E não é bom?

Para Malik Ibn Benaisa, estudioso do Corão, «a mulher não pode ter a cara e as mãos descobertas, não pode usar saltos altos, tem que levar um lenço para tapar o peito e não pode usar perfume porque a mulher que o faz é uma fornicadora». E então, senhor Benaisa? Não é bom ter uma mulher fornicadora? A menos que o senhor prefira um homem fornicador e aí está na mesma tudo bem.
Pela minha parte, depois de ver este estudo, só lamento não usar saltos altos. Acho que vou reconsiderar esta falha.

Eis a razão de não se terem pago os subsídios de férias a tempo e horas

Toda aquela conversa da treta de haver dinheiro mas que não se iam pagar os subsídios de férias quando era suposto, estão lembrados? A verdade verdadinha já a sabíamos, só faltava a confirmação.

Hoje, a verdade veio à superfície. O défice no primeiro semestre ficou uns pentelhos abaixo do limite acordado com a troika, feito heróico que poderia cair por terra com uma simples questão de cumprir como cumprir a decisão de um tribunal.

O que hoje ficámos a saber é que não há dinheiro. O falido estado está falido, bem para além do os incompetentes do governo procuram fazer crer.

Em todo o lado

Um quarto dos alemães com salários baixos (traduzido automaticamente do alemão).

Remodelação do Governo (9)

Pires de Lima elogia Álvaro. Beato hipócrita!

Teatro no Porto: bom e barato

No final dos três anos de qualquer curso profissional, os alunos têm de participar numa Prova de Aptidão Profissional (PAP), o que lhes permitirá obter uma certificação profissional, para além do diploma de 12º ano.

Na Academia Contemporânea do Espectáculo, a PAP integra, frequentemente, a representação de peças, em que intervêm alunos dos três cursos: Cenografia, Luz e Som e Interpretação. O facto de estas provas estarem abertas ao público constitui uma possibilidade de ver o trabalho de um conjunto de jovens talentosos que estarão no futuro das artes do espectáculo em Portugal. É uma ocasião para assistir a espectáculos de grande qualidade pagando pouco.

Este ano, estarão em cena os espectáculos If…GípolisO Maldoror Está Vivo.

Não sigam o cherne. Sigam os cartazes. [Read more…]

Remodelação do Governo (8)

Os feitos de Pires de Lima na Unicer: 700 despedimentos. Uma empresa que, recorde-se, teve quase 30 milhões de lucros em 2012. Convenhamos, é o homem ideal para a Economia deste Governo.

Cortes nos subsídios de desemprego e de doença

Um governo amigo do povo, em especial dos desamparados por falta de trabalho ou de saúde.

Obsolescências

Ontem, parido e empossado, surgiu o Governo Passos Coelho II. Nasceu para levar a jangada nacional até ao fim do caminho e tentar mostrar resultados, se houver tempo e o Daniel estiver errado. Terá de fazer violências. Apanhará provavelmente com mais greves por mês que o Governo Passos Coelho I, mais débil, mais perro, e muito mais medroso. Muito menos articulado do que este promete parecer. Precisamos de greves na função pública, apesar da compressão de direitos e rendimentos, das requalificações e evacuações? O mundo europeu da Moeda Única carece delas? Claro que não. Do que precisamos mesmo é de menos Fisco, mais indústria, mais emprego, mais actividade privada e um caminho de competição directa com outros pólos planetários hoje com regras mais favoráveis para eles e que nos vão deixando mais e mais para trás e a dever-lhes dinheiro. A Ásia, sim, precisa de greves. Urgentemente. Nunca as terá. E mesmo que as tenha, delas pouco ou nada se falará. O Brasil também precisa. Greves por mais direitos laborais, pela humanização da sua indústria e de outras estruturas produtivas, greves por condições gerais mais justas de remuneração.

Cá, na pequena paróquia política portuguesa, por exemplo, pensar em greve, neste contexto em que uma hora conta, já antecipa ineficácia e cansaço levados ao limite e é um contrassenso quando no horizonte muitos aventam um novo cenário de bancarrota. As sociedades europeias que intuíram e inventaram o Estado Social e a aspiração ao bem-estar têm de redescobrir estratégias novas de protesto, mais cívicas e inteligentes, menos tiro-no-pé, à medida da massa crítica que constituem, à medida da realidade demográfica e cultural que habitam, e sobretudo à medida da nova consciência ambiental que se traduz em novas práticas individuais libertadoras, minimalistas, capazes, só elas, de engendrar uma felicidade pouco compatível com a loucura consumista, a ganância e a ambição competitivas que trucidam a concorrência e pisoteiam as caveiras dos derrotados e menos capazes. [Read more…]

Fazer exame para professor

Sem prejuízo de voltar a abordar o assunto, ficam aqui algumas primeiras e más impressões acerca de mais uma invenção do Ministério da Educação (MEC): a Prova de Avaliação de Conhecimentos, Capacidades e Competências para acesso à profissão docente.

