Discurso de Alexis Tsipras

A tradução deste discurso foi feita por Isabel Atalaia a partir da tradução não oficial para inglês de Stathis Kouvelakis. Em ambos os casos, as traduções foram feitas com grande urgência, por se entender prioritário difundir um discurso de importância fundamental. Por esse motivo, este texto será actualizado caso se verifique a necessidade de fazer qualquer alteração que salvaguarde a sua fidelidade ao original.

Compatriotas,
Durante estes seis meses, o governo grego tem travado uma batalha em condições de asfixia económica sem precedentes para implementar o mandato que nos foi dado, a 25 de Janeiro, por vós.

O mandato que negociávamos com os nossos parceiros visava acabar com a austeridade e permitir que a prosperidade e a justiça social regressassem ao nosso país.
Era um mandato com vista um acordo sustentável que respeitasse quer a democracia, quer as regras europeias comuns e que conduzisse à saída definitiva da crise.

Ao longo deste período de negociações, fomos convidados a executar os acordos concluídos pelos governos anteriores através dos memorandos, embora estes tenham sido categoricamente condenados pelo povo grego nas recentes eleições.

Apesar disso, nem por um momento pensámos em render-nos. Isso seria trair a vossa confiança. [Read more…]

Referendo na Grécia

Tsipras vai submeter as propostas dos credores a consulta popular. Chama-se democracia e não costuma agradar ao regime. Que o diga Papandreou.

“Isto não é um jogo.”

É uma criançada.

A tensão subiu na cimeira do Conselho Europeu, quando o seu presidente, Donald Tusk, voltou a dizer que “o jogo acabou”, a propósito das negociações com a Grécia. Alexis Tsipras respondeu dizendo que “a Grécia tem 1.5 milhões de desempregados, 3 milhões de pobres e milhares de famílias sem rendimentos que vivem da ajuda dos avós. Isto não é um jogo.”

“Nem você, sr. Tusk, nem ninguém deve subestimar o que um povo pode fazer quando se sente humilhado”, prosseguiu Tsipras, explicando que a Grécia apresentou propostas com medidas difíceis para um país em crise. Para o primeiro-ministro da Grécia, a mudança de posição dos credores durante a semana “reflecte infelizmente as posições mais extremistas do FMI e que não são diferentes dos anteriores programas”. [infoGrécia]

Eis um presidente sem autoridade mas com um ar de mandão.

O medo passou para o outro lado

grecia discoboloJá irrita ver a discussão em torno da Grécia e do acordo reduzida ao que não é, um problema entre o governo grego e os chamados credores, auxiliadores e outras tretas de propaganda.

O que se está a discutir é muito mais simples, e complexo: as eleições em Portugal e Espanha, para já, futuras eleições em França, na Irlanda e na Alemanha, a renovação do mandato da birrenta Lagarde.

Se Merkel e Hollande já perceberam que a saída da Grécia do Euro ia custar uma pipa de massa, e passaram à defensiva, os seus representantes nas províncias ibéricas estão numa compreensível aflição: qualquer acordo que não consigam vender como uma humilhação ao Syriza ser-lhes-á fatal.

O problema do pensamento único que nos governa é que acredita mesmo nas suas fantasias. Foi por aí que as coisas lhes correram mal.

Para eles, por exemplo, a História é feita por uns senhores que tomam decisões por sua livre e espontânea vontade. Ainda não perceberam que os povos existem, até porque negam a existência da própria sociedade. A ignorância é tanta que se esqueceram de dois detalhes do património histórico grego: foi por aqueles lados que no séc. XIX começou a Europa das Nações, que levou ao uma completa mudança do mapa por estes lados (e na América, por exemplo, também). Por ironia ou talvez não os liberais do tempo, os a sério, foram os grandes apoiantes da causa grega contra o império otomano que levou à sua independência. O outro respeita à resistência à besta anterior, a nazi, que em todos os Balcãs foi muito a sério, e não mais mito que outra coisa como viemos a descobrir por exemplo em França. [Read more…]

Estes gregos devem estar loucos

Sondagem GR

As sondagens, sabemos, valem o que valem. Ainda há poucos dias, a Universidade Católica revelou uma que coloca a coligação PSD/CDS-PP à frente do PS, o que levantou muitas dúvidas mas não lhe retirou legitimidade. Porém, foi o suficiente para que se começassem a ouvir discursos de vitória.

