
O barco vai de saída
Adeus ao cais de Alfama
Se agora ou de partida
Levo-te comigo ó cana verde
Lembra-te de mim ó meu amor
Lembra-te de mim nesta aventura
P’ra lá da loucura
P’ra lá do Equador
“O Barco Vai de Saída”
Natália de Sousa merece que saibamos o seu nome

Não conhecíamos Natália de Sousa, o seu nome nunca chegou aos jornais, nunca foi capa de revista ou tema do momento nas redes sociais. Era advogada em Estremoz, ao que parece muito conhecida e respeitada na terra por se dedicar a casos de violência doméstica, abdicando frequentemente dos seus honorários para ajudar mulheres em situação desesperada.
Ontem à tarde, o ex-marido de uma das suas clientes, a meio de um processo de divórcio tumultuoso, invadiu-lhe o escritório. Recebera dias antes o aviso de que uma providência cautelar o impedia de se aproximar da mulher. Espancou a advogada até à morte, saiu e confessou o crime ao primeiro com quem se cruzou. Quando o socorro médico chegou, já era tarde. [Read more…]
O inferno de Rosa
Por esta história terrível passam muitos dos males do país, em pinceladas largas. O desmantelamento do estado social, o mau funcionamento das instituições, a hipocrisia da igreja, a indiferença de todos nós.
A higiene necessária para lidar com a “saída limpa”
Santana Castilho *
As 10 estratégias de manipulação, segundo Chomsky, são presença profusa na acção do Governo. O processo de saída do programa de assistência financeira e o discurso de Passos Coelho, que o anunciou, ilustram-no.
“Fazer uso do aspecto emocional é uma técnica clássica para causar um curto-circuito na análise racional e pôr fim ao sentido crítico dos indivíduos”, diz Chomsky. Passos tentou-o quando aproveitou a comunicação ao país para vender esperança que não cola e dramatizar com o medo que a fome e o desemprego espalharam. Mas porque a sua palavra está totalmente desacreditada, não o conseguiu. Quando disse “hoje, em Conselho de Ministros, o Governo decidiu que sairemos do Programa de Assistência sem recorrer a qualquer programa cautelar”, todos sabemos que manipulou a verdade. O Governo não decidiu. Decidiram a Alemanha e a Finlândia e, por elas, a Europa. Quando disse “temos reservas financeiras para um ano, que nos protegem de qualquer perturbação externa”, omitiu que essa almofada financeira, de 10 mil milhões de euros, custa 850 milhões de juros por ano, retirados à educação, à saúde e à protecção dos mais fracos. [Read more…]
Intrigas presidenciais
(Na foto: Cavaco Silva aparentemente crispado)
Passaram pouco mais de 2 semanas desde que, num dos seus roteiros turísticos pelo tecido empresarial português, Cavaco Silva emitisse o seguinte juízo:
Não. O presidente é “educado” demais para agressividades ou insultos. Excepto quando insulta a nossa inteligência. Já no capítulo das intrigas e crispações, Cavaco Silva deu na passada Segunda-feira o ar da sua graça e o mote para novas intrigas e crispações que facilmente poderão resultar em agressividades e insultos no debate político nacional. Será que o presidente cuida promover, com este tipo de discurso, o crescimento económico, a criação de emprego ou a conquista de novos mercados? Ou será que ficou aborrecido por não se ter optado pelo cautelar que ele tanto queria? Então e a “ilusão” das saídas à irlandesa e os “custos” que tal acarretaria?
Turismo
Hoje estive em Lisboa e por acaso assisti à partida dos ditos cruzeiros.
Nos últimos tempos é a segunda vez que vou a Lisboa e encontro uma cidade repleta de turistas. Como diria o Herman, “resmas” e “paletes” deles. No Porto, como bem sabe quem por cá anda, o cenário é idêntico (obviamente que em menor número, são realidades distintas).
Até que enfim!
Hotel Room Habitacion Lisboa UEFA Champions League
Futebol é negócio, para além de ser também um desporto. É um negócio como outro qualquer mas que, pontualmente, arrasta consigo outros negócios que pontualmente atingem taxas de lucro potencial muito superiores ao petróleo, aos diamantes, às drogas ou às putas.
É o caso, assim parece, da hotelaria em Lisboa pontualmente na noite de 24 para 25 de Maio do corrente ano. Segundo o Booking nos deixa saber, um quarto na Baixa de Lisboa num hotel de 2 estrelas pode custar entre os 1.500 e os 3.500 euros. Se o quarto for num hotel de 3 estrelas também na Baixa, os preços oscilam entre os 2.000 e os 5.000 euros.
Sim, um quarto duplo num 3 estrelas a custar mil contos.
A crise acabou e pouca-vergonha também!

Saída?
