acontecimentos do passado dia 20 de Julho. [Read more…]

Troika presa

num elevador em Atenas.
[Fonte: InfoGrécia]

Um concurso cruel, um ministério podre

Santana Castilho*

Escrevo imediatamente após o encerramento do concurso de colocação de professores, designado por Bolsa de Contratação de Escola, roleta russa absurda que ditou o caos do início do ano escolar transacto, com milhares de alunos sem aulas por mais de um mês.

A evidente subjectividade dos critérios da edição deste ano (onde é possível a formatação de lugares por medida) dará uma cascata de ultrapassagens injustas de uns candidatos por outos, numa autêntica corrida de sobrevivência, marcada pela incompetência de um ministério podre. [Read more…]

Peste na serra

Carlos Peixoto, aquele rapaz untuoso com pulsões fascistóides e o QI de uma nêspera, autor da tese de que a Pátria está contaminada pela “peste cinzenta”, é cabeça de lista da coligação de direita na Guarda. Só quero declarar que, por mim, cada votante neste mentecapto celerado não será considerado “eleitor”, mas “culpado”. Como culpado é já quem o escolheu como candidato. Culpado daquela arrogância bronca que fez Calígula nomear senador o seu cavalo Incitatus.

PAF #6, OE 2012

Continuando: Eliminação dos subsídios de Férias e de Natal para todos os funcionários da administração pública e das empresas públicas que ganhassem acima de 1000 euros por mês. Taxa progressiva sobre salários entre o mínimo e os 1000€, correspondendo em média a apenas um dos subsídios.

Alugam-se jardins centenários

No domingo passado, estava eu a dormitar na relva dos jardins de Serralves quando um dos seguranças se aproximou para avisar-me de que tinha de sair porque estava a ocupar indevidamente os jardins centenários da Fundação. Lá fui eu, estremunhada, para outras paragens com o meu paninho de estender sobre a relva.

Na edição de hoje do Jornal de Notícias fiquei a saber que os mesmíssimos jardins centenários vão ser encerrados ao público durante os próximos dias porque foram alugados a Jorge Mendes, super-mega-hiper empresário do futebol, que se casará em Serralves e pretende que a boda, recheada de estrelas do seu calibre, se mantenha livre de olhares indiscretos. [Read more…]

A crise: abstracção de fronteiras semânticas turvas

“O PS é que trouxe a crise para Portugal” – o argumento desonesto que serve duas carapuças principais: a dos apoiantes da coligação PSD/CDS e a dos apoiantes da coligação PCP/PEV. A que se juntam algumas outras classes anti-PS, como por exemplo os que jamais perdoaram a Mário Soares e a Almeida Santos os improvisos da descolonização e os que não esqueceram quem lhes estragou a rave do PREC (que gerou uma partezinha da crise, já agora). E no entanto, basta ver quantos foram os Governos do PSD para perceber a verdadeira natureza da crise – a que também o PS não é alheio, nem o CDS, claro está. E era isto.

É da esquerda, é da esquerda, da esquerda…

11753730_616715145132639_1541757624538673740_n
via FB do Alex Gozblau

Viana do Castelo: Carlos Abreu Amorim (Independente)

CAA independente? Só pode ser anedota. Deve ser coisa de liberal arrependido. É caso para também ir ao beija-mão pedir perdão.

Os “portugueses não comem TGV” mas comem escolas privadas

escolas privadas

Estado vai gastar mais 53 milhões de euros com escolas privadas, lê-se no JN. Não come TGV? Então tome lá este pitéu e não se esqueça da maionese para escorregar melhor.

Não chega?

Queremos implementar oque se pode chamar uma parceria público-social que proceda à transferência de equipamentos sociais que estão sob gestão directa do Estado Central para as entidades do sector solidário que integrem a rede social local, desempenhando o Estado um efectivo papel financiador e regulador. [Intervenção do Mota Soares, na apresentação do Programa de Emergência Social (sic), já em 2011]

Traduzindo este fantástico parágrafo: Já em 2011, o tipo do beija-mão deixou preto no branco que o estado iria financiar as IPSS, que é o termo correcto para o eufemismo entidades do sector solidário que integrem a rede social local.

Parece, portanto, que os portugueses não comem TGV mas já comem IPSS. E vão comer mais, pois esta ideia que foi transversal à legislatura já se anuncia que terá continuidade na próxima, se os tipos da estalada ganharem: [Read more…]

PAF #5, OE 2012

No seu primeiro orçamento, PPC cumpriu a ameaça: ir além da troika. A porrada foi tanta que isto tem que se partir aos bocados. Foi aqui que nasceram ideias estapafúrdias como de nos meter a trabalhar mais 4 dias à borla.