O Jornal da Tarde da RTP abriu com notícias sobre a Grécia e sobre a reunião do Eurogrupo de hoje. Rapidamente, o pivô da televisão pública deu voz aos gregos que, segundo o teleponto, pedem o afastamento de Alexis Tsipras das negociações, como forma de evitar mais humilhações do para o povo grego. Algo estranho se olharmos para a sondagem em cima levada a cabo há poucos dias pela Public Issue, que dá ao Syriza uns “modestos” 47,5% das intenções de voto, ou para as frequentes manifestações nas ruas de Atenas a favor do actual governo grego. Se isto não é ter o apoio do cidadãos, então já não devem restar muitos governos legítimos no Velho Continente. Já por cá, curiosamente, a vassalagem absoluta do bloco central aos ditames do FMI e dos oligarcas que governam a UE não parece granjear grandes resultados para os seus dirigentes. Juntos, PS, PSD e CDS-PP correspondem a 75% das intenções de votos, apenas 27,5% mais do que o Syriza consegue sozinho no seu país, isto apesar de contar com a oposição violenta da União Europeia em bloco. Estes gregos devem estar loucos.

Portugal preocupado em ser o próximo à medida que medo do Grexit aumenta

Parece que o Financial Times discorda do sr. Coelho.

Portugal frets it could be next as Grexit fears grow
“Portugal is regarded as the riskiest credit in Europe after Greece,” said Lyn Graham-Taylor, a fixed income strategist at Rabobank. “It has a high debt to GDP ratio, it was subject to a bailout and it doesn’t have the economic power of other indebted countries like Italy.”

Aliás, o próprio Eurostat também não dá para alimentar contos de criançada.

divida-e-defice

Descontando a Finlândia e a Letónia que têm baixo défice em percentagem do  PIB, Portugal é o campeão nos dois indicadores, défice em percentagem do PIB e percentagem da dívida detida por estrangeiros.

Este último aspecto é óptimo para falar do que Nuno Melo disse hoje na Antena 1. A teoria dele é que Costa, se formar governo, vai fazer o país perder a soberania devido a alianças com Espanha. Até evocou a Restauração. Isto dito por um energúmeno de um dos partidos do governo que colocou a produção e distribuição de electricidade nas mãos do estado chinês e que tem permitido ao governo angolano controlar diversos sectores da comunicação social e da banca.

Nesta malta, o que lhes falta em pudor, sobra-lhes no descaramento com que mentem.

[gráfico]

Vassalos

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Foto: PIERRE-PHILIPPE MARCOU

Repare-se na posição de Portugal e Espanha sobre a Grécia:

Governos ibéricos insistem nas “garantias” e “compromissos” do governo grego
Chefes de Governo de Portugal e Espanha aproveitam cimeira para manifestar posição concertada sobre a Grécia: rejeitam a extensão do apoio sem contrapartidas “claras”. [P]

E atente-se na acusação do sr. Rudolfo:

Assessor económico de Passos ataca liderança grega
Rudolfo Rebelo acusa Tsipras de confundir partido e Estado. E afirma que se a Grécia não pagar ao FMI, quem o vai fazer são “as ìndias e os Paquistãos”. [P]

E, por fim, lembremo-nos quais são os dois países que terão eleições a curto prazo, em particular naquele cujo primeiro-ministro declarou ir além da troika, para nos interrogarmos sobre quem perderia se a Grécia triunfasse neste braço de ferro.

Confundir partido com estado, sr. Rudolfo? Que bem prega frei Tomás. Explique lá o que é que tem Portugal a ganhar com a capitulação grega,  a tal ponto de assumir posições que os outros estados se coíbem de assumir?

Vergonha de governantes, que não se importam se exibir vassalagem para ganhar um argumento eleitoral.