De repente tenho o meu país a discutir saídas, limpas, sujas, altas, baixas.
Lamento. A única saída que me interessa é a deste governo. Até podem ir de barquinho, carrinho, patins, a pé, de avião, mas que seja a correr e com muita pressa, urgência, imediata, que ao fundo já nos levaram.
Imagem roubada ao Pedro Sales
“Corrupção – A alma do negócio” ou a Verdade!…
Corrupção feita à maneira, que virou saída limpa!
Limpo mais limpo não há
Anunciada a “saída limpa”, espécie de Nirvana para nabos, os nossos “amigos” falaram. Não tardou que o vice-presidente da UE, qual sargento falando às mulas na parada, viesse, de sobrolho levantado, bradar ordens e instruções sobre o que o governo português tinha de fazer. O despenteado mental do eurogrupo já veio prometer-nos as penas dos infernos se não nos portarmos como eles acham que “deve ser”. O FMI exige um mini-memorando (que coisa tão querida, ’tá ver tia) com as nossas obrigações detalhadas e a garantia de controlo das nossas contas públicas nas próximas décadas.
“Estamos livres”, “é 1640”, “Portugal recuperou a independência”, dizem os governamentais papagaios. Pois é. É uma maçada. Os nossos governantes sopram sobre nós esta brisa libertadora e vem a realidade e atira merda para a ventoinha.
Fujam, Fujam p’ra Longe

A geração que nos vai governar a seguir está em breve a sair das faculdades; é o caso desta estudante de Direito em Coimbra – uma talvez-futura-juíza ou mesmo presidente-da-assembleia, – Cecília Gonçalves. Ouvida pelo Público, a promissora doutora deita cá p’ra fora o que lhe vai na alma. Por exemplo…
– “(…) a praxe não é humilhação mas está presente” (está presente o quê?) (…) é normal, é aceitável, é compreensível”;
– “ao longos das nossas vidas vamos ser humilhados das mais diversas formas”;
– “um dia, num futuro emprego, o meu patrão poderá chamar-me de incompetente e eu terei de saber aceitá-lo”;
– “os nossos professores chamam-nos ignorantes e nós temos de limitarmo-nos aos silêncio”;
– “a praxe ensina-nos (…) que na vida há uma hierarquia natural e que nós vamos ter de aceitá-la”;
– “a praxe ensina-nos (…) a igualdade para com os nossos semelhantes caloiros e a desigualdade perante o superior“;
– “Todos os anos morrem pessoas afogadas em rios (…) e até nas suas banheiras”;
– “Eles morreram na sequência de uma onda e não no ritual de praxe porque embora estivessem numa actividade praxista, podiam não o estar e morrerem na mesma”;
– “A praxe envolve humilhação, envolve gritos, envolve estar de quatro (…)”;
Posto isto, pergunto-me duas coisas: o que ensinaram a esta gente nas escolas secundárias? Há ainda gente sana e razoável no ensino superior ou são todos assim?
As ‘saídas limpas’, os equívocos e não só….
Gostava imenso de saber o que é que andam a dar a comer e beber a este pessoal todo, lá pelos sítios por onde pastam, que os traz assim tão desligados da realidade. Será ácido?
Seria quase de ter pena deles, não fosse sabermos exactamente como é, e em que é que sempre acaba.
O que quer que seja, parece afectar-lhes a competência linguística também. É que há sempre uma qualquer disparidadezinha, quando o ‘tweet’ em português aparece…
É que um “clean exit adjustment programme” é um ‘programa de ajuste para uma saída limpa’. Ao invés, um “adjustment programme clean exit” é ‘uma saída limpa do programa de ajustamento’. Tudo uma questão de sintaxe, é claro. E nada mais do que preciosismos meus, evidentemente.
Abençoai
Abençoai a alegria de quem, apesar do abismo que nos rodeia, encontra motivos para sorrir. Abençoai o meu vizinho que, mau grado estar desempregado e em dificuldade, se apaixonou e não consegue esconder o jubilo. Abençoai os amigos que ficam felizes porque viram o roubo das suas pensões reduzido e, se descontaram toda a vida honradamente, não lhe invejeis a quantia que recebem só porque é mais elevada que a vossa; a inveja é um veneno na nossa vida. Abençoai até os nossos amigos benfiquistas que festejam alegremente embora muitas das suas vidas estejam submersas no escuro do drama. Abençoai aqueles que foram hoje brincar para as praias já que, vendo bem as coisas, a maior parte deles vive a uma distância gratuita do mar. Abençoai os que, no calor da luta, se encontraram fraternalmente nas manifestações de Abril e Maio e trocaram sorrisos pela felicidade de estarem juntos. As melhores coisas da vida são, realmente, gratuitas e malditos sejam os que nos ensinaram o dever da tristeza e lançaram o anátema sobre o direito à felicidade como se esta fosse um pecado ou, pior ainda, um erro. Não precisamos de nos alienar na alegria para a provar. Podemos olhar a beleza da paisagem sem esquecer de que dela faz parte um abismo. Afinal o símbolo da nossa liberdade é uma flor. E uma arma. Destas coisas me lembrei quando, há pouco, caminhava à beira mar contemplando um glorioso pôr do sol. Se estou a desvairar, só me resta pedir a vossa indulgência e, talvez, a vossa bênção.