Se bem percebi, pretende o MEC que os professores contratados realizem uma prova em duas fases: uma primeira, comum a todos os professores e sob a forma de prova escrita, independentemente da área em que leccionem, que servirá para avaliar a capacidade dos candidatos para “resolver problemas em domínios não disciplinares”. Quererá isto dizer que os candidatos a professores terão de explicar, por escrito, como resolveriam uma determinada situação numa aula?

Os que passarem à fase seguinte, farão uma prova, oral ou escrita, relacionada com a área de leccionação.

As pessoas que vierem a ser sujeitas a este exame têm, na sua esmagadora maioria, e no mínimo, uma licenciatura e um estágio pedagógico, ou seja, estão habilitadas a dar aulas. Muitas dessas pessoas já dão aulas há vários anos, o que acrescenta experiência à formação inicial. Como se isso não bastasse, há cada vez mais professores a frequentar mestrados e doutoramentos. O Ministério da Educação quer, portanto, sujeitar a um exame de acesso um conjunto alargado de profissionais com provas dadas. Gostaria de realçar a expressão “provas dadas”. [Read more…]

O meu voto de confiança

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E no entanto, nem todos andamos cá para ver andar os outros, e aprender a fazer como eles (sem pensar) fazem. Muitos escutam a sua humanidade pedir-lhes o que profundamente é no que a constitui: um anseio, que requer a caminhada – descoberta, conquista, chama-lhe o que quiseres. A maioria desses caminhantes são jovens, pessoas a quem contudo normalmente se atribuem todos os defeitos herdados dos pais, como se o Mundo que lhes é dado a viver nada lhes trouxesse, não os confrontasse, como se fossem apenas os genes de que são a reprodução mais recente. Alguns desses jovens viajantes que não querem já saber dos carros e das casas (que o desemprego que lhes destinam torna de qualquer modo inalcançáveis) fazem-se hoje portugueses noutros lugares.

Cruzei-me há dias com uma jovem estudante que quer cumprir a sua vocação e ser médica – ser médica pelas razões certas e eternas que fazem da medicina uma missão. Como o jornalismo o é, ou o ensino, e também a política, apesar de tudo aquilo a que assistimos e que nos é oferecido como normalidade. Gostaria de ser médica, essa médica, em Portugal, onde é tão precisa. Mas receia não aguentar a pressão, os sistemas informáticos de gerir pessoas ainda demasiado centrais no processo curativo, e ainda cheios de deficiências e de rigidez, sem espaço para a diferença (a singularidade que cada ser humano é), reproduzindo o que acontece na organizações, onde as pessoas competem pela sobrevivência e pelo poder, e onde a diferença não serve, não cabe.

Vi nessa estudante de medicina, como em muitos mais jovens que vou conhecendo, a visão desse mundo em mudança, dentro da cabeça dos mais novos, em gestação rápida que os tempos vão velozes, um mundo a nascer e que se construirá sem dúvida contra aquele que hoje decai alegremente, perante a indiferença de tantos para quem a injustiça é uma espinha de engolir.

Apetece.

Descarrilamento na Galiza

Hoje descarrilou um comboio perto de Santiago de Compostela. Um dia mau.

Desemprego: mais de 200 vítimas na Cova da Beira

Quando me deparo com certos comentadores e escribas da propaganda governamental que por aí circulam nas TV’s, nos jornais e na blogosfera, não os ouço nem leio. Cuspo, cuspo forte e sonoro de espontânea reacção pela náusea perante a falsidade, o artificialismo e o ardil de quem anda a impingir gato por lebre.

Por efeitos de experiência vivencial directa, regular e na maioria dos casos durante mais de 20 dias por mês, conheço com suficiente pormenor diversas regiões do interior; em especial o Alto Alentejo e as Beiras Baixa e Alta. Terras em continuado despovoamento, habitadas em grande maioria por idosos e com estruturas produtivas, incluindo agrícolas, abandonadas e muitas delas degradadas e destruídas.

Já sabia do triste desfecho, porque o processo se iniciou há meses. Contudo, o ‘Expresso’ acaba de confirmar: a Carveste, empresa têxtil de Caria, Belmonte, em processo de encerramento desde há tempos, vai expulsar para o desemprego mais de 200 trabalhadores.

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Reformas em nome de alguma coisa

antonio-mexia-edpAfortunado país é este dotado de tantos Antónios tão clarividentes, sendo eu, pobre de mim, a triste excepção, modesto verme da blogosfera indigno de usar o mesmo nome de outros génios portugueses! Depois do santo que pôs peixes a ouvi-lo, depois do festim dos sermões de António Vieira, eis que o verbo de António Mexia nos elucida sobre as reformas que o governo está a realizar. Estais preparados? Ficai, então, a saber que as “reformas estão a ser feitas em nome de alguma coisa.”

Já se sabia que António Mexia é tão bom que não é gestor, é CEO. A partir de hoje, sabe-se que é muito mais do que isso: com Mexia, a língua portuguesa recupera o esplendor, a frase resplandece com tão grande intensidade que se torna difícil olhá-la de frente e, no fundo, faz sentido um homem que vende luz proferir ditos tão brilhantes.