Cimeira de líderes: conferência de imprensa final

Aconteceu há minutos e passou num canal que não aqueles para os quais precisámos de comprar novas antenas.

Foi a conferência de impressa final da cimeira dos líderes europeus, onde ficámos a saber que Juncker acredita que na próxima reunião do eurogrupo haverá acordo. Qual, e como? Foi discutida a renegociação da dívida grega? Às perguntas dos jornalistas, Juncker apenas respondeu com um seco “não é altura para responder”. Na sala não se ouviram protestos.

Eis a Europa dos cidadãos, opaca mas com todo o requinte de formalismo.

A encruzilhada geopolítica grega

Geo

Encostado à parede pelos parceiros europeus, o governo grego procura soluções noutras latitudes. Alexis Tsipras deslocou-se ontem a Moscovo para fechar um acordo de 2 mil milhões de euros com o governo de Vladimir Putin para a extensão de um gasoduto russo até à Grécia, mas também para negociar outros acordos, nomeadamente na área dos produtos agrícolas, isto apesar da recente decisão da União Europeia em prolongar as sanções impostas ao país. Bruxelas, como seria de esperar, não vê com bons olhos esta aproximação, apesar das empresas petrolíferas europeias e americanas continuarem a explorar petróleo em território russo e em parceria com a estatal Rosneft, sem que tal levante grandes indignações.

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Da mitologia a um Eurogrupo de mentirosos

Para refrescar do calor das mentiras do pensamento único dominante, sugiro este vídeo:

e a leitura do discurso integral de Varoufakis às crianças birrentas e aldrabonas. Depois pode confrontar com as declarações das marias luíses e das lagardes deste mundo, segundo as quais não foi apresentada nenhuma proposta pela parte grega.
Carlo Collodi, um escritor italiano, criou a personagem que hoje na nossa mitologia personifica essa gente. Chama-se Pinóquio.

Não é a Grécia, é Portugal

portugal nao e a grecia

A campanha contra a Grécia já chegou à xenofobia germânica (o Die Welt acusa a Grécia de ter destruído a Europa de Metternich em 1821 e manda umas bojardas arianas sobre a “composição étnica do povo grego”), para não lhe chamar outra coisa.

Por cá, entre mentiras e manipulações de números, fica a acusação de que a culpa é dos gregos porque votaram no Syriza. Ora precisamente os gregos, que votaram durante décadas no seu bloco central, mudaram o rumo.

Quem ainda tem um governo inventado por um Relvas e um Marco António, facilitadores de negócios profissionais, não é a Grécia, é Portugal.

Quem tem um ministro Portas que escapa do caso dos submarinos e Portucale, não é a Grécia (que até julgou e condenou o ministro que fez o mesmo), é Portugal.

Quem tem um primeiro-ministro que andou a sacar fundos europeus para coisa alguma, caloteiro da Segurança Social e que teve uma longa carreira entre a política e os negócios, não é a Grécia, é Portugal.

Quem tem um ex-primeiro-ministro preso, que tudo indica será acusado de corrupção e absolvido porque impediu que as propostas de Cravinho fossem aprovadas, mantendo a corrupção política como crime quase impossível de provar, não é a Grécia, é Portugal.

Quem nas próximas eleições vai eleger os do costume, porque tem uma esquerda de egos incapaz de se unir e avançar para o poder, não é a Grécia, é Portugal.

Portugal não é a Grécia, pelo menos por enquanto. Tenho pena, muita pena, essa parte os gregos já resolveram.

Fotografia: Rogério Santos

Grécia: o “golpe de Estado” que não será televisionado

Porque é financeiro, conta com o apoio do presidente da Comissão Europeia, do ministro das Finanças da Alemanha, das agências de notação financeira, dos governos (entre os quais o português), da Oposição interna ao Syriza, e dos jornalistas (com destaque para a imprensa alemã e francesa) comprometidos com o sistema. Mais, aqui (em francês).