Orgulho

Nem sei se devia contá-la, porque há histórias que nos dão vergonha só de vê-las, assistir ao seu desenrolar faz-nos cúmplices do que vimos, e contá-las pode ser uma forma de servir-nos delas, ou isso tememos, que por contar estejamos a instrumentalizá-las e não é isso que queremos. Mas não contar é também como fechar os olhos ao que se viu, negar que tenha ocorrido, e tampouco podemos permiti-lo.

Era uma tarde de muito sol numa rua central da cidade. À porta de um hotel há dois contentores de lixo sempre cheios, muitas vezes os sacos ficam no chão até serem recolhidos. Passo por ali todos os dias, muita gente o faz. [Read more…]

Carta do Canadá: Uma memória

Foi no princípio da década de 60. Era noite de Santo António e estávamos em Alfama.  O grupo residia no Bairro Santos para poder frequentar a universidade mas tratava aquelas vielas por tu.  Todas as sextas-feiras, como quem cumpre uma promessa,  abancava na Guitarra de Alfama, uma tasca de fado vadio por onde, em noites de grande sorte, passava  João Ferreira-Rosa,  Teresa Tarouca  e um actor de teatro que juntava à sua bela figura uma  voz estupenda, o Francisco José Teixeira.  Artistas fixas da casa eram a Cesária, a cigana, e a Júlia, que era vendedeira e à noite, por não ter com quem deixar o filho, deitava o bebé numa canastra que todos  nós embalávamos enternecidos.  Parece que deu resultado porque, muitos anos depois,  numa noite em que fui dar dois dedos de conversa com a Celeste Rodrigues à Viela, ali encontrei  o rapagão em cozinheiro a acompanhar no pão de cada dia a  sua orgulhosa mãe. O dono da tasca era o Alexandre que, de guitarra em punho, cantava de cabeça à banda fados espirituais e finíssimos  como se pode ver pela amostra: “Fui enganado por três / Com promessas como as tuas /  Vais lá para casa um mês / Se eu me der bem continuas”.  Acontecia de tudo naquele lugar.  Até aconteceu o Zé Tamagnini aparecer-nos com  um saco de bacalhau demolhado a pedir a cozinha emprestada para ali fazer  um Bacalhau à La Goyera de que o pai, o saudoso cirurgião  Augusto Tamagnini,  lhe tinha dado a receita.  A enchente foi tal , a rebaldaria tão tamanha, que o petisco se ficou  pelas mesas próximas da cozinha, onde o Zé pontificava com um grupo de ajudantes  organizado pela Solveig Hansen, que era hospedeira de terra duma companhia de aviação americana. Não tenho opinião sobre o cozinhado porque não o vi nem ao menos o cheirei.  Mas nunca duvidei dos dotes culinários do Zé.  Realmente, ali acontecia tudo.  Uma noite até apareceu uma senhora chiquíssima, acompanhada  de uns meninos da Linha, que pediu ao Alexandre para  apagar as luzes todas porque só gostava de cantar à escuras.  O tasqueiro andou de mesa em mesa a transmitir o recado e a pedir obediência.  Foi no meio duma completa treva que a senhora  deitou aos ares o seu fio de voz. E nós, mudos como penedos.  Mas logo havia o Luís Artur, que era meu colega na faculdade, de se lembrar de dizer em tom de pânico: “Oh Júlia,  dá o biberon ao menino a ver se ele se cala”.  Foi ali o ensaio geral do Dia de Juízo. [Read more…]

PAF #4, Agosto 2011

Ainda em Agosto, o terceiro PAF, a aproveitar o país estar a banhos. Contribuição especial sobre pensões acima dos 1.500€, cortes na saúde (810.2M€), educação (506.7M€) e Segurança Social (205M€).

Portugal em 1975


“As raparigas estão de um lado, os rapazes estão do outro”

O absoluto descaramento eleitoral da coligação PSD/CDS-PP

PaF

 

Esta montagem da máquina de propaganda social-democrata/centrista é de um absoluto descaramento. Por um lado temos aquilo que aparentam ser duas crianças agarradas ao avô, quiçá à sua guarda depois dos seus pais terem seguido o conselho de convite à emigração que Pedro Passos Coelho nega mas que existiu, de resto em linha com tantas outras aldrabices com que foi iludindo os portugueses ao longo de quatro anos. Já o avô, cuja pensão esmagada por sucessivos cortes e aumentos de impostos directos e indirectos não lhe permite acompanhar o seu filho, por cá fica para, à semelhança de tantos outros avós deste país, substituir os seus filhos nas funções de pais que a acção deste governo lhes impede de cumprir.