Ignorância é força
O que é um programa cautelar? Ninguém sabe ao certo. É possível que um programa cautelar seja apenas uma fabricação propagandística para nos (tentar) assustar, só para que depois se possa anunciar uma saída “limpa” de forma triunfante. Aparentemente a única possível. Há já muitos dias, talvez até semanas, toda a gente sabia que haveria a tal saída “limpa”. Até o Financial Times o garantiu há 4 dias. Quem tinha dúvidas que atire a primeira pedra.
Este tipo de anúncio dramático é comum no discurso “novilinguístico” do governo. Anuncia, por exemplo, um aumento de um determinado imposto de X para depois nos dizer que, após duras negociações e graças à acção determinante e corajosa do governo, foi possível reduzir 0,5% ou mesmo 0,25% do suposto X inicial, quando o mais certo é que o valor pretendido pelo governo/Troika fosse o já descontado. Então afinal, qual foi então a novidade?
Comprova-se, a saída é limpa…
… como se pode ver pelo resto de papel da limpeza numa das personagens. Foto: Expresso
Descubra as diferenças
Dia da Mãe
(Almada Negreiros, Maternidade, 1935)
Carregam na barriga, mas é no coração que os ou nos guardam.
São chatas. Impõem regras. Obrigam a fazer, mas fazem também.
Lavam, limpam, varrem. Os lixos e o que nos vai na alma.
Correm para a frente para dar o exemplo, e levam os filhos atrás.
Contam histórias dos livros, outras constroem-nas, por analogia, para o que é amargo de dizer.
Controlam, mas fingem nada saber quando, em torrente, os filhos despejam o que os atormentam.
Ser mãe é ter a profissão mais completa e complexa que existe.
E as nossas são sempre as melhores.
O que seriam os nossos mundos sem elas?
O que seriam os mundos dos nossos filhos sem nós?
Um feliz dia a todas as mães e a todos os filhos que sabem sê-lo.
Amor de fisco
O fisco está apaixonado por mim. Escreve-me cartas de amor com intermináveis lengalengas, das quais se destaca a adorável secção “Aviso de Confidencialidade”, em bilingue, a qual só por si, tem 2289 caracteres. Por acaso, atendendo a quem são os senhorios do país, surpreende-me que não tenha também uma secção em alemão e outra em chinês mas, lá está, o amor lima as imperfeições. [Read more…]
Troca-se Ser Vivo por Dois Bilhetes de Merda
Tudo se vende, tudo se compra, é apenas uma questão de preço.
A fraude do ensino privado
Qualquer professor com colégios por perto o sabe, os pais também, a compra de médias mais alta é um objectivo declarado de muitos. Eis que agora nos chega a demonstração matemática: as notas no ensino privado são inflacionadas, favorecendo os seus alunos no acesso ao superior e não só.
Esta vigarice, a que se acrescenta a realização das provas de exame nos colégios contrariando a tradição do ensino em Portugal e o bom senso, é conhecida, aceite, sacudida, suportada por todos nós.
Se do lado de quem pratica a desonestidade não espanta, seja a de quem compra porque instiga os seus a que passem por cima dos outros, fruto de um individualismo exacerbado e imoral, seja de quem o proporciona, porque o seu objectivo é apenas o lucro e o ranking, já o silêncio do estado e sucessivos governos diz tudo sobre onde chegámos, neste caso a bem pior que há 40 anos.
Os abutres e o cheiro a merda
À medida que o regresso ao pote público se vai afigurando como uma realidade no horizonte dos pseudo-socialistas do PS, a tendência para o reaparecimento de velhos abutres torna-se uma constante. Há três dias atrás apareceu por ai Jorge Coelho, antigo homem forte da construtora preferida dos socialistas da direita nacional, a bater continência ao líder. Se os portugueses continuarem na senda do masoquismo e do abstencionismo irresponsável e António José Seguro chegar ao governo em 2015, algo que só não será verdade caso alguma manobra interna o substituía por António Costa, Antonio Mota tem motivos para esfregar as mãos. Nem que tenha que contratar outro (ex) ministro socialista.
Depois do ajustamento financeiro
Começou o ajustamento territorial. Sem pompa nem circunstância.





















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