Segredos da máquina mediática de Bruxelas

 Nikos Sverkos

Na política, dizem os insiders dos órgãos de comunicação políticos, está sempre em vantagem quem melhor conseguir influenciar os media internacionais para que veiculem as suas posições. E isto não acontece apenas durante os períodos de campanha eleitoral: na União Europeia, o poder de decisão depende não apenas da força da economia de um dado parceiro, mas também do modo como ele lida com os órgãos de comunicação internacionais.

Não é segredo que em Bruxelas existe uma máquina de comunicação bem oleada que consegue distribuir informação às principais agências de comunicação numa questão de horas. Esta máquina, que aumentou a sua influência desde o início da crise financeira em 2008, opera com base na manutenção do anonimato das fontes jornalísticas que a alimentam – um dos princípios mais sagrados da ética jornalística.

No entanto, este princípio de anonimato tem sido também utilizado para proteger a própria máquina mediática de Bruxelas e garantir que a mesma permanecerá oculta da opinião pública. Nenhum jornalista na capital Belga está preparado para arriscar o seu emprego expondo o modo como o sistema funciona, preservando e reproduzindo, assim, um ‘código de silêncio’ em torno deste assunto.

O Núcleo duro

O grupo com maior influência sobre a máquina mediática de Bruxelas é constituído pelo ‘núcleo duro’ da Eurozona. Nele se incluí a Representação Permanente da Alemanha, sediada em Bruxelas e assistida pelos países-satélite (em termos políticos e financeiros) daquele país – Espanha, Portugal, Eslováquia e os estados do Báltico (entre os quais a Letónia, que ocupa presentemente a Presidência da União Europeia). A França e a Itália possuem claramente menos acesso e influência neste sistema. [Read more…]

Angela Merkel baralha e torna a dar

Stupid Merkel

Depois do Presidente da República alemão se mostrar favorável à discussão de uma possível indemnização à Grécia, decorrente de reparações pendentes por empréstimos forçados e danos provocados pelo regime nazi, Angela Merkel surpreende ao afirmar:

Não se deve traçar um risco por cima da História. Nós podemos ver isso no debate que existe na Grécia e noutros países europeus. Nós, os alemães, temos a responsabilidade acrescida de estar alerta, sensíveis e conscientes do que fizemos durante a era nazi e dos danos causados a outros países. Tenho uma tremenda simpatia por isso

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A heresia de Joachim Gauck

Gauck soll neuer Bundespräsident werden

Momentos de intimidade como o retratado na foto poderão ter os dias contados. Tudo porque o senhor Joachim Gauck, Presidente da República da capital do império europeu, admitiu a hipótese do seu país pagar as indemnizações reclamadas por Atenas que resultam da ocupação da Grécia pelo III Reich, o que inclui empréstimos forçados concedidos pelo Banco Central da Grécia aos nazis.

É certo que o poder está concentrado no executivo de Angela Merkel, assumidamente contra o pagamento de qualquer tipo de indemnização resultante das aventuras imperialistas dos seus antepassados, e que Joachim Gauck pouco mais representa do que uma figura decorativa sem grande poder de decisão. Mas a coragem do presidente alemão poderá dar nova vida à discussão de uma reivindicação legítima. Dizer que “Não somos apenas um povo que vive nos dias de hoje, somos também os descendentes daqueles que deixaram para trás um trilho de destruição na Europa” são palavras sobre as quais todos os alemães podem e devem reflectir. Até porque se Tsipras se lembrasse de alegar que a herança de endividamento corrupto e irresponsável que recebeu do bloco central grego não lhe dizia respeito, que fazia parte do passado, usando a alegação como argumento para se recusar a pagar a dívida grega, algo me diz que a heresia não seria bem recebida. Ou pagam todos ou não paga ninguém.

O Parlamento grego votou em favor do restabelecimento do sinal da televisão pública,

encerrada pela austeridade desde Junho de 2013. Grande parte dessa triste história aqui.  1 550 trabalhadores são agora reintegrados.