[Read more…]

Já vimos este filme

Ricardo Salgado ficar em prisão domiciliária é igual a nada. Já vimos este filme com Oliveira e Costa. Para os banqueiros, o crime compensa sempre.

Febre eleitoralista

Enquanto o homem que nos aldrabou regressa ao discurso do “que se lixem as eleições”, o protagonista do episódio mais aproximado a uma bebedeira parlamentar vem defender o aumento do salário mínimo em 2016. Reles mas legal.

O idiota útil

É sempre o mais perigoso dos idiotas…

Cavaco e o pró-forma eleitoral

O Cavaco Silva de hoje não teria aceitado tomar posse em 1985 à frente de um governo minoritário. Com o que teria inviabilizado uma maioria absoluta do seu partido nas eleições seguintes. Foi com um governo minoritário que Portugal entrou na então CEE, na Europa, como hoje se gosta de dizer. O Cavaco Silva de hoje tem a memória curta. Muito curta. O Cavaco Silva de hoje é um arremedo do Cavaco Silva de 1985. Décadas de exercício do poder retiraram-lhe lucidez e discernimento. O corajoso que em 1985 foi empurrado para a liderança do PSD, que aceitou formar governo e tomar posse em condições minoritárias, tornou-se num político medroso, autoritário e sem estamina. E, pior que isso, capaz de usar o cargo que lhe foi confiado como Presidente da República para condicionar a democracia, para condicionar a liberdade de voto, para condicionar consciências, usando a sua posição institucional para impor os seus desejos. [Delito de Opinião]

Um bom retrato da mão por trás do arbusto, como diria de novo Sócrates. Mas à “coragem” de 1985, chamar-lhe-ia  calculismo, dado o que se sabe da operação “congresso da Figueira da Foz”. 

[Read more…]

Peixe cru

Eu não como sushi e não se trata apenas de uma questão de gosto. Entendo que seria uma grande falta de respeito para com esses destemidos hominídeos do nosso comum passado, que consagraram gerações ao esforço de produção e conservação do fogo, se eu ignorasse esse extraordinário avanço da humanidade para dedicar-me a comer peixe cru. [Read more…]

Raul Vaz e o Contraditório

A Antena 1 emite às sextas às 19 um programa de comentário político (nos dias em que não haja bola, porque prioridades são prioridades), o Contraditório, no qual participam actualmente Ana Sá Lopes, Luís Delgado e Raul Vaz.

A ideia do programa consiste em apresentar os temas da semana e ouvir as interpretações dos comentadores, cobrindo o espectro político, apesar da particularidade de dois dos comentadores se posicionarem à direita (o Luís e o Raul), o que limita a variedade de opiniões.

É precisamente na diversidade das opiniões onde entra o tema “Raul Vaz” deste post. Não preciso de concordar com as leituras de cada comentador mas acho interessante ouvir os diversos pontos de vista, até para olhar para os problemas por diferentes ângulos. Neste aspecto, tem sido regra, em todas as emissões, Raul Vaz interromper as análises da Ana Sá Lopes, seja com breves à partes e bocas dignas do (mau) comportamento dos deputados nos debates parlamentares, seja inclusivamente com longas interrupções, que subtraem o tempo que seria da Ana. Numa das últimas emissões,  a do dia  10 do corrente, o boicote do Raul ao comentário da Ana atingiu proporções inéditas, com constantes interrupções e repetidamente a falar por cima da análise da sua colega de programa. No programa de ontem tal voltou a acontecer, se bem que em menor proporção. [Read more…]

O RMD explica

“O estado antecipa receita que só teria em 2016. Mas dizem-me que está a correr bem. Só pode estar a correr bem. É como se a GALP cobrasse em 2015 o combustivel que só vou usar em 2016. E me quisesse devolver dinheiro em pontos no cartão Fast.” No 31. Contextualizar com o “triunfo da filha da putice“.

PAF #3, Agosto 2011

Segunda estalada em Agosto. Aumento do IVA da electricidade e do gás de 6% para 23%. Congelamento das progressões nas carreiras da Administração Interna e da Defesa.