Ainda assim, tentarei, humildemente aprender com Mexia. Experimentarei, por exemplo, dizer em voz alta proposições inundadas de inteligência. Aqui vai uma:

– Os factos são consequências das respectivas causas.

É escusado. Escrito ou dito por mim, parece estúpido.  Desisto.

Remodelação do Governo (7)

Percebe-se a nomeação de Pires de Lima. A Banca e as grandes empresas estão radiantes. Por que será?

Remodelação do Governo (6)

Rui Machete é o novo Ministro. Quem melhor do que o pai para pôr o filho na ordem?

Remodelação do Governo (5)

Paulo Portas fica com horário zero. Espero que em breve passe à mobilidade especial.

Maria Luís Albuquerque: a mentira e a incompetência

A coligação reprovou a ida da MF à AR para justificar a falsa ignorância dos swaps. Swap, swap! Trocou 40 M da venda do BPN por 816 M de pagamentos ao BIC.

Remodelação do Governo (4)

Podem mudar os ministros todos, mas o maior cancro continua lá. Esse cancro chama-se Passos Coelho e vai continuar a alastrar.

Remodelação do Governo (3)

Jorge Moreira da Silva fica com a Energia. Depois do susto do Álvaro, ninguém melhor do que um próximo de Passos Coelho para garantir que se mantêm os privilégios da EDP. É assim que governam os corruptos.

Remodelação do Governo (2)

Sai o Álvaro. Manda quem pode, obedece quem deve.

Remodelação do Governo (I)

Mais champanhe para a EDP

“Pires de Lima, como ele há outros”, diz Violas

Manuel Violas, accionista da Unicer

Manuel Violas, accionista da Unicer

Manuel Violas, do grupo dos principais accionistas da Unicer, intercalou escassos elogios a Pires de Lima, com algumas considerações pouco favoráveis ao novo Ministro da Economia.

Em Pedras Salgadas, começou por revelar à imprensa “ainda não saber” da saída, o que não deixa de ser uma farpa cravada com força no Pires; certamente que Violas sabia, mas preteriu a frase “o que sei foi através da imprensa”, inegavelmente mais cordial.

O comportamento do Pires, de resto, evidencia falta de civismo, podendo ser emparelhada com o conceito da ‘irrevogabilidade’ de quem é amigo de Portas desde os tempos em que frequentaram o São João de Brito, bebendo a preceito e com efeitos duradouros a educação e da falta de ética jesuíta, hoje socialmente mitigada graças à frugalidade do Papa Francisco.

Olhe-se para o par Pires e Portas, faça-se a comparação com o Papa, e mesmo um agnóstico, que é o meu caso, conclui que enquanto a vaidade e a petulância estão plasmadas nos primeiros, a sobriedade é a marca do papa argentino.

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Contas

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diz que é uma espécie de governo…

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Fantasia

Tudo se prepara para a reunião do Conselho de Ministros. Estão todos lá, acompanhados dos seus numerosos secretários de estado. Passos Coelho assume a presidência e vai afivelando um sorriso torpe e ligeiramente sinistro. Portas afaga a breve cabeleira, naquele gesto triunfal que tão bem se lhe conhece. Vão aprovar leis duras. Serão cortes, despedimentos, perda de direitos, tudo quanto os presentes pensam que os portugueses merecem. Subitamente faz-se um silêncio estranho. A luz torna-se mais fraca, o ar parece ficar opaco, a temperatura baixa e provoca arrepios. Então, uma sombra começa a definir-se. Um vulto de trajos negros como a noite agiganta-se. E uma voz profunda, rouca, sombria, gela o sangue dos presentes: I’m Batmam.

Os amanhãs que cantam

Por fim, vamos ter um novo chefe do Governo. O líder do partido dos contribuintes, o defensor da lavoura nacional, chegou onde sempre quis: a liderança do executivo.

O facto de ser apresentado como vice-primeiro-ministro não lhe irá diminuir a autoridade. Na realidade é Paulo Portas quem manda no Governo. E com a vantagem de não ter de responder por ele em primeira instância. Haverá melhor que isto?

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Vai ainda coordenar com Maria Luís Albuquerque, em quem não tem confiança, as relações com a troika. Já se sabe, pois, quem vai mandar.

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Grande título

O CDS não tomou posse, tomou conta

Meia-dúzia de cambalhotas e tudo pior

A CGTP reuniu hoje o seu Conselho nacional e não descarta o agendamento de uma nova Greve Geral, a par de outras formas de luta. Obviamente que, com o circo que o país viveu durante 21 dias, com o morto em passeio com as cagarras, coitadinhas, exige-se uma resposta dos trabalhadores e do povo. Depois de 21 dias, duas demissões, uma irrevogável, mais duas que estavam prontas a ser entregues e ficaram na gaveta, um Portas sem espinha e um Passos invertebrado, é imprescindível que o povo volte a ter a palavra. O morto não nos dá as urnas, nós damos-lhe com as ruas. [Read more…]

Estou cansado, pá