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«Que não, que não, mas depois é sempre o que acontece:

as dívidas públicas são reestruturadas.» Thomas Piketty ao Público

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Grécia e desinformação

Quando se lê uma notícia sobre a Grécia começa a funcionar bem uma regra simples: é exactamente ao contrário. O afastamento de Varoufakis das negociações directas com a Alemanha e seus protectorados anda por aí contado como uma cedência, já que o seu lugar foi ocupado por Euclid Tsakalotos, um “moderado”, dizem. Stathis Kouvelakis, dirigente do Syriza ligado à sua minoria mais à esquerda, escreveu hoje no Facebook, onde cheguei via Jorge Costa:

Gostaria de pedir a todos os que vêem a experiência do Syriza com um mínimo de boa fé, que requer (e é compatível com) crítica, lucidez e vigilância, que não façam julgamentos muito precipitados acerca da remodelação na equipa Grega de negociação da dívida.

O facto de Euclid Tsakalotos assumir agora um papel mais importante não deve ser interpretado como um sinal de suavização da posição do governo. Na verdade, o ‘discreto’ Tsakalotos é um acérrimo (e não um ‘errático) marxista e sempre se posicionou à esquerda do bloco maioritário do Syriza (que foi agora reformulado como ‘a iniciativa dos 53’). Não sendo favorável à saída do euro, sempre defendeu a linha de ruptura firme com a austeridade e considerou, como uma alternativa séria, o perdão da dívida. [Read more…]

Observatório de Atenas

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Um novo blogue, Observatório da Grécia, preenchido por conhecidos e reputados blogueiros, propõe-se “disponibilizar mais informação do que a que se pode atualmente encontrar, favorecendo uma leitura informada sobre os acontecimentos” da Grécia. Uma missão inovadora, de que nunca ninguém se tinha lembrado entre nós, que tal como tanto Zé fazia falta.

Acho muito bem. Pela nossa parte é um sossego saber que já não precisamos, no Aventar, de traduzir ou publicar textos como Não há tempo para jogos na Europa (17.154 visualizações), Carta Aberta de Alexis Tsipras aos Leitores do Handelsblatt (16.531 visualizações), Carta aberta de um estudante liceal grego (4.644 visualizações), Petição sobre a dívida da Alemanha à Grécia em reparação pela invasão na II Guerra Mundial (mais de 8.765 visualizações) ou Como um grego ensina a um alemão a História das dívidas (mais de 27.048 visualizações).  Muito melhor que nós a casta, perdão, a nata da nata se encarregará dessa tarefa (ainda podia acrescentar umas legendagens de uns vídeos, mas nem vale a pena) com um alcance muito mais vasto. Por outro lado parece-me que artigos como o do Rui Curado Silva, Paralíticos Gregos vs Donas de Casa da HSBC, se remeterão à simplicidade dos seus 4.146 leitores, o que é preciso é disponibilizar mais informação e comentário de forma a alcançar quem a leia.

É um sossego, a partir de agora a malta de Lisboa (com duas notáveis excepções, eu sei) trata do assunto, nós cá pela província pensaremos, talvez, em divulgar o que de helénico se passa fora de Atenas.

Contos para crianças VI: o milagre económico português

Juros da dívida grega disparam e arrastam juros portugueses consigo. Irlanda praticamente imune ao contágio.

279 mil milhões de euros

É o valor do calote nazi segundo as estimativas do governo grego. Uma estimativa “estúpida” no entender da Alemanha. Quase tão estúpido como endividar um país para salvar bancos.

Jacinto Leite Capelo (G)Rego

ND

O indivíduo na foto chama-se Gikas Hardouvelis e, até à subida do Syriza ao poder, exercia funções de ministro das Finanças do anterior governo conservador liderado por Antonis Samaras, esse governo que tantas saudades deixou ao nosso bloco central, a tantos dos nossos liberais e a milhares mercenários financeiros por esse mundo fora.

Ora o indivíduo Hardouvelis está agora sob investigação por ter retirado do país cerca de 450 mil euros do entre Maio e Junho de 2012, altura em que exercia funções de conselheiro do primeiro-ministro, sem que o valor constasse na sua declaração de bens, algo a que estava obrigado por lei em função do cargo ocupado. Para levar a cabo a transferência destes 450 mil euros, Hardouvelis recorreu ao método Jacinto Leite Capelo Rego, efectuando um total de 56 transferências entre 5 de Maio de 2012 e 14 de Junho de 2012, cujos valores oscilaram entre os 7.700$ e os 9.800$, sempre abaixo dos 10 mil dólares, valor a partir do qual os mecanismos de alerta do Banco Central Grego faziam disparar os alarmes.