Dito de outra forma

Governo aplica sobre-taxa de 2.8% sobre o IRS. Mas aumentará para 3.5% porque nenhuma previsão do governo se realizou.

Casta passista sob ameaça do Organismo Europeu de Luta Antifraude

Tecnofraude

Como se o cerco ao imperador Marco António Costa, com as suas Webrands e restantes tropelias, não fosse já suficiente para minar ainda mais a credibilidade da casta passista, o Organismo Europeu de Luta Antifraude (OLAF na sua sigla oficial) está a apertar o cerco a Pedro Passos Coelho. A terra gira, o bloco central alterna-se no poder e a merda, tal como referiu e bem o António de Almeida, continua a ser a mesma. Só mudam mesmo as moscas.

Segundo o Público, o relatório do OLAF conclui que “a Tecnoforma e os seus dirigentes e/ou as entidades responsáveis pela atribuição dos financiamentos que a empresa recebeu do programa Foral cometeram actos susceptíveis de ser sancionados do ponto de vista financeiro e criminal“. Quem andava na linha da frente a abrir portas para a Tecnoforma? Pedro Passos Coelho. Quem geria o programa Foral? Miguel Relvas. Será que fogem para Paris para estudar Ciência Política em Outubro?

Cotovelo com cotovelo

A Lucrécia tem outro nome, um nome banal para uma mulher da sua geração, escolhido por uma madrinha modista de quem apenas resta um retrato nos estúdios Riviera, um leque comprado numa excursão a Salamanca e uma afilhada que recusa usar o nome que recebeu. Escolheu Lucrécia porque lhe soa a veneno, a perfídia e a poder.

A Lucrécia parou de contar a idade nos 69, já lá vai um bom tempo, mas ninguém lhe dá mais de 60. Loura platinada, pele morena (“Pareço uma cigana”), calças justas e camisolas com estampado de tigresa. Unhas longas e vermelhas. Muito vulgar na aparência, mas cuidadosa quando fala com quem não conhece.

Esteve casada com um cavalheiro que torrava fortunas no casino e que lhe deixou tudo penhorado. Gosta de contar histórias do seu paizinho patrão da indústria, da mãe que era uma judia alemã, muito loira e taciturna, que guardou até ao túmulo os segredos da sua fuga de Ravensbrück, e que era má como as cobras, Deus lhe perdoe, porque sofreu muito às mãos do Hitler. [Read more…]

Rigor, meritocracia e outros contos para crianças com a chancela do PSD

Passos Frasquilho

Na corte do monarca laranja que não queria reinar para dar empregos aos amigos, previsibilidade é palavra de ordem. O soberano diz-se previsível e a corte comporta-se da forma previsível a que nos foi habituando.

Assim, fiel a uma tradição de recordes na nomeação de boys à prova de austeridade que nem Cavaco, Guterres, Durão ou Sócrates conseguiram igualar, há novas panelas que nos chegam com o selo de qualidade da São Caetano à Lapa. Miguel Frasquilho, transferido da bancada parlamentar laranja para o AICEP, contratou na passada semana uma secretária-geral-adjunta que, curiosamente, foi sua assessora nos tempos em que era Secretário de Estado do Tesouro no governo do traidor que virou as costas ao país que o elegeu primeiro-ministro para exercer funções de mordomo astronomicamente remunerado. O caso está envolto em polémica, com trocas de mimos entre a Administração e a Comissão de Trabalhadores, que aponta o dedo a Fraquilho por não ter aberto um concurso interno e por estar a perseguir a actual secretária-geral, que aparentemente não apresenta o grau de obediência necessário. Segundo se pode ler ainda no Expresso, o cargo foi criado por Miguel Frasquilho e esconde uma tentativa de esvaziar a função de Luísa Neiva de Oliveira.

Noutras latitudes, o governo contratou oito novos técnicos para a REPER, que incluem um ex-adjunto do Ministro do Ambiente e uma assessora do gabinete da Ministra das Finanças. Com as eleições à porta, a casta passista tem que olhar pelos seus que a vida está difícil. Algo que, afinal de contas, é mais que previsível. São coisas do rigor.

O capitalismo é o pior dos sistemas…

À excepção de todos os outros, mas ainda há quem acredite nos amanhãs que cantam…

PAF #2, Agosto 2011

Continuando a percorrer esta excelente recolha, seguiu-se o fecho de 297 escolas do 1.º ciclo do Ensino Básico.