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O exílio da vontade

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Quando preciso de alento (a que outros chamam esperança) releio Albert Camus. Há nos seus textos, e até mesmo nos mais tardios, uma combinação benfazeja de propriedades apaziguadoras dos inquietos, o sopro da verdade profunda que apenas a arte diz, a voz dessa sabedoria sem época. Um dos seus livros que prefiro é L’été (O Verão), originalmente publicado em 1959. Trata-se de uma compilação de pequenos textos, e num deles, intitulado O exílio de Helena, Camus detém-se no lugar da Grécia na Europa.

Há nos territórios (e numa certa e relativa medida também nos seus passados) da Grécia e de Portugal uma espécie de insuportável beleza do Mundo que aproxima os seus povos: gentes nascidas na angustiante superlativa beleza de lugares que se habituaram a abandonar, para procurar noutras partes do Mundo os modos de vida que nos seus países não têm aparente vontade de erguer. Bastará dizer que, no caso da Grécia, foi um país que teve retornados (em significativa quantidade, comparável à de antigos impérios) sem ter sido colonizador.

Quando Camus refere «o nosso tempo», é evidente que o seu tempo (dele Camus) não é o nosso, mas ao mesmo tempo é, nesse pós-guerra em que escreve Camus que é em certa medida o nosso também. Outros textos dessa recolha chamada O Verão foram escritos antes da Segunda Grande Guerra, outros ainda muito depois do seu término, mas na essência não importam as datas: em pano de fundo está a guerra, e a supremacia pragmática e impositiva da razão técnica sobre a vontade, que é o que vivemos por estes dias. | S.A.

Albert Camus, L’été, «L’exil d’Hélène», 1948
[tradução rápida da autora deste post]
«O Mediterrâneo tem a sua própria tragédia solar, que não tem nada a ver com a das névoas. Certos fins de dia, no mar, junto ao sopé das montanhas, a noite cai na delineação perfeita de uma pequena baía e, provinda das águas silenciosas, emerge então uma plenitude angustiada. Apenas estando lá podemos compreender até que ponto os gregos conheceram o desespero através da beleza, e do que ela tem de opressivo. É nessa infelicidade dourada que a tragédia culmina. (…)

Forçámos a beleza ao exílio, e os gregos limpam as armas para defendê-la: eis uma primeira diferença, que no entanto vem de longe. [Read more…]

Economista britânico diz que Europa está na iminência de um ‘IV Reich’ | iOnline

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Lusa . 4 Mar 2015 – 15:22

O economista britânico Stuart Holland disse hoje em Lisboa que a Europa está “na iminência de um IV Reich”, referindo-se à situação na Grécia e à “hegemonia de Berlim” na União Europeia. 

“Temos uma hegemonia alemã que (os antigos chanceleres) Willy Brandt e Helmut Kohl não queriam. Eles não queriam uma Europa alemã, mas Angela Merkel que não tem as referências da Europa Ocidental não aceita conceitos como a solidariedade”, disse à Lusa o economista britânico, à margem da conferência “Grécia e Agora?”, que decorre na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa.

Texto integral em http://wp.me/p29WGc-Ak

Portugal não é a Grécia

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Depois dos casos BPN, BPP, BCP, BANIF, BES, Sobreiros, Miguel Relvas, Submarinos, Vistos Gold e do seu próprio caso pessoal – contributivo e Tecnoforma -, entre muitos outros, percebe-se agora que ao insistir na ideia de que “Portugal não é a Grécia!”, Passos Coelho estava afinal a defender o bom nome e a honorabilidade do povo grego (que não as das elites dirigentes da Grécia que são iguais às nossas).

Publicado originalmente em: http://wp.me/p29WGc-Ah

Para que serviram os resgates à Grécia: o FMI explica

«O dinheiro serviu para salvar os bancos franceses e alemães, não a Grécia», declarou Paulo Nogueira Batista, membro do Conselho de Administração do FMI, em representação do Brasil, que defende a reestruturação da dívida grega, e que as instituições da troika devem respeitar a soberania da Grécia. [vídeo em inglês].

Juncker ao El País

nas últimas semanas, Espanha e Portugal têm sido muito exigentes em relação à Grécia

Eurogrupo: a Grécia como desafio democrático

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O primeiro-ministro grego está debaixo de fogo e os canhões apontados à Grécia estão em Bruxelas, com o apoio dos governos português e espanhol. Tsipras disse que os gregos encontraram em Bruxelas um eixo de poder que tem um objectivo político muito claro: assegurar os resultados eleitorais que melhor servem os interesses dos partidos que têm partilhado o poder nos países onde haverá eleições este ano, e os dos seus parceiros de negócios.

Numa tentativa desesperada de defesa dos referidos interesses (que não são os dos povos, sabêmo-lo hoje, ao custo do nosso sofrimento e da indignidade das nossas vidas de cidadãos de países supostamente desenvolvidos e democráticos, mas onde cheira de novo a fascismo, naquela versão que a gente sabe), Mariano Rajoy disse que os ibéricos não são responsáveis «pelas frustrações dos radicais de esquerda» quando confrontados com a realidade dos factos. Como se a realidade fosse unicamente composta pelos factos que melhor servem os interesses de Rajoy. Já o Governo alemão, acusou Tsipras de ter cometido um erro que não é habitual, ao atacar os seus parceiros europeus, «algo que não se faz no eurogrupo», disse o Governo alemão. Isto está bonito.
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Portam-se bem

recebem um biscoito e duas festinhas na cabeça.

A miúfa de Rajoy e Passos

Sejamos honestos, não é o perdão ou a reestruturação da dívida grega que incomodam Rajoy e Passos. A miúfa de Rajoy e Passos é que o Syriza representa uma esquerda que irá desmantelar todas as grandes negociatas agarradas ao poder da responsabilidade do PASOK e da Nova Democracia.

Passos sabe melhor que ninguém que, tal como na Grécia, as grandes negociatas em Portugal têm cores políticas bem vincadas e associadas ao arco da governação.  Ao BPN chamavam-lhe o banco do PSD. Foi no BPN que Cavaco Silva obteve lucros de 140% pela compra e venda de acções em apenas dois anos, o mesmo Cavaco que em 1987 utilizou a expressão “gato por lebre” para criticar os lucros estratosféricos (mas inferiores a 140%) da bolsa de Lisboa. O triângulo entre a CCDR da Região Centro, a Tecnoforma e os colégios privados da GPS em que esteve envolvida a quadrilha composta por Passos, Relvas, Paulo Pereira Coelho e António Calvete colocaram de mão dada quadros do PSD e do PS em negociatas que prejudicaram fortemente o erário público, actualmente a ser investigadas pela UE. O BES foi outro dos bancos do PSD por onde passaram muitas negociatas entre as quais a dos submarinos que envolve dois distintos militantes do CDS: Paulo Portas e Jacinto Leite Capelo Rego. Já “de róseos dedos” são as negociatas realizadas à custa da Parque Escolar e os esquemas de Sócrates com o Grupo Lena.

Também em Espanha, o que não falta é matéria de investigação criminal envolvendo Rajoy no caso do financiamento do PP e sobre suspeitas de criminalidade financeira envolvendo a Opus Dei, altamente comprometida com a direita espanhola.  Aliás, a Opus Dei e toda a constelação de interesses instalada nos partidos do arco do poder em Espanha e Portugal irão continuar a boicotar o trabalho de Tsipras, tudo farão para impedir o Podemos de governar em Espanha e que o “mal” alastre a Portugal, arruinando os negócios destes distintos cavalheiros na Península Ibérica.

Perante este cancro, Tsipras terá sempre um forte e amplo apoio em Portugal e em Espanha entre as classes mais desfavorecidas. A miúfa está do lado de Rajoy e Passos Coelho.